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  • Tecnologia inédita contra nematoides é destaque na Tecnoshow

    Tecnologia inédita contra nematoides é destaque na Tecnoshow

    A Corteva Agriscience apresentou, nesta terça-feira (7), durante a 23ª Tecnoshow Comigo, em Rio Verde (GO), o Reklemel, nova tecnologia voltada ao manejo de nematoides no solo. O produto surge como resposta a um problema bilionário no campo. Segundo a Sociedade Brasileira de Nematologia, as perdas podem chegar a R$ 35 bilhões por ano no Brasil. Os nematoides atacam as raízes e comprometem o desenvolvimento das plantas.

    Além disso, a proposta da empresa é oferecer controle seletivo dos fitonematoides. Dessa forma, a tecnologia preserva a biota do solo e contribui para o aumento da produtividade. O lançamento foi apresentado como uma nova ferramenta dentro do manejo integrado.

    Durante coletiva, o Líder de Portfólio de Inseticidas e Nematicidas da Corteva para Brasil e Paraguai, Thomas Scott, destacou que o Reklemel representa um avanço importante. Isso ocorre porque o produto atua com um novo modo de ação e um grupo químico inédito no mercado. “Hoje, muitos produtores ainda não diferenciam nematoides benéficos dos prejudiciais. O diferencial da tecnologia é eliminar o fitonematoide e manter os organismos que contribuem para a saúde do solo”, afirmou.

    Os nematoides são vermes microscópicos, de corpo cilíndrico, presentes no solo. No entanto, nem todos causam danos. Cerca de 70% são de vida livre e exercem papel importante na decomposição da matéria orgânica. Além disso, ajudam na ciclagem de nutrientes. Por outro lado, os fitonematoides parasitam plantas. Eles formam galhas nas raízes e reduzem a absorção de água e nutrientes.

    Manejo integrado ganha reforço com nova tecnologia

    A cientista de campo da Corteva, Marina Gomes, que participou do desenvolvimento da solução, explicou que o Reklemel atua como uma ferramenta complementar. Segundo ela, o produto protege o sistema radicular da planta. Ao mesmo tempo, mantém a microbiota do solo ativa. “Isso permite que fungos e outros agentes biológicos continuem contribuindo para o controle natural das pragas”, disse.

    Além disso, o uso combinado com soluções biológicas já adotadas pelo produtor potencializa os resultados. A aplicação do produto é feita diretamente no sulco de plantio. Dessa forma, a tecnologia permanece próxima à raiz. Isso aumenta a eficiência e reduz a quantidade utilizada por hectare.

    “Como a aplicação é concentrada no local de desenvolvimento da planta, o manejo se torna mais eficiente. Além disso, há redução de custos e maior sustentabilidade no sistema produtivo”, acrescentou Scott.

    O lançamento contempla diferentes culturas agrícolas. A molécula chega ao mercado sob três marcas. Lormelo é voltado para soja, milho, algodão e sorgo. Já o Salibro atende hortifrúti e café. Por fim, o Yeldana foi desenvolvido para a cultura da cana-de-açúcar.

    Problema generalizado exige estratégia contínua

    Atualmente, todas as culturas agrícolas são suscetíveis aos nematoides. No entanto, o nível de impacto varia conforme a espécie e a região. Por isso, o manejo adequado depende da identificação correta do tipo de nematoide presente na área.

    Além disso, o avanço da praga tem exigido maior adoção de tecnologias no campo. Regiões do Cerrado, Bahia, Minas Gerais e Mato Grosso, já apresentam uso mais intensivo das soluções. Dessa forma, o controle se torna mais eficiente ao longo do tempo.

    Marina e Thomas durante apresentação do Reklemel na 26ª Tecnoshow Comigo – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    A recomendação técnica é manter o manejo de forma contínua. Ou seja, ao longo dos ciclos produtivos e nos diferentes talhões da propriedade. “Quanto mais longo o manejo, melhores são os resultados. Não é uma solução pontual, mas um trabalho contínuo de construção da saúde do solo”, explicou Marina.

