Tag: produção de alimentos

  • Evento reúne lideranças do agro para discutir produção de alimentos

    Evento reúne lideranças do agro para discutir produção de alimentos

     O painel “Políticas Agrícolas e Segurança Alimentar” será realizado em 1º de outubro, durante o Global Agribusiness Festival (GAFFFF) 2026, com a participação do ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues. O encontro será realizado no Nubank Parque, em São Paulo.

    Na ocasião, serão discutidas medidas capazes de ampliar a produção de alimentos e reduzir os riscos enfrentados por produtores e consumidores. Além disso, serão analisados temas como crédito, seguro rural, infraestrutura, comércio internacional, sustentabilidade, tecnologia e previsibilidade regulatória.

    Produção é pressionada

    A segurança alimentar passou a receber mais atenção no cenário internacional. Entre os fatores responsáveis estão o crescimento populacional, as mudanças climáticas e os conflitos geopolíticos.

    Além disso, a volatilidade dos mercados de commodities e a necessidade de aumento da produtividade também são apontadas como fontes de pressão sobre o setor agropecuário.

    Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a população mundial, estimada em 8,2 bilhões de pessoas em 2024, deverá chegar a aproximadamente 9,7 bilhões em 2050.

    Ao mesmo tempo, o relatório OECD-FAO Agricultural Outlook 2026–2035 estima que a produção agrícola e pesqueira mundial precisará crescer 13% na próxima década.

    Diante desse cenário, políticas públicas de longo prazo serão discutidas como instrumentos para melhorar as condições de produção, estimular investimentos e ampliar o acesso a tecnologias.

    Riscos serão debatidos

    Durante o painel, deverão ser avaliadas medidas voltadas à garantia de uma oferta mais regular de alimentos. Para isso, serão considerados mecanismos capazes de reduzir os riscos da atividade agropecuária.

    Entre os temas previstos, serão abordados:

    • acesso ao crédito
    • seguro rural
    • infraestrutura
    • comércio internacional
    • sustentabilidade
    • incorporação de tecnologias
    • previsibilidade regulatória

    Dessa forma, também deverão ser analisados os fatores que afetam a competitividade do produtor, o abastecimento e os preços dos alimentos.

    A participação de Roberto Rodrigues foi destacada por Luiz Felipe Nastari, diretor de Comunicação e Eventos da DATAGRO:

    “É uma honra para o evento contar com a participação de uma das principais referências do agro brasileiro e uma voz fundamental no debate sobre o futuro da produção de alimentos, o ex-ministro Roberto Rodrigues,” ressalta Nastari.

    Programação terá três palcos

    O painel será integrado à programação do evento. Segundo a organização, mais de 35 painéis serão realizados, com a participação de mais de 100 palestrantes.

    As atividades serão distribuídas em três palcos simultâneos. Paralelamente, serão promovidas ações relacionadas à feira de negócios, à gastronomia e ao entretenimento.

    Em 2026, duas edições do evento serão realizadas no Brasil. A programação de São Paulo ocorrerá nos dias 1º e 2 de outubro, no Nubank Parque.

  • Animal com 3 corações desafia criação em fazendas pelo mundo

    Animal com 3 corações desafia criação em fazendas pelo mundo

    A tentativa de criar polvos em escala comercial sofreu um revés na Espanha. A Nueva Pescanova abandonou o projeto daquela que seria a primeira grande fazenda comercial desses animais no mundo, prevista para Gran Canaria.

    A instalação teria 52 mil metros quadrados e capacidade para produzir cerca de 3 mil toneladas de polvo por ano, além de gerar aproximadamente 300 empregos.

    A empresa atribuiu a decisão a questões empresariais e regulatórias durante o processo de licenciamento. Segundo o El País, novas exigências administrativas alteraram condições, prazos e requisitos previstos inicialmente.

    Com isso, o fim do projeto reacendeu uma discussão que acompanha as tentativas de produzir o animal em cativeiro: por que é tão difícil criar polvos em fazendas?

    Polvo ainda desafia criação em escala

    Até agora, nenhuma criação em grande escala do polvo-comum (Octopus vulgaris) conseguiu se consolidar comercialmente, segundo o britânico The Guardian.

    Os obstáculos, porém, aparecem em diferentes etapas da produção. Os animais são naturalmente solitários, apresentam comportamento complexo e precisam de ambientes estimulantes.

    Além disso, a fase inicial da vida é delicada. A alimentação, por sua vez, também representa um desafio para a produção industrial.

    “Os polvos são animais extremamente inteligentes e complexos”, afirmou ao El País Elena Lara, pesquisadora da organização Compassion in World Farming.

    Há ainda outra diferença em relação a várias espécies utilizadas na produção de alimentos. Segundo Lara, o polvo nunca passou por um processo de domesticação.

    Nesse cenário, a discussão ganhou destaque neste mês em reportagem do The Guardian. O jornal britânico apresentou o dilema já no título: “Inteligente demais para comer?”

    Três corações e sangue azul

    Além das dificuldades de produção, a própria biologia do polvo ajuda a explicar por que o animal desperta tanto interesse.

    Para começar, ele possui três corações. Dois atuam principalmente no envio de sangue às brânquias. Enquanto isso, o terceiro bombeia o sangue para o restante do organismo.

    O sangue também tem uma característica incomum: é azul.

    Nesse caso, a coloração está relacionada à hemocianina, proteína que contém cobre e participa do transporte de oxigênio. Nos seres humanos, por outro lado, essa função é desempenhada pela hemoglobina, que contém ferro.

    Outra particularidade está no sistema nervoso. Grande parte dos neurônios do polvo fica distribuída pelos braços. Por isso, o animal consegue realizar movimentos e apresentar respostas complexas.

    Na prática, cada braço consegue processar informações enquanto permanece conectado ao cérebro central.

