Tag: qualidade

  • Chuvas reduzem qualidade do café na reta final da colheita

    Chuvas reduzem qualidade do café na reta final da colheita

    As chuvas nas principais regiões produtoras de café arábica prejudicam a colheita da safra 2026/27. Além disso, comprometem a qualidade dos grãos, principalmente da bebida. Cerca de 30% da safra ainda permanece no campo. Por isso, essa parcela da produção continua mais exposta aos impactos do clima.

    Os pesquisadores do Cepea afirmam que o volume de chuva aumentou nos últimos dias de julho. Esse período coincide com a fase final da colheita. Além disso, muitas propriedades concentram os trabalhos na varrição. Nessa etapa, os produtores recolhem os grãos que caíram no solo. Muitos desses grãos poderiam estar no chão desde o início do mês.

    No entanto, as chuvas de julho aumentaram a exposição da produção à umidade. Como resultado, os grãos ficaram mais suscetíveis à perda de qualidade. O problema afeta, principalmente, as características da bebida.

    Apesar das preocupações, o Cepea ressalta que ainda não é possível medir a dimensão dos prejuízos. Essa avaliação dependerá da prova, do beneficiamento e da comercialização dos lotes.

  • Preços da laranja caem; tahiti sobe na entressafra

    Preços da laranja caem; tahiti sobe na entressafra

    O aumento da oferta de laranja de mesa pressiona os preços no mercado paulista. Ao mesmo tempo, a menor disponibilidade da lima ácida tahiti sustenta a alta das cotações. As informações são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

    A diferença na oferta entre as regiões produtoras de São Paulo explica os movimentos opostos nos preços das frutas cítricas. Enquanto a laranja registra queda nas cotações, a tahiti avança devido à oferta restrita.

    Agentes consultados pelo Cepea afirmam que a qualidade das laranjas de mesa, principalmente as de meia estação, segue boa. Além disso, essas frutas se aproximam do período de safra. No entanto, o avanço da maturação em algumas regiões reduz o poder de negociação dos produtores neste início de temporada. Por isso, os preços da fruta seguem pressionados.

    Tahiti

    Já a lima ácida tahiti apresenta qualidade elevada, mas enfrenta menor oferta por causa da entressafra. Dessa forma, a disponibilidade limitada mantém as cotações em alta. Além disso, pesquisadores do Cepea projetam uma produção menor na próxima safra, que começa após setembro.

    A expectativa envolve, principalmente, as regiões centro-oeste e norte de São Paulo. Essa previsão considera as induções realizadas no início do ano. Na ocasião, o clima chuvoso dificultou o processo e comprometeu o florescimento esperado, mesmo após a desfolha química.

  • Indústria prioriza qualidade na compra de laranja

    Indústria prioriza qualidade na compra de laranja

    As negociações da safra 2026/27 de laranja para a indústria avançam de forma gradual. No entanto, o ritmo de contratação segue lento. Segundo o Cepea, muitas indústrias ainda priorizam o processamento de frutas próprias. Além disso, algumas empresas já recebem frutas de terceiros por contratos renegociados.

    O Centro de Pesquisas informa que a qualidade e o rendimento industrial condicionam o avanço das negociações. Por isso, as compras ainda ocorrem de forma seletiva. Como grande parte dos pomares não atingiu a maturação ideal, as indústrias concentram aquisições em frutas de meia estação. Essas frutas vêm, principalmente, das regiões mais adiantadas do norte de São Paulo e do Triângulo Mineiro.

    Preferências das processadoras

    Enquanto isso, o percentual de variedades precoces aumenta no campo. Mesmo assim, agentes consultados pelo Cepea relatam preferência das processadoras por frutas de meia estação. As indústrias buscam pomares com estágio mais avançado de desenvolvimento. Dessa forma, tentam garantir melhor qualidade para o processamento.

    Fontes do setor também apontam qualidade abaixo do esperado em áreas fora do cinturão citrícola paulista e do Triângulo Mineiro. O cenário aparece com maior intensidade no Paraná. Como resultado, o potencial de valorização das frutas produzidas no estado paranaense pode ficar limitado neste início de temporada.

    Por outro lado, o Cepea destaca uma retomada gradual das atividades industriais. Com isso, a expectativa é de aumento do número de unidades em operação durante julho.