    Por fim, o uso de práticas integradas segue como estratégia essencial. Entre elas, estão a rotação de culturas, o uso de produtos biológicos e o monitoramento constante. Assim, o produtor consegue reduzir os impactos dos nematoides e manter a produtividade.

    Com o Reklemel, a Corteva aposta em uma abordagem mais equilibrada. A tecnologia alia eficiência no controle dos fitonematoides à preservação dos organismos benéficos. A expectativa é ampliar as possibilidades de manejo e fortalecer sistemas produtivos mais sustentáveis no longo prazo.

  • Robô brasileiro detecta doenças antes dos sintomas aparecerem

    Robô brasileiro detecta doenças antes dos sintomas aparecerem

    Um sistema robótico autônomo desenvolvido pela Embrapa Instrumentação promete transformar o combate a uma das principais ameaças às lavouras brasileiras de algodão e soja. Batizado de LumiBot, o equipamento é capaz de diagnosticar a presença de nematoides nas plantas antes mesmo do aparecimento dos sintomas visíveis, utilizando uma tecnologia baseada em luz ultravioleta.

    O protótipo, desenvolvido em parceria com a Cooperativa Mista de Desenvolvimento do Agronegócio (Comdeagro) de Mato Grosso, registra taxas de acerto superiores a 80% no diagnóstico de infecções por esses parasitas microscópicos, que causam prejuízos bilionários ao agronegócio nacional.

    Prejuízos bilionários motivam inovação

    Os nematoides, vermes microscópicos que variam entre 0,3 e 3 milímetros de comprimento, representam uma ameaça significativa para o agronegócio brasileiro. Na cultura da soja, os prejuízos chegam a R$ 27,7 bilhões anuais, segundo estudo da Sociedade Brasileira de Nematologia (SBN), Syngenta e consultoria Agroconsult. No algodão, as perdas superam R$ 4 bilhões por ano.

    “Existem vários exemplos de áreas de produção que se tornaram inviáveis pela infestação desses parasitas”, alerta Rafael Galbieri, pesquisador do Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt). Ele destaca que há relatos de perdas entre 50% e 60% em casos extremos, com média de 10% a 12% em determinadas regiões.

    A ameaça torna-se ainda mais relevante diante das perspectivas de safra recorde para 2025/26. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevê produção de 4,09 milhões de toneladas de pluma de algodão e 177,67 milhões de toneladas de grãos de soja.

    Como funciona o diagnóstico por luz

    O LumiBot opera durante a noite, deslocando-se por trilhos instalados entre as fileiras de plantas. O equipamento emite luz ultravioleta-visível sobre as folhas e captura imagens da fluorescência emitida por meio de câmeras científicas. Todo o processo de captura leva apenas sete segundos por amostra.

    “A imagem obtida resulta da excitação das folhas com luz ultravioleta-visível, que induz compostos moleculares, como a clorofila e alguns metabólitos secundários, a emitirem luz por meio do processo de fluorescência”, explica Débora Milori, coordenadora do estudo e do Laboratório Nacional de Agrofotônica (Lanaf).

    O robô ilumina e fotografa ao mesmo tempo as folhas das plantas de algodão e soja em 7 segundos. Foto: Wilson Aiello/Embrapa

    A tecnologia embarcada no robô é chamada de Imagem de Fluorescência Induzida por LED (LIFI). Trata-se de um método não destrutivo que permite uma aquisição rápida de dados sobre processos fisiológicos das plantas. Algoritmos de aprendizado de máquina processam as imagens captadas e identificam padrões relacionados a doenças específicas.

    Um dos principais diferenciais da tecnologia é sua capacidade de diferenciar estresses bióticos, provocados por fungos, bactérias e vírus, de estresses abióticos, como deficiências nutricionais e falta de água. “Conseguimos gerar dados e modelos com taxas de acerto acima de 80%, além de diferenciar as doenças do estresse hídrico”, ressalta Milori.

    Redução no uso de defensivos químicos

    O método convencional de controle de nematoides baseia-se na aplicação de nematicidas no solo ou nas sementes antes do plantio. Esses produtos têm custo elevado, podem causar impacto ambiental e apresentam eficácia variável dependendo das condições do solo.

