Tag: Manejo Integrado

  • Greening desafia citricultura e domina debates na Expocitros

    Greening desafia citricultura e domina debates na Expocitros

    O avanço do greening dominou parte dos debates da 51ª Expocitros, que termina nesta sexta-feira (29), em Cordeirópolis (SP). Durante a feira, a Corteva Agriscience apresentou tecnologias voltadas ao controle do psilídeo, inseto responsável pela disseminação da doença. Além disso, reforçou a necessidade de manejo integrado para preservar a produtividade dos pomares brasileiros.

    Realizado no Centro de Citricultura Sylvio Moreira/IAC, o evento reuniu produtores, pesquisadores, consultores e empresas do setor. O encontro ocorreu em meio ao aumento da preocupação com os impactos do greening sobre a citricultura nacional. Paralelamente, aconteceu a 48ª Semana da Citricultura.

    Entre os destaques da companhia esteve o inseticida Incitro, desenvolvido para o manejo do psilídeo (Diaphorina citri) e do bicho-furão (Gymnandrosoma aurantianum). A tecnologia foi apresentada como uma ferramenta estratégica no combate à principal ameaça fitossanitária da cultura atualmente.

    Segundo Guilherme Ogata, líder de Portfólio de Citrus, Café e Hortifrúti da Corteva Agriscience, o greening atingiu um nível de criticidade que passou a impactar diretamente a sustentabilidade produtiva e econômica dos pomares.

    “O produtor vive hoje um cenário muito mais complexo. O greening deixou de ser um problema isolado e passou a exigir acompanhamento constante, tomada de decisão rápida e estratégias integradas dentro da propriedade”, afirmou.

    De acordo com o executivo, o principal desafio atual está no controle contínuo do psilídeo. Isso ocorre, principalmente, diante da velocidade de disseminação da praga e das mudanças observadas no comportamento do inseto nos últimos anos.

    Resistência preocupa produtores e exige novas estratégias

    Outro ponto que ganhou destaque durante a feira foi a preocupação crescente com a resistência aos inseticidas tradicionais. Segundo Ogata, o manejo de resistência passou a ser indispensável para manter a eficiência das aplicações ao longo das safras.

    Além disso, o executivo afirmou que o controle contínuo do psilídeo exige maior planejamento dentro das propriedades. Isso porque o comportamento da praga mudou nos últimos anos. Com isso, produtores passaram a intensificar o monitoramento nos pomares.

    Nesse cenário, a Corteva apresentou o Incitro como uma solução desenvolvida especificamente para a citricultura. O inseticida possui a molécula Jemvelva Active, exclusiva da empresa. Segundo a companhia, o produto apresenta um modo de ação único no mercado.

    Entre os diferenciais apontados estão o alto poder de choque, o amplo espectro de controle e o efeito residual prolongado. Além disso, a tecnologia possui seletividade e curto intervalo de segurança. Assim, a colheita pode ser realizada um dia após a aplicação.

    Equipe da Corteva na Expocitros 2026 – Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    “O produtor precisa de ferramentas eficientes no controle imediato da praga. No entanto, também precisa de tecnologias que contribuam para a sustentabilidade do manejo no longo prazo”, destacou Ogata.

    A empresa também levou para a Expocitros o Verter SC, inseticida foliar com tecnologia Isoclast active. A solução atua no controle de mosca-branca e pulgões. Além disso, integra as estratégias de manejo do psilídeo.

    Segundo a Corteva, o combate ao greening não depende apenas de novas tecnologias. Pelo contrário. O alinhamento regional entre produtores passou a ser decisivo. Da mesma forma, o monitoramento constante e a eliminação de plantas contaminadas ganharam ainda mais importância.

    “A atuação isolada já não resolve mais. Por isso, o manejo integrado virou peça-chave para preservar a produtividade e reduzir a pressão do greening nos cinturões citrícolas”, reforçou o executivo.