    Inteligência entra no debate

    A capacidade cognitiva do polvo também está no centro das discussões sobre a criação intensiva.

    Experimentos científicos mostraram que esses animais conseguem abrir recipientes, explorar objetos, encontrar caminhos e aprender com experiências.

    Ao mesmo tempo, o The Guardian apontou a combinação de inteligência elevada, comportamento solitário e evidências de senciência entre as preocupações apresentadas por cientistas e organizações de bem-estar animal.

    Dessa forma, a criação de vários indivíduos no mesmo ambiente impõe desafios diferentes daqueles encontrados na produção de espécies que vivem naturalmente em grupos.

    Mercado movimenta bilhões

    Apesar das dificuldades, existe interesse econômico na criação comercial.

    O consumo mundial de polvos capturados na natureza gira em torno de 370 mil toneladas por ano, segundo dados citados pelo The Guardian.

    Além disso, o mercado é particularmente relevante na Europa e na Ásia.

    Dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), reproduzidos pelo El País, mostram que os cefalópodes, grupo que inclui polvos, lulas e sépias, responderam por cerca de 7% das exportações mundiais de produtos aquáticos de origem animal em 2024.

    Esse comércio movimentou aproximadamente US$ 12,7 bilhões naquele ano.

    China, Marrocos e Mauritânia aparecem entre os grandes produtores de polvo capturado. Enquanto isso, Espanha, Itália, China e Japão estão entre mercados importantes para o produto.

    Projeto acabou, pesquisa não

    A desistência da fazenda nas Ilhas Canárias, porém, não significa, segundo a Nueva Pescanova, que futuros projetos sejam inviáveis.

    A discussão envolve justamente a possibilidade de atender a um mercado consumidor relevante sem depender apenas da captura de animais na natureza.

    “Queremos continuar comendo polvo?”, questionou ao El País Eduardo Almansa, pesquisador do Instituto Espanhol de Oceanografia que participou de pesquisas relacionadas ao projeto.

    Segundo ele, a demanda mundial está aumentando e, por isso, existe interesse em encontrar alternativas capazes de produzir o alimento de maneira economicamente viável e sustentável.

    Por enquanto, no entanto, a produção comercial em grande escala continua sendo um desafio. Apesar de anos de pesquisas, o polvo ainda não fez a transição da captura na natureza para as grandes fazendas de aquicultura.

  • Milhões de aves morrem na França após onda de calor

    Milhões de aves morrem na França após onda de calor

    As primeiras notícias não vieram das plantações nem dos rebanhos. Vieram dos aviários.

    Em poucos dias, granjas de diferentes regiões da França começaram a registrar uma sequência incomum de mortes de frangos. À medida que o calor aumentava, as temperaturas permaneciam elevadas mesmo durante a madrugada e, pouco a pouco, milhares de aves deixavam de resistir. Em algumas áreas, o número de animais mortos cresceu tão rapidamente que a estrutura responsável pelo recolhimento das carcaças entrou em colapso.

    Como resultado, o problema ganhou dimensão nacional e passou a simbolizar uma crise que já alcança boa parte do campo francês. Reportagem publicada pelo jornal Le Monde mostra que a onda de calor provocou perdas expressivas na avicultura, afetou a produção de leite, castigou lavouras e obrigou agricultores a rever, mais uma vez, como enfrentar um clima que se tornou menos previsível.

    Milhraes de frangos na França
    Reprodução: ciwf.fr

    Embora as autoridades ainda consolidem os levantamentos, entidades do setor afirmam que a mortalidade registrada nas granjas está entre as mais severas associadas a episódios recentes de calor intenso no país.

    O calor chegou antes do esperado

    O verão europeu sempre exige atenção dos produtores rurais, mas, neste ano, o calor apareceu mais cedo e com intensidade acima da média em várias regiões francesas.

    Além disso, dias consecutivos de temperaturas elevadas foram seguidos por noites abafadas. Para a avicultura, essa combinação costuma ser uma das mais difíceis de enfrentar. Sem o resfriamento natural durante a madrugada, as aves permanecem sob estresse por muito mais tempo.

    Foi justamente esse cenário que se repetiu nas principais áreas produtoras.

    Na Bretanha, região que concentra grande parte da produção francesa de frangos, produtores passaram a relatar perdas em diferentes sistemas de criação. Ao mesmo tempo, à medida que os dias avançavam, aumentava também a dificuldade para retirar rapidamente os animais mortos das propriedades.

    Segundo o Le Monde, algumas autoridades locais autorizaram medidas excepcionais para evitar problemas sanitários, incluindo o enterramento das carcaças em determinadas situações. A decisão foi tomada porque o volume de aves mortas ultrapassou a capacidade operacional das empresas encarregadas da coleta.

    Por que as aves sofrem tanto com o calor

    Entre os animais criados para produção de alimentos, poucos reagem tão rapidamente ao calor quanto as aves.

    Diferentemente dos bovinos e dos suínos, elas praticamente não conseguem dissipar calor pela pele. Como não transpiram, dependem da respiração para tentar reduzir a temperatura corporal.

    Quando o ambiente permanece muito quente, o organismo acelera a frequência respiratória. Ao mesmo tempo, o consumo de ração diminui e a necessidade de água aumenta. Se o calor persiste por muitas horas, especialmente sem alívio durante a noite, o sistema deixa de compensar o excesso de temperatura. É nesse momento, portanto, que cresce o risco de hipertermia e de mortalidade.

    Por isso, ondas de calor prolongadas costumam atingir primeiro a avicultura. Mesmo granjas equipadas com ventiladores, exaustores e sistemas de resfriamento evaporativo podem enfrentar dificuldades quando as temperaturas permanecem elevadas por vários dias consecutivos.

    O prejuízo vai além da perda dos animais

    A morte das aves representa apenas parte do problema.