    O diagnóstico precoce e o mapeamento da infestação permitem a aplicação de defensivos químicos somente nas regiões infestadas, gerando economia e mais sustentabilidade. Foto: Wilson Aiello/Embrapa

    O diagnóstico precoce proporcionado pelo LumiBot permite uma abordagem diferente. Com a identificação precisa das áreas infestadas, os agricultores podem aplicar estratégias de controle apenas nas regiões efetivamente afetadas, evitando o uso excessivo de defensivos químicos.

    “O diagnóstico precoce de doenças é fundamental para que os agricultores possam agir rapidamente e de forma localizada. Com isso, evita-se o uso excessivo de defensivos químicos e a redução do impacto ambiental, um avanço importante para a agricultura de precisão no Brasil”, afirma Sérgio Dutra, consultor da Comdeagro.

    Resultados promissores em ambiente controlado

    O protótipo do LumiBot já passou por três anos de testes em casa de vegetação, com a coleta de aproximadamente sete mil imagens. Os experimentos foram conduzidos com 400 plantas em vasos, divididas em quatro grupos: controle, estresse hídrico, plantas inoculadas com o nematoide Aphelenchoides besseyi e plantas inoculadas com o Rotylenchulus reniformis.

    Essas duas espécies estão entre as mais comuns encontradas nas lavouras brasileiras. O Rotylenchulus reniformis é frequente em regiões tropicais e subtropicais, enquanto o Aphelenchoides besseyi, responsável por sintomas como haste verde e retenção foliar, prolifera em ambientes quentes e úmidos.

    “Os nematoides são um problema muito sério dentro do cultivo do algodão e resultam em muitas perdas para os agricultores. Principalmente para o Estado do Mato Grosso”, destaca Dutra.

    Próximos passos rumo ao campo

    Apesar dos resultados promissores, o LumiBot ainda é um protótipo de laboratório. A próxima etapa do projeto prevê o desenvolvimento de um equipamento adaptado para operação em campo, como a integração do aparato óptico em veículos agrícolas do tipo pulverizador gafanhoto ou veículos rover.

    O projeto conta com o suporte da Embrapii Itech-Agro (Integração de Tecnologias Habilitadoras no Agronegócio) da Embrapa Instrumentação, que busca minimizar custos e alavancar as cadeias produtivas da soja e do algodão. O projeto físico e de automação foi desenvolvido em parceria com a empresa Equitron Automação, de São Carlos (SP).

    A equipe apresentou o LumiBot publicamente durante o Simpósio Nacional de Instrumentação Agropecuária (Siagro). Ele foi realizado de 14 a 16 de outubro no Laboratório de Referência Nacional em Agricultura de Precisão (Lanapre), no Campo Experimental em Automação Agropecuária da Embrapa Instrumentação, em São Carlos.

    Equipe multidisciplinar

    O desenvolvimento do LumiBot reúne profissionais de diferentes áreas do conhecimento. Tiago Santiago, pós-doutorando, é responsável pela análise de dados e pelo treinamento dos modelos de aprendizado de máquina. Bianca Barreto, engenheira agrônoma, iniciou as pesquisas durante seu pós-doutorado supervisionado por Débora Milori.

    Foto: Wilson Aiello/Embrapa

    A equipe conta ainda com Vinícius Rufino, graduando em engenharia física que atua na instrumentação e análise de dados. Também com Julieth Onofre, doutora em Física responsável pela instrumentação óptica. Gabriel Lupetti é graduando em biotecnologia, e que acompanha o desenvolvimento dos nematoides e a inoculação. E Kaique Pereira, biólogo responsável pela manutenção das plantas e contagem de nematoides.

    Problema subestimado no agronegócio

    A presidente da Sociedade Brasileira de Nematologia, Andressa Cristina Zamboni Machado, alerta que o problema dos nematoides pode ser ainda maior do que os números oficiais indicam. “O Brasil abriga diversas espécies de nematoides altamente agressivas, disseminadas amplamente por todas as regiões agrícolas e responsáveis por extensas perdas econômicas no agronegócio. Entretanto, esses organismos nem sempre são corretamente diagnosticados ou manejados, o que agrava ainda mais seus efeitos sobre a produção”, afirma.

