Tag: Agricultura

  • Sistema FAEP cobra crédito emergencial após tornado no Paraná

    Sistema FAEP cobra crédito emergencial após tornado no Paraná

    Produtores rurais de diferentes regiões do Paraná enfrentam os impactos provocados pelas fortes tempestades que atingiram o estado no último sábado (8). Diante dos danos, o Sistema FAEP cobra medidas emergenciais dos governos estadual e federal para auxiliar agricultores, pecuaristas e moradores afetados.

    Segundo informações do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), houve registros de tempestades em municípios como Piraí do Sul, Telêmaco Borba, Tibagi, Guarapuava, Candói, Castro, Jaguariaíva e Nova Aurora.

    Os temporais provocaram danos em áreas urbanas e rurais. Entre os registros estão casas, galpões e granjas danificados, quedas de árvores e postes e interrupções no fornecimento de energia elétrica.

    FAEP pede apoio aos produtores rurais

    O Sistema FAEP afirma que vai formalizar pedidos de ajuda às Secretarias Estaduais da Agricultura e do Abastecimento (Seab) e da Fazenda (Sefa), além da Companhia Paranaense de Energia (Copel).

    Entre as medidas solicitadas estão:

    • Levantamento urgente dos prejuízos;
    • Atendimento da Defesa Civil aos municípios atingidos;
    • Prioridade para o restabelecimento da energia elétrica;
    • Criação de crédito emergencial para produtores rurais e moradores afetados.

    A entidade considera que essas ações são necessárias para que os produtores consigam iniciar a reconstrução das propriedades e retomar as atividades.

    Segundo o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, a resposta precisa ser rápida e coordenada entre os órgãos públicos.

    A entidade também defende a criação de crédito emergencial pré-aprovado para pessoas e produtores que tiveram prejuízos com as tempestades.

    Paraná registra histórico de eventos extremos

    Além dos danos provocados pelo episódio mais recente, o Sistema FAEP chama atenção para a frequência dos eventos climáticos extremos no estado.

    De acordo com dados apresentados pela entidade, o Paraná registrou cerca de 6 mil desastres naturais na última década.

    As ocorrências teriam atingido os 399 municípios paranaenses, afetado mais de 4,5 milhões de pessoas e causado prejuízos estimados em R$ 32 bilhões.

    Para a FAEP, o histórico reforça a necessidade de ampliar as ações de prevenção e criar mecanismos capazes de acelerar a resposta quando novos eventos atingirem comunidades rurais e urbanas.

    Entidade cobra medidas de prevenção

    A discussão sobre prevenção já havia sido realizada em julho, durante uma reunião na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).

    O encontro reuniu representantes do Sistema FAEP, Simepar, Defesa Civil, Secretaria de Desenvolvimento Sustentável, Comitê de Governança Climática, Tribunal de Contas do Estado, Associação dos Municípios do Paraná, universidades, prefeituras e outras entidades.

    Na ocasião, foram discutidas estratégias para enfrentar fenômenos como vendavais, granizo e tornados, além dos possíveis efeitos do El Niño no estado.

    Agora, diante dos novos estragos, o Sistema FAEP cobra que as discussões sejam acompanhadas por medidas práticas de prevenção e auxílio.

    Tornado de 2025 ainda afeta produtores

    A entidade também utiliza como exemplo o tornado que atingiu Rio Bonito do Iguaçu, no Centro-Sul do Paraná, em novembro de 2025.

    O fenômeno provocou danos no município e também afetou áreas de Porto Barreiro, Laranjeiras do Sul, Virmond, Guarapuava e Candói.

    Segundo o Sistema FAEP, parte dos produtores atingidos pelo desastre não foi contemplada pelas condições especiais anunciadas pelo governo estadual.

    Nove meses depois, agricultores e pecuaristas ainda enfrentariam dificuldades para acessar medidas de apoio à reconstrução das propriedades, de acordo com a entidade.

    Para a organização, a situação reforça a necessidade de criar mecanismos de resposta capazes de chegar aos produtores afetados pelos eventos climáticos com maior rapidez.

    A cobrança agora se volta para que os governos estadual e federal adotem medidas emergenciais após os novos temporais e evitem que produtores atingidos fiquem sem condições de reconstruir suas propriedades e retomar a produção.

  • ITR 2026: prazo começa hoje; veja como declarar

    ITR 2026: prazo começa hoje; veja como declarar

    Começa nesta segunda-feira (10) o prazo para a entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR) 2026. Produtores rurais e demais contribuintes obrigados têm até 30 de setembro para enviar o documento à Receita Federal.

    A declaração é obrigatória para pessoas físicas e jurídicas que sejam proprietárias, titulares do domínio útil ou possuidoras de imóveis rurais, com exceção dos casos de imunidade ou isenção previstos na legislação.

    O prazo termina às 23h59min59s de 30 de setembro, no horário de Brasília. Por isso, quem precisa prestar as informações deve ficar atento para não perder a data.

    Quem precisa declarar o ITR?

    A obrigação da DITR 2026 alcança pessoas físicas e jurídicas que tenham determinadas formas de relação com um imóvel rural.

    Entre os contribuintes obrigados estão:

    • proprietários de imóveis rurais;
    • titulares do domínio útil;
    • possuidores de imóveis rurais;
    • usufrutuários;
    • situações específicas envolvendo condomínio, composse e espólio.

