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  • América Latina registra superávit de US$ 21 bilhões no comércio de animais aquáticos

    América Latina registra superávit de US$ 21 bilhões no comércio de animais aquáticos

    A produção mundial de animais aquáticos atingiu um novo recorde de 195 milhões de toneladas em 2024, impulsionada principalmente pela expansão da aquicultura. Os dados integram o relatório O Estado Mundial da Pesca e da Aquicultura 2026 (SOFI), lançado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) na última terça-feira (16), durante a Conferência Our Ocean, realizada em Mombaça, no Quênia.

    No mesmo período, o comércio internacional de produtos aquáticos,incluindo animais e algas, US$ 186 bilhões, envolvendo 230 países e territórios. No cenário global, a América Latina e o Caribe se destacaram como um dos principais exportadores líquidos do setor, acumulando um superávit comercial de US$ 21 bilhões em 2024.

    “A região desempenha um papel fundamental no abastecimento de produtos da pesca e da aquicultura para os mercados globais, apoiada por ecossistemas marinhos altamente produtivos e por um setor aquícola em rápido crescimento”, afirma Rene Orellana Halkyer, Diretor-Geral Adjunto e Representante Regional da FAO para a América Latina e o Caribe.

    A região exportou US$ 27 bilhões em produtos de animais aquáticos e importou US$ 6 bilhões no mesmo período, totalizando 6,4 milhões de toneladas exportadas. Isso é o equivalente a 15% das exportações globais do setor. As principais culturas responsáveis por esse desempenho foram a anchoveta peruana e chilena, destinada à produção de farinha e óleo de peixe, o camarão cultivado no Equador e o salmão chileno.

    Pesca de captura lidera a produção regional

    Em 2024, a América Latina e o Caribe responderam por 9% da produção mundial de animais aquáticos, percentual semelhante ao da Europa, mas bem abaixo da Ásia, que concentrou 72% do total global. A pesca de captura dominou a produção regional com 13 milhões de toneladas, 75% do total, sustentada em grande parte pelo altamente produtivo Sistema da Corrente de Humboldt, ao longo da costa oeste da América do Sul. A região detém 15% do total mundial de 92 milhões de toneladas produzidas pela pesca de captura, o que a coloca como o segundo maior polo global, atrás apenas da Ásia.

    O Peru liderou a pesca de captura regional em 2024, com 5,7 milhões de toneladas, ocupando a quarta posição no ranking mundial. O Chile ficou em segundo na região e décimo no mundo. Após a forte queda provocada pelo El Niño em 2023, a anchoveta (Engraulis ringens) se recuperou com vigor: as capturas saltaram quase 65%, de 3,5 milhões para 5,7 milhões de toneladas. A espécie representa cerca de 5% da produção global de pesca de captura e permanece entre as mais importantes do mundo. O relatório destaca que as capturas regionais oscilam de forma significativa em função das condições oceanográficas ligadas ao fenômeno El Niño–Oscilação Sul (ENOS).

    Aquicultura cresce acima da média mundial

    Embora ainda represente uma fatia menor da produção total, a aquicultura avança rapidamente e já responde por aproximadamente 25% da produção regional de animais aquáticos. Espécies de alto valor, como salmão e camarão, puxam esse crescimento. A produção aquícola na América Latina e no Caribe cresceu em média 7,2% ao ano, acima da média mundial de 4,9%. Portanto, passando de 0,8 milhão de toneladas em 2000 para 4,4 milhões de toneladas em 2024.

    O crescimento concentra-se na América do Sul. Chile (1,4 milhão de toneladas), Equador (1,2 milhão) e Brasil (0,9 milhão) responderam, juntos, por 79% da produção aquícola regional em 2024. Os países da região também ampliam o cultivo de algas, com destaque para Chile, Venezuela e Brasil.

