Tag: pinhão

  • Seminário discute crise na produção de pinhão e soluções

    Seminário discute crise na produção de pinhão e soluções

    O município de Cunha (SP) recebe, na quinta-feira (30), o Seminário sobre a produção do pinhão em São Paulo – Desafios e oportunidades, evento que reúne produtores, pesquisadores, extensionistas e gestores públicos para discutir o futuro da cadeia produtiva do pinhão e a conservação da araucária no estado.

    Organizado pela CATI (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral) e parceiros, o encontro apresenta resultados inéditos de uma pesquisa sobre a produção local e propõe estratégias para fortalecer a sociobiodiversidade, ampliar políticas públicas e impulsionar o desenvolvimento rural sustentável.

    Pesquisa aponta desafios da cadeia do pinhão em SP

    Durante o seminário, a engenheira agrônoma Priscilla Menezes de Souza, da Casa da Agricultura de Cunha, apresenta o estudo sobre os principais gargalos da atividade no município — responsável pela maior produção de pinhão do estado, com cerca de 350 toneladas anuais.

    Segundo a pesquisadora, os desafios incluem:

    • Falta de planejamento no plantio e manejo da araucária
    • Envelhecimento das famílias coletoras
    • Redução da sucessão rural
    • Dificuldades de comercialização
    • Necessidade de políticas públicas integradas

    O estudo também reforça a urgência de ações para conservar a Araucaria angustifolia, espécie símbolo da Mata Atlântica e ameaçada de extinção.

    Araucária tem papel econômico e cultural em Cunha

    Em Cunha, a araucária vai além do valor ambiental. A espécie sustenta práticas tradicionais de coleta, fortalece a identidade cultural local e contribui para a segurança alimentar e a geração de renda.

    Imagem: Divulgação

    O seminário busca integrar conhecimento científico, extensão rural e saberes tradicionais, promovendo diálogo entre universidades, agricultores e instituições públicas.

    Projeto Pinhão SP impulsiona cadeia produtiva

    O evento integra as ações do Projeto Pinhão SP, iniciativa da CATI vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA). O projeto incentiva a produção sustentável, valoriza comunidades tradicionais e fomenta políticas públicas voltadas à conservação da araucária.

    De acordo com o engenheiro agrônomo César Frizo, o pinhão surge como alternativa econômica viável para áreas de relevo acidentado e clima frio, comuns na Serra da Bocaina. A proposta também reduz a pressão sobre remanescentes nativos.

    Assistência técnica fortalece produção sustentável

    A Casa da Agricultura de Cunha atua diretamente com produtores e famílias coletoras, oferecendo assistência técnica, articulação institucional e apoio à conservação ambiental.

    Segundo Osmar Felipe, da CATI Regional Guaratinguetá, a integração entre produtores, universidades e instituições tem ampliado o diálogo entre ciência e tradição, fortalecendo a governança territorial e gerando oportunidades no campo.

    O seminário pretende estruturar uma rede colaborativa em torno da cadeia do pinhão paulista. As propostas discutidas serão consolidadas em um fórum até o fim do ano, com diretrizes técnicas e organizacionais para fortalecer a atividade e conservar a araucária.

    Serviço

    Evento: Seminário sobre a produção do pinhão em São Paulo – Desafios e oportunidades

    • Data: 30 de julho de 2026
    • Horário: 9h às 18h
    • Local: Auditório da Câmara Municipal de Cunha
    • Endereço: Rua Dom Lino, 73, Centro, Cunha (SP)
    • Informações: (12) 99676-4130 (WhatsApp)

     

  • Mês junino: Pinhão abre novas oportunidades de renda no Paraná

    Mês junino: Pinhão abre novas oportunidades de renda no Paraná

    Tradicional nas festas juninas, o pinhão, semente da araucária, vem conquistando espaço na gastronomia. No Paraná, maior produtor nacional, a cadeia produtiva da semente tem sido fortalecida por iniciativas que impulsionam o turismo rural.

