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  • Brasil: Produção de carnes bovina, suína e de frango bate recorde

    Brasil: Produção de carnes bovina, suína e de frango bate recorde

    No 3º trimestre de 2024, o abate de bovinos atingiu um aumento de 15,3% em comparação ao mesmo período de 2023 e cresceu 3,9% em relação ao 2º trimestre de 2024. O total de cabeças abatidas chegou a 10,37 milhões, superando pela primeira vez a marca de dez milhões em um único trimestre. Além disso, os abates de suínos e frangos também cresceram, resultando no recorde na produção de carnes . Esses dados foram divulgados (05/11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nas Estatísticas da Produção Pecuária.

    Angela Lordão, gerente da pesquisa, afirmou: “O ano de 2024 está sendo de recorde no abate de bovinos e na produção de carne. Estamos nos encaminhando para um recorde anual, a depender do quarto trimestre.” Ela destacou que julho foi o melhor mês da série histórica, iniciada em 1997, para o abate geral.

    A boa oferta de animais se deve à retenção de fêmeas entre o final de 2019 e 2021. Lordão acrescentou que o setor ainda vive uma fase de baixa nos preços, especialmente do bezerro, o que desestimula a retenção de fêmeas.

    Em relação ao mesmo período do ano anterior, o abate aumentou em 1,37 milhão de cabeças. Dentre as 27 unidades da federação (UFs), 25 registraram crescimento no abate. O aumento no abate de fêmeas foi de 19,6%, enquanto o dos machos subiu 12,5%, influenciado pela queda nos preços dos bezerros.

    Angela ressaltou a forte demanda por carne bovina: “Estamos com exportações recordes, e aqui no mercado interno também temos observado um aumento do consumo per capita das famílias.” Sendo assim, as exportações atingiram um patamar inédito de 706,43 mil toneladas no trimestre, refletindo um aumento de 30,6% na comparação anual.

    Recordes produção de carnes de Suínos e Frangos

    O abate de frangos alcançou 1,62 bilhão de cabeças, representando um crescimento de 2,8% em relação ao mesmo período do ano passado e um acréscimo de 0,8% em comparação com o trimestre anterior. Este resultado, portanto, estabeleceu um novo recorde trimestral.

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    O abate de suínos também atingiu um novo marco com 14,95 milhões de cabeças abatidas, aumento de 2,1% em relação ao ano anterior e alta de 2,6% frente ao segundo trimestre.

    As exportações brasileiras de carne suína, sendo assim, voltaram a crescer e estabeleceram novo recorde trimestral. As vendas externas da carne de frango também se mantiveram elevadas no terceiro trimestre, alcançando o segundo melhor resultado na série histórica da Secex. “O Brasil tem aberto novos mercados para exportação de carne suína e é o maior exportador mundial de carne de frango”, afirmou Angela.

    Produção de Ovos Atinge Novo Recorde

    Além do recorde na produção de carnes, a produção de ovos de galinha chegou a 1,2 bilhão de dúzias no terceiro trimestre deste ano. Esse número, portanto, representa um aumento significativo: 10,3% em relação ao mesmo período do ano passado e 3% na comparação com o trimestre anterior.

    Angela explicou: “A produção de ovos também foi recorde; eles são a proteína mais acessível para a população.” A oferta maior levou à queda dos preços dos ovos. Foram produzidas 111,94 milhões de dúzias a mais do que no terceiro trimestre do ano passado. Mais da metade das granjas (54,2%) dedicou-se à produção para consumo.

    Aquisição e Preço do Leite

    A aquisição totalizada foi de 6,30 bilhões de litros de leite cru. Embora tenha havido uma leve redução (0,3%) em relação ao terceiro trimestre do ano passado, houve um crescimento significativo (7,1%) comparado ao trimestre anterior. O preço médio pago ao produtor subiu para R$ 2,80 por litro.

    Angela destacou que a competição entre indústrias aumentou devido à oferta menor: “Com uma oferta menor no campo, temos uma competição maior pelas indústrias.” Minas Gerais apresentou recuperação na produção e continua sendo o maior produtor nacional.

    Crescimento na Aquisição de Couro

    Por fim, os curtumes receberam 10,55 milhões de peças no terceiro trimestre deste ano. Esse total representa um aumento significativo (17,4%) em relação ao mesmo período do ano anterior e alta (2,7%) frente ao segundo trimestre. Além disso, Angela explicou que o aumento no abate bovino naturalmente reflete no couro: “Esse incremento é justamente pelo maior número de cabeças abatidas.”

