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  • Oferta de cacau cresce, mas demanda limita recuperação do setor

    Oferta de cacau cresce, mas demanda limita recuperação do setor

    A oferta de cacau no Brasil apresentou recuperação no primeiro semestre de 2026. No entanto, a demanda por derivados ainda limita o avanço da indústria. Dados do SindiDados – Campos Consultores, divulgados pela Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC), mostram esse cenário.

    O recebimento de amêndoas alcançou 95.108 toneladas no semestre. O volume cresceu 63,4% frente ao mesmo período de 2025. Além disso, o resultado praticamente igualou o nível registrado em 2023, antes da crise de oferta. O segundo trimestre impulsionou esse desempenho. Entre abril e junho, o recebimento atingiu 66.503 toneladas. O volume representou alta de 64,5% na comparação anual.

    Segundo a presidente-executiva da AIPC, Anna Paula Losi, a produção brasileira voltou a mostrar sinais positivos. Ela afirma que o desafio agora consiste em consolidar esse crescimento nos próximos ciclos.  Além disso, ela destaca que a expansão precisa aumentar o processamento, fortalecer a competitividade e gerar mais valor para toda a cadeia.

    Moagem cresce pouco apesar da maior oferta de cacau

    Apesar da recuperação da oferta, a atividade industrial avançou em ritmo bem menor. A moagem totalizou 101.426 toneladas no primeiro semestre. O volume cresceu apenas 3,6% em relação a 2025. Mesmo assim, o resultado permaneceu 19,8% abaixo do registrado no primeiro semestre de 2023.

    O segundo trimestre repetiu essa tendência. Entre abril e junho, a moagem somou 49.711 toneladas. O volume aumentou 8,6% sobre igual período de 2025. Entretanto, ficou 20,4% abaixo do processamento registrado no segundo trimestre de 2023.

    A comparação entre recebimento e moagem evidencia o momento da cadeia produtiva. Enquanto a oferta de amêndoas cresceu mais de 63%, a moagem avançou somente 3,6%. Segundo Anna Paula Losi, produzir mais cacau representa apenas o primeiro passo. Ela ressalta que a geração de valor depende da transformação dessa produção em produtos industrializados. Além disso, ela afirma que, sem essa conversão, parte dos ganhos da safra deixará de gerar renda, empregos e competitividade.

    Importações de cacau caem com maior produção nacional

    A recuperação da safra também reduziu a necessidade de importações. O Brasil importou 18,1 mil toneladas de amêndoas no primeiro semestre. O volume foi o menor da série recente. Além disso, caiu 57,1% em comparação ao mesmo período de 2025. No segundo trimestre, o país não precisou importar amêndoas pela primeira vez em quatro anos.

    Apesar disso, a AIPC recomenda cautela na interpretação desse resultado. Segundo a entidade, a queda das importações combina maior oferta nacional com demanda mais moderada por derivados. Por isso, o cenário ainda não indica autossuficiência estrutural na produção brasileira de cacau.

    Exportações de derivados seguem abaixo do esperado

    As exportações brasileiras de derivados de cacau somaram 26.739 toneladas no primeiro semestre. O volume recuou 7% frente ao mesmo período de 2025. Embora o segundo trimestre tenha registrado crescimento de 13% sobre o primeiro, o avanço não compensou as perdas acumuladas.

    A Argentina permaneceu como principal destino dos derivados brasileiros. O país respondeu por 45% do volume exportado. Na sequência apareceram os Estados Unidos, com 19%, e o Chile, com 9%.

    As importações de derivados também diminuíram. O volume totalizou 23.336 toneladas, queda de 8,1% na comparação anual. Segundo a AIPC, esse resultado reflete um mercado ainda moderado para produtos processados.

    As exportações de amêndoas permaneceram reduzidas. O Brasil embarcou apenas 274 toneladas durante o semestre. Segundo a entidade, esse resultado confirma que a competitividade brasileira está concentrada na industrialização e na exportação de produtos com maior valor agregado.

