Tag: Irrigação

  • Mudanças climáticas aumentam pressão por irrigação no agro

    Mudanças climáticas aumentam pressão por irrigação no agro

    As mudanças climáticas devem aumentar a importância da irrigação para o agronegócio brasileiro. A avaliação foi apresentada por pesquisadores durante o Fórum Mais Milho, realizado pela Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), em Brasília, nesta quarta-feira (12).

    Segundo os especialistas, a maior frequência de eventos climáticos extremos pode elevar os riscos para produtores que dependem exclusivamente das chuvas para conduzir suas lavouras.

    Mudanças climáticas aumentam importância da irrigação

    Lineu Rodrigues, pesquisador da Embrapa Cerrados e um dos idealizadores da Rede Nacional de Irrigantes (Renai), afirmou que o cenário da produção agrícola brasileira está mudando.

    “O cenário está mudando, vamos ter que irrigar mais”, afirmou.

    O pesquisador destacou que, até agora, a produção de grãos em sistema de sequeiro (que depende principalmente das chuvas) manteve a competitividade do Brasil. No entanto, a mudança no comportamento do clima aumenta a necessidade de estratégias para reduzir os impactos da irregularidade hídrica.

    “Até hoje, a produção do Brasil em sequeiro era competitiva, mas agora o clima está mudando. A irrigação vai ser cada vez mais importante.”

    Para Rodrigues, além da expansão da irrigação, o setor precisa ampliar o monitoramento climático e a geração de dados.

    A medida permitiria aos produtores fazer um planejamento mais preciso das atividades e tomar decisões com maior antecedência diante das condições meteorológicas.

    Estresse hídrico aumenta risco para produtores

    Ronaldo Torres, pesquisador da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), destacou a relação entre as perdas provocadas pelo clima e o endividamento no campo.

    Segundo ele, parte das dificuldades financeiras enfrentadas pelos produtores está relacionada às frustrações de safra causadas pelo estresse hídrico.

    “A irrigação pode ser uma solução para problemas decorrentes de estresse hídrico e eventos climáticos, como El Niño e La Niña, cada vez mais recorrentes”, apontou.

    A irrigação, nesse contexto, pode funcionar como uma ferramenta para reduzir a dependência exclusiva das chuvas e aumentar a previsibilidade da produção.

    Brasil pode ampliar área irrigada

    Durante o evento, Durval Dourado Neto, professor da Esalq, afirmou que o Brasil possui potencial para ampliar significativamente a área irrigada.

    Segundo ele, o país poderia acrescentar 53,4 milhões de hectares de área irrigada no longo prazo, ultrapassando a marca de 60 milhões de hectares.

    O professor também defendeu a expansão da agricultura irrigada como uma estratégia relacionada à segurança alimentar.

    De acordo com estudos apresentados por ele, seria possível desenvolver, no médio prazo, um plano nacional de segurança alimentar com o objetivo de ampliar a área irrigada em 15,5 milhões de hectares nos próximos 30 anos.

    Desse total, 6,4 milhões de hectares estariam em áreas consideradas mais favoráveis à implantação de projetos de irrigação.

    Além disso, o professor também afirmou que seria possível ampliar em 2,1 milhões de hectares a área irrigada a cada quatro anos em regiões próximas aos oito principais polos agrícolas irrigados do país.

    Irrigação exige investimento e infraestrutura

    Para Dourado Neto, a expansão da irrigação precisa ser acompanhada por planejamento e sustentabilidade.

    “É importante ter a ciência norteando a agricultura. O Plano Nacional de Irrigação pode dobrar área adicional irrigável nos próximos anos e fazer isso com sustentabilidade, preservando água e floresta”, disse.

    Gustavo Goretti, pesquisador das áreas de irrigação e conservação do solo, avaliou que a expansão potencial da área irrigada exigiria entre R$ 100 bilhões e R$ 150 bilhões em investimentos privados no longo prazo.

    Segundo Goretti, alguns dos principais obstáculos para a expansão da irrigação continuam semelhantes aos enfrentados pelo setor há duas décadas.

    Entre eles estão:

    • dificuldades relacionadas ao licenciamento ambiental;
    • regras para armazenamento e outorga de água;
    • disponibilidade de energia elétrica;
    • qualidade do fornecimento de energia.

    O pesquisador também apontou que a irrigação ainda é tratada, em determinadas situações, como uma atividade sujeita a licenciamento, em vez de ser considerada uma tecnologia capaz de contribuir para a produção agrícola.

    Setor defende melhor uso dos recursos hídricos

    Bernhard Kiep, diretor da Abramilho e membro da Câmara de Irrigação (CSEI) da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), afirmou que o Brasil ainda utiliza de forma limitada seu potencial produtivo e seus recursos naturais.

    “Temos 12% da água doce do mundo, usamos menos de 1%. Somos campeões mundiais de desperdício de água doce do mundo. Precisamos usar melhor para o bem da humanidade.”

