Tag: Inseticidas

  • Percevejo, mancha-alvo e mato: o trio que ameaça a rentabilidade

    Percevejo, mancha-alvo e mato: o trio que ameaça a rentabilidade

    A agricultura brasileira entrou em um novo patamar de exigência técnica, no qual produzir mais não é mais suficiente: é preciso produzir melhor. Essa foi a principal mensagem apresentada por Valdumiro Garcia, gerente de Marketing Regional da IHARA, durante a 23ª Tecnoshow Comigo, realizada em Rio Verde (GO). Nesse contexto, a pressão por produtividade aumenta, e o sucesso no campo passa a depender de inovação, manejo assertivo e escolha correta de tecnologias.

    Segundo ele, a IHARA atua como uma ponte entre a tecnologia japonesa e o agricultor brasileiro, trazendo moléculas inovadoras adaptadas à realidade tropical. “A agricultura é capricho. Não basta plantar, é preciso entender o ambiente, o momento da planta e o problema a ser enfrentado”, afirmou.

    A necessidade de inovação, explicou, está diretamente ligada às características do sistema produtivo brasileiro. Com possibilidade de segunda safra e condições climáticas favoráveis, o mesmo ambiente que beneficia as culturas também favorece pragas e doenças. “Tudo que é bom para a planta também é bom para os fatores que limitam a produtividade”, ressaltou. Por isso, investir em tecnologia deixou de ser uma opção e passou a ser uma necessidade.

    Hoje, o Brasil possui cerca de 50 milhões de hectares de soja. No entanto, a área tratada com defensivos ultrapassa 1,4 bilhão de hectares ao longo dos anos, considerando múltiplas aplicações. Esse dado evidencia um movimento claro: o agricultor trata cada vez mais sua lavoura para proteger o potencial produtivo.

    Produtividade exige estratégia e precisão

    No Cerrado, a média de produtividade gira em torno de 55 sacas por hectare — ponto de equilíbrio para muitos produtores. A margem de lucro, porém, só aparece acima disso. Para alcançar ganhos mais expressivos, é necessário atingir patamares entre 70 e 75 sacas por hectare.

    Esse salto produtivo, segundo Valdumiro, depende de uma combinação de fatores: melhoramento genético, acesso a crédito e, principalmente, manejo eficiente. “É impossível imaginar a prosperidade da agricultura brasileira sem investimento em tecnologia”, afirmou.

    Valdumiro Garcia, gerente de Marketing Regional da IHARA, durante a 23ª Tecnoshow Comigo – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    O avanço das doenças e pragas também exige um olhar mais detalhado. Se no passado o foco estava em problemas visíveis, como a ferrugem asiática, hoje o cenário é mais complexo. A mancha-alvo, por exemplo, vem ganhando protagonismo e já apresenta maior tolerância a fungicidas tradicionais.

    Diante desse cenário, a IHARA apresentou o fungicida SEIV, desenvolvido especificamente para o controle dessa doença. De acordo com dados da empresa, a tecnologia pode alcançar até 95% de eficácia, contribuindo diretamente para a manutenção da produtividade.

    Outro ponto destacado foi a importância da especificidade no manejo. Enquanto o produtor costuma escolher fungicidas considerando o tipo de doença e o estágio da planta, o mesmo cuidado nem sempre ocorre no controle de pragas.

    Pressão de pragas e plantas daninhas aumenta

    Entre os principais desafios atuais estão os percevejos, especialmente o barriga-verde, que vem se adaptando à soja e causando danos mais severos que o percevejo-marrom. Além disso, a presença de mosca-branca em anos chuvosos rompe antigos padrões e exige novas estratégias de controle.

    Para esse cenário, o inseticida ZEUS surge como uma solução de amplo espectro, com atuação eficiente tanto em percevejos quanto em mosca-branca, além de efeito residual prolongado.

    No manejo de plantas daninhas, o alerta é para a crescente resistência. Espécies como capim-pé-de-galinha, caruru e capim-amargoso apresentam menor sensibilidade aos herbicidas convencionais, exigindo novas abordagens.

    Uma das estratégias defendidas é o uso de herbicidas pré-emergentes, como o Yamato, que atuam antes mesmo da germinação das plantas invasoras. Ainda assim, há espaço para crescimento: cerca de metade das lavouras brasileiras de soja não utiliza esse tipo de manejo.

