Tag: produção agrícola

  • Angola prepara 800 mil hectares para receber empresas brasileiras

    Angola prepara 800 mil hectares para receber empresas brasileiras

    A Angola prepara uma área de 800 mil hectares para receber operações de empresas brasileiras do agronegócio. A iniciativa faz parte da estratégia do governo angolano para ampliar a produção agrícola, reduzir a dependência de importações e desenvolver novas cadeias produtivas no país.

    A proposta foi apresentada nesta quarta-feira (12) pelo ministro da Agricultura e Florestas de Angola, Isaac Maria dos Anjos, durante o Fórum do Agronegócio Angola-Brasil, realizado pelo LIDE Angola, em Luanda.

    Segundo o governo, a área deverá ser disponibilizada para o levantamento e o ordenamento de operações empresariais integradas às comunidades locais.

    https://www.instagram.com/p/Db_Slj8JAH0/?igsh=MTY1aGwxZWw3cXo4bA==

    Angola quer ampliar produção agrícola com investimentos brasileiros

    Durante o evento, Isaac dos Anjos afirmou que a relação com o Brasil passa por uma nova fase.

    Segundo o ministro, a intenção é avançar de uma cooperação predominantemente técnica para uma parceria voltada a investimentos, inovação e construção de cadeias produtivas.

    “Queremos parceiros que produzam em Angola, transformem em Angola e contribuam para abastecer o mercado nacional e também conquistar mercados regionais e internacionais.”

    A estratégia também busca reduzir a necessidade de importação de alimentos e aumentar a capacidade de exportação de produtos agrícolas.

    Projeto Terra Lunda terá investimento de US$ 83,2 milhões

    Além da área destinada a potenciais operações empresariais, o ministro apresentou o Projeto Terra Lunda, previsto para ser desenvolvido na província de Lunda Norte.

    O empreendimento deverá ocupar aproximadamente 20 mil hectares e tem investimento estimado em US$ 83,2 milhões.

    A previsão é que o projeto seja estruturado entre 2027 e 2030, com a incorporação de aproximadamente 5 mil hectares por ano.

    A Lunda Norte já aparece entre as regiões de interesse para investidores brasileiros. Em fevereiro de 2026, empresários do Brasil avaliaram oportunidades agrícolas na província, incluindo a produção em larga escala de milho, soja, arroz, feijão e trigo.

    Agricultura angolana busca formar cadeia produtiva

    Para o governo angolano, a expansão da produção não depende apenas da disponibilidade de terras.

    O país também precisa desenvolver infraestrutura para transportar, armazenar, processar e comercializar os produtos agrícolas.

    Isaac dos Anjos destacou justamente esse desafio durante o fórum.

    “Não basta produzir. É preciso que toda a cadeia seja construída, é preciso transportar, é preciso conservar, é preciso calibrar”, afirmou o ministro.

    A estratégia aproxima o debate sobre produção agrícola de outros setores, como logística, armazenagem, processamento e infraestrutura.

    Além disso, esse aspecto também ganha importância diante do potencial do Corredor do Lobito, considerado estratégico para conectar regiões produtoras de Angola ao litoral e facilitar o acesso a mercado internacional.

    LIDE Angola é lançado durante fórum do agronegócio

    O Fórum do Agronegócio Angola-Brasil também marcou o lançamento oficial do LIDE Angola.

    Segundo Venceslau Andrade, presidente da nova unidade, a organização pretende manter uma plataforma permanente de diálogo entre empresas e investidores.

    “Este não é apenas um evento empresarial. É o início de uma plataforma permanente de diálogo, cooperação e promoção de investimento entre Angola, o Brasil e os principais mercados internacionais”, afirmou.

    A expectativa é que a aproximação estimule novos projetos entre empresas dos dois países, principalmente em setores ligados à produção agrícola e à agroindústria.

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  • Mudanças climáticas aumentam pressão por irrigação no agro

    Mudanças climáticas aumentam pressão por irrigação no agro

    As mudanças climáticas devem aumentar a importância da irrigação para o agronegócio brasileiro. A avaliação foi apresentada por pesquisadores durante o Fórum Mais Milho, realizado pela Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), em Brasília, nesta quarta-feira (12).

    Segundo os especialistas, a maior frequência de eventos climáticos extremos pode elevar os riscos para produtores que dependem exclusivamente das chuvas para conduzir suas lavouras.

    Mudanças climáticas aumentam importância da irrigação

    Lineu Rodrigues, pesquisador da Embrapa Cerrados e um dos idealizadores da Rede Nacional de Irrigantes (Renai), afirmou que o cenário da produção agrícola brasileira está mudando.

    “O cenário está mudando, vamos ter que irrigar mais”, afirmou.

    O pesquisador destacou que, até agora, a produção de grãos em sistema de sequeiro (que depende principalmente das chuvas) manteve a competitividade do Brasil. No entanto, a mudança no comportamento do clima aumenta a necessidade de estratégias para reduzir os impactos da irregularidade hídrica.

    “Até hoje, a produção do Brasil em sequeiro era competitiva, mas agora o clima está mudando. A irrigação vai ser cada vez mais importante.”