    As regras também contemplam contribuintes que perderam a posse ou a propriedade do imóvel rural em determinadas situações entre 1º de janeiro de 2026 e a data da apresentação da declaração.

    Imóveis que estejam enquadrados nas hipóteses legais de imunidade ou isenção ficam fora da obrigação.

    Como fazer a declaração do ITR 2026?

    Uma das novidades deste ano é a possibilidade de fazer todo o procedimento pela internet por meio do serviço Minhas Declarações do ITR.

    A ferramenta está disponível no Portal de Serviços da Receita Federal e permite preencher, transmitir, retificar e consultar a DITR sem a necessidade de instalar um programa no computador. O acesso exige autenticação com conta gov.br nos níveis Prata ou Ouro.

    Além do preenchimento online, a Receita Federal mantém o Programa ITR 2026 para pessoas físicas que possuem imóvel rural com área de até 100 hectares. Nesse caso, a transmissão também pode ser feita pelo próprio programa ou pelo Receitanet.

    O que acontece se perder o prazo?

    Quem estiver obrigado a apresentar a DITR e entregar o documento depois do prazo fica sujeito a multa de 1% ao mês-calendário ou fração de atraso, calculada sobre o total do imposto devido.

    Atualmente, o valor mínimo da multa é de R$ 50.

    Por isso, deixar a declaração para os últimos dias pode causar dores de cabeça, principalmente para quem ainda precisa reunir informações do imóvel e dos responsáveis pela propriedade.

    É possível corrigir a declaração depois do envio?

    Sim, é possível!

    Se o contribuinte identificar algum erro, omissão ou informação incorreta depois da transmissão, é possível apresentar uma DITR retificadora, desde que ainda não tenha sido iniciado um procedimento de lançamento de ofício.

    A declaração retificadora substitui integralmente a declaração original. Por isso, a recomendação é conferir as informações antes da transmissão e guardar o recibo de entrega.

    Como funciona o pagamento do ITR?

    A entrega da DITR e o pagamento do imposto são etapas relacionadas, mas diferentes.

    O valor do ITR apurado pode ser pago em até quatro quotas iguais, mensais e consecutivas. Porém, cada quota precisa ter valor mínimo de R$ 50.

    Quando o imposto for inferior a R$ 100, o pagamento deve ser feito em quota única.

    A primeira quota ou a quota única vence em 30 de setembro de 2026, mesma data final para a apresentação da declaração.

    As demais quotas, quando houver, têm vencimento no último dia útil de cada mês e recebem os acréscimos previstos na legislação, incluindo juros calculados com base na taxa Selic e 1% no mês do pagamento.

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  • Agricultores usam táticas para encarar El Niño mais forte da história

    Agricultores usam táticas para encarar El Niño mais forte da história

    Na safra 2026/27, agricultores brasileiros devem enfrentar um El Niño de intensidade muito elevada — um dos mais fortes já vistos, na verdade. A previsão considera os fenômenos registrados desde 1950 e aumenta a preocupação com o clima durante o período de plantio e desenvolvimento das lavouras.

    O último episódio classificado como “muito forte” ocorreu na safra 2015/16. Na ocasião, 16 culturas diferentes registraram perdas de produtividade.

    O fenômeno começou em junho de 2026 e está evoluindo rapidamente. A expectativa é que o pico ocorra entre novembro e janeiro de 2027, embora ainda não exista uma previsão exata para o fim do evento.

    El Niño pode atrasar o plantio da soja

    Um dos principais pontos de atenção está no calendário da soja, especialmente nas regiões Centro-Oeste, Norte e no Matopiba.

    Especialistas avaliam que a combinação de pouca chuva e temperaturas elevadas pode atrasar o início da semeadura. Caso isso aconteça, o calendário do milho, normalmente plantado entre fevereiro e março, também poderá ser afetado.

    Além disso, o risco existe também para outras culturas. Café e citros podem enfrentar dificuldades durante a floração, enquanto a cana-de-açúcar pode ser beneficiada por um aumento das precipitações no Sudeste.

    Segundo Marcelo Seluchi, coordenador-geral de Operações e Modelagens do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o aquecimento global tem contribuído para uma maior frequência e intensidade dos episódios de El Niño.

    O especialista destaca que, nas últimas décadas, houve mais ocorrências do fenômeno e episódios de maior intensidade.

    O que é o Niño 3.4?

    O Niño 3.4 é uma região do Oceano Pacífico utilizada pelos meteorologistas como uma das principais referências para medir a intensidade do El Niño e da La Niña.

    Ela fica entre 5 graus ao norte e 5 graus ao sul da linha do Equador, entre os meridianos 170° e 120° a oeste.

    Na última atualização mencionada no material-base, a temperatura na região chegou a 1,3 °C, nível associado a um El Niño moderado naquele momento.

    Imagens do satélite mostram variações no nível do mar em junho de 2026; áreas em vermelho indicando águas mais elevadas no Pacífico equatorial, sinal típico associado ao desenvolvimento do El Niño — Foto: Sentinel-6 Michael Freilich/NASA/NOAA

    Para a agrometeorologista Ana Maria Heuminski de Ávila, do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri), da Unicamp, a velocidade de aquecimento do Pacífico aumentou a expectativa de um fenômeno mais intenso.

    Ela ressalta, porém, que um El Niño mais forte aumenta a probabilidade de eventos extremos, mas não significa que todas as regiões brasileiras serão afetadas da mesma maneira.