    Citricultura busca preservar competitividade

    A edição de 2026 da Expocitros aprofundou debates sobre sanidade vegetal, bioinsumos, sustentabilidade, energia, inovação tecnológica e gestão dentro das propriedades rurais.

    Além das tecnologias para manejo fitossanitário, a Corteva também apresentou durante o evento a campanha “Puro Suco do Brasil”. A iniciativa foi criada para valorizar a importância econômica da citricultura brasileira.

    A ação destaca a geração de mais de 200 mil empregos e a movimentação anual de cerca de US$ 14 bilhões pelo setor.

    Além disso, a empresa informou que pretende ampliar o relacionamento com produtores e agroindústrias. Para isso, a campanha deve ganhar novas ações voltadas ao fortalecimento da cadeia citrícola.

    Para Guilherme Ogata, o futuro da citricultura brasileira dependerá diretamente da capacidade do setor em controlar o avanço do greening nos próximos anos.

    “O Brasil segue como referência mundial na produção de citros. No entanto, o avanço da doença exige respostas rápidas e integradas. Sem controle eficiente, os impactos sobre produtividade, longevidade dos pomares e competitividade tendem a crescer”, concluiu.

  • Pragas avançam no início da safra de milho e exigem monitoramento intenso

    Pragas avançam no início da safra de milho e exigem monitoramento intenso

    Com o plantio concentrado na segunda safra, o milho entra em 2026 sob forte pressão de pragas iniciais, especialmente percevejos, pragas de solo e roedores. Especialistas reforçam a necessidade de um Manejo Integrado de Pragas (MIP) mais rigoroso, com vistorias frequentes e atenção redobrada ao que fica escondido sob a palhada.

    Segundo a Conab, a produção total de milho na safra 2025/26 deve atingir 138,45 milhões de toneladas, sendo 79% vindos da segunda safra, período mais exposto a variações climáticas e ao avanço de pragas em áreas recém-colhidas de soja.

    O engenheiro agrônomo Alexandre Gazoni, da Sell Agro, alerta para um ano de cenário fragmentado e regionalizado. “Em algumas regiões, o coró voltou com força e já causa prejuízos. Também há relatos de lesmas em áreas com muita palhada e até casos de ratos reduzindo o estande do milho”, afirma.

    Percevejo segue como vilão da largada

    Pragas como o percevejo barriga-verde continuam sendo um dos principais desafios na fase inicial da cultura. “Em áreas onde a soja deixou excesso de palhada, esse material serve de abrigo e favorece a multiplicação. O impacto aparece logo nas primeiras semanas, com perda de vigor nas plantas”, explica Gazoni.

    Pesquisas da Embrapa confirmam que o percevejo se esconde nos horários mais quentes, o que dificulta a detecção e reforça a importância do monitoramento antes da semeadura.

    Entre 2020/21 e 2023/24, cigarrinhas-do-milho causaram prejuízos estimados em US$ 25,8 bilhões, com redução média de 22,7% na produção nacional, segundo levantamento de CNA, Embrapa e Epagri.

    Palhada: aliada e ameaça

    A palhada, essencial no plantio direto e na conservação do solo, também cria um ambiente favorável para lesmas e caramujos. Segundo a Embrapa, esses organismos se desenvolvem sob restos vegetais e podem causar desfolha e morte de plantas jovens.

    Gazoni destaca que o segredo está no detalhamento das vistorias. “O produtor precisa olhar além da superfície: levantar a palhada, observar a base da planta e procurar o que está escondido. Se houver condição de ataque, a praga vai aproveitar”, reforça.

    Manejo integrado exige consistência

    O sucesso no controle depende de um MIP bem executado, combinando monitoramento, definição de níveis de ação e controle biológico, cultural ou químico quando necessário. Entre as práticas mais recomendadas estão:

    • Monitoramento frequente desde o plantio, com checagens na linha, na base e sob palhada.
    • Amostragens de solo para pragas subterrâneas, como corós, em áreas com histórico de infestação.
    • Controle preventivo do percevejo na pré-semeadura e início de desenvolvimento.
    • Uso criterioso de Bt e rotação de inseticidas no caso de lagartas, seguindo orientações do IRAC-BR.
    • Controle contínuo de roedores, com redução de abrigo e reposição programada de iscas.