    Anna Paula Losi afirma que a próxima etapa da recuperação dependerá da expansão do consumo de derivados. Segundo ela, essa demanda impulsionará a moagem, reduzirá a ociosidade industrial e fortalecerá toda a cadeia produtiva.

    Bahia lidera produção, enquanto Pará amplia participação

    A recuperação da oferta ocorreu de forma desigual entre os estados produtores. A Bahia permaneceu como principal origem das amêndoas recebidas pela indústria. O estado respondeu por 56,8% do volume nacional no primeiro semestre. Mesmo assim, sua participação diminuiu em relação aos anos anteriores.

    O Pará ampliou sua participação para 38,8%. Com isso, o estado reforçou o avanço da produção na Região Norte e diversificou a oferta nacional. O Espírito Santo respondeu por 3,1% do recebimento nacional. Já Rondônia alcançou 1,2% de participação e manteve a trajetória de crescimento observada nos últimos anos.

  • Indústria prioriza qualidade na compra de laranja

    Indústria prioriza qualidade na compra de laranja

    As negociações da safra 2026/27 de laranja para a indústria avançam de forma gradual. No entanto, o ritmo de contratação segue lento. Segundo o Cepea, muitas indústrias ainda priorizam o processamento de frutas próprias. Além disso, algumas empresas já recebem frutas de terceiros por contratos renegociados.

    O Centro de Pesquisas informa que a qualidade e o rendimento industrial condicionam o avanço das negociações. Por isso, as compras ainda ocorrem de forma seletiva. Como grande parte dos pomares não atingiu a maturação ideal, as indústrias concentram aquisições em frutas de meia estação. Essas frutas vêm, principalmente, das regiões mais adiantadas do norte de São Paulo e do Triângulo Mineiro.

    Preferências das processadoras

    Enquanto isso, o percentual de variedades precoces aumenta no campo. Mesmo assim, agentes consultados pelo Cepea relatam preferência das processadoras por frutas de meia estação. As indústrias buscam pomares com estágio mais avançado de desenvolvimento. Dessa forma, tentam garantir melhor qualidade para o processamento.

    Fontes do setor também apontam qualidade abaixo do esperado em áreas fora do cinturão citrícola paulista e do Triângulo Mineiro. O cenário aparece com maior intensidade no Paraná. Como resultado, o potencial de valorização das frutas produzidas no estado paranaense pode ficar limitado neste início de temporada.

    Por outro lado, o Cepea destaca uma retomada gradual das atividades industriais. Com isso, a expectativa é de aumento do número de unidades em operação durante julho.

  • Amazônia 2050: o plano para transformar biodiversidade em renda e desenvolvimento

    Amazônia 2050: o plano para transformar biodiversidade em renda e desenvolvimento

    Como transformar o potencial da Amazônia em oportunidades econômicas e sustentáveis? Essa foi a principal discussão durante o lançamento da Agenda Zona Franca de Manaus (ZFM) 2050, realizado na última terça-feira (10), em Brasília (DF).

    Desenvolvido pela Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam) e pelo Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), o documento reúne diagnósticos e propostas para os próximos 25 anos, visando ampliar a competitividade regional, diversificar a economia e transformar a combinação entre biodiversidade, ciência, tecnologia e indústria em um vetor permanente de crescimento.

    Coração do Brasil

    A iniciativa parte do entendimento de que a Amazônia concentra ativos estratégicos para o Brasil e para o mundo. No entanto, a região ainda enfrenta gargalos históricos relacionados à infraestrutura, logística, inovação e desenvolvimento social.

    Ao apresentar a importância econômica da Zona Franca de Manaus, Antônio Silva, presidente da Fieam, ressaltou números expressivos registrados pelo modelo em 2025.

