Tag: Tomate

  • Tomates ancestrais conquistam agricultores e chefs de cozinha

    Tomates ancestrais conquistam agricultores e chefs de cozinha

    Já pensou poder experimentar o mesmo sabor de tomate que seus avós colhiam, comiam — e, depois de décadas, elogiam? É justamente essa experiência que variedades antigas de tomate estão proporcionando no Rio de Janeiro.

    Conhecidos como tomates históricos, tradicionais ou heirloom, esses frutos carregam características que foram preservadas ao longo de gerações. Muitos apresentam formatos, cores e sabores bem diferentes dos tomates encontrados atualmente nos supermercados.

    Há exemplares amarelos, alaranjados, rosados e até frutos com combinações de cores. Os formatos também chamam atenção. Alguns são pequenos e arredondados. Outros podem ser grandes, achatados ou bastante irregulares.

    Mas a aparência não é o único diferencial.

    Sabor que atravessa gerações

    O principal atrativo dessas variedades está no sabor. Muitos tomates antigos são conhecidos pelo aroma intenso, pela polpa suculenta e pelo equilíbrio entre doçura e acidez.

    Na cozinha, os frutos ganham espaço em saladas, entradas, molhos e outras receitas. Assim, ingredientes que durante anos ficaram restritos a pequenas plantações voltam a aparecer em restaurantes.

    Para os agricultores, a procura também cria uma nova oportunidade.

    Em vez de competir apenas pelo volume produzido, o produtor pode apostar em variedades diferenciadas. Nesse caso, sabor, aparência, origem e exclusividade passam a ter valor.

    Acervo com mais de mil variedades

    Na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), um acervo com mais de mil variedades do fruto chama atenção pela diversidade. Segundo o professor Antônio Carlos de Souza Abboud, os cultivos resultam em frutos de diferentes cores, formatos, sabores e texturas.

    Tudo começou quando Abboud, professor e agrônomo especializado em ciência do solo, recebeu uma pequena coleção de sementes da França. Ele decidiu plantá-las e, o que começou como um hobby, ganhou novas proporções.

    Com o tempo, chegaram novas sementes por meio de doações, trocas com outras instituições e coletas realizadas no Brasil e no exterior. Assim, a coleção foi crescendo e passou a reunir materiais de diferentes origens.

    Coleção da UFRRJ é algo raro no Brasil e impressiona pela diversidade de tons, sabores, formatos e aromas (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal/Antônio Carlos de Souza Abboud)

    Hoje, segundo Abboud, o acervo reúne tomates históricos provenientes de países como Itália, França, Espanha e Estados Unidos. Também há variedades coletadas em diferentes regiões brasileiras, incluindo a Bahia, a Amazônia e Roraima.

    “Tem tomate doce, azedo, frutado, mais ácido, com pouca semente, com textura crocante, textura macia. A gente tem todas as nuances de sabor, de gosto e de textura.”

    Rio de Janeiro tem tradição na produção

    O estado do Rio de Janeiro possui uma longa relação com o cultivo desse fruto.

    Um dos destaques é Paty do Alferes, município localizado na região Centro-Sul Fluminense. A cidade é tradicionalmente ligada à produção do tomate e mantém a agricultura como uma atividade importante.

    Portanto, a valorização dos tomates históricos cria uma possibilidade de diversificação. Pequenos produtores podem cultivar variedades específicas e estabelecer relações mais próximas com restaurantes, feiras e consumidores.

    A estratégia também acompanha uma mudança no comportamento na gastronomia:  Cada vez mais, chefs procuram ingredientes com história, identidade e origem conhecida. O tomate deixa, então, de ser apenas um acompanhamento e passa a contar uma história.

  • Temporal destrói pesquisa de tomate em Ribeirão Preto

    Temporal destrói pesquisa de tomate em Ribeirão Preto

    Uma chuva forte acompanhada de ventos de até 160 km/h e granizo destruiu, na última sexta-feira (24), uma área experimental de tomates do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) em Ribeirão Preto (SP). O experimento estava sendo conduzido em parceria com uma empresa japonesa de sementes. E avaliava 300 acessos genéticos e estava a menos de um mês da conclusão da etapa de campo.

    O pesquisador Roberto Blanco, do IAC, afirma que as plantas já apresentavam frutos desenvolvidos e que a folhagem, essencial para as análises genéticas, também se perdeu. “Os acessos plantados já estavam formados, mas a chuva veio com ventos muito fortes e granizo, e toda a plantação foi destruída”, diz.

