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  • Milho “perfumado” por fungo espanta praga que causa perdas de até 30%

    Milho “perfumado” por fungo espanta praga que causa perdas de até 30%

    Pesquisadores da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, no Distrito Federal, identificam uma estratégia biológica capaz de reduzir os danos causados pelo percevejo-barriga-verde, uma das pragas mais prejudiciais ao milho e a outras culturas de relevância econômica no Brasil.

    O estudo mostra que a aplicação de um fungo benéfico nas folhas da planta altera as substâncias aromáticas que ela libera no ambiente. E essa mudança atrai uma vespa parasitoide que elimina os ovos da praga antes que ela se prolifere.

    A descoberta abre caminho para um controle mais sustentável do inseto, com potencial para reduzir a dependência de defensivos químicos nas lavouras brasileiras.

    Um problema recorrente no Sistema Plantio Direto

    Os maiores prejuízos provocados pelo percevejo-barriga-verde acontecem em áreas que adotam o Sistema Plantio Direto com rotação entre soja e milho. Nesse modelo de cultivo, o inseto migra da soja recém-colhida e passa a se alimentar das plantas jovens de milho logo nas duas primeiras semanas após a germinação.

    Esse ataque precoce compromete o desenvolvimento inicial da cultura e pode reduzir a produtividade em até 30%. O que torna o manejo da praga uma prioridade para produtores que trabalham com essa rotação de culturas.

    Cinco anos de pesquisa para driblar a dependência química

    A pesquisadora Maria Carolina Blassioli Moraes coordenou um estudo de cinco anos com o objetivo de enfrentar esse problema crônico sem recorrer exclusivamente aos defensivos químicos tradicionais. A equipe combinou duas tecnologias ecológicas: o fungo Beauveria bassiana e a vespinha Telenomus podisi, espécie que parasita os ovos do percevejo.

    Pesquisadora Maria Carolina Blassioli Moraes. Foto: Claudio Bezerra

    Os resultados da pesquisa foram publicados no periódico científico internacional Journal of Pest Science, no artigo intitulado “Association of Beauveria bassiana with maize alters volatile organic compounds and enhances attraction of the egg parasitoid Telenomus podisi”.

    Uma reação química inesperada

    A equipe selecionou uma linhagem específica do fungo, chamada CG 1105, mantida no banco de microrganismos do laboratório de micologia da Embrapa. Inicialmente, os pesquisadores pulverizaram as plantas de milho com o fungo esperando um efeito direto de mortalidade sobre o percevejo.

    O experimento, no entanto, revelou algo mais surpreendente sob a ótica da ecologia química, área da ciência que estuda os sinais químicos trocados entre os seres vivos. Cinco dias após a aplicação foliar, a equipe observou que o fungo havia colonizado a planta de forma benéfica. E alterado significativamente sua composição de compostos voláteis, os odores característicos emitidos pela vegetação.

    O microrganismo aumentou a produção de salicilato de metila, substância já conhecida na literatura científica por sua capacidade de atrair inimigos naturais de pragas. Ao mesmo tempo, reduziu a emissão de alfa-farneseno, composto de aroma doce e amadeirado amplamente utilizado nas indústrias de fragrâncias.

    O “aroma” que chama a vespa aliada

    Segundo Blassioli, essa mudança molecular no conjunto de aromas do milho funciona como um aviso biológico que atrai a vespinha Telenomus podisi. Ao perceber a alteração no odor da planta, o inseto localiza com precisão a área afetada e parasita os ovos depositados pelo percevejo-barriga-verde.

    Imagem: Embrapa

    A vespa insere seus próprios ovos dentro dos ovos da praga, o que impede o nascimento de novos indivíduos e controla a população do inseto de forma sustentável. Ou seja, sem a necessidade de aplicações químicas adicionais.

    Próximo passo: testes em condições reais de lavoura

    Até agora, todos os bioensaios e análises foram realizados em ambiente controlado de laboratório. A pesquisadora afirma que a equipe pretende expandir as avaliações para testes práticos em campo nos próximos meses.

