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  • Antes de morrer, Glória Menezes viveu em fazenda milionária com Tarcísio Meira

    Antes de morrer, Glória Menezes viveu em fazenda milionária com Tarcísio Meira

    A morte de Glória Menezes, aos 91 anos, nesta terça-feira (18), encerrou a trajetória de uma das grandes atrizes da televisão brasileira e também trouxe novamente à memória a história construída ao lado de Tarcísio Meira, seu marido por quase seis décadas.

    Fora das telas, Tarcísio construiu uma trajetória que pouca gente conhece: o ator também investiu no agronegócio e tornou-se proprietário de propiedades rurais pelo país.

    Após a morte do ator, em agosto de 2021, parte da administração dos negócios passou para o filho, Tarcísio Filho.

    Isolamento da COVID-19 foi no campo

    Antes da morte de Tarcísio, em 2021, ele e Glória Menezes viveram os últimos anos juntos em uma fazenda de gado, localizada no munícipio de Porto Feliz, no interior de São Paulo. A mudança aconteceu no início da pandemia de Covid, em março de 2020.

    O local funcionava como uma unidade produtiva moderna com foco em bem-estar animal, além de contar com biodigestores para tratar dejetos de gado — gerando biofertilizante e biogás para alimentar uma miniusina de energia limpa própria.

    Além disso, a propriedade também erviu de palco para momentos marcantes da família. Em 2021, a atriz levou a filha, Maria Amélia Brito, até o altar na cerimônia de casamento realizada nos jardins da fazenda.

    Glória Menezes acompanha filha até o altar em casamento na fazenda da família em Porto Feliz (Foto: Divulgação/Filó Cerimonial)

    A celebração cumpriu um desejo deixado por Tarcísio Meira antes de falecer e foi oficializada por uma das netas de Glória.

    Fazenda de Tarcísio Meira tem mais de 10 mil hectares

    Nio entanto, o principal empreendimento da família é a Fazenda São Marcos, com mais de 10 mil hectares em Aurora do Paraná, cuja gestão hoje é realizada por Tarcísio Filho.

    O interesse de Tarcísio Meira pela região começou ainda na década de 1970. Durante uma viagem profissional a Manaus, o ator tomou conhecimento de uma grande área disponível para compra e decidiu investir.

    Com o passar dos anos, a ligação com o Pará se fortaleceu, e o famoso chegou a dizer que havia se tornado “quase um paraense”.

    Tarcísio também investiu na comunidade

    A atuação do ator na propriedade não ficou restrita à produção agropecuária.

    Na Fazenda São Marcos, foram construídas moradias para funcionários e mantida uma escola gratuita que atendia filhos de trabalhadores, além de crianças de pequenos agricultores e colonos da região.

    Cerca de metade da extensão da propriedade também é mantida como área de preservação ambiental.

    Vizinho, o produtor Jeferson Castilhou afirmou que Meira também cultivava a harmonia e era simpático com todos ao redor.

    “A propriedade é vizinha nossa. Ele vinha comprar uva e era um senhor tranquilo, simples. Várias vezes encontrei com ele em supermercado, farmácia, padaria. Muito tranquilo, simpático.”

    Tarcísio Meira e Glória Menezes eram apreciadores da vida no campo (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

    “Não era só patrão, era amigo de todos do sítio, fazia de tudo por seus funcionários. Ele era acostumado a dar presente às crianças do sítio no Natal e sempre tirava fotos com todos. Por causa da pandemia, no final do ano passado ele fez depósito bancário para não ter contato com ninguém”, relembra também Regiane Domicianoma, ex-funcionária do local.

    Glória Menezes e Tarcísio ficaram juntos por quase 60 anos

    Glória Menezes e Tarcísio Meira se conheceram no início da década de 1960, quando ambos davam os primeiros passos de suas carreiras.

    Os dois se casaram em 1962 e construíram uma das uniões mais conhecidas da televisão brasileira. O casamento durou 59 anos, até a morte do ator.

    Além da vida pessoal, Glória e Tarcísio dividiram as telas inúmeras vezes e se tornaram um dos casais mais reconhecidos da dramaturgia nacional.

    Amor até o fim

    Tarcísio Meira morreu em agosto de 2021, aos 85 anos, em decorrência de complicações da Covid-19.

    Glória Menezes morreu nesta terça-feira (18), aos 91 anos, em sua casa, no Rio de Janeiro.

  • Conheça a fazenda milionária que Tarcísio Meira deixou de herança

    Conheça a fazenda milionária que Tarcísio Meira deixou de herança

    Conhecido como um dos maiores atores da televisão brasileira, Tarcísio Meira também construiu uma sólida trajetória no agronegócio. Além da carreira artística, o ator investiu em uma grande propriedade rural no Pará, dedicada principalmente à pecuária de corte. Após sua morte, em 2021, a administração dos negócios passou para o filho, Tarcísio Filho.