    Cada lote perdido interrompe o ciclo de produção, reduz a oferta de carne de frango e aumenta os custos das granjas. Além do impacto econômico direto, os produtores precisam lidar com questões sanitárias, logística para retirada das carcaças e limpeza completa das instalações antes da chegada de um novo plantel.

    Foi justamente essa sequência de desafios que chamou a atenção na França. Em diversas propriedades, o esforço deixou de ser apenas salvar os animais que ainda permaneciam vivos. Além disso, passou a incluir medidas emergenciais para evitar que o acúmulo de carcaças provocasse novos riscos à saúde animal e ao meio ambiente.

    Enquanto isso, a previsão de novas temperaturas elevadas mantinha produtores e autoridades em estado de alerta. Com isso, a preocupação já não se limitava aos aviários. Aos poucos, outros setores da agricultura francesa começavam a sentir os efeitos da mesma onda de calor.

  • Gordura do azeite pode reduzir risco de diabetes tipo 2

    Gordura do azeite pode reduzir risco de diabetes tipo 2

    Uma nova revisão científica publicada na revista Trends in Endocrinology & Metabolism sugere que a qualidade da gordura consumida pode influenciar diretamente o risco de desenvolver diabetes tipo 2.

    O estudo reuniu evidências sobre dois ácidos graxos presentes na alimentação: o ácido palmítico, encontrado em diversos alimentos industrializados e de origem animal, e o ácido oleico, principal componente do azeite de oliva.

    Segundo os pesquisadores, os dois compostos exercem efeitos bastante diferentes sobre o metabolismo.

    O que a pesquisa descobriu

    O trabalho foi conduzido por cientistas da Universidade de Barcelona e da área de Diabetes e Doenças Metabólicas Associadas do Ciberdem.

    A análise apontou que o ácido palmítico está associado à redução da sensibilidade à insulina, condição considerada um dos principais fatores para o surgimento da diabetes tipo 2.

    Já o ácido oleico apresentou efeitos considerados mais favoráveis para o organismo.

    “O ácido palmítico, um ácido graxo saturado amplamente encontrado nos alimentos, está associado à diminuição da sensibilidade à insulina, enquanto o ácido oleico, abundante no azeite de oliva, pode ter um efeito protetor contra esses distúrbios metabólicos”, afirmou Manuel Vázquez-Carrera, um dos autores da revisão.

    Leia mais: Como nasce um bom azeite?

    Gordura saturada pode favorecer alterações metabólicas

    De acordo com os pesquisadores, o ácido palmítico desencadeia uma série de processos celulares relacionados ao desenvolvimento da diabetes tipo 2.

    A revisão indica que essa gordura favorece o acúmulo de compostos associados a danos metabólicos e estimula processos inflamatórios persistentes.

    Além disso, pode comprometer o funcionamento de estruturas essenciais para o equilíbrio celular.

    “Em nível molecular, o ácido palmítico promove a acumulação de lípidos bioativos potencialmente tóxicos, fomenta uma inflamação crônica de baixo grau e contribui para a disfunção de organelas celulares”, explicou Xavier Palomer, primeiro autor do artigo.

    Esses mecanismos podem reduzir a capacidade do organismo de responder adequadamente à insulina.

    Azeite de oliva aparece como aliado da saúde metabólica

    Os resultados observados para o ácido oleico foram diferentes.

    Presente principalmente no azeite de oliva, essa gordura monoinsaturada ajuda o corpo a armazenar gordura de forma menos prejudicial e pode contribuir para preservar a ação da insulina.

    Segundo os autores, o composto demonstrou benefícios em tecidos importantes para o metabolismo, incluindo fígado, músculos e tecido adiposo.

    A revisão também sugere que o ácido oleico pode amenizar parte dos efeitos associados ao ácido palmítico.

    Dieta mediterrânea ganha reforço científico

    Os pesquisadores afirmam que os resultados ajudam a explicar por que a dieta mediterrânea costuma ser associada a menores índices de diabetes tipo 2.

    Esse padrão alimentar é caracterizado pelo consumo frequente de azeite de oliva, frutas, legumes, grãos e oleaginosas.

    Diversos estudos anteriores já apontaram benefícios desse modelo alimentar para a saúde cardiovascular e metabólica.

    Leia mais: Dieta nórdica: é anti-inflamatória, pode ajudar a dormir melhor e viver mais

    Qualidade da gordura pode ser mais importante que a quantidade

    Uma das principais conclusões da revisão científica é que o tipo de gordura consumida pode ser tão importante quanto a quantidade ingerida.

    Os autores ressaltam, porém, que ainda são necessários novos estudos para compreender melhor como diferentes fontes de gordura interagem com outros nutrientes e influenciam o risco de diabetes tipo 2.

    Fatores como processamento dos alimentos, origem dos ingredientes e hábitos alimentares também devem ser considerados na avaliação dos impactos sobre a saúde.

  • El Niño forte e alta nos custos ameaçam produção agrícola global, aponta estudo europeu

    El Niño forte e alta nos custos ameaçam produção agrícola global, aponta estudo europeu

    A combinação de um El Niño intenso com o aumento dos preços de insumos agrícolas já pressiona a produção global de alimentos em 2026. A avaliação consta na edição de maio do relatório Anomaly Hotspots of Agricultural Production (ASAP), publicado pelo Centro Comum de Pesquisa (JRC), da Comissão Europeia.

    O levantamento indica cenários contrastantes entre regiões, com ganhos de produtividade em algumas áreas e perdas relevantes em outras, principalmente por eventos climáticos extremos e instabilidade econômica.

    Na África Austral, a produção de cereais deve superar a média na safra 2025/2026. A África do Sul lidera o avanço com alta de 10% na produção de milho em relação à média de cinco anos, enquanto a Zâmbia registra safra recorde e o Zimbábue projeta crescimento de 2%.