    O estudo começou em 2025 e teve como objetivo analisar características genéticas de cultivares de tomate e renovar o banco de sementes do IAC. Na primeira etapa, os pesquisadores produziram sementes de materiais que mostraram resistência a dez doenças diferentes. Essas sementes originaram o plantio que o temporal atingiu.

    Nem tudo perdido

    Apesar da perda da área de campo, parte do material genético permanece preservada. As sementes da primeira fase estão em câmara fria. E serão transferidas para a sede do IAC, em Campinas, após danos na infraestrutura de Ribeirão Preto (prédios destelhados e falta de energia). O IAC planeja retomar o projeto com base nesse acervo, embora o cronograma sofra atraso.

    Além do tomate, uma estufa com acervo de pimentas também sofreu danos parciais. A presidente da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC), Helena Dutra Lutgens, alerta que episódios como este agravam um cenário já crítico: falta de estrutura adequada e de profissionais de apoio à pesquisa. “São danos que agravam a condição atual da pesquisa científica no Estado. E falta estrutura adequada e profissionais de apoio”, afirma.

    Alerta prévio e contexto de risco climático

    A destruição ocorre poucos dias depois que a APqC alertou o Governo do Estado sobre a falta de planejamento e de recursos para enfrentar eventos climáticos extremos. Em nota, a entidade apontou que 39 áreas de pesquisa agropecuária (vinculadas à Secretaria de Agricultura e Abastecimento) e 47 áreas de pesquisa e conservação ambiental não contam com orçamento específico para ações preventivas. Justamente quando o El Niño eleva o risco de chuvas fortes e incêndios.

    A APqC cita como exemplo a Fazenda Experimental de Monte Alegre do Sul, onde a restrição de combustível dificulta a construção de aceiros. A unidade já registra grandes incêndios desde 2008, com um episódio em 2024 que durou 36 horas e destruiu experimentos, infraestrutura e reservas ambientais.

    Para a associação, a extinção da carreira de apoio nas fazendas experimentais força pesquisadores a assumir tarefas operacionais, reduzindo o tempo dedicado à ciência e a capacidade de prevenção. No âmbito ambiental, a entidade defende que brigadistas temporários não substituem equipes permanentes integradas à pesquisa e ao manejo. A APqC lembra ainda que o STF, por decisão do ministro Flávio Dino, determinou que o Estado apresente um plano de contratação de pesquisadores ambientais, reconhecendo que a falta de reposição compromete a capacidade técnico-científica e a proteção das áreas de conservação.

  • Hortitec traz novidades contra pragas e viroses do tomate

    Hortitec traz novidades contra pragas e viroses do tomate

    A BASF Soluções para Agricultura aproveitou a Hortitec 2026, realizada entre os dias 17 e 19 de junho, em Holambra (SP), para apresentar novas tecnologias voltadas ao cultivo de tomate. As soluções reúnem sementes, proteção de cultivos, biológicos, agricultura digital e ferramentas financeiras. O objetivo é ajudar os produtores a aumentar a produtividade e melhorar a rentabilidade das lavouras.

    O sistema produtivo de hortifrúti está entre as prioridades da empresa no Brasil. Além disso, a companhia mantém investimentos em culturas como soja, milho, algodão e arroz. Globalmente, a BASF investe cerca de 1 bilhão de euros por ano em pesquisa e desenvolvimento. No Brasil, estão previstos aproximadamente 30 lançamentos até 2035, incluindo novas moléculas, formulações, traits, sementes e ferramentas digitais.

    Entre as novidades apresentadas na feira, o destaque foi a ampliação do uso do inseticida Efficon para a cultura do tomate.O produto atua desde o início do ciclo da planta. Além disso, conta com o chamado “Efeito Freeze”, tecnologia que paralisa imediatamente os insetos. Dessa forma, interrompe o desenvolvimento das pragas e reduz a transmissão de doenças.

    Por sua vez, outra solução apresentada foi o Vinquo. O inseticida é desenvolvido a partir da molécula Inscalis e indicado para o controle de insetos sugadores. Entre eles estão a mosca-branca no tomate e o pulgão-verde na batata. Já o fungicida Mibelya utiliza a molécula Revysol. O produto auxilia no controle de doenças como o oídio e a septoriose no tomate. Também é indicado para o manejo da pinta-preta na batata.

    Genética e resistência no campo

    Além das soluções para proteção de cultivos, a marca Nunhems, divisão de sementes de frutas e hortaliças da BASF, também apresentou novidades durante a Hortitec. O portfólio é voltado ao aumento da produtividade e ao fortalecimento da resistência das plantas diante dos principais desafios fitossanitários.

