Tag: meio ambiente

  • Sucuri gigante é gravada enrolada em capivara em Bonito

    Sucuri gigante é gravada enrolada em capivara em Bonito

    Um impressionante registro da vida selvagem foi feito no último sábado (11) no Rio Sucuri, em Bonito, Mato Grosso do Sul. Durante um passeio turístico, o guia Célio Araújo filmou uma sucuri gigante enrolada em uma capivara, já estrangulada e prestes a ser engolida. O vídeo rapidamente ganhou destaque nas redes sociais, gerando comentários sobre a importância da preservação ambiental.

    Célio Araújo compartilhou o vídeo com a legenda: “Sucuri enrolada em uma capivara, ela já havia estrangulado o animal para começar a engolir”. O guia relatou que a cena ocorreu por volta das 9h e que, embora tenha presenciado momentos semelhantes anteriormente, a experiência continua a ser surpreendente. “É sempre impressionante ver uma sucuri predando”, afirmou.

    O método de caça da sucuri

    As sucuris são conhecidas por seu método de caça eficaz. Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), essas serpentes se aproximam silenciosamente de suas presas, geralmente em ambientes aquáticos. Assim que alcançam o alvo, utilizam seu corpo musculoso para se enrolar e aplicar um aperto poderoso, conhecido como constrição, que impede a circulação sanguínea da vítima.

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    A digestão das presas pode levar semanas, dependendo do tamanho do animal. A doutora em Ecologia Juliana de Souza Terra explica que as sucuris possuem adaptações que permitem engolir presas muito maiores que seu próprio diâmetro, utilizando uma mandíbula flexível e pele elástica.

    Importância da preservação ambiental

    O vídeo gerou reações nas redes sociais, com usuários destacando a beleza da natureza e a necessidade de proteção dos ecossistemas. Um comentarista enfatizou: “Que animal belíssimo! É importante ver a natureza preservada”, enquanto outro observou: “É incrível poder ver cenas assim, sinal de que a fauna está protegida”.

    O flagrante da sucuri gigante predando uma capivara não apenas fascina pela sua dramaticidade, mas também serve como um lembrete da complexidade das interações ecológicas e da importância da preservação ambiental. Enquanto os citricultores brasileiros monitoram as condições climáticas para suas safras, eventos como este ressaltam a necessidade de proteger os habitats naturais e suas espécies.

  • Camu-Camu: O “Ouro da Amazônia” e seus desafios no Brasil

    Camu-Camu: O “Ouro da Amazônia” e seus desafios no Brasil

    Rico em vitamina C e antioxidantes, o camu-camu, apelidado de “ouro da Amazônia”, desponta como uma promissora aposta para a indústria alimentícia.

    A fruta, nativa das margens dos rios amazônicos, possui impressionantes níveis de vitamina C — cem vezes mais que o limão e vinte vezes mais que a acerola — além de alto teor de antioxidantes, tornando-a um aliado na prevenção do envelhecimento e no combate aos radicais livres.

    Apesar de ser um produto amplamente conhecido no Peru, sua popularização no mercado brasileiro esbarra em diversos desafios na cadeia produtiva.

    Cadeia Produtiva em Desenvolvimento

    Embora a fruta já seja uma commodity no Peru, o cenário no Brasil ainda é incipiente. Em Roraima, onde a fruta é abundante, uma rede embrionária de ribeirinhos extrativistas começa a tomar forma, mas enfrenta desafios de infraestrutura, logística e regulamentação.

    De acordo com Fernanda Cidade, do Instituto de Desenvolvimento da Amazônia (Idesam), essa cadeia produtiva depende de apoio governamental para se expandir e se estabelecer, permitindo a criação de “bionegócios de grande valor”.

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    Na tentativa de fomentar essa cadeia, o Idesam desenvolveu uma consultoria em Roraima para mapear as dificuldades dos produtores e comerciantes locais.

    A iniciativa identificou a falta de energia elétrica em áreas de colheita como um dos principais entraves, propondo alternativas para superar esses desafios.

    Entre as soluções, a Fundação CERTI, parceira do estudo, sugere a implantação de indústrias próximas para produção de pó liofilizado e a utilização de pequenas embarcações equipadas com painéis solares para processar o fruto em polpa, inspirando-se na logística desenvolvida para o açaí.

