Tag: Preço do café

  • Safra recorde não acalma mercado do café no Brasil

    Safra recorde não acalma mercado do café no Brasil

    Mesmo diante da expectativa de uma safra robusta em 2026, o mercado brasileiro de café ainda opera sob tensão. A combinação entre colheita lenta, clima irregular e estoques apertados mantém produtores, exportadores e consumidores em estado de alerta.

    Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP) mostram que o ritmo da colheita segue abaixo do esperado em importantes regiões produtoras. Ao mesmo tempo, frentes frias recentes e a maturação desigual dos grãos aumentaram a cautela no campo.

    O cenário criou um paradoxo raro no setor: mesmo com projeções otimistas para a nova safra, os preços continuam sustentados e o sentimento no mercado permanece defensivo.

    Clima muda ritmo da colheita

    Nas lavouras, produtores relatam que o café amadureceu de forma irregular em parte do cinturão cafeeiro. Em algumas áreas, o excesso de umidade retardou a entrada das máquinas. Em outras, o frio trouxe receio sobre o desenvolvimento final da safra.

    Além disso, o setor ainda carrega os efeitos da oferta reduzida observada nos últimos ciclos. Por isso, tradings e compradores seguem cautelosos na formação de estoques.

    Segundo análises do Cepea, a colheita da safra 2026/27 avança em ritmo moderado, apesar das chuvas terem ajudado parte das lavouras.

    Enquanto isso, no mercado internacional, investidores acompanham qualquer mudança climática no Brasil com atenção redobrada. Afinal, o país responde por cerca de um terço da produção global de café.

    Café caro ainda preocupa consumidor

    Do lado do consumidor, o impacto continua perceptível nas prateleiras. Mesmo com oscilações recentes, o preço do café segue distante dos patamares considerados normais antes das crises climáticas dos últimos anos.

    E aí entra um fator psicológico importante: o mercado ainda não acredita totalmente em uma recomposição rápida da oferta.

    Quando existe incerteza climática no maior produtor do mundo, o reflexo aparece quase imediatamente nos contratos futuros, no custo da indústria e, consequentemente, no bolso do brasileiro.

    Mercado entra em modo defensivo

    Nos bastidores do agro, o clima é de cautela.

    Produtores monitoram custos, seguram parte das vendas e acompanham diariamente os mapas meteorológicos. Muitos ainda evitam apostas agressivas enquanto não houver uma confirmação mais clara sobre o tamanho real da safra.

    Além disso, exportadores observam com atenção a demanda internacional, especialmente da Europa e da Ásia, que continuam pressionando por embarques rápidos.

    Com isso, o café brasileiro vive hoje uma espécie de equilíbrio instável: há perspectiva de produção elevada, mas ainda existe medo suficiente para impedir uma queda mais forte das cotações.

    E, no mercado agrícola, basta um susto climático para o humor mudar de novo.

  • Café em queda: preços caem com expectativa de safra recorde

    Café em queda: preços caem com expectativa de safra recorde

    O mercado global de café registrou quedas significativas nesta segunda-feira, com o café arábica recuando 2,31% e o robusta caindo 1,79%, em um movimento que reflete as expectativas de uma oferta mais abundante para os próximos meses.

    Os contratos futuros de café arábica para março fecharam com baixa de 8,65 centavos, enquanto o robusta para janeiro recuou 77 pontos. O arábica atingiu a mínima de duas semanas, e o robusta alcançou o menor patamar em dois meses e meio.

    Brasil projeta safra 56% maior em 2025

    A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revisou para cima sua estimativa de produção brasileira de café em 2025, elevando a projeção em 2,4% para 56,54 milhões de sacas, ante os 55,20 milhões previstos anteriormente em setembro.

    As perspectivas ficam ainda mais promissoras para o ciclo 2026/27. A consultoria StoneX prevê uma safra brasileira de 70,7 milhões de sacas, com 47,2 milhões apenas de arábica – representando um crescimento de 29% em relação ao ano anterior.