    Segundo ela, embora as perdas mais expressivas ocorram em culturas como soja e algodão, os patógenos já comprometem a produtividade de praticamente todas as lavouras do País, muitas vezes de forma ainda mais acentuada do que nas grandes culturas.

    Com o potencial de melhorar a qualidade da fibra, garantir maior rentabilidade para os produtores e promover uma agricultura mais sustentável, o LumiBot representa um avanço significativo na luta contra um dos maiores desafios fitossanitários do agronegócio brasileiro.

  • Nova biotecnologia promete acabar com praga que devasta plantações no Brasil

    Nova biotecnologia promete acabar com praga que devasta plantações no Brasil

    Uma parceria estratégica entre três gigantes do agronegócio mundial promete revolucionar o cultivo de soja no Brasil. BASF, Corteva Agriscience e M.S. Technologies anunciaram um acordo para lançar, até o final desta década, a primeira combinação comercial de biotecnologias capaz de combater efetivamente os nematoides, pragas microscópicas responsáveis por bilhões em perdas na agricultura brasileira.

    A inovação consiste na combinação do trait NRS (resistência a nematoides) desenvolvido pela BASF com as tecnologias já consolidadas Enlist E3® e Conkesta E3®. Esta solução biotecnológica inédita no setor oferece proteção simultânea contra nematoides, plantas daninhas e insetos-praga.

    Eficácia comprovada em sete anos de testes

    O trait NRS demonstrou resultados impressionantes durante seu desenvolvimento. Em mais de 160 testes de campo realizados ao longo de sete anos, a tecnologia apresentou mais de 90% de controle dos nematoides das lesões radiculares (Pratylenchus brachyurus) e dos nematoides do cisto da soja (Heterodera glycines).

    “Este novo trait disruptivo representa uma mudança de paradigma no controle de nematoides”, explica Adolfo Vitorio Ulbrich, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento de Sementes da BASF Soluções para Agricultura na América Latina. “Pela primeira vez, os agricultores brasileiros terão uma ferramenta biotecnológica comercial para combater essas pragas microscópicas de difícil controle.”

    Foto: Divulgação Basf

     

    A parceria permite que a tecnologia NRS seja integrada aos sistemas já estabelecidos no mercado. A soja Enlist E3 oferece tolerância a três tipos de herbicidas (2,4-D sal colina, glifosato e glufosinato), proporcionando maior flexibilidade no manejo de plantas daninhas resistentes.

    Já a tecnologia Conkesta E3 incorpora duas proteínas Bt (Cry1F e Cry1Ac) específicas para o controle das principais lagartas que atacam a cultura da soja. Uma solução desenvolvida especialmente para as necessidades da América Latina.

    Impacto econômico significativo

    Os nematoides representam uma das principais ameaças à produtividade da soja brasileira, causando perdas substanciais que afetam diretamente a economia do agronegócio nacional. O Brasil é o maior produtor mundial de soja, e qualquer avanço tecnológico que melhore a produtividade tem impacto global.

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    “Combinar nossa genética Enlist E3 e Conkesta E3 com o trait NRS da BASF representa uma mudança radical na proteção de valor para os produtores de soja da América do Sul”, destaca Joe Merschman, presidente da M.S. Technologies.

    Cronograma e perspectivas futuras

    As empresas estimam que as variedades comerciais contendo a nova tecnologia estarão disponíveis para os agricultores brasileiros até o final desta década ou início da próxima, dependendo das aprovações regulatórias e conclusão dos testes de campo finais.

    Soja atacada por nematoide / Foto: divulgação – Embrapa

    Christian Pflug, diretor de Licenciamento da Corteva para o Brasil e Paraguai, demonstra otimismo com a parceria. “Esta colaboração oferece aos produtores brasileiros uma nova ferramenta essencial para a proteção contra duas das pragas mais desafiadoras da soja.”