    “A planta daninha precisa ser combatida antes de aparecer. O produtor precisa surpreender o problema, não reagir a ele”, explicou.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Cooperativismo e futuro da agricultura

    A relevância da Tecnoshow Comigo também aparece como ponto de conexão entre tecnologia e produtor. A cooperativa atua em cerca de 22% da área de soja e milho de Goiás, reforçando o papel do cooperativismo na difusão de conhecimento e inovação.

    Ao mesmo tempo, a IHARA mantém um pipeline robusto, com 22 novos ativos em desenvolvimento e potencial para até 240 produtos. Entre os lançamentos previstos está o Fusão Fix, que promete mais praticidade e eficiência no manejo da soja.

    A mensagem final reforça a mudança de mentalidade no campo. Se antes produzir 70 sacas era referência, hoje já se fala em 100 sacas por hectare. Assim, o novo cenário exige mais conhecimento, planejamento e precisão.

    “Cada vez mais, o agricultor precisa conhecer o alvo e escolher a solução adequada. Esse é o caminho para garantir produtividade, rentabilidade e sustentabilidade no campo”, concluiu Valdumiro.

  • Soluções japonesas elevam produtividade no campo

    Soluções japonesas elevam produtividade no campo

    A Ihara apresentou suas principais apostas em inovação, novos produtos e estratégias para ampliar a produtividade agrícola no Brasil durante a 38ª edição da Show Rural Coopavel, realizada de 9 a 13 de fevereiro, em Cascavel (PR). Em coletiva de imprensa no evento, o gerente distrital e comercial da empresa, Rafael Scapini, detalhou tendências de mercado, desafios do manejo e os próximos lançamentos previstos no portfólio da companhia.

    Inovação japonesa aplicada ao campo brasileiro

    Reconhecida como uma das principais plataformas de inovação agrícola do Japão no Brasil, a Ihara atua com acionistas majoritariamente ligados ao fornecimento de moléculas. Esse modelo permite que soluções desenvolvidas no maior polo de pesquisa agrícola do mundo cheguem ao campo brasileiro de forma direcionada às necessidades do produtor.

    Rafael Scapini, gerente distrital e comercial da Ihara – Foto: Pedro H, Lopes

    Além disso, a empresa mantém o foco em transformar tecnologia em resultado prático na lavoura. O objetivo, segundo Scapini, é garantir que a inovação chegue até o produto final, com impacto direto na produtividade e na rentabilidade.

    Crescimento do portfólio e novos lançamentos

    O avanço da Ihara no País ocorre de forma consistente. Em 2017, a empresa registrou seu maior crescimento histórico, com o lançamento de 15 produtos em um único ano. Já em 2025, o portfólio alcançou 79 produtos disponíveis, atendendo todas as culturas e segmentos do agronegócio.

    Atualmente, a companhia avalia e desenvolve 22 moléculas, com potencial para originar até 240 novos produtos. Além disso, quatro soluções — dois fungicidas e dois inseticidas — avançam para a fase final de desenvolvimento. “Tem muita coisa nova para vir por aí”, afirmou Scapini.

    Entre os produtos que devem chegar em breve ao agricultor estão o Fusão Fix, fungicida voltado à cultura da soja; o Alecto, inseticida com molécula inédita para o controle de lagartas; e o Olympo, mistura tripla para soja, com ação contra lagartas, percevejos e outras pragas.

    Recentemente, a Ihara também lançou o SEIV, fungicida desenvolvido com tecnologia própria para o controle da mancha-alvo. Segundo a empresa, o produto permite máximo controle da doença e pode elevar a produtividade em até quatro sacas por hectare.

    Custos de produção e busca por eficiência

    De acordo com Scapini, o produtor rural tem ampliado o investimento em tecnologia como resposta às margens cada vez mais apertadas. Atualmente, cerca de 20% dos recursos vão para fungicidas, 25% para inseticidas, 20% para herbicidas e 7% para tratamento de sementes, além de outros custos de manejo.

    No custo total de produção, os fertilizantes representam aproximadamente 25%, enquanto os defensivos somam 15% e as sementes ficam entre 7% e 8%. Para alcançar o ponto de equilíbrio, o produtor precisa colher cerca de 55 sacas de soja por hectare ao adotar um pacote tecnológico completo.

    Nesse contexto, o investimento em manejo adequado deixou de ser opção e passou a ser necessidade. “Novos patamares de produtividade exigem capricho e planejamento”, destacou o gerente.