    Em contrapartida, Angola, Moçambique e o sul de Madagascar enfrentam perdas por condições climáticas adversas. Em áreas costeiras angolanas, a degradação das pastagens já compromete a pecuária.

    África

    Na África Oriental, chuvas antecipadas favoreceram lavouras no Quênia, Etiópia e norte de Uganda. Porém, a irregularidade das precipitações afeta a produção na Somália e no sudeste etíope. Na Tanzânia, a colheita avança com produtividade abaixo da média após déficit hídrico. O relatório também alerta para novos impactos do El Niño no fim de 2026. Conflitos no Sudão e Sudão do Sul continuam a desestruturar a produção agrícola e ampliam o risco de fome. Fora das áreas de guerra, a alta nos preços de combustíveis e insumos,agravada pela guerra no Irã, reduz a capacidade produtiva dos agricultores.

    Na África Ocidental e Central, as condições iniciais para o milho são positivas, mas conflitos na Nigéria e no Sahel Central limitam a atividade agrícola. Países como Gana, Benim, Chade, Guiné e Togo registram atrasos no plantio. As previsões climáticas indicam chuvas dentro da média no Golfo da Guiné, mas apontam risco de seca em partes do Sahel.

    Oriente Médio

    No Oriente Médio e Norte da África, a colheita de cereais de inverno apresenta forte recuperação, com produtividade acima da média após chuvas regulares desde dezembro. Marrocos e Argélia lideram esse avanço após anos de seca. Ainda assim, problemas localizados persistem, como restrições de irrigação no sul do Iraque e enchentes em áreas marroquinas. No Iêmen, o clima favorece a produção, mas 17 milhões de pessoas ainda enfrentam insegurança alimentar severa.

    Na Ásia Central, as lavouras de inverno mantêm bom desempenho, impulsionadas por chuvas recentes. O Afeganistão também registra condições favoráveis, apesar de 14 milhões de pessoas enfrentarem insegurança alimentar. No Sul da Ásia, Paquistão e Bangladesh encerraram colheitas com bons resultados, enquanto o Sri Lanka projeta safra positiva. Na Coreia do Norte, o plantio de arroz e milho avança bem, embora a redução da área cultivada no inverno limite parte dos ganhos.

    América Latina e Caribe

    Na América Latina e Caribe, o plantio da safra “primera” sofre atrasos devido à falta de chuvas e às altas temperaturas. Apesar disso, a colheita atual na América do Sul apresenta desempenho majoritariamente positivo.

    O avanço do El Niño deve intensificar contrastes climáticos: seca severa ameaça lavouras de milho e arroz na América Central, Caribe e Colômbia, enquanto Bolívia, Equador e Peru devem registrar chuvas acima da média. O aumento dos custos de combustíveis e fertilizantes também pressiona o setor, com destaque para a escassez de diesel em Cuba e os preços elevados em países como Bolívia, Peru, Guatemala, Honduras e Nicarágua.

  • Como a COVID-19 reviveu fazendas da era asteca no México

    Como a COVID-19 reviveu fazendas da era asteca no México

    Durante décadas, as antigas chinampas, sistemas agrícolas criados pelos povos pré-astecas há mais de mil anos, perderam espaço para a urbanização e para as cadeias modernas de abastecimento. No entanto, a pandemia da COVID-19 mudou esse cenário e ajudou a impulsionar a retomada dessas fazendas históricas nos arredores da Cidade do México.

    O que são as chinampas?

    As chinampas são ilhas artificiais criadas pelos povos astecas há mais de mil anos para ampliar áreas de cultivo em regiões alagadas. O nome vem da palavra nauatle “chinamitl”, que significa “cercado feito de juncos”.

    Construídas com madeira, sedimentos e matéria orgânica, essas estruturas permitiam o cultivo de alimentos em solos altamente férteis e são consideradas um dos sistemas agrícolas mais avançados da antiguidade.

    As chimampas são consideradas um modelo de agricultura sustentável

    Agricultura ancestral resiste ao avanço da urbanização

    Antes da chegada dos colonizadores espanhóis, as chinampas eram a base da segurança alimentar da antiga capital asteca. Com o crescimento da Cidade do México e a modernização do sistema agrícola, grande parte dessas áreas foi abandonada.

    A Central de Abastos da Cidade do México é o maior mercado de produtos do mundo, com cerca de 800 m de comprimento de cada lado abrigando cerca de 122 mil toneladas de comida — (Foto: César Rodriguez)

    Atualmente, existem cerca de 2 mil hectares de chinampas, mas apenas 2,5% da área ainda é utilizada na agricultura tradicional. A área é mais conhecida como uma atração turística popular.

    Mesmo assim, agricultores locais seguem preservando técnicas centenárias. Entre eles está Miguel de Valle, que cultiva hortaliças utilizando métodos praticamente inalterados ao longo das gerações.

    “Temos que proteger esse modo de agricultura”, afirma o produtor. “Meu objetivo é conservar o que as pessoas fazem aqui há centenas de anos.”

    A maioria dos chinamperos usa barcos ou canoas para ir e voltar de suas fazendas, já que os motores de popa raramente são permitidos nos canais — (Foto: César Rodriguez)

    Técnicas agrícolas que atravessaram séculos

    O diferencial das chinampas está no sistema produtivo. Os agricultores retiram sedimentos férteis dos canais para formar canteiros ricos em nutrientes. O cultivo ocorre manualmente, sem mecanização pesada, preservando a estrutura do solo.

    Além disso, os produtores utilizam métodos naturais de proteção das plantas, como cobertura vegetal para conservar a umidade e preparados à base de pimenta para auxiliar no controle de pragas.

    Segundo os agricultores, essas práticas permitem manter uma produção diversificada de alface, milho, abóboras, ervas e hortaliças, ao mesmo tempo em que preservam a biodiversidade local.

