Tag: produtividade rural

  • Modernização do agro exige mais investimentos em capacitação

    Modernização do agro exige mais investimentos em capacitação

    O agronegócio brasileiro passa por uma transformação tecnológica acelerada. Ferramentas de inteligência artificial, plataformas de gestão integradas, sensores remotos e máquinas autônomas ganham espaço nas propriedades rurais. Ao mesmo tempo, soluções de agricultura de precisão ampliam a eficiência das operações e ajudam a elevar a produtividade no campo.

    Apesar desse avanço, a formação dos profissionais não acompanha a mesma velocidade. Empresas e especialistas apontam a qualificação da mão de obra como um dos principais desafios para sustentar a modernização do setor nos próximos anos.

    Embora o agro seja reconhecido pela capacidade de incorporar inovação, os investimentos em treinamento ainda permanecem abaixo do necessário para atender às novas demandas do mercado. A diferença fica evidente quando os números brasileiros são comparados aos de países que lideram o desenvolvimento tecnológico.

    Investimento em treinamento segue abaixo do necessário

    Dados do levantamento Panorama do Treinamento no Brasil 2025/2026, elaborado pela Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento (ABTD), mostram que as empresas brasileiras investem, em média, R$ 1.199 por colaborador ao ano em capacitação. Nos Estados Unidos, o investimento médio chega a R$ 6.690 por profissional.

    A comparação revela outro aspecto importante. As empresas brasileiras oferecem, em média, 26 horas anuais de treinamento por colaborador. Já as norte-americanas registram 21 horas. Para especialistas, a diferença indica que o problema não está apenas no tempo dedicado à capacitação, mas também na profundidade técnica dos conteúdos oferecidos.

    Segundo Diogo Luchiari, sócio e vice-presidente de Atendimento e Operações da Macfor, muitas empresas ainda adotam modelos de treinamento que priorizam o cumprimento de exigências internas em vez do desenvolvimento efetivo dos profissionais.

    “Quando cruzamos o volume de horas com o investimento realizado, percebemos que estamos falando de uma capacitação mais extensa no tempo, mas com menor densidade técnica. É um modelo que muitas vezes cumpre uma obrigação formal, sem necessariamente ampliar a capacidade prática do profissional”, afirma.

    Mercado amplia disputa por profissionais especializados

    A digitalização das atividades rurais elevou o nível de exigência das empresas. Hoje, o mercado busca profissionais capazes de trabalhar com análise de dados, inteligência artificial, monitoramento remoto, automação e sistemas digitais de gestão.

    Essa mudança intensificou a concorrência por mão de obra qualificada. Profissionais que dominam essas competências não despertam interesse apenas do agronegócio. Empresas de tecnologia, fintechs, agtechs, tradings internacionais e grandes corporações também disputam esses talentos.

    “O modelo funcionou durante muito tempo porque havia pouca concorrência pelos mesmos talentos. Hoje, esse cenário mudou. Empresas de diferentes segmentos disputam profissionais especializados e oferecem condições bastante competitivas”, explica Luchiari.

    Os efeitos já aparecem nos processos seletivos. Vagas ligadas à inovação e à transformação digital permanecem abertas por mais tempo. Além disso, muitas empresas encontram dificuldades para contratar profissionais com conhecimentos em tecnologias emergentes.

    Formação precisa ganhar espaço nas estratégias empresariais

    Historicamente, instituições como o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), cooperativas, centros de pesquisa e universidades públicas sustentaram grande parte da formação técnica voltada ao agronegócio. Esse modelo contribuiu para o desenvolvimento da mão de obra que impulsionou o crescimento do setor nas últimas décadas.

    Entretanto, a velocidade das mudanças tecnológicas exige uma participação mais ativa das empresas no processo de qualificação. Novas competências surgem constantemente e reduzem o tempo disponível para adaptação dos profissionais.

    “Muitas empresas terceirizaram historicamente a formação para entidades especializadas. Mas quando surge uma demanda por competências novas, ligadas à inteligência artificial ou análise avançada de dados, o ritmo de formação nem sempre acompanha a velocidade exigida pelo mercado”, afirma o executivo.

    Outro indicador reforça essa preocupação. Pesquisa da FESA Group, divulgada em dezembro de 2025, apontou que apenas 15% dos executivos de empresas com faturamento superior a R$ 1 bilhão consideram a capacitação uma prioridade equivalente à remuneração competitiva.

    Para especialistas, o dado mostra que muitas organizações ainda não tratam o desenvolvimento de pessoas como uma prioridade estratégica. Essa realidade contrasta com o avanço tecnológico observado no campo e pode limitar o potencial de crescimento das empresas.

    Pessoas serão determinantes para o futuro do campo

    Nos próximos anos, tecnologias como inteligência artificial preditiva, biotecnologia de precisão, plataformas integradas e sistemas autônomos devem ganhar ainda mais espaço nas operações agrícolas.

    Porém, as empresas só conseguirão aproveitar todo o potencial dessas ferramentas se contarem com profissionais preparados para utilizá-las de forma eficiente. Sem qualificação adequada, os investimentos em tecnologia tendem a gerar resultados abaixo do esperado.

    Nesse cenário, formar, desenvolver e reter talentos passa a ser um diferencial competitivo tão importante quanto investir em máquinas, equipamentos e insumos.