    Nesse contexto, entre os destaques está o híbrido de tomate Strongton. A variedade combina alta produtividade com resistência a viroses transmitidas pela mosca-branca e pelos tripes. Além disso, oferece resistência ao vírus rugoso do tomate (ToBRFV).

    Já entre as soluções para enxertia, a empresa apresentou o porta-enxerto Enholder. A solução contribui para aumentar o vigor das plantas e melhorar a estabilidade produtiva. Da mesma forma, favorece o desempenho das lavouras em áreas com pressão de doenças de solo, nematoides e estresse hídrico.

    Segundo Golmar Beppler Neto, gerente de Vendas da BASF Brasil para a Nunhems, a feira representa uma oportunidade importante de aproximação com os produtores.

    “A Hortitec é um momento único para nós. É a maior feira da América Latina e a oportunidade de conectar as nossas soluções com os produtores, mostrando os benefícios que conseguimos trazer para toda a cadeia. Neste ano, trouxemos soluções voltadas ao tomate como principal mote do evento, com destaque para o Strongton, um híbrido que oferece mais segurança ao produtor”, afirmou.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Inovação para enfrentar os desafios da produção

    Por outro lado, para Katty Caroline Corrente, líder do sistema produtivo de hortifrúti, cana-de-açúcar e café da BASF Soluções para Agricultura, a Hortitec também é um momento estratégico para ouvir os agricultores.

    “A Hortitec é a feira mais importante da América Latina para o setor de horticultura. É um momento muito importante para reunir os horticultores, apresentar lançamentos, conversar com clientes e entender um pouco mais as dores que eles sentem no campo”, destacou.

    Além disso, de acordo com a executiva, este é o terceiro ano consecutivo em que a empresa leva inovações para a feira.

    “Estamos trazendo mais uma inovação, que é o Efficon para o manejo de pragas sugadoras. As inovações vêm justamente para ajudar o produtor a enfrentar os desafios do campo”, explicou.

    Por fim, Katty comentou o cenário econômico enfrentado pelos produtores de tomate e batata. Segundo ela, os preços das duas culturas passaram por um período de forte pressão ao longo deste ano. No entanto, o mercado já apresenta sinais de recuperação. Ainda assim, os produtores seguem atentos aos custos de produção.

    “Vivemos um momento muito difícil em termos de preço, com valores mais baixos para tomate e batata. Agora observamos uma ligeira recuperação. O produtor não pode deixar de investir em inovação, mas precisa ter resultados. Por isso, a BASF trabalha com soluções integradas que melhoram a produtividade e oferecem custo-benefício, permitindo que ele enxergue valor no manejo mesmo em períodos de baixa”, concluiu.

  • Genética se torna aliada estratégica na produção de tomate

    Genética se torna aliada estratégica na produção de tomate

    A combinação entre genética avançada, cultivo protegido e manejo tecnológico tem transformado a produção de tomate no Brasil. Durante visita técnica promovida pela BASF Nunhems na Mikami Agrobusiness, em Louveira (SP), produtores e especialistas apresentaram como a inovação vem contribuindo para aumentar a produtividade, garantir maior qualidade dos frutos e reduzir os impactos das variações climáticas sobre a cultura.

    A Mikami Agrobusiness é um grupo agrícola familiar liderado pelos irmãos Ricardo e Eduardo Mikami, representantes da terceira geração de descendentes de imigrantes japoneses. Com operações em Louveira e Vinhedo, a empresa cultiva cerca de 70 produtos diferentes para abastecer a rede Quitanda QMaria e o QMaria Restaurante & Sushi, ambos pertencentes à própria família. Entre as culturas, o tomate saladete ocupa posição estratégica na operação.

    Da avaliação ao cultivo em larga escala

    Atualmente, toda a produção de tomate italiano da empresa utiliza o híbrido Strongton, desenvolvido pela BASF Nunhems. Segundo Ricardo Mikami, a adoção da variedade ocorreu após testes em pequena escala que demonstraram resultados superiores aos materiais anteriormente utilizados.

    “Nossa busca não é só por algo que seja bom para produzir, é o que o cliente quer. Buscamos variedades resistentes, que nos ajudem a usar o mínimo possível de produto, buscando eficiência e atendendo a demanda que encontramos no Strongton”, afirmou.