    A safra do pinhão ocorre entre os meses de maio e julho. Nesse período, municípios paranaenses promovem atividades que aproximam visitantes da cultura regional. Trilhas em áreas de araucária, colheitas guiadas, oficinas culinárias e festivais gastronômicos fazem parte das atrações oferecidas em diferentes localidades do estado.

    Sapecada

    Nos municípios de Pinhão, Inácio Martins e Turvo, considerados os maiores produtores paranaenses, os turistas também podem participar da tradicional sapecada, prática transmitida entre gerações.

    Segundo José Augusto Zanchetta, fundador e integrante da diretoria da Associação dos Produtores Rurais, Artesãos e Empreendedores de Turismo da Campina do Taquaral e Região (Acamp), a técnica consiste em assar o pinhão utilizando fogo produzido com galhos secos da própria araucária.

    “O ritual consiste no preparo do pinhão no fogo feito a partir dos galhos secos do próprio pinheiro”. Assim, a semente ganha casca tostada, interior macio e um sabor característico.

    A tradicional sapecada de pinhão é preparada em uma fogueira contínua de aproximadamente dois quilômetros de extensão — Foto: Divulgação/Gralha Azul

    Na mesa do povo

    Além da forma tradicional de consumo, o pinhão tem ampliado sua presença na gastronomia regional. Atualmente, chefs e cozinheiros utilizam o ingrediente em receitas como lasanhas, carneiro, costela, bolinho de rabada, sopas, bolachas e sorvetes. Em preparações com carnes, a semente pode ser adicionada cozida, inteira ou em lascas, principalmente em pratos com molhos, ensopados e recheios.

    Para a nutricionista e chef de cozinha Fátima Negre, de Curitiba, o pinhão reúne atributos que vão além da alimentação.

    “O pinhão não é apenas um ingrediente, ele representa cultura, sustentabilidade, inovação gastronômica e desenvolvimento regional”, afirma.

    Chef de cozinha Fátima Negre destaca ainda o potencial de uso do pinhão como alimento sem glúten — Foto: Divulgação

    A especialista destaca ainda que o alimento possui características valorizadas pelo mercado consumidor. “Pode ser utilizado em preparações doces e salgadas, de receitas tradicionais a pratos sofisticados”, ressalta.

    Segundo Negre, existe atualmente um movimento crescente de valorização dos ingredientes regionais brasileiros, e o pinhão se destaca.

    Embrapa Florestas

    Enquanto isso, a Embrapa Florestas, sediada em Colombo (PR), avança em um projeto voltado ao fortalecimento da cadeia produtiva da semente. A iniciativa prevê a instalação de uma agroindústria de processamento de pinhão na região da Terra dos Pinheirais, que reúne 11 municípios do centro-sul do Paraná.

    A unidade está em construção em Inácio Martins, segundo maior produtor estadual. Em 2024, o município registrou uma colheita de 750 toneladas. Já a cidade de Pinhão liderou a produção paranaense com 880 toneladas.


    Em todo o estado, a cultura movimentou R$ 25,7 milhões em 2024, com uma produção aproximada de 4 mil toneladas — Foto: Embrapa

    O projeto da Embrapa também contempla treinamentos voltados ao processamento da semente e à produção de mudas enxertadas de araucária. Inicialmente, a agroindústria fabricará farinha de pinhão, mas o plano prevê a expansão para produtos como snacks, salgadinhos, pães e pré-misturas para panificação.

    Agroindústria

    No campo, os produtores acompanham com expectativa a implantação da agroindústria. O coletor Rui Sérgio Czanovski, de Inácio Martins, acredita que o novo empreendimento poderá ampliar sua rentabilidade. Atualmente, a comercialização do pinhão representa cerca de 10% da renda da propriedade, cuja principal atividade é o cultivo de erva-mate.

    “Para melhorar o preço que recebo pelo pinhão, tirei o atravessador e vendo direto ao cliente”, relata. Hoje, ele comercializa o produto por R$ 8 o quilo.

    Já o produtor Sílvio de Godoy ainda depende da venda para intermediários, o que reduz sua remuneração para R$ 6,40 por quilo. Assim, ele vê na nova estrutura uma oportunidade de aumentar os ganhos. “Espero um melhor rendimento com a agroindústria”, afirma.