    “A capacitação precisa deixar de ser vista como uma despesa acessória e passar a integrar o núcleo dos investimentos operacionais. Assim como as empresas tratam defensivos, fertilizantes, maquinário e combustível como itens essenciais para a produtividade, elas também precisam incluir o desenvolvimento de pessoas entre as prioridades estratégicas”, conclui Luchiari.

  • O que plantar em junho? Confira 10 culturas que se adaptam ao frio

    O que plantar em junho? Confira 10 culturas que se adaptam ao frio

    A chegada de junho marca a transição para o inverno no Brasil e traz consigo temperaturas mais baixas em diversas regiões do país. No entanto, o clima frio não representa um obstáculo para a produção agrícola. Pelo contrário, diversas hortaliças e frutas encontram condições favoráveis para o desenvolvimento durante esse período.

    Muitas culturas apresentam bom desempenho em temperaturas amenas, o que amplia as oportunidades para produtores rurais e até mesmo para quem mantém hortas domésticas. Confira algumas opções:

    Agrião

    O agrião se destaca pelo valor nutricional. A hortaliça contém ferro, fósforo, zinco e vitaminas A, B1, B2 e C. Segundo a Embrapa, o plantio em junho é indicado para todas as regiões brasileiras.

    Além disso, a cultura oferece boa rentabilidade devido à possibilidade de realizar até quatro colheitas após o primeiro corte.

    Alface

    A alface, uma das hortaliças mais consumidas no país, também encontra condições adequadas para cultivo em junho em todas as regiões. Isso ocorre porque existem variedades adaptadas tanto ao verão quanto ao inverno.

    Geralmente, a colheita acontece cerca de dois meses após o transplante das mudas. Nesse período, as folhas desenvolvem sabor característico, crocância e elevada concentração de cálcio e vitamina A.

    Brócolis

    Nas regiões Sul e Sudeste, o inverno favorece o cultivo do brócolis de inverno. Para alcançar bons resultados, o produtor deve utilizar solos adubados com micronutrientes como boro e molibdênio.

    A colheita ocorre aproximadamente três meses após o plantio. O ponto ideal é quando os botões apresentam coloração verde intensa e ainda não surgiram flores.

    Cebolinha

    Muito utilizada como tempero natural, a cebolinha se desenvolve melhor em temperaturas inferiores a 25°C. Por isso, o cultivo é recomendado durante todo o ano no Sul e Sudeste.

    Nas demais regiões, o plantio depende das condições climáticas locais. Ainda assim, junho pode ser um período favorável. Em geral, a colheita ocorre entre 80 e 100 dias após o plantio.

    Cenoura

    A cenoura de inverno encontra condições ideais de cultivo nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Conforme orientações da Embrapa, a germinação ocorre de forma mais rápida e uniforme quando as temperaturas ficam entre 20°C e 30°C.

    Por isso, o manejo correto das sementes é fundamental. Elas não devem ser enterradas excessivamente nem permanecer muito superficiais. A colheita costuma ocorrer após 100 dias.

    Couve

    De acordo com a Embrapa, a couve apresenta boa tolerância ao calor e pode ser cultivada durante junho em todas as regiões do país.

    Em canteiros, recomenda-se manter espaçamento entre 80 centímetros e 1 metro entre linhas e cerca de 50 centímetros entre plantas. Dessa forma, o desenvolvimento ocorre de maneira mais eficiente até a colheita. Além disso, a hortaliça possui ampla utilização culinária, sendo consumida em sucos, sopas, saladas, cozidos e recheios.

    Mostarda

    A mostarda, pertencente à mesma família da couve e do brócolis, é reconhecida pelo sabor marcante e levemente picante.

    O plantio é recomendado para as regiões Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste, utilizando mudas produzidas em bandejas. Além disso, a cultura apresenta ciclo curto, permitindo colheita em apenas 45 dias. O consumo pode ocorrer tanto in natura quanto refogado com outras folhas.

    Pepino

    Por ser uma cultura adaptada ao clima quente, o pepino sofre com geadas e temperaturas baixas. Por isso, o plantio em junho é recomendado apenas para a região Norte.

    Para obter bons resultados, o cultivo deve ocorrer em solos arenosos e ricos em matéria orgânica. Além disso, o desenvolvimento é rápido e a colheita pode começar cerca de 45 dias após o plantio.

    Melancia

    Enquanto as baixas temperaturas limitam o cultivo no Sul e Sudeste, a melancia apresenta melhor desempenho nas regiões Norte e Nordeste durante junho.

    Por outro lado, municípios do Centro-Oeste com baixa altitude e disponibilidade de irrigação também podem investir na cultura. Rica em vitaminas A e C, a fruta normalmente alcança o ponto de colheita após aproximadamente três meses.

    Vagem

    A vagem também apresenta sensibilidade ao frio intenso. Dessa forma, o cultivo durante junho é mais indicado para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

    Como o Sul e o Sudeste registram ocorrência frequente de geadas e até episódios de neve em algumas áreas, a cultura tende a apresentar melhor desempenho em regiões mais quentes. A colheita ocorre entre 60 e 70 dias após o plantio, período em que as vagens atingem o ponto ideal de consumo e ainda não desenvolveram fibras excessivas.

    Com planejamento adequado e escolha correta das culturas, junho pode representar uma excelente oportunidade para manter a produtividade agrícola mesmo durante os meses mais frios do ano.