    As discussões realizadas no Fórum Mais Milho mostram que a irrigação tende a ganhar espaço na estratégia do agronegócio brasileiro diante das mudanças no regime de chuvas e do aumento dos riscos climáticos.

    Para os pesquisadores, a expansão, porém, depende de investimentos, planejamento, disponibilidade de água, infraestrutura energética, segurança jurídica e uso de dados para orientar as decisões no campo.

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  • El Niño ameaça reduzir safra recorde de café do Brasil

    El Niño ameaça reduzir safra recorde de café do Brasil

    O El Niño ameaça reduzir em até um quinto a safra recorde de café que o Brasil esperava colher neste ano, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). O calor excessivo e as chuvas irregulares já comprometem lavouras em diversas regiões produtoras do país.

    A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma produção total de 66,7 milhões de sacas de 60 quilos de café arábica e canephora, categoria que inclui variedades como robusta e conilon. Mas a deterioração das condições climáticas durante o ciclo do El Niño pode derrubar drasticamente esse número, alerta o diretor-executivo da Abic, Celírio Inácio da Silva.

    “Estamos falando agora de uma perda de safra entre 15% e 20%, o que em um ano normal estaria dentro do esperado. Mas, no cenário atual, isso é uma notícia muito ruim”, afirmou Silva em entrevista.

    Produtores enfrentam o fenômeno com mais preparo

    Apesar do cenário desfavorável, os cafeicultores brasileiros chegam a este ciclo de El Niño mais preparados do que em episódios anteriores. Avanços tecnológicos tornaram a cultura mais resistente às variações climáticas, segundo Silva.

    “Fizemos avanços significativos e hoje conseguimos plantar e colher com mais eficiência”, destacou o executivo da Abic.

    Nos últimos anos, os produtores reforçaram a capacidade de mitigar riscos climáticos ao expandir rapidamente os sistemas de irrigação. O setor investiu fortemente nessa tecnologia para reduzir a dependência de chuvas cada vez mais irregulares. Um efeito direto das mudanças climáticas.

    Florada desuniforme preocupa cooperativas mineiras

    Ainda assim, especialistas esperam que o El Niño afete o ciclo biológico do café, especialmente durante o período de florada no segundo semestre de 2026. O calor excessivo e as chuvas irregulares podem provocar floradas desuniformes e mal-sucedidas.

    “A maturação irregular gera problemas de qualidade e torna a colheita mais desafiadora”, explicou Wellis Caixeta, gerente de compras de café da cooperativa Expocacer, em Minas Gerais.

    O precedente preocupa o setor. O El Niño de 2023/24, combinado a ondas de calor e chuvas irregulares, reduziu a safra brasileira de café de 2024: a estimativa inicial do governo, de 58,8 milhões de sacas, caiu para 54,2 milhões. Apesar do ciclo bienal positivo do arábica, a produção cresceu apenas 0,2%, enquanto a produtividade do conilon recuou 5,9%.

    O fenômeno já pode explicar algumas anomalias observadas neste ano, como as chuvas incomuns registradas no Sudeste do Brasil no último mês. A Expocacer estima que precipitações superiores a 50 milímetros nas regiões produtoras de arábica, cerca de 40 dias atrás, atrasaram a colheita e derrubaram uma quantidade significativa de frutos no chão, o que prejudicou a qualidade dos grãos.

    Espírito Santo teme prolongamento da seca até 2027

    O Espírito Santo, maior produtor brasileiro de café canephora, também registrou clima irregular neste ano. Intervalos maiores entre chuvas se combinaram com precipitações mais curtas e intensas, segundo Luiz Carlos Bastianello, presidente da Cooabriel, maior cooperativa de canephora do país.

    Os produtores capixabas temem que o El Niño prolongue os períodos de seca e calor excessivo até janeiro de 2027, o que prejudicaria o enchimento dos grãos, afirmou Bastianello.

    A produção de conilon no estado já deve cair 15% neste ano por causa do ciclo bienal natural da cultura, que alterna entre anos de alta e baixa produtividade. Ainda assim, Bastianello considera cedo para prever o impacto real do El Niño em 2027.

    “O calor é o maior risco para perdas severas na safra. Acima de 27°C, o canephora reduz seu metabolismo, e a 35°C ele para completamente. Os danos muitas vezes superam os causados pela falta de água em si”, acrescentou o presidente da Cooabriel.

    Rondônia projeta safra recorde de robusta

    O cenário muda no Norte do Brasil, onde temperaturas e chuvas permaneceram, em grande parte, dentro dos padrões sazonais neste ano. Em Rondônia, os produtores projetam uma safra recorde de 3 milhões de sacas de 60 kg. Um volume que supera a previsão da Conab, de 2,77 milhões de sacas.

    O calor e a seca associados ao El Niño provavelmente não atingirão o robusta de Rondônia com a mesma intensidade que afeta as regiões produtoras de arábica, avaliou Juan Travain, presidente da associação estadual Caferon.