    Vietnã aumenta exportações em 39%

    O maior produtor mundial de café robusta também contribui para a pressão baixista sobre os preços. O Escritório Nacional de Estatísticas do Vietnã reportou que as exportações de novembro subiram 39% na comparação anual, alcançando 88 mil toneladas. No acumulado de janeiro a novembro, o crescimento foi de 14,8%, totalizando 1,398 milhão de toneladas.

    A produção vietnamita para 2025/26 deve crescer 6% em relação ao ano anterior, chegando a 1,76 milhão de toneladas (aproximadamente 29,4 milhões de sacas) – o maior volume em quatro anos. A Associação de Café e Cacau do Vietnã (Vicofa) estima que a safra pode ser até 10% superior, caso o clima permaneça favorável.

    Adiamento da lei europeia mantém oferta elevada

    O Parlamento Europeu aprovou no final de novembro o adiamento de um ano da regulamentação sobre desmatamento (EUDR), decisão que mantém altas as disponibilidades globais do produto. A medida permite que os países da União Europeia continuem importando commodities agrícolas, incluindo café, de regiões na África, Indonésia e América do Sul onde ainda ocorre desmatamento.

    Apesar do cenário predominantemente baixista, alguns elementos oferecem sustentação aos preços do café. A precipitação abaixo da média em Minas Gerais, principal região produtora de arábica no Brasil, preocupa o mercado. Segundo a Somar Meteorologia, a área recebeu apenas 11 mm de chuva na semana encerrada em 5 de dezembro, apenas 17% da média histórica.

    Os estoques certificados pela ICE também mostram redução. Os estoques de arábica caíram para uma mínima de 1 ano e 9 meses em novembro, recuperando-se parcialmente para 426.523 sacas. Já o robusta atingiu a menor marca em 11,5 meses.

    Impacto das tarifas americanas

    As tarifas impostas pelos Estados Unidos às importações de café brasileiro causaram impacto significativo no mercado. Entre agosto e outubro, as compras americanas de café brasileiro despencaram 52% em relação ao mesmo período do ano anterior, somando apenas 983.970 sacas. O Brasil responde por cerca de um terço do café não torrado consumido nos Estados Unidos.

    O Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA projeta que a produção mundial de café em 2025/26 aumentará 2,5%, atingindo o recorde de 178,68 milhões de sacas. A previsão indica queda de 1,7% na produção de arábica, mas crescimento de 7,9% no robusta.

    Por outro lado, a Organização Internacional do Café informou que as exportações globais no atual ano de comercialização caíram 0,3% em relação ao período anterior, totalizando 138,658 milhões de sacas – um indicativo de oferta mais restrita que pode equilibrar o mercado no médio prazo.

    Os estoques finais globais são estimados em alta de 4,9%, alcançando 22,819 milhões de sacas, ante 21,752 milhões em 2024/25.

  • Exportações de café brasileiro caem 20% em outubro

    Exportações de café brasileiro caem 20% em outubro

    Exportações brasileiras de café registraram queda significativa de 20% em outubro de 2025, totalizando 4,141 milhões de sacas de 60 kg, em comparação com as 5,176 milhões de sacas embarcadas no mesmo período de 2024. Os dados foram divulgados pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) em seu relatório estatístico mensal.

    Apesar da redução no volume exportado, a receita cambial cresceu 12,6%, alcançando US$ 1,654 bilhão no mês. O desempenho financeiro positivo reflete as cotações mais elevadas do café no mercado internacional, compensando parcialmente a queda nos embarques.

    Acumulado de 2025 mantém tendência de queda nos volumes

    No acumulado de janeiro a outubro de 2025, o Brasil exportou 33,279 milhões de sacas de café, volume 20,3% inferior aos 41,769 milhões registrados nos primeiros 10 meses de 2024. Em contrapartida, a receita cambial avançou 27,6%, saltando de US$ 9,968 bilhões para US$ 12,715 bilhões.