  • Tecnologia no campo impulsiona salto milionário na pecuária leiteira brasileira

    Tecnologia no campo impulsiona salto milionário na pecuária leiteira brasileira

    A Cowmed, empresa brasileira especializada em monitoramento animal e tecnologia para pecuária leiteira, projeta um crescimento de 65% no faturamento em 2026. O avanço deve ocorrer devido ao aumento da procura por soluções de inteligência artificial e ferramentas de gestão voltadas ao agronegócio.

    A expectativa da companhia é encerrar o próximo ano com receita próxima de R$ 30 milhões, valor superior aos cerca de R$ 18 milhões registrados anteriormente.

    Segundo a Cowmed, o crescimento acompanha a modernização das fazendas leiteiras e o avanço da tecnologia no campo. Além disso, a empresa acredita que ainda existe uma ampla margem para expansão no setor.

    Atualmente, cerca de 90% da expansão esperada deve vir do mercado brasileiro. Enquanto isso, os outros 10% devem ser impulsionados pelas operações internacionais já iniciadas em países como Paraguai, México e Uruguai.

    Tecnologia ganha espaço nas fazendas

    O setor leiteiro tem incorporado cada vez mais ferramentas de automação, análise de dados e monitoramento em tempo real. Antes restritas às grandes propriedades, essas soluções agora chegam também aos pequenos e médios produtores.

    Além disso, cooperativas e indústrias passaram a exigir mais controle de qualidade, rastreabilidade e eficiência produtiva. Por isso, o uso de tecnologia deixou de ser apenas diferencial e passou a ocupar um papel estratégico dentro das fazendas.

    A principal solução da Cowmed é uma coleira inteligente equipada com sensores. O dispositivo acompanha o comportamento das vacas em tempo real e envia as informações para um sistema baseado em inteligência artificial.

    Vacas leiteiras monitoradas com a coleira IA — (Foto: Divulgação/Cowmed)

    Segundo Thiago Martins, CEO da empresa, a tecnologia monitora alimentação, ruminação, repouso, atividade física, ofegância e sinais de estresse térmico.

    Além disso, o sistema identifica comportamentos ligados ao cio, um dos principais indicadores reprodutivos dos animais. Dessa forma, o produtor consegue melhorar a eficiência do rebanho e reduzir perdas operacionais.

    Após a coleta, os dados seguem para a nuvem e passam pelo processamento da plataforma de inteligência artificial chamada Vic, desenvolvida pela própria companhia.

    “A plataforma interpreta os dados e emite recomendações operacionais aos produtores, incluindo alertas de saúde, identificação de doenças, gestão de reprodução e otimização de manejo nutricional”, afirmou Martins.

    Atualmente, a Cowmed monitora cerca de 100 mil animais. No entanto, a meta da empresa é alcançar 1 milhão de vacas monitoradas nos próximos cinco anos.

    Modelo por assinatura impulsiona adesão

    Outro fator que favorece o crescimento da tecnologia no campo é o modelo de contratação mais acessível. Em vez de exigir altos investimentos iniciais, a Cowmed oferece o serviço por assinatura mensal.

    Hoje, o custo varia entre R$ 22 e R$ 23 por animal monitorado. Segundo a empresa, esse valor representa entre 1% e 1,5% da receita mensal do produtor.

    Por outro lado, os ganhos podem chegar a até 4% de aumento no faturamento ao longo do tempo. A melhora ocorre devido ao avanço da produtividade, à redução da mortalidade e ao aumento da eficiência reprodutiva.

    A IA interpreta individualmente o comportamento de cada vaca e envia notificações pelo celular sempre que identifica variações bruscas — (Foto: Divulgação/Cowmed)

    Além disso, o monitoramento contínuo ajuda os produtores a anteciparem problemas de saúde nos animais. Assim, o manejo se torna mais eficiente e as perdas diminuem.

    Expansão internacional mira o Paraguai

    A Cowmed também acelera seus planos fora do Brasil. A empresa pretende instalar 5 mil coleiras inteligentes em rebanhos leiteiros do Paraguai até o fim de 2026.

    A iniciativa faz parte de uma parceria com a Rural Makro, uma das maiores distribuidoras de insumos agrícolas do país.

    Segundo dados da Associação Rural do Paraguai (ARP), o mercado paraguaio possui mais de 12 milhões de cabeças de gado. Dessa maneira, a companhia enxerga grande potencial para expandir suas soluções de inteligência artificial aplicadas ao agronegócio.

    A avaliação da empresa é que o Paraguai ainda apresenta baixa adoção de ferramentas de monitoramento contínuo no campo. Por isso, a expectativa é ampliar rapidamente a presença da tecnologia entre os produtores locais.

    Além disso, a companhia acredita que as soluções podem ajudar fazendeiros a anteciparem diagnósticos, reduzirem perdas e otimizarem ciclos reprodutivos.

    “O desafio não é só levar tecnologia, mas garantir que ela se pague no campo. Em mercados como o paraguaio, a adoção vem quando o produtor enxerga retorno claro, e isso exige consistência de dados e usabilidade”, destacou Martins.

  • Eficiência redefine o lucro no agro brasileiro

    Eficiência redefine o lucro no agro brasileiro

    O agronegócio brasileiro atravessa, em 2026, uma mudança estrutural no modelo de crescimento. Embora a projeção aponte uma safra recorde de 354,4 milhões de toneladas, produzir mais deixou de ser garantia de maior rentabilidade. Isso ocorre porque o aumento dos custos de insumos, os juros elevados e a maior complexidade operacional comprimem as margens. Assim, uma nova lógica se impõe ao setor: a busca por eficiência.