    Para Rodrigues, além da expansão da irrigação, o setor precisa ampliar o monitoramento climático e a geração de dados.

    A medida permitiria aos produtores fazer um planejamento mais preciso das atividades e tomar decisões com maior antecedência diante das condições meteorológicas.

    Estresse hídrico aumenta risco para produtores

    Ronaldo Torres, pesquisador da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), destacou a relação entre as perdas provocadas pelo clima e o endividamento no campo.

    Segundo ele, parte das dificuldades financeiras enfrentadas pelos produtores está relacionada às frustrações de safra causadas pelo estresse hídrico.

    “A irrigação pode ser uma solução para problemas decorrentes de estresse hídrico e eventos climáticos, como El Niño e La Niña, cada vez mais recorrentes”, apontou.

    A irrigação, nesse contexto, pode funcionar como uma ferramenta para reduzir a dependência exclusiva das chuvas e aumentar a previsibilidade da produção.

    Brasil pode ampliar área irrigada

    Durante o evento, Durval Dourado Neto, professor da Esalq, afirmou que o Brasil possui potencial para ampliar significativamente a área irrigada.

    Segundo ele, o país poderia acrescentar 53,4 milhões de hectares de área irrigada no longo prazo, ultrapassando a marca de 60 milhões de hectares.

    O professor também defendeu a expansão da agricultura irrigada como uma estratégia relacionada à segurança alimentar.

    De acordo com estudos apresentados por ele, seria possível desenvolver, no médio prazo, um plano nacional de segurança alimentar com o objetivo de ampliar a área irrigada em 15,5 milhões de hectares nos próximos 30 anos.

    Desse total, 6,4 milhões de hectares estariam em áreas consideradas mais favoráveis à implantação de projetos de irrigação.

    Além disso, o professor também afirmou que seria possível ampliar em 2,1 milhões de hectares a área irrigada a cada quatro anos em regiões próximas aos oito principais polos agrícolas irrigados do país.

    Irrigação exige investimento e infraestrutura

    Para Dourado Neto, a expansão da irrigação precisa ser acompanhada por planejamento e sustentabilidade.

    “É importante ter a ciência norteando a agricultura. O Plano Nacional de Irrigação pode dobrar área adicional irrigável nos próximos anos e fazer isso com sustentabilidade, preservando água e floresta”, disse.

    Gustavo Goretti, pesquisador das áreas de irrigação e conservação do solo, avaliou que a expansão potencial da área irrigada exigiria entre R$ 100 bilhões e R$ 150 bilhões em investimentos privados no longo prazo.

    Segundo Goretti, alguns dos principais obstáculos para a expansão da irrigação continuam semelhantes aos enfrentados pelo setor há duas décadas.

    Entre eles estão:

    • dificuldades relacionadas ao licenciamento ambiental;
    • regras para armazenamento e outorga de água;
    • disponibilidade de energia elétrica;
    • qualidade do fornecimento de energia.

    O pesquisador também apontou que a irrigação ainda é tratada, em determinadas situações, como uma atividade sujeita a licenciamento, em vez de ser considerada uma tecnologia capaz de contribuir para a produção agrícola.

    Setor defende melhor uso dos recursos hídricos

    Bernhard Kiep, diretor da Abramilho e membro da Câmara de Irrigação (CSEI) da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), afirmou que o Brasil ainda utiliza de forma limitada seu potencial produtivo e seus recursos naturais.

    “Temos 12% da água doce do mundo, usamos menos de 1%. Somos campeões mundiais de desperdício de água doce do mundo. Precisamos usar melhor para o bem da humanidade.”

    As discussões realizadas no Fórum Mais Milho mostram que a irrigação tende a ganhar espaço na estratégia do agronegócio brasileiro diante das mudanças no regime de chuvas e do aumento dos riscos climáticos.

    Para os pesquisadores, a expansão, porém, depende de investimentos, planejamento, disponibilidade de água, infraestrutura energética, segurança jurídica e uso de dados para orientar as decisões no campo.

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  • Milho supera 340 sacas por hectare em concurso nacional

    Milho supera 340 sacas por hectare em concurso nacional

    Os resultados alcançados por produtores no Concurso Nacional de Produtividade de Milho 2026, promovido pelo Grupo Tático de Aumento de Produtividade (Getap), colocaram em evidência o desempenho de híbridos de milho da Bayer em diferentes regiões e sistemas de cultivo. Entre os destaques, produtores alcançaram produtividades superiores a 340 sacas por hectare, enquanto a companhia ampliou para nove o número de lançamentos de híbridos apresentados neste ano.

    A estratégia combina a renovação do portfólio com a oferta de materiais adaptados a diferentes ambientes produtivos. Atualmente, a Bayer reúne mais de 50 híbridos de milho distribuídos no Brasil pelas marcas Agroeste, Dekalb e Sementes Agroceres.

    No concurso, os híbridos da empresa conquistaram o pódio completo na categoria centro irrigado, além de posições de destaque em outras disputas nacionais e estaduais. Os resultados foram registrados em regiões de cultivo irrigado e de sequeiro, incluindo áreas de Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

    Produtividade supera 340 sacas por hectare

    Um dos principais resultados foi registrado na categoria verão sul sequeiro. O Grupo Reinhofer, de Guarapuava (PR), alcançou produtividade de 343,1 sacas por hectare com o híbrido DKB235PRO3, garantindo a sétima colocação no ranking nacional.