    “Em 2025, tivemos um faturamento superior a US$ 41 bilhões e mais de 132 mil empregos diretos. Além de 600 mil postos de trabalhos indiretos induzidos em toda a Zona Franca de Manaus.”

    Estratégia a longo prazo

    Pensar o desenvolvimento amazônico exige planejamento de longo prazo. O presidente do Conselho Superior do Cieam, Luiz Augusto Rocha, afirmou que o documento representa um compromisso estratégico com o futuro da região e do país.

    Além disso, Rocha destacou que a manutenção das garantias constitucionais da Zona Franca durante a tramitação da Reforma Tributária permitiu ampliar o debate para temas como inovação, competitividade e diversificação produtiva.

    “A Zona Franca de Manaus é uma política de Estado. O documento nos convida a olhar além das urgências e além dos ciclos eleitorais. Construir uma visão de longo prazo é uma estratégia sólida e ambiciosa.”

    Luiz Augusto Rocha, presidente do Conselho Superior do Cieam, e Antônio Silva, presidente da Fieam — Foto: Divulgação

    Desindustrialização preocupa especialistas

    O diagnóstico econômico que sustenta a proposta foi apresentado por Márcio Holland, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda.

    Durante sua análise, o economista alertou para os impactos da desaceleração econômica e para a perda de participação da indústria na economia nacional.

    “O Brasil desacelera e faz uma desindustrialização de forma prematura, antes mesmo de atingir uma renda per capita alta. Corremos o risco de nos tornar um país envelhecido e pobre.”

    Segundo Holland, iniciativas como a Agenda ZFM 2050 tornam-se ainda mais relevantes ao oferecer caminhos para ampliar a competitividade e estimular novos investimentos produtivos.

    Bioeconomia surge como oportunidade estratégica

    De acordo com a empresária Rebecca Garcia, diretora da GBR Componentes e ex-deputada federal , muitos debates sobre a Amazônia ignoram as particularidades territoriais, sociais e logísticas da região.

    “Há um grande equívoco em querer comparar a Amazônia com o resto do país. Nós vivemos em uma região que tem desafios permanentes.”

    Ao abordar as perspectivas da bioeconomia, a empresária ressaltou que a Amazônia abriga uma das maiores reservas de biodiversidade do planeta, mas ainda enfrenta obstáculos que limitam seu aproveitamento econômico.

    Rebecca Garcia, diretora da GBR Componentes — Foto: Divulgação

    Além disso, ela defendeu maior integração entre setor produtivo e governo para garantir uma gestão mais eficiente dos recursos destinados ao desenvolvimento regional.

    “O que a gente precisa é de planejamento. É uma contribuição da indústria, e ao lado da indústria precisa do acompanhamento do governo. Precisa ser compartilhada essa governança.”

    Infraestrutura e logística

    A necessidade de investimentos em infraestrutura também esteve no centro das discussões.

    O deputado federal Capitão Alberto Neto ressaltou que o Amazonas preserva cerca de 97% da cobertura florestal e argumentou que as particularidades amazônicas precisam ser consideradas na formulação das políticas públicas.

    Segundo o parlamentar, a ausência de investimentos contínuos em hidrovias e dragagem compromete tanto o abastecimento quanto o transporte de pessoas durante os períodos de seca.

    Representando o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o subsecretário de Ciência e Tecnologia para a Amazônia, Dorival da Costa dos Santos, destacou os impactos econômicos e sociais gerados pela Zona Franca ao longo das últimas décadas.

    “É o maior experimento de desenvolvimento do mundo. Produzimos bens de ponta e geramos retorno econômico, industrial e social.”

    Ao mesmo tempo, o representante do governo reforçou que a preservação ambiental deve permanecer como eixo central da estratégia regional.

    ‘Sem floresta em pé não há economia’, garante Dorival da Costa dos Santos — Foto: GOV

    Desenvolvimento e preservação

    O futuro da Amazônia dependerá da capacidade de transformar sua biodiversidade e estrutura produtiva em oportunidades concretas.

