Tag: óleo de palma

  • El Niño 2026 pode reduzir oferta global de trigo e óleo de palma

    El Niño 2026 pode reduzir oferta global de trigo e óleo de palma

    A confirmação de um novo ciclo de El Niño para o segundo semestre de 2026 recoloca o clima no centro das atenções do mercado agrícola global. O fenômeno deve impactar diretamente a oferta de trigo e óleo de palma, duas commodities sensíveis às variações de temperatura e precipitação associadas ao aquecimento do Pacífico.

    Infográfico sobre efeitos no El nino nos proximos meses

    De acordo com análise da Hedgepoint Global Markets, o El Niño tende a pressionar a produção em regiões-chave e elevar a volatilidade dos preços nos próximos meses.

    Austrália lidera riscos para o trigo global

    A Austrália concentra os principais riscos para o mercado internacional de trigo. O El Niño costuma reduzir as chuvas e elevar as temperaturas nas regiões produtoras do oeste e sudeste do país, justamente durante fases críticas do desenvolvimento da cultura.

    Infográfico sobre produção de oleo de palma na Australia

    Esse cenário aumenta o estresse hídrico, compromete a produtividade e pode afetar a qualidade dos grãos. Em eventos mais intensos, a queda na produção reduz a oferta exportável para a Ásia e sustenta os preços globais.

    Como um dos maiores exportadores do cereal, qualquer quebra de safra australiana rapidamente influencia as expectativas do mercado internacional.

    EUA e Argentina podem equilibrar oferta

    Enquanto a Austrália enfrenta maior risco climático, Estados Unidos e Argentina tendem a se beneficiar do El Niño.

    Nos EUA, o fenômeno favorece o trigo de inverno nas Planícies, incluindo estados como Kansas, Oklahoma e Texas. A maior regularidade das chuvas melhora a umidade do solo e reduz o risco de seca. O que geralmente resulta em impacto neutro ou positivo na produção.

    Infográfico sobre produção de oleo de palma nos EUA

    Na Argentina, o aumento das chuvas durante o ciclo da cultura favorece o desenvolvimento das lavouras e o enchimento de grãos. Após períodos de seca, o El Niño costuma impulsionar a recuperação da produção e ampliar o excedente exportável.

    Infográfico sobre produção de oleo de palma na Argentina

    Com isso, o país ganha competitividade e amplia sua presença em mercados da América do Sul e do Norte da África.

    Óleo de palma deve sentir impacto mais tardio

    O El Niño também deve afetar o mercado global de óleo de palma, especialmente no Sudeste Asiático, responsável por cerca de 80% da produção mundial, com destaque para Indonésia e Malásia.

    Infográfico sobre produção de oleo de palma na Indonesia

    O fenômeno reduz as chuvas e eleva as temperaturas, intensificando o estresse hídrico nas lavouras. No entanto, os efeitos sobre a produção costumam aparecer com atraso.

    A queda mais significativa na produção tende a ocorrer entre seis e doze meses após o pico do El Niño, o que indica maior pressão sobre a oferta global ao longo de 2027.

    Infográfico sobre produção de oleo de palma na Malasia

    Historicamente, eventos moderados e fortes resultam em menor produção, redução dos estoques e alta nos preços internacionais do óleo de palma.

    Efeito se estende ao mercado de óleos vegetais

    A redução na oferta de óleo de palma costuma impactar todo o complexo de óleos vegetais. Com menor disponibilidade, consumidores e indústrias aumentam a demanda por substitutos como óleo de soja, canola e girassol.

    Esse movimento intensifica a competição entre os setores de alimentos, biocombustíveis e uso industrial, ampliando a pressão sobre os preços globais.

    Infográfico sobre efeitos no El nino nos meses finais do ano

    Segundo Luiz Fernando Gutierrez Roque, coordenador de Inteligência de Mercado da Hedgepoint, o impacto do El Niño no trigo dependerá do equilíbrio entre perdas na Austrália e ganhos nas Américas.

    Ele afirma que eventos mais intensos tendem a sustentar os preços internacionais, devido ao peso da Austrália no comércio global do cereal.

  • Grupo Daabon assume operação da Agropalma no Pará

    Grupo Daabon assume operação da Agropalma no Pará

    O Grupo Daabon concluiu a aquisição de 100% das operações da Agropalma no Pará e iniciou oficialmente sua atuação no mercado brasileiro de óleo de palma. A empresa colombiana passa a controlar ativos estratégicos, incluindo áreas de plantio, reservas florestais, seis indústrias de extração em Tailândia (PA) e uma refinaria em Belém.