    A principal propriedade da família é a Fazenda São Marcos, localizada na zona rural de Aurora do Pará, no leste do estado. Com mais de 10 mil hectares, a fazenda continua sendo uma referência entre as propriedades rurais.

    Como o ator entrou no agronegócio

    O interesse de Tarcísio Meira pela região começou na década de 1970. Durante uma viagem profissional a Manaus, o ator conheceu uma grande área disponível para compra e decidiu investir no local.

    Segundo relatos da época, ele costumava dizer que havia se tornado “quase um paraense”, demonstrando a forte ligação que criou com a região ao longo dos anos.

    Fazenda é voltada à pecuária e à produção agrícola

    A Fazenda São Marcos tem como principal atividade a pecuária de corte. Além da criação de gado, a propriedade também cultiva milho e soja, utilizados principalmente na alimentação do rebanho.

    Além disso, cerca de metade da área da fazenda permanece preservada como reserva ambiental.

    Tarcísio Meira passou a quarentena com a esposa em sua fazenda, antes de vir a óbito — Foto: Divulgação

    Investimentos também beneficiaram a comunidade

    Além da produção rural, o famoso também realizou investimentos voltados ao bem-estar dos funcionários e da população local.

    Na propriedade foram construídas moradias para os colaboradores, além da manutenção de uma escola gratuita destinada aos filhos dos trabalhadores, pequenos agricultores e colonos da região.

    Herança de família

    Em agosto de 2021, Tarcísio Meira morreu aos 85 anos em decorrência de complicações provocadas pela Covid-19. Nos últimos meses de vida, permaneceu isolado ao lado da esposa, Glória Menezes, em uma das propriedades da família.

    Desde então, Tarcísio Filho assumiu a administração da Fazenda São Marcos e dos demais negócios rurais, passando a dedicar parte de sua rotina à gestão do patrimônio construído pelo pai.

  • Grupo Daabon assume operação da Agropalma no Pará

    Grupo Daabon assume operação da Agropalma no Pará

    O Grupo Daabon concluiu a aquisição de 100% das operações da Agropalma no Pará e iniciou oficialmente sua atuação no mercado brasileiro de óleo de palma. A empresa colombiana passa a controlar ativos estratégicos, incluindo áreas de plantio, reservas florestais, seis indústrias de extração em Tailândia (PA) e uma refinaria em Belém.

    A operação marca a entrada direta da Daabon no Brasil e inaugura uma nova fase para a Agropalma, referência nacional em produção sustentável de óleo de palma. As unidades no Pará mantêm a marca Agropalma, enquanto a refinaria de Limeira (SP), que não integrou o acordo, passa a operar sob o nome Indústrias Xhara, sob gestão da APAR Holdings.

    Com presença em quatro continentes, a Daabon amplia sua atuação na América Latina e reforça sua estratégia de expansão em cadeias agrícolas sustentáveis. Fundada em 1914, a companhia acumula mais de um século de experiência e atua de forma integrada da produção ao mercado.

    Segundo Giancarlo Dávila, CEO da Agropalma, a integração fortalece o desenvolvimento do setor no país. “Vamos contribuir com nossa expertise em agricultura, industrialização e sustentabilidade para apoiar o crescimento do óleo de palma no Brasil, ao lado dos profissionais do Pará”, afirma.

    Sustentabilidade

    A Daabon opera com certificações como Regenerative Organic Certified (ROC), Fair Trade e RSPO, além de adotar políticas de desmatamento zero e rastreabilidade total da produção. A empresa também mantém programas voltados ao desenvolvimento comunitário, alinhados às práticas já consolidadas pela Agropalma.

    Para André Gasparini, diretor Comercial, de Marketing e P&D da Agropalma, a transação garante a continuidade de um modelo consolidado. “Construímos uma operação integrada, com foco em qualidade e responsabilidade socioambiental. A chegada da Daabon assegura a manutenção desse legado”, diz.

    A empresa colombiana planeja ampliar investimentos no Pará, com foco em aumento de produtividade, fortalecimento da cadeia do óleo de palma e expansão de programas com agricultores familiares. A iniciativa também deve impulsionar a geração de empregos e parcerias locais.

    Agropalma mantém liderança em óleo de palma sustentável

    Fundada em 1982, em Tailândia (PA), a Agropalma consolidou-se como referência global na produção sustentável de óleo de palma. A empresa atua em toda a cadeia produtiva, da produção de mudas ao refino e desenvolvimento de produtos de alto valor agregado.