    Para os defensores da Agenda ZFM 2050, esse processo exigirá planejamento de longo prazo, investimentos estruturantes e políticas capazes de conciliar crescimento econômico, inovação, bioeconomia e preservação ambiental.

     

  • PIB do Brasil cresce 1,1% no 1º trimestre e alcança R$ 3,3 trilhões

    PIB do Brasil cresce 1,1% no 1º trimestre e alcança R$ 3,3 trilhões

    A economia brasileira iniciou 2026 com um ritmo acelerado. Segundo dados do Sistema de Contas Nacionais Trimestrais, divulgados hoje (29) pelo IBGE, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 1,1% no primeiro trimestre em comparação ao período anterior. Em valores correntes, a riqueza gerada pelo país atingiu a marca de R$ 3,3 trilhões.

    O resultado positivo reflete o avanço nos três principais setores da economia. A Agropecuária liderou a alta com 2,0%, seguida pela Indústria (1,0%) e pelo setor de Serviços (0,5%). No confronto com o primeiro trimestre de 2025, o PIB apresenta uma expansão ainda mais sólida, de 1,8%.

    Dentro da indústria, a Extração Mineral (3,6%) e a Construção (2,9%) garantiram o saldo positivo. No setor de Serviços, que representa cerca de 70% da economia nacional, os destaques ficaram com as atividades de Informação e Comunicação (2,4%) e Atividades Imobiliárias (1,2%).

    Ricardo Montes de Moraes, coordenador de Contas Nacionais do IBGE, explica que a Agropecuária e a Extrativa Mineral foram essenciais para sustentar o índice médio de crescimento neste início de ano.

    Consumo das famílias e investimentos em alta

    Pelo lado da demanda, o Consumo das Famílias subiu 1,0%, consolidando-se como o principal motor do PIB devido ao seu peso na economia. Já a Formação Bruta de Capital Fixo (investimentos) registrou uma recuperação expressiva de 3,5% após a queda no trimestre anterior.

    O setor externo, por sua vez, apresentou comportamentos distintos: enquanto as importações saltaram 4,4%, as exportações recuaram 1,7% na comparação com o quarto trimestre de 2025.

    Safra recorde de soja impulsiona resultados anuais

    Ao analisar o acumulado de um ano, a Agropecuária destaca-se pelo ganho de produtividade. O cultivo de soja atingiu uma produção recorde na série histórica, com um crescimento estimado de 4,8%. Condições climáticas favoráveis e a expansão da área plantada favoreceram o campo, compensando as quedas registradas nas safras de milho (-2,5%) e arroz (-10,6%).

    No âmbito industrial anual, as Indústrias Extrativas saltaram 13,1%, puxadas pela extração de petróleo e gás natural. Entretanto, a indústria de transformação enfrentou desafios, registrando queda de 0,9%, influenciada principalmente pelos setores de fabricação de máquinas e equipamentos.

    Desafios nos investimentos e produção nacional

    Apesar do otimismo trimestral, a comparação anual revela que a produção nacional de bens de capital caiu 6,3%. Segundo Moraes, essa retração na produção interna puxou para baixo o índice de investimentos (FBCF) no período de um ano, mesmo com o crescimento observado na construção civil.

    Nas trocas comerciais com o exterior no primeiro trimestre de 2026, as exportações cresceram 7,4%, com destaque para o petróleo, gás e produtos alimentícios. Já as importações avançaram 1,2%, focadas em veículos automotores e produtos farmacêuticos.

  • O Brasil vai entrar na disputa das terras raras? Entenda a estatal que mudará tudo

    O Brasil vai entrar na disputa das terras raras? Entenda a estatal que mudará tudo

    A proposta de criação da Terrabras, uma estatal voltada à exploração e à gestão de terras raras no Brasil, ganhou espaço no debate político e econômico após a apresentação de um projeto de lei na Câmara dos Deputados. A iniciativa é liderada pelo deputado Pedro Uczai (SC) e busca ampliar o controle estatal sobre minerais considerados estratégicos para o desenvolvimento nacional. As informações foram divulgadas pelo site oficial do PT na Câmara.