    Soja concentra uma das maiores preocupações

    A soja está entre as culturas que mais preocupam os especialistas por causa da possibilidade de alterações no calendário agrícola.

    Eduardo Martins, diretor do Grupo Associado de Agricultura Sustentável (GAAS), considera que os danos podem ser maiores caso a falta de chuva se intensifique em áreas mais vulneráveis.

    “Se a falta de chuva for ampliada, pegar o Matopiba [confluência entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), que é mais exposto ao clima, tem solos mais arenosos, e o Centro-Oeste, há possibilidade de 20% de perda a nível nacional, pegando a safra 2015/16 como base”, estima Martins, que foi presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no governo Fernando Henrique Cardoso.

    Chuvas podem beneficiar o Sul

    Os efeitos do El Niño não serão iguais em todo o território brasileiro.

    No Sul do Brasil, o fenômeno costuma estar associado a volumes de chuva acima da média. Por isso, a preocupação durante a implantação das lavouras de verão é justamente o excesso de precipitação.

    Para Ana Maria Heuminski de Ávila, do Cepagri, a chuva pode até favorecer a produtividade de soja e milho no Rio Grande do Sul, desde que não seja excessiva.

    O excesso de precipitação, como observado em 2024, pode provocar problemas para as lavouras.

    Manejo do solo é uma das estratégias

    Diante de um cenário de maior variabilidade climática, o planejamento passa a ter papel importante na preparação das propriedades.

    O seguro rural é, sem dúvidas, uma ferramenta que pode ajudar os produtores a enfrentar possíveis perdas. No entanto, outra estratégia está relacionada ao manejo do solo.

    Marco Antonio dos Santos, agrometeorologista da Rural Clima, destaca a importância de manter uma boa cobertura vegetal e uma estrutura adequada do solo.

     “Ele (produtor) tem que primeiro fazer o que a gente chama de lição de casa: manter uma boa palhada, o solo com uma boa cobertura vegetal, com boa estrutura química e física, para que, quando chover, a água consiga penetrar em todo o solo e formar uma camada maior de água.”

    Assim, diante da possibilidade de um El Niño intenso na safra 2026/27, produtores precisam considerar não apenas o calendário de plantio, mas também o manejo do solo, o planejamento da propriedade e mecanismos de proteção contra perdas.

    O impacto, porém, dependerá da intensidade do fenômeno e, principalmente, de como chuva e temperatura vão se comportar em cada região produtora do país.

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  • Unicamp desenvolve tecnologia que extermina percevejo da soja

    Unicamp desenvolve tecnologia que extermina percevejo da soja

    Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveram uma tecnologia capaz de combater o percevejo, uma das pragas que mais causam prejuízo à soja brasileira. O método usa RNA de interferência (RNAi) para silenciar genes essenciais do inseto, sem recorrer a modificação genética da planta ou a inseticidas convencionais.

    A equipe do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, coordenada pelo professor associado Henrique Marques de Souza, conduziu a pesquisa que resultou na tecnologia. O Brasil lidera a produção e a exportação mundial de soja em grão, mas o percevejo compromete essa vantagem: a praga causa prejuízos anuais de bilhões de reais aos produtores.

    “Levando em consideração que o Brasil é um país tropical e muito quente, existem muitas pragas que podem afetar o cultivo de soja, mas o percevejo é o mais danoso a essa cultura”, afirma Souza.

    Um acordo de pesquisa e desenvolvimento entre a Unicamp e a empresa TMG Tropical Melhoramento e Genética S.A. viabilizou a tecnologia. A TMG detém a cotitularidade da patente e recebeu a licença para uso comercial. A Agência de Inovação da Unicamp (Inova Unicamp) conduziu a estratégia de proteção e licenciamento, com a interveniência da Fundação de Desenvolvimento da Unicamp (Funcamp).

    Como a tecnologia elimina o percevejo sem venenos

    A invenção mira especificamente o percevejo Euschistus heros, espécie mais comum nas lavouras de soja. A tecnologia ativa o mecanismo de RNAi apenas nos organismos-alvo, sem exigir modificação genética. Uma abordagem que os pesquisadores classificam como mais sustentável e mais segura tanto para o agricultor quanto para o meio ambiente.

    O método explora um princípio básico da biologia celular: toda célula viva segue o chamado dogma central, no qual o DNA gera RNA e o RNA gera proteína. Vírus se aproveitam dessa lógica para inserir material genético nas células e induzi-las a produzir proteínas virais. Em resposta, as células desenvolveram uma defesa natural que reconhece o RNA de fita dupla, molécula típica de vírus, e destrói qualquer sequência genética semelhante a ela.

    Os pesquisadores exploram exatamente essa defesa natural. Eles identificam um gene essencial do inseto que pretendem controlar e desenham, em laboratório, uma versão de fita dupla desse gene. Ao entrar em contato com essa molécula, o organismo do percevejo a interpreta como uma ameaça viral e elimina o gene correspondente, impedindo a produção da proteína associada. Sem esse gene, o inseto perde a capacidade de se desenvolver, se alimentar ou se reproduzir.

    “Estudamos a biologia de uma praga, no caso o percevejo, e identificamos qual gene, se removido, o levará à morte, a parar de se alimentar, ou de procriar. Podemos desenhar a fita dupla de acordo com o que é identificado como vital para o inseto”, explica Souza.

