Tag: Maranhão

  • Ação intensifica fiscalização da aviação agrícola

    Ação intensifica fiscalização da aviação agrícola

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) reforçou, entre os dias 2 e 5 de março, a fiscalização da aviação agrícola e do uso de agrotóxicos no Maranhão. A operação, realizada em 19 municípios, contou com o apoio da Agência Estadual de Defesa Agropecuária do Maranhão (AGED-MA) e teve como foco o combate a irregularidades no registro e na aplicação aérea de defensivos.

    Foto: Mapa

    Durante a ação, as equipes verificaram a situação cadastral de operadores aeroagrícolas e proprietários rurais. Com atenção especial aos pilotos de drones sem registro no Mapa. Segundo Uéllen Duarte, chefe da Divisão de Aviação Agrícola do Ministério, a força-tarefa também atendeu denúncias sobre o uso irregular de aeronaves não autorizadas. Reforçando o compromisso com a segurança e a conformidade das operações no campo.

    Além das inspeções, o Mapa promoveu reuniões com produtores rurais e entidades do setor agrícola para orientar sobre as exigências legais que regulam a aviação agrícola e o uso responsável de insumos.

    O trabalho resultou na emissão de 33 Termos de Fiscalização, 26 Intimações e 6 Autos de Infração. O número de autuações pode aumentar conforme o andamento das intimações. As penalidades seguem a Lei nº 14.515/2022, que prevê multas de até R$ 150 mil para infratores.

    Foto: Mapa

    A operação mobilizou sete auditores fiscais federais agropecuários, três técnicos do Mapa  vindos de diferentes estados e uma equipe da AGED-MA. A fiscalização da aviação agrícola faz parte das ações permanentes do Ministério para garantir o uso regular de insumos e o cumprimento da legislação nas atividades agropecuárias.

  • Defeso do caranguejo-uçá começa no Norte e Nordeste

    Defeso do caranguejo-uçá começa no Norte e Nordeste

    O período de defeso do caranguejo-uçá (Ucides cordatus) terá início em 17 de fevereiro de 2026, terça-feira de Carnaval. E se estenderá até 22 de fevereiro, informou o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Pará.

    A medida protege a reprodução da espécie e garante a manutenção dos estoques naturais nos manguezais das regiões Norte e Nordeste. O defeso vale para Amapá, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia.

    O Ibama também definiu as próximas etapas do defeso. De 3 a 8 e de 18 a 23 de março, e também dos períodos de 1º a 6 e de 17 a 22 de abril.

    Durante o defeso, os caranguejos saem das tocas para acasalar e liberar ovos, fase essencial para a continuidade da espécie. Por isso, ficam proibidas a captura, o transporte, o beneficiamento, a industrialização e a comercialização do caranguejo-uçá, tanto por pessoas físicas quanto jurídicas.

    Regras

    A proibição vale para animais vivos, congelados ou processados, inteiros ou em partes. Quem desrespeitar as normas está sujeito às sanções previstas na Lei nº 9.605/1998 e no Decreto nº 6.514/2008, que incluem multas e demais penalidades civis e administrativas.

    A comercialização da espécie durante o defeso só é permitida a quem apresentar a Declaração de Estoque registrada no Ibama até o último dia útil antes do início do período. Neste ciclo, o prazo é 13 de fevereiro de 2026. O documento deve detalhar os estoques de caranguejos vivos, congelados, pré-cozidos, cozidos, inteiros ou em partes, conforme o formulário anexo à portaria do instituto.

    Segundo o Ibama, o respeito ao defeso é essencial para a sustentabilidade da atividade extrativista e para a preservação dos manguezais, ecossistemas fundamentais ao equilíbrio ambiental e à subsistência de comunidades tradicionais.

  • Produção de sorgo cresce 400% em dez anos

    Produção de sorgo cresce 400% em dez anos

    A cultura do sorgo granífero consolida sua posição estratégica no agronegócio brasileiro, especialmente nas regiões do Oeste da Bahia e de Balsas, no Maranhão. A Embrapa e a empresa Inpasa Brasil realizaram dois eventos técnicos em dezembro para capacitar produtores, técnicos e profissionais do setor sobre as oportunidades que a cultura oferece, principalmente para a produção de bioetanol.

    O Simpósio do Sorgo aconteceu em 2 de dezembro, em Luís Eduardo Magalhães, no Clube Rio das Pedras, em parceria com a Círculo Verde. Já o Seminário da Cultura do Sorgo – a escolha certa para sua safrinha ocorreu em 4 de dezembro, na sede do Sindicato dos Produtores Rurais de Balsas (Sindibalsas).