    Segundo Márcio Ferreira, presidente do Cecafé, diversos fatores explicam o desempenho: “O recuo das exportações era aguardado, principalmente por virmos de remessas recordes em 2024 e de uma safra com menor potencial produtivo”, afirmou.

    Tarifaço americano reduz embarques para os EUA em 51,5%

    A tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre cafés brasileiros tornou-se um dos principais obstáculos para o setor. Entre agosto e outubro de 2025, período de vigência do tarifaço, os norte-americanos importaram apenas 983.970 sacas, queda drástica de 51,5% em relação aos 2,030 milhões do mesmo período de 2024.

    “O Brasil sempre foi o produtor mais competitivo e é o principal provedor ao mercado de café dos EUA, mas a taxação de 50% torna inviável o envio do produto para lá”, explicou Ferreira. “Esses embarques que temos observado são de contratos antigos.”

    Risco de perda permanente de mercado

    O presidente do Cecafé alertou para um problema estratégico de longo prazo: a mudança no paladar do consumidor americano. “Já é possível observar cafés com blends sem o café brasileiro no mercado americano. Se as tarifas demorarem mais a cair, pode ser difícil o Brasil recuperar sua fatia tradicional no mercado cafeeiro dos EUA, que é de aproximadamente um terço”, analisou.

    Negociações para isenção tarifária em andamento

    O Cecafé tem intermediado conversas entre torrefadores americanos e a embaixada brasileira em Washington para transferir o café da seção 3 para a seção 2 da ordem executiva do presidente Donald Trump, possibilitando importação com tarifa zero.

    Ferreira revelou que a indústria cafeeira norte-americana recebeu sinais positivos da Casa Branca: “Nossos pares informaram que o governo Trump deseja isentar o café do tarifaço e que isso pode ser negociado de forma isolada, sem considerar outros produtos. A bola está com o governo brasileiro.”

    Infraestrutura portuária defasada agrava cenário

    Além do tarifaço, a infraestrutura defasada nos portos brasileiros continua impossibilitando o embarque de centenas de milhares de sacas, segundo o Cecafé. O Porto de Santos mantém a liderança, responsável por 79% das exportações (26,297 milhões de sacas). Ele é seguido pelo complexo portuário do Rio de Janeiro (17,4%) e Porto de Paranaguá (1%).

    Mesmo com a queda de 28,1%, os Estados Unidos permanecem como principal importador, com 4,711 milhões de sacas (14,2% do total). O ranking dos cinco maiores destinos no acumulado de 2025 inclui:

    • Estados Unidos: 4,711 milhões de sacas (-28,1%)
    • Alemanha: 4,339 milhões de sacas (-35,4%)
    • Itália: 2,684 milhões de sacas (-19,7%)
    • Japão: 2,182 milhões de sacas (+18,5%)
    • Bélgica: 1,912 milhão de sacas (-47,5%)

    Café arábica domina exportações

    O café arábica representa 79,9% das exportações brasileiras, com 26,602 milhões de sacas embarcadas entre janeiro e outubro, apesar da queda de 12,5% em relação a 2024. A espécie canéfora (conilon + robusta) responde por 10,6% do total, seguida pelo café solúvel (9,4%).

    Os cafés certificados, especiais e de qualidade superior totalizaram 6,580 milhões de sacas (19,8% das exportações). Gerando receita de US$ 2,803 bilhões a um preço médio de US$ 426,04 por saca. Esse segmento registrou crescimento de 44,1% na receita cambial em comparação com 2024.

  • Exportação de café para EUA cai 46% em agosto com tarifa de Trump

    Exportação de café para EUA cai 46% em agosto com tarifa de Trump

    As exportações de café do Brasil para os Estados Unidos sofreram uma queda abrupta de 46% em agosto de 2020. Impactadas diretamente pela tarifa de 25% imposta pelo governo de Donald Trump sobre o produto. Os dados, divulgados pelo Café (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), revelam uma significativa reconfiguração no fluxo comercial do grão.

