As negociações de café voltaram a aquecer no mercado doméstico após o recesso de fim de ano, aponta o Cepea. Além disso, valorizações externas elevaram as cotações internas e aproximaram os preços das referências buscadas pelos produtores.
Segundo pesquisadores, a alta ganhou força a partir de 6 de janeiro. Nesse dia, os futuros março/26 subiram 1.450 pontos na Bolsa de Nova York. Como resultado, o volume negociado aumentou no mercado brasileiro.
Os pesquisadores afirmam que a pouca chuva preocupa regiões produtoras importantes do Brasil. Esse cenário afeta a safra 2026/27, em desenvolvimento e enchimento de grãos. As lavouras de arábica concentram a maior preocupação.
Além disso, a valorização do real frente ao dólar sustentou as altas dos futuros. Por fim, produtores buscaram fazer caixa com a virada do ano. Esse movimento aumentou a liquidez, segundo agentes consultados pelo Cepea.
O milho manteve a trajetória de valorização no início de dezembro, tanto no mercado internacional quanto no doméstico. Isso de acordo com o relatório Agro Mensal, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA. A demanda firme pelo grão, especialmente para ração e produção de etanol, continua sustentando os preços no Brasil.
Na Bolsa de Chicago (CBOT), o milho encerrou novembro com a terceira valorização mensal consecutiva, acumulando alta de 2,1% e cotação média de US$ 4,30 por bushel. Nos primeiros dez dias de dezembro, o cereal manteve o viés positivo, avançando mais 1,1%, para cerca de US$ 4,35 por bushel. Além de acompanhar o desempenho da soja, o milho norte-americano foi favorecido pela forte demanda externa, mantendo-se competitivo frente a origens como Brasil e Argentina.
Mercado interno
No mercado interno, os preços também subiram. Em Sorriso (MT), referência para o milho brasileiro, o grão valorizou 2,8% em novembro, alcançando R$ 50 por saca, e somou mais 3,1% na primeira quinzena de dezembro, chegando a R$ 51,30 por saca. A demanda doméstica aquecida atuou como principal pilar de sustentação, impulsionada pelo aumento no consumo para rações animais e produção de etanol.
Apesar do ritmo de exportações abaixo do esperado no início da temporada, a menor intensidade dos embarques não exerceu pressão sobre os preços, já que o consumo interno tem absorvido parte da oferta. O Itaú BBA destaca ainda que as preocupações com o plantio da segunda safra, especialmente em regiões com atraso na colheita da soja e riscos climáticos, também ajudam a segurar as cotações na curva futura da B3.
Os próximos dias serão decisivos para a definição da janela de semeadura da segunda safra e dos investimentos no cultivo de milho. A área plantada dependerá diretamente dos preços de mercado, do avanço da soja e das condições climáticas nas principais regiões produtoras.
Produtores brasileiros reduzem a oferta de milho no spot, atentos às valorizações nos portos e no mercado externo. Levantamentos do Cepea indicam que vendedores pedem preços firmes em novos negócios, reforçando a sustentação das cotações.
A demanda doméstica segue fraca e impede avanços mais fortes nos preços, explicam pesquisadores do Centro de Pesquisas. Os consumidores usam estoques e aguardam aumento da oferta, confiando na necessidade futura de vendas pelos produtores.
A safra deve ser recorde no Brasil e nos Estados Unidos, ou seja, o cenário amplia as expectativas do mercado.
Enquanto isso, a demanda externa de milho se aquece e sustenta as negociações brasileiras.
As exportações, fracas até julho, reagiram em agosto com negociações antecipadas do cereal, segundo dados da Secex analisados pelo Cepea.
O aumento da paridade de exportação reforça o interesse de vendas ao mercado internacional e dá suporte ao mercado interno. Em agosto de 2025, o ritmo diário de embarques superou em 18% o registrado no mesmo mês de 2024. O volume exportado também cresceu 13% no período, alcançando 6,84 milhões de toneladas, de acordo com a Secex.
O Prêmio CNA Brasil Artesanal Geleia 2025 já está com inscrições abertas. Os interessados podem se inscrever até o dia 23 de fevereiro no site do Sistema CNA/Senar. A iniciativa, que inaugura o calendário de concursos deste ano, busca reconhecer e valorizar pequenos e médios produtores rurais de todo o país.