    A operação marca a entrada direta da Daabon no Brasil e inaugura uma nova fase para a Agropalma, referência nacional em produção sustentável de óleo de palma. As unidades no Pará mantêm a marca Agropalma, enquanto a refinaria de Limeira (SP), que não integrou o acordo, passa a operar sob o nome Indústrias Xhara, sob gestão da APAR Holdings.

    Com presença em quatro continentes, a Daabon amplia sua atuação na América Latina e reforça sua estratégia de expansão em cadeias agrícolas sustentáveis. Fundada em 1914, a companhia acumula mais de um século de experiência e atua de forma integrada da produção ao mercado.

    Segundo Giancarlo Dávila, CEO da Agropalma, a integração fortalece o desenvolvimento do setor no país. “Vamos contribuir com nossa expertise em agricultura, industrialização e sustentabilidade para apoiar o crescimento do óleo de palma no Brasil, ao lado dos profissionais do Pará”, afirma.

    Sustentabilidade

    A Daabon opera com certificações como Regenerative Organic Certified (ROC), Fair Trade e RSPO, além de adotar políticas de desmatamento zero e rastreabilidade total da produção. A empresa também mantém programas voltados ao desenvolvimento comunitário, alinhados às práticas já consolidadas pela Agropalma.

    Para André Gasparini, diretor Comercial, de Marketing e P&D da Agropalma, a transação garante a continuidade de um modelo consolidado. “Construímos uma operação integrada, com foco em qualidade e responsabilidade socioambiental. A chegada da Daabon assegura a manutenção desse legado”, diz.

    A empresa colombiana planeja ampliar investimentos no Pará, com foco em aumento de produtividade, fortalecimento da cadeia do óleo de palma e expansão de programas com agricultores familiares. A iniciativa também deve impulsionar a geração de empregos e parcerias locais.

    Agropalma mantém liderança em óleo de palma sustentável

    Fundada em 1982, em Tailândia (PA), a Agropalma consolidou-se como referência global na produção sustentável de óleo de palma. A empresa atua em toda a cadeia produtiva, da produção de mudas ao refino e desenvolvimento de produtos de alto valor agregado.

    Atualmente, a companhia opera seis indústrias de extração, uma refinaria em Belém e um terminal de exportação, além de empregar cerca de 5 mil colaboradores. O programa de agricultura familiar, implementado há mais de duas décadas, beneficia mais de 300 produtores parceiros.

    Daabon reforça estratégia global com foco em sustentabilidade

    Com sede em Santa Marta, na Colômbia, o Grupo Daabon atua nos segmentos de agricultura, indústria, logística e energia. Seu portfólio inclui óleo de palma, banana, café e bioenergia.

    A empresa emprega mais de 5 mil pessoas e sustenta sua estratégia em três pilares: sustentabilidade, rastreabilidade e inovação. A aquisição da Agropalma fortalece sua presença global e amplia a participação no mercado de óleo de palma sustentável.

  • Pará busca novos mercados e apoio federal para fortalecer o agronegócio

    Pará busca novos mercados e apoio federal para fortalecer o agronegócio

    O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, reuniu-se nesta quarta-feira (11), em Brasília, com o governador do Pará, Helder Barbalho, e lideranças do setor agropecuário para discutir medidas de fortalecimento das cadeias produtivas do cacau, da carne bovina e do óleo de palma. O encontro ocorreu na sede do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e teve como foco principal impulsionar o desenvolvimento do agro paraense e ampliar o acesso a novos mercados.

    Durante a reunião, Fávaro e Barbalho dialogaram com associações cacaueiras sobre a importação de grãos da Costa do Marfim e sobre a Instrução Normativa nº 125/2021, que regula o setor. O ministro reforçou que o governo federal busca soluções para garantir a viabilidade econômica da cultura, equilibrar o mercado e proteger os produtores brasileiros.

    “O cacau envolve milhares de famílias e tem forte impacto social. Nosso compromisso é assegurar condições justas de produção e comércio, sempre respeitando os padrões sanitários que garantem a reputação do Brasil como fornecedor seguro”, destacou Fávaro.