  • Conheça o vencedor do título brasileiro de torra de café

    Conheça o vencedor do título brasileiro de torra de café

    O torrefador Fábio Milan Pereira, de Machado (MG), conquistou o Campeonato Brasileiro de Torra 2026. Com a vitória, ele representará o Brasil no World Coffee Roasting Championship 2026.

    A competição ocorreu entre os dias 6 e 8 de maio, em Varginha (MG). A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) promoveu o evento no Centro do Comércio de Café do Estado de Minas Gerais (CCCMG).

    Pereira representa a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG). Durante a disputa, ele apresentou o café especial com o melhor perfil sensorial. Além disso, manteve maior fidelidade ao plano de torra entregue aos jurados. O mundial da categoria acontecerá em junho, em Bruxelas, na Bélgica.

    Tiago de Mello, de São Paulo (SP), ficou com a segunda colocação. Ele representou a empresa Pato Rei. Já Reginaldo Gonçalves Gomes, de Uberaba (MG), garantiu o terceiro lugar pela Lenêz Cafés de Especialidade.

    Segundo Pereira, o título nacional representa o resultado de anos de dedicação ao café especial. “O campeonato exigiu conhecimento técnico, consistência, controle e interpretação de cada café”, afirma.

    Expectativa para o mundial

    O campeão também destacou a expectativa para a disputa internacional. Segundo ele, representar o Brasil no mundial é uma honra e uma grande responsabilidade. “Somos uma das maiores potências do café no mundo”, ressalta.

    Para o diretor-executivo da BSCA, Vinicius Estrela, os campeonatos contribuem para a evolução dos profissionais de torra. Ele explica que as competições incentivam a qualificação constante e aproximam os participantes das inovações do setor. “Os mestres de torra ampliam o aprendizado e conhecem novas tecnologias e equipamentos”, destaca.

    Ainda de acordo com Estrela, essa troca de experiências fortalece a capacitação técnica dos profissionais. Como resultado, eles aprimoram a qualidade dos cafés especiais brasileiros.

    O Campeonato Brasileiro de Torra 2026 teve o CCCMG como anfitrião. A Kaleido forneceu os torradores oficiais dos modelos M1 e M10.

    A cooperativa Minasul disponibilizou o café oficial da competição. Além disso, a Pasqualli Máquinas apoiou o evento com os moinhos Mahlkonig utilizados no campeonato.

    Campeonatos Brasileiros de Barismo

    Desde 2016, a BSCA atua como National Body da World Coffee Events (WCE) no Brasil. Essa condição permite que a entidade organize as etapas classificatórias nacionais para os campeonatos mundiais do setor.

    Os vencedores brasileiros avançam para as finais internacionais nas modalidades Barista, Latte Arte, Brewers, Coffee in Good Spirits, Cup Tasters, Roasters e Cezve Ibrik.

  • Chuvas ameaçam qualidade da safra de café arábica

    Chuvas ameaçam qualidade da safra de café arábica

    O avanço da colheita do café arábica elevou a preocupação dos cafeicultores com o clima nas principais regiões produtoras. Segundo o Cepea, as chuvas recentes podem comprometer parte da qualidade dos grãos da safra atual.

    Ao mesmo tempo, as precipitações favorecem lavouras mais tardias e também beneficiam a próxima safra brasileira.

    No norte do Paraná, os pesquisadores do Cepea já identificaram pequena queda na qualidade do café colhido. Em Marília, no interior paulista, as chuvas volumosas também aumentaram a preocupação entre os produtores. Isso porque a umidade pode atingir os grãos caídos no solo e dificultar a colheita mecanizada. Além disso, o excesso de chuva pode elevar os riscos de perdas durante o processo de retirada dos grãos.

    Por outro lado, produtores do Sul de Minas Gerais relataram cenário mais tranquilo para a colheita atual. Agentes consultados pelo Cepea informaram que as chuvas devem ocorrer com menor intensidade na região mineira. Dessa forma, o clima não deve provocar danos relevantes à safra de café no Sul de Minas.

  • Lei em Goiás proíbe leite feito de pó importado e fortalece produção regional

    Lei em Goiás proíbe leite feito de pó importado e fortalece produção regional

    O estado de Goiás deu um passo importante na defesa da produção leiteira regional. O governador Ronaldo Caiado sancionou a Lei nº 23.928/2025, que proíbe a reconstituição de leite em pó importado para comercialização como leite fluido no território goiano. A medida atende antigas reivindicações do setor produtivo e estabelece regras mais rígidas para a cadeia láctea estadual.