    Caso os resultados obtidos nas lavouras confirmem os índices observados em laboratório, os produtores rurais brasileiros poderão contar com um protocolo inédito de Manejo Integrado de Pragas (MIP). A metodologia reuniria diferentes frentes de controle biológico atuando em conjunto, o que otimizaria a proteção das lavouras e reduziria custos e impactos ambientais.

    Uma pesquisa multidisciplinar

    O estudo reuniu um grupo diverso de cientistas da Embrapa e de instituições parceiras. Além de Maria Carolina Blassioli Moraes, participaram Rogério Biaggioni, responsável pelo laboratório de micologia, e Raul Laumann e Miguel Borges, ambos do laboratório de semioquímicos, todos da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia.

    A pesquisa também contou com a colaboração de Clenilson Rodrigues, pesquisador da Embrapa Agroenergia, da pós-doutoranda Mírian Michereff, responsável por grande parte dos bioensaios laboratoriais, e da estudante Isadora Quevedo.

  • Percevejo, mancha-alvo e mato: o trio que ameaça a rentabilidade

    Percevejo, mancha-alvo e mato: o trio que ameaça a rentabilidade

    A agricultura brasileira entrou em um novo patamar de exigência técnica, no qual produzir mais não é mais suficiente: é preciso produzir melhor. Essa foi a principal mensagem apresentada por Valdumiro Garcia, gerente de Marketing Regional da IHARA, durante a 23ª Tecnoshow Comigo, realizada em Rio Verde (GO). Nesse contexto, a pressão por produtividade aumenta, e o sucesso no campo passa a depender de inovação, manejo assertivo e escolha correta de tecnologias.

    Segundo ele, a IHARA atua como uma ponte entre a tecnologia japonesa e o agricultor brasileiro, trazendo moléculas inovadoras adaptadas à realidade tropical. “A agricultura é capricho. Não basta plantar, é preciso entender o ambiente, o momento da planta e o problema a ser enfrentado”, afirmou.

    A necessidade de inovação, explicou, está diretamente ligada às características do sistema produtivo brasileiro. Com possibilidade de segunda safra e condições climáticas favoráveis, o mesmo ambiente que beneficia as culturas também favorece pragas e doenças. “Tudo que é bom para a planta também é bom para os fatores que limitam a produtividade”, ressaltou. Por isso, investir em tecnologia deixou de ser uma opção e passou a ser uma necessidade.

    Hoje, o Brasil possui cerca de 50 milhões de hectares de soja. No entanto, a área tratada com defensivos ultrapassa 1,4 bilhão de hectares ao longo dos anos, considerando múltiplas aplicações. Esse dado evidencia um movimento claro: o agricultor trata cada vez mais sua lavoura para proteger o potencial produtivo.

    Produtividade exige estratégia e precisão

    No Cerrado, a média de produtividade gira em torno de 55 sacas por hectare — ponto de equilíbrio para muitos produtores. A margem de lucro, porém, só aparece acima disso. Para alcançar ganhos mais expressivos, é necessário atingir patamares entre 70 e 75 sacas por hectare.

    Esse salto produtivo, segundo Valdumiro, depende de uma combinação de fatores: melhoramento genético, acesso a crédito e, principalmente, manejo eficiente. “É impossível imaginar a prosperidade da agricultura brasileira sem investimento em tecnologia”, afirmou.

    Valdumiro Garcia, gerente de Marketing Regional da IHARA, durante a 23ª Tecnoshow Comigo – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    O avanço das doenças e pragas também exige um olhar mais detalhado. Se no passado o foco estava em problemas visíveis, como a ferrugem asiática, hoje o cenário é mais complexo. A mancha-alvo, por exemplo, vem ganhando protagonismo e já apresenta maior tolerância a fungicidas tradicionais.

    Diante desse cenário, a IHARA apresentou o fungicida SEIV, desenvolvido especificamente para o controle dessa doença. De acordo com dados da empresa, a tecnologia pode alcançar até 95% de eficácia, contribuindo diretamente para a manutenção da produtividade.