    Ele acrescentou que uma comitiva do Mapa finaliza missão técnica na Costa do Marfim para verificar as condições sanitárias das plantações locais. Helder Barbalho defendeu medidas que mantenham o equilíbrio da balança comercial e assegurem o sustento dos produtores paraenses diante da queda dos preços.

    Expansão para o mercado de carne bovina

    O encontro também abordou estratégias para ampliar os mercados internacionais da carne bovina do Pará. Fávaro ressaltou que a abertura de novos destinos é uma prioridade do governo. “O trabalho de habilitar plantas industriais e conquistar mercados está gerando resultados reais. O Pará tem potencial para se destacar ainda mais nas exportações de proteína animal”, afirmou.

    Helder Barbalho complementou que o avanço do estado no comércio exterior estimula práticas mais sustentáveis e aumenta a rentabilidade dos produtores. “A valorização internacional incentiva boas práticas ambientais e melhora a renda do campo”, disse.

    O Pará possui o segundo maior rebanho bovino do Brasil, com 23,4 milhões de cabeças distribuídas em 143 mil propriedades. Em 2025, o estado registrou produção superior a 1,8 milhão de toneladas de carne, sendo 304 mil destinadas ao mercado interno e 222 mil à exportação.

    Valorização do óleo de palma nacional

    Na última etapa da agenda, Fávaro e Barbalho se reuniram com representantes da cadeia produtiva da palma. O setor apresentou dados que mostram o crescimento da produção nacional e solicitou a manutenção das atuais taxas de importação.

    O ministro informou que o tema será analisado em reunião extraordinária da Gecex/Camex, onde serão considerados dados técnicos e o posicionamento dos estados e entidades. “O objetivo é adotar uma política de importação que fortaleça o mercado interno e garanta competitividade aos produtores brasileiros de palma”, concluiu Fávaro.

  • Commodities: Brasil, guerra comercial e clima definem preços em 2026

    Commodities: Brasil, guerra comercial e clima definem preços em 2026

    O mercado global de commodities enfrentará em 2026 um cenário de incertezas políticas e climáticas que definirão os preços de produtos agrícolas essenciais. A Hedgepoint Global Markets lançou seu relatório anual “Mercado de Commodities: Retrospectiva 2025 e Perspectivas 2026”, que identifica os principais riscos e oportunidades para o setor.

    As políticas tarifárias do governo americano devem redesenhar fluxos comerciais globais, com a relação EUA-China mantendo-se como epicentro das tensões geopolíticas. No Brasil, as eleições presidenciais e legislativas de outubro surgem como o principal vetor de volatilidade em mercados emergentes, segundo o documento.

    Juros e política monetária impactam commodities

    Bancos centrais buscarão equilibrar controle inflacionário e estímulo ao crescimento. O Federal Reserve e o Banco Central Europeu devem estabilizar taxas após os cortes realizados em 2025. No Brasil, a Selic pode encerrar 2026 em torno de 12%, com espaço para reduções condicionadas à ancoragem das expectativas de inflação.

    “Esse pano de fundo macroeconômico e geopolítico será determinante para os mercados de commodities, que também enfrentam desafios próprios ligados à oferta, demanda e clima”, ressalta Thais Italiani, gerente de Inteligência de Mercado na Hedgepoint.

    Açúcar

    O mercado de açúcar registrou tendência baixista em 2025. O Centro-Sul brasileiro apresentou bons resultados de moagem com mix açucareiro elevado, gerando produção robusta. No Hemisfério Norte, perspectivas positivas de produção reforçaram o sentimento de baixa.

    O clima durante o desenvolvimento da safra 26/27 no Brasil será determinante para moagem e qualidade. A paridade entre etanol e açúcar pode alterar o mix das usinas, elevando ou reduzindo a produção conforme a rentabilidade de cada produto.

    A colheita 25/26 no Hemisfério Norte e, principalmente, as decisões da Índia sobre cotas de exportação serão cruciais para os fluxos comerciais no início do ano.

    “Entramos 2026 com um balanço confortável, mas altamente sensível ao mix no Brasil e às decisões da Índia. Uma leitura fina de paridade etanol-açúcar será essencial para mapear preços e janelas de hedge”, diz Carlos Murilo Mello, Head de Açúcar e Etanol da Hedgepoint.

    Cacau mantém volatilidade com oferta incerta

    O mercado de cacau registrou forte volatilidade em 2025. A safra 24/25 sofreu com restrições de produção na África Ocidental, associadas a clima adverso e problemas estruturais. Preços elevados reduziram a moagem, principal indicador de consumo.