    Tecnologia de aplicação faz diferença

    Com parte das pragas protegidas pela palhada ou dentro do cartucho, a eficiência dos defensivos depende cada vez mais da qualidade da aplicação. “Em 2026, o produtor deve acertar o timing e melhorar a cobertura da gota. O uso de desalojantes pode ajudar a expor pragas escondidas e aumentar a efetividade do controle”, conclui o agrônomo.

  • Bayer mira eficiência e segurança contra plantas daninhas

    Bayer mira eficiência e segurança contra plantas daninhas

    Durante a 38ª Show Rural Coopavel, em Cascavel (PR), a Bayer apresentou ao produtor rural brasileiro novas soluções em proteção de cultivos, sementes, biotecnologia e agricultura digital. As novidades foram detalhadas em uma roda de conversa com a imprensa, reforçando como a inovação tem papel decisivo no enfrentamento dos desafios do campo, especialmente no controle de plantas daninhas e doenças que afetam a produtividade da soja e do milho.

    Com o tema “A inovação que transforma o campo e traz resultados”, o encontro reuniu Rodrigo Nuernberg, líder da Unidade de Negócios Centro-Sul para Proteção de Cultivos da Bayer Brasil; Celso Batistella, diretor de Experiência do Cliente; e o produtor rural Rodolfo Camargo Pinto Filho, da Fazenda Gralha Azul, na região de Cascavel.

    Logo no início do debate, uma constatação foi unânime: quando o assunto é dificuldade na lavoura, as plantas daninhas seguem como a principal preocupação do produtor. “Se você perguntar para dez agricultores quais são os maiores problemas hoje, os dez vão responder que as plantas daninhas são prioridade no manejo da cultura”, afirmou Nuernberg.

    Plantas daninhas e doenças exigem manejo preciso

    Na rotina do campo, o desafio vai além do controle pontual. Segundo o produtor Rodolfo Camargo Pinto Filho, o sucesso da lavoura depende de planejamento e de um manejo bem estruturado, feito no tempo certo. “Manejo é muito importante. É preciso se programar muito bem para não perder o ‘time’. Doenças como o mofo-branco, por exemplo, preocupam bastante”, relatou.

    De acordo com ele, algumas doenças deixam uma espécie de “herança” no solo, comprometendo não apenas uma safra, mas também as seguintes. “Se não houver um manejo robusto, o problema se estende por vários anos, o que impacta diretamente a rentabilidade da propriedade”, alertou o produtor.

    Entre as principais plantas daninhas citadas estão a buva e o caruru, que afetam tanto a soja quanto o milho. No caso do milho, o uso de herbicidas pré-emergentes e pós-emergentes contribui não apenas para aquela cultura, mas também para o equilíbrio do sistema produtivo nas safras seguintes.

    A evolução da soja muda o jogo no campo

    Outro ponto destacado durante a conversa foi a própria evolução da soja ao longo dos anos. Para Rodolfo, a busca por altas produtividades trouxe novos desafios. “Hoje, a soja é como um bebê. Para ser produtiva, ela acabou ficando um pouco mais frágil. Por isso, o manejo de plantas daninhas e de doenças precisa ser muito mais robusto”, explicou.

    Segundo o produtor, uma lavoura pressionada por mato ou doenças não responde bem aos estímulos produtivos. “Ela não vai entregar resultado se estiver morrendo ou doente. O desafio é produzir mais com menos, e isso só acontece com manejo bem feito”, completou.

    Inovação como aliada do produtor

    Para apoiar o agricultor nesse cenário cada vez mais complexo, a Bayer mantém investimentos globais de cerca de 2,6 bilhões de euros por ano em Pesquisa e Desenvolvimento. No Brasil, a companhia prevê o lançamento de mais de 20 novas formulações até 2030.