    A expansão para outros países sul-americanos também está sendo considerada pelas empresas, sinalizando o potencial de transformação regional da agricultura através desta inovação biotecnológica.

    Os termos financeiros do acordo não foram divulgados pelas empresas envolvidas na parceria.

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  • Nematoides podem causar perdas bilionárias ao agronegócio brasileiro

    Nematoides podem causar perdas bilionárias ao agronegócio brasileiro

    Os nematoides, pequenos parasitas do solo que atacam as raízes das plantas, representam um dos maiores desafios para o agronegócio brasileiro. Segundo a Sociedade Brasileira de Nematologia (SBN), esses organismos causam prejuízos estimados em R$ 35 bilhões por ano. Um estudo recente encomendado pela BASF e conduzido pela startup ConnectBio revelou que 85% das amostras de solo analisadas em diferentes regiões do país apresentaram pelo menos uma espécie de nematoide, sendo que 58% continham duas ou mais.

    Entre as espécies identificadas, o Helicotylenchus dihystera foi a mais frequente, detectada em 71% das amostras. A pesquisa também apontou o Cerrado como a região com maior incidência desses parasitas, devido às características de solo e clima locais, além do cultivo extensivo predominante na área. Os nematoides comprometem a absorção de água e nutrientes pelas plantas, causando sintomas como clorose, amarelecimento e crescimento reduzido. Em casos graves, podem inviabilizar áreas inteiras de produção agrícola.

    Nilson Caldas, Gerente Sênior de Tratamento de Sementes da BASF Soluções para Agricultura, destacou a importância do estudo: “Identificar as áreas de maior infestação é fundamental para embasar estratégias de manejo mais eficazes e impulsionar avanços em pesquisa e inovação.”

    Impacto na produção de soja

    A soja é a cultura mais prejudicada pelos nematoides no Brasil, especialmente no Cerrado. As espécies mais comuns incluem os nematoides de cisto e os de galha, que proliferam rapidamente nas condições locais. A infestação pode reduzir significativamente o potencial produtivo das lavouras, impactando diretamente na economia agrícola.

    Para enfrentar os nematoides, especialistas recomendam o manejo integrado como a melhor estratégia. Confira as principais dicas para controle eficaz:

    • Plantas de cobertura: utilizar espécies resistentes ou antagonistas aos nematoides.
    • Cultivares resistentes: optar por variedades de soja tolerantes aos parasitas.
    • Adubação orgânica: manejar o solo com adição de matéria orgânica para melhorar sua qualidade.
    • Controle sanitário: evitar transitar com maquinário contaminado entre talhões.
    • Nematicidas eficientes: utilizar produtos químicos ou biológicos com amplo espectro para proteger as lavouras.

    Com os avanços em pesquisa e tecnologia, espera-se que novas soluções sejam desenvolvidas para mitigar os impactos dos nematoides no agronegócio brasileiro.

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  • Brasil trata 17 milhões de hectares de soja contra nematoides

    Brasil trata 17 milhões de hectares de soja contra nematoides

    No Brasil, um total de 17 milhões de hectares de soja recebeu tratamento para o controle de nematoides na safra 2023/24, segundo dados da pesquisa Farmtrak, da Kynetec. Esses parasitas, que afetam o sistema radicular das plantas, podem causar perdas significativas na produção, chegando a 50% ou mais.

    Os nematoides prejudicam o desenvolvimento das raízes, comprometendo a absorção de água e nutrientes essenciais para as plantas. A presença dessas pragas invisíveis aos olhos humanos tem um impacto direto na produtividade das lavouras. Fábio Lemos, gerente de culturas e portfólio da FMC, enfatiza a importância de um manejo integrado e contínuo para o controle eficaz dos nematoides. “Os bionematicidas são amplamente adotados devido à sua eficiência e ao bom custo-benefício”, afirma Lemos.

    Adoção de soluções biológicas

    Os produtores do Cerrado lideram a adoção de soluções biológicas, com cerca de 40% da área tratada utilizando esse método. Em contraste, na região Sul do Brasil, menos de 10% das lavouras recebem tratamento contra nematoides, o que representa uma oportunidade significativa para melhorar a produtividade e a saúde do solo.