    Ainda na mesma categoria, Ralf Karly, de Candói (PR), ficou em nono lugar ao utilizar o DKB242PRO4. A produtividade registrada foi de 339,2 sacas por hectare. Em Santa Catarina, a Agro Mallon, de Canoinhas, garantiu a terceira colocação estadual com o AS1955PRO4, ao atingir 330 sacas por hectare.

    Já na categoria verão sul irrigado, o melhor resultado nacional da Bayer foi obtido por Hugo Mariane Filho, de Chapada (RS). Com o DKB242PRO4, o produtor registrou 308,8 sacas por hectare e alcançou a sétima posição. Ao todo, seis inscrições com híbridos da companhia ficaram entre as 20 primeiras colocações nacionais.

    No Rio Grande do Sul, Carlos Eduardo Sperotto, de Santo Augusto, teve duas participações entre os 20 melhores resultados. O produtor ficou em 11º lugar, com 299,5 sacas por hectare e o AS1955PRO4, além da 15ª posição, com 293,1 sacas por hectare e o DKB242PRO4.

    Também aparecem entre os destaques Paulo Dilly, de Ibirubá, com 294,8 sacas por hectare e a 14ª colocação; Décio Ladir Neuls, de Santa Bárbara do Sul, que ficou em 19º lugar com 286,4 sacas por hectare; e Maurício De Bortoli, de Cruz Alta, com 284,1 sacas por hectare e o DKB242PRO4.

    Minas Gerais concentra resultados de destaque

    Na categoria centro irrigado, Minas Gerais teve o pódio completo formado por produtores que utilizaram o híbrido AS1955PRO4, da Agroeste. O primeiro lugar ficou com a Fazenda Nacional AgroFarm, de São Gonçalo do Sapucaí, que alcançou 289,6 sacas por hectare.

    Olindo César Corso, de Bambuí, registrou 287,6 sacas por hectare e terminou na segunda posição. Alexandre Avelar, de Três Corações, completou o pódio, com produtividade de 280,9 sacas por hectare.

    O desempenho também apareceu na categoria centro sequeiro. Em Goiás, Francisco Godoy Netto, de Catalão, conquistou o título estadual com o AS1868PRO4, ao atingir 251,2 sacas por hectare. Paulo Roberto Shwengber, de Leopoldo de Bulhões, ficou com o vice-campeonato estadual, com 247,3 sacas por hectare e o AG8701PRO4. Eldo Marconi Pereira, de Gameleira de Goiás, completou o pódio com o AG8909PRO4 e 240,9 sacas por hectare.

    Em Minas Gerais, cinco híbridos da companhia apareceram entre as dez primeiras posições do ranking da categoria. Diego Vettori, de Campanha, ficou em segundo lugar, com 299,1 sacas por hectare e o AS1955PRO4. Marcus Veiga, de São João del-Rei, foi o terceiro colocado, com 282,7 sacas por hectare e o mesmo híbrido.

    Carlos Fábio Nogueira Rivelli, também de São João del-Rei, ficou em quarto lugar com o DKB242PRO4, ao alcançar 281,8 sacas por hectare. O produtor ainda apareceu na nona posição com o AS1955PRO4, com 267,1 sacas por hectare. Vander de Sousa Andrade, de Luminárias, foi o sexto colocado, com 278,8 sacas por hectare utilizando o AS1955PRO4.

    Nove lançamentos ampliam opções para produtores

    Os resultados apresentados no Getap ocorrem em um momento de expansão do portfólio de sementes de milho da Bayer. Em 2026, a companhia destacou nove lançamentos de híbridos, volume três vezes maior que o registrado em anos anteriores.

    A estratégia busca ampliar as alternativas disponíveis aos agricultores de acordo com características como região, janela de plantio, ambiente produtivo e sistema de cultivo. Segundo a empresa, entre os materiais de destaque no concurso estão híbridos com a biotecnologia VTPRO4®, voltada à proteção contra as principais pragas da cultura do milho.

    “Os desempenhos alcançados pelos produtores no Getap evidenciam o potencial da combinação entre genética, biotecnologia e manejo adaptado à realidade de cada região. Nosso compromisso é oferecer aos agricultores um portfólio amplo e diversificado, desenvolvido para responder às demandas do campo em diferentes ambientes de produção do País”, afirma Diogo Monteiro, diretor de estratégia para o negócio de milho.

    Além das sementes, a Bayer também registrou presença entre as soluções de proteção de cultivos utilizadas pelos participantes do concurso. Em herbicidas, Roundup® e Soberan® aparecem entre os produtos mais utilizados, enquanto o pré-emergente Adengo® foi apresentado como alternativa para o manejo de plantas daninhas.

    No segmento de fungicidas, Nativo® e Fox Xpro® também ficaram entre os principais produtos utilizados pelos agricultores participantes do Getap.

    Tecnologia apoia escolha de híbridos

    A empresa relaciona os resultados alcançados no concurso aos investimentos em pesquisa e desenvolvimento, melhoramento genético e tecnologias voltadas ao suporte à tomada de decisão no campo.