    “O café é altamente sensível às variações de temperatura, mas praticamente todas as lavouras de robusta são irrigadas, e algumas também utilizam sistemas de resfriamento com água. Muitas propriedades de arábica, por outro lado, ainda não possuem irrigação”, explicou Travain.

  • Tecnologia sustenta produtividade da citricultura diante do clima

    Tecnologia sustenta produtividade da citricultura diante do clima

    A busca por maior produtividade e qualidade tem levado os citricultores a ampliar o uso de tecnologias nutricionais nos pomares. Além disso, a necessidade de enfrentar períodos de estiagem, altas temperaturas e outros eventos climáticos extremos reforça a adoção de ferramentas que aumentam a eficiência do manejo e a resistência das plantas.

    O tema ganha relevância em um momento de desafios para a produção agrícola. Por isso, soluções como fertirrigação, bioinsumos e programas de nutrição balanceada passaram a ocupar espaço estratégico na citricultura brasileira.

    Segundo Bruno Dittrich, especialista agronômico da Yara Brasil, a produtividade dos pomares depende diretamente do fornecimento adequado de nutrientes ao longo de todo o ciclo produtivo.

    “Para obter maior produtividade e qualidade das frutas cítricas é preciso investir em uma combinação equilibrada de nutrientes. O produtor precisa trabalhar com soluções específicas para cada etapa de desenvolvimento da planta, desde o manejo do solo e desenvolvimento radicular até o enchimento final dos frutos”, afirma.

    De acordo com a empresa, programas nutricionais voltados especificamente para a cultura dos citros apresentam resultados expressivos quando o produtor adota um manejo técnico e integrado. Em áreas acompanhadas pela companhia, técnicos registraram ganhos médios de até 110 caixas por hectare.

    Brasil mantém liderança mundial

    O Brasil ocupa posição de destaque no mercado internacional de citros. Atualmente, o país responde por cerca de 30% da produção mundial de laranjas. Além disso, lidera as exportações globais de suco de laranja, concentrando aproximadamente 85% do comércio mundial do produto.

    Esse protagonismo resulta de décadas de investimentos em pesquisa, inovação e desenvolvimento tecnológico. Ao mesmo tempo, a integração entre produtores, empresas e instituições de pesquisa fortalece a competitividade do setor.

    Para especialistas, a manutenção dessa liderança depende da adoção contínua de tecnologias capazes de elevar a produtividade e melhorar a qualidade dos frutos. Dessa forma, a cadeia produtiva consegue atender às exigências dos mercados nacional e internacional.

    Clima exige manejo mais eficiente

    As mudanças climáticas também influenciam as decisões dentro das propriedades rurais. Ondas de calor, estiagens prolongadas e oscilações nas condições climáticas afetam diretamente o desenvolvimento dos pomares.

    Por isso, produtores têm buscado soluções que aumentem a tolerância das plantas aos chamados estresses abióticos. Entre elas estão tecnologias que combinam nutrição mineral, bioinsumos e ferramentas de monitoramento.

    “Hoje, a nutrição precisa ser tratada como um componente estratégico do manejo. As soluções integradas ajudam os citricultores a mitigar os efeitos da seca e das altas temperaturas, além de contribuir para a saúde e longevidade dos pomares”, explica Dittrich.

    Além disso, o fortalecimento do sistema radicular permite que as plantas aproveitem melhor a água e os nutrientes disponíveis no solo. Como resultado, os pomares conseguem manter o desenvolvimento mesmo durante períodos de maior estresse hídrico.

    Fertirrigação amplia eficiência no campo

    A fertirrigação também avança na citricultura brasileira. A técnica permite aplicar água e nutrientes ao mesmo tempo, de forma precisa e alinhada às necessidades da planta em cada fase do desenvolvimento.

    Dessa maneira, o produtor reduz perdas, melhora o aproveitamento dos fertilizantes e aumenta o controle sobre o manejo nutricional. Além disso, a tecnologia diminui a dependência da regularidade das chuvas, fator cada vez mais importante diante das alterações climáticas.

    Um estudo realizado pela Yara em parceria com o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) identificou ganhos relevantes com o uso da fertirrigação em pomares cítricos. Segundo a empresa, a técnica elevou a produtividade em aproximadamente um terço e reduziu em cerca de 30% a incidência de podridão floral.

    Os pesquisadores também verificaram aumento da estrutura reprodutiva das plantas. Consequentemente, os pomares apresentaram maior potencial produtivo e melhor uniformidade dos frutos.

    Bioinsumos ganham espaço nos pomares

    Os bioinsumos também conquistam espaço na citricultura. Esses produtos contribuem para a fertilidade do solo e aumentam a eficiência no aproveitamento dos nutrientes pelas plantas.

    Além disso, a tecnologia fortalece o desenvolvimento vegetal e auxilia o produtor na busca por sistemas mais sustentáveis. Por esse motivo, especialistas apontam crescimento contínuo da utilização desses insumos nos próximos anos.