    Crescimento expressivo na produção nacional

    Os dados da Conab revelam um crescimento robusto: entre as safras 2015/16 e 2024/25, a produção nacional de sorgo aumentou mais de 400%. O engenheiro agrônomo Frederico Botelho, chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Milho e Sorgo, coordena o projeto de cooperação técnica entre Embrapa e Inpasa, que visa o desenvolvimento sustentável da produção de sorgo.

    “O sorgo desponta como uma cultura complementar aos sistemas de produção brasileiros, principalmente por sua resiliência e adequação às demandas crescentes frente às mudanças climáticas e à necessidade de diversificação da matriz energética”, explica Botelho.

    Bioetanol transforma sorgo em matéria-prima estratégica

    A demanda por etanol de cereais elevou o sorgo de cultura secundária a matéria-prima estratégica. Usinas localizadas no Mato Grosso do Sul, Goiás, Mato Grosso e Maranhão fomentam o cultivo e compram o grão para impulsionar a produtividade industrial.

    Foto: Sandra Brito/Embrapa

    Irineu Piaia Junior, gerente comercial da Inpasa, destacou a importância da produção de sorgo na segunda safra. “A Inpasa, juntamente com demais consumidores, contribui para que o produtor encaixe a cultura no melhor cenário. O simpósio traz debates técnicos fundamentais para o crescimento sustentável”, afirma.

    Produtividades recordes no Oeste da Bahia

    Celito Breda, sócio proprietário da Círculo Verde, comenta os resultados obtidos na região. “Estamos com média de produção em torno de 85 sacas por hectare na segunda safra porque investimos e plantamos em áreas muito férteis”, relata.

    As perspectivas são ainda mais otimistas. “Daqui a cinco anos, as fazendas produzirão 140 sacas por hectare. Para os pivôs plantados em fevereiro, a perspectiva é de 200 sacas por hectare nos próximos 3 a 5 anos”, projeta Breda, atribuindo esses resultados à parceria com pesquisadores da Embrapa.

    O produtor rural Haroldo Uemura, que possui fazendas nas regiões Oeste da Bahia, extremo Sul do Piauí e no Maranhão, alcançou média de 90 sacas na segunda safra de 2025, com picos de 120 sacas por hectare nas áreas de maior produção. “O sorgo oferece boa margem de rentabilidade. Hoje temos mais segurança de liquidez, com a destinação dos grãos para a produção de etanol”, celebra.

    Região Oeste da Bahia amplia área cultivada

    A Região Oeste da Bahia abrange 31 municípios em 14,5 milhões de hectares. A Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) prevê 200 mil hectares de sorgo para a safra 2025/26, junto com 2,218 milhões de hectares de soja, 403 mil de algodão e 195 mil de milho.

    Jaime Aroldo Cappelesso, Secretário de Agricultura de Luís Eduardo Magalhães, mostra confiança no futuro da cultura. “O sorgo é uma cultura rústica em termos de manejo de água e de pragas. Tenho certeza de que, no máximo em cinco anos, o sorgo será a segunda cultura em área. Para esta safra 2025/2026, prevemos aumentar 25% da área”, projeta.

    Maranhão registra expansão na segunda safra

    No Maranhão, a Conab estima 54,1 mil hectares de sorgo para a safra 2025/2026, com produtividade de 2.465 kg/ha, totalizando 1.271 mil toneladas.

    Jean Henrique Martins, proprietário da Imperial Agro-Nutrição e produtor de grãos, ressalta os benefícios. “Com o sorgo, conquistamos a diversificação de culturas, o aproveitamento da janela de plantio e o aumento de área plantada. Quanto mais áreas cultivadas, maior a receita.”

    Cleonésio Luís Marques, sócio proprietário da Setor Agro e agricultor nas regiões do Maranhão e do Pará, planeja expandir. “O sorgo aguenta mais o tempo de estiagem na minha região. Consigo aproveitar a janela para fazer a safrinha. Pretendo, com o consorciamento de braquiária e sorgo, fazer a terceira safra para produção de proteína animal.”

    Adubação adequada garante altas produtividades

    A pesquisadora Flávia Cristina dos Santos, da Embrapa Milho e Sorgo, abordou a adubação do sorgo em Luís Eduardo Magalhães. “É preciso considerar o balanço de nutrientes. Em termos de solo de fertilidade construída, devemos considerar o que os grãos exportam durante a colheita”, orienta.