    Entre essas iniciativas está o Bayer VAlora Milho, programa de agricultura digital que reúne mais de 1.900 produtores participantes no Brasil. Segundo a companhia, a iniciativa é resultado de mais de dez anos de pesquisa e contribui para orientar a escolha de híbridos e estratégias de manejo conforme as características de cada região.

    Para Diogo Monteiro, os resultados obtidos em áreas de sequeiro e irrigadas reforçam a necessidade de selecionar materiais adequados às condições de cada propriedade.

    “Do sequeiro ao irrigado, os resultados obtidos no Getap reforçam a importância de o agricultor contar com híbridos adequados a cada ambiente produtivo. É com essa visão que seguimos investindo para apoiar os produtores na busca por produtividade e rentabilidade”, conclui.

     

  • Urucum: como o Brasil lidera a produção mundial

    Urucum: como o Brasil lidera a produção mundial

    Urucum! Esse nome é conhecido pela maioria dos brasileiros por causa do colorau, ingrediente na cozinha, ou pelas brincadeiras de criança. Mas o papel dessa planta vai muito além do tempero caseiro ou das boas memórias. Da semente é extraída a bixina, pigmento natural usado pela indústria para colorir queijos, embutidos, doces, bebidas e sorvetes, além de aplicações em cosméticos.

    Brasil lidera a produção mundial

    O país é o maior produtor global de urucum, respondendo por cerca de 57% da produção mundial. Segundo dados do Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL), com base em levantamento do IBGE referente a 2020, o Brasil colheu aproximadamente 13,6 mil toneladas de sementes naquele ano.

    Em território nacional, São Paulo concentra a principal região produtora, com destaque para a Nova Alta Paulista, onde a cultura tem papel relevante na economia agrícola local.

    Safra, preço e manejo

    A safra principal do urucum ocorre entre junho e agosto. Segundo levantamento mais recente disponível junto a produtores, o valor pago pela saca gira em torno de R$ 12,50 a R$ 13,00 por quilo de sementes.

    O urucum é rico em antioxidantes, além de possuir propriedades anti-inflamatórias e protetoras contra raios solares

    Pontos de manejo relevantes:

    Algumas variedades, como o urucum-anão, podem gerar uma segunda safra entre dezembro e março, dependendo da época de plantio e do manejo adotado.

    Por ser uma cultura perene, o estabelecimento da lavoura exige planejamento de médio prazo.

    A recomendação técnica é plantar as mudas entre a primavera e o verão, aproveitando o período de chuvas para o desenvolvimento inicial das plantas.

    Embora seja uma espécie nativa da Amazônia, o urucum se adaptou bem às condições de cultivo em diferentes regiões do país, especialmente em São Paulo.

    Pesquisa busca variedades mais produtivas

    O avanço da cultura no Brasil tem apoio direto de pesquisa científica. Desde a década de 1980, o Instituto Agronômico (IAC-APTA) trabalha no melhoramento genético do urucum, buscando plantas com maior produtividade e teor de bixina nas sementes.

    Segundo a pesquisadora Eliane Fabri, do IAC, o desafio central da pesquisa é reunir essas características em uma única variedade:

    “A maior demanda dos produtores é obter plantas que combinem porte baixo, alta produtividade e elevado teor de bixina. Esse continua sendo o principal foco do nosso trabalho.”

    Além do melhoramento genético, o instituto também estuda manejo, espaçamento entre plantas e adaptação da cultura a diferentes regiões produtoras.

    Maior banco genético de urucum do mundo

    O IAC mantém o maior banco de germoplasma de urucum do planeta, com 378 genótipos catalogados. Esse acervo é a base para o desenvolvimento de novas cultivares mais produtivas e resistentes, sustentando a liderança brasileira na produção da cultura nos próximos anos.

  • El Niño pode gerar superoferta de grãos na América Latina

    El Niño pode gerar superoferta de grãos na América Latina

    O El Niño pode favorecer a produção agrícola brasileira nos próximos meses, mas seus efeitos positivos sobre as lavouras não devem representar, necessariamente, maior rentabilidade para o produtor rural. A expectativa é de aumento na oferta de grãos e café, cenário que tende a pressionar os preços das commodities e elevar os custos de armazenagem.

    A análise faz parte de um estudo divulgado pela Allianz Trade, que avaliou os impactos do fenômeno climático sobre a agricultura da América Latina, com destaque para Brasil e Argentina. Segundo a empresa, episódios anteriores mostram que o fenômeno costuma criar condições favoráveis para importantes culturas agrícolas, principalmente nas regiões produtoras do Sul do continente.

    Produção pode crescer, mas preços tendem a cair

    Os dados reunidos pela Allianz Trade indicam que, durante eventos anteriores de El Niño, a produção de soja no Brasil chegou a ficar até 4% acima da tendência observada nos cinco anos anteriores. No caso do café arábica, o avanço foi de até 5% em relação à média histórica.

    Embora o aumento da produtividade seja visto como um fator positivo para o agronegócio, ele também pode gerar um efeito contrário sobre a renda dos produtores. Com mais produtos disponíveis no mercado, a tendência é que os preços internacionais das commodities agrícolas recuem, reduzindo as margens de lucro ao longo da comercialização da safra.