    A combinação entre nutrição equilibrada, fertirrigação, bioinsumos e agricultura de precisão deve ganhar ainda mais relevância. Assim, os produtores poderão enfrentar os desafios climáticos com maior eficiência, preservar a produtividade e manter a competitividade da citricultura brasileira.

  • Brasil tem 16 polos de irrigação e pode irrigar 60 milhões de hectares; veja onde

    Brasil tem 16 polos de irrigação e pode irrigar 60 milhões de hectares; veja onde

    O Brasil tem hoje cerca de 16 polos de agricultura irrigada reconhecidos pelo Governo Federal. O país planeja ampliar o modelo para outras regiões. Esses polos organizam a gestão da água e impulsionam a produção agrícola onde se instalam.

    Diferente de programas criados “de cima para baixo”, os polos nascem da realidade local. Produtores, técnicos, instituições de pesquisa, órgãos governamentais e representantes da sociedade se reúnem para planejar a irrigação. Eles consideram as características hídricas e produtivas de cada bacia hidrográfica.

    “A irrigação não se desenvolve no improviso. Ela cresce onde existe organização do uso da água”, afirma Everardo Mantovani, professor da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e conselheiro da Associação Brasileira de Irrigação e Drenagem (ABID).

    Segundo Mantovani, onde a irrigação se organiza, a região inteira cresce. “A produção aumenta, mas também avançam logística, infraestrutura, armazenagem, tecnologia e geração de oportunidades”, destaca.

    Impacto econômico chega a 256% no PIB per capita

    Uma pesquisa da Abimaq em parceria com a ESALQ/USP analisou quatro polos de irrigação. O levantamento identificou impactos econômicos e sociais relevantes. Em alguns casos, o PIB per capita dessas regiões chega a ser 256% maior do que o de outros municípios rurais.

    O estudo também aponta maior circulação de dinheiro e menor dependência de programas de transferência de renda nas áreas irrigadas. “A água entra na lavoura e o dinheiro circula na cidade”, resume Mantovani.

    Onde ficam os polos hoje

    Os polos irrigados ocupam regiões estratégicas da agricultura brasileira:

    • Oeste da Bahia
    • Petrolina/Juazeiro (PE/BA)
    • Alto Paranapanema (SP/PR)
    • Alto Teles Pires (MT)
    • Ibiapaba (CE)
    • Camaquã (RS)
    • Planalto Central de Goiás

    O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) reconhece oficialmente essas áreas.

    Exemplo goiano: de 14 para 7 cidades com foco em gestão hídrica

    O Polo de Irrigação do Planalto Central de Goiás começou em 2019 com 14 municípios. Após reorganização, o polo concentra ações em sete cidades: Cristalina, Luziânia, Silvânia, Vianópolis, Ipameri, Campo Alegre de Goiás e Catalão. Todas essas regiões têm forte presença da agricultura irrigada e alta demanda por gestão do uso da água.

    Atualmente, o Brasil possui cerca de 10 milhões de hectares irrigados. Estimativas técnicas apontam potencial para atingir 60 milhões de hectares. Especialistas afirmam que essa expansão depende de planejamento, governança hídrica e eficiência no uso da água.

    “A expansão da agricultura irrigada no Brasil atual ocorre principalmente em regiões com gestão estruturada da água, onde o uso é organizado, monitorado e planejado”, explica Mantovani.

    Dados do setor mostram que 45% dos pivôs centrais do país estão na Bacia do Rio Paraná. Quase 30% ficam na Bacia do São Francisco. Nessas regiões, a gestão dos recursos hídricos é mais consolidada.

    A ABID acompanha esses processos há 50 anos. A entidade contribui tecnicamente com informações, experiências e apoio à construção de políticas públicas para a irrigação.

    “Existe um entendimento cada vez maior de que irrigação não significa desperdício. Pelo contrário: a irrigação moderna depende de planejamento, monitoramento e uso eficiente da água”, conclui Mantovani.

    Congresso analisa crédito de R$ 33,6 milhões para projetos de irrigação

    O Congresso Nacional analisa proposta que abre crédito suplementar no Orçamento de 2026 de R$ 33,6 milhões para projetos de irrigação do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (PLN 5/26).

    De acordo com a mensagem que acompanha o texto, os recursos serão usados para o apoio aos polos e projetos de agricultura irrigada; para a gestão de projetos públicos de irrigação; e para o fomento aos objetivos da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf).

    Foto: Acácio Pinheiro/Agência Brasília

    As dotações que serão canceladas para fazer a compensação orçamentária estão no programa “Pé-de-Meia”, de manutenção de estudantes do ensino médio na escola.

    O governo afirma que não haverá prejuízos para o programa porque existe uma antecipação do aporte ao Fundo de Custeio da Poupança de Incentivo à Permanência e Conclusão Escolar para Estudantes do Ensino Médio.