    Em Balsas, o pesquisador Álvaro Vilela de Resende explicou que as exigências nutricionais do sorgo granífero são similares às do milho. “O fornecimento de nutrientes deve ser concluído em até 30 dias após a semeadura, realizando todas as adubações no início da fase vegetativa. Quanto maior a expectativa de produtividade, maior deve ser o nível de adubação”, ensina.

    Manejo de pragas e doenças requer atenção constante

    A pesquisadora Simone Mendes apresentou as principais pragas da cultura. “No início do desenvolvimento, destaca-se o percevejo Barriga Verde, que requer cuidado até os 25 dias após a germinação. Em seguida, a lagarta-do-cartucho e o pulgão do sorgo, uma praga específica dessa cultura”, alerta.

    Dagma Silva abordou as estratégias de manejo de doenças. “O controle pode ser realizado com práticas integradas. Híbridos com genética resistente, controle químico e época de plantio garantem uma boa produção. Associar o controle químico ao nível de resistência é parte do manejo integrado”, recomenda.

    Controle de plantas daninhas exige planejamento estratégico

    O pesquisador Alexandre Ferreira da Silva enfatizou a importância do manejo preventivo. “É uma estratégia simples que busca evitar a introdução e a dispersão de plantas daninhas em áreas ainda não infestadas”, explica.

    Silva destaca práticas essenciais: controle de áreas adjacentes, limpeza minuciosa de colheitadeiras entre talhões e uso de sementes certificadas. “Muitos produtores deixam a desejar no controle de áreas adjacentes, o que causa transtornos muito grandes”, alerta.

    O efeito “carryover” — residual de herbicidas da cultura anterior — representa um dos maiores desafios. “É muito importante conhecer os herbicidas residuais na soja que podem prejudicar o sorgo semeado em sucessão. O planejamento é a palavra-chave”, adverte Silva.

    “Um dos grandes segredos para o sucesso é realizar o plantio de sorgo no limpo. Este é o primeiro passo para o sucesso da lavoura”, conclui o pesquisador.

    Perspectivas favoráveis impulsionam investimentos

    Luiz Antônio Pradella, diretor vice-presidente da Cooperfarms e da Federação Brasileira do Sistema Plantio Direto, destacou o papel do sorgo na diversificação do sistema de produção. “O consórcio com sorgo é uma alternativa para intensificar de forma sustentável o sistema, produzindo grãos e forragem em duplo propósito, o que melhora a qualidade do sistema de plantio direto.”

    Claudio Zago, gerente comercial da Helix Sementes, confirma o interesse crescente. “Esta região apresenta uma das maiores taxas de crescimento dessa cultura em comparação a todas as regiões do Brasil. Temos um programa de melhoramento, híbridos prontos e muito interesse em participar comercialmente da cultura do sorgo.”

    O sorgo consolida sua posição como cultura estratégica, oferecendo rentabilidade, segurança hídrica e sustentabilidade para os sistemas de produção do Maranhão e do Oeste da Bahia

  • Bahia Farm Show: maior feira de tecnologia agrícola do Nordeste é lançada

    Bahia Farm Show: maior feira de tecnologia agrícola do Nordeste é lançada

    A maior feira de tecnologia agrícola do Norte e Nordeste acaba de ganhar data marcada. A 20ª edição da Bahia Farm Show foi lançada oficialmente neste domingo (30), durante a abertura da Fenagro 2025, em Salvador, e já promete fazer história. Marcado para junho de 2026, o evento reuniu o governador Jerônimo Rodrigues, secretários estaduais e as principais lideranças do agronegócio baiano em um momento que celebra duas décadas de transformação no campo.

    Entre os dias 8 e 13 de junho do próximo ano, a região MATOPIBA,que engloba Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, vai receber milhares de produtores, empresários e técnicos em busca das últimas novidades em máquinas agrícolas, sementes, insumos e soluções em agricultura de precisão. A expectativa dos organizadores é superar a marca de mil marcas expositoras, consolidando ainda mais o evento como uma das plataformas de negócios mais relevantes do Brasil.

    Feira que nasceu pequena e virou gigante

    Quando a primeira edição aconteceu em 2004, ninguém imaginava o tamanho que a Bahia Farm Show iria alcançar. Naquele ano, cerca de 20 mil visitantes e 200 expositores compareceram ao evento. Vinte anos depois, os números impressionam: a edição de 2025 bateu recorde histórico com 162.370 visitantes, 434 expositores e mais de 1.000 marcas presentes.