  • Produção de pinhão ganha novo estudo apresentado pela CATI

    Produção de pinhão ganha novo estudo apresentado pela CATI

    A CATI (Diretoria de Assistência Técnica Integral.) lançará, neste sábado (25), o “Documento Técnico 138 – Monitoramento da polinização da araucária” durante o 24º Festival do Pinhão, em Cunha (SP). O município responde por cerca de 70% da produção paulista de pinhão e se consolida como referência na cadeia produtiva da semente.

    Entre abril e maio, a araucária produz pinhão nas regiões Sul e Sudeste do Brasil. Em Cunha, a colheita anual chega a aproximadamente 800 toneladas. Parte dessa produção abastece o tradicional Festival do Pinhão, realizado desde 2002 na praça central da cidade e considerado um dos principais eventos do calendário local.

    Durante o evento, a CATI também apresenta o Projeto Pinhão SP, iniciativa da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA-SP). O projeto incentiva o manejo sustentável da araucária e estimula o plantio de mudas enxertadas, que permitem a produção precoce de sementes.

    Segundo o engenheiro agrônomo da CATI, Cesar Frizo, o projeto amplia as oportunidades de renda para agricultores da Serra da Bocaina. A cultura do pinhão se adapta bem a áreas declivosas e de clima frio, comuns na região, onde outras atividades agropecuárias enfrentam limitações.

    Além de gerar renda, o pinhão contribui para a conservação ambiental. A cadeia produtiva reduz a pressão sobre remanescentes nativos de araucária e fortalece práticas sustentáveis. Parcerias com associações de coletores e iniciativas de extensão rural têm impulsionado o desenvolvimento da atividade em Cunha e em toda a Serra da Bocaina.

    Documento técnico destaca cadeia do pinhão

    O Documento Técnico 138 apresenta uma análise estratégica da produção de pinhão em São Paulo. O material reúne informações sobre manejo, conservação da araucária e políticas de incentivo à cadeia produtiva.

    A publicação também destaca o potencial econômico, ambiental e social do pinhão, além de abordar inovação, geração de renda e preservação ambiental. O estudo reforça o papel das instituições de pesquisa e extensão no fortalecimento da agricultura sustentável no estado.

    Programação inclui oficina e palestra

    A programação do dia 25 começa às 14h, com uma oficina prática de enxertia de araucária conduzida por técnicos da CATI e jovens coletores. Em seguida, ocorre uma palestra sobre o monitoramento da polinização da espécie em Cunha, com apresentação oficial do Documento Técnico 138.

    O evento também contará com o Concurso do Maior Pinhão, organizado pela CATI em parceria com a Associação dos Moradores, Produtores Rurais e Empreendedores da Estrada do Paraibuna (Amprasp).

    Serviço

    • Lançamento do Documento Técnico 138 no 24º Festival do Pinhão
    • Data: 25 de abril de 2026
    • Horário: 15h
    • Local: Praça da Matriz – Rua Dom Lino, 54-118, Cunha (SP)
    • Entrada: gratuita
  • Queda na colheita do pinhão deve elevar preços na Serra Catarinense

    Queda na colheita do pinhão deve elevar preços na Serra Catarinense

    Santa Catarina inicia no próximo dia 1º de abril mais uma safra de pinhão. A região serrana, que concentra as maiores florestas de araucária do Estado, deve colher 3,7 mil toneladas neste ano, uma queda de 32% em comparação com 2025.

    No ano passado, os 18 municípios da Serra produziram 5,4 mil toneladas e movimentaram mais de R$ 32 milhões. A redução na oferta, no entanto, traz um alívio para os produtores: a expectativa é de que os preços subam.

    Segundo a Epagri, o quilo do pinhão pode alcançar valores iguais ou superiores à média de R$ 6,44 pagos ao produtor em 2025. “A lei da oferta e da procura deve compensar a quebra na safra”, afirma o gerente regional da Epagri em Lages, José Márcio Lehmann.

    O pinhão representa uma importante fonte de renda para os moradores da Serra Catarinense. Das 34 mil famílias rurais cadastradas pelo IBGE na região, cerca de 10 mil (30%) incluem o extrativismo da semente no orçamento doméstico.