    Pesca marinha emprega mais de 3 milhões na região

    Globalmente, cerca de 65,3 milhões de pessoas trabalhavam no setor primário da pesca e da aquicultura em 2024. Na América Latina e no Caribe, o setor emprega mais de 3 milhões de pessoas,5% do total mundial, sustentando comunidades costeiras e rurais. A pesca marinha responde por 73% dos empregos no setor primário da região. A pesca de pequena escala também cumpre papel essencial na nutrição, na segurança alimentar e na identidade cultural de comunidades costeiras e insulares.

    Apesar de ocupar a segunda posição entre as maiores regiões produtoras, a América Latina e o Caribe registram consumo de alimentos aquáticos abaixo da média mundial. Em 2023, a disponibilidade per capita foi de 10,1 kg, ante uma média global de 21,1 kg. Desde 2000, a disponibilidade total cresceu, mas em ritmo modesto, 1,8% ao ano. Portanto, resultando em ganhos per capita de apenas 0,8% anuais.

    Projeções apontam crescimento de 26% na aquicultura até 2034

    A produção de animais aquáticos deve crescer 8% até 2034, impulsionada principalmente pela aquicultura, que projeta expansão de 26%. A América Latina e o Caribe devem manter a segunda posição entre as maiores regiões produtoras, com participação de cerca de 5% na produção aquícola global.

    “O trabalho da FAO na região mostra que a Transformação Azul pode gerar resultados concretos para as pessoas, as economias e os ecossistemas. Portanto, fortalecendo cadeias de valor e melhorando a nutrição em comunidades vulneráveis”, conclui Orellana Halkyer.

  • Brasil mira México, Colômbia e Peru para diversificar exportações de tilápia

    Brasil mira México, Colômbia e Peru para diversificar exportações de tilápia

    A piscicultura brasileira vive um momento de inflexão. Diante de novas barreiras comerciais e da concorrência internacional crescente, o setor intensifica a busca por mercados alternativos para a tilápia, hoje concentrada nos Estados Unidos, destino de cerca de 92% das exportações.

    O presidente da PEIXE BR, Francisco Medeiros, vê o cenário atual como um catalisador de mudanças. “Estamos entrando nos anos de ouro da tilapicultura nacional. Não é um caminho sem desafios, mas é um período com mais oportunidades para quem estiver preparado”, afirma.

    Apesar da forte dependência do mercado norte-americano, o desempenho recente surpreendeu. O pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura, Manoel Xavier Pedroza Filho, destaca que as exportações cresceram cerca de 2% no último ano, mesmo com a adoção de novas tarifas a partir de agosto. Para ele, o dado comprova a resiliência do setor, mas não elimina o risco. “A dependência de um único mercado exige atenção”, alerta.

    América Latina entra no radar

    Com o cenário em transformação, países da América Latina ganham peso na estratégia de expansão. O México lidera as atenções: o país importa cerca de 92 mil toneladas de tilápia por ano, mais da metade do volume adquirido pelos Estados Unidos. Ainda assim, a presença brasileira no país segue tímida.

    “É um mercado que começou a ser explorado mais recentemente, ainda com volumes modestos, mas com grande potencial de crescimento”, avalia Pedroza.

    Colômbia e Peru também figuram como oportunidades concretas. Além do volume expressivo de importações, a proximidade geográfica pode dar ao Brasil vantagem logística frente a concorrentes asiáticos.

    Gargalo industrial trava avanço nos mercados de maior volume

    O principal entrave para avançar nesses mercados não está na produção, está no produto. O Brasil exporta majoritariamente filé fresco, item de maior valor agregado, mas de menor escala. No mercado global, quem domina o volume é o produto congelado, mais barato e amplamente controlado por China e Vietnã.

    “A indústria brasileira passa por um momento de reorganização. A expectativa é que novas regras ampliem a competitividade no filé congelado, o que pode mudar o posicionamento do país no mercado internacional”, explica Pedroza.