  • Be8 compra Biopar e amplia capacidade de produção de biodiesel

    Be8 compra Biopar e amplia capacidade de produção de biodiesel

    A Be8, uma das principais empresas do setor de energias renováveis no Brasil, anunciou um acordo significativo para adquirir três unidades industriais da Biopar.  As fábricas estão localizadas em Nova Marilândia (MT), Floriano (PI) e Santo Antônio do Tauá (PA).

    Com essa aquisição, a Be8 projeta uma expansão de 35,6% em sua capacidade de produção de biodiesel, elevando o total para 1,47 bilhão de litros anuais.

    O presidente da Be8, Erasmo Carlos Battistella, ressaltou que a operação está alinhada com a estratégia da empresa de ampliar sua área de atuação no mercado de energias renováveis. “Esse passo reforça nosso compromisso com um futuro mais sustentável e fortalece nosso propósito de liderar a renovação energética”, afirmou.

    Expansão

    A Be8 já opera duas usinas no Sul do Brasil e, com a incorporação das novas fábricas, expandirá sua presença nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.As unidades adquiridas possuem uma capacidade total de produção de 384 milhões de litros de biodiesel por ano.

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    A planta de Nova Marilândia tem a maior capacidade, com 204 milhões de litros, enquanto as unidades em Floriano e Santo Antônio do Tauá têm capacidade para 90 milhões cada. Essa diversificação permitirá à Be8 utilizar novas matérias-primas na produção, incluindo óleo de soja e gordura animal.

    Cidinho Santos, presidente do Conselho de Administração da Biopar, expressou otimismo em relação à transação. “Estamos felizes porque temos certeza de que a Be8 continuará com os mesmos princípios de valorização e cuidado com os colaboradores”, destacou Santos. Ele acredita que a diversificação dos produtos e o crescimento sob nova administração trarão benefícios significativos para as regiões onde a Biopar opera.

    Foto: Divulgação – Be8

    Por fim, a efetivação da aquisição depende agora da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE). Com essa movimentação estratégica, a Be8 busca não apenas aumentar sua capacidade produtiva, mas também consolidar sua posição como líder no mercado nacional de biocombustíveis.

  • Doença pode reduzir 13% produção de trigo no mundo

    Doença pode reduzir 13% produção de trigo no mundo

    As mudanças climáticas estão ampliando o alcance e a gravidade da brusone, uma doença fúngica que compromete seriamente a produção de trigo. Causada pelo fungo Pyricularia oryzae Triticum, a brusone é favorecida por altas temperaturas e umidade.

    Segundo estudo publicado na Nature Climate Change, a doença pode se expandir globalmente, afetando 13,5 milhões de hectares e reduzindo a produção mundial de trigo em até 13% até 2050.

    Antes limitada a climas tropicais e subtropicais, a brusone está surgindo em áreas de clima mais frio e seco, como Bangladesh e o sul do Brasil. No estado do Rio Grande do Sul, surtos recentes foram associados ao aumento das temperaturas mínimas durante o inverno, criando condições ideais para o desenvolvimento do fungo. Esse cenário é preocupante, pois indica que a doença pode avançar para novas regiões, impactando drasticamente áreas agrícolas.

    História

    Historicamente, a brusone surgiu no trigo no Brasil em 1985, no Paraná. Rapidamente se espalhou pela América do Sul, com grandes surtos no Paraguai, Bolívia e Argentina, causando perdas de até 80%. Fora do continente, a doença foi registrada pela primeira vez em Bangladesh em 2016, com prejuízos acima de 30%. Desde então já chegou à África e ao Uruguai. A dispersão ocorre principalmente pelo vento e pelo comércio de grãos e sementes contaminadas, o que aumenta o risco de surtos em novos territórios.

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    Projeções baseadas em modelos climáticos sugerem que, até 2050, a brusone pode atingir continentes inteiros, com exceção da Antártida. Países como Estados Unidos, França, Itália, China e Austrália estão entre os possíveis novos alvos da doença, o que pode comprometer a segurança alimentar global.

    Iniciativas de melhoramento genético, controle químico e manejo agrícola vêm sendo desenvolvidas. Mas os especialistas afirmam que, diante do aquecimento global, soluções mais robustas e estratégias preventivas são necessárias.