    Por que a precisão genética supera os inseticidas tradicionais

    A especificidade define a principal vantagem da tecnologia. Inseticidas convencionais costumam atingir diferentes espécies presentes na lavoura, incluindo insetos benéficos como polinizadores e inimigos naturais das próprias pragas. A molécula de RNA, em contraste, atinge apenas o alvo escolhido. E por se tratar de um produto biológico e biodegradável, reduz o impacto ambiental do controle de pragas.

    Essa mesma precisão também estabelece os limites do método. A tecnologia não substitui outras ferramentas de controle nem funciona como solução única e imediata, já que depende de um processo biológico para agir. Por isso, os pesquisadores recomendam sua incorporação ao manejo integrado de pragas, combinada a outras práticas agronômicas.

    “Não é uma técnica de choque. Ela depende que a molécula de RNA entre, silencie o gene e pare de produzir proteína para que a praga morra”, enfatiza Souza.

    Da pesquisa básica na Alemanha à patente no Brasil

    A trajetória da descoberta começou longe dos campos brasileiros. Durante o doutorado na Universidade de Colônia, na Alemanha, Souza estudava a tecnologia de RNAi com foco no desenvolvimento embriológico de insetos. Um tema de pesquisa básica, sem aplicação prática prevista na época. Já na Unicamp, o pesquisador decidiu direcionar o estudo da tecnologia para o combate a pragas agrícolas, como o percevejo, o que transformou o desafio: descobrir o mecanismo deixou de ser suficiente, e a equipe passou a buscar transformá-lo em produto.

    Equipe de pesquisa. Foto: Igor Alisson/Inova Unicamp

    Essa fase da pesquisa levou quatro anos e resultou na invenção, desenvolvida por meio do acordo de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) firmado entre o Instituto de Biologia da Unicamp e a TMG. Uma equipe de quinze pessoas, entre estudantes de pós-graduação, iniciação científica e pós-doutorado, participou do desenvolvimento total da tecnologia. A Inova Unicamp conduziu toda a etapa de proteção intelectual, da avaliação de patenteabilidade até a redação e a submissão do pedido.

  • PIB do agronegócio sofreu queda de 2% no primeiro trimestre de 2026

    PIB do agronegócio sofreu queda de 2% no primeiro trimestre de 2026

    O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro caiu 2,01% no primeiro trimestre de 2026, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

    O resultado chama atenção porque ocorre depois de um avanço superior a 12% do setor em 2025. De acordo com os pesquisadores, a principal explicação para a retração está na redução dos preços de diversos produtos agropecuários, que acabou superando os ganhos esperados de produção em diferentes atividades.

    Todos os segmentos agrícolas registraram queda

    O recuo não ficou concentrado em apenas uma área da cadeia. Todos os segmentos que formam o PIB do agronegócio apresentaram resultado negativo nos primeiros três meses do ano.

    O maior impacto veio do segmento primário, que reúne as atividades diretamente ligadas à produção agropecuária. A queda foi de 4,15%. Na sequência aparecem os insumos, com retração de 2,15%, os agrosserviços, com baixa de 1,25%, e a agroindústria, que recuou 1,03%.

    Para o produtor rural, o cenário mostra que uma produção maior nem sempre significa aumento proporcional da receita. Isso acontece porque a valorização ou desvalorização dos produtos tem peso importante no resultado econômico de toda a cadeia.

    Agricultura sente mais o impacto

    Quando a análise é dividida entre os dois grandes ramos do agronegócio, a agricultura foi a principal responsável pela retração.

    O PIB do ramo agrícola recuou 3,62% no primeiro trimestre de 2026. Já a pecuária apresentou comportamento diferente e registrou um crescimento de 0,70% no período.

    A diferença ajuda a explicar por que o resultado geral do agro foi negativo mesmo com algumas atividades apresentando desempenho positivo. Afinal, o PIB do agronegócio considera uma cadeia ampla, que vai desde a fabricação de insumos até a produção no campo, a indústria e os serviços relacionados ao setor.

    Preços pesaram sobre o resultado

    Segundo o Cepea e a CNA, a expectativa para 2026 é de redução no valor da produção agropecuária. O principal fator apontado é justamente a queda dos preços, que superou os ganhos previstos em volume produzido em diferentes atividades agrícolas e pecuárias.

    Na prática, isso significa que o aumento da produção esperado para algumas culturas e criações não foi suficiente para compensar a desvalorização dos produtos.

    O cenário reforça a importância dos preços agrícolas para o desempenho econômico do setor. Mesmo com o Brasil mantendo uma posição de destaque na produção agropecuária, mudanças nas cotações podem afetar diretamente produtores, indústrias, fornecedores e empresas de serviços ligados ao campo.

    Agro ainda representa uma parcela importante da economia

    Apesar da queda, o agronegócio continua responsável por uma fatia expressiva da economia brasileira.

    Considerando os resultados do primeiro trimestre e o desempenho do PIB nacional, a participação do setor é estimada em 22,8% da economia brasileira em 2026. Em 2025, essa participação havia sido calculada em 25,2%.

    O PIB do agronegócio foi estimado em cerca de R$ 3,13 trilhões no período analisado. Desse total, aproximadamente R$ 1,88 trilhão corresponde ao ramo agrícola e R$ 1,25 trilhão ao ramo pecuário.

