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  • Café robusta cresce no Brasil enquanto arábica sofre com clima

    Café robusta cresce no Brasil enquanto arábica sofre com clima

    O café que os brasileiros conhecem há gerações pode estar mudando sem que ninguém perceba. Enquanto secas intensas e temperaturas recordes castigam as tradicionais regiões cafeeiras do país, uma revolução silenciosa acontece nas lavouras: o robusta, um grão mais amargo e resistente, cresce a passos largos e ameaça destronar o reinado do suave arábica.

    Foto: Enrique Alves/Embrapa

    Nos últimos dez anos, a produção de robusta explodiu mais de 81% no Brasil, segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Enquanto isso, o arábica,que sempre foi a estrela das exportações brasileiras, patina com crescimento modesto de 2% a 2,5% ao ano.

    Clima extremo empurra produtores para o “plano B”

    A história por trás dessa mudança não é de escolha, mas de necessidade. Fernando Maximiliano, gerente de inteligência de mercado de café da StoneX, é direto: “Não foi necessariamente a demanda que resultou no crescimento da produção de robusta. Na realidade, os problemas climáticos e as perdas na safra de arábica foram os principais fatores.”

    As regiões tradicionais de cultivo estão sendo assoladas por secas mais frequentes e calor extremo — condições que o delicado arábica simplesmente não aguenta. O robusta, por outro lado, tolera temperaturas mais altas e resiste melhor a doenças, tornando-se a apólice de seguro dos cafeicultores brasileiros.

    A safra deste ano ilustra bem essa tendência: enquanto o arábica cresceu timidamente, o robusta registrou um salto de quase 22%, batendo recordes de produção, conforme análise da StoneX.

    Tecnologia verde nas plantações

    Em regiões mais quentes onde o arábica já não consegue sobreviver, produtores tão inovando com técnicas agroflorestais. Jonatas Machado, diretor comercial da Café Apuí, explica a estratégia: plantar pés de café à sombra de árvores nativas.

    “Dessa forma, ele permanecerá produtivo, ficará um pouco mais úmido, para não degradar tão facilmente”, conta Machado, cuja empresa produz robusta em sistema agroflorestal na Amazônia.

    Essa abordagem não apenas protege as plantas do calor escaldante, mas também contribui pra preservação ambiental. Um diferencial importante num mercado cada vez mais exigente com sustentabilidade.

    Brasil ameaça liderança vietnamita

    O Vietnã ainda é o maior produtor mundial de robusta, mas analistas do Rabobank acreditam que o Brasil pode ultrapassar o país asiático em breve. O trunfo brasileiro? Uma cadeia de suprimentos bem estruturada e experiência centenária no mercado de café.

    Foto: Gilberto Marques / Secretaria da Agricultura do Estado de SP

    Para o Brasil, essa transição representa mais que uma adaptação: é a garantia de permanecer como maior fornecedor mundial de café mesmo com as mudanças climáticas se intensificando.

    O gosto do seu café vai mudar?

    Tecnicamente, sim. O robusta tem mais cafeína e um sabor mais forte e amargo comparado ao arábica. Mas aqui entra um detalhe curioso: pode ser que você nem perceba a diferença.

    Matthew Barry, gerente de insights da Euromonitor International, observa que as gerações mais jovens não ligam tanto pra origem ou tipo de café. “Eles não se importam tanto com as origens, as notas de degustação”, explica. A preferência é por bebidas personalizadas, aqueles cafés cheios de leite, cremes e xaropes que mascaram o sabor natural dos grãos.

    Se os preços continuarem subindo (e tudo indica que sim), o robusta pode se tornar ainda mais atrativo por custar menos que o arábica.

    Europa pode acelerar a mudança

    Uma nova legislação europeia pode dar um empurrão extra no robusta. A lei exigirá certificação de que commodities importadas não vem de áreas recentemente desmatadas. Mas o café instantâneo, feito principalmente com robusta, estará isento dessa regra.

    Foto: Wenderson Araujo/Trilux/Sistema CNA/Senar

    Esse detalhe regulatório pode aumentar significativamente a demanda por produtos à base de robusta, segundo análise do Rabobank. Vale lembrar: a União Europeia consome quase 50% de todo café instantâneo vendido no mundo, de acordo com a Grand View Research.

    Mais dinheiro no bolso do produtor

    Embora tradicionalmente mais barato que o arábica, o robusta atingiu preços recordes recentemente. Combinando preços altos com produtividade quase duas vezes maior que o arábica, não é surpresa que mais cafeicultores estejam fazendo a transição.

    “Os produtores de robusta também estão melhorando a qualidade de seus grãos”, afirma Alexsandro Teixeira, pesquisador da Embrapa. Essa melhoria tornou a variedade mais atraente pros consumidores e impulsionou ainda mais os preços.

    A rentabilidade é simples: mais café por hectare, custos menores de produção e preços competitivos. Para muitos agricultores enfrentando prejuízos com o arábica, o robusta se tornou não apenas uma alternativa, mas a única opção viável.