    Atualmente, a companhia opera seis indústrias de extração, uma refinaria em Belém e um terminal de exportação, além de empregar cerca de 5 mil colaboradores. O programa de agricultura familiar, implementado há mais de duas décadas, beneficia mais de 300 produtores parceiros.

    Daabon reforça estratégia global com foco em sustentabilidade

    Com sede em Santa Marta, na Colômbia, o Grupo Daabon atua nos segmentos de agricultura, indústria, logística e energia. Seu portfólio inclui óleo de palma, banana, café e bioenergia.

    A empresa emprega mais de 5 mil pessoas e sustenta sua estratégia em três pilares: sustentabilidade, rastreabilidade e inovação. A aquisição da Agropalma fortalece sua presença global e amplia a participação no mercado de óleo de palma sustentável.

  • Festival do Chocolate e Cacau reúne produtores do Brasil e exterior

    Festival do Chocolate e Cacau reúne produtores do Brasil e exterior

    Altamira (PA) recebe, entre os dias 11 e 14 de junho, a 5ª edição do Festival Internacional do Chocolate e do Cacau. O evento reúne produtores, especialistas e visitantes do Brasil e do exterior no Centro de Convenções Vilmar Soares, na Região de Integração do Xingu. A abertura oficial ocorre nesta quinta-feira (11), às 19h.

    A programação ganha força a partir de sexta-feira (12), com visitação aberta ao público das 14h às 22h. Conhecido como Chocolate Xingu, o festival resulta de uma parceria entre o Governo do Pará, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), e a Prefeitura de Altamira.

    O Fundo de Apoio ao Desenvolvimento da Cacauicultura do Pará (Funcacau) financia o evento e garante a participação de produtores de diversas regiões do estado. A iniciativa busca fortalecer a cadeia produtiva e ampliar oportunidades de negócios para os cacauicultores paraenses.

    Segundo o coordenador do festival e do Procacau, Ivaldo Santana, o evento se consolidou como um dos mais relevantes da América Latina. “O festival atrai mais de 100 mil visitantes e movimenta produtores e empreendedores do setor. A expectativa para esta edição é alta, com novidades e oportunidades”, afirma.

    Experiências e negócios impulsionam o evento

    A programação inclui exposição de chocolates de origem, derivados de cacau, experiências sensoriais e peças de artesanato que valorizam a cultura amazônica. Os visitantes também percorrem espaços inspirados no sistema agroflorestal, destaque da produção sustentável no Pará.

    Entre as atrações, o chef e chocolatier Léo Vilela comandará a criação de uma escultura feita integralmente de chocolate, produzida ao vivo. O evento também oferece Cozinhas Show e atividades para o público infantil, além de demonstrações do processo de fabricação do chocolate.

    Fórum e tendências do mercado de cacau

    Além das atividades culturais e gastronômicas, o festival promove debates técnicos sobre a cadeia produtiva. Na sexta-feira (12), o Fórum do Cacau reúne especialistas e produtores em palestras voltadas ao setor. No sábado (13), o Chocoday apresenta painéis sobre tendências globais do mercado de chocolate.

    Foto: Rose Barbosa/Divulgação

    A programação inclui ainda o II Concurso de Melhor Chocolate Artesanal e Produtos Derivados de Cacau e Chocolate, que reconhece a qualidade e a inovação da produção amazônica.

    Serviço

    • Evento: Festival Internacional do Chocolate e do Cacau
    • Data: 11 a 14 de junho
    • Local: Centro de Eventos Vilmar Soares, Altamira (PA)
    • Abertura: 11 de junho, às 19h
    • Visitação: 12 a 14 de junho, das 14h às 22h
  • Cacau do Pará domina o principal concurso de chocolate fino do Brasil em 2026

    Cacau do Pará domina o principal concurso de chocolate fino do Brasil em 2026

    O Pará confirmou mais uma vez sua hegemonia no mundo do chocolate fino. Na edição 2026 do Prêmio Bean to Bar Brasil, considerado o principal concurso do setor no país, seis das onze barras finalistas usaram cacau paraense. Os organizadores divulgaram os vencedores na última semana.

    A medalha de ouro na categoria chocolates intensos ficou com a Invento Chocolates, de Santa Catarina, que produziu um 70% cacau com amêndoas do assentamento Tuerê, no município de Novo Repartimento, na Região de Integração do Lago Tucuruí. Com essa conquista, o assentamento chega a 44 premiações nacionais e internacionais. Portanto, um histórico que consolida a região entre os endereços de referência para o cacau de excelência no Brasil.

    O Pará lidera a produção nacional de cacau, com a região da Transamazônica respondendo por 86,3% da produção estadual. O estado produz cerca de 152 mil toneladas de amêndoas por ano. A força na quantidade reflete diretamente na qualidade: municípios como Medicilândia, Brasil Novo e Novo Repartimento indicam a procedência das melhores amêndoas do Brasil.