  • Agro pode gerar R$ 314 milhões em créditos de carbono até 2035

    Agro pode gerar R$ 314 milhões em créditos de carbono até 2035

    O agronegócio brasileiro pode gerar até R$ 314,3 milhões em créditos de carbono até 2035, segundo um estudo apresentado nesta quinta-feira (6), durante o Fórum de Agro & Sistemas Alimentares, realizado na São Paulo Climate Week. Apesar do potencial, o setor ainda enfrenta um obstáculo para transformar essa oportunidade em negócios: a falta de regras operacionais para autorizar e comercializar esses ativos no mercado internacional.

    O levantamento foi elaborado pela Carbonn Nature, com apoio do Instituto Equilíbrio e do IEAg (Instituto de Estudos do Agronegócio), da Abag (Associação Brasileira do Agronegócio). A análise aponta que o Brasil tem condições de ampliar a participação do agro no mercado de carbono sem comprometer suas metas climáticas estabelecidas no âmbito do Acordo de Paris.

    Agro brasileiro pode movimentar bilhões com mercado de carbono

    De acordo com o estudo, uma estratégia considerada moderada permitiria ao Brasil autorizar transferências equivalentes a até 4% da segunda Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do país.

    Nesse cenário, seria possível negociar cerca de 15,7 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e) no mercado internacional. A operação poderia gerar até R$ 2,4 bilhões por meio dos chamados Resultados de Mitigação Transferidos Internacionalmente, conhecidos como ITMOs.

    Os valores podem ser ainda maiores caso os créditos sejam direcionados ao Corsia, programa internacional criado para compensar as emissões da aviação civil. Nesse mercado, a estimativa apresentada pelo estudo chega a R$ 3,5 bilhões.

    Os números, entretanto, representam diferentes cenários e potenciais de mercado. Não se trata de uma receita garantida para produtores rurais ou para o setor como um todo.

    Três áreas concentram potencial

    O estudo identifica três principais frentes para ampliar a geração de créditos de carbono no agronegócio brasileiro.

    A primeira é o manejo aprimorado de terras agrícolas, que reúne práticas capazes de contribuir para a redução ou remoção de emissões. A segunda envolve a recuperação de áreas degradadas, uma estratégia que também pode ampliar o armazenamento de carbono no solo e na vegetação.

    A terceira frente está relacionada à redução das emissões de metano provenientes do manejo de dejetos animais. Segundo os pesquisadores, essas atividades já contam com metodologias reconhecidas internacionalmente e possuem projetos em desenvolvimento no Brasil.

    Para a pesquisadora responsável pelo levantamento, Natascha Trennepohl, o estudo mostra uma transformação na maneira como o agronegócio é inserido na agenda climática.

    “O agronegócio brasileiro deixou de ser discutido apenas como fonte de emissões e passa a ocupar o centro da conversa sobre soluções. Não existe uma escolha binária entre gerar receita com carbono e proteger a meta climática do País. Com critérios de autorização bem definidos e volumes graduais, as duas coisas caminham juntas.”

    Falta de regulamentação ainda trava mercado

    Apesar do potencial financeiro, os pesquisadores destacam que a geração de créditos de carbono pelo agro depende de uma série de fatores. Entre eles estão a autorização do governo brasileiro para que os créditos sejam reconhecidos como ITMOs, a existência de compradores internacionais e as próprias condições do mercado.

    Por isso, o principal desafio identificado pelo estudo não estaria na capacidade do agronegócio de gerar créditos ou na demanda internacional, mas na regulamentação necessária para colocar essas operações em prática.

    Entre as medidas apontadas como prioritárias estão a regulamentação do Artigo 6 do Acordo de Paris, a definição de critérios para autorização dos ITMOs e o reconhecimento das metodologias utilizadas pelo agronegócio no Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE).

    O estudo também defende a criação de limites de créditos compatíveis com as metas climáticas brasileiras, além da emissão das cartas de autorização pelo governo federal e do fortalecimento dos sistemas de monitoramento, reporte e verificação dos projetos.

    Demanda por créditos pode crescer com aviação internacional

    Outro ponto destacado no levantamento é a preparação dos projetos brasileiros para o aumento da demanda do Corsia a partir de 2027. O programa prevê compensações obrigatórias para grande parte dos voos internacionais, o que pode ampliar a procura por ativos ambientais.

    Para Trennepohl, o Brasil já possui condições técnicas para disputar esse mercado, mas precisa avançar na regulamentação.

    “O Brasil já fez a parte mais difícil, que é comprovar que tem escala, metodologia e integridade ambiental para competir nesse mercado. O que falta agora é essencialmente operacional: destravar a regulamentação para que esse potencial vire projeto, investimento e renda para o produtor rural.”

  • Caroço de açaí vira nanofertilizante e turbina crescimento de milho e sorgo

    Caroço de açaí vira nanofertilizante e turbina crescimento de milho e sorgo

    Pesquisadores da Embrapa e da Universidade Federal do Ceará (UFC) desenvolveram um nanofertilizante a partir do caroço do açaí capaz de estimular o crescimento de milho e sorgo. Em testes experimentais, doses baixas do produto (apenas 10 miligramas por litro) elevaram o crescimento relativo das plantas em 24% no milho e 164% no sorgo. O volume das raízes também aumentou 23% e 59%, respectivamente, na comparação com plantas não tratadas.

    Caroços de açaí são coprodutos pouco aproveitados no processamento agroindustrial, Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

    O caroço do açaí é um coproduto que a indústria ainda aproveita pouco. Cada tonelada de frutos processados para extração da polpa gera cerca de 700 quilos de caroços, que normalmente vão para descarte ou servem como combustível em caldeiras.