    Enfrentar a brusone será essencial para proteger o trigo, que é um dos alimentos mais consumidos no mundo, e para garantir a resiliência da produção agrícola em um cenário de mudanças climáticas.

  • Salários no agro; empregos de até R$ 200 mil, revela pesquisa

    Salários no agro; empregos de até R$ 200 mil, revela pesquisa

    Os salários no agro continuam em alta, podendo atingir até R$ 200 mil por mês. De acordo com o Guia Salarial Agro 2024, publicado pela consultoria Fox Human Capital, que atua no Brasil e nos Estados Unidos, revela que as remunerações em cargos estratégicos e analíticos estão em ascensão, refletindo a competitividade do setor.

    Salários em Cargos de Alta Liderança

    Os salários no agro para posições de alta liderança, como CEO, variam entre R$ 60 mil e R$ 200 mil, com uma média de R$ 130 mil.

    Para diretores comerciais, essenciais para o crescimento das empresas, as remunerações podem chegar a R$ 75 mil.

    Henrique Dallo, headhunter da Fox Agro, observa que “o setor continua a oferecer oportunidades consideráveis”, especialmente nas áreas de Comercial, Suprimentos e Logística. Ele acrescenta que “a área comercial está sempre aquecida”, enfatizando a necessidade de uma visão sistêmica por parte dos compradores.

    Cargos de Liderança e Gestão no Agro:

    Cargo Faixa Salarial (R$) Média (R$)
    CEO 60.000 – 200.000 130.000
    Diretor Financeiro (CFO) 44.500 – 87.930 76.275
    Diretor de Suprimentos 38.650 – 79.000 61.000
    Diretor de Operações (COO) 38.500 – 79.000 59.200

    Valorização em Cargos Intermediários

    As posições de média gestão, por sua vez, têm mostrado uma valorização significativa. Para os gerentes no setor agroindustrial, por exemplo, os salários variam atualmente entre R$ 25 mil e R$ 40 mil.

    Dallo destaca que “manter a estrutura de suprimentos eficiente é essencial”, sublinhando a importância da atenção constante aos custos e à demanda de estoque.

    Cargos de Gestão Intermediária:

    Cargo Faixa Salarial (R$) Média (R$)
    Gerente de TI 28.250 – 40.000 35.877
    Gerente de Operações 25.707 – 40.000 34.041
    Gerente Comercial 21.500 – 39.650 28.050
    Gerente de Logística 20.000 – 33.500 25.000

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    Cargos Técnicos e Especialistas:

    Além disso, o setor valoriza cargos técnicos e especialistas, oferecendo remunerações médias que variam entre R$ 13,2 mil e R$ 18,5 mil para coordenadores.

    Cargo Faixa Salarial (R$) Média (R$)
    Coordenador Comercial 13.000 – 23.650 18.500
    Especialista em Derivativos 14.000 – 19.000 17.220
    Coordenador Agrícola 9.000 – 16.320 13.200

    Perspectivas Futuras e Inovações

    A expectativa para o futuro é otimista, impulsionada por investimentos em sustentabilidade e biotecnologia. O mercado de bioinsumos, por exemplo, deve se destacar como um diferencial estratégico para o agro brasileiro nos próximos anos.

    Reinaldo Bonnecarrere, diretor de biológicos Latam da Indigo Agricultura, afirma que, sendo assim, “o mercado de bioinsumos no país atingiu mais de R$ 6 bilhões em 2023”, prevendo um crescimento anual robusto até a safra 2027/28.

    Diante desse panorama, o agronegócio brasileiro se reafirma como um dos principais motores da economia nacional. Portanto, os salários no agro são promissores para profissionais qualificados em diversas áreas do setor, empregando milhões e apresentando oportunidades.

  • ORPLANA reivindica inclusão de produtores de cana em políticas públicas

    ORPLANA reivindica inclusão de produtores de cana em políticas públicas

    A ORPLANA (Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil) participou da 24ª Conferência Internacional DATAGRO sobre Açúcar e Etano. O evento foi realizado em São Paulo nos dias 21 e 22 de outubro. O presidente da organização, Gustavo Rattes, destacou a importância de incluir os produtores de cana-de-açúcar nas políticas públicas durante sua participação em um painel sobre a regulação do setor.