    “Chegamos aos 20 anos com uma feira consolidada, tradicional e de grande alcance em todo o MATOPIBA”, comemorou Moisés Schmidt, presidente da Aiba (Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia). Segundo ele, a edição de 2026 vai trazer ainda mais inovação e tecnologia, contribuindo para aumentar a produtividade e gerar oportunidades no agro baiano.

    Alessandra Zanotto Costa, presidente da Abapa (Associação Baiana dos Produtores de Algodão), também participou do lançamento, reforçando o alinhamento entre as entidades que sustentam o evento.

    Governador destaca impacto econômico da feira

    O governador Jerônimo Rodrigues não economizou elogios ao falar sobre a importância da Bahia Farm Show para o estado. “A feira fortalece o agronegócio, gera emprego, renda e contribui para o desenvolvimento da Bahia”, afirmou Rodrigues durante o lançamento. Ele destacou que o governo estadual apoia o evento porque reconhece seu papel transformador na economia regional.

    Foto: Divulgação

    Pablo Barrozo, secretário estadual de Agricultura, também reafirmou o compromisso da Seagri com a feira. “A Bahia Farm Show é fundamental para a economia do Estado, e a Seagri se mantém parceira desse evento tão importante”, disse o secretário.

    O reconhecimento oficial mostra como a feira deixou de ser apenas um evento do setor privado para se tornar uma estratégia de desenvolvimento regional apoiada pelo poder público.

    Seis dias de tecnologia, conhecimento e oportunidades

    A Bahia Farm Show 2026 vai funcionar como uma verdadeira vitrine tecnológica do agronegócio. Durante seis dias, produtores rurais vão poder ver demonstrações práticas de máquinas e equipamentos em campo, participar de palestras com especialistas e conhecer lançamentos de produtos que prometem revolucionar a produção agrícola.

    Além das grandes empresas, a feira também abre espaço para agricultura familiar, mostrando que inovação não é privilégio apenas dos grandes produtores.

    Compromisso com o meio ambiente

    Durante a Fenagro, a Aiba mostrou que tecnologia e sustentabilidade podem caminhar juntas. A associação manteve um estande com materiais educativos, quiz sobre o agronegócio e até os mascotes Emilho e Sojita, que fizeram sucesso com o público, principalmente as crianças.

    Mas o destaque ficou por conta da entrega de 1.000 mudas de árvores nativas à Secretaria Estadual de Meio Ambiente (SEMA). As mudas vão integrar o programa Bahia Mais Verde, reforçando o compromisso ambiental do setor. Durante o evento, os visitantes também receberam mudas de espécies nativas do Cerrado, em uma ação que busca conscientizar sobre a importância da preservação.

    Oeste da Bahia consolida posição estratégica

    A escolha do Oeste baiano como sede permanente da Bahia Farm Show não é por acaso. A região se transformou em um dos principais polos do agronegócio brasileiro nas últimas décadas, atraindo investimentos bilionários e gerando milhares de empregos diretos e indiretos.

    Foto: Divulgação

    Com a 20ª edição programada para 2026, a feira consolida sua trajetória de crescimento. E reafirma a capacidade da região de sediar eventos de grande porte. A movimentação econômica gerada pela Bahia Farm Show beneficia não apenas os produtores rurais. Mas toda a cadeia produtiva, incluindo hotéis, restaurantes, transportadoras e prestadores de serviços locais.

    Para quem trabalha no campo ou acompanha o setor, a Bahia Farm Show 2026 já entrou no calendário como um evento imperdível. Afinal, são duas décadas construindo uma história de sucesso que coloca o agronegócio baiano no mapa nacional.

  • Maranhão anuncia lançamento de universidade indígena na COP30

    Maranhão anuncia lançamento de universidade indígena na COP30

    O Maranhão apresentou na Green Zone da COP-30 duas iniciativas que unem proteção ambiental e inclusão social: a criação do Programa de Agentes Ambientais Comunitários e o anúncio da primeira universidade em território indígena do Brasil. As medidas integram uma estratégia que reconhece os povos tradicionais como protagonistas na defesa dos biomas.

    A Secretaria de Meio Ambiente (Sema) coordena o programa de agentes ambientais, que beneficiará 5 mil moradores de comunidades indígenas, quilombolas e tradicionais. Os participantes receberão bolsas mensais de R$ 300 e passarão por capacitações técnicas em preservação de biomas, recuperação de nascentes, reflorestamento e combate a queimadas.