    “O Brasil é um país continental, com regiões muito diferentes entre si e, em muitos casos, até três safras por ano. Isso exige soluções específicas e proximidade com o produtor para entender a realidade de cada área”, destacou Nuernberg.

    Entre as novidades apresentadas no evento está o Xtendimax 2, uma evolução da tecnologia à base de dicamba, indicada para aplicação em pós-emergência nas culturas de soja e algodão. A nova geração reduz significativamente os riscos de volatilidade e deriva, aumentando a segurança no manejo de plantas daninhas de folhas largas, como buva e caruru. O produto estará disponível para a safra 2026/2027.

    Outro destaque é o Convintro Duo, herbicida pré-emergente que combina um ativo inédito no Brasil, o diflufenicam, com o metribuzim, ampliando o espectro de controle logo no início do ciclo das plantas daninhas.

    Tecnologia, dados e sustentabilidade

    Além da proteção de cultivos, a Bayer reforçou sua estratégia em agricultura digital, com ferramentas que auxiliam o produtor na tomada de decisão, escolha de sementes e manejo por talhão. Programas como o Bayer Valora Milho e a plataforma Climate FieldView têm ajudado agricultores a ganhar produtividade com uso mais eficiente de insumos.

    No campo da sustentabilidade, o PRO Carbono se consolida como a maior plataforma de agricultura regenerativa da América Latina, reunindo mais de 3 milhões de hectares e 3 mil produtores. Nas áreas participantes, a adoção de práticas regenerativas resultou em aumento médio de 11% na produtividade anual e redução significativa da pegada de carbono.

    Ao combinar inovação, planejamento e manejo integrado, a Bayer reforça sua proposta de estar ao lado do produtor rural brasileiro. Em um cenário de margens apertadas e desafios crescentes, acertar o manejo no tempo certo segue sendo decisivo para garantir produtividade hoje e sustentabilidade nas próximas safras.

  • Ciência e união vencem fungo e recupera 95% da produção de uvas Niágara

    Ciência e união vencem fungo e recupera 95% da produção de uvas Niágara

    Uma colaboração estratégica entre Embrapa, órgãos estaduais e prefeituras paulistas conseguiu reverter uma das piores crises já enfrentadas pela viticultura do estado. O Plano Emergencial de Controle à Podridão Madura da Uva recuperou 95% da produção de uvas Niágara em propriedades do Circuito das Frutas, principal polo vitícola de São Paulo.

    Em 2024, a região foi assolada por uma epidemia da podridão da uva madura, causada pelo fungo Glomerella cingulata. A doença dizimou lavouras inteiras em Jundiaí, Louveira, Itatiba, Itupeva, Jarinu, Indaiatuba e Elias Fausto, com perdas chegando a 100% em algumas propriedades.

    “A doença ainda persiste em alguns parreirais, mas com incidência bem menor”, explica Sérgio Mesquita Pompermaier, diretor do Departamento de Agronegócio da Prefeitura de Jundiaí.

    O impacto foi tão severo que chegou a ameaçar eventos tradicionais como a Festa da Uva de Jundiaí.

    Ciência e técnica como salvação

    O plano selecionou 13 propriedades rurais para aplicação de protocolo científico desenvolvido pela Embrapa Uva e Vinho (RS) e Embrapa Territorial (SP). As propriedades que seguiram 100% das orientações técnicas alcançaram índices de recuperação de até 95%, enquanto outras obtiveram melhorias de até 70%.

    Lucas Garrido, pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, identificou que a epidemia resultou de uma combinação fatal: temperaturas acima da média, umidade constante e presença de restos culturais contaminados. Porém, os prejuízos foram amplificados por falhas no manejo.

    “Em alguns casos, o produto certo estava na propriedade, mas não foi utilizado. Ou foi aplicado de forma errada”, destaca Rafael Mingoti, analista da Embrapa Territorial e coordenador da iniciativa.