    No “Painel dos Presidentes – A Regulação do Setor”, realizado no segundo dia do evento, Rattes enfatizou que mais de 40% da cana utilizada na produção de etanol provém de produtores independentes. Ele argumentou que a inclusão desses produtores é crucial não apenas para a agricultura. Mas também para a justiça social e a competitividade do Brasil no mercado global. “Precisamos de políticas públicas que reconheçam e integrem o produtor rural. Se unirmos esforços entre produtores e indústrias, poderemos construir um Brasil mais justo e competitivo”, afirmou.

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    Além de Rattes, o CEO da ORPLANA, José Guilherme Nogueira, também participou do painel, onde discutiu a safra 2024/2025 e as perspectivas para 2025/2026. Ele ressaltou os desafios enfrentados pela indústria devido à seca e aos incêndios que impactaram as lavouras.

    A 24ª Conferência Internacional DATAGRO reuniu autoridades, empresários e especialistas para discutir questões urgentes relacionadas à sustentabilidade, mercado e novas tecnologias no setor de biocombustíveis. O evento reafirmou a importância da colaboração entre produtores e indústrias para fortalecer o setor de etanol e promover um futuro mais sustentável.

  • Crise hídrica ameaça a produção de alimentos no Brasil

    Crise hídrica ameaça a produção de alimentos no Brasil

    A crise hídrica que afeta boa parte do Brasil tem trazido sérias preocupações para a produção de alimentos no país, especialmente em estados que dependem fortemente de recursos hídricos para irrigação, como Minas Gerais, São Paulo e o Nordeste. A escassez de água e a irregularidade das chuvas comprometem a produção agrícola, impactando diretamente tanto o abastecimento interno quanto as exportações de importantes commodities.

    De acordo com estimativas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a crise hídrica já provoca aumentos de custo para produtores que precisam adotar medidas emergenciais para manter suas plantações irrigadas. “Estamos vivendo um cenário de grande desafio, e a tendência é que, se não houver recuperação dos reservatórios, a produção de alimentos caia drasticamente nos próximos meses”, alerta Antônio da Luz, economista da CNA. A produção de culturas como milho, feijão, soja, café e frutas tem sido afetada, o que pode resultar em aumentos de preços no mercado.

    No setor da fruticultura irrigada, particularmente nas regiões do Vale do São Francisco, responsável por grande parte da produção de frutas do Brasil, os produtores têm adotado práticas de irrigação mais eficientes para mitigar os danos. “A situação é crítica. Temos trabalhado para reduzir o consumo de água sem afetar a qualidade das frutas, mas já há sinais de perda de produtividade”, afirmou Guilherme Coelho, presidente da Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas (Abrafrutas).

    Queda na safra

    De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção de cereais, leguminosas e oleaginosas para 2024 deve totalizar 295,1 milhões de toneladas, representando uma queda de 6,4% em relação ao ano anterior. A redução é atribuída, em parte, à falta de água para irrigação. “A crise hídrica afeta diretamente a capacidade dos agricultores de manter a produção em níveis adequados”, afirma o economista da Embrapa, João Paulo Ribeiro.

    A área destinada ao cultivo de milho e soja, dois dos principais produtos agrícolas do Brasil, também sofreu impactos. O milho, por exemplo, apresenta uma estimativa de produção de 116,7 milhões de toneladas, com uma queda significativa nas safras. “Se não conseguirmos garantir água suficiente para irrigação, corremos o risco de ver essas estimativas ainda mais reduzidas”, alerta Ribeiro.

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    A crise hídrica também afeta diretamente a pecuária. A falta de pastagem e água reduz a capacidade de alimentação do gado, o que prejudica a produção de carne e leite. O coordenador de pecuária da Emater-MG, Roberto Freitas, destaca: “Os pecuaristas enfrentam enormes dificuldades para garantir a alimentação do rebanho. A seca prolongada não só compromete a qualidade das pastagens, mas também o abastecimento de água nos bebedouros”.

    Consequências econômicas

    A crise hídrica não afeta apenas os produtores individuais; suas repercussões podem ser sentidas em toda a economia. O aumento nos preços dos alimentos é uma preocupação crescente. Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), as expectativas para a safra de soja já foram reduzidas devido à falta de chuvas. “Estamos vendo um aumento nos pedidos de recuperação judicial entre os produtores rurais devido às perdas nas lavouras”, afirma o presidente da associação, André Nassar.