    Sustentabilidade e Preservação Ambiental

    A relação do camu-camu com o meio ambiente é complexa. O fruto é encontrado em áreas impactadas pelo desmatamento e mudanças climáticas, o que afeta o ciclo natural das cheias dos rios.

    Por essa razão, há discussões sobre o cultivo em terra firme como alternativa sustentável para reflorestamento.

    Azeda e adstringente, a fruta é mais consumida de forma processada e mesmo congelada preserva suas propriedades nutricionais.

    No município de Bonfim, na fronteira com a Guiana, Aldenira Costa Maia preside uma associação dedicada à produção de polpa de camu-camu. A associação também fabrica geleias, bolos e doces com o fruto, vendido em feiras locais.

    Segundo Aldenira, a Embrapa tem fornecido mudas para estimular o plantio, mas desafios como a irrigação das plantações ainda precisam ser superados, dado o caráter ribeirinho da fruta.

    Expansão e Potencial Internacional

    O camu-camu já é exportado em larga escala pelo Peru, que registrou um recorde de US$ 5 milhões em vendas em 2020.

    Destinadas a mercados como EUA, União Europeia e Japão, essas exportações destacam o potencial da fruta. Sendo assim, incentivam o Brasil a explorar novas oportunidades de inserção nesse mercado crescente.

    Contudo, para competir globalmente, o produto brasileiro enfrenta um longo caminho de regulamentações e qualificação da cadeia produtiva, segundo Jane Gaspar, engenheira da Fundação CERTI.

    Foto: Taciana de Carvalho Coutinho

    O camu-camu, com seus ricos nutrientes e potencial comercial, representa um novo horizonte para a indústria alimentícia no Brasil.

    No entanto, transformar essa promessa em realidade requer superar desafios de infraestrutura, logística, regulamentação e qualificação da cadeia produtiva.

    O estudo, portanto, realizado pelo Idesam em parceria com a Fundação CERTI apresenta um diagnóstico claro sobre essas questões, incentivando o desenvolvimento de uma cadeia sustentável e produtiva para o fruto no Brasil.

  • Governador de Mato Grosso sanciona lei contra Moratória da Soja

    Governador de Mato Grosso sanciona lei contra Moratória da Soja

    O governador Mauro Mendes vai sancionar o projeto de lei estadual nº 2256/2023, que retira benefícios fiscais de empresas envolvidas na moratória da soja em Mato Grosso. A sanção será publicada no Diário Oficial do Estado nesta segunda-feira (21).

    Para o governador, a aprovação da lei é um marco para a produção do estado. “A Assembleia aprovou, e nós, como governo, vamos sancioná-la. Espero que as empresas revejam suas posições no Brasil e respeitem a legislação brasileira, em vez de seguirem regras não previstas por lei”, afirmou Mendes, destacando a importância de proteger o mercado do agronegócio mato-grossense.

    Impacto da moratória da soja no estado

    A moratória da soja, estabelecida em 2006, proíbe a comercialização de soja produzida em áreas desmatadas da Amazônia, mesmo que o desmatamento tenha ocorrido legalmente. Além disso, o governador criticou o acordo, alegando que ele desrespeita a lei brasileira e prejudica os produtores locais. “Há um ano alertamos que tomaríamos medidas caso as sanções contra o estado continuassem. Mesmo após vários diálogos, a moratória não foi suspensa”, explicou Mendes.

    Ele reforçou que o Brasil possui uma das legislações ambientais mais rigorosas do mundo e que Mato Grosso cumpre integralmente o Código Florestal. Ou seja, “no bioma amazônico, os proprietários de terras só podem utilizar 20% da área, sendo obrigatória a preservação dos 80% restantes”, destacou, ressaltando que a maioria dos produtores reconhece os prejuízos do desmatamento ilegal.

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    Apoio do setor produtivo

    Lucas Costa Beber, presidente da Aprosoja-MT, elogiou a decisão do governador, afirmando que ela corrige uma distorção que afeta o desenvolvimento sustentável do estado. “Essa medida alinha-se com o que o governador sempre defendeu e é um passo importante para o desenvolvimento de Mato Grosso. Além disso, Beber declarou que desde 2009, o desmatamento ilegal de mais de 250 mil hectares impactou negativamente o meio ambiente e o crescimento de diversos municípios.