    Do desespero ao sucesso: história de superação

    Atalívio Rufino, produtor de Elias Fausto, exemplifica a transformação possível. Em 2024, perdeu quase toda a produção. Assim, ele foi obrigado a dispensar funcionários. Sua propriedade, selecionada para os experimentos da Embrapa, hoje colhe os frutos da mudança de manejo.

    Cacho de videira de Niágara rosada com unidades apodrecidas. Foto: Rafael Mingoti/Embrapa

    “Antes, retirávamos os galhos e cachos que apodreciam sem tanto zelo. Agora, estamos retirando, queimando ou descartando longe. Também regularizamos o equipamento e aumentamos o volume de calda”, relata o produtor.

    Protocolo técnico baseado em evidências

    O protocolo desenvolvido inclui práticas integradas de controle:

    • Eliminação rigorosa de restos culturais infectados
    • Aplicações preventivas durante dormência hibernal
    • Uso de fungicidas eficazes em estágios estratégicos (floração, grão-ervilha, pré-fechamento do cacho)
    • Alternância entre produtos sistêmicos e de contato
    • Ajuste e calibragem adequada de pulverizadores
    • Utilização de produtos biológicos na maturação final

    Pesquisa avança para protocolo definitivo

    Estudos conduzidos pelo Instituto Biológico estão identificando as espécies do fungo Colletotrichum presentes na região. A diversidade encontrada explica a variabilidade de resposta aos tratamentos e reforça a importância do diagnóstico preciso.

    “Ainda não é possível afirmar se há resistência a algum fungicida, mas uma possível presença de múltiplas espécies reforça a importância de conhecer bem as causas do problema”, explica Mingoti.

    Os dados coletados embasarão uma proposta submetida à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) para desenvolvimento de sistema de aviso e protocolo consolidado de manejo integrado.

    Capacitação técnica em setembro

    Os resultados e recomendações serão apresentados em eventos técnicos nos dias 16 e 18 de setembro. O seminário ocorrerá na Associação Agrícola de Jundiaí (13h30-18h30), enquanto o Dia de Campo acontecerá no Sítio Dois Irmãos, em Elias Fausto (14h-17h).

    Equipe da Embrapa e produtor durante acompanhamento de ensaios na propriedade de Atalívio Rufino – Foto: Atalívio Rufino/Embrapa

    Apesar do sucesso, os especialistas alertam que não é momento para relaxar. “Não é hora de abaixar a guarda”, reforça Mingoti. “É essencial manter a vigilância, aplicar corretamente os defensivos e eliminar restos culturais. Só assim vamos consolidar os avanços obtidos.”

    A recuperação da viticultura paulista demonstra como a parceria entre ciência e produtores pode superar desafios aparentemente impossíveis, garantindo a sustentabilidade de uma atividade econômica centenária e tradicional do estado.

  • Ferrugem do cafeeiro: desafio econômico para a lavoura

    Ferrugem do cafeeiro: desafio econômico para a lavoura

    A ferrugem do cafeeiro, causada pelo fungo Hemileia vastatrix, é uma das doenças mais prejudiciais ao café, afetando significativamente a produção e a economia dos produtores. Essa doença é responsável por perdas que podem chegar a 35% da produção, tornando-se um grande desafio para os cafeicultores.

    A ferrugem do cafeeiro afeta as folhas, causando manchas e enfraquecendo a planta. Lavouras bem conduzidas tecnicamente são mais afetadas pela doença, pois a incidência em plantas produtivas pode ser de 100% a 200% maior do que em plantas com cargas reduzidas, conforme explica o Dr. Aldir Alves Teixeira, engenheiro agrônomo e CEO da Experimental Agrícola/illycaff.

    Fatores climáticos

    O clima também influencia a disseminação da doença. Invernos mais quentes e chuvosos nas regiões produtoras contribuem para o aumento do inóculo no início do ciclo da cultura. As folhas lesionadas caem, debilitando a planta e afetando a formação de botões florais para a safra seguinte.