    O projeto será analisado pela Comissão Mista de Orçamento e, em seguida, pelo Plenário do Congresso (sessão conjunta da Câmara dos Deputados e do Senado Federal). Fonte: Agência Câmara de Notícias

  • Irrigação inteligente ganha espaço com pressão por alimentos

    Irrigação inteligente ganha espaço com pressão por alimentos

    A Valley, marca da Valmont Industries, colocou a irrigação no centro do debate sobre o futuro da produção agrícola durante apresentação realizada em 29 de abril de 2026, na Agrishow. Na ocasião, a empresa apontou que o avanço da população mundial e a pressão por alimentos exigem aumento consistente de produtividade. Além disso, destacou que a tecnologia no campo será decisiva para atender essa demanda crescente.

    A análise foi conduzida por Cristiano Del Nero, diretor-presidente da Valley no Brasil, que apresentou o cenário global. Segundo ele, a população mundial deve atingir 10,4 bilhões de pessoas até 2100. Dessa forma, a necessidade de produção agrícola tende a crescer de maneira contínua. Ao mesmo tempo, o consumo de energia também avança. Nesse sentido, as fontes renováveis se destacam pelo crescimento acelerado nas últimas décadas.

    No Brasil, a Valley ressaltou o protagonismo do país no mercado internacional de commodities. Atualmente, o país lidera a produção e exportação de produtos como soja e açúcar. Além disso, ocupa posições relevantes em milho, algodão, etanol e proteína animal. No entanto, o ambiente econômico segue desafiador. Em especial, as margens dos produtores vêm sendo pressionadas entre 2023 e 2025, tanto no Sul quanto no Cerrado.

    Cristiano Del Nero, diretor-presidente da Valley no Brasil – Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Valley aposta em tecnologia para sustentar crescimento

    A estratégia da Valley, segundo Jonas Proença, diretor de Marketing e Desenvolvimento de Rede da empresa, está diretamente ligada ao aumento de produtividade sem expansão de área. Nesse contexto, o executivo ressaltou que o Brasil saiu de cerca de 1 tonelada por hectare, em 1977, para aproximadamente 4 toneladas por hectare em 2023. Como resultado, o país evitou a abertura de cerca de 230 milhões de hectares.

    Além disso, Proença afirmou que essa evolução deve continuar até 2030. Isso porque o avanço será impulsionado pelo uso intensivo de tecnologia e pela recuperação de áreas degradadas. Dessa maneira, a irrigação ganha protagonismo ao permitir maior eficiência no uso da terra. Ao mesmo tempo, viabiliza múltiplas safras na mesma área.

    Atualmente, o Brasil possui 851,5 milhões de hectares, com predominância de pastagens. Portanto, o crescimento da produção depende mais de eficiência do que de expansão territorial. Nesse cenário, a irrigação surge como ferramenta central para ampliar o uso produtivo das áreas já disponíveis.

    Irrigação inteligente reduz custos e aumenta produção

    As soluções da Valley em irrigação por pivô central foram apresentadas como um dos principais caminhos para enfrentar a variabilidade climática. De acordo com André Stanciola, gerente de Desenvolvimento de Negócios da empresa, a tecnologia permite elevar a produtividade e garantir maior previsibilidade. Além disso, contribui para o uso racional dos recursos naturais.

    Os ganhos são expressivos. Por exemplo, em áreas irrigadas, a produtividade pode aumentar até 100% em frutas. Da mesma forma, culturas como milho e cereais registram crescimento superior a 70%. Já soja, café e cana também apresentam incrementos relevantes. Consequentemente, a irrigação possibilita mais de uma safra na mesma área, o que amplia o retorno econômico ao produtor.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Outro ponto enfatizado pela Valley foi a integração com conectividade. Nesse sentido, sistemas digitais permitem reduzir o uso de água em até 20%. Além disso, o consumo de energia pode cair até 30%. Ao mesmo tempo, a automação reduz a necessidade de mão de obra em até 80%. Com isso, o produtor passa a contar com monitoramento contínuo das operações.

    Por fim, a presença global da Valley também foi destacada. A empresa conta com 375 distribuidores e mais de 548 mil pivôs instalados no mundo. Desse total, cerca de 47% pertencem à marca. Assim, a companhia reforça sua estratégia de consolidar um ecossistema integrado, que combina equipamentos, dados e gestão.

    Diante desse cenário, a Valley indica que deve ampliar sua atuação no Brasil. Para isso, aposta na irrigação inteligente como base para unir produtividade, eficiência e sustentabilidade no agronegócio.

  • Monitoramento via satélite identifica áreas irrigadas a partir da umidade do solo

    Monitoramento via satélite identifica áreas irrigadas a partir da umidade do solo

    Imagine tentar descobrir se um campo foi irrigado olhando apenas para uma foto tirada do espaço. Parece simples, mas não é. Aquele círculo perfeito no solo, formado pelo pivô central, pode estar ali há anos sem que uma gota d’água tenha passado por ele na última safra. Era exatamente esse o problema que o governo federal precisava resolver, e a Embrapa Territorial acaba de entregar a solução.