    A nova legislação surge em resposta ao crescimento das importações, principalmente de países do Mercosul, que pressionam a competitividade dos produtores locais e levantam questionamentos sobre a procedência e qualidade dos produtos oferecidos ao consumidor.

    Proteção ao produtor e qualidade para o consumidor

    “Essa é uma iniciativa determinante para a manutenção dos empregos na cadeia produtiva do leite, para a proteção dos pequenos produtores e, principalmente, para a população: que terá sempre um produto de alto valor nutricional, com padrão de qualidade e brasileiro em sua casa”, declarou o governador Ronaldo Caiado.

    A reconstituição de leite consiste em adicionar água ao leite em pó para obter um produto líquido destinado à venda. A partir de agora, essa prática está vetada para indústrias, laticínios e qualquer pessoa jurídica estabelecida em Goiás.

    Fiscalização e penalidades

    As empresas que descumprirem a norma enfrentarão consequências severas: multas, apreensão de produtos e até suspensão do registro sanitário. O objetivo é garantir transparência, qualidade e valorização do produto goiano.

    “Essa lei é mais um passo na defesa da nossa agropecuária, do nosso emprego no campo e também da qualidade do alimento que chega à mesa do nosso povo”, reforçou Caiado.

    O projeto foi proposto pelo deputado estadual Amauri Ribeiro, que identificou a necessidade de regulamentação específica para proteger a cadeia produtiva local. “Essa lei assegura maior controle sanitário e evita que pequenos produtores abandonem a cadeia láctea”, afirmou o parlamentar.

    Impacto das importações na economia goiana

    Dados de 2024 revelam que Goiás importou 649 toneladas de leite em pó, representando 0,35% do volume total adquirido pelo Brasil. O produto veio integralmente de países do Mercosul e movimentou US$ 1,99 milhão que deixaram de circular na economia estadual.

    Esse valor poderia ter sido direcionado aos produtores de leite e ao comércio goiano, o que fortaleceria a economia regional e manteria empregos no campo. A falta de regras específicas para o uso de leite em pó importado facilitou esse cenário, mas a nova legislação vai reverter a situação.

  • Minas Gerais treina inspetores para garantir a qualidade do algodão

    Minas Gerais treina inspetores para garantir a qualidade do algodão

    Minas Gerais deu mais um passo para consolidar a excelência do algodão brasileiro no mercado internacional. No dia 29 de abril, em Uberlândia (MG), foi concluído o Curso de Capacitação para Inspetores de Unidades de Beneficiamento de Algodão (UBA), promovido pela Associação Mineira dos Produtores de Algodão (Amipa) em parceria com a Abrapa e o Ministério da Agricultura (Mapa).

    A iniciativa, parte do Programa de Qualidade do Algodão Brasileiro (PQAB), formou 24 novos profissionais, que se somam aos 55 já capacitados nas últimas safras, totalizando quase 80 inspetores aptos a garantir a qualidade e rastreabilidade da fibra mineira.

    Por que essa capacitação é importante?

    O Brasil é o maior exportador mundial de algodão, com 2,9 milhões de toneladas enviadas ao exterior em 2024. Para manter esse status, é essencial que cada fardo atenda a rigorosos padrões internacionais. O curso prepara os inspetores para:

    •  Amostragem precisa (duas faces do fardo, seguindo normas do Mapa e internacionais)
    •  Identificação e lacração (com etiquetas codificadas para rastreabilidade total)
    •  Registro no Sistema de Análise de Informações (SAI) (garantindo transparência)

    “Cada fardo precisa ter amostras com peso e dimensão exatos, lacres certificados e registro impecável. Isso é fundamental para a confiança dos compradores, especialmente na Ásia”, afirma Anicézio Resende, gerente da Minas Cotton (Amipa).

    Objetivo: 500 inspetores qualificados em 2025

    Edson Mizoguchi, gestor do Programa Standard Brasil HVI (SBRHVI) da Abrapa, destacou que a meta é capacitar quase 500 inspetores neste ano.

    Foto: divulgação

    “Eles são os responsáveis por coletar amostras e garantir que cheguem intactas aos laboratórios. A rastreabilidade, com códigos únicos por fardo, dá total transparência ao cliente internacional”, explica.