O concurso conta com a parceria da Embrapa Agroindústria de Alimentos, do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital/SAA-SP) e do Sebrae Nacional. Os participantes poderão competir em duas categorias: simples e mista.
Para participar, é necessário produzir até 50 toneladas de geleia por ano e atender às exigências legais. Após a inscrição, o produtor deve enviar pelo menos um quilo do produto, dividido em seis embalagens individuais, para análise.
Processo de avaliação e premiação
O concurso terá três etapas de avaliação: júri técnico, júri popular e análise da história do produto. Produtores que utilizam matéria-prima cultivada em suas propriedades receberão um bônus de 10% na pontuação final.
Em resumo, os cinco finalistas de cada categoria receberão prêmios em dinheiro. Além disso, os três primeiros colocados ganharão o Selo de Participação Ouro, Prata ou Bronze, uma certificação que agrega valor ao produto.
Iniciativa valoriza alimentos artesanais e tradicionais
O Prêmio é promovido pelo Programa Nacional de Alimentos Artesanais e Tradicionais da CNA. Ou seja, a proposta incentiva a profissionalização de pequenos e médios produtores e destaca a qualidade dos alimentos artesanais no mercado.
Em geral, gesde sua criação, em 2019, o prêmio já reconheceu produtores de chocolates, queijos, cachaças, mel, vinhos, azeites e outros alimentos artesanais.
Para mais informações e inscrições, acesse o site oficial da CNA.
Os preços do café robusta, que já estavam em alta desde o último trimestre de 2023, continuam a bater recordes reais em 2024. Em março, os valores atingiram novos patamares, e nas últimas semanas, esses recordes vêm sendo superados com frequência. Na última segunda-feira, 26, o Indicador CEPEA/ESALQ do café robusta tipo 6, peneira 13 acima, alcançou R$ 1.378,89 por saca de 60 kg, o maior valor real registrado desde o início da série histórica do Cepea, em novembro de 2001. O índice foi ajustado pelo IGP-DI de junho/24.
Valorização do café robusta
Até o dia 26 de agosto, o indicador acumulou uma alta de 107,61 reais por saca, o que representa um avanço de 8,5% no mês. De acordo com os pesquisadores do Cepea, essa valorização está ligada à expectativa de oferta reduzida no Vietnã e às limitações de produção no Brasil. A safra nacional de robusta 2024/25 ficou abaixo do esperado, o que contribuiu para o cenário de preços elevados
A Embrapa Florestas (PR) e parceiros desenvolveram o primeiro protocolo de qualidade e rastreabilidade do pinhão, semente comestível e nutritiva do pinheiro-do-paraná (Araucaria angustifolia). Esse avanço abre caminho para a criação do selo de Indicação Geográfica (IG) da espécie no Brasil, garantindo mais qualidade aos consumidores. A pesquisa agropecuária busca agregar valor a esse alimento regional, que tem ganhado importância no mercado nacional e potencial para crescer no mercado internacional.
O novo protocolo abrange desde a coleta até o consumo, representando um marco para a qualificação da cadeia produtiva do pinhão. O produto é típico das regiões Sul e Sudeste do Brasil. Além disso, destaca-se o estudo preliminar sobre a criação de selos de Indicação Geográfica (IG) do pinhão, com base nas características locais e nos atributos sensoriais.
A adoção do protocolo está prevista para 2025 por duas cooperativas paranaenses, que pretendem aplicar melhorias na coleta, separação, armazenamento e venda da semente ao natural. A pesquisadora da Embrapa Florestas, Rossana Godoy, uma das autoras do documento, explica que a adesão ao protocolo deve ocorrer de forma espontânea. Ou seja, à medida que produtores, técnicos e consumidores constatarem os resultados positivos das práticas recomendadas.
Embora seja uma primeira iniciativa, a equipe técnica ressalta que o protocolo poderá ser ajustado ao longo do tempo, conforme a demanda dos envolvidos. Godoy enfatiza também a importância do primeiro passo para padronizar a oferta de pinhão no mercado consumidor paranaense, inspirando outras regiões produtoras, como Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas Gerais, por exemplo. Segundo dados do IBGE, a produção brasileira de pinhão em 2022 quase alcançou R$ 52 milhões, com um total de 13.376 toneladas. A organização do mercado tende a consolidar e expandir a produção e o consumo.