    Enquanto as vendas para o maior consumidor mundial despencaram para 301 mil sacas de 60 kg (ante 562 mil em 2019), os países da América Latina emergiram como destinos em crescimento explosivo. As exportações para a Colômbia tiveram um aumento extraordinário de 578%, e para o México, a alta foi de 90%.

    A Alemanha manteve sua posição de liderança, se consolidando como o maior importador individual de café brasileiro no período, com a compra de 414.109 sacas, mesmo com uma ligeira contração no volume.

    Em nota, o presidente da Cecafe, Márcio Ferreira, atribuiu a turbulência diretamente às medidas tarifárias. “As tarifas perturbaram o mercado e abriram a porta para movimentos especulativos”, afirmou. Ferreira também descartou a possibilidade de o setor usar rotas de terceiros países, como México ou Colômbia, para burlar a tarifa e acessar o mercado americano, classificando a prática como de fácil detecção pelas autoridades dos EUA.

    Café solúvel e inflação em alerta

    O segmento de café solúvel foi um dos mais atingidos. De acordo com a ABICS (Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel), as exportações para os EUA desse produto caíram 59,9% em agosto.

    A escalada da tensão comercial preocupa entidades globais e nacionais. Tanto a Organização Internacional do Café (OIC) quanto a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) já alertaram que as tarifas podem elevar os preços globais da commodity. Para o Brasil, que é o segundo maior consumidor do mundo, o aumento dos custos internacionais pode se refletir na inflação doméstica. Como destacou Celirio Inácio, da ABIC (Associação Brasileira da Indústria de Café). “O café está ficando mais caro… e isso contribuirá diretamente para a inflação aqui no Brasil”, projetou.

  • Preço do café atinge patamares históricos e consumidor sente o impacto

    Preço do café atinge patamares históricos e consumidor sente o impacto

    Os amantes do café estão enfrentando mais do que apenas um choque de cafeína. Os preços do produto dispararam para níveis recordes, pressionando o bolso dos consumidores em todo o mundo, inclusive no Brasil. O principal motor dessa alta é uma crise de oferta causada por condições climáticas voláteis que devastaram as colheitas nos maiores produtores globais: Brasil e Vietnã.

    Foto: Agência Agro em Campo

    Dados do Bureau of Labor Statistics dos EUA mostram que o preço do café torrado moído atingiu o valor histórico de US$ 8,41 por libra em julho, um aumento de 33% em doze meses. Globalmente, os preços se mantêm próximos aos picos de 50 anos registrados no início do ano.

    A crise por trás da xícara

    O fenômeno denominado “chicotada de precipitação” – que alterna secas severas com fortes tempestades – é apontado por especialistas como o grande vilão. No Brasil, maior produtor mundial (40% do suprimento global), uma seca intensa no último verão devastou as plantações. Na sequência, o Vietnã, segundo maior produtor, enfrentou uma seca que reduziu sua produção em 20% neste ano e, depois, chuvas torrenciais que comprometeram ainda mais a qualidade e a quantidade dos grãos.

    “A seca estressa os pés de café e, em seguida, o excesso de água afeta a qualidade e a quantidade do grão”, explicou Mike Hoffmann, professor emérito da Cornell University, em entrevista.

    Além do clima, as empresas, como a Starbucks, optaram por reduzir seus estoques em vez de comprar grãos a preços elevados no mercado, o que diminuiu ainda mais a reserva disponível para absorver choques.

    Impacto no dia a dia e perspectivas futuras

    Para o consumidor final, o impacto varia conforme o local de consumo. Nos supermercados, os preços flutuam mais rapidamente com o custo da commodity, subindo com força e oferecendo promoções eventuais em momentos de queda. Já nas cafeterias, o impacto pode ser mais amortecido.