    Nesse contexto, tecnologia e gestão baseada em dados passam a ocupar papel central na estratégia de produtores e agroindústrias. Além disso, a necessidade de controle mais rigoroso altera a forma como decisões são tomadas no campo.

    Para entender essa virada e seus impactos práticos, o Agro em Campo conversou com Fabiano Ferreira, CEO do Grupo Komvos. Segundo ele, o momento exige uma mudança de mentalidade para sustentar resultados.

    Mudança de lógica no campo

    O que mudou no agronegócio brasileiro nos últimos anos?

    De acordo com Ferreira, a principal mudança é conceitual. Durante muito tempo, o crescimento esteve diretamente ligado ao aumento da produção. No entanto, esse modelo deixou de se sustentar. Hoje, o produtor pode colher mais e, ainda assim, ganhar menos. Portanto, o foco saiu da expansão e passou para a preservação de margem.

    Por que produzir mais já não garante lucro?

    Os custos cresceram em ritmo acelerado. Insumos, crédito e operação ficaram mais caros. Além disso, o ambiente se tornou mais complexo, com maior exigência de controle e eficiência. Como resultado, o impacto positivo do aumento de produção sobre o resultado final diminuiu.

    Qual é o novo foco estratégico do setor?

    A eficiência operacional passou a ser prioridade. Isso significa controlar custos, reduzir perdas e melhorar a qualidade das decisões. Ou seja, não basta produzir bem; é preciso operar com precisão. Caso contrário, a competitividade tende a cair.

    Como a tecnologia entra nesse cenário?

    A tecnologia deixa de ser suporte e assume papel protagonista. Sistemas integrados de gestão conectam campo, financeiro, logística e pessoas. Dessa forma, o produtor ganha visão ampla do negócio e consegue agir com mais rapidez.

    Fabiano Ferreira, CEO do Grupo Komvos – Foto: Arquivo Pessoal/ Divulgação

    A gestão baseada em dados já é realidade no campo?

    Ela avança rapidamente. Empresas mais estruturadas já operam com dados em tempo real. Por outro lado, quem ainda depende apenas de percepção ou experiência isolada começa a perder espaço.

    Decisão antecipada e previsibilidade

    Quais são as principais inovações tecnológicas?

    Ferramentas de inteligência artificial e simulação de cenários ganham destaque. Com elas, é possível antecipar decisões antes mesmo da execução. Por exemplo, o produtor pode avaliar riscos climáticos, operacionais e financeiros antes do plantio.

    Isso muda o nível de risco da atividade?

    Sim, e de forma significativa. Quando cenários são antecipados, as incertezas diminuem. Consequentemente, a eficiência aumenta e a margem fica mais protegida.

    O mercado também está mais exigente?

    Sem dúvida. Rastreabilidade, conformidade e sustentabilidade deixaram de ser diferenciais. Agora, são exigências. Nesse sentido, cresce a necessidade de controle sobre toda a operação.

    Qual é o impacto para o produtor?

    Ele precisa profissionalizar a gestão. Hoje, decisões sem base em dados representam risco direto à rentabilidade. Em outras palavras, quem não mede, perde margem.

    E para as agroindústrias?

    O desafio está na integração da cadeia. Desde a produção até a entrega, tudo precisa estar conectado. Assim, a previsibilidade se torna um ativo estratégico.

    Competitividade e futuro do setor

    Os números do agro ainda são positivos?

    Sim. Em 2025, o setor movimentou US$ 169,2 bilhões em exportações. Esse resultado reforça a relevância econômica. No entanto, faturamento alto não significa, necessariamente, rentabilidade elevada.

    Onde está a nova vantagem competitiva?

    Na capacidade de operar melhor. Integrar dados, antecipar cenários e decidir com velocidade e precisão são fatores determinantes. Portanto, eficiência se torna o principal diferencial competitivo.

    Eficiência virou regra?

    Mais do que isso. Virou condição de sobrevivência. Não se trata mais de tendência, mas do mínimo necessário para permanecer no mercado.

    Qual é o papel das empresas de tecnologia?

    Garantir controle e previsibilidade. Não basta oferecer sistemas. É fundamental permitir decisões mais qualificadas em tempo real.

    Eventos do setor ajudam?

    Sim. Feiras e encontros ampliam o acesso à inovação. Além disso, aceleram a adoção de novas práticas, pois permitem visualizar aplicações concretas no dia a dia. Assim, a transformação em curso reposiciona o agronegócio brasileiro diante de um ambiente mais desafiador

    (mais…)

  • Trator sem motorista? Tecnologia já é realidade no agro

    Trator sem motorista? Tecnologia já é realidade no agro

    A PTx traz para o Brasil o sistema OutRun, uma tecnologia que permite transformar tratores convencionais em máquinas autônomas capazes de operar sem condutor na cabine. A solução, que será apresentada ao público brasileiro durante a Agrishow 2026, funciona por meio de retrofit e pode ser instalada em frotas já existentes, ampliando o acesso à automação no campo sem exigir a compra de novos equipamentos.

    O sistema integra o ecossistema de agricultura de precisão da marca e atua sob supervisão humana. Ainda assim, o trator executa tarefas com alto nível de precisão, seguindo rotas previamente definidas. Dessa forma, o produtor ganha eficiência operacional e reduz falhas durante as atividades agrícolas.