Qualidade técnica e rastreabilidade do pinhão
O protocolo oferece orientações técnicas detalhadas para a coleta, transporte, beneficiamento, acondicionamento e armazenamento do pinhão, além de recomendações para rotulagem e identificação de lotes. A rastreabilidade é destacada como essencial, permitindo que os consumidores conheçam a origem e a data de colheita do pinhão, garantindo frescor e qualidade.
As pesquisas realizadas pela Embrapa Florestas, lideradas por Rossana Godoy, fundamentaram a elaboração do protocolo. Entre os estudos, destacam-se artigos publicados nas revistas Pesquisa Florestal Brasileira e Revista Agrária Acadêmica, que abordam hábitos de consumo e atributos de importância do pinhão.
Valorização do pinhão
Godoy destaca a necessidade de melhorar a qualidade e a rastreabilidade do pinhão comercializado, uma vez que a semente perde umidade rapidamente após a abertura da pinha, reduzindo sua vida útil. Atualmente, a mistura de pinhões de diferentes qualidades prejudica a aceitação do produto. O protocolo visa oferecer um guia claro e confiável para produtores e consumidores, agregando valor ao pinhão.
Nivaldo Guimarães Vasconcellos, engenheiro-agrônomo da Secretaria de Segurança Alimentar e Nutricional de Curitiba, reforça que o protocolo ajudará na estruturação e no desenvolvimento da cadeia produtiva do pinhão. Isso porque ele vai promover a qualidade e a rastreabilidade. Jonas Eduardo Bianchin, extensionista do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR), ressalta que a rastreabilidade permitirá acompanhar todo o percurso do pinhão. Desde a origem até o consumo, aumentando a transparência e a confiança dos consumidores.
Pioneiros na adoção
As cooperativas Nascente (Campina Grande do Sul, PR) e Provale (Rio Branco do Sul, PR) estão entre as primeiras a adotar as práticas recomendadas no protocolo. Fernanda Arcie, da Cooperativa Nascente, e Bruno Guimarães, da Cooperativa Provale, destacam que a adequação às diretrizes ocorrerá em 2025.
Busca pela indicação geográfica
Foto: Divulgação Embrapa – Luiz Costa
A rastreabilidade é fundamental para obter a Indicação Geográfica (IG), que agrega valor ao produto e beneficia produtores e consumidores. Elenice Fritzsons, pesquisadora da Embrapa Florestas, explica que a caracterização ambiental e do produto, juntamente com a análise sensorial, são essenciais para viabilizar a solicitação do selo junto ao Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (Inpi).
As localidades avaliadas no estudo incluem Lagoa Vermelha (RS), Painel (SC), Inácio Martins (PR) e Cunha (SP). Nesses locais já existem comunidades rurais organizadas que têm no pinhão uma fonte alternativa de renda. O Painel, inclusive, já possui três produtos com selo de Indicação Geográfica.
O protocolo de qualidade e rastreabilidade do pinhão, desenvolvido pela Embrapa Florestas e parceiros, representa um avanço significativo para a cadeia produtiva do pinhão no Brasil. Com a implementação das práticas recomendadas, espera-se aumentar a qualidade do produto, atender a consumidores mais exigentes e promover o desenvolvimento sustentável dos produtores.
A diferença entre os preços dos ovos brancos e vermelhos alcançou um recorde, em Santa Maria de Jetibá (ES), no mês de maio.
De acordo com o levantamento do Cepea, a diferença média entre os preços dos ovos tipo extra brancos e vermelhos comercializados na região foi de R$ 36,61 por caixa de 30 dúzias, a maior da série histórica iniciada em 2019.
A valorização do ovo vermelho, impulsionada pela demanda interna desde fevereiro, foi destacada como o principal motivo desse cenário.
A retomada das aulas escolares e o início da Quaresma contribuíram para esse aumento.
No entanto, na semana passada, os valores médios dos ovos caíram com força, devido à redução típica da procura no final do mês.
A expectativa é que a demanda seja impulsionada nos próximos dias com o clima mais frio e a virada do mês.
A oferta, de acordo com o Cepea, permanece controlada.