    Um método desenvolvido pela Embrapa combina imagens do satélite Sentinel-2 com inteligência artificial para mapear, ano a ano, o crescimento ou a redução das áreas agrícolas efetivamente irrigadas no Brasil. Não as que têm estrutura de irrigação, não as que parecem irrigadas. As que, de fato, receberam água durante a safra.

    O problema que os círculos no solo não conseguem resolver

    O engenheiro agrônomo Rafael Mingoti, analista da Embrapa Territorial e responsável pelo mapeamento dos primeiros polos em Goiás, explica que o desafio inicial era gerar um mapeamento que permitisse verificar as diferenças entre as safras. E registrar os famosos círculos dos pivôs centrais simplesmente não funcionava para isso.

    “Registrar os tão conhecidos círculos formados no solo pelos pivôs centrais, por exemplo, não seria eficaz, pois são como uma cicatriz no solo que permanece de um ano para outro”, explica Mingoti.

    Além disso, buscar os equipamentos físicos de irrigação no campo também não resolvia o problema. Esses equipamentos podem estar presentes, mas desativados. “O objetivo é identificar as terras que foram efetivamente irrigadas no ano em questão e não as que apenas têm a infraestrutura”, enfatiza o pesquisador.

    Foi a partir daí que a equipe virou o jogo: em vez de procurar os equipamentos ou as marcas deixadas no solo, passou a analisar a umidade do solo diretamente. Os índices são extraídos de imagens do satélite Sentinel-2, de média resolução e acesso gratuito, fornecido pela Agência Espacial Europeia.

    Chuva ou irrigação? A IA entra em cena para distinguir os dois

    Resolver a questão da umidade trouxe um novo obstáculo, ainda mais sutil. Em Goiás, predominantemente, a irrigação não é utilizada no período de estiagem e sim durante o verão, quando as chuvas ocorrem e quando há vazão disponível nos cursos d’água. Especialmente por causa das mudanças climáticas e do aumento da duração dos veranicos, os agricultores recorrem à irrigação para evitar perdas.

    Mas se a irrigação acontece justamente quando chove, como saber de onde veio a umidade do solo?

    “Nós usamos outros indicadores. Geralmente as áreas irrigadas não são muito pequenas e têm formatos regulares, retângulos, círculos ou triângulos”, esclarece Mingoti. A inteligência artificial entra para cruzar esses padrões geométricos com os dados de umidade, separando o que é chuva do que é irrigação humana. Uma distinção que, antes desse método, simplesmente não existia em escala territorial.

    No entanto, identificar onde se irriga era só metade da demanda. O governo também precisa saber quanto, exatamente, está sendo irrigado.

    Vetorização: a técnica que mede com muito mais precisão

    Como inovação, o método utiliza recursos derivados do sensoriamento remoto com radar para chegar à área total. Diferentemente do método tradicional, que calcula a área somando pixels (quadros que compõem a imagem), a técnica de vetorização desenha o contorno real do terreno, como se seguisse a linha exata do local irrigado. Na contagem por pixels, o sistema considera o quadro inteiro, mesmo que parte do terreno que ele cobre não seja irrigada.

    O resultado, nas palavras do próprio Mingoti: “Quando os terrenos são vetorizados, eliminamos possíveis erros dentro e fora da área irrigada. Então, a medição é muito mais acurada.”

    Não é detalhe técnico por vaidade científica. Mais precisão significa políticas públicas melhores, investimentos mais bem direcionados e uso da água monitorado de verdade.

    7 mil hectares a mais: o dado que já chegou ao Ministério

    A Embrapa Territorial já aplicou o método no mapeamento de dois polos de irrigação em Goiás (Planalto Central e Vale do Araguaia) e de três no Mato Grosso (Sul, Médio Norte e Araguaia-Xingu). Os mapeamentos dos dois primeiros já foram entregues ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, e os outros estão em fase de validação.

    O mapeamento no polo Central de Goiás mostrou um aumento de 7 mil hectares nas áreas irrigadas entre 2023 e 2024. Houve crescimento em todos os 24 municípios que integram a região.

    Além de servir para a avaliação das políticas públicas, os dados do mapeamento têm um destino claro: a intenção é que sejam integrados ao Sistema Nacional de Informações sobre Irrigação, o Sinir.

    Coordenador-geral de sustentabilidade de projetos e polos de irrigação do MIDR, Antônio Guimarães Leite lembra ainda que a irrigação no período chuvoso cumpre um papel estratégico que vai além de compensar a falta de chuva. “Em algumas situações, isso permite estender a janela de cultivo e viabilizar até três colheitas no mesmo ano agrícola”, aponta.

    Com satélite, IA e dados precisos nas mãos, o agro brasileiro passou a enxergar o que antes ficava invisível. E o governo, finalmente, tem uma ferramenta à altura do desafio de gerir a água do campo.