    Para controlar a ferrugem, a combinação de produtos de diferentes grupos químicos é eficaz, mas também ajuda a evitar a resistência do patógeno. No entanto, a capacidade do fungo de produzir grandes quantidades de esporos aumenta a probabilidade de quebra da resistência dos cultivares. Uma estratégia pode ser o retorno ao uso de fungicidas cúpricos, que também atuam contra outras doenças do cafeeiro.

    “É importante que os produtores adotem medidas de controle adequadas, como o monitoramento constante das lavouras e o uso de práticas de manejo integrado de pragas e doenças. Dessa forma, é possível reduzir os impactos econômicos e garantir uma produção mais saudável e sustentável”, finaliza Dr. Aldir.

  • Brasil aumenta produção de tomate com combate à mosca-branca

    Brasil aumenta produção de tomate com combate à mosca-branca

    A produção brasileira de tomate registrou um salto histórico em 2024, consolidando o país entre os líderes globais do setor. Segundo dados do IBGE, a safra alcançou 4,7 milhões de toneladas, com crescimento de 19,2% frente a 2023, além de expansão de 10,6% na área colhida (3.543 hectares). O avanço, porém, esbarra em um desafio crítico: o controle da mosca-branca, praga que ameaça produtividade e qualidade dos frutos.

    Mosca-branca: inimiga Nº 1 do tomate brasileiro

    Responsável por ataques a mais de 700 espécies de plantas, a mosca-branca (Bemisia tabaci) é uma das maiores preocupações dos produtores de tomate. De acordo com Fábio Kagi, gerente do Sindiveg (Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal), o inseto causa danos diretos e indiretos:

    • Sucção de seiva, que pode levar à morte da planta em infestações severas;
    • Liberação de toxinas que provocam amadurecimento irregular dos frutos;
    • Transmissão de vírus associados a nanismo, folhas enrugadas e amarelecimento;
    • Fumagina, fungo que se desenvolve a partir de substâncias excretadas pelo inseto, bloqueando a fotossíntese.

    “Sem controle preventivo, a praga compromete até 70% da colheita em casos extremos. O manejo deve ser contínuo, do plantio à colheita”, alerta Kagi.

    Defensivos agrícolas e manejo integrado: chaves para a produtividade

    Para frear a mosca-branca, especialistas reforçam a adoção de estratégias integradas, combinando:

    • Monitoramento constante das lavouras;
    • Rotação de culturas para quebrar o ciclo reprodutivo da praga;
    • Aplicação responsável de defensivos agrícolas, seguindo orientações técnicas e intervalos de segurança.

    “Produtores incluem esses custos no planejamento porque sabem que, sem controle, os prejuízos são incalculáveis. O Brasil não pode perder seu protagonismo no mercado global por falhas no manejo”, destaca Kagi.

    Por que o Brasil é destaque na produção de tomate?

    Além do clima favorável e da tecnologia no campo, o país investe em pesquisa e regulamentação de defensivos. Segundo o Sindiveg, produtos aprovados pela Anvisa, Ibama e Ministério da Agricultura são essenciais para garantir segurança alimentar e eficácia no combate a pragas.

    “Defensivos modernos são desenvolvidos para atuar com precisão, preservando a planta e reduzindo impactos ambientais. É um equilíbrio delicado, mas possível”, explica Kagi.

    Com a demanda global por alimentos em alta, o Brasil tem oportunidade de ampliar exportações de tomate — desde que mantenha o rigor no controle fitossanitário. Para isso, a capacitação técnica dos produtores é fundamental.

    “O manejo integrado não é custo, é investimento. Cada real gasto em prevenção retorna em produtividade e qualidade”, conclui o especialista.

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  • Controle de plantas daninhas: como aumentar a produtividade

    Controle de plantas daninhas: como aumentar a produtividade

    O controle eficaz das plantas daninhas é um desafio constante para produtores agrícolas e pecuaristas, impactando diretamente a produtividade e rentabilidade das fazendas. A escolha correta de herbicidas e o uso adequado de adjuvantes são fundamentais para evitar perdas e otimizar os resultados no controle dessas invasoras.

