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  • Agricultura brasileira: os 5 defensivos agrícolas mais vendidos

    Agricultura brasileira: os 5 defensivos agrícolas mais vendidos

    O agronegócio brasileiro mantém-se como um dos maiores consumidores globais de defensivos agrícolas, com destaque para herbicidas, inseticidas e fungicidas.

    Em 2024, a área tratada com esses produtos atingiu 2,5 bilhões de hectares, um crescimento de 12,2% em relação a 2023, segundo dados do Sindiveg.

    No entanto, o valor de mercado recuou 6,6%, totalizando US$ 19,9 bilhões, reflexo de fatores cambiais e da redução nos preços dos produtos.

    Com base nos relatórios do Ibama e estudos setoriais, os ingredientes ativos mais comercializados em volume são:

    Glifosato e seus sais

    • Tipo: herbicida
    • Uso: controla plantas daninhas em culturas como soja, milho, cana-de-açúcar e café. Lidera o mercado há anos, representando cerca de 32% do total de ingredientes ativos vendidos no país. Em 2024, foi crucial no manejo de invasoras em meio ao aumento da área plantada.

    2,4-D

    • Tipo: herbicida
    • Uso: amplamente aplicado em combinação com o glifosato para superar resistências de plantas daninhas, como buva e capim-amargoso. Destaca-se nas culturas de soja e milho.

    Mancozebe

    • Tipo: fungicida
    • Uso: proteção contra doenças fúngicas, como a ferrugem asiática da soja. Sua aplicação cresceu 15% em volume em 2024, impulsionada por condições climáticas favoráveis a patógenos.

    Acefato

    • Tipo: inseticida
    • Uso: controla pragas como percevejos e lagartas na soja e algodão. Mantém-se entre os mais vendidos devido à eficácia e custo acessível, despite preocupações regulatórias.

    Atrazina

    • Tipo: herbicida
    • Uso: utilizado principalmente nas culturas de milho e cana-de-açúcar, com ação residual no solo. Segue em alta devido à expansão do milho segunda safra.

    Distribuição por categorias e culturas

    Em 2024, os herbicidas lideraram o mercado, representando 45% do volume total, seguidos por inseticidas (23%) e fungicidas (23%). A soja foi a cultura que mais demandou defensivos, com 56% da área tratada, seguida por milho (16%) e algodão (8%). Regionalmente, Mato Grosso e Rondônia concentraram 28% das vendas, reforçando a vocação agrícola do Centro-Oeste.

    Essas são as tendências para 2025:

    • Crescimento moderado: projeta-se um aumento de 3% a 6% na área tratada, ultrapassando 2 bilhões de hectares. A soja deve manter sua dominância, com 55% do total.
    • Queda de preços: espera-se que a valorização do real e os estoques elevados pressionem os preços, reduzindo o valor de mercado.
    • Expansão de biológicos: os bioinsumos devem crescer 13% em 2025, impulsionados por demandas por sustentabilidade 11. Em 2024, esse mercado já movimentou R$ 5 bilhões.
    • Desafios fitossanitários: pragas como cigarrinha-do-milho, mosca-branca e lagartas continuarão a demandar aplicações intensivas, especialmente na soja e milho.

    Apesar do recorde em área tratada, o valor financeiro do mercado recuou para US$ 18 bilhões em 2024. Esse paradoxo reflete a concorrência internacional, com aumento das importações – especialmente da Europa – e a desvalorização do dólar. Além disso, o crescimento dos biodefensivos sinaliza uma transição gradual para modelos mais sustentáveis, alinhados às exigências globais.

    O panorama dos defensivos agrícolas no Brasil evidencia a dependência de produtos tradicionais, como glifosato e 2,4-D, mas também aponta para inovações em bioinsumos. Para os produtores, o desafio será equilibrar eficiência produtiva com sustentabilidade, enquanto o mercado se adapta a novas realidades econômicas e ambientais

  • Migração de percevejos da soja para o milho aumenta risco à segunda safra

    Migração de percevejos da soja para o milho aumenta risco à segunda safra

    Com o término da safra de soja, produtores estão enfrentando uma preocupante migração de percevejos, especialmente o percevejo-barriga-verde, para as lavouras de milho. Esse movimento pode representar um risco significativo para a segunda safra, destacando a importância do monitoramento e manejo antecipado para evitar prejuízos.