  • Como a mudança climática vai sacudir a horticultura brasileira

    Como a mudança climática vai sacudir a horticultura brasileira

    A horticultura brasileira enfrenta um ano de grandes desafios climáticos. A transição de um La Niña curto e de baixa intensidade, caracterizado pelo esfriamento das águas do Oceano Pacífico, para um evento de El Niño com maior persistência deve inverter as condições produtivas que favoreceram o setor em 2025. O alerta é da revista Hortifruti Brasil, referência técnica no segmento.

    Em 2025, a combinação entre chuvas relativamente bem distribuídas e temperaturas adequadas resultou em produtividade elevada para diversas culturas hortícolas. O novo cenário climático para 2026, no entanto, aponta em direção oposta: mais calor, irregularidade hídrica e pressão crescente sobre os custos de produção.

    O que muda com o El Niño

    O El Niño é um fenômeno climático causado pelo aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico Equatorial que afeta os padrões de chuva e temperatura em todo o planeta. E o Brasil está entre os países mais impactados. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/Inpe), os efeitos variam por região. Enquanto o Sul tende a registrar chuvas acima da média, o Nordeste e partes do Centro-Oeste podem enfrentar estiagens mais severas.

    Para a horticultura, que depende fortemente de condições climáticas estáveis, esse desequilíbrio é especialmente crítico. As altas temperaturas associadas ao fenômeno tendem a acelerar os ciclos vegetativos das plantas, comprometer a qualidade dos produtos e intensificar problemas fitossanitários. Como o avanço de pragas e doenças fúngicas, que se proliferam com mais facilidade em ambientes quentes e úmidos.

    Irrigação no centro do debate

    Em regiões com menor disponibilidade hídrica, a irrigação deixa de ser apenas uma ferramenta de suporte. E passa a ser condição essencial para a manutenção da produção. O problema é que o custo dessa operação também cresce em anos de El Niño, pressionando as margens dos produtores. Especialmente os de menor porte, que têm menos acesso a crédito e tecnologia.

    Pesquisadores da Hortifruti Brasil destacam que a viabilidade econômica da irrigação será um dos fatores centrais para determinar quem conseguirá manter volumes e qualidade ao longo do ano. A gestão eficiente da água, o uso de sistemas mais modernos como gotejamento e a leitura regionalizada do clima são apontados como diferenciais competitivos para a safra 2026.

    Planejamento como resposta

    Diante desse cenário, especialistas recomendam que produtores redobrem o monitoramento climático regional. E também intensifiquem o controle fitossanitário preventivo e revisem seus planos de custeio levando em conta o aumento potencial de despesas com irrigação e defensivos agrícolas.

    A horticultura brasileira movimenta bilhões de reais anualmente e abastece tanto o mercado interno quanto cadeias de exportação. Em um ano marcado pela instabilidade climática, a capacidade de adaptação técnica e a antecipação de riscos serão os maiores ativos dos produtores que quiserem manter competitividade e rentabilidade em 2026.

  • Clima mais adverso desafia horticultura em 2026

    Clima mais adverso desafia horticultura em 2026

    A transição de La Niña para El Niño deve intensificar desafios aos produtores em 2026. A equipe do Cepea avalia que a mudança altera o ambiente produtivo da horticultura brasileira. Segundo o centro ligado à Esalq/USP, 2025 registrou clima mais favorável ao campo. Naquele ano, chuvas bem distribuídas e temperaturas adequadas elevaram a produtividade de diversas culturas.

    Agora, o novo cenário climático amplia riscos e exige maior planejamento técnico. Além disso, os produtores precisam aprimorar a leitura regional do clima e reforçar a gestão de custos.

    As projeções indicam temperaturas médias mais elevadas ao longo de 2026. Elas também apontam mudanças no regime de chuvas a partir do inverno. Ou seja, essas alterações devem afetar as regiões brasileiras de forma distinta.

    O comportamento do El Niño varia conforme cultura, região e sistema produtivo. Portanto, não existe efeito climático único sobre frutas e hortaliças.

    Os pesquisadores da Hortifruti Brasil destacam impactos diretos das altas temperaturas. O calor tende a intensificar problemas fitossanitários e acelerar ciclos produtivos. Além disso, pode comprometer a qualidade, principalmente quando há excesso de umidade.

    Irrigação

    Em áreas com menor disponibilidade hídrica, a irrigação se torna fator decisivo. Nesse contexto, custo e viabilidade do sistema influenciam a manutenção da produção.

    A experiência recente também reforça outro alerta ao produtor.  Os ganhos de produtividade não garantem melhores margens automaticamente. O aumento de oferta, perdas de qualidade e pressão de custos reduzem a rentabilidade. Esse cenário já marcou o desempenho do setor ao longo de 2025.

    Diante disso, o monitoramento climático contínuo torna-se essencial em 2026. Os produtores precisam adotar manejo mais preciso e escalonar plantios. Além disso, devem avaliar riscos com maior rigor. Essas estratégias serão decisivas para preservar produtividade, qualidade e rentabilidade na horticultura brasileira.