    A possível flexibilização de normas industriais aparece como ponto-chave nessa equação. Para Medeiros, o impacto pode ser rápido. “Ajustes industriais têm potencial de gerar resultados em curto prazo, ao contrário de avanços produtivos, que levam anos”, ressalta. Segundo ele, a vantagem dos concorrentes asiáticos está diretamente ligada à eficiência industrial. E é essa diferença que o Brasil precisa reduzir para disputar mercados de maior volume.

    O setor enfrenta ainda outro obstáculo relevante: o fechamento do mercado europeu para o pescado brasileiro desde 2017. Na avaliação de Medeiros, a reabertura depende de negociações diplomáticas e adequações sanitárias que fogem do alcance direto do setor produtivo. “Esse bloqueio reforça ainda mais a necessidade de diversificar mercados e reduzir riscos”, completa Pedroza.

    Coordenação e inteligência de mercado ganham protagonismo

    Com o ambiente mais competitivo, a articulação entre indústria, associações e pesquisa passa a ocupar papel central na estratégia do setor. A atuação conjunta entre PEIXE BR e Embrapa orienta a identificação de mercados e o direcionamento das empresas.

    Diego Vargas / Seapa MG

    “A associação organiza informações, aponta caminhos e antecipa tendências. A decisão é do empresário, mas é fundamental ter clareza sobre onde estão as oportunidades”, reforça Medeiros.

    A próxima fase da produção de tilápia brasileira aponta para maior inserção internacional e pressão crescente por competitividade. Além da tilápia, espécies nativas como o tambaqui despontam como vetor de crescimento. Principalmente no mercado interno e, no longo prazo, nas exportações.

    “A palavra-chave para 2026 é ampliação de mercado, dentro e fora do Brasil”, resume Pedroza.

  • Peru habilita novas unidades brasileiras de genética animal

    Peru habilita novas unidades brasileiras de genética animal

    O Peru habilitou 36 novas unidades brasileiras para exportação de material genético animal, segundo o Senasa.
    Desse total, 31 unidades atuam com genética de aves e cinco trabalham com material genético bovino.
    Além disso, a autoridade sanitária peruana renovou todas as autorizações já existentes até dezembro de 2028.

    Avicultura amplia presença no mercado peruano

    Com as novas habilitações, o setor avícola brasileiro dobrou o número de estabelecimentos autorizados a exportar ao Peru. Assim, o país amplia a oferta de genética avícola e fortalece a cooperação sanitária bilateral.

    Genética bovina registra avanço expressivo

    No segmento bovino, a inclusão de cinco unidades elevou em 83% o número de estabelecimentos habilitados.
    Essas unidades atendem tanto a pecuária de corte quanto a produção de leite.

    Autorizações garantem previsibilidade comercial

    A renovação das licenças até 2028 traz maior previsibilidade às operações comerciais entre Brasil e Peru.
    Dessa forma, empresas ganham segurança para planejar investimentos e contratos de longo prazo.

    O Senasa baseou a decisão em critérios técnicos e no controle sanitário brasileiro. A medida reconhece as práticas de biosseguridade adotadas pelo Brasil na produção de material genético animal.

    Comércio agropecuário segue em expansão

    No último ano, o Peru importou mais de US$ 729 milhões em produtos agropecuários brasileiros.
    Entre os destaques estão produtos florestais, carnes, cereais, farinhas e preparações.

     

     

     

  • União Europeia reabre mercado para carnes de frango e peru do Brasil

    União Europeia reabre mercado para carnes de frango e peru do Brasil

    A União Europeia anunciou nesta segunda-feira (22) a reabertura do mercado europeu para a carne de frango e de peru produzida no Brasil, suspensa desde maio devido a um foco isolado de influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP) no Rio Grande do Sul. O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, e o comissário europeu de Saúde e Bem-Estar Animal, Olivér Várhelyi, negociaram a decisão que reforça a confiança internacional no sistema de defesa agropecuária brasileiro.