    “Queremos levar a agenda ambiental para dentro dos territórios, fortalecendo a presença do Estado e reconhecendo o papel das comunidades na proteção dos biomas. Esses agentes serão protagonistas de uma política ambiental participativa, com resultados concretos e permanentes”, afirma o secretário de Meio Ambiente, Pedro Chagas.

    Universidade nasce de diálogo com lideranças indígenas

    O governador Carlos Brandão destaca que as iniciativas nasceram do diálogo direto com as comunidades. A universidade surgiu de uma proposta apresentada pela líder indígena Fabiana Guajajara e pelo Cacique Silvio.

    “Esse sonho nasceu de uma conversa com a Fabiana e o Cacique Silvio, que apresentaram o projeto da Universidade em Território Indígena. Nosso governo ouve as pessoas — é assim que construímos políticas que fazem sentido na vida real. O programa de agentes garante renda a quem vive na floresta para preservar o meio ambiente e sustentar sua família. Transformamos proteção ambiental em dignidade e oportunidade”, declara Brandão.

    A instituição será implantada no território Arariboia, seguindo a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que exige consulta livre, prévia e informada às comunidades. Lideranças do povo Guajajara idealizaram o projeto, que conta com apoio do governo estadual.

    Conhecimento ancestral vira formação acadêmica

    Fabiana Guajajara explica que a universidade nasce “do coração do território Arariboia” e tem como missão transformar o conhecimento ancestral em formação técnica, científica e cultural.

    “Há mais de 20 anos nossos guardiões e viveiristas atuam voluntariamente na proteção e no reflorestamento. A universidade vem para potencializar esse trabalho, dando visibilidade à nossa diversidade e fortalecendo a autossustentabilidade dos povos indígenas”, afirma a líder.

    Estado investe R$ 18 milhões em políticas integradas

    O Maranhão destina R$ 18 milhões para implantar o programa de Agentes Ambientais Comunitários. O estado integra políticas de meio ambiente, direitos humanos e educação em programas como o Floresta Viva e o Maranhão Sem Queimadas.

    O Floresta Viva recupera áreas degradadas com o plantio de juçara (açaí) em parceria com 16 multinacionais. Já o Maranhão Sem Queimadas conta com apoio do Fundo Amazônia.

    “Mesmo com poucos recursos, o Maranhão mostra resultados concretos. Reconstruímos florestas, formamos agentes e valorizamos o conhecimento tradicional. Isso é governar com propósito e amor pelo território”, conclui o governador Carlos Brandão.

  • Estado do Maranhão ganha unidade da Inpasa

    Estado do Maranhão ganha unidade da Inpasa

    Nova unidada da Inpasa será inaugurada em Balsas nesta sexta-feira (1º), às 10h. O evento contará com a presença do governador Carlos Brandão, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, destacando o peso estratégico do projeto para o desenvolvimento regional.

    A planta, a maior refinaria de grãos da América Latina, terá capacidade para processar 1 milhão de toneladas anuais de milho e sorgo, produzindo:

    • 500 milhões de litros de etanol (combustível renovável);
    • 264 mil toneladas de farelo proteico (DDGS) para nutrição animal;
    • 25 mil toneladas de óleo de milho.

    Durante a construção, foram gerados 3 mil empregos diretos e indiretos. Agora, na fase operacional, mais de 500 vagas foram preenchidas, priorizando mão de obra local.

    O estado do Maranhão viabilizou a instalação da Inpasa através de incentivos fiscais, reforçando a região como polo de atração de investimentos. A empresa consolida sua presença no Brasil, ampliando a cadeia de biocombustíveis e agregando valor à produção agrícola regional.

    A unidade deve impulsionar o PIB do sul do Maranhão, diversificar a matriz energética brasileira e fortalecer o mercado de commodities agrícolas no Nordeste.

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  • Nordeste pode perder R$ 16 bilhões por ano com tarifa de 50% dos EUA

    Nordeste pode perder R$ 16 bilhões por ano com tarifa de 50% dos EUA

    O Nordeste brasileiro enfrenta uma ameaça econômica significativa após a decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras. De acordo com um estudo recente da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), a medida pode custar à região cerca de R$ 16 bilhões anuais, valor equivalente ao total exportado para os EUA em 2024.

    Os estados mais afetados serão Ceará, Bahia e Maranhão, responsáveis por 84,2% das vendas nordestinas ao mercado americano. Somente no primeiro semestre deste ano, as exportações da região somaram US$ 1,58 bilhão (R$ 8,7 bilhões). O superintendente da Sudene, Danilo Cabral, argumenta que a decisão norte-americana é prejudicial para ambos os lados. “Os EUA também são grandes importadores de produtos nordestinos. Em 2024, compraram o equivalente a R$ 33,5 bilhões em mercadorias da região. Essa medida pode sair mais cara para eles do que para nós”, afirmou.