    Sítio Ascurra e Medicilândia brilham em múltiplas categorias

    Outro destaque da edição foi o Sítio Ascurra, do produtor Robson Brogni, em Medicilândia, na Região de Integração do Xingu. O sítio aparece em dois chocolates premiados da Invento Chocolates. Um bronze nos intensos e uma prata no ao leite, repetindo o reconhecimento que já havia recebido na edição anterior do concurso.

    Medicilândia é o maior município produtor de cacau do Pará, com 37.564 toneladas, seguida por Uruará (21.426 toneladas) e Placas (17.052 toneladas).

    Avaliação às cegas garante imparcialidade

    No concurso, todos os chocolates tomam a forma de barras idênticas e os jurados os avaliam sem saber a origem ou a marca. Portanto, uma metodologia que garante imparcialidade total na avaliação. Os ingredientes permitidos são apenas cacau, açúcar, manteiga de cacau e lecitina (no caso do ao leite), também leite em pó, sem gorduras vegetais, aromatizantes ou terceirização de qualquer etapa da produção.

    O coordenador do Procacau da Sedap, Ivaldo Santana, destacou que a premiação reforça a liderança das amêndoas paraenses no mercado nacional. Para ele, o momento também serve de convite: o Festival Internacional do Chocolate e do Cacau de Altamira, entre os dias 11 e 14 de junho, vai levar ao público os mesmos cacaus que brilharam no concurso.

    “Essa amêndoa utilizada em alguns desses chocolates que se destacaram na premiação estará presente nos diferentes produtos que serão ofertados no festival. É uma ótima oportunidade do público conferir essa excelência das nossas amêndoas, não apenas produzidas na Transamazônica como em outras regiões do Pará”, afirmou Santana.

    Confira a lista completa dos vencedores — Bean to Bar Brasil 2026

    Chocolates Intensos (70–80% cacau)

    • Ouro: Invento Chocolates 70% — Tuerê, PA
    • Prata: Magian Cacao 70% — Medicilândia, PA (Robson Brogni)
    • Prata: Magian Cacao 70% catongo — Uruará, PA (Gilmar Batista)
    • Bronze + Escolha do Público: Monjolo Chocolates 70% — Medicilândia, PA
    • Bronze: Invento Chocolates 70% Sítio Ascurra — Medicilândia, PA
    • Bronze: Mission Chocolate 70% — Castelo Novo, Ilhéus, BA

    Chocolates ao Leite

    • Ouro + Escolha do Público: Mission Chocolate 43% — Castelo Novo, Ilhéus, BA
    • Prata: Invento Chocolates 45% Sítio Ascurra — Medicilândia, PA
    • Bronze: Alma Chocolates 55% — Bahia
    • Bronze: Ocan Chocolate Bean to Bar 52% — Espírito Santo
    • Bronze: Alma Chocolates 44% — Espírito Santo
  • Cacau nativo da Amazônia dá ao Pará vantagem sobre nova legislação do chocolate

    Cacau nativo da Amazônia dá ao Pará vantagem sobre nova legislação do chocolate

    O Pará produz chocolate com teor de cacau que vai de 56% a 90%. Isso é bem acima do mínimo de 35% que o Governo Federal acaba de tornar obrigatório para o setor. A nova legislação, que também fixa 25% como piso para o chocolate ao leite, chega tarde para os produtores paraenses, mas abre uma janela de oportunidade: com a indústria obrigada a usar mais cacau, a demanda por amêndoas da região deve crescer.

    Festival Internacional do Chocolate e do Cacau recebeu 100 mil visitantes e gerou R$ 15 milhões em negócios

    Durante o Festival Internacional do Chocolate e do Cacau, realizado pelo Governo do Estado no final de abril, o público degustou produtos com teores entre 40% e 90% de cacau. Ou seja, uma vitrine da produção local que contrasta com o padrão industrial que a lei agora pretende combater.

    Fábrica familiar produz acima do exigido

    A Da Cruz Chocolate, única fábrica do segmento na Região Metropolitana de Belém, fica no bairro do Atalaia, em Ananindeua. O chocolateiro e agrônomo Flávio Cruz afirma que o produto com menor percentual de cacau que a empresa fabrica chega a 56%. Para ele, a nova lei beneficia tanto o produtor quanto o consumidor.

    O filho Samuel Cruz, responsável pela área comercial e pelas visitas guiadas à fábrica, diz que a legislação muda pouco na rotina deles. “O chocolate de verdade tem propriedades importantes para a saúde. Chocolate não é só porcentagem. É origem, é terroir, é fermentação bem feita, é respeito ao produtor e sabor real”, afirma.