    A necessidade de manejo hídrico e o impacto no setor energético

    O manejo hídrico adequado se torna essencial em tempos de crise. A pesquisadora da Embrapa Semiárido, Magna Moura, destaca que “a adoção de técnicas eficientes de irrigação pode ajudar a mitigar os efeitos da seca”. Ela recomenda o uso de sensores para monitorar a umidade do solo e ajustar a irrigação conforme necessário.

    Moura também enfatiza que muitos produtores ainda utilizam mais água do que o necessário. “O excesso de irrigação não só desperdiça água como também pode levar à lixiviação de nutrientes do solo”, explica. Para ela, um manejo hídrico mais consciente pode resultar em economias significativas e garantir uma produção mais sustentável.

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    Além da escassez de água, o impacto no setor energético também gera preocupação. As usinas hidrelétricas, responsáveis pela maior parte da energia no Brasil, têm operado em níveis baixos, o que pode levar a aumentos na conta de energia. Para os agricultores, isso significa um custo maior para manter sistemas de irrigação e processamento funcionando. “A combinação de baixa oferta de água e aumento dos custos de energia pode resultar em um cenário de forte pressão nos preços dos alimentos no mercado interno”, explica a engenheira agrônoma Juliana Diniz, da Embrapa.

    Práticas mais sustentáveis e gestão são fundamentais

    Com a crise climática global se agravando, especialistas alertam que as crises hídricas podem se tornar mais frequentes e intensas nos próximos anos. Por isso, a adoção de práticas mais sustentáveis e a gestão eficiente dos recursos hídricos são fundamentais. “Precisamos repensar urgentemente o uso da água na agricultura e investir em tecnologias que reduzam o consumo sem prejudicar a produção. Caso contrário, o Brasil, um dos maiores produtores de alimentos do mundo, pode ver sua segurança alimentar comprometida”, conclui Francisco Lima, professor de gestão de recursos hídricos da Universidade Federal de Viçosa (UFV).

    A crise hídrica atual levanta um alerta vermelho para o futuro da produção de alimentos no Brasil, exigindo uma resposta rápida e coordenada entre governo, produtores e instituições de pesquisa para minimizar os impactos e garantir a sustentabilidade do setor agrícola. Sendo assim, sem medidas eficazes, o futuro da agricultura brasileira pode estar em risco.

  • Desmatamento na Amazônia afeta cultivo de soja e milho

    Desmatamento na Amazônia afeta cultivo de soja e milho

    O avanço do desmatamento na Amazônia para a expansão da agropecuária tem gerado preocupações entre especialistas, que alertam que essa prática pode prejudicar o próprio setor agrícola. Uma nova pesquisa revela os impactos diretos dessa destruição nas safras de soja e milho, essenciais para a economia brasileira.

    As áreas mais afetadas pelo desmatamento, incluindo o norte do Mato Grosso, Rondônia e sul do Amazonas, já enfrentam atrasos no início da estação chuvosa, crucial para o plantio da soja. Esse atraso também compromete o cultivo subsequente de milho, que depende da colheita da soja.

    Pesquisadores do Centro de Sensoriamento Remoto da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) analisaram dados de 20 anos, entre 1999 e 2019, e descobriram que as regiões com maior perda de floresta apresentaram um atraso acumulado de cerca de 76 dias no início da estação chuvosa agrícola. Essas áreas também registraram uma redução de 360 mm nas chuvas e um aumento de 2,5 ºC na temperatura máxima.

    O estudo, publicado no International Journal of Climatology, foi pioneiro ao isolar os efeitos do desmatamento em relação a outros fatores climáticos, como o aquecimento global e fenômenos naturais como El Niño e La Niña. O climatologista Argemiro Teixeira, responsável pela pesquisa, explica que as mudanças climáticas têm um efeito cumulativo ao longo das décadas, enquanto os impactos do desmatamento são quase imediatos. “A remoção da vegetação reduz automaticamente a umidade. As secas e os problemas enfrentados pela agricultura não são causados apenas pelas mudanças climáticas e El Niño, mas também pelo desmatamento”, afirma.

    Impacto do desmatamento nas safras de soja e milho

    O estudo quantificou o impacto do desmatamento nas safras de soja e milho, que dependem fortemente do início da estação chuvosa. “Quando começa a chover, os produtores plantam a soja. Se plantarem antes da chuva, podem perder tudo”, explica Teixeira. A janela para o plantio é curta, variando entre seis a sete meses; portanto, um atraso nas chuvas pode inviabilizar a segunda safra.