    Lehmann destaca que a Epagri acompanha os dados municipais e oferece suporte técnico para que os produtores aproveitem a safra com segurança e qualidade. “Em 2025, a colheita já havia sido menor que em 2024. Agora, reduzimos ainda mais, mas os valores devem equilibrar a balança”, completa.

  • Safra do pinhão no Rio Grande do Sul perto do fim com preços em queda

    Safra do pinhão no Rio Grande do Sul perto do fim com preços em queda

    A safra do pinhão no Rio Grande do Sul está chegando ao fim. Enquanto a plantação dos grãos de inverno termina, a colheita do alimento típico do inverno está em sua fase final. Segundo o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, divulgado nesta quinta-feira (24/7), a região administrativa de Caxias do Sul colhe as variedades tardias do pinhão. Essa etapa representa o encerramento da segunda fase da safra. Os pinhões têm qualidade satisfatória e tamanho médio.

    Os preços variam conforme a forma de venda. A venda direta ao consumidor na propriedade sai entre R$ 8 e R$ 9 por quilo. Para entregas em domicílio e vendas em supermercados, feiras e fruteiras, o valor sobe para R$ 10 a R$ 16 por quilo. No atacado da Ceasa, o preço está em R$ 10 por quilo.

    Na região de Passo Fundo, a safra também está no final. Os preços ao consumidor estão entre R$ 12 e R$ 14 por quilo. Esse valor caiu em relação ao pico da safra, quando o quilo chegou a R$ 17. Em Soledade, os agricultores já colheram cerca de 80% do pinhão. Restam apenas as cultivares mais tardias. Produtores de Fontoura Xavier e Passa Sete, principais referências locais, avaliam que a oferta supera a do ano passado. O preço pago ao produtor varia de R$ 5 a R$ 7 por quilo.

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  • Pinhão impulsiona renda e preservação ambiental no Sul de Minas

    Pinhão impulsiona renda e preservação ambiental no Sul de Minas

    A produção de pinhão tem se destacado como fonte de renda e instrumento de preservação ambiental na Serra da Mantiqueira, especialmente em Delfim Moreira, no Sul de Minas Gerais. O município é um dos principais produtores do estado, com safra estimada em 500 mil quilos em 2024, segundo dados da Emater-MG. A atividade movimenta cerca de R$ 3,5 milhões por ano e envolve aproximadamente mil hectares de araucárias produtivas.

    A colheita do pinhão, que ocorre entre abril e julho conforme a Lei Estadual nº 15.915/2022, foi encerrada mais cedo em 2024 devido à queda de 50% na safra, provocada por condições climáticas adversas, como temporais e aumento das temperaturas. Mesmo com a produção reduzida, o preço do quilo do pinhão dobrou, passando de R$ 3 para R$ 6, o que compensou parte das perdas para os produtores. O produto conta ainda com garantia de preço mínimo pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

    Delfim Moreira investe em ações para fortalecer o setor. Uma parceria entre a prefeitura, Embrapa Florestas e Avon está viabilizando a construção de uma unidade processadora de pinhão. A expectativa é que a nova estrutura permita a oferta de produtos derivados durante todo o ano, ampliando a renda dos agricultores.

    Viveiro municipal

    O município mantém também um viveiro municipal que distribui mudas de araucária enxertada gratuitamente aos produtores. Mais de 400 novas árvores já foram plantadas com apoio da Emater-MG, que oferece assistência técnica e incentiva o plantio sustentável. A Associação Araucária, formada por produtores locais, realiza eventos como o Festival Gastronômico do Pinhão e promove ações de educação ambiental nas escolas. Para outubro, está previsto um seminário sobre a importância da araucária para a região.

    Foto: Divulgação Prefeitura Municipal de Delfim Moreira

    Minas Gerais conta com cerca de dois mil produtores de pinhão, segundo levantamento da Emater-MG. Além de Delfim Moreira, os maiores municípios produtores são Itamonte (1,2 milhão de quilos), Alagoa (700 mil quilos), Baependi (480 mil quilos) e Marmelópolis (475 mil quilos).