    Ao lado da fábrica, a família mantém uma área de cultivo de cacau livre de agrotóxicos e enriquecida com espécies florestais nativas. A diretora-geral Chiara Cruz explica que a maior parte da amêndoa vem de produtores externos que adotam os mesmos critérios. “Compramos de produtores que tratam a amêndoa da forma como a gente trabalha”, diz.

    Estado já colhe prêmios internacionais

    O secretário de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca, Giovanni Queiroz, lembra que o cacau paraense cultivado em sistema agroflorestal já rendeu ao estado premiações nacionais e internacionais. Ele destaca que o principal impacto da lei para o Pará não está nas exigências de fabricação, que os produtores locais já cumprem. Mas no aumento da demanda por amêndoas.

    “A legislação trouxe boas expectativas aos produtores do Pará. Quanto maior o consumo, maior a participação no lucro do chocolate vendido. Isso favorece o consumidor e o pequeno produtor”, observa. O secretário também aponta uma mudança no perfil do consumidor: “Muita gente hoje opta por chocolates com percentuais entre 40% e 80%. Essa legislação é boa para quem produz e para quem consome.”

    Indústria terá que reformular produtos

    Para o professor Jesus Nazareno Souza, coordenador do Centro de Valorização de Compostos Bioativos da Amazônia (CVACBA), da UFPA, a lei atinge principalmente a grande indústria, não os chocolateiros artesanais, que já trabalham com chocolate fino. “A indústria vai ter que usar mais cacau. E não vai ter mais aquele negócio de ‘sabor chocolate’: terão que colocar cacau de verdade para poder usar o nome”, ressalta.

    O engenheiro agrônomo Ivaldo Santana, coordenador do Procacau da Sedap e do Festival Internacional do Chocolate e do Cacau, reforça a avaliação. “A legislação beneficia o produtor de amêndoa, pois quem fabrica chocolate terá que comprar mais para garantir os 35% mínimos. Isso beneficia muito o produtor paraense e o brasileiro como um todo”, diz. Santana é direto ao apontar o alvo real da lei: “Essa legislação só serve para aquelas grandes marcas que usam pouco chocolate nos seus produtos. O nosso chocolate artesanal produzido no Pará nunca usou menos de 35%.”

  • Empresa seleciona jovens líderes para indústria com vagas em São Paulo

    Empresa seleciona jovens líderes para indústria com vagas em São Paulo

    Termina no dia 22 de maio o prazo de inscrição para o programa Friboi Desenvolve, iniciativa da JBS voltada à formação de jovens lideranças industriais. No interior de São Paulo, a empresa oferece quatro vagas nas unidades de Lins e Barretos.

    O programa busca profissionais com até dois anos de formação em nível superior para atuar nas áreas de produção e manutenção.

    Ao todo, a JBS disponibiliza 62 vagas em diversas regiões do país, incluindo Bahia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará e Rondônia.

    Formação com foco prático e liderança

    Os selecionados participarão de uma jornada de desenvolvimento com duração de 18 meses. O programa inclui 12 meses de atuação prática nas operações industriais, seguidos por seis meses em regime de supervisão compartilhada. Ao final, os participantes podem assumir cargos efetivos de liderança.

    A capacitação segue o modelo 70-20-10, que prioriza o aprendizado prático. Nesse formato, 70% do conhecimento ocorre na rotina de trabalho e em job rotation, 20% vem da troca com equipes e lideranças, e 10% envolve treinamentos estruturados e workshops.

    Cursos elegíveis para cada área

    Para as vagas na área de produção, a empresa busca profissionais formados em:

    Engenharia de Alimentos, Agronômica ou de Produção

    • Zootecnia
    • Medicina Veterinária
    • Gestão Industrial

    Já para a área de manutenção, podem se candidatar graduados em:

    • Engenharia Elétrica
    • Engenharia Mecânica
    • Engenharia Mecatrônica
    • Engenharia Química
    • Automação ou Manutenção Industrial

    Segundo Wanderson Costa, diretor de Recursos Humanos da Friboi, o programa reforça a estratégia de desenvolvimento interno da companhia. “Buscamos acelerar talentos com alto potencial e formar líderes preparados para atuar com excelência e contribuir de forma sustentável para o futuro do negócio”, afirma.

    Setor de proteína animal impulsiona empregos

    O programa surge em um contexto de alta demanda por profissionais qualificados no setor de alimentos. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) indicam que o segmento emprega cerca de 10,6 milhões de pessoas, o equivalente a 10,3% da força de trabalho nacional.

    Nesse cenário, a formação de lideranças se torna estratégica para sustentar o crescimento e a competitividade da cadeia de proteína animal no Brasil.