    Além disso, uma colheita mais volumosa exige maior capacidade de armazenagem. O estudo destaca que esse cenário pode elevar significativamente os custos logísticos para produtores e tradings, especialmente em períodos de maior concentração da oferta.

    Impactos variam conforme a região do Brasil

    Os efeitos do El Niño não devem ocorrer de forma uniforme em todo o país. De acordo com a Allianz Trade, as regiões Sul e parte do Centro-Sul tendem a registrar aumento das chuvas, favorecendo o desenvolvimento de culturas como soja, milho e café.

    Já o Norte do Brasil e a região amazônica podem enfrentar condições mais secas. Esse cenário amplia os riscos para a produção de alimentos, dificulta a logística em algumas áreas e pode afetar até a geração de energia elétrica.

    Segundo o levantamento, essa assimetria coloca Brasil, Colômbia e Peru entre os países latino-americanos mais vulneráveis a impactos inflacionários provocados pelas alterações climáticas associadas ao fenômeno.

    Efeitos também podem alcançar o mercado internacional

    No cenário global, a expectativa é que o aumento da oferta de soja e milho produzido na América Latina contribua para aliviar parte das pressões sobre os preços mundiais dos alimentos.

    Ao mesmo tempo, outras regiões produtoras continuam enfrentando condições climáticas adversas. O estudo cita que países do Leste Asiático e da África Ocidental permanecem sob risco de seca, situação que pode comprometer culturas estratégicas, como cacau, óleo de palma e arroz.

    Exportadores podem sair fortalecidos

    A Allianz Trade avalia que exportadores agrícolas brasileiros poderão se beneficiar do maior volume de produção, fortalecendo suas operações e ampliando a capacidade de acesso ao crédito.

    Por outro lado, empresas ligadas ao processamento de alimentos e intermediários do mercado de commodities podem enfrentar um ambiente mais desafiador. A combinação entre excesso de oferta e queda nas cotações internacionais tende a aumentar a pressão sobre as margens financeiras do setor.

    Na avaliação da seguradora, o El Niño reforça que uma safra recorde nem sempre significa maior lucro para o agronegócio. Apesar do potencial de elevar a produtividade em diversas culturas, fatores como preços internacionais, custos de armazenagem e dinâmica do mercado continuarão sendo determinantes para o resultado financeiro dos produtores brasileiros.

  • Crise se agrava em Cuba e agricultores abandonam fazendas

    Crise se agrava em Cuba e agricultores abandonam fazendas

    A falta de combustível tem provocado dias difíceis em Cuba. Sem diesel para operar máquinas, irrigar lavouras e transportar alimentos, agricultores estão colocando fazendas à venda por preços reduzidos enquanto parte da produção apodrece antes mesmo de chegar ao mercado.

    Segundo reportagem do Financial Times, a interrupção de grande parte dos embarques de petróleo para a ilha agravou a escassez de energia. Em algumas regiões, os apagões chegam a durar até 22 horas por dia, comprometendo praticamente toda a cadeia agrícola.

    Agricultores tentam vender propriedades

    Sem condições de manter a produção, muitos produtores passaram a anunciar fazendas, equipamentos e outros bens rurais em redes sociais. Mesmo oferecendo descontos, a maioria encontra dificuldade para fechar negócio devido à crise econômica que afeta o país.

    A escassez de combustível também atinge propriedades voltadas ao turismo rural, que enfrentam dificuldades para manter as atividades.

    Produção agrícola é perdida por falta de transporte

    Os prejuízos vão além das fazendas. Sem caminhões abastecidos, alimentos deixam de ser transportados e parte das colheitas acaba sendo desperdiçada.

    Em fazendas estatais produtoras de manga, por exemplo, frutas têm apodrecido porque não conseguem sair do campo antes do período de maturação. A falta de logística compromete o abastecimento e aumenta as perdas na agricultura cubana.

    Um vendedor ambulante de flores empurra seu carrinho passando por um mural que retrata o líder revolucionário nascido na Argentina, Ernesto “Che” Guevara, lendo “Até a vitória, sempre.” em Havana, em 25 de fevereiro de 2026 • Foto: Yamil Lage/AFP

    Reformas econômicas tentam conter a crise

    Diante do cenário, o presidente Miguel Díaz-Canel anunciou mudanças no sistema de racionamento que existe desde 1962.

    Pelas novas regras, apenas aposentados, crianças com doenças crônicas e outros grupos considerados vulneráveis continuarão recebendo alimentos subsidiados. O restante da população deverá comprar produtos a preços de mercado ou depender de alimentos enviados por familiares que vivem no exterior.

    No entanto, até essas entregas enfrentam dificuldades, já que a distribuição entre Havana e outras regiões do país também sofre com a falta de diesel.

    Sanções aumentam a pressão sobre o agronegócio cubano

    A crise se intensificou após medidas adotadas pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reduzirem significativamente os embarques de combustível destinados à ilha.

    Sem petróleo suficiente para manter a geração de energia e o transporte funcionando, o setor agrícola enfrenta dificuldades para produzir, colher e distribuir alimentos.