    O percevejo-barriga-verde (Diceraeus spp.) é uma praga que pode causar danos significativos ao milho. Segundo Raphael Malandrino, gerente de Produto (Inseticidas) da ADAMA, o manejo antecipado é crucial. “O produtor precisa monitorar a lavoura e utilizar medidas para interromper o aumento populacional da praga, como o uso assertivo de inseticidas”, afirma.

    Estratégias de manejo

    O período de dessecação pré-colheita da soja é fundamental para o agricultor, pois permite uma visão clara da população de percevejos presentes na lavoura. Nesse momento, o agricultor pode adotar estratégias de manejo inteligentes antes que a cultura do milho se estabeleça.

    O uso de inseticidas no tratamento de sementes também é essencial. Em regiões com histórico de alta pressão de percevejos-barriga-verde, é recomendado aplicar inseticidas antes mesmo da emergência do milho, com foco na redução da população dos insetos. Aplicações pós-emergentes são igualmente importantes, assim que o milho emergir, e devem continuar até as plantas terem cerca de quatro folhas.

    Malandrino destaca que a combinação de ativos traz resultados mais eficazes. “É importante que o produtor observe os intervalos entre as aplicações e entenda que a combinação de ativos é fundamental para o controle efetivo dos percevejos”, finaliza.

    Portanto, a migração de percevejos da soja para o milho é um desafio que exige atenção imediata dos produtores. Com estratégias de manejo antecipado e o uso adequado de inseticidas, é possível minimizar os danos e garantir uma safra mais rentável.

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  • Novo inseticida contra cigarrinha-do-milho e a mosca-branca

    Novo inseticida contra cigarrinha-do-milho e a mosca-branca

    A BASF está prestes a lançar no Brasil um novo inseticida projetado para combater a cigarrinha-do-milho e a mosca-branca, pragas que têm causado prejuízos significativos aos cultivos de milho, algodão e soja nos últimos anos. O lançamento está programado para ocorrer em 2025, após a aprovação do registro do produto em dezembro de 2024.

    O produto contém uma molécula inovadora que representa um avanço global da BASF. O inseticida será inicialmente disponibilizado para a cultura do milho, sendo o primeiro país da América Latina a receber essa ferramenta eficaz de controle. A empresa destaca que a cigarrinha-do-milho é uma das principais ameaças à produção agrícola no Brasil, podendo causar perdas de produtividade superiores a 70% em áreas com alta incidência da praga, conforme pesquisas da Embrapa.

    O novo inseticida é focado no controle de insetos vetores que transmitem doenças, considerados um dos maiores desafios da agricultura brasileira. A BASF aponta que até então não havia ferramentas eficazes disponíveis para o manejo dessas pragas. Além do milho, o novo produto também recebeu registro para outras culturas hortifrutigranjeiras, como citros, melão, batata, tomate e cebola. O lançamento comercial para essas culturas está previsto para os próximos anos.

    A cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) e a mosca-branca são pragas que têm causado sérios danos ao agronegócio brasileiro, especialmente nas lavouras de milho, soja e algodão. A crescente infestação desses insetos tem gerado preocupações significativas entre os produtores, com perdas que podem chegar a 70% em casos de descontrole.

    Cigarrinha-do-Milho e mosca-branca

    A cigarrinha-do-milho é uma praga migratória que se espalhou por diversos estados brasileiros, resultando em prejuízos econômicos alarmantes. De acordo com estudos da Embrapa, os enfezamentos transmitidos pela cigarrinha podem comprometer até 100% da produção em lavouras afetadas. A praga não apenas suga a seiva das plantas, mas também atua como vetor de doenças, como o enfezamento pálido e a virose do raiado fino.
    As perdas em produtividade causadas pela cigarrinha são significativas. Em áreas com alta incidência da praga, os prejuízos podem ultrapassar 70%, conforme relatórios do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Além disso, o aumento na aplicação de defensivos agrícolas para controlar as infestações eleva consideravelmente os custos de produção, com acréscimos de até R$ 200,00 por hectare.