    Etapas do processo seletivo

    A seleção inclui seis fases, com testes online, avaliações técnicas voltadas à resolução de problemas industriais e entrevistas com comitês locais e corporativos.

    Os interessados devem se inscrever até 22 de maio de 2026 pelo site oficial: https://friboidesenvolve.gupy.io/.

  • Kunhã Arã: chocolate indígena chega ao mercado produzido pela comunidade Juruna

    Kunhã Arã: chocolate indígena chega ao mercado produzido pela comunidade Juruna

    Uma associação indígena de Altamira, no sudoeste do Pará, acaba de lançar o primeiro chocolate artesanal integralmente fabricado dentro de uma comunidade indígena brasileira. O Kunhã Arã, expressão tupi que significa “Guerreira da Luz” ou “Guerreira da Vida”, chegou ao mercado durante o Chocolat Amazônia 2026, Festival Internacional do Chocolate e Cacau, encerrado no último domingo (26) no Hangar Centro de Convenções, em Belém.

    O produto nasce na região do Médio Xingu, que, junto com o restante do Pará, responde por mais da metade da produção nacional de cacau. Mas o que diferencia o Kunhã Arã da maioria dos chocolates amazônicos disponíveis no mercado é o controle total da cadeia produtiva pela própria comunidade: do plantio de cerca de 19.000 pés de cacau em sistema agroflorestal sustentável, passando pela fermentação, secagem e torra, até a formulação e embalagem das barras, tudo acontece dentro do território Juruna.

    Um projeto de mulheres indígenas

    A Associação Indígena Tubyá, formada por 51 famílias de indígenas Juruna de contexto urbano e rural, comanda toda a operação. Oito famílias atuam diretamente nas etapas de campo, e a iniciativa tem liderança explicitamente feminina: Irasilda Morais Pereira Fernandez Juruna encabeça o projeto, que nasceu com foco no empoderamento e complementação de renda das mulheres da comunidade.

    “O que temos hoje na comunidade é inexplicável. Começou com o Chocodjá, antigo nome do chocolate, e logo deu certo, com muita saída”, conta Irasilda. “É um projeto voltado para as mulheres, com o objetivo de complementar a renda das famílias. Antes não tínhamos apoio. Pedimos a ajuda da Norte Energia e recebemos mais do que um apoio. Hoje temos uma parceria em tudo. Nossa expectativa é ampliar o alcance e levar o produto para outros estados  e até para fora do Brasil. Para quem começou do zero, eu sei que chegaremos lá.”

    O Kunhã Arã chega às prateleiras em três versões: chocolate ao leite com 50%, 70% e 100% de cacau. A fórmula artesanal leva manteiga de cacau e não contém conservantes nem aromatizantes.

    Apoio estrutural e identidade cultural

    O produto é o sexto de uma linha de chocolates indígenas apoiada pela Norte Energia, concessionária da Usina Hidrelétrica Belo Monte. O suporte veio do Plano Básico Ambiental do Componente Indígena da usina e incluiu o fornecimento de mais de 11.000 mudas de cacau, assistência técnica, construção de cinco secadores solares, um melangê (equipamento de refino do cacau) e formas para moldagem das barras, equipamentos que tornaram possível a fabricação local. A empresa também custeou mil embalagens iniciais e participou da elaboração do plano de identidade visual da marca.

    “Temos o compromisso de fortalecer a agricultura familiar indígena, promovendo sustentabilidade, empreendedorismo e empoderamento feminino nas comunidades da região”, afirma Thomás Sottili, gerente de Projetos de Sustentabilidade da Norte Energia. “Iniciativas como essa geram impacto positivo duradouro ao criar oportunidades de renda, valorizar saberes tradicionais e contribuir para a qualidade de vida das famílias.”

    A identidade visual do Kunhã Arã dialoga diretamente com o esforço de resgate cultural dos Juruna, povo que perdeu parte de sua língua e de seus grafismos tradicionais após o contato com não indígenas em 1750. A logomarca traz uma figura feminina que representa a guerreira guardiã da floresta, coroada por um cocar em forma de sol, referência ao cacau como fruto sagrado e ancestral.

    Próximos passos: merenda escolar e exportação

    Com capacidade de produção inicial de 50 kg de chocolate por mês, a Associação Tubyá já projeta expansão. Os planos incluem o fornecimento do Kunhã Arã para a merenda escolar por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e a busca por mercados em outros estados brasileiros e no exterior.

    O chocolate indígena do Médio Xingu chega, portanto, carregando muito mais do que cacau. Traz consigo uma história de autonomia, resistência cultural e empreendedorismo feminino que começa a ganhar escala e visibilidade nacional.