    A curto prazo, analistas como Danilo Gargiulo, da Bernstein, preveem uma certa estabilização dos preços. No entanto, o cenário de longo prazo é de alerta. O aumento da frequência de eventos climáticos extremos e o crescimento constante do consumo global indicam que a era do café barato pode ter chegado ao fim.

    “A mudança climática não vai desaparecer. A severidade das secas e inundações vai piorar. Isso não afeta apenas o café, mas todo o suprimento de alimentos”, alertou Hoffmann.

    Portanto, a conclusão dos especialistas é clara: os consumidores devem se acostumar com preços estruturalmente mais altos para sua próxima xícara.

  • Nova safra deve reduzir preço do café

    Nova safra deve reduzir preço do café

    A chegada da nova safra de café no Paraná tem resultado em uma queda significativa nos preços pagos aos produtores, refletindo uma tendência de redução dos valores ao consumidor final. Contudo, os preços atuais permanecem elevados se comparados ao mesmo período do ano passado.

    De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento, a safra paranaense deve alcançar 718 mil sacas (43,1 mil toneladas) produzidas em 25,4 mil hectares, equivalente a cerca de 1% da produção nacional. Até o momento, 68% da área plantada já foi colhida.

    O agrônomo Carlos Hugo Godinho destacou que o avanço na colheita levou a uma forte redução dos preços para os cafeicultores neste mês. A cotação média da saca foi estimada em aproximadamente R$ 1.500. Isso é cerca de 40% inferior ao valor de junho, quando os preços ultrapassavam os R$ 2.000.

    Apesar da queda, o preço médio do café ainda está significativamente acima dos R$ 16,10 registrados em julho do ano passado, refletindo fatores de mercado e custos produtivos elevados.

    Café solúvel desponta como alternativa diante dos altos preços do café tradicional

    Para o consumidor que busca alternativas diante do preço elevado do café tradicional, o café solúvel aparece como uma opção com custos reduzidos e ampla disponibilidade no Paraná. O estado abriga um dos maiores parques industriais do segmento e lidera as exportações brasileiras do produto.

    No primeiro semestre de 2025, o Paraná exportou 15.240 toneladas de café solúvel. Portanto, gerando receitas de US$ 199,6 milhões, o que equivale a 35% do total brasileiro exportado. Os Estados Unidos seguem como o principal mercado, respondendo por 15% dessas exportações.

    Porém, o setor enfrenta desafios externos, como a tarifa adicional de 50% imposta pelo governo Trump. Conforme alertou Godinho, representa uma ameaça significativa ao segmento. A medida pode impactar as fábricas locais e seus fornecedores, afetando não apenas o Paraná, mas também outras regiões produtoras.

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  • Café mais barato? Produção brasileira de robusta pode reduzir preços, diz relatório

    Café mais barato? Produção brasileira de robusta pode reduzir preços, diz relatório

    O café pode ficar mais barato nos próximos meses, segundo análise do Itaú BBA. O relatório Visão Agro aponta que o avanço da colheita e a maior oferta de café robusta devem reduzir os preços para o consumidor.

    O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) estima que o Brasil produzirá 40,9 milhões de sacas de arábica e 24 milhões de robusta na safra 2025/26. Enquanto a produção de arábica cai 6,4%, a de robusta avança 14,8%.

    Depois de altas significativas nos últimos anos, a indústria começa a ver um cenário mais favorável. A recuperação da safra de robusta permite maior uso desse grão nos blends, o que pode baratear custos.

    A disputa por matéria-prima entre exportadores, torrefadoras e indústrias de solúvel deve diminuir. No entanto, o Itaú BBA alerta que novas regras europeias contra o desmatamento (EUDR) podem antecipar compras e manter pressão sobre os preços.