    Leonardo Antolini, gerente regional de marketing estratégico de Plant Health da FMC, alerta para os riscos associados à subestimação do impacto dos nematoides. “Investir em um bionematicida protege a produtividade da lavoura e promove um ambiente agrícola mais sustentável”, destaca.

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    Entre as espécies mais prejudiciais está o nematoide-das-galhas (Meloidogyne incognita), que causa deformações nas raízes e reduz a capacidade das plantas de absorver nutrientes e água. Em infestações severas, as perdas podem ultrapassar 50%. Outro agente preocupante é o nematoide-das-lesões (Pratylenchus brachyurus), que provoca lesões nas raízes e facilita infecções secundárias, impactando negativamente a produtividade em até 50%.

    Estratégias de controle

    Para o controle eficaz dos nematoides, produtos biológicos podem ser aplicados no tratamento de sementes ou no sulco de plantio, como  fungicida Presence® Full da FMC.

    As bactérias presentes nesse bionematicida ajudam a formar um biofilme natural no sistema radicular. Desta forma, protegendo contra a penetração dos nematoides e estimulando o desenvolvimento das raízes.

    Com 17 milhões de hectares tratados contra nematoides nesta safra, os produtores brasileiros estão cada vez mais conscientes da importância do manejo adequado para garantir colheitas produtivas. O investimento em técnicas eficazes não apenas protege as lavouras, mas também contribui para a sustentabilidade do setor agrícola no Brasil.

  • Embrapa desenvolve nova variedade de feijão guandu

    Embrapa desenvolve nova variedade de feijão guandu

    A BRS Guatã, nova cultivar de feijão guandu desenvolvida pela Embrapa, surge como uma solução inovadora para os desafios da agricultura e pecuária brasileiras. Com benefícios que vão desde o combate a nematoides até o fortalecimento da sustentabilidade em sistemas produtivos, a BRS Guatã é uma aliada estratégica para produtores rurais, especialmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste.

    Os nematoides, parasitas microscópicos que atacam culturas agrícolas de grande relevância econômica, como soja, cana-de-açúcar e feijão, geram prejuízos anuais de R$ 35 bilhões, segundo a Sociedade Brasileira de Nematologia (SBN). A BRS Guatã apresenta resistência a quatro espécies desses parasitas: Pratylenchus brachyurus, P. zeae, Meloidogyne javanica e M. incógnita.

    Esses vermes, ao invadirem o sistema radicular das plantas, comprometem o crescimento, a produtividade e a saúde da lavoura, além de injetarem toxinas que podem chegar às folhas, flores e frutos. A BRS Guatã interrompe o ciclo de vida desses organismos ao impedir sua multiplicação, protegendo o solo e promovendo a saúde das culturas.

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    O pesquisador aposentado da Embrapa, Rodolfo Godoy, responsável pelo desenvolvimento da cultivar, destaca que a eficácia contra nematoides é o principal diferencial da BRS Guatã. “Foram anos de trabalho até chegarmos a essa cultivar. Além de controlar os nematoides, ela oferece benefícios como descompactação do solo, alimentação animal e cobertura vegetal, o que a torna uma solução completa para os produtores”, explica.

    Um aliado sustentável para a pecuária

    Com teor de proteína de aproximadamente 15%, a nova cultivar de feijão guandu é uma alternativa econômica e eficiente para suplementação volumosa de bovinos durante o período seco, quando a oferta de forragem é limitada. A leguminosa não apenas melhora a nutrição animal, como também aumenta a taxa de lotação por hectare, contribuindo para maior ganho de peso e produtividade do rebanho.

    Além disso, sua alta capacidade de fixação de nitrogênio no solo reduz a necessidade de fertilizantes químicos, tornando o cultivo mais sustentável e menos dependente de insumos externos. Em condições de sequeiro, a BRS Guatã produziu três toneladas de massa seca por hectare, desempenho praticamente igual ao obtido em condições irrigadas, demonstrando resiliência ao déficit hídrico – uma característica valiosa diante das mudanças climáticas.