  • Único batalhão do mundo que usa búfalo como viatura fica no Brasil

    Único batalhão do mundo que usa búfalo como viatura fica no Brasil

    Imagine uma ocorrência policial numa área alagada, com lama no joelho e nenhuma estrada à vista. A viatura para na beira do campo. A moto afunda. O barco não tem profundidade suficiente para navegar. É exatamente nesse cenário, que se repete todo ano durante o período chuvoso na Amazônia, que o 8º Batalhão da Polícia Militar do Pará encontrou uma solução que nenhum outro lugar do mundo teve: mandar um búfalo.

    O policiamento com búfalos existe há mais de três décadas na ilha de Marajó, mas foi oficializado em 2021 pelo 8º Batalhão da Polícia Militar. A unidade, considerada única no mundo nessa modalidade, mantém sete búfalos em serviço ativo e reserva dez policiais exclusivamente para esse tipo de patrulhamento. No entanto, quase todo o efetivo sabe montar, e não é por acaso: 80% dos militares nasceram no próprio arquipélago.

    A geografia que obrigou a criatividade

    Soure, a chamada “Pérola do Marajó,” tem cerca de 25 mil habitantes e fica a apenas 80 km de Belém, mas poderia estar em outro mundo em termos de infraestrutura. A cidade é banhada por rios e concentra muitas áreas de difícil acesso, o que limita o alcance de motocicletas e viaturas operacionais em determinadas ocorrências.

    O policiamento com búfalos não é apenas atração turística na área urbana. Nas zonas alagadas, que se tornam intrafegáveis em certos períodos do ano, nem a pé, nem de moto, nem de viatura, nem mesmo de embarcações menores é possível circular. O búfalo vai onde nenhum veículo chega.

    “É um policiamento totalmente adaptado às condições geográficas da região do Marajó Oriental. Uma região que, na época do inverno, tem alagamentos. Com isso, a viatura e a moto não conseguem percorrer, e onde elas não conseguem, tanto o búfalo quanto o cavalo são meios de deslocamento do policial até áreas de difícil acesso”, explica a tenente-coronel Christine Pinheiro, comandante do 8º BPM.

    Um animal que pesa 590 kg e não afunda

    O búfalo não é um substituto improvisado, mas uma escolha técnica. O animal, que pesa em média 590 quilos, consegue se locomover em terrenos e áreas alagadas devido à força e à tração das patas. Além disso, os cascos resistentes não apodrecem com a umidade, o que garante durabilidade nas longas patrulhas. Os búfalos também conseguem buscar alimento debaixo d’água, o que lhes dá energia constante durante o serviço.

    Os animais passam por um processo de seleção e treinamento rigoroso. Apenas quando o búfalo chega à fase adulta e apresenta bom desempenho nos treinos em áreas alagadas é que se torna apto ao serviço policial militar. O treinamento é conduzido pelos próprios policiais nativos da região, que cresceram com o animal e entendem seu comportamento.

    “A nossa região pede que o policial saiba montar e atuar com búfalos, porque os municípios do Marajó, como Soure, Cachoeira do Arari e Salvaterra, possuem várias áreas alagadas”, afirmou o sargento Manoel Vitelli Júnior, integrante do 8º Batalhão.

    O búfalo no Marajó tem raiz histórica

    A presença do búfalo no arquipélago não começou com a polícia. Nos anos 1890, um fazendeiro de Soure chamado Vicente Chermont de Miranda viajou pela Itália, viu o potencial do animal e trouxe os primeiros exemplares para a ilha. De lá para cá, o rebanho cresceu de forma impressionante. Segundo dados do IBGE de 2021, o Pará concentrava cerca de 620 mil cabeças de búfalo, o equivalente a 40% do total nacional, com mais de 430 mil delas apenas na ilha do Marajó.

    Assim, o búfalo foi deixando de ser apenas um animal de produção para se tornar símbolo cultural. No Marajó, ele está presente na culinária, no policiamento, na produção de couro, nas apresentações culturais e no ambiente familiar dos moradores. O brasão do próprio 8º Batalhão traz a imagem do animal, e em 2023 o búfalo do Marajó chegou ao Carnaval carioca, inspirando o enredo da escola Paraíso do Tuiuti no Rio de Janeiro.

    Segurança que virou vitrine

    O policiamento montado resolve um problema logístico real, mas gerou outro resultado. De quinta a domingo, os militares levam os animais até o porto de Soure para receber turistas de vários estados e de outros países. Muitos visitantes buscam a ilha justamente para ver de perto esse policiamento inusitado.

    O comandante do 8º Batalhão, tenente-coronel Wilson Carlos de Araújo Filho, destaca que o búfalo aproxima a PM tanto do turista quanto da população local. O animal é símbolo do Marajó, e o policiamento ostensivo se alinha a esse aspecto cultural da região.