    Segundo Giancarlo Fasolin, gerente sênior de Marketing Estratégico da PTx América do Sul, a proposta vai além da automação convencional. “O OutRun não é apenas um ‘piloto automático avançado’. Ele oferece aos produtores a flexibilidade de alocar mão de obra onde for necessário, além de colher até 60% mais rápido com um trator operando de forma autônoma em apoio à carreta graneleira”, afirma.

    Além disso, o sistema permite operação contínua. “O trator é capaz de trabalhar 24 horas por dia, sem desviar um centímetro do que foi traçado”, completa.

    Automação melhora precisão e reduz custos

    Na prática, o OutRun atua com maior impacto em momentos críticos, como a colheita. Nessa fase, o sistema coordena o deslocamento do trator com a colheitadeira. Assim, a carreta graneleira acompanha a operação de forma sincronizada, reduzindo perdas e evitando colisões.

    Ao mesmo tempo, a tecnologia elimina sobreposição de passadas e otimiza o uso de insumos. Como resultado, o produtor reduz o consumo de combustível e melhora a eficiência do diesel. Esse controle mais preciso também contribui para diminuir custos operacionais e aumentar a rentabilidade.

    Outro ponto relevante envolve a gestão da mão de obra. Com a automação das tarefas repetitivas, o produtor pode direcionar trabalhadores para funções mais estratégicas dentro da propriedade. Dessa maneira, a operação ganha em produtividade e organização.

    Além disso, o sistema garante maior pontualidade nas atividades. Em situações de clima instável, por exemplo, o OutRun mantém o ritmo de trabalho e assegura que operações como plantio e colheita ocorram no momento ideal.

    Tecnologia já está em validação no Brasil

    O OutRun passa por processo de validação em diferentes regiões do país. A proposta da PTx é adaptar a tecnologia às condições do campo brasileiro e às necessidades dos produtores, movimento que ganha visibilidade com a apresentação oficial durante a Agrishow 2026.

    “O OutRun está em validação para todo o Brasil. É a autonomia construída em torno da agronomia. Nosso objetivo é permitir ao agricultor realizar a colheita no período ideal, garantindo o máximo de produtividade”, destaca Fasolin.

  • Plataforma unifica dados e promete mais lucro no campo

    Plataforma unifica dados e promete mais lucro no campo

    A PTx apresenta ao mercado brasileiro o FarmENGAGE durante a Agrishow 2026, realizada entre 27 de abril e 1º de maio, em Ribeirão Preto (SP). A plataforma surge como principal aposta da empresa para resolver um dos maiores desafios do produtor rural: integrar dados de máquinas de diferentes marcas e gerações em tempo real, com foco em aumento de rentabilidade e redução de custos no campo.

    Desenvolvido como um sistema central de gerenciamento, o FarmENGAGE conecta frotas agrícolas independentemente do fabricante, modelo ou ano. Dessa forma, o produtor passa a ter controle total sobre a operação, eliminando gargalos causados pela fragmentação de informações. Além disso, a solução simplifica a gestão e melhora a tomada de decisão no dia a dia da fazenda.

    A plataforma opera com base na interoperabilidade. Por isso, integra sistemas amplamente utilizados no mercado, como Deere Operations Center, Raven Slingshot e Case IH FieldOps. Ao mesmo tempo, conecta-se diretamente a monitores de máquinas Fendt, Massey Ferguson e Valtra, além de equipamentos que utilizam monitores PTx Trimble da série GFX.

    “O lançamento do FarmENGAGE marca uma nova era para a PTx no Brasil. A produtividade não pode depender da marca do equipamento. Nosso objetivo é garantir ao produtor controle total da operação”, afirma Rosiéli Mika Bonette, especialista de Marketing de Produto da PTx Trimble.

    Na prática, o sistema entrega visibilidade em tempo real da frota e das atividades no campo. Com isso, o produtor consegue ajustar operações rapidamente e reduzir períodos de ociosidade. Além disso, a plataforma automatiza relatórios, eliminando anotações manuais e aumentando a precisão na análise de custos e desempenho.

    FarmENGAGE/ Divulgação

    Outro diferencial envolve o roteamento inteligente de dados. A tecnologia organiza o fluxo de informações e facilita a integração com softwares de terceiros e consultores agrônomos. Ao mesmo tempo, mantém o conceito de retrofit, permitindo atualizar máquinas já existentes sem necessidade de troca imediata da frota.

    Assim, o FarmENGAGE atua em todo o ciclo produtivo, potencializando recursos e reduzindo desperdícios. A proposta da PTx é transformar dados em decisões estratégicas, ampliando a margem de lucro do produtor.

    Panorama amplia controle e leva gestão para a nuvem

    Além do FarmENGAGE, a PTx também apresenta o Panorama, plataforma desenvolvida pela Precision Planting e voltada à gestão de dados em nuvem. A solução centraliza informações agronômicas e oferece ao produtor uma visão integrada da operação, com acesso remoto e em tempo real.

    O sistema funciona como extensão do monitor Precision Planting 20|20 e disponibiliza dados detalhados sobre plantio, colheita e pulverização. Dessa maneira, o produtor acompanha o desempenho das máquinas e toma decisões com maior precisão.

    Entre os destaques está o recurso PassMaster. A funcionalidade permite que dois monitores compartilhem mapas e dados de cobertura na mesma área. Com isso, evita sobreposição de passadas, reduz o uso de insumos e aumenta a eficiência operacional.