    Teixeira também destaca que o impacto do desmatamento é regional. “Proprietários em áreas mais preservadas têm menor risco de atraso no plantio. Já aqueles em áreas degradadas enfrentam riscos maiores”, diz ele.

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    Além disso, mesmo propriedades que cumprem as normas do Código Florestal podem sofrer com a falta de chuvas se seus vizinhos não preservarem adequadamente a vegetação nativa. O estudo da UFMG revela que nas regiões onde 80% da floresta foi perdida, existe um risco de 58% de ocorrer uma queda no volume de chuva superior a 100 mm durante a primeira safra de soja. Para a segunda safra de milho, esse risco é de 44%, enquanto nas áreas com mais de 80% de cobertura florestal, o risco se reduz pela metade.

    Teixeira alerta que essa situação pode impactar o seguro agrícola no futuro. “Os prêmios terão que ser ajustados para considerar o nível de conservação das propriedades ao conceder seguros e créditos”, opina.

    Mudanças climáticas

    As mudanças climáticas já têm afetado negativamente o agronegócio em todo o Brasil. De acordo com dados da Serasa Experian, houve um aumento significativo nos pedidos de recuperação judicial por produtores rurais. Grande parte devido às perdas nas lavouras causadas por condições climáticas adversas. Entre janeiro e setembro de 2023, foram registrados 80 pedidos, um aumento de 300% em comparação com o ano anterior.

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    Enquanto isso, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) revisou suas expectativas para a safra de soja deste ano. E reduziu a previsão inicial de 160,3 milhões de toneladas para 156,1 milhões.

    Os alertas sobre a importância da floresta para as práticas agrícolas são recorrentes na comunidade científica. No entanto, decisões políticas recentes, como as alterações no Código Florestal que flexibilizaram a proteção da vegetação nativa no Brasil, não levaram em conta esses avisos cruciais.

  • Café – probióticos combatem doenças e estimula crescimento

    Café – probióticos combatem doenças e estimula crescimento

    Pesquisas recentes apontam que probióticos podem ser uma ferramenta promissora na proteção e no desenvolvimento de mudas de café. O estudo foi realizado em conjunto pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), o Instituto Biológico de São Paulo (IB) e a Embrapa. E demonstrou a eficácia de dois probióticos comerciais na redução de doenças que afetam a cultura do café, além de favorecer o crescimento das plantas.

    Os testes com dois produtos formulados com Bacillus, Colostrum BIO 21 MIX e Colostrum BS, mostraram uma redução significativa na severidade de doenças como ferrugem do cafeeiro, mancha de phoma e mancha aureolada. A ferrugem, responsável por grandes perdas na produção de café, teve sua severidade reduzida em até 95% com o uso desses probióticos. Já a mancha de phoma apresentou uma redução de até 79%, enquanto a mancha aureolada foi diminuída em 56%.

    Além de controlar doenças, os probióticos também estimularam o crescimento das mudas. Com isso, aumentando a massa fresca e seca da parte aérea, o volume das raízes e a área foliar das plantas. Esse efeito pode estar relacionado à produção de fitohormônios pelas bactérias. E também ao aumento da disponibilidade de nutrientes no solo, como fósforo e potássio, promovendo um crescimento mais robusto das mudas.

    Eficácia na prevenção

    Segundo o pesquisador Guilherme de Freitas, que conduziu o estudo em sua pesquisa de mestrado pela Unesp, os probióticos foram particularmente eficazes na prevenção da ferrugem do cafeeiro. Esse é um dos maiores problemas enfrentados pelos cafeicultores. Já o pesquisador Wagner Bettiol, da Embrapa Meio Ambiente, destaca que a aplicação dos probióticos pode ser uma alternativa sustentável ao uso de defensivos químicos. Contribuindo assimpara a saúde do solo e da planta sem a necessidade de grandes quantidades de agrotóxicos.

    A ferrugem do cafeeiro é uma das doenças mais devastadoras da cultura e pode causar perdas de até 50% na produção, de acordo com a pesquisadora Flavia Patrício, do Instituto Biológico. Ela explica que a ação de consórcios microbianos, como o presente no Colostrum BIO 21 MIX, combina microrganismos que atuam sinergicamente para impedir a proliferação de patógenos e proteger as plantas de forma mais eficiente.