    Manejo de plantas daninhas e resistência

    O manejo de plantas daninhas se consolidou como um dos maiores desafios da agricultura moderna. A resistência ao glifosato acelerou o uso de herbicidas pré-emergentes, especialmente no Sul do País. Espécies como caruru, buva e capim-pé-de-galinha ganharam espaço com as condições climáticas favoráveis.

    Diante desse cenário, o herbicida Yamato SC ganhou importância no manejo da resistência. O produto oferece maior período de controle, alta seletividade e segurança para o agricultor iniciar a lavoura no limpo.

    Enquanto isso, a evolução genética também transformou o campo. Se antes uma mesma genética atendia grandes regiões, hoje a escolha ocorre por propriedade. Assim, o produtor alia genética, seletividade e tecnologia para alcançar maior eficiência.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Doenças e controle de pragas

    Entre as doenças da soja, a ferrugem asiática segue como a principal preocupação. Dados da Aprosoja indicam que a doença pode comprometer até 90% da produção. Na última safra, o Brasil registrou mais de 240 focos, o maior número já observado.

    Para enfrentar esse desafio, a Ihara destaca os fungicidas Sugoy e Fusão. O Sugoy reúne uma mistura tripla com ação contra ferrugem, mancha-alvo, antracnose e outras doenças. Dessa forma, o produtor não precisa adicionar outros produtos ao manejo. Já o Fusão combina alta performance com baixo investimento, o que o torna indispensável na rotina do campo.

    No controle de insetos, o Zeus se consolidou como referência no manejo de percevejos. Segundo dados apresentados, apenas um percevejo por metro quadrado pode gerar prejuízos superiores a R$ 11 mil em uma área de 100 hectares. “Não é promessa, é resultado de campo”, reforçou Scapini.

    Com foco em inovação contínua, tecnologia japonesa e soluções adaptadas à realidade brasileira, a Ihara projeta um novo ciclo de crescimento no País. A estratégia prioriza eficiência no manejo, controle preciso de pragas e doenças e aumento da rentabilidade. “É o detalhe que faz a diferença dentro do manejo produtivo”, concluiu o gerente.

  • Tecnologia de aplicação garante uso seguro de defensivos

    Tecnologia de aplicação garante uso seguro de defensivos

    A correta tecnologia de aplicação de pesticidas é determinante para a eficiência e a segurança na produção de alimentos. Com esse foco, a Embrapa Soja (PR) e a Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) reuniram orientações práticas voltadas aos desafios enfrentados no uso de defensivos agrícolas em condições de campo. As informações integram a publicação Tecnologia de Aplicação de Pesticidas, que será lançada durante o Show Rural Coopavel 2026, em Cascavel (PR).

    Foto: Rafael Soares/Embrapa

    De acordo com o pesquisador Dionísio Gazziero, da Embrapa Soja, todo processo de controle, desde o diagnóstico até a aplicação do produto, deve observar critérios técnicos e ambientais. “O uso de pesticidas requer equipamentos em boas condições, regulagem adequada e conhecimento técnico para atingir o alvo com segurança humana e ambiental”, destaca.

    Lançamento ocorre durante o Show Rural Coopavel

    A publicação será apresentada na Vitrine de Tecnologias da Embrapa, entre os dias 9 e 13 de fevereiro, durante o Show Rural Coopavel 2026. Assinam o material os pesquisadores Cleber Maciel, Dionísio Gazziero, Rafael Theisen, Luiz Gustavo Bridi e Fernando Adegas.

    Os autores ressaltam que a eficiência da aplicação depende da escolha correta do produto, do respeito às recomendações técnicas e do monitoramento das condições climáticas. “Desde o momento em que a calda sai do pulverizador até atingir o alvo, seguir as orientações é essencial para evitar perdas e contaminações”, complementa Gazziero.

    Condições climáticas e tamanho das gotas influenciam resultados

    Fatores ambientais exercem grande peso sobre a eficiência da aplicação. Ventos fortes, baixa umidade e altas temperaturas aumentam riscos de deriva e evaporação. Segundo Cleber Maciel, as condições ideais envolvem velocidades de vento entre 3,2 e 6,5 km/h, umidade mínima de 55% e temperatura inferior a 30 °C.

    O tamanho das gotas também é decisivo. Gotas muito finas favorecem a cobertura, mas ficam mais suscetíveis à deriva; gotas maiores reduzem contaminações e atendem melhor à aplicação de herbicidas mimetizadores da auxina. “A escolha correta das pontas de pulverização e da pressão de trabalho é estratégica para evitar fitointoxicação e impacto ambiental”, observa o pesquisador da Unicentro.