    De acordo com o produtor, um dos principais desafios da cultura era a perda de uniformidade dos frutos na parte superior das plantas.

    “Nossa dificuldade sempre foi do meio para cima. Ou ficava pequeno ou ficava oco, não enchia e não dava peso. Quando tivemos a oportunidade de testar o Strongton, já vimos diferença. Começamos com seis vasos e hoje 100% da nossa produção de tomate italiano é dessa variedade”, relatou.

    Além disso, a empresa trabalha atualmente com 17 lotes produtivos e pretende incorporar mais três áreas ao longo deste ano. Cada lote produz entre 10 e 12 toneladas, totalizando aproximadamente 180 toneladas anuais de tomate italiano.

    Genética como diferencial competitivo

    Segundo Leonardo Terron Ferreira, representante técnico de vendas da BASF Nunhems, a proposta da nova genética é garantir uniformidade de produção durante todo o ciclo da planta.

    “A genética traz para o produtor melhor sanidade, vigor de planta, pegamento desde as primeiras pencas e qualidade até o ponteiro. O objetivo é oferecer o mesmo calibre de fruto em toda a planta, com uniformidade e padrão comercial”, explicou.

    De acordo com o especialista, o desempenho está diretamente ligado ao sistema radicular desenvolvido pelo híbrido.

    “Para obter uniformidade, o segredo está na genética. Com um sistema radicular robusto, toda a adubação realizada consegue ser aproveitada pela planta, garantindo a formação das pencas e a qualidade dos frutos.”

    Além da uniformidade, o material apresenta resistência a importantes desafios fitossanitários da cultura, como nematoides, fusarium, verticillium, vírus rugoso, vira-cabeça e geminivírus. Dessa forma, o produtor ganha mais estabilidade produtiva e maior segurança no manejo da lavoura.

    Tecnologia reduz riscos e amplia previsibilidade

    Além da genética, a tecnologia aplicada ao sistema de produção tem papel decisivo nos resultados obtidos pela propriedade. A Mikami Agrobusiness conta com cerca de 40 mil metros quadrados de estufas em Louveira, além de estruturas semelhantes em outras regiões do País.

    Segundo Ricardo Mikami, a migração do cultivo tradicional para a plasticultura permitiu reduzir significativamente os impactos das condições climáticas.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    “Diminuímos as variáveis climáticas como excesso de chuva, luminosidade e temperatura. Conseguimos entregar mais produtividade, qualidade, previsibilidade e reduzir aplicações de produtos. A plasticultura diminui as rupturas de produção.”

    Além disso, o sistema adotado utiliza cultivo em vasos preenchidos com turfa, um substrato que permite maior controle do ambiente radicular. Toda a irrigação e nutrição das plantas ocorre por meio de fertirrigação automatizada.

    “Trabalhamos em campo protegido. O plantio é feito em vasos com substrato e toda a fertirrigação é realizada por uma injetora que fornece água e nutrientes preparados pelos nossos agrônomos de acordo com a necessidade da planta durante o ciclo”, explicou Juliano Godoi, gerente de produção da Mikami Agrobusiness.

    Para os produtores, a incorporação de novas tecnologias tornou-se fundamental diante dos desafios climáticos e das exigências de mercado.

    “Se continuássemos produzindo da maneira que era feita no passado, seria muito difícil aumentar a produção. A tecnologia veio para agregar. Hoje utilizamos recursos que vão desde sementes híbridas e irrigação até estufas mais modernas e implementos agrícolas”, destacou Godoi.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Desafios e perspectivas para o futuro

    Apesar dos avanços, a produção de tomate continua enfrentando desafios importantes, principalmente durante o verão, quando as altas temperaturas podem comprometer produtividade e qualidade.

    Ainda assim, a demanda do mercado exige regularidade no abastecimento ao longo de todo o ano.

    “O consumidor quer tomate independentemente de estar frio, chovendo ou fazendo calor. Precisamos garantir esse fornecimento constante”, observou Ricardo Mikami.

    Para ele, o futuro da tomaticultura passa pela combinação entre sustentabilidade, genética e adaptação climática.

    “As temperaturas estão cada vez mais altas e as mudanças climáticas são uma realidade. A genética precisará acompanhar esse cenário, entregando materiais mais resistentes e que facilitem o manejo. A automação também deve avançar, mas sem perder a sensibilidade humana, que continua sendo determinante para o resultado final.”