    Além disso, o Panorama incorpora transmissão ao vivo das operações. O produtor pode visualizar, à distância, as telas dos equipamentos em funcionamento. Assim, acompanha o trabalho em tempo real, direto do celular ou computador.

    PANORAMA/ Divulgação

    A plataforma também mantém compatibilidade com frotas mistas. Em propriedades com máquinas de diferentes marcas, os dados circulam sem barreiras. Como resultado, o produtor ganha controle sobre as informações e realiza análises mais precisas da safra.

    “O volume de dados no campo pode se tornar um problema sem a ferramenta adequada. Com o Panorama, entregamos clareza, controle remoto e integração total, transformando informação em rentabilidade”, afirma Rosiéli.

  • MF 8S Xtra estreia na Tecnoshow com foco em economia e eficiência

    MF 8S Xtra estreia na Tecnoshow com foco em economia e eficiência

    O lançamento da linha MF 8S Xtra, apresentado durante a 23ª Tecnoshow Comigo, em Rio Verde (GO), coloca a eficiência energética e a ergonomia no centro da estratégia da Massey Ferguson. Além disso, o modelo reforça a busca por maior produtividade com menor consumo no campo. Em entrevista, o especialista de produto Luís Gustavo Oliveira detalhou como a equipe desenvolveu a máquina a partir de demandas diretas do produtor rural e destacou os ganhos operacionais e econômicos.

    Disponível nas versões de 265, 285 e 305 cavalos, o trator chega equipado com transmissão continuamente variável (CVT), permitindo que o operador trabalhe controlando apenas a velocidade. “Ele passa as marchas automaticamente de acordo com a velocidade. Para o produtor, isso significa economia e mais rendimento operacional”, explicou Oliveira. Com isso, a redução da intervenção manual melhora a ergonomia e diminui o desgaste ao longo da jornada.

    O desenvolvimento da máquina partiu de uma pergunta central: o que um trator abaixo de 400 cavalos precisa entregar? A partir disso, a fabricante ouviu produtores de diferentes regiões do País. “Eles pediram um trator mais robusto, forte, econômico, confortável e que não superaqueça. Foi exatamente isso que buscamos entregar”, afirmou.

    Eficiência energética e desempenho em campo

    Um dos pilares do MF 8S Xtra está no gerenciamento inteligente de rotação. O sistema ajusta automaticamente o funcionamento do motor conforme a velocidade de trabalho e reduz a rotação após o pico de desempenho. Na prática, isso resulta em menor consumo de combustível sem comprometer a potência. Ou seja, o produtor mantém o desempenho com menor custo operacional.

    A DLG PowerMix conduziu testes independentes e padronizados para avaliar o desempenho dos tratores em diferentes condições. Os modelos da série apresentaram eficiência superior nos quesitos motor e transmissão, com economia que pode ultrapassar 3,7 litros por hora em determinadas operações. Em um ciclo de 5 mil horas, essa redução representa impacto direto nos custos da atividade.

    Além disso, os testes simulam 14 tipos de operações agrícolas, incluindo transporte e trabalho em campo, com diferentes cargas e velocidades. Nesse cenário, o MF 8S Xtra se destacou ao entregar menor consumo energético em comparação com concorrentes da mesma categoria.

    Renata Obara, gerente de vendas Massey Ferguson, durante lançamento na Tecnoshow Comigo 2026 – Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Conforto, tecnologia e menor desgaste

    Além da economia, o conjunto técnico amplia o conforto do operador. O projeto separa o motor da cabine, o que reduz ruídos, vibração e calor. Com isso, o ambiente interno se torna mais adequado para longas jornadas de trabalho.

    A hélice reversível é outro recurso que chama atenção. Além disso, o sistema permite a limpeza do radiador diretamente da cabine, eliminando a necessidade de paradas frequentes. Já o conjunto de suspensões, dianteira e da cabine, se ajusta automaticamente conforme a operação.

    Se a máquina identifica uma carga mais pesada, o sistema ajusta a suspensão dianteira. Da mesma forma, o operador pode configurar a cabine para um comportamento mais rígido ou mais suave por meio do monitor interno. Assim, não há necessidade de intervenções manuais fora da cabine.

    Suporte ao produtor e aplicação prática

    Segundo Oliveira, o trabalho da fabricante não termina na entrega do equipamento. A rede de concessionárias acompanha o produtor com suporte técnico, demonstrações em campo e orientação sobre o uso da máquina.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    “A gente entrega não só a máquina, mas a qualidade de trabalho. Existe uma proximidade grande com o cliente, facilidade de contato e suporte para garantir o melhor uso do equipamento”, disse.

    Na prática, o MF 8S Xtra permite ampliar a área trabalhada com o mesmo volume de combustível. Dessa forma, o produtor reduz custos e aumenta a eficiência da operação agrícola. A combinação de potência, tecnologia embarcada e economia posiciona o modelo como uma das principais apostas da marca.

  • Pesagem sem controle transforma produção em perda silenciosa

    Pesagem sem controle transforma produção em perda silenciosa

    Em um cenário de margens mais apertadas no campo, cada detalhe da operação passou a impactar diretamente o bolso do produtor. Na 23ª Tecnoshow Comigo (Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano), realizada em Rio Verde (GO), a pesagem de cargas ganhou protagonismo como ferramenta estratégica para garantir controle, evitar perdas e reduzir riscos. Segundo Paulo Faber, especialista em soluções de pesagem da Toledo do Brasil, a balança rodoviária deixou de ser apenas um equipamento e se tornou parte essencial da gestão dentro da propriedade rural.