    Com a sanção da lei, o governo espera fortalecer o cumprimento das leis ambientais brasileiras e garantir a proteção do agronegócio em Mato Grosso.

     

  • Meio ambiente – como proteger as abelhas durante a florada da soja

    Meio ambiente – como proteger as abelhas durante a florada da soja

    Com o início da fase de florescimento da soja, que ocorre entre 20 e 30 dias após a semeadura, é comum que insetos polinizadores, como abelhas, visitem as lavouras para coletar néctar. No entanto, o uso inadequado de inseticidas durante esse período pode ameaçar a sobrevivência desses polinizadores, essenciais para a biodiversidade e a produtividade agrícola. O alerta é de especialistas da BASF, que recomendam o uso de boas práticas de manejo para mitigar esses riscos e preservar os insetos.

    Segundo Marcelo Batistela, vice-presidente da Divisão de Soluções para Agricultura da BASF no Brasil, a empresa está comprometida em promover a biodiversidade e a segurança alimentar por meio de treinamentos que ensinam o uso correto de tecnologias agrícolas. “O uso indevido de pesticidas é um problema sério, e precisamos garantir que isso seja tratado com atenção. Oferecemos apoio aos agricultores com treinamentos sobre o uso seguro de produtos e incentivamos práticas sustentáveis para proteger os polinizadores e garantir a sustentabilidade da agricultura”, destacou Batistela.

    Importância dos polinizadores na produção agrícola

    Os polinizadores desempenham um papel fundamental na produtividade agrícola em diversas culturas, como a soja. Um estudo realizado pela Rutgers University mostrou que fazendas em todo o mundo, incluindo na América do Sul, apresentam redução na produção de grãos devido à baixa presença de polinizadores. No Brasil, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) aponta que a presença de abelhas pode aumentar a produtividade da soja em até 13%.

    Safra de verão pode representar perigo aos insetos com uso indevido de inseticidas

    Maurício do Carmo Fernandes, gerente de Stewardship e Sustentabilidade da BASF, explica que os agricultores devem tomar medidas específicas para proteger os polinizadores durante a safra da soja. Entre as práticas recomendadas está a aplicação de inseticidas em horários apropriados, como no final da tarde ou à noite. E também o monitoramento das condições climáticas, como temperatura e velocidade do vento, para evitar danos às abelhas. Além disso, é fundamental que os agricultores reconheçam as diferenças entre pragas, inimigos naturais e polinizadores para garantir uma aplicação segura dos produtos.

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    “Os polinizadores ficam mais ativos durante o florescimento da soja, e a aplicação inadequada de inseticidas pode levar à morte desses insetos. Com práticas simples, os produtores podem reduzir esses riscos e garantir uma convivência harmoniosa entre a produção agrícola e a preservação da biodiversidade”, afirma Fernandes.

    Iniciativas de preservação e sustentabilidade

    A BASF tem investido em parcerias e projetos para promover a sustentabilidade no campo. Um exemplo é o projeto “Agricultura para um futuro positivo com a natureza”, que envolve diversas instituições para impulsionar práticas agrícolas mais sustentáveis e benéficas ao meio ambiente. No Rio Grande do Sul, a iniciativa já conta com a participação de 18 produtores e 19 apicultores. Eles trabalham juntos para garantir a proteção dos polinizadores e a sustentabilidade da agricultura.

    Abelhas convivem com soja
    Boas práticas agrícolas podem mitigar risco de morte de polinizadores durante florada da soja

    Além disso, em parceria com a Embrapa, a BASF tem realizado estudos desde 2022 para validar protocolos de Boas Práticas Agrícolas e Apícolas. Isso mostra que é possível a convivência entre a produção de soja e a apicultura, com benefícios mútuos para ambos os setores.

    As boas práticas agrícolas são essenciais para mitigar os riscos à vida dos polinizadores durante o florescimento da soja. Com o uso correto de inseticidas e o respeito às recomendações técnicas, os agricultores podem garantir a preservação dos insetos, que são fundamentais para a produtividade e a sustentabilidade da agricultura no Brasil.