    “Essas técnicas já estão desaparecendo. Mas isso é muito eficaz”, destaca De Valle. “É a maneira mais local de alimentar as pessoas.”

    COVID-19 fortaleceu a agricultura local

    O renascimento das chinampas ganhou força durante a pandemia. Com as interrupções nas cadeias de suprimentos e as restrições de circulação, muitos moradores passaram a buscar alimentos produzidos mais perto de casa.

    Assim, agricultores de Xochimilco ampliaram a venda direta ao consumidor, utilizando aplicativos de mensagens, redes sociais e sistemas de entrega em domicílio.

    As vendas praticamente dobraram durante alguns meses da crise sanitária. Algumas propriedades ampliaram suas áreas cultivadas para atender ao aumento da demanda por alimentos frescos e locais.

    Equipe de De Valle colhe hortaliças que serão vendidas no dia seguinte no Mercado de las Cosas Verdes, e também entregues em cestos diretamente aos clientes — (Foto: César Rodriguez)

    Para especialistas, a pandemia evidenciou a importância da produção regional na construção de sistemas alimentares mais resilientes.

    “Temos uma tradição de cultivo de alimentos de centenas ou milhares de anos. Não há nada de alternativo sobre isso. É o legado histórico. Isso é o normal”, afirma David Monachon, pesquisador da Universidade Nacional Autônoma do México.

    Produção agrícola e conservação ambiental

    Além da produção de alimentos, as chinampas desempenham papel importante na preservação ambiental. A área abriga espécies nativas e ajuda a regular a temperatura da Cidade do México por meio de sua extensa rede de canais.

    Paisagem com chinampas e canais em Xochimilco — (Foto: Luis Antonio Rojas)

    O sistema também serve de refúgio para o axolote, anfíbio ameaçado de extinção e conhecido mundialmente por sua capacidade de regeneração.

    Axolote nadando em aquário no Laboratório de Restauração Ecológica da Universidade Nacional Autônoma do México — (Foto: Luis Antonio Rojas)

    Especialistas alertam que o abandono dessas áreas pode trazer impactos ambientais significativos, incluindo aumento das temperaturas locais e redução das chuvas.

    Jovens no campo

    Outro efeito positivo observado após a pandemia foi o retorno de jovens à atividade agrícola. Muitos enxergaram nas chinampas uma oportunidade de trabalho ligada à produção sustentável, ao turismo rural e à valorização dos alimentos locais.

    A renovação geracional tem ajudado a recuperar áreas antes abandonadas e a fortalecer iniciativas voltadas à agricultura de proximidade.

    Embora as chinampas não tenham capacidade para abastecer toda a metrópole como no passado, pesquisadores estimam que elas poderiam fornecer até 20% das hortaliças consumidas na Cidade do México em condições ideais.

    Mais do que produzir alimentos, o sistema representa um patrimônio agrícola vivo, que combina tradição, conservação ambiental e segurança alimentar em uma das maiores cidades do planeta.

     

    Com dados de National Geographic e Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento

  • Tecnologia promete recuperar solos afetados por enchentes

    Tecnologia promete recuperar solos afetados por enchentes

    A recuperação da produção agrícola no Rio Grande do Sul, após os impactos dos eventos climáticos extremos registrados nos últimos anos, está no centro das discussões da 26ª Expodireto Cotrijal, realizada de 9 a 13 de março em Não-Me-Toque. Durante a feira, a Yara, multinacional líder em nutrição de plantas, anunciou a ampliação de investimentos em programas de recuperação de solos, novas soluções nutricionais e iniciativas voltadas à sustentabilidade da cadeia de alimentos.

    Segundo o vice-presidente de Vendas da Yara Brasil, Diogo Rezende, o cenário do mercado de fertilizantes passa por um momento de reorganização global, após períodos de forte volatilidade nos preços e nas cadeias de suprimento. Ainda assim, o Brasil mantém papel estratégico na produção mundial de alimentos.

    “O agro brasileiro segue como protagonista global. Mesmo diante de desafios climáticos e logísticos, o produtor mantém níveis elevados de produtividade. Nesse contexto, soluções nutricionais eficientes tornam-se cada vez mais importantes para garantir estabilidade e rentabilidade no campo”, afirmou.

    Rezende destacou ainda que o Rio Grande do Sul possui relevância estratégica para o setor de fertilizantes, principalmente pela diversidade de culturas e pelo alto nível tecnológico adotado pelos produtores rurais.

    Recuperação de solos ganha reforço

    Entre os anúncios feitos na feira está a renovação da parceria com a Embrapa no programa Recupera Rural RS, iniciativa voltada à recuperação de solos degradados após as enchentes que atingiram o estado em 2024.

    A empresa destinará R$ 300 mil adicionais ao projeto, elevando para R$ 750 mil o investimento total no programa. As ações incluem diagnóstico técnico das áreas afetadas, orientação agronômica, práticas conservacionistas e acompanhamento direto aos produtores rurais.

    De acordo com a companhia, considerando todas as iniciativas realizadas desde os eventos climáticos extremos, o aporte total destinado ao estado chega a R$ 1,5 milhão, incluindo ações emergenciais de apoio ao setor agrícola.

    Para o vice-presidente de Marketing e Agronomia da Yara Brasil, Guilherme Schmitz, a reconstrução produtiva do estado passa necessariamente pela recuperação da saúde do solo.

    Da esquerda para direita: Guilherme Schmitz – VP Marketing e Agronomia da Yara Brasil; Marcio Wally, Diretor de Vendas Região Sul da Yara Brasil e Diogo Rezende – VP de Vendas da Yara Brasil – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    “O impacto do desastre climático de 2024 ainda é sentido em várias regiões do estado. Por isso, restaurar a fertilidade e a estrutura do solo é fundamental para recuperar a competitividade das propriedades e garantir a segurança alimentar”, afirmou.