    Outro ponto destacado foi a importância da especificidade no manejo. Enquanto o produtor costuma escolher fungicidas considerando o tipo de doença e o estágio da planta, o mesmo cuidado nem sempre ocorre no controle de pragas.

    Pressão de pragas e plantas daninhas aumenta

    Entre os principais desafios atuais estão os percevejos, especialmente o barriga-verde, que vem se adaptando à soja e causando danos mais severos que o percevejo-marrom. Além disso, a presença de mosca-branca em anos chuvosos rompe antigos padrões e exige novas estratégias de controle.

    Para esse cenário, o inseticida ZEUS surge como uma solução de amplo espectro, com atuação eficiente tanto em percevejos quanto em mosca-branca, além de efeito residual prolongado.

    No manejo de plantas daninhas, o alerta é para a crescente resistência. Espécies como capim-pé-de-galinha, caruru e capim-amargoso apresentam menor sensibilidade aos herbicidas convencionais, exigindo novas abordagens.

    Uma das estratégias defendidas é o uso de herbicidas pré-emergentes, como o Yamato, que atuam antes mesmo da germinação das plantas invasoras. Ainda assim, há espaço para crescimento: cerca de metade das lavouras brasileiras de soja não utiliza esse tipo de manejo.

    “A planta daninha precisa ser combatida antes de aparecer. O produtor precisa surpreender o problema, não reagir a ele”, explicou.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Cooperativismo e futuro da agricultura

    A relevância da Tecnoshow Comigo também aparece como ponto de conexão entre tecnologia e produtor. A cooperativa atua em cerca de 22% da área de soja e milho de Goiás, reforçando o papel do cooperativismo na difusão de conhecimento e inovação.

    Ao mesmo tempo, a IHARA mantém um pipeline robusto, com 22 novos ativos em desenvolvimento e potencial para até 240 produtos. Entre os lançamentos previstos está o Fusão Fix, que promete mais praticidade e eficiência no manejo da soja.

    A mensagem final reforça a mudança de mentalidade no campo. Se antes produzir 70 sacas era referência, hoje já se fala em 100 sacas por hectare. Assim, o novo cenário exige mais conhecimento, planejamento e precisão.

    “Cada vez mais, o agricultor precisa conhecer o alvo e escolher a solução adequada. Esse é o caminho para garantir produtividade, rentabilidade e sustentabilidade no campo”, concluiu Valdumiro.

  • Pragas avançam no início da safra de milho e exigem monitoramento intenso

    Pragas avançam no início da safra de milho e exigem monitoramento intenso

    Com o plantio concentrado na segunda safra, o milho entra em 2026 sob forte pressão de pragas iniciais, especialmente percevejos, pragas de solo e roedores. Especialistas reforçam a necessidade de um Manejo Integrado de Pragas (MIP) mais rigoroso, com vistorias frequentes e atenção redobrada ao que fica escondido sob a palhada.

    Segundo a Conab, a produção total de milho na safra 2025/26 deve atingir 138,45 milhões de toneladas, sendo 79% vindos da segunda safra, período mais exposto a variações climáticas e ao avanço de pragas em áreas recém-colhidas de soja.

    O engenheiro agrônomo Alexandre Gazoni, da Sell Agro, alerta para um ano de cenário fragmentado e regionalizado. “Em algumas regiões, o coró voltou com força e já causa prejuízos. Também há relatos de lesmas em áreas com muita palhada e até casos de ratos reduzindo o estande do milho”, afirma.

    Percevejo segue como vilão da largada

    Pragas como o percevejo barriga-verde continuam sendo um dos principais desafios na fase inicial da cultura. “Em áreas onde a soja deixou excesso de palhada, esse material serve de abrigo e favorece a multiplicação. O impacto aparece logo nas primeiras semanas, com perda de vigor nas plantas”, explica Gazoni.