  • O agronegócio e as queimadas

    O agronegócio e as queimadas

    As queimadas no Brasil têm sido um tema controverso, especialmente quando se trata de atribuir responsabilidades ao agronegócio. Muitas pessoas ainda acusam o setor de ser o principal responsável por esses eventos, principalmente devido à expansão agrícola, desmatamento e práticas inadequadas de manejo de solo e pastagens. Essa percepção é alimentada por imagens de incêndios florestais e pela preocupação com os impactos ambientais, como a perda de biodiversidade e a poluição do ar.

    No entanto, o agronegócio é diretamente prejudicado pelas queimadas, já que elas afetam negativamente a qualidade do solo. Também reduzem a produtividade das plantações e causam prejuízos à biodiversidade e ao clima. O que impacta tanto o curto quanto o longo prazo da produção agrícola.

    Essas acusações persistem em parte porque o desmatamento ilegal e as queimadas associadas à abertura de áreas para pastagem e plantio ainda ocorrem em regiões como a Amazônia e o Cerrado. Além disso, a mídia frequentemente destaca os casos negativos, contribuindo para a imagem negativa do agronegócio.

    Embora nem todas essas ações sejam realizadas por grandes empresas do agronegócio, há um estigma que associa o setor ao desmatamento e às queimadas. Isso gera percepções negativas por parte da sociedade e consumidores internacionais.

    Prejuízos ao setor

    As queimadas prejudicam diretamente o agronegócio. De acordo com a Embrapa, os incêndios florestais diminuem a fertilidade do solo, além de comprometerem a saúde de animais e plantas. Para exportadores de produtos agrícolas, a imagem associada às queimadas pode levar a boicotes comerciais e a perdas econômicas significativas.

    O setor tem enfrentado crescente pressão internacional para adotar práticas mais sustentáveis, como destacou a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em um relatório. O não cumprimento de padrões ambientais pode resultar na perda de mercados, especialmente na Europa.

    Ações para prevenir queimadas

    O agronegócio tem se esforçado para evitar as queimadas e adotar práticas sustentáveis. De acordo com Pedro de Camargo Neto, ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira. “Os agricultores têm se conscientizado sobre a importância de manter a integridade ambiental de suas propriedades, utilizando métodos de manejo sustentável”. Ele enfatizou, em entrevista ao Portal do Agro, que a implementação de tecnologias como a agricultura de precisão e a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) são essenciais para prevenir queimadas e melhorar a produtividade sem causar danos ao meio ambiente.

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    Além disso, várias iniciativas privadas e públicas foram criadas para combater o desmatamento e as queimadas. O projeto “Fogo Zero”, implementado pela CNA, visa educar e apoiar produtores para evitar o uso do fogo na gestão de áreas agrícolas. Iniciativas de reflorestamento e conservação também têm sido cada vez mais promovidas pelo setor, como parte de uma estratégia para manter os biomas brasileiros e minimizar os impactos ambientais da produção agrícola.

    Queimadas mudam o cenário no interior de São Paulo

    De acordo com João Martins, presidente da CNA, em entrevista para o AgroLink, “o agronegócio brasileiro está comprometido com a sustentabilidade. Estamos adotando políticas que preservam o meio ambiente ao mesmo tempo em que garantimos a produção de alimentos”. Ele ressaltou que o combate às queimadas é uma prioridade para o setor, com diversas ações de conscientização e monitoramento de áreas vulneráveis sendo implementadas.

    Mais ações do agronegócio para combater as queimadas

    Em resposta às críticas e à necessidade de proteger o meio ambiente, o agronegócio tem implementado diversas ações para evitar queimadas e promover práticas agrícolas sustentáveis. Entre essas iniciativas estão:

    • Manejo Integrado: O uso de técnicas que combinam agricultura com conservação ambiental, como a rotação de culturas e o plantio direto, ajuda a reduzir a necessidade de queimadas.
    • Tecnologia: A adoção de tecnologias avançadas para monitoramento das áreas cultivadas permite que os produtores identifiquem riscos de incêndio e atuem preventivamente.
    • Educação e Capacitação: Programas de capacitação para produtores rurais sobre práticas sustentáveis são fundamentais. “Investir na educação dos agricultores sobre manejo sustentável é essencial para reduzir as queimadas”, destaca Tereza Cristina, Ministra da Agricultura, em uma conferência sobre sustentabilidade no agronegócio.
    • Parcerias com ONGs: O setor tem buscado parcerias com organizações não governamentais para desenvolver projetos que promovam a preservação ambiental e ajudem na recuperação de áreas degradadas.