    Schmitz acrescentou que a parceria com a Embrapa permite ampliar o alcance das soluções técnicas no campo. “A ciência é essencial nesse processo. Trabalhamos para levar conhecimento agronômico e práticas sustentáveis diretamente ao produtor.”

    Nova solução nutricional chega ao Sul

    Além das ações de recuperação ambiental, a empresa apresentou na Expodireto o YaraBasa FULL, evolução da linha de fertilizantes utilizada em diversas culturas no Brasil.

    A nova formulação integra, em um único grânulo, nutrientes essenciais do tipo NPK, micronutrientes e bioinsumos desenvolvidos pela companhia. A proposta é aumentar a eficiência nutricional das plantas e melhorar o desempenho das lavouras em condições de estresse climático.

    Segundo Márcio Wally, diretor de Vendas da Região Sul da Yara Brasil, o lançamento foi pensado especialmente para os sistemas produtivos predominantes no sul do país, como as rotações de soja e arroz.

    “O produtor da região busca soluções cada vez mais completas e eficientes. O YaraBasa FULL combina nutrição mineral com bioinsumos, o que contribui para maior vigor radicular e melhor tolerância das plantas às variações climáticas”, explicou.

    Testes de campo realizados pela empresa indicam resultados positivos. Até o momento, mais de 25 pesquisas agronômicas foram concluídas, além de cerca de 200 áreas demonstrativas em lavouras comerciais. Outros 14 estudos adicionais seguem em andamento no país.

    Bioinsumos ganham espaço no agro

    Outro destaque apresentado na feira é o avanço do portfólio de bioinsumos da companhia, alinhado à crescente demanda por soluções agrícolas mais sustentáveis.

    Entre os produtos disponíveis está o YaraAmplix SEEDLIFT, desenvolvido para tratamento de sementes. A formulação combina extratos de algas marinhas com nutrientes como nitrogênio, fósforo, zinco e cálcio.

    Ensaios conduzidos pela empresa em lavouras de trigo indicaram aumento de até 50% no volume de raízes, o que contribui para maior eficiência no uso de água e nutrientes.

    Além disso, plantas com melhor desenvolvimento radicular tendem a apresentar maior tolerância a estresses ambientais ao longo do ciclo produtivo.

    Durante os cinco dias da Expodireto Cotrijal, especialistas agronômicos da companhia permanecem no estande para apresentar as tecnologias e orientar produtores sobre estratégias de manejo nutricional.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Sustentabilidade e descarbonização

    As iniciativas apresentadas na feira também fazem parte da estratégia global da empresa voltada à descarbonização da cadeia de alimentos e ao avanço da chamada agricultura regenerativa.

    Nesse contexto, a companhia lançou a campanha de posicionamento chamada “Fator Y”, que busca destacar a combinação entre conhecimento científico, inovação tecnológica e sustentabilidade.

    A proposta é reforçar o papel da agricultura brasileira como fornecedora de alimentos para o mundo, ao mesmo tempo em que incentiva práticas produtivas com menor impacto ambiental.

    Fundada na Noruega em 1905, a Yara atua atualmente em mais de 60 países e conta com cerca de 17 mil colaboradores. No Brasil, a empresa está presente nos principais polos agrícolas e mantém mais de 4 mil funcionários, atendendo produtores de diferentes perfis e culturas.

  • Programa Raízes do Vale impulsiona agricultura familiar no Vale do Jequitinhonha

    Programa Raízes do Vale impulsiona agricultura familiar no Vale do Jequitinhonha

    Mais de 260 famílias do Vale do Jequitinhonha estão colhendo os frutos do programa de agricultura familiar Raízes do Vale, que já soma 100 hectares de terras cedidas em comodato pela Aperam BioEnergia. A iniciativa, que integra desenvolvimento social e sustentabilidade, permitiu a produção de mais de 25 toneladas de alimentos entre milho, feijão, mandioca e outras culturas, beneficiando diretamente comunidades rurais da região.

    Os 100 hectares cedidos equivalem a um milhão de metros quadrados, ou cerca de 140 campos de futebol, destinados ao cultivo de milho, feijão, mandioca, abóbora, melancia, maxixe e andu. O plantio, iniciado em novembro de 2024, já rendeu mais de 4,7 toneladas de feijão, 3,6 toneladas de milho e uma estimativa de quase 17 toneladas de mandioca, além de outras culturas. A colheita, iniciada em abril, ainda está em andamento.

    Transformação social e geração de renda

    Valto Fróes dos Santos, conhecido como Valtinho, presidente da Associação das Famílias dos Pequenos Produtores Rurais Quilombolas do Ribeirão Invernada, em Capelinha, destaca o impacto positivo do programa. Das 38 famílias da comunidade, 13 participaram do plantio coletivo e colheram mais de 600 kg de feijão e cerca de 80 sacas de milho. “Algumas famílias estão vendendo. O meu feijão, a minha parte, eu não vendi. Guardei e dividi com a minha família e meus filhos. Ali a gente trabalha e a coisa rende, é só felicidade, só alegria. É um feijão de qualidade, um feijão diferenciado, feijão gostoso. Acertamos a época da colheita”, relata Valtinho.

    Antes do programa, a falta de oportunidades obrigava muitos moradores a migrar para outros estados em busca de trabalho. “Todos os meses a gente se reunia e falava dos problemas da comunidade. E, muitas vezes, não sabíamos como encaminhar. A gente conversava, conversava, assinava a ata, mas não sabíamos nem como redigir um ofício para as autoridades”, relembra Valtinho. Agora, com o Raízes do Vale, ele pode permanecer junto à família e investir na produção local.