    O manejo sustentável do pinhão contribui para a preservação da araucária, espécie ameaçada de extinção e símbolo da Mata Atlântica. A valorização do produto e o apoio de políticas públicas têm garantido a continuidade da atividade, aliando desenvolvimento econômico e conservação ambiental.

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  • Safra de pinhão no Rio Grande do Sul é considerada satisfatória

    Safra de pinhão no Rio Grande do Sul é considerada satisfatória

    A safra de pinhão 2025 no Rio Grande do Sul, iniciada oficialmente em 1º de abril, apresenta resultados considerados satisfatórios por agricultores e especialistas. Segundo estimativas da Emater/RS-Ascar, a produção deve alcançar cerca de 860 toneladas até julho. Isso mesmo algumas regiões mantendo oferta reduzida até setembro devido à presença de variedades tardias da Araucária Angustifolia, árvore nativa responsável pela semente símbolo da cultura gaúcha.

    As regiões das Hortênsias e dos Campos de Cima da Serra concentram a maior produção estadual, com previsão de mais de 600 toneladas colhidas. O Planalto, especialmente a região de Passo Fundo, deve registrar 110 toneladas, enquanto Centro Serra e Serra do Botucaraí somam aproximadamente 150 toneladas. O auge da colheita ocorre em junho, período marcado por maior oferta e queda nos preços ao consumidor, atualmente entre R$ 12,00 e R$ 14,00 por quilo. Aliás, valor inferior ao praticado em abril, quando o preço chegava a R$ 17,00/kg.

    Produção alivia agricultores e fortalece tradição

    Após um ciclo anterior considerado fraco, a safra atual representa alívio para os agricultores extrativistas, que têm no pinhão uma importante fonte de renda e subsistência familiar. “Neste ano, está melhor, embora ainda não atinja o patamar de uma safra cheia. Ainda assim, foi um alívio para os agricultores extrativistas”, avalia Antônio Carlos Borba, extensionista da Emater/RS-Ascar.

    Apesar da relevância econômica e cultural, o pinhão ainda enfrenta desafios quanto ao beneficiamento e industrialização, com poucas iniciativas voltadas para agregar valor ao produto, seja no artesanato, culinária ou armazenamento.

    Colheita sustentável e legislação ambiental

    A colheita do pinhão é realizada manualmente, respeitando a legislação estadual que determina o início da coleta, transporte, comercialização e armazenamento apenas a partir de 1º de abril. A Lei Estadual nº 15.015/2022, o Decreto Estadual 52.109/2014 e a Portaria MMA nº 148/2022 visam equilibrar geração de renda e preservação da Araucária Angustifolia, espécie ameaçada de extinção. O corte e poda de árvores nativas produtoras de pinhas estão proibidos durante a safra, sob pena de multa.

    A Emater/RS-Ascar reforça a importância da conservação da espécie, que leva de 12 a 15 anos para produzir pinhão e integra a floresta ombrófila mista. “Com o avanço das atividades humanas, ocorre a fragmentação das florestas. O que reduz a base genética da espécie e a torna mais vulnerável à extinção”, alerta Borba.

    Pinhão: alimento nutritivo e aliado da fauna

    Além do papel econômico, o pinhão é alimento essencial para a fauna regional e destaque na culinária do Sul do Brasil. Rico em minerais como potássio e fósforo, além de fibras e gorduras saturadas benéficas, o consumo do pinhão é recomendado especialmente no período da safra. Isso porque sua concentração de nutrientes é maior. “É um alimento mais calórico, principalmente para atletas, pois dá um suporte energético. Mas quem já tem uma dieta com restrição calórica tem que tomar cuidado e ingerir com moderação”. É o que orienta a nutricionista e extensionista Leila Ghizzoni, da Emater/RS-Ascar.

    Preservação e manejo sustentável

    O crescimento da safra de pinhão reforça a necessidade de conservação das áreas nativas e manejo sustentável da araucária. A Emater/RS-Ascar recomenda a não realização de cortes e o estímulo à regeneração natural da espécie, que se desenvolve principalmente nas bordas de matas e florestas. A valorização do pinhão, seja na alimentação, turismo ou paisagem, evidencia sua importância para a biodiversidade e a cultura regional.