    Essas ações demonstram um compromisso crescente do agronegócio com a sustentabilidade e a responsabilidade ambiental. No entanto, é fundamental que o setor continue a trabalhar na transparência das suas práticas. E também na comunicação efetiva com o público para mudar a percepção negativa que ainda persiste em relação às queimadas.

    Embora ainda seja alvo de críticas, o agronegócio tem se adaptado para mitigar os efeitos das queimadas e preservar o meio ambiente. O setor está cada vez mais comprometido em alinhar a produção agrícola com práticas sustentáveis. E também promover a adoção de tecnologias que evitam o desmatamento e reduzem o uso do fogo.

  • Secas atrasam em 20 anos a recuperação de estoques de madeira em florestas manejadas

    Secas atrasam em 20 anos a recuperação de estoques de madeira em florestas manejadas

    Um estudo da Embrapa, realizado entre 2000 e 2022 no interior do Amazonas, revelou que secas prolongadas, intensificadas pelo fenômeno El Niño, atrasaram em 20 anos a reposição de estoques de madeira em áreas de manejo florestal. A pesquisa foi conduzida em 600 hectares da Fazenda Iracema, no município de Lábrea. Lá, os cientistas monitoraram a regeneração florestal e os efeitos da exploração madeireira. Embora a biomassa da floresta tenha se recuperado, os estoques de madeira comercial ainda não atingiram o volume previsto inicialmente.

    O pesquisador Marcus Vinício Neves d’Oliveira, da Embrapa Acre, explica que as árvores maiores, que são alvo da exploração comercial, sofreram alta mortalidade devido às secas sucessivas. Árvores com mais de 50 cm de diâmetro, necessárias para a exploração legal de madeira, cresceram lentamente, o que atrasou a reposição do estoque. Segundo o especialista, a expectativa inicial era que a floresta se recuperasse em 25 anos, mas agora estima-se que o processo completo levará cerca de 45 anos.

    Impactos climáticos no crescimento florestal

    Os resultados indicam que a floresta começou a responder ao manejo apenas oito anos após o corte inicial. Embora tenha havido um crescimento significativo das árvores remanescentes e ingressantes, a mortalidade elevada, associada ao El Niño, retardou o processo. Secas extremas, registradas em 2005, 2010/2011, 2015/2016 e 2018, foram identificadas como os principais fatores que comprometeram o crescimento das árvores, especialmente nas áreas exploradas.

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    A pesquisa avaliou indicadores como a biomassa acima do solo, a entrada de novas árvores, o crescimento das árvores residuais e a taxa de mortalidade. Apesar da recuperação completa da biomassa em termos de número de árvores e volume, a floresta se tornou mais jovem, com predominância de árvores menores, o que dificulta a exploração sustentável a curto prazo.

    O estudo também apontou que, apesar do crescimento de árvores novas, as espécies comerciais mais valiosas foram as mais afetadas pelas condições climáticas adversas. O ciclo de corte em florestas manejadas na Amazônia varia entre 20 e 35 anos. Mas, devido ao impacto do clima, a área estudada precisará de mais tempo para atingir os níveis de estoque de madeira adequados para exploração. O pesquisador d’Oliveira ressalta que, embora a recuperação em termos de biomassa tenha sido satisfatória, a estrutura da floresta mudou significativamente. Com uma maior quantidade de árvores jovens e menos árvores de grande porte, retardando o ciclo produtivo.

    Novos estudos e próximos passos da pesquisa

    Os estudos sobre dinâmica florestal são feitos no Acre há mais de 30 anos e na Amazônia como um todo há cerca de 50 anos. Mmas é consenso da pesquisa que esse tempo é relativamente curto para se conhecer efetivamente o comportamento da floresta.