    Apoio técnico e capacitação

    Cada associação comunitária recebe até cinco hectares de terras dentro das florestas renováveis de eucalipto da Aperam BioEnergia, com suporte completo para o preparo do solo, assistência agronômica, treinamentos de segurança e fornecimento de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). “A gente recebeu um curso e equipamentos para trabalhar, para nos protegermos, teve até protetor solar, que eu mesmo nunca tinha usado na minha vida. Cuidados para os olhos, a pele… isso foi muito bom, viu!?”, destaca Valtinho, ressaltando a importância do suporte técnico para o sucesso da produção.

    Desenvolvimento sustentável e inclusão

    O Raízes do Vale demonstra que é possível promover o desenvolvimento sustentável em harmonia com o meio ambiente e as comunidades. Na Associação Quilombola do Distrito de Bom Jesus do Galego, também em Capelinha, a última safra resultou em 5 sacas de milho e 479 kg de feijão. Flávia Fernandes, presidente da associação, celebra: “Estamos muito satisfeitos. Com certeza estamos caminhando para ter dias melhores com esse incentivo às comunidades rurais”.

    Alimentos da agricultura familiar geram emprego e renda para as famílias do Vale do Jequitinhonha. Foto: Divulgação/Aperam BioEnergia

    A expectativa para a colheita de mandioca é alta, com planos de reinvestir os recursos na construção de uma nova sede e, futuramente, reativar a produção local de farinha de mandioca.

    Reconhecimento nacional e internacional

    O programa já conquistou reconhecimento internacional. Em 2023, foi citado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como exemplo de boa prática de uso sustentável do solo e da água. Em 2024, recebeu o Selo de Sustentabilidade do Programa Aliança Ambiental Estratégica de Minas Gerais. Assim, tornando-se a primeira empresa a obter essa distinção, além do Prêmio Hugo Werneck de Sustentabilidade na categoria “Melhor Empresa”.

    O próximo ciclo de plantio, previsto para o segundo semestre de 2025, já conta com a adesão de 21 associações comunitárias, com possibilidade de novas participações. O Raízes do Vale segue como referência em inclusão social, geração de renda e sustentabilidade no campo, fortalecendo a agricultura familiar no Vale do Jequitinhonha.

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  • O que o Plano Safra tem a ver com o seu bolso?

    O que o Plano Safra tem a ver com o seu bolso?

    O Plano Safra, política agrícola anual do governo federal, é um pilar fundamental para garantir o abastecimento de comida na mesa dos brasileiros e fortalecer o agronegócio, setor que responde por 27% do PIB nacional.

    Com investimentos significativos e políticas direcionadas, o plano visa fortalecer a produção agrícola e apoiar os agricultores, especialmente aqueles da agricultura familiar, que são responsáveis por uma parte significativa da alimentação do país.

    Na edição 2024/2024, o programa atingiu um recorde histórico de R$ 400 bilhões em recursos, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). Um aumento de 10% em relação ao ano anterior. Mas como esses investimentos impactam diretamente a alimentação da população?

    Investimentos recordes

    Deste valor, R$ 76 bilhões são destinados em créditos e financiamentos voltados para a agricultura familiar, representando um aumento de 34% em relação ao ano anterior. Este montante é destinado a diversas linhas de crédito que visam não apenas aumentar a produção, mas também promover práticas sustentáveis e a inclusão social no campo.

    R$ 246 bilhões são destinados a custeio e comercialização, essenciais para que produtores rurais comprem insumos, sementes e mantenham a produção em escala. Os resultados são palpáveis: a safra de grãos 2023/2024 deve chegar a 315 milhões de toneladas, segundo a Conab, volume suficiente para abastecer o mercado interno e manter o Brasil como um dos maiores exportadores globais de alimentos.

    Apesar dos avanços, especialistas destacam a necessidade de ampliar investimentos em logística e irrigação para reduzir perdas (que chegam a 10% das safras, segundo a Embrapa). Além disso, o Plano Safra tem sido crucial para consolidar o Brasil como potência agroambiental: 66% dos recursos do programa exigem compromissos com práticas sustentáveis, como recuperação de pastagens e redução de emissões,além da erradicação do desmatamento ilegal. Essas iniciativas visam garantir que a produção agrícola não comprometa os recursos naturais e contribua para um futuro mais sustentável.

    Além disso, o plano inclui medidas específicas para apoiar mulheres, jovens e comunidades tradicionais no acesso ao crédito rural, promovendo assim uma maior inclusão social no setor agropecuário.

    Combate à inflação dos alimentos

    O impacto do Plano Safra é evidente na produção agrícola brasileira. Dados do IBGE indicam que, apesar das dificuldades enfrentadas em 2024 devido a eventos climáticos extremos, as expectativas para a safra deste ano são otimistas. O ministro Haddad mencionou que o Brasil pode colher uma grande safra, talvez uma das maiores já registradas. Isso não apenas ajudará a estabilizar os preços dos alimentos, mas também garantirá o abastecimento interno e as exportações.

    Ele também enfatizou que “a primeira providência para tratar da inflação de alimentos é fazer planos safras cada vez mais robustos”. O governo está comprometido em expandir o Plano Safra para garantir que o Brasil continue a ser um dos maiores produtores de alimentos do mundo.

    Além disso, o fortalecimento da agricultura familiar é essencial para combater a fome e promover a soberania alimentar. O Plano Safra busca aumentar a capacidade produtiva desses agricultores por meio de acesso facilitado a crédito e tecnologias adequadas.

    Retorno econômico

    Para cada R$ 1,00 investido no Plano Safra, o agronegocio brasileiro gera R$ 10 em riquezas. Isso de acordo com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária). Esse dinamismo reflete no prato do consumidor. Em 2023, o Brasil registrou a maior produção de carne bovina (8,2 milhões de toneladas) e frango (14,8 milhões de toneladas) da história. Portando, ajudando a estabilizar os preços mesmo em cenários globais inflacionários.