    O governo cubano afirma que pretende acelerar reformas econômicas para reduzir os impactos da crise, mas agricultores seguem convivendo com perdas crescentes e um cenário de forte incerteza no campo.

  • El Niño pode encarecer alimentos; veja os mais ameaçados

    El Niño pode encarecer alimentos; veja os mais ameaçados

    O alerta começa no prato. Arroz, óleos vegetais, açúcar, milho, trigo e até o café podem entrar no radar de pressão nos preços caso o El Niño se confirme nos próximos meses.

    O Banco Mundial estima uma probabilidade de 61% a 87% de formação do fenômeno entre meados de 2026 e 2027, com risco direto para a produção agrícola em áreas sensíveis da Ásia, da África e de parte do Leste Asiático.

    O dado mais preocupante envolve o arroz. Segundo o Banco Mundial, a produção pode cair de 20% a 50% nas regiões mais afetadas pelo fenômeno. Isso acende um sinal amarelo para países dependentes do cereal e também para o mercado internacional de alimentos.

    Quais alimentos podem ficar mais caros

    O arroz aparece como o alimento mais vulnerável no alerta do Banco Mundial. A razão é simples: boa parte da produção mundial depende de regimes de chuva regulares, especialmente na Ásia. Quando o El Niño altera esse equilíbrio, algumas regiões enfrentam seca, enquanto outras sofrem com chuvas fora de hora.

    Foto: Seapa/MG

    Além do arroz, outros produtos também podem sentir os efeitos do fenômeno. Óleos vegetais, açúcar, milho, trigo e café entram no radar porque dependem de clima estável em fases decisivas da lavoura.

    Uma seca no momento errado, por exemplo, pode reduzir a produtividade. Chuva excessiva na colheita também pode comprometer qualidade e oferta.

    No caso do açúcar, o risco passa por países importantes na produção de cana. Já os óleos vegetais dependem fortemente da oferta de palma, soja e outras oleaginosas. Por isso, qualquer quebra relevante em países produtores pode mexer com os preços globais.

    Por que o Banco Mundial acendeu o alerta

    O El Niño não age sozinho. Esse é o ponto central do alerta.

    O Banco Mundial afirma que o risco climático aparece em um momento de custos ainda elevados para o produtor. Na atualização mais recente sobre segurança alimentar, a instituição informou que os preços dos fertilizantes subiram 35% em relação ao mesmo período do ano anterior. Mesmo com algum alívio nas últimas semanas, o mercado ainda não se estabilizou.

    Foto: Divulgação AGCO

    Na prática, isso significa que muitos agricultores entram na temporada com menos margem para reagir. Se o fertilizante fica caro, parte dos produtores reduz a aplicação. Quando isso se soma a seca, calor ou excesso de chuva, o impacto aparece mais tarde, na colheita.

    Além disso, conflitos geopolíticos, custos de energia e gargalos logísticos continuam pressionando o mercado global de alimentos. Por isso, uma nova rodada de El Niño pode atingir um sistema que já opera sob tensão.

    O que é o El Niño

    O El Niño ocorre quando as águas do Oceano Pacífico Equatorial ficam mais quentes que o normal. Essa mudança altera a circulação dos ventos e mexe com o regime de chuvas em várias partes do planeta.

    Em algumas regiões, o fenômeno aumenta o risco de seca. Em outras, provoca chuva excessiva. Para a agricultura, o problema está justamente nessa quebra de padrão.

    A lavoura precisa de água no momento certo. Também precisa de temperatura adequada durante florescimento, enchimento de grãos e colheita. Quando o clima foge do roteiro, o produtor perde previsibilidade.

    Como isso pode afetar o Brasil

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    O Brasil não aparece como o centro do alerta do Banco Mundial, mas não fica fora da conta.

    Em anos de El Niño, o país costuma registrar mudanças importantes no clima. O Sul tende a enfrentar mais chuva, enquanto partes do Norte e do Nordeste podem sofrer com calor e seca. No Centro-Oeste e no Sudeste, os efeitos variam conforme a intensidade do fenômeno e a época do ano.

    Para o agro brasileiro, isso pode afetar soja, milho, café, cana, arroz e pecuária. O impacto não é automático, mas o risco aumenta quando o fenômeno coincide com fases sensíveis da safra.

    No café, por exemplo, calor intenso e irregularidade nas chuvas podem prejudicar florada e formação dos grãos. No milho, a falta de água durante o desenvolvimento reduz produtividade. Já no arroz, excesso ou falta de chuva pode comprometer plantio, manejo e colheita.

    O bolso sente antes da estatística

    O consumidor normalmente percebe a crise climática quando ela chega ao supermercado.

    Primeiro, o produtor enfrenta perda de produtividade. Depois, a indústria paga mais pela matéria-prima. Em seguida, o varejo repassa parte desse aumento. Nem sempre o movimento é imediato, mas ele costuma aparecer quando a quebra de safra atinge produtos básicos ou cadeias muito dependentes de importação.

    Por enquanto, o mercado global ainda tem algum alívio em grãos como milho e trigo, favorecidos por boas safras em algumas regiões. Mesmo assim, o Banco Mundial afirma que os riscos seguem inclinados para novas pressões, principalmente se o El Niño se confirmar e afetar países produtores ao mesmo tempo.