    De acordo com Evaldo Muñoz, pesquisador da Embrapa Florestas (PR), participante desse estudo, como a pesquisa é contínua, os dados gerados servem de base para novas análises sobre a dinâmica da floresta. “A recorrência de efeitos climáticos atípicos vai demandar novos estudos para ampliar o conhecimento sobre como a floresta funciona a longo prazo. É necessário investigar outros efeitos desses eventos na regeneração de áreas manejadas, como possíveis mudanças na sua estrutura florística e quais espécies comerciais são mais afetadas”, considera Muñoz.

    Os dados gerados pela pesquisa serão integrados a um banco de dados em construção. Ele será disponibilizado pela Embrapa para pesquisadores e profissionais da área florestal. A análise contínua dos impactos climáticos, como o El Niño, sobre a regeneração de florestas manejadas será crucial para a criação de estratégias de manejo sustentável . E assim, tomar atitudes para mitigar os efeitos das mudanças climáticas.

  • Saiba a relação entre crédito de carbono e recuperação de pastagens

    Saiba a relação entre crédito de carbono e recuperação de pastagens

    Um estudo realizado pela Embrapa Meio Ambiente analisou o impacto da recuperação de pastagens degradadas no sudeste do Brasil sobre o balanço de carbono e as emissões de gases de efeito estufa (GEE). Realizado ao longo de cinco anos, a pesquisa abrangeu desde uma pastagem degradada até sua renovação com fertilização nitrogenada, destacando os desafios na implementação de programas de créditos de carbono em pastagens.

    O levantamento alerta para os desafios da implementação de programas de créditos de carbono em pastagens. E destaca que fatores como mudanças nas práticas agrícolas e eventos climáticos extremos podem comprometer a eficácia e a permanência do sequestro de carbono.

    Impacto da recuperação de pastagens

    De acordo com Osvaldo Cabral, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente que coordenou o experimento, a assimilação de dióxido de carbono observada na pastagem degradada não compensou o carbono removido pelo pastejo. Dessa forma, contribui para a continuidade do processo de degradação do solo.

    Por outro lado, a pastagem reformada e adubada conseguiu fixar carbono a uma taxa superior à meta estabelecida pela Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do Brasil. No entanto, essa taxa não foi suficiente para neutralizar as emissões geradas durante o processo de renovação, quando o solo foi arado e permaneceu sem cobertura.

    Importância do monitoramento e práticas de manejo

    O estudo enfatiza a importância do monitoramento contínuo do balanço de dióxido de carbono, principalmente em anos de baixa precipitação. Isso ajuda a avaliar o impacto das práticas de manejo sobre as emissões líquidas de GEE, incluindo óxido nitroso e metano.

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    A adoção de práticas adequadas de manejo pode evitar e até reverter a degradação das pastagens, melhorando a capacidade de armazenamento de carbono e contribuindo com os compromissos climáticos do Brasil.

    Política de Agricultura de Baixo Carbono e desafios futuros

    A pesquisa destaca o papel crucial da Política de Agricultura de Baixo Carbono (ABC) do Governo brasileiro, que visa recuperar milhões de hectares de pastagens degradadas. No entanto, apenas um terço das áreas-alvo foi reabilitado, e a falta de monitoramento formal dificulta a avaliação dos impactos.

    Para o novo ciclo do Plano ABC+ (2020-2030), o foco será a governança e o uso de critérios científicos para mensuração e relatórios.  Isso visa superar os desafios identificados no estudo e potencializar os benefícios da recuperação de pastagens no sudeste do Brasil.

    Os resultados completos do estudo estão disponíveis na publicação “Eddy covariance fluxes of greenhouse gasses observed in a renewed pasture in the southeast of Brazil”.

    Com esse estudo, fica evidente a necessidade de práticas contínuas e bem monitoradas para alcançar uma recuperação sustentável das pastagens. E sua importancia  para contribuir significativamente para a mitigação das mudanças climáticas.