    Queda na competitividade de produtos da região

    José Farias, coordenador de Estudos da Sudene, alerta que o aumento tarifário deve reduzir drasticamente a competitividade dos produtos nordestinos no mercado americano. “Os compradores buscarão fornecedores alternativos, o que afetará não apenas o PIB regional, mas também empregos e cadeias produtivas inteiras”, explicou. Entre os setores mais vulneráveis estão a indústria de aço no Ceará, a produção de cacau na Bahia e as pastas químicas no Maranhão.

    A medida já mobiliza reações políticas e empresariais. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) pressiona por uma resposta diplomática, enquanto governos estaduais estudam medidas para diversificar mercados e proteger produtores locais. Especialistas sugerem a busca por novos compradores na Ásia e América Latina, além de mecanismos de proteção cambial.

    Com a tarifa entrando em vigor em 1º de agosto, o impacto econômico deve ser sentido ainda em 2025. A Sudene estima que, sem uma solução negociada, as perdas podem se estender por anos, afetando especialmente pequenos agricultores e indústrias regionais.

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  • Tecnologia aumenta produtividade da agricultura familiar no Maranhão

    Tecnologia aumenta produtividade da agricultura familiar no Maranhão

    A Roça Sustentável, tecnologia da Embrapa, tem aumentado a produção de alimentos em áreas da agricultura familiar no Maranhão. O sistema reúne soluções modernas e sustentáveis, com baixo custo, adaptadas às condições do estado. A proposta veio da Embrapa Amazônia Oriental (AM) e foi ajustada pela Embrapa Maranhão (MA).

    O pacote tecnológico é baseado no Sistema Bragantino e mostrou ganhos expressivos na produção. Em resumo, com ele, a colheita da mandioca ocorre sete meses antes do convencional. Já as lavouras de arroz e milho tiveram aumento de até 50% na produtividade. Segundo o analista da Embrapa, Carlos Santiago, a mandioca atinge 30 toneladas por hectare em 11 meses com a nova técnica. Sem o sistema, são apenas 8 toneladas após 18 meses.

    Roça Sustentável

    A Roça Sustentável surgiu de um processo de inovação feito diretamente nas propriedades familiares, com participação ativa dos agricultores. Antes, os cultivos ocorriam em áreas compartilhadas, sem planejamento técnico ou retorno econômico. Agora, há organização e foco na produtividade.

    O sistema adota o policultivo com ênfase nas variedades preferidas pelos agricultores. Assim, ele amplia a oferta de alimentos e melhora a renda. Além disso, os cultivos são planejados em faixas organizadas, evitando competição entre plantas por luz, água, nutrientes e espaço.

    Sustentabilidade no lugar do fogo

    O método evita queimadas e desmatamento, comuns na tradicional “roça no toco”, sistema baseado em derruba e queima da vegetação. A Roça Sustentável substitui essa prática por técnicas como rotação de culturas e uso da “safrinha”, aproveitando melhor o período de chuvas.

    Portanto, essa reorganização ambiental reduz o impacto no solo, conserva a biodiversidade e facilita o manejo de pragas e doenças. Ao mesmo tempo, os agricultores também adotam adubação equilibrada, adaptada a cada cultura, para melhorar a nutrição das plantas e preservar o solo.

    Por exemplo, o arroz fornece potássio ao solo e deixa 80% do nutriente na palhada, beneficiando o cultivo seguinte, como a mandioca.

    Redução de esforço e aumento de renda

    Santiago destaca que o sistema reduz o esforço físico e o gasto com mão de obra. Ou seja, a lavoura, bem manejada, produz mais. Com isso, as famílias ganham tempo, melhoram a renda e a qualidade de vida. A produtividade e a segurança alimentar também aumentam.

    A adubação, feita no momento certo e com a dose exata, evita impacto ambiental e melhora a resposta agronômica das lavouras. Além disso, o uso consciente de defensivos só ocorre quando necessário, e de forma controlada, garantindo sustentabilidade e eficiência.

    Conhecimento que transforma

    A Embrapa Maranhão leva a tecnologia às comunidades por meio de Unidades de Referência Tecnológica (URTs) e ações de capacitação. Em geral, técnicos e produtores recebem treinamentos sobre manejo do solo, arranjos espaciais, adubação e controle de pragas. Portanto, as URTs funcionam como vitrines para mostrar os resultados do sistema, com eventos, visitas técnicas e dias de campo.