    O regulamento europeu, publicado hoje e vigente a partir de amanhã (23), autoriza a entrada de produtos brasileiros com data de produção a partir de 18 de setembro. A retomada das exportações será gradativa:

    • Todo o Brasil, exceto o Rio Grande do Sul, liberado para exportar desde 18 de setembro;
    • Rio Grande do Sul, exceto a área do foco, autorizado a exportar a partir de 2 de outubro;
    • Raio de 10 km ao redor da granja foco, retomada em 16 de outubro.

    A rápida contenção da doença pelas autoridades brasileiras permitiu ao país recuperar o status de área livre da influenza aviária em apenas 28 dias. Destacando o Brasil como maior exportador mundial de carne de frango e evidenciando a credibilidade de seu sistema sanitário.

    De janeiro a agosto de 2025, o Brasil exportou 3,28 milhões de toneladas de carne de frango, gerando receita de US$ 6,15 bilhões.

    No mesmo dia, foi iniciada a auditoria técnica da China para avaliar os controles sanitários brasileiros contra a influenza aviária. Esse passo é fundamental para a retomada das exportações ao mercado chinês, última grande potência a manter restrições à carne de frango brasileira.

  • Fruta exótica: conheça a cherimoia

    Fruta exótica: conheça a cherimoia

    A cherimoia (Annona cherimola), também conhecida como anona ou coração-de-negro, é uma fruta originária das regiões andinas da América do Sul, especialmente Bolívia, Peru e Colômbia, onde cresce em altitudes entre 1.400 e 2.000 metros. No Brasil, seu cultivo se concentra principalmente no Sudeste, com destaque para a Serra da Mantiqueira e a região de Itapetininga, no Estado de São Paulo, onde ocupa cerca de 25 hectares. Produtores cultivam a fruta também em outras áreas de altitude da região Sudeste do Brasil.

    A cherimoia é uma árvore de pequeno porte, que pode atingir até 7 metros de altura. Seus frutos são grandes, chegando a pesar até 1,8 kg, com casca verde e escamosa, polpa branca, suculenta e poucas sementes. O sabor adocicado, que lembra uma mistura de banana, abacaxi e morango, conquista o paladar no consumo in natura e também enriquece sobremesas, sucos e sorvetes.

    Cultivo

    O cultivo da cherimoia requer solos profundos, bem drenados e ricos em matéria orgânica. As mudas enxertadas são recomendadas, pois aceleram a produção, aumentam a resistência a doenças e garantem maior uniformidade do pomar. A planta floresce na primavera e verão, com colheita concentrada no outono e inverno.

    Foto: divulgação

    Mudas enxertadas podem produzir frutos já no primeiro ano após o plantio, desde que recebam os cuidados adequados, como proteção contra ventos fortes e geadas.

    Benefícios para a saúde

    A cherimoia é rica em nutrientes essenciais, como vitamina C, vitamina B6, potássio, magnésio, ferro e fibras alimentares. Entre seus principais benefícios para a saúde, destacam-se:

    • Fortalecimento do sistema imunológico: Alta concentração de vitamina C, que ajuda a prevenir gripes, resfriados e infecções.
    • Ação antioxidante e anti-inflamatória: Protege as células contra os radicais livres e processos inflamatórios, contribuindo para a prevenção do câncer e do envelhecimento precoce.
    • Saúde cardiovascular: o equilíbrio entre sódio e potássio auxilia no controle da pressão arterial e na redução do colesterol ruim (LDL), além de aumentar o colesterol bom (HDL), prevenindo hipertensão, AVC e infarto.
    • Saúde cerebral: fonte de vitamina B6, que protege contra doenças neurodegenerativas, como o mal de Parkinson, e auxilia no alívio do estresse e depressão.
    • Saúde óssea: o cálcio presente na fruta ajuda na prevenção da osteoporose e na manutenção de ossos fortes.
    • Saúde intestinal: as fibras contribuem para o bom funcionamento do intestino e auxiliam no controle do colesterol e da glicemia, sendo recomendada para diabéticos.

    A cherimoia oferece diversos usos: entra na alimentação, contribui para a hidratação dos cabelos na área cosmética e fornece sementes com ação inseticida natural.