  • Cesta básica sobe em todas as capitais

    Cesta básica sobe em todas as capitais

    A Análise Mensal da Cesta Básica, divulgada nesta semana, revela um cenário misto para o bolso dos brasileiros em maio. O levantamento, realizado pela parceria entre a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), mostra que o café em pó e o óleo de soja ficaram mais baratos em 23 capitais brasileiras. Além desses itens, o açúcar e a banana também apresentaram recuo de preços na maior parte do país, impulsionados pelo aumento da oferta no varejo.

    Boas perspectivas para a safra e o avanço da colheita explicam a queda de até 7,86% no café em pó em Campo Grande. Já o óleo de soja recuou até 7,87% em Macapá, favorecido pela maior oferta interna. A capital amapaense também registrou a maior redução no preço do açúcar, com uma queda expressiva de 20,41%. No caso da banana, o maior declínio ocorreu em Campo Grande, onde o fruto ficou 10,84% mais barato.

    Alimentos que pesaram no orçamento

    Por outro lado, o encerramento da safra das águas e o início da temporada das secas reduziram a oferta de diversos produtos, elevando os custos para o consumidor.

    Entre os destaques negativos estão:

    Batata: o preço subiu em todas as 11 cidades das regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul. São Paulo registrou a menor variação, ainda assim com alta de 40,03%.

    Tomate e carne bovina: ambos encareceram em 26 capitais. O tomate saltou 44,8% em Porto Alegre, enquanto a carne subiu 7,35% em Porto Velho.

    Feijão e arroz: o feijão-carioca valorizou entre 1,13% (Cuiabá) e 31,36% (Macapá). O arroz teve alta em 18 capitais, com destaque para Palmas (14,23%), embora tenha caído 9,04% em Aracaju.

    Leite integral: o produto apresentou oscilações distintas, ficando 9,75% mais caro em Macapá e 3,28% mais barato no Rio de Janeiro.

    Custo total da cesta e o cenário nas capitais

    Apesar das quedas pontuais, o valor total da cesta básica subiu em todos os municípios monitorados no mês de maio. As variações ficaram entre 1,73% em Campo Grande e 8,05% em Recife.

    São Luís consolidou-se como a capital com o preço mais acessível (R$ 651,15),seguida por Aracaju(R$ 652,73) e Rio Branco (R$ 689,11). A capital maranhense também obteve um resultado positivo na comparação anual, com os alimentos custando 2,52% menos do que no mesmo período de 2025.

    Acumulado do ano (Dezembro/2025 a Maio/2026)

    No balanço dos primeiros cinco meses do ano, a cesta básica encareceu em todas as capitais, com uma média de 14,89% de aumento.

    São Luís registrou o menor crescimento acumulado (3,45%), enquanto outras 23 capitais ficaram abaixo da média nacional, incluindo Campo Grande (8,41%), Brasília (12,3%) e São Paulo (12,56%).

  • El Niño 2026 ameaça produção de morango, tomate e grãos no Brasil

    El Niño 2026 ameaça produção de morango, tomate e grãos no Brasil

    A possível chegada de um El Niño intenso em 2026 acende um alerta no agronegócio brasileiro, especialmente para culturas sensíveis ao clima, como morango, tomate e grãos. De acordo com a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), a probabilidade de formação do fenômeno já supera 90%, com cerca de 50% de chance de atingir intensidade forte ou muito forte, cenário conhecido como “Super El Niño”.

    A previsão indica um aumento significativo nas temperaturas globais, com elevação que pode chegar a 3°C. Esse cenário tende a provocar irregularidades climáticas, afetando diretamente a produtividade agrícola. Culturas de clima frio e temperado estão entre as mais vulneráveis, já que dependem de faixas térmicas mais estáveis para se desenvolver.

    Estudos da Embrapa apontam que, considerando um aumento gradual de temperatura até 2050, o Brasil pode enfrentar uma redução de até 50% na produção agrícola. Embora o impacto do El Niño seja mais imediato, os dados reforçam a preocupação com a resiliência do setor diante das mudanças climáticas.

    Adaptação

    No campo, especialistas destacam que a adaptação passa, principalmente, pelo manejo eficiente do solo e pela nutrição adequada das plantas. Segundo Douglas Vaz-Tostes, especialista em nutrição de lavouras do Grupo GIROAgro, não é mais possível dissociar o manejo climático do nutricional.

    “A escolha correta dos fertilizantes impacta diretamente a eficiência do sistema produtivo. Quando o produtor aplica o nutriente certo, na dose e no momento adequados, reduz perdas e preserva o potencial produtivo, mesmo em cenários adversos”, afirma.