    PQAB: autocontrole e padrões globais

    O Programa de Qualidade do Algodão Brasileiro (PQAB), lançado em 2023, estabelece o autocontrole nas unidades de beneficiamento.

    Silmara Ferraresi, diretora da Abrapa e gestora do Sou de Algodão, reforça: “O inspetor deve dominar coleta, etiquetagem, lacração e registro online no sistema do Mapa. Só assim garantimos análises precisas nos laboratórios HVI, atendendo aos padrões mundiais.”

    Minas Cotton: excelência em classificação de fibras

    A Minas Cotton, central de classificação da Amipa, é referência em ensaios de qualidade e participa de testes internacionais como:

    •  ICAC (EUA)
    •  ICA Bremen (Alemanha)
    •  Senai/FBET (Brasil)

    Com investimentos constantes em capacitação e equipamentos, o laboratório assegura confiabilidade aos resultados, beneficiando produtores, tradings e indústria têxtil.

    A certificação PQAB reforça a imagem do algodão brasileiro como:

    •  Confiável
    •  Sustentável
    •  Alto desempenho
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  • Produtores do Acre testam clones de Robustas Amazônicos 

    Produtores do Acre testam clones de Robustas Amazônicos 

    Cafeicultores de Cruzeiro do Sul, Xapuri e Acrelândia iniciaram testes com clones de Robustas Amazônicos em parceria com a Embrapa. Em resumo, mais de quatro mil mudas clonais foram distribuídas para avaliar a produtividade das cultivares recomendadas pela pesquisa agropecuária.

    Segundo Daniel Lambertucci, chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Acre, o objetivo é validar atributos como alta produtividade, boa arquitetura, resistência a doenças e qualidade da bebida. “Vamos expandir as áreas de cultivo entre 0,3 e 0,6 hectares por produtor. Assim, eles poderão comparar os clones recomendados com os materiais que já utilizam”, explica.

    Além disso, a iniciativa também busca ampliar o conhecimento dos produtores sobre essas cultivares. “Muitos desconhecem o potencial desses clones e continuam utilizando variedades tradicionais de Rondônia. Esperamos que, com o tempo, os Robustas Amazônicos ganhem destaque e sejam cada vez mais adotados pelo setor cafeeiro”, afirma Lambertucci.

    Cafeicultores participantes

    Os produtores Vanderlei Lara (Acrelândia), José Leite (Cruzeiro do Sul) e José Sebastião de Oliveira (Xapuri) testarão as variedades em suas propriedades. Eles integram o Programa de Qualidade do Café no Acre e já participaram de concursos que avaliam a qualidade dos grãos. “Esses cafeicultores receberam os clones e contarão com acompanhamento técnico da Embrapa”, destaca Manoel Delson Campos Filho, analista do setor de Transferência de Tecnologia do Juruá.

    O produtor Vanderlei Lara comemora a parceria. “Estou muito feliz em testar esses clones na minha propriedade. Espero que os resultados incentivem outros produtores da região”, diz. Proprietário da Colônia Lara, em Acrelândia, ele conquistou o terceiro lugar no 2º Concurso de Qualidade do Café Robusta Amazônico do Acre em 2024.

    Robustas Amazônicos: avanço na cafeicultura

    Foto: Divulgação – Embrapa

    A Embrapa Rondônia desenvolveu os Robustas Amazônicos, cultivares clonais híbridas validadas para a Amazônia Ocidental. O lançamento ocorreu em 2019, após mais de uma década de pesquisas. A pesquisadora Aureny Luz destaca que essas cultivares apresentam alto potencial produtivo e qualidade da bebida, quando manejadas corretamente. “A adoção de tecnologias de manejo, adubação e controle fitossanitário pode gerar grandes ganhos para os cafeicultores acreanos”, afirma.

    Ao mesmo tempo, ela ressalta que a seleção de clones individuais permite aos produtores escolherem as variedades que melhor atendem suas necessidades. “A demanda por esses clones está crescendo. Além da Amazônia, há interesse no Nordeste e Sudeste, especialmente na Bahia e no Espírito Santo”, comenta.