    Francisco Elias de Araújo, agricultor do assentamento Cristina Alves, viu a produtividade da mandioca crescer de forma surpreendente. Ele destacou que a Roça Sustentável ajuda na diversificação dos cultivos e na adequação nutricional das plantas. “Estamos no quarto ano produzindo na mesma área, com retorno positivo. Queremos deixar uma terra melhor para nossos filhos”, afirma.

    Presente e futuro no campo

    Foto: Divulgação – Embrapa

    No Maranhão, o sistema já está presente em regiões da Amazônia e do Cerrado, com projetos nas principais áreas agrícolas. Há URTs em São Raimundo das Mangabeiras, Balsas, São Luís e Itapecuru-Mirim, incluindo comunidades quilombolas como Canta Galo e Outeiro dos Nogueiras.

    Geraldo de Matos, conhecido como “Juca”, comemora os resultados. “Nunca vi tanta mandioca em tão pouco espaço”, relata. Além disso, ele afirma que o acesso ao conhecimento científico melhorou a produção e reduziu a carga de trabalho da família.

    Combate à fome e à pobreza

    Já no primeiro ano de uso, os agricultores conseguem atender à demanda alimentar da família com o que produzem. Depois, passam a vender o excedente e expandir as áreas produtivas. Com isso, aumentam a renda e melhoram as condições de vida.

    A Roça Sustentável ajuda a fixar o produtor no campo e mostra às novas gerações que é possível viver da agricultura. “Quando o agricultor vê a produtividade subir, ele acredita no futuro e se orgulha do que construiu”, conclui Santiago.

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  • Conheça o bacuri: um tesouro amazônico

    Conheça o bacuri: um tesouro amazônico

    O bacuri (Platonia insignis) é uma das joias da biodiversidade brasileira, uma fruta que encanta pelo sabor único e pelos inúmeros benefícios à saúde. Nativa da região amazônica, especialmente do Pará, Maranhão e Piauí, essa fruta de polpa cremosa e sabor agridoce vai muito além da culinária – é um símbolo cultural, um aliado da medicina tradicional e um recurso econômico vital para comunidades locais.

    O bacuri é um superalimento rico em nutrientes essenciais, como:

    • Vitaminas (A, B1, B2, B3 e C) – fortalecem o sistema imunológico e a saúde da pele.
    • Minerais (potássio, fósforo, cálcio e ferro) – ajudam no controle da pressão arterial e na saúde óssea.
    • Fibras – melhoram a digestão, combatem a prisão de ventre e promovem saciedade.
    • Antioxidantes (flavonoides, betacaroteno e vitamina C) – combatem radicais livres, retardam o envelhecimento e previnem doenças crônicas.

    Além disso, o óleo de bacuri, extraído de suas sementes, é amplamente utilizado na indústria cosmética por suas propriedades anti-inflamatórias, cicatrizantes e hidratantes, sendo um ingrediente-chave em cremes, shampoos e sabonetes.

    A árvore que “nasce até dentro de casa”

    A árvore do bacuri, conhecida como bacurizeiro, é uma gigante da Amazônia, podendo atingir até 25 metros de altura e viver mais de 100 anos. Algumas curiosidades fascinantes sobre ela incluem:

    • Nome indígena: a palavra “bacuri” vem do tupi e significa “cai logo”, referindo-se ao fato de o fruto se desprender da árvore quando maduro.
    • Reprodução peculiar: o bacurizeiro se reproduz tanto por sementes quanto por brotamentos das raízes, o que faz com que surjam novas árvores até mesmo perto de residências – daí o ditado popular: “O bacurizeiro nasce até dentro de casa”.
    • Safra sazonal: os frutos amadurecem entre janeiro e junho, sendo colhidos principalmente no Norte do Brasil.

    O bacuri na vida das comunidades amazônicas

    Para os povos tradicionais da Amazônia, o bacuri vai muito além de uma simples fruta – é fonte de renda, alimento e medicina.

    Economia local: a coleta e venda do bacuri sustentam famílias inteiras, especialmente em feiras livres do Pará e Maranhão.

    Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

    Empoderamento feminino: muitas cooperativas de mulheres trabalham no processamento artesanal da fruta, produzindo doces, geleias e cosméticos, fortalecendo a economia regional.