    Apesar da perspectiva de superávit em 25/26, o clima na África Ocidental continuará crítico. Períodos sem chuva entre abril e junho de 2026 podem afetar volume e qualidade na transição entre a safra principal e a intermediária, sustentando preços.

    “O cacau permanece um mercado muito sensível. Melhora de produção em África Ocidental e Equador aponta para superávit, mas o clima e a elasticidade da demanda ao preço exigem cautela”, avalia Carolina França, analista de Inteligência de Mercado da Hedgepoint.

    Café: volatilidade extrema e recordes de preço

    O café enfrentou um ano desafiador em 2025, com volatilidade extrema e recordes de preço no primeiro semestre. Menor produção brasileira e estoques globais apertados pressionaram cotações. As tarifas americanas em julho adicionaram incerteza ao mercado.

    A partir de janeiro de 2026, a chegada ao mercado da safra 25/26 de América Central, Oeste Africano, Vietnã e Colômbia tende a aumentar a oferta, permitindo leve recomposição dos estoques e trazendo possível pressão nas cotações.

    A colheita brasileira 26/27, prevista para meados de 2026, deve registrar provável aumento de produção, ampliando estoques e trazendo pressão baixista. O mercado seguirá atento ao ritmo de comercialização do Brasil e a eventuais desafios climáticos.

    “A recomposição de estoques no início do ano não elimina a volatilidade. Brasil continua sendo o pêndulo, e qualquer surpresa climática pode reprecificar rapidamente a curva”, afirma Laleska Moda, analista de Inteligência de Mercado da Hedgepoint.

    Soja: China e biodiesel americano no radar

    O complexo soja (grão, farelo e óleo) registrou mercado lateralizado em 2025 por forças opostas de oferta e demanda. Safra recorde na América do Sul contrastou com tendência de safra menor nos EUA. A menor demanda pela soja americana durante a guerra comercial competiu com o crescimento do esmagamento e a perspectiva de aumento da mistura de biocombustíveis.

    O volume que a China comprará de soja norte-americana na temporada 25/26 define parte importante do mercado, após o compromisso de compras de pelo menos 25 milhões de toneladas ao longo do ano.

    A indefinição sobre biodiesel nos EUA em 2025 empurra efeitos para 2026, com impacto estrutural sobre óleos vegetais e farelo. Clima irregular em momentos de plantio e desenvolvimento em Brasil e Argentina gera dúvidas sobre o potencial real de produção sul-americana.

    “A dinâmica do complexo soja em 2026 vai depender especialmente de três engrenagens: China, biodiesel nos EUA e clima na América do Sul e EUA. O timing de cada uma pode trazer um ambiente diferente da lateralidade registrada na maior parte de 2025”, diz Luiz Roque, coordenador de Inteligência de Mercado da Hedgepoint.

    Milho e trigo: produções crescentes pressionam cotações

    Os EUA colheram em 2025 a maior safra de milho da história, resultado de aumento de área e clima favorável. As exportações superaram expectativas pela competitividade de preço. No trigo, grandes produtores ampliaram produção, elevando a oferta global a níveis recordes.

    Se o clima ajudar na América do Sul, Brasil e Argentina podem elevar produção de milho na safra 25/26. O fenômeno La Niña traz risco, sobretudo para a safra argentina entre janeiro e fevereiro.

    No Brasil, atrasos no plantio da soja no quarto trimestre de 2025 podem postergar o milho safrinha no primeiro trimestre de 2026, elevando risco climático. Ainda assim, a tendência aponta aumento de área, potencialmente resultando em nova grande produção.

    Margens apertadas do algodão podem levar a migrações de áreas para o milho na segunda safra. A demanda por etanol de milho ganha tração com novas plantas previstas para 2026.

    “O binômio clima-área segue no comando. O avanço do etanol de milho no Brasil adiciona um novo piso de demanda, enquanto o mix de culturas nos EUA será decidido pelo pulso de preços até março”, explica Luiz Roque.

    Óleo de palma: Indonésia e Malásia elevam produção

    Indonésia e Malásia registraram grandes produções em 2025. China e Índia reduziram importações, pressionando os preços e invertendo o spread frente ao óleo de soja.

    China e Índia devem reacelerar importações em 2026, dando suporte aos preços. A Indonésia pode implementar B50 (mistura de biodiesel a 50%), elevando consumo doméstico e reduzindo oferta exportável.