    “A balança traz controle de tudo o que entra e tudo o que sai da fazenda”, afirmou. De acordo com ele, o monitoramento começa ainda na chegada de insumos, como fertilizantes e matéria-prima, e segue até a saída da produção, como soja e milho destinados à comercialização.

    Esse acompanhamento, explicou, permite ao produtor maior precisão nas negociações e reduz a dependência de pesagens externas, que podem abrir margem para divergências. Nesse contexto, a tecnologia atua diretamente na proteção da rentabilidade. “Quando a pesagem é feita dentro da propriedade, o produtor reduz riscos de desvios ou fraudes”, destacou.

    Controle interno e mais eficiência na operação

    A profissionalização das fazendas no Centro-Oeste tem impulsionado a adoção de sistemas mais robustos de gestão. Além disso, a digitalização da pesagem permite integrar os dados a plataformas de controle, eliminando anotações manuais e tornando o processo auditável em tempo real.

    Esse avanço acompanha o crescimento da produção agrícola em Goiás, onde soja e milho dominam a maior parte da safra. Por isso, qualquer erro no carregamento ou transporte deixa de ser apenas um detalhe operacional e passa a representar prejuízo financeiro direto.

    Paulo Faber – Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Na prática, a balança rodoviária funciona como um ponto de controle estratégico dentro da propriedade. Ao registrar com precisão o peso das cargas, o produtor consegue gerenciar melhor estoques, acompanhar fluxos logísticos e tomar decisões mais assertivas ao longo da safra.

    Segurança jurídica e preservação das rodovias

    Outro ponto de atenção envolve o transporte de cargas. O excesso de peso em caminhões pode gerar multas e responsabilizar diretamente o produtor rural. Atualmente, a fiscalização não recai mais apenas sobre o motorista, mas sobre a origem da carga.

    “O controle de peso por eixo é exigido, e quem responde por isso é o embarcador”, explicou Faber. Ou seja, sem a pesagem correta na fazenda, o produtor corre o risco de arcar com penalidades por sobrecarga.

    Além disso, o excesso de peso compromete a conservação das rodovias, aumentando custos públicos e logísticos. Dessa forma, o uso de balanças contribui não apenas para a segurança da operação, mas também para a durabilidade da infraestrutura de transporte.

    Automação e novos recursos ampliam o controle

    Durante a Tecnoshow Comigo, a Toledo do Brasil apresentou soluções que vão além da pesagem tradicional. Entre os destaques está a automação do processo, que reduz a interferência humana e aumenta a confiabilidade dos dados.

    Com o uso de tags eletrônicas, por exemplo, o caminhoneiro realiza todo o processo de pesagem de forma automática, desde a entrada até a saída da propriedade. Assim, o sistema registra todas as informações com precisão e agilidade.

    Outro lançamento apresentado foi um medidor de umidade de grãos, tecnologia que complementa o controle da produção. A umidade interfere diretamente no peso final e, consequentemente, no valor comercial do produto.

    “Antes da venda, é fundamental entender a umidade do grão, porque isso impacta diretamente na rentabilidade”, ressaltou.

    Gestão mais precisa em um agro mais exigente

    A adoção de tecnologias de pesagem reflete uma mudança no perfil do produtor rural, cada vez mais orientado por dados e eficiência. Em um ambiente de custos elevados e maior pressão por resultados, controlar processos se tornou indispensável.

    Dessa forma, a balança rodoviária deixa de ser apenas um equipamento operacional e passa a ocupar papel estratégico dentro da propriedade. Ao garantir precisão, transparência e segurança, a tecnologia contribui para um agro mais profissional e preparado para os desafios do mercado.

    “Hoje, mais do que nunca, o produtor precisa ter controle total da operação. É isso que garante competitividade”, concluiu Faber.

  • Tecnoshow Comigo abre edição com foco em inovação no agro

    Tecnoshow Comigo abre edição com foco em inovação no agro

    A Tecnoshow Comigo 2026 começou na manhã desta segunda-feira (6), em Rio Verde (GO), reunindo lideranças políticas, produtores rurais, pesquisadores, autoridades municipais e estaduais, além de embaixadores de diversos países. Considerada uma das principais feiras do agronegócio brasileiro, a programação segue até sexta-feira (10), no Centro Tecnológico Comigo (CTC). O evento destaca o Sudoeste Goiano como referência nacional em produtividade e qualificação no campo.

    Organizada pela Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano (Comigo), a feira amplia nesta edição o alcance internacional. A presença de representantes estrangeiros reforça o interesse global pelo agronegócio brasileiro. Além disso, evidencia a força tecnológica e produtiva da região.

    Abertura reúne autoridades e marca transferência simbólica da capital

    A programação começou com uma coletiva de imprensa. Em seguida, ocorreram a revista da guarda e o hasteamento das bandeiras no estande do Governo de Goiás.

    Participaram da abertura o presidente do Conselho de Administração da Comigo, Antonio Chavaglia, o governador Daniel Vilela (MDB) e o prefeito de Rio Verde, Wellington Carrijo (MDB).