    Demanda ainda em recuperação

    A alta dos preços nos últimos anos fez muitos consumidores migrarem para cafés mais baratos. Mesmo com a recente queda, esse comportamento deve persistir. Além disso, a volatilidade do câmbio ainda preocupa, já que uma desvalorização do real pode anular parte do recuo internacional.

    Os EUA anunciaram novas tarifas sobre o café brasileiro, mas substituir o Brasil no fornecimento não será fácil. O país lidera a produção global de arábica, com 42% do mercado. Outros fornecedores, como Colômbia e Etiópia, não têm capacidade para atender toda a demanda americana.

    Qualquer mudança na origem do café para os EUA seria inflacionária, reduzindo o consumo.Os EUA são o maior consumidor mundial, com 25 milhões de sacas por ano – a maioria de arábica.

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  • Preço do café pode cair no Brasil, mas não por causa da tarifa dos EUA

    Preço do café pode cair no Brasil, mas não por causa da tarifa dos EUA

    O governo dos Estados Unidos anunciou tarifas sobre produtos brasileiros, o que pode fazer com que o mercado interno absorva parte da produção. E um dos produtos mais afetados por isso deve ser o café, visto que o Brasil é o maior produtor e aos Estados Unidos, o principal comprador.

    Com mais produto no mercado interno, já tem gente festejando que o preço do cafezinho vai cair. Mas o preço do café no Brasil deve cair por outros motivos. A indústria nacional prevê queda nos valores a partir de outubro e novembro, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic).

    Pavel Cardoso, presidente da Abic, explica que a safra do próximo ano será recorde. Essa produção maior vai recompor os estoques globais, que enfrentam escassez após quatro anos consecutivos de oferta abaixo da demanda. “A queda nos preços não tem relação direta com as tarifas americanas”, afirma.

    O café atingiu níveis históricos de inflação no Brasil, impulsionado por fatores climáticos que reduziram a produção mundial. Além disso, a especulação financeira em contratos futuros também elevou os valores.

    Maior produtor

    O Brasil é o maior produtor mundial de café e exporta cerca de 65% da produção. Os Estados Unidos representam 16% das exportações brasileiras. “Não há produção significativa de café nos EUA”, destaca Cardoso. A Europa, em bloco, é o maior mercado, comprando cerca de 53% do café brasileiro.

    No curto prazo, a lógica do mercado indica que, se os compradores estrangeiros diminuírem as compras, os produtores podem redirecionar o estoque para o mercado interno. Com mais de 211 milhões de habitantes, taxa de desemprego em 6,2% e inflação de 5,35% nos últimos 12 meses, o Brasil oferece potencial para absorver esse excedente. Isso poderia pressionar os preços para baixo.

    Porém, cada setor da economia tem suas próprias dinâmicas. No caso do café, a queda de preço está mais ligada à oferta recorde do que à tarifa americana.

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  • Conab: produção de café em 2025 cresce 2,7%

    Conab: produção de café em 2025 cresce 2,7%

    A produção de café no Brasil deve crescer 2,7% em 2025, alcançando 55,7 milhões de sacas, segundo o 2º Levantamento da Safra de Café divulgado nesta terça-feira (6) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O resultado, mesmo em um ano de bienalidade negativa (período natural de menor produtividade), supera em 1,1% o recorde anterior para ciclos de baixa, registrado em 2023.

    A área total destinada ao café no país deve aumentar 0,8%, chegando a 2,25 milhões de hectares. No entanto, a área em produção recua 1,4%, ficando em 1,86 milhão de hectares, enquanto a área em formação avança 12,3% – movimento típico em anos de bienalidade negativa.

    Café conilon bate recorde com alta de 28,3%

    O café conilon impulsiona os resultados, com uma recuperação de 28,3% na produtividade, atingindo 18,7 milhões de sacas – novo recorde na série histórica da Conab. O desempenho se deve a:

    • Condições climáticas favoráveis durante fases críticas do cultivo;
    • Boa quantidade de frutos por roseta;
    • Chuvas regulares no Espírito Santo, maior produtor nacional, que deve colher 13,1 milhões de sacas.