    Os testes usaram as variedades BRS-Gorutuba (milho) e 2502 (sorgo), ambas de ciclo curto e indicadas para o semiárido. O crescimento das raízes, especialmente no sorgo, permite que as plantas explorem o solo com mais eficiência e aumentem suas chances de sobrevivência em condições adversas.

    Como funciona o nanofertilizante

    A equipe produz o novo insumo a partir do pó da semente do açaí, por meio de um processo chamado síntese hidrotermal. O resultado são nanopartículas fluorescentes conhecidas como pontos quânticos de carbono (carbon quantum dots), com cerca de quatro nanômetros de diâmetro.

    Pontos quânticos de carbono
    Pontos quânticos de carbono (carbon quantum dots). Foto: Cláudio Carvalho

    Essas partículas penetram com eficiência nos tecidos das folhas. Além de entregar nutrientes minerais essenciais, elas funcionam como pequenas antenas: captam radiação ultravioleta e emitem luz azul, estimulando o sistema fotoquímico da planta e aumentando a eficiência da fotossíntese.

    Segundo o pesquisador Cláudio Carvalho, da Embrapa Agroindústria Tropical (CE), o tamanho reduzido das partículas explica o desempenho do produto. As nanopartículas alcançam o nível celular e superam a absorção obtida com fertilizantes foliares convencionais. Elas também participam da transferência de energia dentro das células e fornecem compostos bioativos que ativam enzimas ligadas ao combate ao estresse oxidativo das plantas.

    Cláudio Carvalho, pesquisador da Embrapa Agroindústria Tropical (CE). Foto: Arquivo Pessoal

    Carvalho destaca ainda o potencial ambiental da tecnologia: doses menores podem produzir resultados superiores, reduzindo custos de aplicação e riscos ao meio ambiente. Segundo o pesquisador, os nanofertilizantes tendem a gerar menos escoamento superficial e menor contaminação de solos e corpos d’água. Portanto, o que os torna mais sustentáveis que os fertilizantes tradicionais.

    De resíduo a matéria-prima estratégica

    Poucos estudos avaliam hoje o uso do caroço de açaí em pequena escala como biocarvão, fonte de bioenergia ou matéria-prima para materiais compósitos. Enquanto isso, o resíduo continua se acumulando nos centros urbanos das regiões produtoras e em grandes cidades, segundo Carvalho.

    O pesquisador compara a semente do açaí a um “kit de sobrevivência natural”, já que reúne os nutrientes que a planta precisa para se estabelecer em ambientes hostis. Portanto, uma característica que torna o material ideal como precursor do nanofertilizante. Para Carvalho, o processo agrega valor à biomassa e devolve parte dos nutrientes minerais, principalmente micronutrientes, às áreas de produção, o que reduz a dependência de fertilizantes convencionais.

    O grupo de pesquisa planeja agora testar o nanofertilizante em outras culturas, como feijão, batata-doce, abóbora e hortaliças, além de mudas de açaizeiro. Segundo os pesquisadores, depois de finalizado e escalado o processo produtivo, o produto pode se tornar uma alternativa segura para devolver nutrientes ao sistema produtivo. Tanto na própria cultura do açaizeiro quanto em viveiros de mudas e cultivo protegido.

    Professor Pierre Fechine, coordenador do Laboratório do Grupo de Química de Materiais Avançados (GQMat) da UFC. Foto: Arquivo Pessoal.

    O professor Pierre Fechine, coordenador do Laboratório do Grupo de Química de Materiais Avançados (GQMat) da UFC e parceiro do estudo, reforça o potencial da matéria-prima. Segundo ele, o Brasil gera grandes volumes de resíduos agroindustriais, especialmente na região amazônica, o que representa fonte abundante e barata de insumo. Fechine pondera, porém, que o uso agrícola em larga escala ainda depende de avanços em estudos regulatórios e de segurança.

    Publicação em revista internacional

    Os resultados da pesquisa saíram no artigo “Carbon-based nanopigments derived from açaí seed residues with tunable optical properties and biofunctional performance”, publicado na revista internacional Dyes and Pigments. Fechine resume a descoberta. Um resíduo até então descartado se transforma em material capaz de interagir com sistemas biológicos e gerar efeitos mensuráveis no crescimento das plantas.

    Porém, apesar dos resultados promissores, o caminho até o produtor rural ainda enfrenta obstáculos. O principal deles é manter a qualidade e a reprodutibilidade do material ao migrar da escala de laboratório para a escala industrial. Fechine explica que, em laboratório, a equipe trabalha com pequenas quantidades e controle rigoroso das condições de síntese. Já em uma fábrica, cada lote precisa manter as mesmas propriedades químicas, ópticas e biológicas. A otimização dos custos de produção, incluindo consumo de energia, purificação do material e logística de coleta da biomassa, também segue como desafio.

    O que são os pontos quânticos de carbono

    Os carbon quantum dots são nanopartículas extremamente pequenas, milhares de vezes menores que um fio de cabelo humano. Apesar do tamanho reduzido, apresentam propriedades notáveis, principalmente a capacidade de absorver e emitir luz.

    Cientistas descobriram esse tipo de nanopartícula por acaso, no início dos anos 2000, durante estudos com nanotubos de carbono. Desde então, o material desperta interesse científico crescente por ser relativamente fácil de produzir, apresentar baixa toxicidade e poder ser obtido a partir de materiais naturais e resíduos orgânicos.