    Pesquisas da Embrapa confirmam que o percevejo se esconde nos horários mais quentes, o que dificulta a detecção e reforça a importância do monitoramento antes da semeadura.

    Entre 2020/21 e 2023/24, cigarrinhas-do-milho causaram prejuízos estimados em US$ 25,8 bilhões, com redução média de 22,7% na produção nacional, segundo levantamento de CNA, Embrapa e Epagri.

    Palhada: aliada e ameaça

    A palhada, essencial no plantio direto e na conservação do solo, também cria um ambiente favorável para lesmas e caramujos. Segundo a Embrapa, esses organismos se desenvolvem sob restos vegetais e podem causar desfolha e morte de plantas jovens.

    Gazoni destaca que o segredo está no detalhamento das vistorias. “O produtor precisa olhar além da superfície: levantar a palhada, observar a base da planta e procurar o que está escondido. Se houver condição de ataque, a praga vai aproveitar”, reforça.

    Manejo integrado exige consistência

    O sucesso no controle depende de um MIP bem executado, combinando monitoramento, definição de níveis de ação e controle biológico, cultural ou químico quando necessário. Entre as práticas mais recomendadas estão:

    • Monitoramento frequente desde o plantio, com checagens na linha, na base e sob palhada.
    • Amostragens de solo para pragas subterrâneas, como corós, em áreas com histórico de infestação.
    • Controle preventivo do percevejo na pré-semeadura e início de desenvolvimento.
    • Uso criterioso de Bt e rotação de inseticidas no caso de lagartas, seguindo orientações do IRAC-BR.
    • Controle contínuo de roedores, com redução de abrigo e reposição programada de iscas.

    Tecnologia de aplicação faz diferença

    Com parte das pragas protegidas pela palhada ou dentro do cartucho, a eficiência dos defensivos depende cada vez mais da qualidade da aplicação. “Em 2026, o produtor deve acertar o timing e melhorar a cobertura da gota. O uso de desalojantes pode ajudar a expor pragas escondidas e aumentar a efetividade do controle”, conclui o agrônomo.

  • Migração de percevejos da soja para o milho aumenta risco à segunda safra

    Migração de percevejos da soja para o milho aumenta risco à segunda safra

    Com o término da safra de soja, produtores estão enfrentando uma preocupante migração de percevejos, especialmente o percevejo-barriga-verde, para as lavouras de milho. Esse movimento pode representar um risco significativo para a segunda safra, destacando a importância do monitoramento e manejo antecipado para evitar prejuízos.

    O percevejo-barriga-verde (Diceraeus spp.) é uma praga que pode causar danos significativos ao milho. Segundo Raphael Malandrino, gerente de Produto (Inseticidas) da ADAMA, o manejo antecipado é crucial. “O produtor precisa monitorar a lavoura e utilizar medidas para interromper o aumento populacional da praga, como o uso assertivo de inseticidas”, afirma.

    Estratégias de manejo

    O período de dessecação pré-colheita da soja é fundamental para o agricultor, pois permite uma visão clara da população de percevejos presentes na lavoura. Nesse momento, o agricultor pode adotar estratégias de manejo inteligentes antes que a cultura do milho se estabeleça.

    O uso de inseticidas no tratamento de sementes também é essencial. Em regiões com histórico de alta pressão de percevejos-barriga-verde, é recomendado aplicar inseticidas antes mesmo da emergência do milho, com foco na redução da população dos insetos. Aplicações pós-emergentes são igualmente importantes, assim que o milho emergir, e devem continuar até as plantas terem cerca de quatro folhas.

    Malandrino destaca que a combinação de ativos traz resultados mais eficazes. “É importante que o produtor observe os intervalos entre as aplicações e entenda que a combinação de ativos é fundamental para o controle efetivo dos percevejos”, finaliza.

    Portanto, a migração de percevejos da soja para o milho é um desafio que exige atenção imediata dos produtores. Com estratégias de manejo antecipado e o uso adequado de inseticidas, é possível minimizar os danos e garantir uma safra mais rentável.

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