    A adubação verde é outro ponto forte da BRS Guatã. A leguminosa pode fornecer entre 80 e 120 kg de nitrogênio por hectare. Além de reciclar nutrientes essenciais, como fósforo, potássio e micronutrientes, por meio da decomposição de sua biomassa. Essa ciclagem de nutrientes melhora a fertilidade do solo, beneficia culturas subsequentes e promove a sustentabilidade dos sistemas agrícolas.

    De acordo com a pesquisadora Patrícia Anchão Oliveira, a BRS Guatã é uma excelente opção para cobertura morta e rotação de culturas. “Essa leguminosa se adapta bem a diferentes condições de cultivo e contribui para a preservação do solo, reduzindo erosões e aumentando a retenção de umidade. Sua tolerância ao déficit hídrico a torna uma escolha estratégica em regiões sujeitas à escassez de chuvas”, afirma.

    Inovação no ciclo vegetativo e manejo de feijão guandu

    A BRS Guatã se diferencia por seu ciclo vegetativo mais curto, florescendo cerca de 30 dias antes de outras variedades como a BRS Mandarim. Essa característica acelera a disponibilidade de forragem e permite maior flexibilidade no manejo agrícola.

    O pesquisador Frederico de Pina Matta, da Embrapa, destaca também o porte intermediário e os caules mais finos da planta, que facilitam os tratos culturais. A variedade é ainda resistente a doenças como a ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi) e apresenta moderada resistência ao fungo Macrophomina phaseolina, causador da podridão do caule.

    A BRS Guatã integra-se perfeitamente a sistemas agrícolas diversificados, podendo ser usada como planta de proteção e sombreamento para culturas como café e frutíferas. Além disso, sua biomassa contribui para a cobertura do solo, protegendo-o contra a erosão e promovendo a retenção de água.

    Outro destaque é sua aplicação na reforma de canaviais. Ademilson Facholli, presidente da Unipasto e produtor de sementes, afirma que a BRS Guatã possui alta aceitação nesse segmento. “O material é muito promissor, especialmente em sistemas integrados que buscam conciliar produtividade e preservação ambiental. Temos um estoque inicial de 50 toneladas, mas a expectativa é expandir a produção para atender à demanda crescente”, afirma.

    Alinhada aos objetivos de desenvolvimento sustentável

    A BRS Guatã reflete o compromisso da Embrapa com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), promovendo a segurança alimentar, a adaptação às mudanças climáticas e a redução da emissão de gases de efeito estufa. Sua capacidade de fixação de nitrogênio reduz a dependência de fertilizantes nitrogenados, cuja produção é altamente emissora de carbono.

    A partir da adubação verde, a BRS Guatã possibilita o fornecimento em torno de 80 a 120 kg de nitrogênio por hectare, realizando a ciclagem de nutrientes importantes para o solo. Foto: Lívia Mendes de Castro/Embrapa

    Em um cenário de aumento das secas e eventos climáticos extremos, a alta tolerância da cultivar ao déficit hídrico é um fator decisivo para a resiliência da agricultura e pecuária brasileiras.

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    A BRS Guatã deve ser plantada entre setembro e março, com espaçamento de 0,5 a 0,8 metros entre as linhas, dependendo do manejo desejado. É fundamental realizar análise de solo para ajustes de correção e adubação, garantindo o máximo desempenho da cultura de feijão guandu.

    Micronutrientes como o molibdênio, essencial para a fixação de nitrogênio, devem ser monitorados em solos com pH elevado. Recomenda-se ainda análise foliar no início do florescimento para detectar possíveis deficiências nutricionais.

    Disponibilidade no mercado

    As sementes da BRS Guatã já estão disponíveis por meio de empresas parceiras da Unipasto, com expansão prevista para atender à crescente demanda. Segundo Marcos Roveri José, gerente executivo da associação, a nova cultivar é uma opção atrativa para produtores que buscam reduzir custos e aumentar a eficiência em suas operações.