    No caso do morango, por exemplo, o impacto do calor é ainda mais sensível. A cultura se desenvolve melhor em temperaturas entre 13°C e 26°C. Quando os termômetros ultrapassam os 30°C, há prejuízos na floração, o que compromete a produção e pode gerar atrasos na colheita.

    Irregularidade climática

    Além das temperaturas elevadas, a irregularidade climática também favorece o aumento da incidência de pragas e doenças, exigindo maior esforço fisiológico das plantas. Nesse contexto, o especialista ressalta que o desafio atual vai além da simples adubação.

    “Hoje, não basta apenas fornecer nutrientes. É essencial garantir que a planta consiga absorver e transformar esses insumos em produtividade, mesmo sob estresse climático”, explica.

    Com a intensificação dos eventos climáticos extremos, a preparação antecipada deixa de ser um diferencial competitivo e passa a ser uma condição essencial para a sustentabilidade do agronegócio. Estratégias como o uso eficiente de fertilizantes, o planejamento do plantio e a adoção de tecnologias agrícolas devem ganhar ainda mais relevância nos próximos ciclos produtivos.

  • Fiscalização em aeroporto barra praga capaz de devastar lavouras brasileiras

    Fiscalização em aeroporto barra praga capaz de devastar lavouras brasileiras

    Agentes da Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro), do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), interceptaram na última semana uma carga de aproximadamente uma tonelada de aspargos importados do Peru no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP). O motivo: a presença do inseto Prodiplosis longifila, praga quarentenária ausente no Brasil e com potencial de devastar culturas estratégicas do agronegócio nacional.

    A carga era composta por 200 caixas do produto. Equipes do Vigiagro identificaram o inseto durante a fiscalização de rotina e enviaram amostras ao laboratório no dia 8 de maio. O laudo conclusivo saiu na última quarta-feira (13) após análises que incluíram exame visual, morfologia em microscópio, consulta bibliográfica, PCR e sequenciamento genético.

    Uma praga com muitos nomes e um só problema

    Conhecida popularmente como mosca-dos-botões-florais, larva-fura-botão, mosquinha-do-tomate ou negrilla, a Prodiplosis longifila é um inseto de difícil controle. Segundo a Embrapa, suas larvas se desenvolvem no interior de tecidos vegetais (botões florais, brotos terminais e frutos jovens) provocando deformações, abortamento de flores e queda de produtividade. O inseto se adapta melhor a climas quentes e úmidos e consegue se dispersar por voo em até 300 metros.

    A espécie, classificada como praga quarentenária A1 no Brasil, já está presente na Colômbia e no Peru e representa uma das maiores preocupações fitossanitárias do país. Pesquisadores da Embrapa apontam que regiões de fronteira, sobretudo aquelas vizinhas a países onde a praga já ocorre, são os pontos de entrada mais vulneráveis ao território nacional.

    Impacto potencial sobre o agronegócio

    A lista de culturas em risco é extensa: tomate, aspargo, citros, pimentão, algodão, feijão, abacate, alcachofra, batata e cebola. Estudos publicados em periódico científico registram perdas de até 100% na produção de tomate na Colômbia e de até 60% no Equador. No Peru, o inseto também provoca prejuízos consideráveis nos cultivos de aspargo.

    Nos países onde a praga já está estabelecida, como Peru, Equador e Colômbia, sua chegada causou perdas volumosas nas principais zonas produtoras de tomate e pimentão. Em Manabí, no Equador, a Prodiplosis longifila ocupa o posto de praga mais importante do tomate desde 1996.

    Sem controle adequado, a praga pode provocar perdas de rendimento superiores a 50% em batata, aspargo e outras hortaliças. A maioria dos produtores afetados recorre ao uso intensivo de inseticidas sintéticos como única estratégia de combate. O que eleva custos de produção e gera riscos ambientais.

    No Brasil, uma eventual introdução do inseto poderia afetar diretamente as cadeias produtivas de citros e hortaliças, comprometer mercados de exportação e exigir gastos elevados com programas de contenção. A introdução de pragas quarentenárias, sem medidas fitossanitárias adequadas, provoca impactos sociais, ecológicos e econômicos. Portanto, com elevação dos custos de exportação por barreiras fitossanitárias e gastos com programas de controle oficial.

    O papel do Vigiagro na proteção das fronteiras

    O Vigiagro conta atualmente com 111 Serviços e Unidades de Vigilância Agropecuária distribuídos em portos, aeroportos, postos de fronteira e aduanas especiais. A estrutura realiza a fiscalização de cargas, produtos de origem vegetal e animal e bagagens em trânsito internacional, com o objetivo de impedir o ingresso de pragas ainda ausentes no território nacional.