  • Crédito, irrigação e mercado: agricultura familiar avança em Goiás

    Crédito, irrigação e mercado: agricultura familiar avança em Goiás

    A agricultura familiar goiana fechou 2025 com R$ 80,5 milhões em investimentos voltados a crédito, qualificação e fortalecimento de agroindústrias locais. As iniciativas impulsionaram a geração de renda, a regularização fundiária e a inclusão produtiva em todas as regiões do estado, beneficiando milhares de famílias rurais.

    Somente o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA Goiás) destinou R$ 30 milhões à compra direta de produtos agrícolas, garantindo mercado para 2 mil produtores de 183 municípios. Na vertente voltada a comunidades quilombolas, o PAA Quilombola aplicou R$ 2 milhões em recursos. Os alimentos adquiridos abastecem entidades socioassistenciais, fortalecendo a segurança alimentar e a economia rural.

    Outra frente de destaque foi o Crédito Social, executado com apoio da Emater Goiás. Foram capacitadas 12 mil pessoas em 209 municípios e entregues 9.396 cartões para compra de equipamentos e insumos, com investimento total de R$ 46,6 milhões. Mulheres rurais responderam por 70% das beneficiárias.

    No Nordeste Goiano, o Projeto de Fruticultura Irrigada do Vão do Paranã implantou sistemas de irrigação em 100 hectares, possibilitando a produção de até 28 toneladas de maracujá por propriedade. Além da fruticultura, o projeto prevê a instalação de uma agroindústria com aporte de R$ 1,5 milhão e ampliação prevista para 2026, com mais R$ 3 milhões em recursos.

    Regularização

    A estruturação produtiva também avançou com a regularização de 16,9 mil hectares de terras devolutas em sete municípios. O Programa Regulariza Campo entregou 90 títulos de domínio, garantindo segurança jurídica e ampliando o acesso a crédito e políticas públicas.

    No segmento agroindustrial, 30 empreendimentos participaram da primeira etapa do Programa de Melhoria da Qualidade das Agroindústrias, realizado com Sebrae e Senai Goiás. As ações envolveram consultorias em boas práticas, gestão e segurança alimentar, num investimento de R$ 135 mil. A próxima fase, prevista para 2026, abrirá espaço a 60 pequenas agroindústrias dos setores animal e vegetal, com orçamento ampliado para R$ 270 mil.

    Segundo a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), o crescimento dos investimentos reflete o compromisso com a expansão da produção familiar e o estímulo à permanência das famílias no campo, com mais renda e produtividade.

  • Programa Irriga Minas facilita acesso à irrigação por gotejamento

    Programa Irriga Minas facilita acesso à irrigação por gotejamento

    O Governo de Minas encerrou 2025 com a entrega de 8.413 kits de irrigação a agricultores familiares de 227 municípios, fortalecendo a produção rural e a renda no estado. Os equipamentos, distribuídos gratuitamente pela Emater-MG, vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), são destinados ao cultivo de hortaliças e frutíferas, contribuindo para a segurança alimentar das famílias mesmo em períodos de chuvas abaixo do esperado.

    A ação faz parte do Programa Irriga Minas, alinhado à Política Estadual de Agricultura Irrigada Sustentável. Além de atender à região do semiárido, onde houve a divulgação de 1.268 kits para 37 municípios em maio, os kits operam com irrigação por gotejamento em áreas de 500 m² a 1.000 m², com boa parte dos componentes em conjunto: caixa d’água de 1.000 litros com tampa, tubos gotejadores, filtros, registros e conectores. Essa tecnologia permite a aplicação de água diretamente na base das plantas, reduzindo desperdícios e elevando a produtividade.

    A regulamentação da irrigação também ganhou impulso neste ano com o Decreto nº 49.072. Ele define as diretrizes para a declaração de utilidade pública de infraestruturas e atividades de irrigação. As mudanças facilitam a aprovação de projetos, a captação de água e a perenização de reservatório. Operando como instrumento de apoio aos produtores familiares e à intensificação de cultivos.

    Para o secretário da Agricultura, Thales Fernandes, “os kits irrigação potencializam a Política Estadual de Agricultura Irrigada Sustentável em Minas. E, com o apoio da Emater, os pequenos agricultores agora podem participar dessa política pública, aumentando a produção, gerando mais renda e emprego.”

    Impacto social

    Em Divino, na Zona da Mata, a distribuição também teve impacto social ao ampliar o protagonismo feminino no campo. Dos 49 kits destinados à região, 27 vão para trabalhadoras rurais. A extensionista Emanuela Costa Torres, da Emater de Divino, observa que a presença das mulheres no manejo das hortas aumenta as perspectivas econômicas locais.

    Produtores atendidos em Divino destacaram que o kit facilita a ampliação de áreas plantadas e a diversificação de culturas, com previsões de inserir novas culturas como pimentões, tomate e cenoura no ciclo de produção, inclusive para atender programas como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) da merenda escolar a partir de 2026.