    Brasil

    Considerada uma das frutas mais saborosas por colecionadores e apreciadores de frutas exóticas, a cherimoia ainda é pouco explorada comercialmente no Brasil. Mas tem potencial para expansão, especialmente entre pequenos produtores. Seu nome vem do quíchua, idioma dos Andes, e significa “sementes frias”, em referência ao clima de sua origem.

    Com produção concentrada no outono e inverno e uma série de benefícios nutricionais, a cherimoia se destaca como uma alternativa saudável e saborosa para diversificar o consumo de frutas no país.

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  • Papa Leão XIV: a trajetória missionária nas comunidades rurais do Peru

    Papa Leão XIV: a trajetória missionária nas comunidades rurais do Peru

    O Papa Leão XIV, nascido Robert Francis Prevost, construiu parte fundamental de seu ministério religioso nas comunidades rurais do Peru, onde atuou por mais de duas décadas como missionário, bispo e defensor dos pequenos produtores. Sua história está profundamente ligada à realidade agrícola e social do país, especialmente nas regiões de Piura, Trujillo e Chiclayo, áreas marcadas pela agricultura familiar, cultivos tradicionais e desafios socioeconômicos.

    Atuação pastoral e desenvolvimento comunitário

    Prevost chegou ao Peru em 1985 como membro da Ordem de Santo Agostinho, inicialmente na Prelazia de Chulucanas (Piura), região conhecida pela produção de manga, limão e café — cultivos essenciais para a economia local. Sua missão combinava evangelização com projetos sociais:

    • Educação rural: criou escolas técnicas para jovens agricultores, ensinando técnicas sustentáveis de cultivo.
    • Infraestrutura: impulsionou a construção de poços artesianos e sistemas de irrigação em áreas semiáridas, beneficiando cultivos como milho e feijão6.
    • Apoio a migrantes: acolheu famílias deslocadas por conflitos e desastres climáticos, integrando-as a cooperativas agrícolas.

    Em Chiclayo, onde foi bispo (2015–2023), destacou-se pela defesa dos trabalhadores rurais, especialmente os envolvidos na produção de cana-de-açúcar e arroz, bases da economia da região de Lambayeque. Promoveu feiras para escoamento direto da produção, reduzindo a dependência de intermediários.

    O que produziam as comunidades rurais peruanas

    As comunidades rurais do Peru são reconhecidas por sua diversidade produtiva. Entre os principais cultivos tradicionais estão arroz, batata, milho, cana-de-açúcar, banana e mandioca, alimentos essenciais para o abastecimento interno. Nos últimos anos, o Peru também se destacou internacionalmente com a produção e exportação de mirtilos, uvas, quinoa, aspargos, frutas cítricas, abacates, alcachofras, mangas, cacau e café, produtos que ganharam relevância tanto no mercado interno quanto externo.

    Além dos cultivos convencionais, práticas como agrofloresta e sistemas tradicionais, como o “Waru Waru” nas regiões andinas, e a “Chacra Huerto” na Amazônia peruana, são comuns. Essas técnicas mesclam produção de alimentos, árvores frutíferas, espécies madeireiras e criação de animais, promovendo sustentabilidade e resiliência frente às mudanças climáticas.

    Agricultura familiar e inovação social

    Durante sua missão, Prevost esteve próximo de agricultores familiares que, além de produzir alimentos básicos, investem em métodos sustentáveis como agroflorestas e sistemas integrados. Nessas propriedades, é comum a produção de café, cana-de-açúcar (para melado e cachaça), frutas, madeira, arroz, leite e carne, além do uso de técnicas ecológicas e construção de moradias sustentáveis.