    O pesquisador Enrique Anastácio, da Embrapa Rondônia, destaca o clone BRS 1216, um dos que serão testados. “Esse material evita o tombamento das plantas e produz um café de alta qualidade, podendo atender ao mercado de especiais”, explica.

    Parceria para difusão da tecnologia

    Foto: Divulgação – Embrapa

    A iniciativa faz parte do Termo de Ação Descentralizada do Ministério do Desenvolvimento Agrário. Em resumo, o projeto, financiado por emenda parlamentar do ex-deputado Sérgio Jesus (PDT-AC), visa difundir as cultivares clonais e melhorar a produtividade e a qualidade do café no Acre.

    Aquisição de mudas

    O viveiro Agro Yaco, em Sena Madureira, é o único do estado credenciado pela Embrapa para comercializar mudas clonais de Robustas Amazônicos. O engenheiro agrônomo Paulo Beber, um dos proprietários, destaca o trabalho envolvido. “Levamos três anos para formar nosso jardim clonal. Portanto, esta é a primeira safra em que conseguimos distribuir mudas aos produtores da região”, explica.

    Ou seja, com a adoção dessas cultivares, a expectativa é fortalecer a cafeicultura acreana e ampliar as oportunidades para os produtores locais.

  • Esfriou? Clima combina com pinhão que agora tem protocolo inédito

    Esfriou? Clima combina com pinhão que agora tem protocolo inédito

    A Embrapa Florestas (PR) e parceiros desenvolveram o primeiro protocolo de qualidade e rastreabilidade do pinhão, semente comestível e nutritiva do pinheiro-do-paraná (Araucaria angustifolia). Esse avanço abre caminho para a criação do selo de Indicação Geográfica (IG) da espécie no Brasil, garantindo mais qualidade aos consumidores. A pesquisa agropecuária busca agregar valor a esse alimento regional, que tem ganhado importância no mercado nacional e potencial para crescer no mercado internacional.

    O novo protocolo abrange desde a coleta até o consumo, representando um marco para a qualificação da cadeia produtiva do pinhão. O produto é típico das regiões Sul e Sudeste do Brasil. Além disso, destaca-se o estudo preliminar sobre a criação de selos de Indicação Geográfica (IG) do pinhão, com base nas características locais e nos atributos sensoriais.

    A adoção do protocolo está prevista para 2025 por duas cooperativas paranaenses, que pretendem aplicar melhorias na coleta, separação, armazenamento e venda da semente ao natural. A pesquisadora da Embrapa Florestas, Rossana Godoy, uma das autoras do documento, explica que a adesão ao protocolo deve ocorrer de forma espontânea. Ou seja, à medida que produtores, técnicos e consumidores constatarem os resultados positivos das práticas recomendadas.

    Embora seja uma primeira iniciativa, a equipe técnica ressalta que o protocolo poderá ser ajustado ao longo do tempo, conforme a demanda dos envolvidos. Godoy enfatiza também a importância do primeiro passo para padronizar a oferta de pinhão no mercado consumidor paranaense, inspirando outras regiões produtoras, como Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas Gerais, por exemplo. Segundo dados do IBGE, a produção brasileira de pinhão em 2022 quase alcançou R$ 52 milhões, com um total de 13.376 toneladas. A organização do mercado tende a consolidar e expandir a produção e o consumo.

    Qualidade técnica e rastreabilidade do pinhão

    O protocolo oferece orientações técnicas detalhadas para a coleta, transporte, beneficiamento, acondicionamento e armazenamento do pinhão, além de recomendações para rotulagem e identificação de lotes. A rastreabilidade é destacada como essencial, permitindo que os consumidores conheçam a origem e a data de colheita do pinhão, garantindo frescor e qualidade.

    As pesquisas realizadas pela Embrapa Florestas, lideradas por Rossana Godoy, fundamentaram a elaboração do protocolo. Entre os estudos, destacam-se artigos publicados nas revistas Pesquisa Florestal Brasileira e Revista Agrária Acadêmica, que abordam hábitos de consumo e atributos de importância do pinhão.

    Valorização do pinhão

    Godoy destaca a necessidade de melhorar a qualidade e a rastreabilidade do pinhão comercializado, uma vez que a semente perde umidade rapidamente após a abertura da pinha, reduzindo sua vida útil. Atualmente, a mistura de pinhões de diferentes qualidades prejudica a aceitação do produto. O protocolo visa oferecer um guia claro e confiável para produtores e consumidores, agregando valor ao pinhão.