    O fenômeno La Niña com chuvas acima da média no Sudeste Asiático pode atrapalhar logística até fevereiro, afetando prêmios e disponibilidade.

    Geopolítica adiciona risco a logística e energia

    Tensões geopolíticas voltaram a ganhar destaque em 2025 e adicionaram volatilidade ao petróleo. O conflito entre Israel e Irã elevou o risco de escalada militar para além do Oriente Médio.

    No leste europeu, a continuidade do conflito Rússia-Ucrânia reabriu o debate sobre financiamento europeu ao lado ucraniano, enquanto os EUA recuaram na busca por um acordo definitivo.

    O mapa de risco permanece ativo em 2026, com custos logísticos, prêmios de risco e fluxos alternativos no radar de tradings e indústrias.

  • Dendê: palmeira de origem africana é opção lucrativa para produtor

    Dendê: palmeira de origem africana é opção lucrativa para produtor

    O dendê, uma palmeira originária da África, é uma cultura agrícola de grande importância no Brasil, especialmente no Pará, que concentra 98% da produção nacional. A planta é fonte de óleo de palma, utilizado principalmente na indústria alimentícia e cosmética. Além disso, o dendê é um símbolo das raízes africanas na agricultura brasileira e desempenha um papel crucial na economia local.

    Em 2023, o Pará colheu 2,8 milhões de toneladas de cachos de dendê, um volume significativamente maior do que o de dez anos antes, quando a produção era de aproximadamente 1 milhão de toneladas. A área destinada à colheita também aumentou, passando de 72.370 hectares para 186.240 hectares no mesmo período. A Associação Brasileira de Produtores de Óleo de Palma (Abrapalma) estima que a indústria alimentícia utiliza cerca de 90% do óleo de palma produzido no Brasil.

    Além de garantir renda para muitas famílias, o dendê se destaca pela versatilidade, sendo empregado em diversas aplicações, como na produção de óleo e na fabricação de cosméticos. Na Bahia, o dendê é uma parte importante da cultura local, com técnicas tradicionais de processamento que convivem com métodos mais modernos.

    Desafios na produção

    No entanto, a produção de dendê enfrenta desafios significativos. Na Bahia, por exemplo, a área destinada à colheita de dendê caiu drasticamente. Passou de 53.700 hectares em 2013 para 12.700 hectares em 2023, refletindo uma queda de 76,35% na produção. Isso se deve, em parte, ao baixo rendimento das variedades selvagens de dendê, que têm um rendimento 50% menor do que as variedades geneticamente melhoradas utilizadas em plantios industriais no Norte do país.

    Foto: Maria Goreti Braga dos Santos/Embrapa

    No Pará, apesar do crescimento da produção, produtores enfrentam problemas com a assistência técnica e financeira, levando alguns a romper contratos com agroindústrias. Ainda assim, o cultivo sustentável do dendê é visto como uma oportunidade para o desenvolvimento econômico e ambiental na região.

    O dendê na indústria alimentícia

    O dendê, uma palmeira originária da África, é amplamente utilizado na indústria alimentícia devido às suas propriedades únicas e versatilidade. O óleo extraído do dendê, conhecido como azeite de dendê ou óleo de palma, é uma das principais fontes de gordura vegetal no mundo.

    • Estabilidade e textura: o azeite de dendê é estável a altas temperaturas, tornando-o ideal para frituras e processos de cozimento intensos. Além disso, ele proporciona uma textura agradável em produtos como margarinas, sorvetes e chocolates.
    • Conservação de alimentos: atua como conservante natural em alimentos processados, ajudando a prolongar a vida útil dos produtos.
    • Fortificação nutricional: rico em carotenoides, precursores da vitamina A, o azeite de dendê contribui para a fortificação de alimentos e ajuda no combate à hipovitaminose A.
    • Culinária tradicional: é um ingrediente essencial na culinária afro-brasileira, especialmente na Bahia, onde é usado em pratos como acarajés e vatapás.
    • Aplicação em diversos produtos: além de ser usado em alimentos, o óleo de palma também é empregado na fabricação de cosméticos e biocombustíveis.

    O azeite de dendê é fonte de ômega 6 e 9, vitaminas A e E, e antioxidantes. Assim, pode promover a saúde da pele e dos olhos, fortalecer o sistema imune e prevenir o envelhecimento precoce.

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