    Legado: uma Igreja conectada ao campo

    Seu trabalho enfrentou obstáculos como mudanças climáticas (secas no norte) e conflitos por terra, comuns em áreas de expansão agroindustrial. Em resposta, ele incentivou práticas agroecológicas e mediou diálogos entre agricultores e o governo. Prevost deixou um modelo de pastoral rural baseado em:

    • Crédito solidário: parcerias com cooperativas como Cresol para financiar pequenos produtores.
    • Resiliência climática: projetos de reflorestamento e captação de água na Serra Piurana.
    • Valorização cultural: festivais para promover produtos nativos, como a batata-doce e a quinoa.

    Em seu primeiro discurso como Papa Leão XIV, mencionou Chiclayo de forma emocionada. E lembrou de “um povo fiel que partilha sua fé e seu suor na terra”.

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  • Artigo: a importância do agroturismo na América do Sul

    Artigo: a importância do agroturismo na América do Sul

    O agroturismo é uma modalidade de turismo rural que oferece aos viajantes a oportunidade de vivenciar o dia a dia das atividades agrícolas e pecuárias. Esse braço do turismo geralmente acontece em propriedades rurais, estâncias e fazendas, onde os turistas podem participar de atividades como ordenha de vacas, colheita de frutas, produção e degustação de queijos e vinhos, cavalgadas, trilhas ecológicas e outras experiências ligadas ao campo.

    A modalidade é muito importante por ser uma fonte de renda complementar para pequenos e médios produtores rurais. Além de valorizar a cultura local, preservar o meio ambiente e promover a gastronomia regional. No Brasil, essa prática é bastante comum em estados como Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Santa Catarin. Onde existe uma forte tradição agropecuária e também produção de alimentos artesanais.

    Principais países do Agroturismo na América do Sul

    O agroturismo é um setor promissor em alguns países da América do Sul. Entre os principais países que se destacam nessa modalidade do turismo, estão a Argentina e o Peru com uma forte tradição agrícola, além de paisagens propícias para essa atividade.

    Foto: Divlugação Giulia Sampgona/Fischer

    A Argentina tem um dos setores do agroturismo mais desenvolvidos da América do Sul, impulsionado principalmente pela viticultura (enoturismo) e pela pecuária. As principais regiões com atividades turísticas nessa modalidade, são: Mendonza e San Juan, duas referências no turismo do vinho, com vinícolas abertas para visitação com degustações em fazendas.

    Na Argentina também é importante destacar que a Patagônia tem uma ligação com a criação de ovelhas e com a produção de laticínios artesanais. Já a região dos Pampas é conhecida por estâncias (fazendas tradicionais) que oferecem experiências ligadas à cultura dos gaúchos argentinos, com passeios a cavalo e assados típicos da região.

    Peru

    O Peru é outro país da América do Sul com tradição nessa modalidade do turismo. O país tem um grande potencial devido à sua agricultura diversificada e riqueza cultural. O Vale Sagrado dos Incas em Cusco conta com comunidades locais que oferecem experiências de plantio e colheita de milho e batata, além de oficinas de tecidos artesanais. Outro destaque é a região de Arequipa que é voltada para o turismo rural em fazendas produtoras de alpaca e laticínios. Além disso, o Peru também tem incentivado o turismo comunitário, onde famílias camponesas recebem turistas para vivências agrícolas no Lago Titicaca.

    O que é mais interessante nessa modalidade do turismo é a valorização da cultura local, algo que atrai turistas nacionais e estrangeiros. Tanto a Argentina quanto o Peru contam com um mercado em constante crescimento no agroturismo, impulsionado pela demanda dos turistas por experiências autênticas para aproveitar a viagem de uma maneira muito diferenciada e única.

    Giulia Sampgona

    *Giulia Sampgona, Escritora e Especialista em Viagens 

    Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente a opinião do Agro em Campo e de seus editores.

     

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  • Peru e Turquia – Brasil anuncia novas aberturas de mercados agrícolas 

    Peru e Turquia – Brasil anuncia novas aberturas de mercados agrícolas 

    O governo brasileiro recebeu com entusiasmo as recentes aprovações sanitárias que permitem a abertura de novos mercados agrícolas no Peru e na Turquia. Essas autorizações são vistas como um passo significativo para fortalecer as relações comerciais e diversificar as exportações do país.