    Dados do IBGE revelam que 70% dos itens da cesta básica brasileira – como arroz, feijão, leite e carnes – dependem diretamente de cadeias produtivas apoiadas pelo Plano Safra. Além disso, o programa financia tecnologias que aumentam a produtividade. Nos últimos 10 anos, a produção de grãos saltou 62%, enquanto a área plantada cresceu apenas 29%. Isso graças a inovações como agricultura de precisão e sementes adaptadas ao clima.

    O Plano Safra é fundamental para assegurar que o Brasil continue a produzir alimentos em quantidade e qualidade suficientes para atender sua população crescente. Com investimentos robustos e uma abordagem focada na sustentabilidade e inclusão, o plano não apenas combate a fome, mas também fortalece a economia rural brasileira. A continuidade dessas políticas será crucial para enfrentar os desafios futuros relacionados à segurança alimentar e às mudanças climáticas.

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  • Brusone – fungo que ameaça produção de trigo avança no mundo

    Brusone – fungo que ameaça produção de trigo avança no mundo

    A brusone, uma doença fúngica que já afeta diversas culturas, está se tornando uma ameaça crescente para a produção de trigo no mundo, impulsionada pelas mudanças climáticas. Segundo o estudo “Production vulnerability to wheat blast disease under climate change”, publicado na Nature Climate Change, o fungo Pyricularia oryzae Triticum, causador da doença, pode afetar até 13,5 milhões de hectares de trigo globalmente, com o potencial de reduzir a produção em 13%.

    A brusone é considerada uma das doenças mais recentes e economicamente importantes para o trigo. O fungo ataca folhas e espigas, e em casos graves pode comprometer 100% da colheita. Historicamente, a doença era mais comum em regiões tropicais e subtropicais, favorecida por altas temperaturas e umidade. Contudo,Recentemente, ocorreram surtos em áreas com clima frio ou seco, como no norte de Bangladesh, onde as temperaturas mínimas aumentaram nos últimos anos.Recentemente, ocorreram surtos em áreas com clima frio ou seco, como no norte de Bangladesh, onde as temperaturas mínimas aumentaram nos últimos anos.

    No Brasil, a brusone já causou prejuízos significativos. Em 2023, por exemplo, surtos localizados ocorreram no Rio Grande do Sul devido a invernos com temperaturas mínimas acima de 15 ºC. “Com o aquecimento global e variações no regime de chuvas, o fungo encontra novos ambientes para se instalar”, alerta José Maurício Fernandes, pesquisador da Embrapa Trigo.

    Histórico de dispersão da doença

    A brusone foi registrada pela primeira vez em plantações de arroz na China, no século XVII. No trigo, surgiu em lavouras do Paraná em 1985 e rapidamente se espalhou para outras regiões do Brasil e da América do Sul. Nos anos 1990, a doença causou perdas em milhões de hectares no continente. Na Bolívia, um surto em 1996 resultou em perdas de 80%, e no Paraguai, em 2002, a produção caiu mais de 70%. No Brasil, os piores anos foram 2009 e 2012, com perdas superiores a 40% em lavouras do Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo.

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    A Argentina, o décimo maior produtor de trigo do mundo, registrou a brusone pela primeira vez em 2007. Em 2012, a doença chegou à província de Buenos Aires, um dos principais polos de produção de trigo do país, elevando o alerta sobre a gravidade da situação. Em 2023, o Uruguai também teve seu primeiro caso.

    Fora da América do Sul, a brusone foi identificada pela primeira vez em Bangladesh, em 2016, causando perdas superiores a 30% na produção. Dois anos depois, a doença apareceu na Zâmbia, na África.

    Projeções preocupantes

    Com base em cenários de mudança climática projetados pelo IPCC, pesquisadores utilizaram modelos de simulação para prever o impacto futuro da brusone. A equipe de pesquisa usou o modelo DSSAT Nwheat, da Universidade da Flórida, para analisar variáveis como temperatura, umidade e concentração de CO2, utilizando dados históricos de 1980 a 2010 e projeções para 2040 a 2070.

    Portanto os resultados indicam que, além dos países da América do Sul, outras regiões também podem ser afetadas.  Isso inclui Estados Unidos, México, Itália, Espanha, França, Japão, China, Etiópia, Quênia, Congo, Nova Zelândia e Austrália. Em um cenário de aumento das temperaturas, a brusone pode se expandir para 30% das áreas de trigo na América do Sul. E também chegar a novas fronteiras agrícolas, como o sul da China e a região mediterrânea da Europa.

    “Embora as condições atuais do Hemisfério Norte ainda não favoreçam a doença, o aumento das temperaturas e da umidade pode mudar esse cenário em um futuro próximo”, alerta Willingthon Pavan, professor da Universidade da Flórida.

    Impacto na produção global de trigo

    Atualmente, a brusone ameaça 6,4 milhões de hectares de trigo no mundo. Assim sendo, até 2050, esse número pode mais que dobrar, afetando 13,5 milhões de hectares e causando uma perda de 69 milhões de toneladas de trigo por ano. Isso representa, portanto, uma redução de 13% na produção mundial.

    Brusone – Foto – Flávio Martins Santana

    Fernandes ressalta que, apesar das iniciativas globais para combater a brusone, como o melhoramento de plantas e estratégias de manejo, a erradicação completa da doença ainda não foi alcançada. “A resiliência às mudanças climáticas exige um planejamento baseado em projeções para minimizar as perdas e garantir a segurança alimentar mundial”, conclui o pesquisador.

    Além disso, diversas iniciativas estão sendo adotadas para combater a brusone, como o uso de biotecnologia, controle químico e manejo agrícola. Entretanto, o sucesso pleno ainda está distante, o que coloca a doença como um dos grandes desafios para a agricultura mundial no contexto das mudanças climáticas.