    O caso de Guarulhos reforça a importância da vigilância ativa nas fronteiras,  especialmente em um país com um dos maiores agronegócios do mundo. A Embrapa coordena um arranjo de pesquisa com 40 projetos voltados à prevenção e ao manejo de pragas quarentenárias, envolvendo 25 centros de pesquisa e parceiros internacionais, com foco em reduzir riscos de entrada e os impactos econômicos dessas ameaças.

  • Tomate ganha destaque por benefício que pouca gente conhece

    Tomate ganha destaque por benefício que pouca gente conhece

    O tomate costuma aparecer como coadjuvante no prato, mas a ciência vem mostrando que ele merece mais espaço. Rico em nutrientes e com forte ação antioxidante, o alimento ganhou status de aliado da saúde por atuar em frentes importantes, como imunidade, coração e prevenção de doenças crônicas.

    Um pacote nutricional completo

    O tomate pode ser classificado como um funcional por excelência. Na prática, isso significa que ele entrega benefícios que vão além da nutrição básica e ajuda o organismo de forma mais ampla. Além disso, sua composição reúne vitamina C, potássio, vitamina K e folato, um pacote que chama atenção pela densidade nutricional.

    O grande destaque, no entanto, fica por conta do licopeno. Esse antioxidante é associado a efeitos protetores no corpo e, por isso, costuma ser estudado com frequência. A absorção dele aumenta quando o tomate é aquecido, o que muda bastante a forma como o alimento pode ser aproveitado no dia a dia.

    Como aumentar a absorção dos benefícios

    O licopeno, por sua vez, é uma substância lipossolúvel. Por isso, o consumo do tomate cozido tende a favorecer a biodisponibilidade, especialmente quando ele é combinado com uma gordura de boa qualidade, como o azeite de oliva. Em outras palavras, o preparo certo pode fazer diferença real na absorção desse composto pelo organismo.

    Saúde do coração em foco

    Por outro lado, o tomate não se limita ao antioxidante. Ele também é associado ao equilíbrio da saúde cardiovascular, já que contribui para o controle de gorduras no sangue. Esse efeito ajuda a reforçar o papel do alimento em uma rotina alimentar mais preventiva, especialmente quando ele entra de forma frequente e variada nas refeições.

    O que dizem os estudos sobre prevenção de doenças

    Além disso, o tomate vem sendo estudado pelo potencial de ajudar na proteção contra alguns tipos de câncer. Entre os destaques científicos, aparece a relação entre o consumo regular de licopeno e a redução do risco de câncer de próstata. A associação não transforma o alimento em solução isolada, mas reforça como ele pode fazer parte de uma estratégia alimentar mais inteligente.

    Um aliado simples para uma alimentação mais equilibrada

    Na prática, o tomate também vence pela versatilidade. Ele pode ser usado cru, assado, refogado, em molhos e até mesmo em preparações mais elaboradas. Assim, fica mais fácil incluir o alimento na rotina sem esforço.

    Para quem busca um prato mais equilibrado, o tomate oferece justamente esse tipo de vantagem. Ele combina praticidade, sabor e um pacote de benefícios que vai além da aparência simples. E, quando entra no preparo certo, pode entregar ainda mais do que muita gente imagina.

  • Produção de tomate bate recorde no Brasil

    Produção de tomate bate recorde no Brasil

    A produção brasileira de tomate fechou 2025 com recorde histórico: 4,7 milhões de toneladas colhidas, segundo o IBGE. O número supera o pico anterior de 4,4 milhões de toneladas registrado em 2011 e confirma o Brasil entre os dez maiores produtores do mundo.

    Em três anos, o setor avançou 27%. No ano de 2022, o país produzia 3,7 milhões de toneladas em 52,3 mil hectares. Em 2025, a área plantada chegou a 63,3 mil hectares. Uma alta de 21%, e a produtividade subiu de 71 para 74 quilos por hectare.

    Clima úmido ameaça a safra de 2026

    O início de 2026, no entanto, acende um alerta para os produtores. As altas temperaturas e o clima mais úmido aumentaram a incidência de doenças fúngicas e bacterianas nas lavouras. O resultado são frutos manchados, maior volume de descartes e menos produto de qualidade no mercado.