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    No entanto, Flavia ressalta que, embora os resultados laboratoriais sejam promissores, mais estudos em campo são necessários para validar a eficácia desses produtos em grande escala e avaliar sua viabilidade econômica.

    Benefícios

    Os probióticos, conhecidos por suas propriedades benéficas na saúde humana e animal, também apresentam grande potencial na agricultura. Principalmente por serem microrganismos reconhecidos como seguros pela Administração Federal de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA) e pela Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA). Esses produtos competem com patógenos, impedem sua adesão às plantas, produzem compostos antimicrobianos e modulam o sistema imunológico dos vegetais, tornando-os mais resistentes a doenças.

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    O uso de probióticos, além de trazer benefícios para a saúde das mudas de café, pode também contribuir para práticas agrícolas mais sustentáveis. Além de reduzir a dependência de defensivos químicos e promover a vitalidade das plantas desde os estágios iniciais de desenvolvimento.

  • Novo recorde de exportações do agronegócio brasileiro

    Novo recorde de exportações do agronegócio brasileiro

    As exportações do agronegócio brasileiro atingiram um recorde histórico em setembro, totalizando US$ 14,19 bilhões, o que representa um crescimento de 3,6% em relação ao mesmo mês do ano passado. Esse resultado positivo foi impulsionado principalmente pelo aumento no volume de produtos exportados.

    De acordo com a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (SCRI/Mapa), os principais setores responsáveis por esse desempenho foram o complexo soja, carnes, complexo sucroalcooleiro, produtos florestais, cereais e café. Juntos, esses seis setores representaram 84,6% da pauta exportadora do agronegócio.

    Durante uma coletiva na sede do Mapa, o secretário Luis Rua destacou que o valor recorde de setembro é resultado da abertura de novos mercados para produtos agropecuários brasileiros. “Quando abrimos mercados para uma cadeia produtiva que eventualmente não exporta muito, criamos novas oportunidades e impulsionamos outros mercados,” afirmou.

    Produtos em destaque

    O setor de carnes teve um desempenho notável, com a carne bovina registrando o maior valor exportado pelo Brasil. Em setembro de 2024, as vendas externas de carne bovina alcançaram US$ 1,25 bilhão, um aumento de 29,2% em relação ao mesmo mês do ano anterior. O volume embarcado também foi recorde, com 251,76 mil toneladas (+29,1%), sendo a China o principal comprador.

    O complexo sucroalcooleiro exportou US$ 1,92 bilhão em setembro (+6,4%), com o açúcar representando quase 95% das vendas desse setor. Os embarques de açúcar de cana em bruto atingiram um volume recorde de 3,47 milhões de toneladas (+25,9%).

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    Os produtos florestais também apresentaram forte desempenho. A celulose foi o único produto do setor a ultrapassar a marca de US$ 1 bilhão em vendas. O setor totalizou US$ 1,04 bilhão e estabelecendo um novo recorde para setembro. Os mercados mais industrializados foram os principais importadores.

    Outro destaque foi o café verde, cujas vendas externas subiram de US$ 573,84 milhões em setembro de 2023 para US$ 1,07 bilhão em setembro de 2024 (+86,6%), também um recorde para o mês. O volume embarcado atingiu 243,1 mil toneladas.

    Nos últimos doze meses, entre outubro de 2023 e setembro de 2024, as exportações do agronegócio brasileiro totalizaram US$ 166,19 bilhões. Isso representa uma elevação de 1,8% em comparação aos US$ 163,19 bilhões exportados nos doze meses anteriores.

  • Dia das crianças – a importância das escolas rurais

    Dia das crianças – a importância das escolas rurais

    Neste Dia das Crianças, vamos falar sobre o futuro da nossa nação, representado nelas, e da importância das escolas rurais em nosso segmento. Elas desempenham um papel crucial na formação de jovens que vivem em áreas agrícolas, sendo responsáveis por ensinar não apenas os conteúdos tradicionais, mas também a importância do agronegócio (agro) e da sustentabilidade rural.

    Essas instituições, muitas vezes situadas no coração do campo, têm a capacidade de conectar as crianças ao ambiente em que vivem. E prepara-las para um futuro em que o desenvolvimento sustentável é cada vez mais necessário.