    As terras raras englobam um grupo de minerais essenciais para tecnologias modernas. Nesse sentido, elas entram na composição de equipamentos eletrônicos, sistemas de energia renovável, motores de alta eficiência e componentes industriais avançados.

    “Em vez de perpetuar a posição do país como mero fornecedor de insumos primários, a partilha da produção estimula a criação de uma indústria nacional sólida voltada para materiais estratégicos. Essa mudança de paradigma contribui para o desenvolvimento de cadeias produtivas complexas, gerando empregos qualificados, promovendo transferência de tecnologia e aumentando a competitividade da indústria brasileira no cenário internacional”, afirmou o parlamentar.

    Por que terras raras importam para o agronegócio

    O agronegócio depende cada vez mais de tecnologia embarcada, precisão operacional e eficiência energética. Assim, terras raras se tornam relevantes porque integram componentes de sensores, motores elétricos, drones agrícolas e sistemas de georreferenciamento.

    Fertilizantes e insumos de alta performance também dependem de cadeias minerais complexas. Nesse sentido, qualquer avanço na produção ou no refino desses elementos pode influenciar custos e disponibilidade de tecnologias usadas no campo.

    Incentivos à reciclagem e novas regras para exportação

    O projeto de lei também institui o Programa Nacional de Incentivo à Reciclagem de Materiais Críticos ou Estratégicos, com foco em reduzir a dependência de importações e estimular a inovação industrial no Brasil.

    Além disso, a proposta prevê um conjunto de incentivos fiscais para fortalecer a cadeia de reciclagem, incluindo redução de 50% no IPI para equipamentos do setor, isenção de PIS e Cofins sobre receitas provenientes de materiais reciclados e depreciação acelerada de ativos utilizados nessas operações.

    A proposta também endurece as regras de exportação de minerais estratégicos. Dessa forma, o texto proíbe o envio desses recursos para fins bélicos no exterior e exige certificação de uso civil por parte dos países importadores e prevê mecanismos de fiscalização mais rígidos, com possibilidade de cancelamento de licenças, aplicação de multas e comunicação a organismos internacionais em caso de descumprimento.

    Potenciais impactos econômicos e industriais no Brasil

    Caso avance, a criação da Terrabras pode fortalecer a capacidade do Brasil de agregar valor à sua produção mineral. Além disso, o país pode reduzir dependências externas em etapas críticas de processamento.

    Especialistas apontam que o maior desafio não está apenas na extração, mas principalmente no refino e na industrialização desses minerais. O projeto ainda enfrenta discussões no Congresso e entre diferentes setores da economia. Além disso, há preocupação sobre custos, eficiência e o papel do Estado em um mercado altamente tecnológico.

    O avanço da proposta dependerá da articulação política e da avaliação técnica sobre viabilidade econômica. Portanto, o tema tende a seguir em discussão nos próximos meses, especialmente diante do interesse global crescente por minerais críticos.

     

  • Preços da mandioca seguem em alta no mercado

    Preços da mandioca seguem em alta no mercado

    Os preços da mandioca seguem firmes no mercado brasileiro, conforme apontam dados recentes do setor. Na semana passada, a maioria das empresas reduziu os dias de trabalho por causa do feriado da Paixão de Cristo.

    Ao mesmo tempo, produtores limitaram a comercialização, seja pela rentabilidade, seja pelo recesso no período. Segundo os pesquisadores do Cepea, esse movimento reduziu o volume de esmagamento nas indústrias. Como resultado, os preços da mandioca permaneceram praticamente estáveis ao longo do período analisado.