    Com essas novas aberturas de mercado, o Brasil alcança um total de 224 novas oportunidades comerciais em 2024, somando 302 aberturas desde o início de 2023. Esses resultados são fruto do trabalho conjunto entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE), que têm se empenhado em expandir os horizontes do agronegócio brasileiro.

    Exportações para o Peru

    As autoridades sanitárias do Peru autorizaram o Brasil a exportar proteína hidrolisada de aves, um insumo de alto valor nutricional amplamente utilizado na produção de ração animal. Em 2024, o Brasil já havia aberto dez novos mercados agrícolas no Peru, incluindo erva-mate, farelo de mandioca, feno, fibra de coco e maçãs.

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    Entre janeiro e novembro de 2024, o Brasil exportou US$ 683 milhões em produtos agrícolas para o mercado peruano, consolidando a importância desse parceiro comercial.

    Abertura de mercado na Turquia

    Na Turquia, as autoridades locais também aprovaram a importação de mucopolissacarídeo, um composto de origem animal com diversas aplicações na indústria farmacêutica. Em 2023, as exportações brasileiras para a Turquia totalizaram US$ 2,4 bilhões, com destaque para produtos como soja, café e têxteis. Até novembro de 2024, as exportações agrícolas brasileiras para a Turquia já ultrapassaram US$ 2,9 bilhões.

    As recentes aprovações para a exportação de produtos agrícolas para o Peru e a Turquia destacam o potencial do Brasil no mercado global. Com uma estratégia focada na diversificação e fortalecimento das relações comerciais, o país se posiciona cada vez mais como um líder na produção agrícola mundial. As expectativas são altas para que essas iniciativas contribuam significativamente para o crescimento econômico do setor agrícola brasileiro nos próximos anos.

  • Do Peru: maça brasileira será exportada para país sulamericano

    Do Peru: maça brasileira será exportada para país sulamericano

    O governo brasileiro recebeu com entusiasmo a autorização do governo do Peru para a exportação de maçãs brasileiras para o país. Esta é a oitava abertura de mercado no Peru para produtos agrícolas brasileiros em 2024, seguindo as liberações anteriores que beneficiaram os produtores de erva-mate, farelo de mandioca, fibra de coco, flor seca de cravo-da-índia, feno e hemoderivados de bovinos e suínos.

    As exportações agrícolas do Brasil para o Peru superaram US$ 724 milhões em 2023, com destaque para produtos florestais, carnes e soja. Entre janeiro e setembro de 2024, esse valor foi de US$ 548 milhões. Em 2023, o Brasil exportou mais de US$ 30 milhões em maçãs para cerca de cem destinos.

    Com essa nova autorização, o agronegócio brasileiro alcança a marca de 194 aberturas de mercado neste ano, totalizando 272 aberturas em 61 destinos desde o início de 2023. Esses resultados são fruto do trabalho conjunto entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE).

    Produção nacional

    Em relação à produção de maçãs no Brasil, o país se destaca como um dos principais produtores da fruta na América Latina. Em 2023, a produção brasileira de maçãs foi estimada em aproximadamente 1,5 milhão de toneladas, com os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul liderando a produção. A expectativa para 2024 é que essa produção continue a crescer, especialmente com a abertura de novos mercados como o peruano.

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    O ministro Carlos Fávaro ressaltou a importância dessas aberturas para fortalecer as relações comerciais do Brasil no exterior. “Nosso foco é ampliar as relações comerciais da agropecuária brasileira. Com essa nova autorização, estamos não apenas vendendo nossos produtos, mas também fortalecendo laços comerciais com o Peru”, afirmou Fávaro.

    A abertura do mercado peruano representa uma oportunidade significativa para os produtores brasileiros, que agora podem expandir suas exportações e aumentar sua presença no mercado internacional.