    Uso medicinal: na medicina tradicional, o bacuri é usado para tratar dores de ouvido, inflamações na pele e até picadas de cobras e aranhas.

    Como consumir bacuri?

    A versatilidade do bacuri na culinária é impressionante. Confira algumas formas de incluí-lo na dieta:

    In natura: a polpa cremosa pode ser consumida diretamente da fruta.

    Sucos e smoothies: bata a polpa com água ou leite para uma bebida refrescante.

    Sobremesas: sorvetes, mousses, bolos e geleias são preparações tradicionais.

    Pratos salgados: molhos à base de bacuri combinam bem com peixes e carnes.

    Um futuro verde

    A produção sustentável do bacuri é essencial para a preservação da Amazônia. Empresas como a MAHTA e a feito brasil investem em sistemas agroflorestais que respeitam o ciclo natural da floresta, garantindo renda para comunidades locais e protegendo o meio ambiente.

    Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

    O bacuri é muito mais que uma fruta – é um símbolo da riqueza amazônica, um aliado da saúde e um motor econômico para comunidades tradicionais.

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  • Projeto transforma babaçu em hambúrguer sustentável

    Projeto transforma babaçu em hambúrguer sustentável

    Uma parceria entre pesquisadores e quebradeiras de coco babaçu no Maranhão resultou na criação de um hambúrguer vegetal inovador, rico em proteínas e sem conservantes, capaz de durar até seis meses congelado. O produto, desenvolvido a partir do bagaço da amêndoa do babaçu – antes descartado como resíduo –, alia sustentabilidade, inclusão social e tecnologia, e já conquistou reconhecimento internacional.

    O hambúrguer de babaçu, com 13,17% de proteína por 100g, é fruto de uma colaboração entre cientistas da Embrapa, UFMA, UFC e comunidades tradicionais, como a Cooperativa Coomavi e associações quilombolas. Financiado pela Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ), o projeto visa transformar o babaçu em um “elemento âncora” da bioeconomia maranhense, gerando renda para mais de 300 mil famílias de quebradeiras de coco.

    O babaçu tem potencial para ser o elemento âncora de um sistema agroalimentar característico do Maranhão. Foto: Flavia Bessa/Embrapa

    “Valorizamos a identidade sociocultural dessas comunidades, usando resíduos para criar alimentos que atendem a mercados como o vegano e o sem glúten”, explica Guilhermina Cayres, líder do projeto na Embrapa. Além do hambúrguer, a farinha da amêndoa do babaçu já está em biscoitos, pães e até sorvetes.

    Da Amazônia para o mundo

    O hambúrguer foi finalista no Con X Tech Prize: Amazônia, competição global que premia inovações sustentáveis na região. O critério? Soluções que protegem ecossistemas, respeitam povos tradicionais e distribuem benefícios de forma justa.

    “O produto é uma revolução. Usa casca de banana como agente estruturante, aproveita 100% do babaçu e tem aceitação sensorial excelente”, destaca Harvey Villa, professor da UFMA. Testes com alunos do IEMA Gastronomia comprovaram o sucesso: o hambúrguer agradou até consumidores não veganos.

    Além da alta taxa proteica, o hambúrguer incorpora casca de banana, rica em fibras e pectina, que ajuda a absorver metais pesados. “É uma alternativa nutritiva e funcional”, afirma Yuko Ono, nutricionista da UFMA. Já a farinha da amêndoa, antes usada como ração, ganhou novo destino: substitui o coco ralado em receitas, agregando crocância e reduzindo desperdícios.

    Impacto social: renda e empoderamento

    Para as quebradeiras de coco, a inovação significa mais do que tecnologia. “Antes, o bagaço era ração. Agora, virou farinha e hambúrguer, que vendemos em feiras com orgulho”, celebra Rosângela Lica, da Coomavi. A comunidade quilombola Pedrinhas Clube de Mães também celebra a mudança: “O babaçu gera renda, cidadania e reconhecimento”, diz Maria Domingas.

    Foto: Flavia Bessa/Embrapa

    Com treinamentos em boas práticas de fabricação e segurança alimentar, as quebradeiras agora dominam a produção em escala. “Queremos posicionar o Maranhão como referência em bioeconomia”, reforça Samara Bontempo, bolsista do projeto.

    Para Westphalen Nunes, da GIZ, a iniciativa prova que é possível aliar desenvolvimento e preservação: “O babaçu traz riqueza, qualidade de vida e sustentabilidade”. E o mercado concorda: nas feiras de São Luís, os produtos à base de babaçu já são campeões de vendas.

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