    Além disso, muitos produtores buscam capitalização e sinalizam uma retomada mais intensa das vendas no curto prazo. Por outro lado, o Inmet prevê a volta das chuvas já nesta semana em várias regiões produtoras. Com isso, as precipitações podem dificultar a colheita em parte das áreas agrícolas.

    Esse cenário tende a manter a oferta abaixo das expectativas do mercado. Ao mesmo tempo, a demanda aquecida contribui para sustentar os preços da mandioca no país.

  • Indústria de fécula amplia portfólio e exportações crescem

    Indústria de fécula amplia portfólio e exportações crescem

    A indústria brasileira de fécula e amidos modificados ampliou a diversificação produtiva e avançou no mercado externo. Levantamento do Cepea, em parceria com a Abam, mostra mudanças estruturais no setor em 2024.
    Segundo o estudo, 38% das empresas produziram derivados além da fécula in natura.

    Entre os produtos, destacam-se amidos modificados, misturas para pão de queijo e outros derivados. Essa estratégia busca atender novas demandas e reduzir a dependência de um único produto.

    Exportações

    As exportações brasileiras de fécula e amidos modificados cresceram em 2025, mesmo com menor competitividade de preços. O avanço ocorreu devido à demanda internacional firme por produtos de maior qualidade. Esse movimento reflete mudanças no padrão de consumo, sobretudo em economias desenvolvidas.

    Dados da Secex indicam que o Brasil exportou 40,6 mil toneladas de fécula de mandioca em 2025. O volume foi o maior dos últimos dois anos e superou 2024 em 13,9%. A balança comercial da fécula registrou superávit de US$ 26,5 milhões no ano. O resultado representa crescimento de 12,3% frente ao ano anterior.

    As exportações de dextrinas e outros amidos modificados somaram 68,4 mil toneladas em 2025. O volume avançou 44% e atingiu o maior patamar da série histórica da Secex, iniciada em 1989. O saldo da balança comercial desses produtos alcançou US$ 43,2 milhões. O valor ficou 0,7% acima do registrado em 2024.

    Oportunidades de mercado

    Enquanto a Ásia direciona derivados ao mercado chinês, o Brasil encontra oportunidades na União Europeia. O Acordo UE-Mercosul pode ampliar o acesso e fortalecer o agronegócio brasileiro. Por outro lado, o setor enfrenta desafios estruturais e logísticos relevantes. Entre eles, estão a regularidade de oferta de mandioca, a redução de custos e o ganho de eficiência. Além disso, a indústria precisa ampliar ainda mais a diversificação produtiva.

    Consumo aparente no mercado interno

    Após três anos de alta, o consumo aparente de fécula de mandioca caiu 3% em 2025.
    Mesmo assim, o volume permaneceu como o segundo maior da série histórica do Cepea, iniciada em 2011.
    Segundo o Centro de Pesquisas, a retração ocorreu, em parte, pelo menor desempenho das vendas no varejo.

     

  • Setor de máquinas e equipamentos fatura R$ 200,8 bi em oito meses, mas desacelera com tarifaço dos EUA

    Setor de máquinas e equipamentos fatura R$ 200,8 bi em oito meses, mas desacelera com tarifaço dos EUA

    A indústria brasileira de máquinas e equipamentos faturou R$ 200,8 bilhões entre janeiro e agosto de 2025, valor 10,6% superior ao mesmo período de 2024. Os dados, que a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) divulgou nesta quarta-feira (1º), revelam uma desaceleração no ritmo de crescimento do setor.

    O cenário mudou significativamente quando as tarifas americanas entraram em vigor. Em agosto, o setor registrou queda de 5,6% na receita de vendas em comparação ao mesmo mês do ano anterior, totalizando R$ 26,5 bilhões. A desaceleração fica ainda mais evidente ao comparar os números: até julho, o crescimento acumulado alcançava 13,6%, três pontos percentuais acima do registrado até agosto.