  • Camu-Camu: O “Ouro da Amazônia” e seus desafios no Brasil

    Camu-Camu: O “Ouro da Amazônia” e seus desafios no Brasil

    Rico em vitamina C e antioxidantes, o camu-camu, apelidado de “ouro da Amazônia”, desponta como uma promissora aposta para a indústria alimentícia.

    A fruta, nativa das margens dos rios amazônicos, possui impressionantes níveis de vitamina C — cem vezes mais que o limão e vinte vezes mais que a acerola — além de alto teor de antioxidantes, tornando-a um aliado na prevenção do envelhecimento e no combate aos radicais livres.

    Apesar de ser um produto amplamente conhecido no Peru, sua popularização no mercado brasileiro esbarra em diversos desafios na cadeia produtiva.

    Cadeia Produtiva em Desenvolvimento

    Embora a fruta já seja uma commodity no Peru, o cenário no Brasil ainda é incipiente. Em Roraima, onde a fruta é abundante, uma rede embrionária de ribeirinhos extrativistas começa a tomar forma, mas enfrenta desafios de infraestrutura, logística e regulamentação.

    De acordo com Fernanda Cidade, do Instituto de Desenvolvimento da Amazônia (Idesam), essa cadeia produtiva depende de apoio governamental para se expandir e se estabelecer, permitindo a criação de “bionegócios de grande valor”.

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    Na tentativa de fomentar essa cadeia, o Idesam desenvolveu uma consultoria em Roraima para mapear as dificuldades dos produtores e comerciantes locais.

    A iniciativa identificou a falta de energia elétrica em áreas de colheita como um dos principais entraves, propondo alternativas para superar esses desafios.

    Entre as soluções, a Fundação CERTI, parceira do estudo, sugere a implantação de indústrias próximas para produção de pó liofilizado e a utilização de pequenas embarcações equipadas com painéis solares para processar o fruto em polpa, inspirando-se na logística desenvolvida para o açaí.

    Sustentabilidade e Preservação Ambiental

    A relação do camu-camu com o meio ambiente é complexa. O fruto é encontrado em áreas impactadas pelo desmatamento e mudanças climáticas, o que afeta o ciclo natural das cheias dos rios.

    Por essa razão, há discussões sobre o cultivo em terra firme como alternativa sustentável para reflorestamento.

    Azeda e adstringente, a fruta é mais consumida de forma processada e mesmo congelada preserva suas propriedades nutricionais.

    No município de Bonfim, na fronteira com a Guiana, Aldenira Costa Maia preside uma associação dedicada à produção de polpa de camu-camu. A associação também fabrica geleias, bolos e doces com o fruto, vendido em feiras locais.

    Segundo Aldenira, a Embrapa tem fornecido mudas para estimular o plantio, mas desafios como a irrigação das plantações ainda precisam ser superados, dado o caráter ribeirinho da fruta.

    Expansão e Potencial Internacional

    O camu-camu já é exportado em larga escala pelo Peru, que registrou um recorde de US$ 5 milhões em vendas em 2020.

    Destinadas a mercados como EUA, União Europeia e Japão, essas exportações destacam o potencial da fruta. Sendo assim, incentivam o Brasil a explorar novas oportunidades de inserção nesse mercado crescente.

    Contudo, para competir globalmente, o produto brasileiro enfrenta um longo caminho de regulamentações e qualificação da cadeia produtiva, segundo Jane Gaspar, engenheira da Fundação CERTI.

    Foto: Taciana de Carvalho Coutinho

    O camu-camu, com seus ricos nutrientes e potencial comercial, representa um novo horizonte para a indústria alimentícia no Brasil.

    No entanto, transformar essa promessa em realidade requer superar desafios de infraestrutura, logística, regulamentação e qualificação da cadeia produtiva.

    O estudo, portanto, realizado pelo Idesam em parceria com a Fundação CERTI apresenta um diagnóstico claro sobre essas questões, incentivando o desenvolvimento de uma cadeia sustentável e produtiva para o fruto no Brasil.