    O alimento mais sensível é o arroz

    Entre todos os produtos citados, o arroz merece atenção especial.

    O cereal é base alimentar em países populosos da Ásia e da África. Também tem forte peso social, porque qualquer alta costuma atingir diretamente famílias de menor renda. Se a produção cair nas regiões mais expostas, governos podem restringir exportações para proteger o mercado interno.

    Quando isso acontece, o preço internacional sobe. Foi assim em outras crises recentes de alimentos. O país produtor tenta segurar oferta doméstica, mas o mercado global sente a redução do volume disponível.

    É por isso que o alerta do Banco Mundial sobre queda potencial de 20% a 50% na produção de arroz em áreas afetadas chama tanta atenção. Não se trata apenas de uma estatística agrícola. É um risco para a segurança alimentar.

    O que observar nos próximos meses

    Infográfico sobre efeitos no El nino nos proximos meses

    Os próximos meses serão decisivos para confirmar a intensidade do fenômeno e seus impactos sobre as safras.

    Se o El Niño ganhar força, o mercado deve acompanhar de perto a produção de arroz na Ásia, o comportamento das monções, a oferta de óleos vegetais, a safra de cana em países relevantes e o desenvolvimento de culturas como milho, trigo e café.

    No Brasil, o produtor também terá de olhar para o céu com mais cuidado. O país tem tecnologia, escala e experiência para lidar com variações climáticas. Ainda assim, quando o clima muda rápido demais, até sistemas bem preparados sentem o baque.

    O alerta do Banco Mundial não significa que todos esses alimentos vão subir ao mesmo tempo. Mas mostra que o risco aumentou. E, quando o clima mexe com arroz, grãos, açúcar e óleos vegetais, o impacto raramente fica restrito ao campo.

  • R$ 10 mil o quilo: Única produção comercial de wasabi da América Latina é brasileira

    R$ 10 mil o quilo: Única produção comercial de wasabi da América Latina é brasileira

    O verdadeiro wasabi, tradicionalmente consumido com sushis e sashimis, ainda é um ingrediente raro fora do Japão. No entanto, uma propriedade rural localizada em Pilar do Sul (SP) concentra a única produção em escala comercial da planta em toda a América Latina. O produto abastece restaurantes de alta gastronomia e pode alcançar até R$ 10 mil por quilo.

    Na maior parte dos restaurantes brasileiros especializados em culinária japonesa, o chamado “wasabi” servido aos clientes não corresponde ao ingrediente original. Em vez disso, a pasta verde é produzida com raiz-forte, mostarda, corantes e outros componentes que reproduzem parte da aparência e da ardência do produto verdadeiro.

    Já o wasabi original é obtido do rizoma da planta Wasabia japonica, espécie conhecida pelo cultivo complexo e pela elevada sensibilidade às condições ambientais, fatores que tornam sua produção bastante limitada.

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    Únicos produtores na America Latina

    O agrônomo Vinícius Shizuo Abuno, neto de japoneses, iniciou o cultivo da planta ao lado do pai há 11 anos. Desde então, o projeto evoluiu de uma experiência motivada pela curiosidade para um empreendimento altamente rentável.

    Além disso, a produção apresentou crescimento significativo nos últimos anos. Em apenas quatro anos, o volume médio mensal mais que dobrou, passando de 7 quilos para aproximadamente 15 quilos de wasabi fresco.

    Foram necessários mais de 15 anos de pesquisa para recriar as condições ideais para o crescimento dos talos de wasabi — Foto: Divulgação/Minato Wasabi

    Grande parte dessa expansão ocorreu após um acordo firmado em 2022 entre a empresa Minato Wasabi e a gestora WBGI. A companhia recebeu um investimento de R$ 650 mil, recurso utilizado para quintuplicar a área de plantio. Dessa forma, a meta da empresa é elevar a produção para cerca de 60 quilos por mês.

    Com a operação, Vinícius Abuno passou a deter 58% da empresa, enquanto a WBGI ficou com 42% de participação. Além do investimento financeiro, a gestora assumiu funções estratégicas na administração do negócio, oferecendo suporte nas áreas jurídica, contábil, financeira, recursos humanos, inteligência de mercado e marketing.

    Segundo Abuno, os investimentos também permitiram importantes avanços tecnológicos no cultivo.

    “Nesse meio tempo, conseguimos desenvolver e investir em tecnologias para aumentar o ritmo e a quantidade, tornando a produção mais regular. Estufas apropriadas e climatização entraram na pauta, além de um espaço maior. O desafio era enfrentar o verão, já que a colheita ocorre no clima frio.”

    Nos primeiros anos de atividade, toda a produção era destinada exclusivamente ao chef Tsuyoshi Murakami, proprietário do restaurante Murakami, em São Paulo. No entanto, com o aperfeiçoamento das técnicas de cultivo e a ampliação da estrutura produtiva, a fazenda passou a atender outros estabelecimentos especializados.