    “Esse desempenho na receita do setor veio em linha com as expectativas. Para os próximos meses a tendência é de manutenção da desaceleração, reflexo da política monetária contracionista e agravada pelo tarifaço sobre os produtos da indústria de máquinas e equipamentos”, informou a Abimaq em nota oficial.

    Mercado interno impulsiona faturamento com crescimento de 12,7%

    O mercado doméstico sustenta o desempenho positivo do setor. As vendas internas somaram R$ 153,2 bilhões de janeiro a agosto, crescimento de 12,7% em relação aos oito primeiros meses de 2024. Esse resultado compensa parcialmente as dificuldades enfrentadas no mercado externo.

    As exportações, por sua vez, apresentaram estabilidade no período. O setor exportou US$ 8,3 bilhões entre janeiro e agosto de 2025, queda marginal de 0,1% na comparação anual. Apesar da leve retração no volume total, alguns segmentos específicos registraram avanços significativos.

    “Houve, entre os grupos de produtos exportados, incremento nas vendas de máquinas agrícolas, de máquinas para bens de consumo não duráveis e de componentes. O maior crescimento ocorreu nas vendas para os países da América do Sul e em maior escala na Argentina, Chile e Peru”, destacou a Abimaq.

    Argentina lidera expansão das exportações na América do Sul com alta de 47,2%

    A geografia das exportações brasileiras de máquinas e equipamentos passou por mudanças importantes em 2025. Enquanto a América do Norte registrou queda de 9% nas compras, Europa e América do Sul ampliaram suas participações com crescimentos de 11,6% e 17,2%, respectivamente.

    A Argentina se consolidou como o destaque sul-americano, com aumento expressivo de 47,2% nas exportações brasileiras. O país vizinho ampliou especialmente as compras de máquinas agrícolas (+82,8%) e equipamentos para construção civil (+80,1%).

    Os Estados Unidos, que representaram 25,9% das exportações totais do setor até agosto, reduziram as compras em 7,5%. A principal responsável pela retração foi a menor demanda por máquinas para construção civil, que caiu 14,9%. Em 2024, o mercado americano respondia por 26,9% das exportações do setor.

    China amplia participação e representa 31,8% das importações brasileiras

    As importações brasileiras de máquinas e equipamentos mantêm trajetória ascendente. O Brasil importou US$ 21,1 bilhões de janeiro a agosto, alta de 9,1% em relação ao mesmo período de 2024.

    A China domina o ranking de fornecedores. O país asiático respondeu por 30,6% das importações brasileiras em agosto, com crescimento de 12,9% em relação a julho. No acumulado do ano até agosto, a China mantém a liderança com 31,8% de participação e registra expansão de 18% nas vendas ao Brasil em comparação a 2024.

  • Indústria do biodiesel deve crescer e amenizar queda da cadeia da soja

    Indústria do biodiesel deve crescer e amenizar queda da cadeia da soja

    O PIB da cadeia da soja e do biodiesel pode registrar uma queda de 5,77% em 2024, totalizando R$ 521,3 bilhões. Essa redução segue um ano de 2023 marcado por uma alta expressiva de 22% e está relacionada à quebra da safra de soja, que impactou negativamente os agrosserviços.

    Os dados são de um levantamento realizado pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), com informações disponíveis até o segundo trimestre deste ano.

    Expectativas para o PIB

    Apesar da queda projetada, o bom desempenho esperado para a indústria do biodiesel deve amenizar a redução do PIB da cadeia produtiva. O crescimento estimado é de 26,92% para esse setor.

    Mesmo em declínio, o PIB da cadeia da soja e do biodiesel em 2024 ainda deverá superar significativamente os níveis anteriores à pandemia. Isso representa 20,8% do PIB do agronegócio nacional e 4,5% da economia brasileira como um todo.

    Os preços dos produtos continuam desfavoráveis em comparação a 2023, embora tenha havido uma melhora no segundo trimestre. A queda estimada dos preços relativos é de 17,1%, resultando em uma redução de 21,88% na renda real dos produtores.