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  • Estudo confirma valor nutricional do pinhão precoce

    Estudo confirma valor nutricional do pinhão precoce

    Um estudo inédito da Embrapa Florestas, em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), comprovou que o pinhão precoce – produzido por araucárias clonadas por enxertia – possui o mesmo valor nutricional e sabor que o pinhão tradicional. A descoberta reforça a viabilidade da técnica, que reduz pela metade o tempo de produção da semente típica do Sul do Brasil, sem perder qualidade.

    A pesquisa, que acaba de completar 10 anos de desenvolvimento, analisou a composição nutricional de pinhões de araucárias enxertadas e comparou com os de árvores convencionais. Os resultados mostraram que ambos têm baixo teor de gordura, são ricos em proteínas, carboidratos e fibras, além de possuírem alto valor calórico.

    Tecnologia reduz tempo de produção pela metade

    Enquanto uma araucária tradicional leva de 12 a 20 anos para produzir pinhões, as enxertadas começam a dar frutos em apenas 6 a 10 anos. A técnica, desenvolvida em parceria entre Embrapa e UFPR, utiliza brotações de árvores adultas para acelerar o ciclo produtivo.

    Técnica é capaz de ajudar a conservar a araucária, espécie ameaçada de extinção. Foto: Kátia Pichelli

    “A nova planta se comporta como se tivesse a idade da matriz de onde o broto foi retirado”, explica Ivar Wendling, pesquisador da Embrapa Florestas. Isso permite colheitas mais rápidas, incentivando o cultivo comercial e ajudando na conservação da espécie, ameaçada de extinção.

    Manual ensina como implantar pomares de pinhão precoce

    Para auxiliar produtores, a Embrapa lançou um manual de boas práticas, com orientações sobre:

    •  Seleção de matrizes (árvores-mãe de qualidade)
    •  Preparo do solo e plantio
    •  Manejo adequado para evitar falhas no desenvolvimento
    •  Controle de pragas e doenças

    “Muitas mudas não vingavam por falta de cuidados básicos. Agora, com o manual, os produtores têm um guia completo”, destaca Wendling.

    Pinhão precoce pode virar fonte de renda no sul e sudeste

    A técnica já está sendo adotada por agricultores em Paraná, Santa Catarina e São Paulo. Em Bituruna (PR), o programa municipal “A Força das Araucárias” já beneficia 100 produtores, com planos de instalar uma agroindústria de farinha de pinhão.

    Muda de pinhão precoce recém formada – Foto: Kátia Pichelli

    Silmara Silva, produtora de Cunha (SP), comemora: “Vou colher pinhões em menos tempo e ter uma renda extra”. Já Cleverson Coradin, de Bocaiúva do Sul (PR), relata que seu pomar de 87 araucárias enxertadas começou a produzir com apenas 7 anos. “A demanda só tende a crescer, inclusive para exportação”, afirma.

    Benefícios ambientais: conservação e adaptação climática

    Além do ganho econômico, a técnica ajuda a:

    •  Reduzir a pressão sobre araucárias nativas
    •  Preservar árvores centenárias (como a araucária gigante de Cruz Machado, PR)
    •  Aumentar a diversidade genética, melhorando a resistência às mudanças climáticas

    “A enxertia permite resgatar e multiplicar genótipos raros, essenciais para pesquisas futuras”, ressalta Wendling.

    Onde encontrar mudas de araucária enxertada?

    Interessados devem procurar viveiros credenciados no Renasem (Registro Nacional de Sementes e Mudas). O Viveiro Porto Amazonas (PR) é pioneiro na produção comercial, com 3 mil mudas/ano.

    “Ainda há desafios, como conscientizar os produtores sobre o manejo correto”, diz Leonel Anderman, biólogo do viveiro.