    “O manejo fitossanitário precisa ser ainda mais criterioso e preventivo. O monitoramento constante da lavoura, a adoção de programas de proteção integrados, a rotação de ativos e o uso correto de defensivos registrados para a cultura são medidas que contribuem para reduzir perdas e preservar a sanidade das plantas”, afirma Hugo Centurion, head da Ascenza Brasil.

    Centurion também destaca que o manejo adequado de irrigação, a ventilação do dossel e o respeito ao intervalo de aplicação aumentam a eficiência do controle e garantem frutos de melhor qualidade mesmo diante de condições climáticas adversas. O uso de enxertos e variedades mais resistentes também ajuda a sustentar a produtividade.

    Preços sobem e devem acumular alta de 7% no ano

    Os efeitos da oferta limitada já aparecem nas prateleiras. No início de fevereiro, segundo o Cepea, os preços do tomate longa vida se mantiveram estáveis nos atacados de São Paulo e Belo Horizonte, mas dispararam 34% no Rio de Janeiro e 11% em Campinas. No Rio, a caixa chegou a R$ 134,12 — valor bem acima dos R$ 109,75 registrados em Campinas em fevereiro de 2024, o maior patamar do período anterior.

    Com oferta restrita e custos de produção elevados, a FGV Ibre projeta alta acumulada de cerca de 7% para o tomate ao longo de 2026.

    Goiás, São Paulo e Minas Gerais lideram a produção nacional

    No Brasil, Goiás, São Paulo e Minas Gerais concentram a maior parte da produção nacional. O Paraná ocupa a quarta posição no ranking. A produção divide em dois segmentos principais: o tomate de mesa, voltado ao consumo in natura, que representa em média 60% do total, e o tomate industrial, destinado à fabricação de molhos e derivados.

    No cenário internacional, China, Índia e países da União Europeia lideram a produção mundial. O mercado global do tomate movimentou US$ 217,03 bilhões em 2025 e deve alcançar US$ 273,84 bilhões em 2030, com crescimento anual composto (CAGR) de 4,76% no período, segundo a Mordor Intelligence.

  • Prepare o bolso: tomate ultrapassa R$ 100 por caixa

    Prepare o bolso: tomate ultrapassa R$ 100 por caixa

    A oferta limitada de tomates de padrão comercial elevou os preços da hortaliça nas principais centrais atacadistas do país na terceira semana de janeiro. Com cotações que ultrapassam R$ 100 por caixa de 20 quilos, o cenário reforça a necessidade de um preparo de solo eficiente para garantir produtividade e reduzir oscilações de mercado.

    Levantamentos de mercado mostram que o tomate salada longa vida tipo 3A registrou altas expressivas. No Rio de Janeiro, o preço médio chegou a R$ 107 por caixa, avanço de 40,8%. Em Campinas (SP), o valor subiu 32,7%, alcançando R$ 105,83, enquanto em Belo Horizonte (MG) o aumento ultrapassou 50%. A redução da oferta reflete o clima irregular e o ritmo menor de colheita em áreas que já atingiram o pico produtivo no início do ano.

    Para produtores e consultores agrícolas, o momento evidencia a importância de práticas agronômicas que tornem as lavouras mais resilientes. O preparo correto do solo aparece como ponto de partida essencial, pois fortalece o sistema radicular, melhora a absorção de nutrientes e aumenta a tolerância das plantas ao estresse hídrico e às doenças.

    “O equilíbrio do abastecimento e o avanço tecnológico no campo dependem de boas safras e de investimentos contínuos em práticas sustentáveis. Quando o produtor adota técnicas adequadas, todo o setor se beneficia — da produtividade à rentabilidade”, afirma Leonardo Sodré, CEO da GIROAgro.

    Preparo do solo

    Especialistas em cultivo apontam que solos bem estruturados, com boa aeração, drenagem e matéria orgânica, favorecem o desempenho das plantas e ampliam o potencial produtivo. A correção do pH, a aplicação de composto orgânico e o manejo mecânico adequado do terreno são práticas que sustentam lavouras mais estáveis mesmo diante das variações climáticas que afetam a qualidade dos frutos.

    O aumento de preços no atacado tende a repercutir no varejo e no bolso do consumidor. Nesse contexto, o manejo eficiente do solo se fortalece como fator estratégico. Não só para a competitividade interna do tomate, mas para a sustentabilidade econômica de toda a cadeia produtiva.

    “Nossa missão é estar ao lado do produtor, oferecendo soluções que façam diferença no campo. E isso começa com a base de tudo: o solo”, conclui Sodré.