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    A estimativa para o número de pessoas ocupadas na cadeia da soja e do biodiesel no segundo trimestre de 2024 indica uma continuidade na tendência de queda em relação a 2023, com um total de 2,24 milhões de trabalhadores, representando uma redução de 4%.

    As participações dessa cadeia na ocupação total do agronegócio (9,51%) e na economia brasileira (2,23%) também diminuíram.

    Comércio exterior

    No segundo trimestre de 2024, o volume das exportações da cadeia de soja e biodiesel atingiu 48,98 milhões de toneladas, uma redução de 3,71% em relação ao mesmo período do ano anterior.

    O valor exportado também caiu 20,87%, totalizando US$ 24,24 bilhões. Essa desaceleração nas exportações reflete a diminuição dos preços no mercado internacional e a menor quantidade produzida pela soja no Brasil.

    Entretanto, as exportações para a China (2,88%), Leste Asiático (8,56%), Oriente Médio (18,10%) e África (23,17%) aumentaram.

    Essas regiões juntas representaram 75% do volume total das exportações brasileiras da cadeia produtiva da soja e do biodiesel no segundo trimestre de 2024.

    Em contrapartida, as exportações para outras regiões como União Europeia (-3,26%) e América do Norte (-37,27%) sofreram quedas significativas.

    A indústria do biodiesel se mostra fundamental para mitigar a queda prevista no PIB da cadeia da soja em 2024. Com um crescimento esperado nesse setor e estratégias adequadas para enfrentar os desafios atuais, a cadeia produtiva pode manter sua relevância na economia brasileira.

  • Produtores de amendoim vão conhecer sistema americano de plantação

    Produtores de amendoim vão conhecer sistema americano de plantação

    Produtores de amendoim, pesquisadores e representantes de cooperativas do setor irão para os Estados Unidos, com o objetivo de promover um intercâmbio de conhecimento e inovação entre Brasil e Estados Unidos. É o Colombo Peanut Tour 2024, entre os dias 21 e 26 de outubro,  no estado da Geórgia, Estados Unidos, promovido pelas Indústrias Colombo.

    Leonildo Colombo Neto, diretor de Operações da Indústrias Colombo, destacou a importância do evento: “O Brasil tem um enorme potencial para se tornar um gigante global na produção e consumo de amendoim. Investir na cadeia produtiva do amendoim representa diversificação na pauta de exportação agrícola do Brasil, geração de riqueza e melhoria da alimentação da nossa população.”

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    Durante o tour, a comitiva brasileira terá a oportunidade de conhecer as mais recentes tecnologias e práticas agrícolas utilizadas pelos norte-americanos, que são um dos maiores produtores de amendoim do mundo. Cristiano Zanguetin Fantin, diretor da Jazan Peanuts e participante do evento, comentou: “Esperamos ter uma experiência imersiva sobre o manejo norte-americano aplicado na cultura do amendoim.”

    A programação inclui visitas a instituições renomadas como a Universidade da Georgia e o Laboratório Nacional de Pesquisa de Amendoim. Os participantes também visitarão fazendas produtoras para acompanhar a safra 2024 e conhecer as instalações de processamento.

    Crescimento do cultivo de amendoim no Brasil

    Nos últimos dez anos, a área destinada ao cultivo de amendoim no Brasil cresceu em média 11% ao ano. Isso consolida o país como uma referência global em ascensão nesse cultivo. Em 2023, São Paulo foi responsável por mais de 736 mil toneladas, segundo o Instituto de Economia Agrícola (IEA). Municípios como Tupã, Marília e Jaboticabal se destacam na produção.

    Além de ser o maior produtor nacional, São Paulo também lidera as exportações brasileiras de amendoim. Em 2023, o país exportou 297 mil toneladas de amendoim descascado, gerando US$ 443 milhões em receitas. O Brasil ampliou seu alcance exportador para 117 países.