    Atualmente, pesquisadores estudam os carbon quantum dots para aplicações em sensores químicos, diagnóstico médico, bioimagem, células solares, LEDs, tratamento de água e agricultura. No campo agrícola, o material pode estimular o crescimento das plantas, aumentar o aproveitamento da luz na fotossíntese e melhorar o transporte de nutrientes, contribuindo para sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.

    Para produzir o nanofertilizante, a equipe da Embrapa e da UFC submeteu o pó da semente do açaí, rico em carbono e minerais, a reatores de alta pressão e altas temperaturas por várias horas, em um processo de síntese hidrotermal. Sob essas condições, as moléculas orgânicas da semente se quebram e se reorganizam, formando os carbon quantum dots e outras substâncias com atividade biológica nas plantas, entre elas precursores de hormônios vegetais.

  • Raios matam trabalhadores rurais durante tempestade na Índia

    Raios matam trabalhadores rurais durante tempestade na Índia

    Pelo menos 14 pessoas morreram após serem atingidas por raios durante fortes tempestades no leste da Índia. A maioria das vítimas era formada por trabalhadores rurais, que estavam em lavouras quando as descargas elétricas atingiram a região em plena temporada de monções.

    Segundo as autoridades locais, 10 mortes foram registradas no distrito de Giridih, no estado de Jharkhand. Outras pessoas ficaram feridas. Enquanto isso, o serviço meteorológico indiano prevê a continuidade das chuvas intensas nos próximos dias.

    Monções aumentam o risco para agricultores

    A temporada de monções ocorre entre junho e setembro e é responsável por cerca de 75% das chuvas anuais da Índia. Esse período também coincide com a fase mais intensa da atividade agrícola, mantendo milhares de trabalhadores em áreas abertas durante a ocorrência de tempestades.

    Sem abrigos adequados nas lavouras, muitos agricultores permanecem expostos às descargas elétricas, o que aumenta significativamente o risco de acidentes fatais.

    Raios são a principal causa de mortes por desastres naturais

    Dados do National Crime Records Bureau (NCRB) mostram que os raios são atualmente o fenômeno climático mais letal da Índia.

    Somente em 2024, foram registradas 2.825 mortes provocadas por descargas elétricas, número superior ao total de vítimas causadas por enchentes, ondas de calor e frio intenso no mesmo período.

    Desde 1967, mais de 100 mil pessoas perderam a vida em decorrência de raios no país. Mais da metade dessas mortes ocorreu a partir de 2005, indicando um aumento expressivo dos casos nas últimas décadas.

    Mudanças climáticas podem intensificar as tempestades

    Pesquisadores apontam que o aquecimento global pode estar contribuindo para o aumento da incidência de raios.

    Com temperaturas mais elevadas, a atmosfera consegue armazenar mais vapor d’água, favorecendo a formação de nuvens de grande desenvolvimento vertical, responsáveis pelas tempestades elétricas.

    Um estudo da Fakir Mohan University, no estado de Odisha, identificou crescimento contínuo da atividade elétrica atmosférica na Índia e um comportamento cada vez mais imprevisível das tempestades.

    Segundo a pesquisa, a média anual de mortes por estado passou de 38 vítimas, entre 1967 e 2002, para 61 mortes no período de 2003 a 2020.

    Temporada de monções já deixou centenas de vítimas

    As mortes provocadas pelos raios se somam a outros desastres registrados durante a atual temporada de monções.

    Nas últimas semanas, enchentes em Assam causaram cerca de 90 mortes. Já deslizamentos de terra e chuvas intensas nas regiões do Himalaia deixaram mais de 50 vítimas. No estado de Kerala, enchentes e deslizamentos provocaram pelo menos 15 mortes e obrigaram milhares de moradores a abandonar suas casas.

    Os sucessivos eventos extremos evidenciam os impactos das condições climáticas severas sobre áreas rurais e populações mais vulneráveis.

    O que são as monções?

    As monções são um fenômeno climático caracterizado pela mudança sazonal dos ventos, que provoca períodos de chuvas intensas em diversas regiões da Ásia, especialmente na Índia.

    Entre junho e setembro, essas chuvas abastecem rios, reservatórios e lavouras, sendo essenciais para a agricultura e o abastecimento de água. No entanto, a intensidade das precipitações também aumenta o risco de enchentes, deslizamentos de terra, tempestades com raios e outros desastres naturais, afetando milhões de pessoas todos os anos.

  • Pesquisadores criam fertilizante que “regenera” solos degradados

    Pesquisadores criam fertilizante que “regenera” solos degradados

    A degradação de solos representa um dos maiores desafios ambientais e econômicos do Brasil. Levantamento do MapBiomas mostra que, entre 1986 e 2021, cerca de 25% da vegetação nativa do País entrou em algum processo de degradação. Ou seja, o equivalente a aproximadamente 135 milhões de hectares. A atividade agropecuária figura entre as principais causas desse cenário.

    Para enfrentar o problema, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram um novo fertilizante com potencial para recuperar áreas degradadas. A iniciativa reúne especialistas da USP, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e de duas startups incubadas na própria USP: a Quanticom e a MOF Tech.

    Liane Rossi, professora do Instituto de Química da USP e uma das responsáveis pelo desenvolvimento do material, destaca o potencial da tecnologia. “Ele pode funcionar como um regenerador de solo e, portanto, poderia ser aplicado em solos degradados para melhorar a possibilidade de agricultura”, afirma.