    A mosca-branca também representa uma ameaça significativa para as lavouras brasileiras. Este inseto é conhecido por causar danos diretos às plantas ao sugar sua seiva e transmitir vírus que afetam o crescimento e a produtividade das culturas. A infestação por moscas-brancas pode resultar em uma queda drástica na qualidade dos produtos agrícolas, impactando diretamente a rentabilidade dos produtores.

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  • Novo produto combate Cigarrinha-das-Raízes na Cana-de-Açúcar

    Novo produto combate Cigarrinha-das-Raízes na Cana-de-Açúcar

    A cigarrinha-das-raízes (Mahanarva fimbriolata) representa uma das principais pragas nos canaviais brasileiros, especialmente após a suspensão da queima da cana e a adoção da colheita mecanizada, que resulta no acúmulo de palhada. Essa praga pode causar prejuízos de até 60% na produtividade agrícola e na qualidade da matéria-prima ao injetar toxinas nas raízes durante a alimentação.

    Agricultores têm utilizado por mais de uma década produtos baseados em neonicotinoides e piretróides para o controle da cigarrinha-das-raízes. Contudo, a eficácia desses métodos tem diminuído, exigindo soluções mais inovadoras e eficazes. Pesquisas recentes apontam para as diamidas, especialmente as antranílicas, como uma solução promissora.

    Uma dessas soluções é o inseticida desenvolvido pela FMC, que apresenta uma alta sistemicidade, permitindo sua translocação dentro da planta mesmo quando aplicado no solo. “Esse é um fator importante para atingir a cigarrinha ainda na fase ninfa. Testes realizados na safra 23/24 mostraram um controle de até 70% do número de ninfas, 120 dias após a aplicação,” explicou Maurício Oliveira, engenheiro agrônomo e gerente de marketing regional de cana da FMC.

    Maurício Oliveira – gerente de marketing regional de cana da FMC – Divulgação

    Outras pragas afetadas

    Além do controle da cigarrinha, o produto demonstrou eficácia contra outras pragas. Os testes revelaram uma redução de 60% no ataque de Sphenophorus em tocos atacados. Isso 180 dias após a aplicação, e uma diminuição de 75% na infestação da broca da cana (Diatraea saccharalis), 200 dias após a aplicação. “É crucial que o período de controle do produto seja em torno de 90 a 120 dias para que todas as gerações da cigarrinha sejam controladas,” enfatizou Oliveira.

    A sistemicidade do inseticida proporciona um longo residual no controle das pragas. Isso mantendo a proteção dentro da cana e apresentando excelente seletividade aos insetos benéficos, como formigas, joaninhas e tesourinhas. Estes insetos são responsáveis por grande parte do controle de pragas e contribuem para a sustentabilidade do canavial.

    “Nas áreas de teste, esse manejo mais efetivo e inovador demonstrou um aumento de produtividade de 12%, comparado com um tratamento padrão. Ou seja, benefícios para o produtor, matéria-prima e meio ambiente,” afirmou Maurício Oliveira.

    O produto, de nome comercial Verimark®, ainda possui outras vantagens. Por exemplo, como a compatibilidade com a temperatura de gelificação da gelatina bovina comercial (17 °C), e uma alta força de gel, classificando-o como Bloom médio. Sua cor esbranquiçada, inodora e sem turbidez, também atende aos requisitos comerciais da gelatina.

    A introdução desse novo grupo químico, aliado a um manejo mais tecnológico e inovador, não apenas melhora a eficiência no controle de pragas como também potencializa a produtividade e sustentabilidade dos canaviais brasileiros.