    A Bahia também apresenta recuperação (+28,2%), com 2,5 milhões de sacas, retomando a posição de segundo maior produtor de conilon, à frente de Rondônia (2,28 milhões de sacas).

    Queda no café arábica reflete bienalidade negativa

    Já o café arábica, mais afetado pela bienalidade, deve ter uma queda de 6,6%, com produção estimada em 37 milhões de sacas. Em Minas Gerais, maior produtor, a colheita deve ser de 25,65 milhões de sacas, impactada por:

    • Longo período seco entre abril e setembro de 2024;
    • Redução do vigor vegetativo das lavouras.

    Em São Paulo, a produtividade cai 3,8%, mas o aumento de 5,3% na área cultivada compensa as perdas, elevando a produção em 1,3% (5,5 milhões de sacas).

    Exportações caem em volume, mas faturamento aumenta

    Após o recorde de exportações em 2024 (50,5 milhões de sacas), o primeiro trimestre de 2025 registrou:

    • Queda de 1% no volume (11,7 milhões de sacas);
    • Alta de 68,9% no valor (US$ 4,1 bilhões), impulsionada pelos preços elevados do café no mercado internacional.

    O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) projeta aumento na produção global, mas os estoques baixos devem manter as cotações em patamares elevados em 2025.

    A safra brasileira de café em 2025 consolida a resiliência do setor, com o conilon atingindo marcas históricas, enquanto o arábica segue o ciclo esperado de bienalidade negativa. Além disso, o mercado externo, mesmo com menor volume, mantém rentabilidade elevada, reforçando a importância do café na balança comercial do país.

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  • Café solúvel é opção em época de alta dos preços

    Café solúvel é opção em época de alta dos preços

    Com a disparada nos preços do café devido a problemas climáticos que afetaram as safras nos principais produtores, como Brasil, Vietnã e Indonésia, os consumidores estão buscando alternativas para manter o hábito de consumir café sem comprometer o orçamento. Nesse cenário, o café solúvel emerge como uma opção econômica e prática.

    Segundo o diretor de Relações Institucionais da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), Aguinaldo Lima, o café solúvel oferece um custo por xícara significativamente menor do que o tradicional. Isso além de eliminar gastos com filtros e outros utensílios. Em comparação com o tradicional torrado e moído, o solúvel é de 33% a 40% mais barato, com um valor por dose variando entre R$ 0,18 e R$ 0,29. Enquanto o tradicional custa entre R$ 0,30 e R$ 0,43 por dose.

    Para garantir uma experiência satisfatória com o café solúvel, é importante optar por marcas reconhecidas e com selos de qualidade. Além disso, armazenar o produto em local fresco e seco, em recipiente hermético, ajuda a preservar o sabor e o aroma. Embora o solúvel tenha uma menor concentração de cafeína, ele não compromete a qualidade. E permite que os consumidores continuem a desfrutar seu cafezinho diário sem sacrificar o orçamento.

    Lançamento do Site “Descubra Café Solúvel”

    A Abics lançou o site “Descubra Café Solúvel” para auxiliar consumidores a explorar o universo do café solúvel. A plataforma oferece informações abrangentes sobre perfis sensoriais, categorias de qualidade e formas de preparo. Portanto, desmistificando características do produto e mostrando sua versatilidade em diversas aplicações. O lançamento ocorre em um momento significativo para o mercado nacional de solúvel, que bateu recordes em exportações e consumo interno em 2024.

    Os preços do café continuam em alta devido à escassez causada por condições climáticas adversas e alta demanda. No Brasil, a produção de café em 2025 deve ser menor, o que mantém os preços elevados no mercado internacional. Nesse cenário, o solúvel se destaca como uma alternativa acessível e prática para os consumidores.

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