    Como funciona a tecnologia

    O fertilizante utiliza Redes Metal-Orgânicas, as MOFs, sigla em inglês para Metal Organic Frameworks. Esses materiais se degradam de forma rápida e controlada e fornecem componentes minerais importantes para o solo. A comunidade científica reconheceu essa tecnologia com o Prêmio Nobel de Química de 2025.

    Liane compara o material a uma esponja. A estrutura porosa, repleta de espaços vazios, permite que as MOFs carreguem substâncias previamente selecionadas para beneficiar o ecossistema do solo. Quando o material se decompõe naturalmente, ele libera esses elementos no ambiente.

    Liane Rossi. Foto: Currículo Lattes

    Apesar dos resultados positivos, a pesquisadora reforça que o novo fertilizante não substitui os produtos tradicionais. “Nos nossos estudos, mantivemos a prática usual de fertilização do solo e adicionamos o novo material, em quantidade menor, como um condicionador, para que os fertilizantes convencionais operem ou sejam melhor aproveitados quando combinados com ele”, explica.

    A origem do projeto

    Uma série de reuniões entre especialistas da USP e da Unesp deu início à parceria. Segundo Liane, os pesquisadores das duas instituições não conheciam as MOFs até então e se interessaram rapidamente pelo potencial do material.

    O projeto evoluiu a partir dessas primeiras conversas e alcançou etapas avançadas de aplicação em campo. “Tivemos 45 meses de financiamento pela Shell. Com isso, montamos uma equipe aqui em São Paulo para a parte de seleção e escalonamento de síntese do material”, relata a pesquisadora.

    As startups criadas na USP também contribuíram diretamente para o avanço da pesquisa. A MOF Tech ampliou a escala de produção do material, enquanto a Quanticom conduziu os estudos de campo.

    Próximos passos dependem de novos investimentos

    O projeto ainda está em desenvolvimento e precisa de financiamento adicional para avançar. “A fase atual demandaria mais estudos e em maior escala em campo. Isso implica maior escala de síntese do material e, então, um possível investimento na MOF Tech”, diz Liane.

    Os estudos já realizados indicam que o produto melhora o desenvolvimento das plantas e a saúde do solo. Ainda assim, a pesquisadora defende a realização de novas etapas de teste antes de definir a disponibilidade do fertilizante para aplicação agronômica em larga escala.

    Por /Jornal da USP

  • 5 hortaliças ideais para plantar em agosto

    5 hortaliças ideais para plantar em agosto

    Agosto marca uma transição importante para a agricultura em boa parte do Brasil. Com o aumento gradual das temperaturas e da incidência de luz solar, diversas hortaliças encontram condições favoráveis para iniciar o desenvolvimento.

    Para quem deseja renovar a horta, seja em casa ou na propriedade rural, este é um dos períodos mais indicados para o plantio de algumas espécies.

    Confira abaixo quais hortaliças podem ser cultivadas neste mês.

    Abóbora

    Originária do continente americano, a abóbora é sensível ao frio intenso e não tolera geadas.

    Por isso, a Embrapa recomenda o plantio durante este período principalmente nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste. Em condições favoráveis, a colheita acontece entre 90 e 120 dias após a semeadura.

    Alface

    A alface é uma das hortaliças mais consumidas pelos brasileiros e pode ser cultivada em todas as regiões do país.

    Entre as variedades mais conhecidas estão a crespa, lisa, americana, romana, mimosa e roxa. Em geral, a colheita ocorre cerca de dois meses após o plantio, tornando a cultura uma excelente opção para hortas domésticas.

    Beterraba

    A beterraba se desenvolve melhor em solos leves, bem drenados e sob temperaturas amenas.

    Nas regiões Sul e Sudeste, o cultivo pode ser realizado durante todo o ano. Já nas demais regiões brasileiras, a Embrapa recomenda a semeadura entre abril e agosto. A colheita costuma ocorrer aproximadamente dois meses depois do plantio.

    Cebolinha

    Muito utilizada como tempero, a cebolinha apresenta boa adaptação a temperaturas amenas e frias.

    O cultivo é simples, exige poucos cuidados e ainda permite rebrotas após a colheita. Em condições adequadas, as folhas podem ser colhidas em cerca de 70 dias, especialmente nas regiões Sul e Sudeste.

    Nabo

    O nabo pertence à mesma família do repolho, da couve e do rabanete.

    A semeadura deve ser feita diretamente no solo, preferencialmente em áreas de textura argilosa. Segundo a Embrapa, o plantio é indicado durante o outono e o inverno na maior parte do país. Em regiões de maior altitude, onde as temperaturas permanecem entre 15°C e 25°C, o cultivo pode ocorrer durante todo o ano.

    A colheita é rápida e normalmente acontece a partir de 50 dias após a semeadura.

    Como ter melhores resultados na horta?

    Independentemente da espécie escolhida, alguns cuidados ajudam a aumentar a produtividade:

    • Utilize sementes ou mudas de boa procedência.
    • Mantenha o solo fértil e bem drenado.
    • Faça irrigação regular, evitando encharcamentos.
    • Respeite o espaçamento recomendado para cada cultura.
    • Observe as condições climáticas da sua região antes do plantio.

    Com planejamento e os cuidados adequados, agosto pode ser um excelente período para iniciar uma nova produção.