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  • Colheita do pinhão 2025 começa em Santa Catarina

    Colheita do pinhão 2025 começa em Santa Catarina

    A temporada do pinhão em Santa Catarina teve início oficialmente nesta terça-feira (1º), seguindo a Lei 15.457/2011, que proíbe a colheita antes de 1º de abril. Nos próximos três meses, a semente da araucária movimentará a economia de milhares de famílias da região serrana, responsável por 90% da produção estadual.

    Na cidade de Painel, reconhecida como Capital Catarinense do Pinhão, o agricultor Jaison de Liz Rosa exemplifica a importância do cultivo. Mesmo com uma queda de 35% na produção em 2025 – estimando 3 toneladas contra 4,6 do ano anterior –, o pinhão responde por 60% da renda anual de sua família. O restante vem da agroecologia (morango, hortaliças) e serviços rurais.

    “Mesmo colhendo menos, o pinhão ainda é nossa principal fonte. Não exploramos toda a floresta, mas ele sustenta nosso ano”, afirma Jaison, que mantém cerca de 5 mil araucárias em áreas da família, explorando apenas 10% das árvores.

    Epagri impulsiona profissionalização da cadeia produtiva

    A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Santa Catarina (Epagri) tem papel central na modernização da atividade. Além de orientar sobre manejo sustentável, processamento e comercialização, a instituição investe em projetos como araucárias enxertadas para produção precoce de pinhão.

    “Oferecemos suporte técnico em todas as etapas, da colheita à agroindústria. A meta é tornar a atividade mais eficiente e lucrativa”, explica José Márcio Lehmann, gerente regional da Epagri em Lages.

    Queda de 35% na safra, mas qualidade mantém demanda aquecida

    A safra 2025 na Serra Catarinense deve fechar em 4,5 mil toneladas, queda de 35% ante 2024. Segundo a Epagri, a redução está ligada a oscilações naturais no ciclo das araucárias, sem causas específicas identificadas. A boa notícia é que a qualidade do pinhão segue alta, atraindo consumidores premium.

    A proibição da colheita antes de abril, estabelecida pela Lei 15.457, visa proteger a reprodução das araucárias – espécie ameaçada de extinção. Hoje, cerca de 10 mil famílias (30% dos produtores rurais da serra) dependem economicamente do pinhão, segundo dados do IBGE.

    Destaques da Safra 2025:

    • Período de colheita: 1º de abril a 30 de junho;
    • Municípios-chave: Painel, Lages, Urubici e São Joaquim;
    • Mercado: Preços estáveis, com demanda forte por pinhão fresco e derivados.

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  • Pinhão: estudo revela potencial prebiótico da semente

    Pinhão: estudo revela potencial prebiótico da semente

    Um estudo realizado pela Embrapa Florestas, em parceria com a Universidade Federal de Viçosa (UFV) e a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), trouxe à luz uma descoberta promissora: o pinhão, semente da Araucaria angustifolia, contém compostos prebióticos capazes de beneficiar a saúde intestinal.

    Os principais elementos encontrados foram o amido resistente e os fructooligossacarídeos (FOS), substâncias que estimulam o crescimento de probióticos, microrganismos essenciais para um ecossistema intestinal equilibrado.

    Embora a presença de nutrientes como minerais (fósforo, potássio e magnésio) e amido resistente no pinhão já fosse conhecida, a identificação dos FOS é um marco inédito. De acordo com a coordenadora do projeto PINALIM, Catie Godoy, “os FOS eram encontrados em fontes vegetais como yacon, alcachofras, chicória e aspargos. A descoberta no pinhão pode impulsionar seu consumo com foco em uma alimentação saudável”.

    Os FOS são carboidratos não metabolizáveis pelo organismo humano que servem de alimento para probióticos. Eles promovem o crescimento de bactérias benéficas, como Lactobacillus plantarum e Bifidobacterium breve, e inibem microrganismos prejudiciais, como Clostridium perfringens. “Ao serem fermentados, esses compostos produzem ácidos graxos de cadeia curta, que favorecem a renovação das células intestinais e reduzem o risco de doenças digestivas e sistêmicas”, explica Célia Lúcia de Luces Fortes Ferreira, da UFV, especialista em probióticos.