    Regulagem e calibração de pulverizadores são pontos críticos

    A regulagem e calibração dos pulverizadores está entre os principais gargalos do setor. Gazziero afirma que inspeções de campo mostram alto índice de equipamentos operando com falhas, o que compromete o controle e a segurança ambiental. “A calibração correta garante que o volume de calda aplicado corresponda ao planejado, evitando desperdícios e desuniformidade”, explica.

    Problemas como vazamentos, bicos desgastados e filtros obstruídos são comuns e reduzem a qualidade da aplicação. Para os especialistas, a manutenção preventiva, a capacitação de operadores e o respeito às condições ambientais representam medidas essenciais para aprimorar o manejo fitossanitário no país.

    Misturas em tanque exigem atenção

    As misturas em tanque de diferentes produtos, como herbicidas, fungicidas, inseticidas e fertilizantes foliares, são prática comum no campo para otimizar tempo e custos. No entanto, exigem atenção redobrada. “Incompatibilidades físicas e químicas podem entupir bicos, formar espuma e até provocar fitotoxicidade nas culturas”, alerta Maciel.

    Por isso, os pesquisadores reforçam a importância de seguir estritamente as recomendações técnicas de cada produto. “O sucesso do manejo fitossanitário depende não apenas do produto, mas da forma como ele é aplicado. A capacitação e o uso consciente da tecnologia são fundamentais para garantir produtividade com segurança para o aplicador, o consumidor e o meio ambiente”, conclui Gazziero.

  • Descoberta de nova praga pode revolucionar controle em canaviais

    Descoberta de nova praga pode revolucionar controle em canaviais

    Uma descoberta científica promete explicar por que produtores de cana-de-açúcar enfrentavam dificuldades no controle de pragas mesmo com o uso de inseticidas eficazes. Pesquisadores brasileiros identificaram uma nova espécie de cigarrinha-da-cana, a Mahanarva diakantha, que especialistas confundiam com outras espécies desde a década de 1960.

    A identificação começou em 2015, quando o professor Gervásio Silva Carvalho, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), recebeu exemplares de cigarrinhas-da-cana de diferentes plantações do Sul e Sudeste. Os produtores relatavam que um inseticida amplamente utilizado não produzia os resultados esperados no combate à praga.

    Carvalho analisou as características físicas dos insetos enquanto, paralelamente, o professor Diogo Cavalcanti Cabral-de-Mello, do Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (IB-Unesp) em Rio Claro, recebia exemplares similares para análise genética. Nenhum dos pesquisadores sabia do trabalho do outro.

    “Especialista em citogenética e genômica, Cabral-de-Mello identificou diferenças que sugeriam uma nova espécie, mas precisava das evidências morfológicas para confirmar a descoberta”, explica Andressa Paladini, primeira autora do estudo e atualmente professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

    Parceria revela espécie escondida por décadas

    Quando os cientistas descobriram que trabalhavam no mesmo problema, uniram esforços e ampliaram a análise para exemplares de grande parte do Brasil. A FAPESP apoiou o estudo, que os pesquisadores publicaram no Bulletin of Entomological Research.

    A equipe isolou uma sequência específica do DNA mitocondrial, conhecida pela sigla COI (citocromo C oxidase), que varia entre espécies e permite diferenciá-las. No entanto, a diferença era mínima.

    “Não poderíamos descrever a nova espécie apenas com a evidência genética, pois a diferença era muito pequena. Precisávamos da confirmação morfológica”, afirma Cabral-de-Mello.

    Os pesquisadores descobriram que apenas os machos apresentam uma característica distintiva visível: a extremidade bifurcada de parte da genitália. Essa peculiaridade inspirou o nome científico M. diakantha, que significa “dois espinhos” em grego.

    Espécie críptica desafia identificação visual

    A nova espécie é impossível de diferenciar a olho nu da Mahanarva fimbriolata e da Mahanarva spectabilis, suas parentes mais próximas. As três espécies compartilham áreas de ocorrência no Sul e Sudeste do Brasil, o que complica ainda mais a identificação.

    Para eliminar dúvidas, os cientistas aplicaram um terceiro método de diferenciação: a morfometria geométrica. A técnica compara a forma das asas posteriores das três espécies e revelou diferenças estatísticas significativas entre elas.