    O agronegócio é um dos pilares da economia brasileira, e as escolas rurais podem desempenhar um papel fundamental ao despertar o interesse das crianças desde cedo para esse setor. Ao ensinar sobre o funcionamento da agricultura, pecuária e outras atividades relacionadas, as escolas ajudam a criar uma nova geração de produtores conscientes. E também preparados para os desafios do futuro.

    Compreender o papel do agro na produção de alimentos, na economia local e global, além das práticas de manejo sustentável, é vital para garantir a continuidade e a evolução do setor.

    A educação no campo: integração com o agro e sustentabilidade

    Aulas práticas, visitas a fazendas e o uso de tecnologias agrícolas são ferramentas eficazes que podem ser incorporadas à educação rural. Essas atividades aproximam as crianças das realidades do campo e as ajudam a entender como a produção agrícola é essencial não só para a economia, mas também para a alimentação da população mundial.

    Outro pilar da educação em escolas rurais é a sustentabilidade. Com as crescentes preocupações com a mudança climática, degradação ambiental e uso inadequado dos recursos naturais, ensinar as crianças sobre práticas sustentáveis no campo é fundamental. O conceito de sustentabilidade rural envolve o uso responsável dos recursos da terra, a preservação de florestas, a gestão da água e a conservação da biodiversidade.

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    Ao integrar esses ensinamentos ao currículo escolar, as escolas rurais formam cidadãos mais conscientes do impacto ambiental de suas ações. Isso inclui temas como rotação de culturas, manejo do solo, conservação de áreas verdes e técnicas de irrigação eficientes. Dessa forma, as crianças aprendem que é possível produzir de maneira abundante sem comprometer os recursos naturais das futuras gerações.

    Preparação para o futuro

    O ensino voltado ao agro e à sustentabilidade rural nas escolas não apenas promove a conscientização ambiental. Mas ele também prepara os alunos para carreiras no agronegócio. Com a crescente demanda por alimentos e a necessidade de práticas mais sustentáveis, o mercado de trabalho rural se expande, e as habilidades adquiridas nas escolas são extremamente valiosas.

    Ensinar sobre o agro ajuda as crianças a reconhecerem a importância da agricultura na economia local e na segurança alimentar. Isso inclui desde o cultivo até a colheita, passando pela gestão sustentável dos recursos naturais. Essa valorização é essencial para formar uma nova geração de agricultores conscientes e responsáveis.

    Além disso, a educação sustentável também promove valores como responsabilidade social e comunitária. Além disso, empodera as crianças a fazerem a diferença em suas comunidades e além delas. A conscientização sobre o equilíbrio entre produção e preservação prepara esses alunos para serem futuros líderes no setor. Assim, ajudando a garantir a viabilidade econômica e ambiental das áreas rurais.

    Parceria com iniciativa privada

    A ONG Gaia+ e a Divisão de Soluções para Agricultura da BASF  lançaram uma parceria inovadora para promover ativações socioemocionais em escolas da zona rural de Ilhéus, Bahia. A iniciativa, que começou na segunda quinzena de julho e se estendeu até setembro, teve como objetivo comemorar o Dia do Agricultor e continuar a ação “Nosso Legado Nasceu para Continuar”.

    Ação na Escola Municipal de Juerana, em Ilhéus (Foto: Divulgação BASF)
    Ação na Escola Municipal de Juerana, em Ilhéus (Foto: Divulgação BASF)

    A ação contemplou 11 escolas e busca refletir sobre a importância das habilidades socioemocionais para professores, gestores, coordenadores e assistentes de ensino. O projeto beneficiou 80 profissionais da educação, impactando mais de mil estudantes. Os participantes tiveram acesso ao curso de Formação “Aprendizagem para Corações e Mentes” (programa SEE Learning®), oferecido pela ONG Gaia+.

    Incorporar práticas sustentáveis no cotidiano escolar, como hortas comunitárias e projetos de reciclagem, permite que os alunos aprendam na prática. Essa abordagem não só ensina habilidades valiosas, mas também promove um senso de responsabilidade e pertencimento à comunidade.

    As escolas rurais têm um papel transformador na formação de cidadãos que entendem o valor do agro e da sustentabilidade. Por meio de uma educação prática e voltada para a realidade do campo, essas instituições preparam as crianças para serem agentes de mudança em suas comunidades. Impulsionando assim o desenvolvimento rural e a preservação ambiental de forma equilibrada e consciente. Assim, a educação rural pode garantir um futuro mais próspero para o agronegócio e para o meio ambiente. E também para nossas crianças.