    Antonio Chavaglia, presidente do Conselho de Administração da Comigo – Foto: Pedro H. Lopes

    Durante a solenidade, autoridades assinaram o termo simbólico que transfere a capital do estado para o município até o encerramento da feira. A medida reforça a importância econômica e política do evento para Goiás.

    Chavaglia destacou o papel da Tecnoshow na difusão de tecnologia, mesmo diante de um cenário econômico desafiador. “Embora estejamos em um momento de recessão, a feira tem de continuar trazendo revoluções tecnológicas nas áreas de agricultura e pecuária. Nossa feira é tradicional e com o público sempre presente”, afirmou.

    Além disso, ele alertou para a pressão sobre o setor. “Estamos em uma situação delicada no Brasil. Há uma guerra que impacta os custos do petróleo e dos insumos, o que torna cada vez mais difícil manter margem”, disse.

    Segundo ele, esse cenário afeta diretamente o produtor rural. “O custo será repassado para o produtor, o que, às vezes, acaba fechando em vermelho”, completou.

    Apoio ao setor e cenário internacional

    O governador Daniel Vilela reforçou a importância do agronegócio para a economia. “Esse setor carrega a economia do nosso estado e do Brasil”, afirmou.

    Governador Daniel Vilela – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Em seguida, destacou o desempenho do Sudoeste Goiano. “A região representa a mais alta produtividade e qualificação profissional do produtor rural”, declarou.

    Além do impacto econômico, a presença de embaixadores fortalece a visibilidade internacional da Tecnoshow Comigo. Dessa forma, o evento se consolida como vitrine de inovação, tecnologia e negócios no campo.

    Vilela também anunciou medidas para reduzir custos logísticos. “O estado de Goiás vai subsidiar em R$ 1,20 o diesel, garantindo apoio ao produtor e à cadeia logística”, disse.

    Por fim, ele destacou o papel da feira na busca por soluções. “Que possamos encontrar aqui oportunidades e respostas para os desafios enfrentados pelo setor”, afirmou.

    Ao longo da semana, a Tecnoshow Comigo deve movimentar bilhões em negócios. Além disso, o evento apresenta novas tecnologias e fortalece conexões entre produtores, empresas e investidores. A expectativa é ampliar ainda mais sua relevância no cenário nacional e internacional.

  • Tecnologia: como a automação eleva produtividade leiteira em 7,4%

    Tecnologia: como a automação eleva produtividade leiteira em 7,4%

    Um estudo global conduzido pela Lely analisou dados de 13.816 fazendas leiteiras e comprovou o que produtores rurais já suspeitavam: a automação combinada de ordenha e alimentação aumenta significativamente a produtividade. Os números mostram um ganho médio de 7,4% na produção diária de leite por vaca quando comparadas propriedades que automatizam ambos os processos com aquelas que robotizam apenas a ordenha.

    A pesquisa, realizada entre janeiro de 2023 e maio de 2024, avaliou indicadores como volume de produção, frequência de ordenhas e comportamento das vacas em relação aos sistemas automatizados. Os resultados apontam uma correlação direta entre a disponibilidade constante de alimento e o aumento nas visitas voluntárias aos robôs de ordenha.

    O segredo está na rotina

    Segundo Letícia Fernandes, especialista da equipe Farm Management Support da Lely América Latina, a tecnologia não substitui boas práticas — ela as aprimora. “Quando o básico é feito com precisão e constância, o resultado aparece em todos os níveis. A vaca se alimenta melhor, ordenha com mais frequência e o produtor ganha eficiência”, explica.

    O princípio é simples: vacas que têm acesso contínuo ao alimento seguem seu comportamento natural de se alimentar em pequenas porções ao longo do dia. Isso reduz períodos de jejum, melhora a digestão e, consequentemente, estimula a produção leiteira.

    Caso brasileiro comprova eficácia

    Na Cabanha Stefini, localizada em Sertão (RS), os resultados práticos superaram as expectativas. A propriedade mantém 60 vacas holandesas em lactação sob gestão de Diogo Stefini, zootecnista especializado em nutrição bovina.

    “O empurrador automático de comida fez as vacas voltarem mais vezes ao cocho. Em menos de 30 dias, registramos um aumento de 4 litros de leite por animal apenas com essa mudança”, relata o produtor.

    Após implementar também a ordenha robotizada, a fazenda alcançou um incremento total de aproximadamente 20% na produção. Além disso, houve redução significativa na demanda por mão de obra. “Hoje temos mais tempo para cuidar das bezerras e do planejamento estratégico. As vacas estão mais calmas, com menos estresse, o que trouxe estabilidade ao rebanho”, complementa Stefini.

    Tendência global em sustentabilidade

    Para Letícia Fernandes, os dados reforçam uma tendência mundial de integração entre tecnologia, bem-estar animal e rentabilidade econômica. “Eliminar tarefas repetitivas e garantir constância na rotina transforma o sistema em um ambiente produtivo 24 horas por dia, com animais mais saudáveis e ativos”, afirma.

    A especialista ressalta que, embora os números representem médias globais, os resultados podem variar conforme manejo, manutenção dos equipamentos e frequência de uso. “Mesmo com variações, as tendências mostram que a automação se tornou aliada indispensável da eficiência e sustentabilidade na pecuária leiteira moderna”, conclui.

    A pesquisa reforça o posicionamento da tecnologia como ferramenta estratégica para o futuro do agronegócio, combinando produtividade econômica com práticas de bem-estar animal. Uma demanda crescente tanto do mercado quanto de consumidores conscientes.