    “A BRS Guatã combina vantagens econômicas, ambientais e produtivas, tornando-se uma ferramenta indispensável para a agropecuária sustentável. Sua versatilidade atende desde o controle de nematoides até a recuperação de áreas degradadas e a suplementação animal durante períodos críticos”, conclui Roveri.

    Com uma ampla gama de aplicações e benefícios, a BRS Guatã consolida-se como um marco na inovação agrícola brasileira. E representa um avanço significativo em produtividade e sustentabilidade para os sistemas de produção.

  • 2º Fórum Sanidade Soja destacou desafios e inovações na luta contra pragas e doenças

    2º Fórum Sanidade Soja destacou desafios e inovações na luta contra pragas e doenças

    2º Fórum Sanidade Soja em Indaiatuba aborda desafios e inovações no controle de pragas e doenças. Evento ocorreu dia 28/05 em Indaiatuba

    Reunindo especialistas, produtores e pesquisadores para discutir os principais desafios e inovações no controle de pragas e doenças que afetam a cultura da soja. O evento, organizado pela Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja), teve como objetivo promover o intercâmbio de conhecimentos e apresentar novas soluções para garantir a sanidade das lavouras.

    A abertura do fórum foi realizada pelo presidente da Aprosoja, Bartolomeu Braz Pereira, que destacou a importância da sanidade vegetal para a sustentabilidade e competitividade da soja brasileira no mercado internacional. “A sanidade da soja é um fator crucial para a nossa produtividade. Precisamos investir em tecnologia e práticas inovadoras para manter a qualidade e a competitividade do nosso produto”, afirmou Pereira.

    O evento contou com uma série de palestras e painéis de discussão que abordaram temas variados, desde o manejo integrado de pragas até as mais recentes inovações tecnológicas no controle de doenças. Um dos destaques foi a apresentação de Marcos Girardi, pesquisador da Embrapa Soja, que falou sobre o avanço do controle biológico. “Estamos desenvolvendo soluções mais sustentáveis e eficazes. O uso de agentes biológicos tem mostrado resultados promissores no controle de pragas e doenças”, explicou Girardi.

    Estudos e casos de sucesso na soja

    Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) apresentaram estudos sobre a resistência de novas variedades de soja a doenças como a ferrugem asiática. “Nosso objetivo é desenvolver cultivares mais resistentes, reduzindo a dependência de defensivos químicos e melhorando a sustentabilidade das lavouras”, destacou a professora Ana Paula Ribeiro, coordenadora da pesquisa.

    Produtores também compartilharam suas experiências com práticas inovadoras. João Carlos Carvalho, produtor de soja em Mato Grosso, falou sobre a implementação de drones para a aplicação de defensivos agrícolas. “A utilização de drones tem sido um divisor de águas na minha propriedade. Com essa tecnologia, conseguimos aplicar os produtos de forma mais precisa e com menor impacto ambiental”, relatou Carvalho.

    Outro ponto alto do fórum foi a apresentação sobre agricultura de precisão, conduzida pelo engenheiro agrônomo Luiz Fernando de Oliveira. Ele destacou como a digitalização da agricultura está transformando o manejo das lavouras. “Com sensores e aplicativos, podemos monitorar as plantações em tempo real, tomar decisões mais rápidas e assertivas, e otimizar o uso de recursos”, afirmou Oliveira.

    O evento encerrou com uma mesa-redonda onde os participantes discutiram as perspectivas futuras para a sanidade da soja no Brasil. Os especialistas enfatizaram a importância da colaboração entre pesquisa, tecnologia e práticas agrícolas para enfrentar os desafios do setor. “A união de esforços é fundamental. Precisamos continuar investindo em inovação e em práticas sustentáveis para garantir o futuro da nossa produção de soja”, concluiu Bartolomeu Braz Pereira.

    O 2º Fórum Sanidade Soja reafirmou a importância da inovação e do intercâmbio de conhecimentos para enfrentar os desafios da sanidade vegetal, proporcionando aos produtores ferramentas e estratégias para manter a produtividade e a sustentabilidade de suas lavouras.