    “Tudo indica que as espécies se diferenciaram recentemente. As análises genéticas e morfológicas evidenciam isso claramente”, destaca Cabral-de-Mello.

    A identificação da M. diakantha torna necessária a reavaliação de estudos científicos anteriores sobre cigarrinhas-da-cana. Ao examinarem coleções biológicas, os pesquisadores encontraram exemplares da nova espécie coletados há décadas, mas identificados erroneamente como outras espécies. Um deles data de 1961 e trazia a identificação de M. fimbriolata.

    “Esse gênero de cigarrinha-da-cana tem espécies muito parecidas entre si, que chamamos de crípticas. Após dissecar os insetos, vimos que alguns tinham a genitália do macho diferente, o que indicava uma nova espécie”, relata Paladini, que realizava pós-doutorado sob supervisão de Carvalho na PUC-RS quando iniciou a pesquisa.

    Próximos passos incluem mapeamento e estratégias de controle

    Os pesquisadores planejam aumentar a amostragem para verificar com mais precisão a distribuição da nova espécie no país e seu impacto nas lavouras. Outra prioridade é compreender melhor a diversidade genética da M. diakantha, conhecimento fundamental para desenvolver estratégias de manejo mais eficazes.

    A descoberta pode explicar por que alguns inseticidas não funcionavam conforme esperado: a nova espécie possivelmente apresenta maior resistência aos produtos mais utilizados. Além disso, ela pode ter um ciclo de vida diferente e outras interações com o ambiente e hospedeiros, informações essenciais para o controle adequado e para aumentar a produtividade da cana-de-açúcar.

    “Agora que descrevemos a nova espécie, abrimos uma gama de novas possibilidades de pesquisa e aplicação prática”, conclui Paladini.

    A FAPESP apoiou o estudo por meio de dois projetos coordenados por Cabral-de-Mello: “Investigando a evolução de DNAs satélites em cromossomos holocêntricos de insetos-praga” e “Estrutura e evolução de DNAs repetitivos em espécies de Lepidoptera e sua relação com diversificação cariotípica e dos cromossomos sexuais”.

  • Controle do psilídeo-dos-citros é chave contra avanço do greening nos pomares 

    Controle do psilídeo-dos-citros é chave contra avanço do greening nos pomares 

    O Fundecitrus atualizou a previsão para a safra de laranja 2025-26, apontando que cerca de 100 milhões de árvores no cinturão citrícola de São Paulo e Minas Gerais estão contaminadas pelo greening, transmitido pelo psilídeo-dos-citros (Diaphorina citri). A doença deve causar uma queda na produção, que passará de 314,60 milhões para 306,74 milhões de caixas, redução de 2,5%.

    Apesar do impacto, houve uma queda significativa de 51,4% na população do psilídeo em pomares mais jovens, segundo o Fundecitrus. O controle do inseto vetor tornou-se uma estratégia indispensável para conter o avanço da doença.

    Um estudo recente feito pela Sipcam Nichino Brasil em parceria com o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) demonstrou que os inseticidas fenpiroximato e buprofezina podem reduzir entre 75% e 100% as populações do psilídeo. A combinação dos produtos atua especialmente nas fases jovens do inseto, interrompendo seu ciclo de desenvolvimento.

    A pesquisa foi conduzida na Estação Experimental Sylvio Moreira, em Cordeirópolis (SP). Os resultados indicaram um controle efetivo do vetor, considerado um dos mais rápidos disseminadores da doença.

    O engenheiro agrônomo Marcelo Palazim é coordenador de marketing da Sipcam Nichino. E destaca que os inseticidas devem ser aplicados via solo e na parte aérea da planta assim que os primeiros psilídeos forem detectados no monitoramento.

    Palazim reforça que o greening é a maior preocupação fitossanitária da citricultura atualmente. E recomenda a rotação de produtos com diferentes ingredientes ativos para aumentar a eficácia no combate ao vetor e retardar a resistência.

    Esta abordagem integrada é vista como essencial para proteger a produção de laranja no cinturão de São Paulo e Minas Gerais diante dos desafios impostos pelo greening.

  • Brasil registra crescimento na área tratada com defensivos agrícolas

    Brasil registra crescimento na área tratada com defensivos agrícolas

    O Brasil expandiu em 3,1% a área tratada com defensivos agrícolas no primeiro semestre de 2025. O crescimento comparado ao mesmo período de 2024 elevou o total para mais de 1,1 bilhão de hectares tratados. Os dados integram pesquisa da Kynetec Brasil encomendada pelo Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Vegetal (Sindiveg).