    O futuro na xícara

    A transformação do café brasileiro é um microcosmo das mudanças climáticas globais. Tradições centenárias dão lugar à adaptação forçada. O sabor muda, as técnicas evoluem, mas o cafezinho de todo dia continua. Talvez um pouco mais amargo, mas definitivamente mais resiliente.

    Para os consumidores, a mensagem é clara: prepare-se para um café diferente. Para os produtores, a lição já foi aprendida: ou se adapta, ou desaparece.

  • Haddad admite mudanças nas regras do seguro-defeso

    Haddad admite mudanças nas regras do seguro-defeso

    O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, admitiu rever as propostas para o seguro-defeso. Ele respondeu a críticas de parlamentares durante audiência no Congresso nesta terça-feira (12).

    A comissão mista discute a medida provisória que substitui a alta do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). O texto também altera as regras do benefício pago a pescadores no período de reprodução dos peixes.

    Haddad afirmou estar sensibilizado com os pedidos de mudanças feitos por deputados e senadores de diversos partidos. Ele disse que não vê problema em aperfeiçoar o texto. O ministro explicou que as mudanças foram debatidas com outros ministérios. Segundo ele, auditorias da Controladoria-Geral da União identificaram fraudes na concessão do benefício.

    O seguro-defeso funciona como um seguro-desemprego para pescadores. Ele é pago apenas em determinados meses do ano. Haddad disse que o controle não pode dificultar o acesso ao pescador artesanal que tem direito ao benefício. Ele ressaltou que a prioridade é garantir o pagamento correto para quem realmente se enquadra nas regras.

    A Medida Provisória 1.303/2025 também eleva tributos sobre aplicações financeiras e aumenta a contribuição das bets. Além disso, exige que as prefeituras homologuem o registro de pescador e limita o gasto anual com o benefício ao valor fixado no Orçamento.

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    Minérios estratégicos

    Na audiência, Haddad também falou sobre minerais críticos e terras raras. Ele defendeu que o Brasil agregue valor a esses produtos antes da exportação.

    O ministro destacou que esses minérios têm alta concentração no Brasil e na China. Ele alertou que essa exclusividade desperta interesse internacional.

    Haddad lembrou que, durante o governo Biden, o Brasil abriu negociações com os Estados Unidos. As tratativas incluíram possíveis joint ventures para fabricar baterias no país, com transferência de tecnologia para empresas brasileiras.

     

     

     

  • Governo muda Política de Inovação do Inmet

    Governo muda Política de Inovação do Inmet

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou a Portaria nº 752 no Diário Oficial da União, aprovando a nova Política de Inovação do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Esta iniciativa visa aprimorar a coordenação e o alinhamento das ações do Inmet em relação à inovação. Focando no desenvolvimento de novas tecnologias, produtos e serviços meteorológicos que atendam às demandas do setor produtivo e da sociedade.

    O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, destacou a importância da inovação para o avanço da meteorologia no Brasil. “A aprovação dessa nova política reflete nosso compromisso com a modernização da infraestrutura e a inovação no setor meteorológico”, afirmou Fávaro.

    A Política de Inovação tem como objetivo incentivar a pesquisa científica e o desenvolvimento tecnológico, estabelecendo diretrizes claras para a gestão de inovação no Inmet. A estratégia inclui a promoção de um ambiente colaborativo entre instituições e agentes do setor. Além da definição de mecanismos para celebrar parcerias com entidades públicas e privadas, tanto nacionais quanto internacionais. Também serão implementadas medidas para proteger a propriedade intelectual dos produtos e processos desenvolvidos em colaboração.

    Entre as metas da nova política estão o aprimoramento dos processos institucionais, a capacitação contínua dos servidores e a criação de um ambiente propício para a conexão de pessoas e ideias. A política também visa fomentar parcerias estratégicas e o compartilhamento de competências e infraestrutura.

    Um Hub de pesquisa aplicada

    Luís Fernando Magnani de Oliveira, diretor interino do Inmet, ressaltou que essa política é um passo fundamental para transformar o Instituto em um centro de excelência em meteorologia. “O objetivo é dotar o Inmet de uma ferramenta institucional que permita transformá-lo em um hub de pesquisa aplicada. Fomentando parcerias com a academia e o setor produtivo”, explicou Oliveira. Ele enfatizou que essa abordagem permitirá resultados mais rápidos e eficientes para os desafios meteorológicos e climáticos que o Brasil enfrenta.

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    A nova Política de Inovação do Inmet representa um avanço significativo na busca por soluções tecnológicas que beneficiem não apenas o setor agrícola, mas toda a sociedade brasileira. Com um foco claro na colaboração e na modernização, o Inmet se posiciona para enfrentar os desafios futuros na área da meteorologia. E assim, contribuir para um desenvolvimento sustentável e inovador no país. É o que esperamos.