    A professora Ana Paula, moradora de Soure, resume o que muitos vizinhos sentem: “Esse policiamento é interessante e único, porque nas outras cidades não é comum a gente ver búfalos no meio da rua, muito menos sendo utilizado no serviço policial. Eu costumo ver todos os dias os policiais e isso me deixa tranquila e me traz a sensação de segurança.”

    No fundo, o 8º Batalhão transformou uma limitação geográfica em estratégia. A Amazônia impõe suas regras. A polícia aprendeu que a melhor resposta para um terreno impossível nem sempre está num manual de segurança pública. Às vezes, está no pasto ao lado do batalhão, pesando 590 quilos e esperando a próxima ronda.

     

  • Ibama multa empresas cosméticas e farmacêuticas por uso irregular de saberes indígenas

    Ibama multa empresas cosméticas e farmacêuticas por uso irregular de saberes indígenas

    O Ibama multou empresas cosméticas e farmacêuticas em R$ 2,2 milhões por explorar ilegalmente conhecimentos tradicionais de povos indígenas e comunidades tradicionais sobre o uso da biodiversidade. A Operação Guardiões da Biodiversidade, iniciada em março, fiscalizou 47 empresas em 12 estados e resultou em 51 autos de infração.

    Agentes do Ibama verificam estoque de insumos de indústria cosmética. Foto: Divulgação/Ibama

    Os agentes ambientais atuaram no Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. Fabricantes de pigmentos, saneantes e fitoterápicos estão entre os estabelecimentos notificados para se regularizar perante a Lei da Biodiversidade.

    “O foco da operação foi o desenvolvimento irregular de produtos cosméticos e farmacêuticos que utilizaram conhecimento tradicional de povos indígenas e comunidades tradicionais sobre o uso da biodiversidade, sem o devido consentimento prévio informado”, explicou Igor de Brito, coordenador de Fiscalização da Biodiversidade do Ibama.

    O que as empresas fizeram de errado

    As empresas autuadas acessaram conhecimento tradicional de origem identificável sem obter consentimento prévio informado. E deixaram de indicar a origem desse conhecimento em explorações econômicas ou pedidos de patentes. São condutas previstas nos artigos 83 e 84 do Decreto nº 8.772/2016.

    Entre os conhecimentos acessados irregularmente estão aqueles sobre o uso tradicional de espécies nativas como o urucum (Bixa orelana), a aroeira (Schinus terebinthifolia), o jagube (Banisteriopsis caapi) e a chacrona (Psychotria viridis).

    Outras infrações incluíram a exploração econômica de produtos acabados sem notificação prévia ao SisGen, o Sistema Nacional de Gestão do Patrimônio Genético e do Conhecimento Tradicional Associado. As multas previstas pelo Decreto nº 8.772/2016 variam de R$ 1 mil a R$ 10 milhões. Isso conforme a gravidade da conduta e a capacidade econômica do infrator.

    Por que essa lei existe

    O agente ambiental federal Isaque Siqueira, coordenador nacional da operação, destaca que a legislação reconhece formalmente povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares como guardiões da biodiversidade e de saberes ancestrais que impulsionam a inovação científica e industrial.

    “Ao garantir o direito de participação desses grupos na tomada de decisões e ao condicionar o acesso aos seus conhecimentos à obtenção de consentimento prévio informado, a lei protege sua integridade cultural e assegura que os lucros gerados retornem em forma de desenvolvimento sustentável”, afirmou Siqueira.

    Para as comunidades detentoras do conhecimento, o cumprimento das normas representa proteção contra a exploração indevida. E uma oportunidade de protagonismo na celebração de acordos que valorizam seus modos de vida e garantem recursos para a manutenção de seus territórios.

    O que diz a legislação

    A Lei da Biodiversidade (Lei nº 13.123/2015), referência internacional entre os países signatários da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), estabelece o marco regulatório nacional para o acesso e uso do patrimônio genético e do conhecimento tradicional associado no Brasil.

    Entre as principais obrigações para pesquisadores e indústrias estão o cadastro obrigatório de todas as atividades de acesso no SisGen e a notificação prévia à comercialização de produtos desenvolvidos a partir desses recursos.

    Empresas de médio e grande porte também devem repartir parte da receita gerada com a exploração econômica da biodiversidade. Esses recursos vão ao Fundo Nacional de Repartição de Benefícios (FNRB), que os aplica na conservação ambiental e na proteção do conhecimento tradicional.

    Nos casos em que a origem do conhecimento é identificável, a lei exige ainda a celebração de acordos específicos de repartição de benefícios, em formato monetário ou não monetário, diretamente com os detentores desses saberes, salvo exceções previstas na norma.