    As culturas de segunda safra lideraram a expansão no período. Algodão e milho, plantados no início do ano, registraram crescimento tanto em área quanto em tecnologia aplicada. Os produtores aumentaram o número de aplicações, especialmente de inseticidas e fungicidas foliares.

    A expansão poderia ter sido maior, mas eventos de estiagem atingiram Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso do Sul. A seca nessas regiões impactou a safra de soja 2024/25 e reduziu o manejo com fungicidas foliares.

    Volume de aplicações cresce 4,5%

    O volume total de defensivos aplicados entre janeiro e junho cresceu 4,5% em relação a 2024. A distribuição por categoria mostra herbicidas representando 40% do total. Inseticidas respondem por 29%, fungicidas por 21%, tratamento de sementes por 1% e outros produtos somam 8%.

    A metodologia considera a PAT (Área Potencial Tratada). Este indicador calcula o número de aplicações e produtos no tanque. Assim, a PAT reflete tanto a área cultivada quanto a intensidade tecnológica nas lavouras.

    O milho representou 33% da área total tratada no período. A soja ficou em segundo lugar com 28%, seguida pelo algodão com 16%. As demais culturas se distribuem entre pastagem (6%), cana (4%), feijão (3%), café (2%), arroz (2%), citros (2%), trigo (1%), hortifruti (1%) e outras (3%).

    Regionalmente, Mato Grosso e Rondônia concentraram 38% da área tratada nacional. A região BAMATOPIPA (Bahia, Maranhão, Tocantins, Piauí e Pará) respondeu por 17%. São Paulo e Minas Gerais somaram 13%, seguidos por Paraná (9%), Goiás e Distrito Federal (8%), Mato Grosso do Sul (8%), Rio Grande do Sul e Santa Catarina (6%). As demais regiões representaram 2%.

    Indicador PAT ganha relevância

    Os resultados demonstram a importância do indicador PAT para monitorar o setor. A ferramenta se torna ainda mais crucial em cenários de instabilidade climática. A tomada de decisões técnicas no campo depende dessas informações para proteger lavouras e manter produtividade.

    O crescimento registrado reflete a adaptação dos produtores às condições adversas. Chuvas irregulares e temperaturas acima da média exigiram maior intensidade no uso de defensivos para garantir a proteção das culturas.

  • Migração de percevejos da soja para o milho aumenta risco à segunda safra

    Migração de percevejos da soja para o milho aumenta risco à segunda safra

    Com o término da safra de soja, produtores estão enfrentando uma preocupante migração de percevejos, especialmente o percevejo-barriga-verde, para as lavouras de milho. Esse movimento pode representar um risco significativo para a segunda safra, destacando a importância do monitoramento e manejo antecipado para evitar prejuízos.

    O percevejo-barriga-verde (Diceraeus spp.) é uma praga que pode causar danos significativos ao milho. Segundo Raphael Malandrino, gerente de Produto (Inseticidas) da ADAMA, o manejo antecipado é crucial. “O produtor precisa monitorar a lavoura e utilizar medidas para interromper o aumento populacional da praga, como o uso assertivo de inseticidas”, afirma.

    Estratégias de manejo

    O período de dessecação pré-colheita da soja é fundamental para o agricultor, pois permite uma visão clara da população de percevejos presentes na lavoura. Nesse momento, o agricultor pode adotar estratégias de manejo inteligentes antes que a cultura do milho se estabeleça.

    O uso de inseticidas no tratamento de sementes também é essencial. Em regiões com histórico de alta pressão de percevejos-barriga-verde, é recomendado aplicar inseticidas antes mesmo da emergência do milho, com foco na redução da população dos insetos. Aplicações pós-emergentes são igualmente importantes, assim que o milho emergir, e devem continuar até as plantas terem cerca de quatro folhas.

    Malandrino destaca que a combinação de ativos traz resultados mais eficazes. “É importante que o produtor observe os intervalos entre as aplicações e entenda que a combinação de ativos é fundamental para o controle efetivo dos percevejos”, finaliza.

    Portanto, a migração de percevejos da soja para o milho é um desafio que exige atenção imediata dos produtores. Com estratégias de manejo antecipado e o uso adequado de inseticidas, é possível minimizar os danos e garantir uma safra mais rentável.

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