    O rebrote ocorre quando as plantas daninhas voltam a crescer após uma aplicação de herbicida. Isso é especialmente desafiador devido à capacidade regenerativa de algumas espécies, que competem com as culturas principais por recursos como água, luz e nutrientes, afetando a produtividade.

    “Alguns fatores que também contribuem para o rebrote são as escolhas ineficientes de herbicidas, com produtos que não estão adequados ao tipo de planta ou estágio de crescimento; métodos e doses incorretas de aplicação que não conseguem eliminar completamente as plantas; e condições climáticas adversas que comprometem a eficácia do tratamento. Além de prejudicar a produtividade, a reincidência das daninhas também aumenta os custos operacionais das lavouras e pastagens”, explica Guilherme Foresti Caldeira, diretor de Categorias da Axia Agro.

    Estratégias para controle eficiente

    Para manter um controle eficaz, é necessário selecionar herbicidas específicos para cada tipo de planta e estágio de crescimento. Além de realizar a rotação de produtos para prevenir a resistência das plantas aos defensivos químicos. O uso de adjuvantes pode potencializar a ação dos herbicidas, melhorando a adesão, penetração e cobertura uniforme das folhas.

    O controle inadequado das plantas daninhas pode gerar perdas significativas na produção, elevar custos com replantio e intensificar o uso de defensivos agrícolas. Para minimizar esses impactos, produtores devem adotar um manejo integrado, incluindo práticas como rotação de culturas e a combinação de métodos físicos e químicos.

    Além do uso de herbicidas, medidas preventivas são essenciais. Isso inclui a limpeza de equipamentos agrícolas, o uso de sementes certificadas e a manutenção de áreas adjacentes às lavouras livres de plantas daninhas. Além disso, a cobertura do solo na entressafra também é eficiente em suprimir diversas espécies daninhas.

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  • Migração de percevejos da soja para o milho aumenta risco à segunda safra

    Migração de percevejos da soja para o milho aumenta risco à segunda safra

    Com o término da safra de soja, produtores estão enfrentando uma preocupante migração de percevejos, especialmente o percevejo-barriga-verde, para as lavouras de milho. Esse movimento pode representar um risco significativo para a segunda safra, destacando a importância do monitoramento e manejo antecipado para evitar prejuízos.

    O percevejo-barriga-verde (Diceraeus spp.) é uma praga que pode causar danos significativos ao milho. Segundo Raphael Malandrino, gerente de Produto (Inseticidas) da ADAMA, o manejo antecipado é crucial. “O produtor precisa monitorar a lavoura e utilizar medidas para interromper o aumento populacional da praga, como o uso assertivo de inseticidas”, afirma.

    Estratégias de manejo

    O período de dessecação pré-colheita da soja é fundamental para o agricultor, pois permite uma visão clara da população de percevejos presentes na lavoura. Nesse momento, o agricultor pode adotar estratégias de manejo inteligentes antes que a cultura do milho se estabeleça.

    O uso de inseticidas no tratamento de sementes também é essencial. Em regiões com histórico de alta pressão de percevejos-barriga-verde, é recomendado aplicar inseticidas antes mesmo da emergência do milho, com foco na redução da população dos insetos. Aplicações pós-emergentes são igualmente importantes, assim que o milho emergir, e devem continuar até as plantas terem cerca de quatro folhas.

    Malandrino destaca que a combinação de ativos traz resultados mais eficazes. “É importante que o produtor observe os intervalos entre as aplicações e entenda que a combinação de ativos é fundamental para o controle efetivo dos percevejos”, finaliza.

    Portanto, a migração de percevejos da soja para o milho é um desafio que exige atenção imediata dos produtores. Com estratégias de manejo antecipado e o uso adequado de inseticidas, é possível minimizar os danos e garantir uma safra mais rentável.

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