    Como o pinhão contribui para a saúde

    Os resultados do estudo destacam o impacto positivo do amido resistente presente no pinhão. Essa fibra é fermentada no intestino grosso, promovendo benefícios como:

    • Manutenção da microbiota intestinal saudável: Estimula bactérias benéficas e inibe organismos prejudiciais.
    • Redução de doenças digestivas: Favorece a renovação do epitélio intestinal.
    • Controle metabólico: Reduz colesterol e glicemia, além de melhorar a absorção de minerais como cálcio, prevenindo condições como osteoporose.

    Variações de pinhão analisadas

    O estudo analisou três variedades de pinhão – Sancti josephi, Angustifolia e Caiova –, colhidas em diferentes épocas do ano. Por meio de métodos experimentais avançados, os pesquisadores avaliaram o conteúdo de oligossacarídeos, o amido resistente e o impacto dessas substâncias no crescimento bacteriano.

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    “O amido do pinhão mostrou ser mais eficaz do que carboidratos simples, como a dextrose, no estímulo a probióticos. Isso abre novas possibilidades para o uso do pinhão como ingrediente funcional em dietas equilibradas”, afirma Haíssa Cardarelli, da UFPB.

    Prebióticos x probióticos: o que são e como atuam

    • Probióticos: Microrganismos vivos, como bactérias e leveduras, que ajudam na digestão, protegem contra doenças e fortalecem o sistema imunológico. Alimentos como iogurte, kefir, chucrute e kombucha contêm esses microrganismos.
    • Prebióticos: Compostos alimentares não digeríveis, como os FOS e o amido resistente, que servem de substrato para o crescimento de probióticos no intestino.

    Em resumo, os probióticos são as bactérias benéficas, e os prebióticos, seu alimento. Ambos são essenciais para a saúde intestinal e metabólica.

    Impacto econômico e ambiental: preservando a araucária

    Além dos benefícios à saúde, a pesquisa aponta que a valorização do pinhão pode contribuir para a preservação da Araucária, uma árvore pré-histórica ameaçada de extinção. “Ao incentivar o consumo do pinhão, geramos demanda para a manutenção das florestas de Araucária e criamos oportunidades para o desenvolvimento de novos produtos alimentares”, afirma Natália Marques, especialista em Nutrição Clínica e Funcional.

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    A descoberta também pode fortalecer o mercado de alimentos funcionais no Brasil. Produtos como snacks, cereais matinais e suplementos à base de pinhão têm potencial para atender à crescente demanda por alimentos saudáveis e inovadores.

    Com base nos resultados promissores, novas pesquisas já estão em andamento. A professora Cardarelli e sua equipe planejam explorar o uso da farinha de pinhão como fonte de crescimento para probióticos. “Esse produto, desenvolvido com tecnologia da Embrapa, está próximo da produção industrial e poderá ampliar o acesso a benefícios para a saúde intestinal”, ressalta.

    Fructooligossacarídeos: mais do que simples açúcares

    Os FOS são comercializados como suplementos e podem custar até R$ 1,00 por grama, com doses diárias recomendadas entre 4 g e 17 g. Apesar de o consumo isolado de pinhão não atingir essas quantidades, seu uso combinado com outros alimentos pode integrar uma dieta equilibrada e benéfica para a microbiota intestinal.

    Alimentos contendo FOS contribuem significativamente para a manutenção do ecossistema intestinal
    Alimentos contendo FOS contribuem significativamente para a manutenção do ecossistema intestinal. Foto – Manuela Bergamim/Embrapa

    Além disso, os FOS contribuem para:

    • Redução do colesterol e glicemia.
    • Absorção de vitaminas e minerais essenciais.
    • Melhoria do sistema imunológico e saúde mental, que estão intimamente ligados à saúde intestinal.

    O pinhão se destaca não apenas como um alimento tradicional, mas também como uma fonte rica em compostos funcionais com benefícios comprovados para a saúde intestinal e metabólica. A pesquisa pioneira abre caminho para o desenvolvimento de produtos alimentares inovadores, reforça a importância da preservação ambiental e destaca o potencial do Brasil no mercado global de alimentos funcionais.