    Nivaldo Guimarães Vasconcellos, engenheiro-agrônomo da Secretaria de Segurança Alimentar e Nutricional de Curitiba, reforça que o protocolo ajudará na estruturação e no desenvolvimento da cadeia produtiva do pinhão. Isso porque ele vai promover a qualidade e a rastreabilidade. Jonas Eduardo Bianchin, extensionista do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR), ressalta que a rastreabilidade permitirá acompanhar todo o percurso do pinhão. Desde a origem até o consumo, aumentando a transparência e a confiança dos consumidores.

    Pioneiros na adoção

    As cooperativas Nascente (Campina Grande do Sul, PR) e Provale (Rio Branco do Sul, PR) estão entre as primeiras a adotar as práticas recomendadas no protocolo. Fernanda Arcie, da Cooperativa Nascente, e Bruno Guimarães, da Cooperativa Provale, destacam que a adequação às diretrizes ocorrerá em 2025.

    Busca pela indicação geográfica

    Foto: Divulgação Embrapa – Luiz Costa

    A rastreabilidade é fundamental para obter a Indicação Geográfica (IG), que agrega valor ao produto e beneficia produtores e consumidores. Elenice Fritzsons, pesquisadora da Embrapa Florestas, explica que a caracterização ambiental e do produto, juntamente com a análise sensorial, são essenciais para viabilizar a solicitação do selo junto ao Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (Inpi).

    As localidades avaliadas no estudo incluem Lagoa Vermelha (RS), Painel (SC), Inácio Martins (PR) e Cunha (SP). Nesses locais já existem comunidades rurais organizadas que têm no pinhão uma fonte alternativa de renda. O Painel, inclusive, já possui três produtos com selo de Indicação Geográfica.

    O protocolo de qualidade e rastreabilidade do pinhão, desenvolvido pela Embrapa Florestas e parceiros, representa um avanço significativo para a cadeia produtiva do pinhão no Brasil. Com a implementação das práticas recomendadas, espera-se aumentar a qualidade do produto, atender a consumidores mais exigentes e promover o desenvolvimento sustentável dos produtores.

     

     

  • Trigo segue com preço firme e baixo estoque

    Trigo segue com preço firme e baixo estoque

    As cotações do trigo no mercado brasileiro continuam firmes, operando em níveis superiores aos do mesmo período do ano passado. Pesquisadores do Cepea destacam que os baixos estoques domésticos, especialmente de trigo de qualidade superior, sustentam essa alta. Um outro fator é o aumento da paridade de importação.

    Trigo deve ter área menor de plantio

    Adicionalmente, a área plantada para a nova safra, que está em fase de semeadura, é projetada para ser menor do que a da temporada anterior. Isso faz com que a oferta dependa fortemente das condições climáticas e de seu impacto na produtividade.

    No campo, os produtores estão concentrados nos tratos culturais das lavouras já estabelecidas e na semeadura. Agricultores no Rio Grande do Sul iniciaram suas atividades relativamente mais tarde neste ano, conforme revelam pesquisas do Cepea.

    Com isso, a expectativa é que a continuidade das condições climáticas favoráveis seja crucial para a manutenção da produtividade e, consequentemente, dos níveis de oferta no mercado nacional. O Agro em Campo segue atento tanto ao mercado quanto ao desenvolvimento da cultura.

    Os preços internos do trigo têm registrado uma alta acentuada no início de junho. Pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) apontam que os baixos estoques domésticos no período de entressafra impulsionam essa elevação.

    Mesmo as recentes desvalorizações no mercado externo não interromperam essa tendência de alta. Pesquisadores do Cepea destacam que as indústrias estão cautelosas na compra de novos lotes. Isso ocorre devido às mudanças no uso de créditos tributários do PIS/Cofins, introduzidas pela Medida Provisória 1.227 em 4 de junho.

    Entretanto, em relação ao comércio externo, dados da Secex mostram que, em maio, o Brasil importou 657,13 mil toneladas de trigo, um aumento de 44,6% em comparação a abril e de 131,8% em relação a maio de 2023.

    Por outro lado, as exportações foram de 55,2 mil toneladas em maio. Bem abaixo das 362,85 mil toneladas exportadas em abril de 2023 e das 71,04 mil toneladas em maio de 2023.