  • Governo Federal sanciona política nacional de manejo integrado do fogo

    Governo Federal sanciona política nacional de manejo integrado do fogo

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, nesta quarta-feira (31), a lei que institui a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo. A cerimônia ocorreu em Corumbá (MS), após Lula sobrevoar áreas atingidas por incêndios na região, acompanhado pelos ministros Carlos Fávaro (Agricultura) e Marina Silva (Meio Ambiente).

    A nova política estabelece uma abordagem planejada e coordenada para o uso controlado e consciente do fogo. E visa prevenir e combater incêndios florestais, conservar ecossistemas e respeitar práticas tradicionais. Ela permite o uso do fogo em atividades agropecuárias, pesquisa científica, prevenção e combate a incêndios, agricultura de subsistência de comunidades tradicionais, sempre com autorização dos órgãos competentes.

    Combate aos incêndios no Pantanal

    Segundo Marina Silva, a situação crítica no Pantanal é resultado da combinação entre mudanças climáticas, desmatamento e incêndios. Fávaro destacou que, neste ano, a região sofrerá fortes consequências da seca, com alto risco de incêndios e escassez de água.

    Atualmente, há 890 profissionais do governo federal em campo, entre integrantes das Forças Armadas, Ibama, ICMBio, Força Nacional e Polícia Federal. Eles contam com 15 aeronaves e 33 embarcações para combater os 82 focos de incêndio registrados até 28 de julho. Desses, 45 já foram extintos e 37 estão ativos, sendo 20 controlados.

    A Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo tem como principais objetivos a prevenção e redução de incêndios florestais, a promoção do uso controlado do fogo, a capacitação para enfrentamento dos incêndios, a conservação e recuperação da vegetação nativa e a responsabilização pelo uso não autorizado do fogo.

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    A governança será realizada pelo Comitê Nacional de Manejo Integrado do Fogo, com participação de representantes de diversos setores. Isso para garantir a coordenação entre instituições públicas, privadas e a sociedade civil.

    Importância da sanção

    Para Lula, a sanção da política será um marco no combate a incêndios no país, reconhecendo o trabalho dos brigadistas e respeitando os saberes tradicionais. Ele destacou que o Brasil sediará a COP 30 em 2024, na cidade de Belém, o que torna a iniciativa ainda mais relevante para o país.

    A Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo será implementada em cooperação entre União, estados, municípios, sociedade civil e entidades privadas. E visa prevenir e reduzir os impactos dos incêndios florestais e promover o uso controlado e sustentável do fogo no país.

  • Cosméticos sustentáveis: como a sustentabilidade está revolucionando grandes marcas

    Cosméticos sustentáveis: como a sustentabilidade está revolucionando grandes marcas

    A demanda por produtos sustentáveis e ambientalmente responsáveis tem transformado diversos setores, e a indústria da beleza não é exceção. Os cosméticos sustentáveis, também conhecidos como cosméticos naturais, ecológicos ou cosméticos verde, seguem uma tendência de crescimento no mercado conquistando um número crescente de consumidores preocupados com a saúde e o meio ambiente.

    A popularidade dos cosméticos sustentáveis está incentivando marcas da beleza a repensar suas formulações e práticas de produção. Grandes empresas estão lançando linhas de produtos ecológicos e investindo em certificações que garantem a sustentabilidade. Ao mesmo tempo, novas marcas estão surgindo com uma filosofia completamente alinhada à para a sustentabilidade e esse emergente e ainda pouco explorado mercado consumidor.

    O que são cosméticos sustentáveis?

    Cosméticos sustentáveis são produtos de beleza que buscam minimizar os impactos ao meio ambiente utilizando matérias primas sustentáveis. Assim, se  evita substâncias químicas sintéticas prejudiciais tanto para a pele quanto para o meio ambiente.

    Esses produtos são formulados sem parabenos, sulfatos, ftalatos e outras toxinas, priorizando componentes como óleos essenciais, extratos de plantas e minerais, ingredientes orgânicos, veganos, de origem não animal e cruelty-free.

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    Além disso, a produção desses cosméticos envolve em toda a cadeia produtiva práticas sustentáveis e ecologicamente responsáveis, como a agricultura orgânica, uso de embalagens recicláveis e biodegradáveis, uso racional da água.