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    Wasabi verdadeiro

    Apesar da fama do condimento na gastronomia japonesa, o verdadeiro wasabi ainda é desconhecido pela maioria dos brasileiros. Especialistas explicam que, ao contrário da pasta industrializada, o ingrediente apresenta sabor mais delicado, com notas herbáceas, florais e uma pungência equilibrada, características que valorizam os alimentos sem mascarar seus sabores.

    Por isso, o produto costuma ser encontrado principalmente em restaurantes do estilo omakase, modalidade em que o chef define o menu e prioriza ingredientes de altíssima qualidade. Além disso, o wasabi fresco deve ser ralado apenas no momento em que será servido, prática que preserva seu aroma, sabor e reforça sua posição como um ingrediente premium.

  • El Niño pode mudar produção global de café nos próximos anos

    El Niño pode mudar produção global de café nos próximos anos

    A confirmação de um novo episódio de El Niño para o segundo semestre de 2026 voltou a acender o alerta no mercado internacional de café.

    Embora os impactos variem de acordo com a intensidade do fenômeno e das condições climáticas de cada região produtora, especialistas avaliam que o clima poderá influenciar a oferta global da commodity entre 2026 e 2027.

    Segundo análise da Hedgepoint Global Markets, os efeitos do El Niño costumam ser diferentes entre os países produtores e dependem do estágio das lavouras quando o fenômeno ocorre.

    Brasil deve escapar dos impactos imediatos

    O Brasil, maior produtor e exportador mundial de café, não deve sofrer impactos diretos na safra 2026/27, segundo a projeção atual da consultoria.

    Mesmo assim, um período mais chuvoso durante o outono e o inverno pode provocar atrasos na colheita e aumentar a volatilidade dos preços no mercado.

    De acordo com Laleska Moda, analista de inteligência de mercado da Hedgepoint, o monitoramento climático continua sendo fundamental para os próximos meses.

    “Embora a produção da safra 2026/27 não deva ser afetada, o andamento da colheita e a fase de florada exigem atenção.”

    Próxima safra pode enfrentar desafios

    Os maiores riscos ainda estão ligados ao desenvolvimento da próxima temporada.

    Isso porque alterações nos padrões de chuva e temperatura podem influenciar etapas decisivas para a formação dos grãos e para o potencial produtivo das lavouras.

    O comportamento climático durante a florada será um dos fatores mais observados pelo mercado nos próximos meses.

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    América Central e Ásia estão entre as regiões mais vulneráveis

    Fora do Brasil, os efeitos do El Niño podem ser mais significativos.

    Segundo a Hedgepoint, importantes produtores da América Central e da Ásia apresentam maior risco de enfrentar problemas climáticos nas safras 2026/27 e 2027/28.

    A preocupação aumenta diante da possibilidade de um evento forte entre o final de 2026 e o início de 2027.

    Nessas regiões, mudanças no regime de chuvas e períodos prolongados de calor podem comprometer fases importantes do desenvolvimento das lavouras, reduzindo a produtividade e pressionando a oferta mundial de café.

    Caso o fenômeno ganhe força nos próximos meses, o mercado poderá reagir antecipadamente às expectativas de menor produção em algumas das principais regiões produtoras do mundo.

  • Abóbora da Copa: conheça a variedade bicolor criada pela Embrapa

    Abóbora da Copa: conheça a variedade bicolor criada pela Embrapa

    Com aparência marcante e cores que lembram a bandeira brasileira, a BRS Brasileirinha se destaca entre as variedades de abóbora. Criada pela Embrapa em 2006, ela surgiu com o objetivo de oferecer ao mercado um produto inovador.

    A história da variedade começou ainda na década de 1990, quando pesquisadores identificaram um fruto incomum em uma plantação de abóboras verdes no Distrito Federal. Ao observarem uma abóbora com coloração bicolor, os especialistas coletaram sementes e iniciaram uma série de estudos para entender a origem da característica.

    Por que isso acontece?

    As análises revelaram que o diferencial é resultado de uma mutação genética espontânea. As tonalidades vibrantes estão associadas à composição nutricional do fruto, que apresenta teores de betacaroteno e luteína.

    A partir dessa descoberta, os pesquisadores realizaram cruzamentos, seleção de plantas e diversas avaliações de campo. Dessa forma, conseguiram preservar a característica bicolor dos frutos e, ao mesmo tempo, aprimorar aspectos como intensidade das cores, formato e resistência a doenças.

    Caracterizada por sua casca lisa e brilhante, a BRS Brasileirinha pode ser consumida como conserva, abobrinha verde ou abóbora seca — Foto: Reprodução/Embrapa

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    Plantio e colheita

    Para alcançar bom desempenho produtivo, a Embrapa recomenda o cultivo com espaçamento de três metros entre as fileiras e 0,60 metro entre as plantas.

    Já a colheita começa entre 60 e 70 dias após o plantio, período em que os frutos atingem comprimento entre 12 e 18 centímetros, considerado ideal para a comercialização e consumo.

    O potencial produtivo da cultivar varia conforme o estágio de desenvolvimento dos frutos no momento da colheita. Quando destinados ao consumo verde, a produção pode alcançar até 10 frutos por planta.

    Além disso, a Embrapa ressalta que a presença de abelhas polinizadoras é fundamental para garantir melhor pegamento das flores e elevar a produtividade das lavouras.