    Tipos de cosméticos sustentáveis

    • Cosméticos orgânicos: Deve conter, no mínimo, 95% de matérias-primas certificadas como orgânicas.
    • Cosméticos naturais: Deve conter, no mínimo, 95% de matérias-primas naturais e não deve conter aditivos químicos.
    • Cosméticos veganos : Não contem matérias primas de origem animal como exemplo lanolina, colágeno, mel, cera de abelha.
    • Biocosmeticos: Produzidos a partir de ingredientes naturais mas desenvolvidos em condições laboratoriais com a ajuda de bactérias, fungos  e leveduras como exemplo acido hialurônico produzido, peptídeos, enzimas, biocelulose.

    Apesar do crescimento, a indústria dos cosméticos sustentáveis enfrenta grandes desafios. A regulamentação ainda é inconsistente o que pode dificultar a identificação de produtos verdadeiramente sustentáveis.

    Além disso, os custos de pesquisa e produção de cosméticos ecológicos são geralmente mais altos, refletindo-se nos preços finais para o consumidor. No entanto, segundo o caderno de tendências 2019 a 2020 do Sebrae 29% dos consumidores brasileiros preferem comprar produtos de empresas com práticas sustentáveis. E 73% dos consumidores de 20 a 34 anos estão dispostos a pagar mais por esses produtos .

    A  tendência é de crescimento contínuo. Consumidores estão cada vez mais informados e exigentes, pressionando a indústria a adotar práticas mais alinhadas ao ecologicamente correto e sustentável. Por sua vez as grandes empresas do ramo da beleza estão se reinventando atentos a esse mercado.

    O movimento por cosméticos ecologicamente responsáveis não apenas reflete uma mudança de hábitos, mas também uma transformação cultural em direção à sustentabilidade e ao bem-estar coletivo.

  • Técnica de irrigação da Embrapa revoluciona produção de cana

    Técnica de irrigação da Embrapa revoluciona produção de cana

    Pesquisadores da Embrapa desenvolveram um novo protocolo para irrigação de cana-de-açúcar no Cerrado. O Protocolo BRCana visa aumentar a produção, reduzir custos e minimizar a vulnerabilidade da cultura às mudanças climáticas. Além disso, a técnica, sustentável e eficiente, também diminui a demanda por terra e água, superando a produção tradicional.

    A tecnologia adota um método combinado de manejo da irrigação. Utiliza informações climáticas, umidade do solo e sensoriamento das plantas. Ou seja, esses parâmetros customizados melhoram a eficiência do uso da água e a economicidade na produção de cana no Cerrado, incluindo o manejo nas fases de crescimento e maturação.

    Vinicius Bufon, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente (SP), destaca que o BRCana é um referencial técnico inédito. “O protocolo permite romper barreiras de produtividade, longevidade e eficiência no uso de água e terra”, afirma.

    Pesquisadores desenvolveram o método ao longo de anos em usinas sucroenergéticas, garantindo a solidez e a aplicabilidade da tecnologia. Desde 2012, várias usinas já escalaram a prática para uso comercial, aumentando a produtividade das áreas irrigadas em 70%.

    Cenários de produção com a irrigação

    Bufon realizou estudos para demonstrar a eficácia da irrigação como estratégia de adaptação às mudanças climáticas. A pesquisa apresentou dois cenários, ambos mostrando aumento na eficiência de uso da terra e economia significativa nos custos de produção.

    No primeiro cenário, 32% da área da usina seria irrigada, resultando em um aumento de 3,9% na produtividade média e 15% na longevidade dos canaviais. O segundo cenário, com 45% de área irrigada, aumentaria a produtividade em 4,2% e a longevidade em 21%.

    Além disso, a irrigação também reduziria o consumo de insumos e combustível. No cenário 2, haveria uma economia de até 19% no consumo de calcário e gesso, 8% em fósforo, 6% em nitrogênio e 10% em potássio, além de 10,2% em etanol e gasolina.

    Além disso, Bufon ressalta que, ao invés de expandir horizontalmente, investir na verticalização através da irrigação é mais sustentável e eficiente. “A produção irrigada, com a técnica correta, é mais sustentável e eficiente do que a produção tradicional”, conclui.