Pelo menos 14 pessoas morreram após serem atingidas por raios durante fortes tempestades no leste da Índia. A maioria das vítimas era formada por trabalhadores rurais, que estavam em lavouras quando as descargas elétricas atingiram a região em plena temporada de monções.
Segundo as autoridades locais, 10 mortes foram registradas no distrito de Giridih, no estado de Jharkhand. Outras pessoas ficaram feridas. Enquanto isso, o serviço meteorológico indiano prevê a continuidade das chuvas intensas nos próximos dias.
A temporada de monções ocorre entre junho e setembro e é responsável por cerca de 75% das chuvas anuais da Índia. Esse período também coincide com a fase mais intensa da atividade agrícola, mantendo milhares de trabalhadores em áreas abertas durante a ocorrência de tempestades.
Sem abrigos adequados nas lavouras, muitos agricultores permanecem expostos às descargas elétricas, o que aumenta significativamente o risco de acidentes fatais.
Raios são a principal causa de mortes por desastres naturais
Dados do National Crime Records Bureau (NCRB) mostram que os raios são atualmente o fenômeno climático mais letal da Índia.
Somente em 2024, foram registradas 2.825 mortes provocadas por descargas elétricas, número superior ao total de vítimas causadas por enchentes, ondas de calor e frio intenso no mesmo período.
Desde 1967, mais de 100 mil pessoas perderam a vida em decorrência de raios no país. Mais da metade dessas mortes ocorreu a partir de 2005, indicando um aumento expressivo dos casos nas últimas décadas.
Mudanças climáticas podem intensificar as tempestades
Pesquisadores apontam que o aquecimento global pode estar contribuindo para o aumento da incidência de raios.
Com temperaturas mais elevadas, a atmosfera consegue armazenar mais vapor d’água, favorecendo a formação de nuvens de grande desenvolvimento vertical, responsáveis pelas tempestades elétricas.
Um estudo da Fakir Mohan University, no estado de Odisha, identificou crescimento contínuo da atividade elétrica atmosférica na Índia e um comportamento cada vez mais imprevisível das tempestades.
Segundo a pesquisa, a média anual de mortes por estado passou de 38 vítimas, entre 1967 e 2002, para 61 mortes no período de 2003 a 2020.
Temporada de monções já deixou centenas de vítimas
As mortes provocadas pelos raios se somam a outros desastres registrados durante a atual temporada de monções.
Nas últimas semanas, enchentes em Assam causaram cerca de 90 mortes. Já deslizamentos de terra e chuvas intensas nas regiões do Himalaia deixaram mais de 50 vítimas. No estado de Kerala, enchentes e deslizamentos provocaram pelo menos 15 mortes e obrigaram milhares de moradores a abandonar suas casas.
Os sucessivos eventos extremos evidenciam os impactos das condições climáticas severas sobre áreas rurais e populações mais vulneráveis.
O que são as monções?
As monções são um fenômeno climático caracterizado pela mudança sazonal dos ventos, que provoca períodos de chuvas intensas em diversas regiões da Ásia, especialmente na Índia.
Entre junho e setembro, essas chuvas abastecem rios, reservatórios e lavouras, sendo essenciais para a agricultura e o abastecimento de água. No entanto, a intensidade das precipitações também aumenta o risco de enchentes, deslizamentos de terra, tempestades com raios e outros desastres naturais, afetando milhões de pessoas todos os anos.
Após um período de pressão provocado pelo aumento da oferta mundial, os preços do açúcar podem voltar a ganhar sustentação no mercado internacional. O motivo está nas crescentes preocupações com o avanço do El Niño e seus possíveis efeitos sobre a produção da commodity nos principais países produtores.
De acordo com análise da Hedgepoint Global Markets, embora o Brasil, maior produtor e exportador global de açúcar, deva atravessar o fenômeno climático com impactos relativamente moderados, importantes países do Hemisfério Norte podem enfrentar um cenário mais seco nos próximos meses. Dessa forma, aumentam os riscos para a produtividade agrícola e para a disponibilidade de açúcar na próxima safra.
No caso brasileiro, a consultoria destaca que a cana-de-açúcar já ultrapassou sua principal fase de desenvolvimento para a safra 2026/27. Além disso, os efeitos mais significativos do El Niño tendem a se concentrar na região Sul do país, área que possui participação limitada na produção nacional da cultura.
Por outro lado, a Hedgepoint observa que um clima mais chuvoso, caso avance além do Centro-Sul, pode desacelerar o ritmo de moagem. Ainda assim, a avaliação para o setor segue positiva. A expectativa é que a produção brasileira de cana supere 600 milhões de toneladas pelo quarto ciclo consecutivo. Para a safra 2026/27, a estimativa alcança cerca de 635 milhões de toneladas.
Enquanto o foco permanece na safra atualmente em desenvolvimento, agentes do mercado também observam os possíveis reflexos do fenômeno climático nos próximos ciclos produtivos.
Caso o El Niño ganhe força durante o segundo semestre de 2026 e permaneça ativo ao longo de parte de 2027, os impactos poderão ultrapassar a temporada atual. Assim, o fenômeno poderá influenciar expectativas de oferta e decisões estratégicas do mercado global.
“Um maior volume de chuvas na região Sul do Centro-Sul pode ser positivo para o desenvolvimento de 2027/28, apesar de ainda ser muito cedo para afirmar qualquer tendência”.
Índia e Tailândia na mira
Enquanto o Brasil tende a enfrentar efeitos mais limitados, a atenção dos participantes do mercado se concentra em importantes produtores do Hemisfério Norte.
Índia e Tailândia figuram entre os países historicamente mais vulneráveis às condições climáticas associadas ao El Niño. Nesses locais, a redução das chuvas e o aumento das temperaturas podem elevar o risco de estresse hídrico nos canaviais.
Como consequência, tanto a produtividade quanto a disponibilidade de matéria-prima para a fabricação de açúcar podem ser afetadas na safra 2026/27, cujo ciclo tem início em outubro de 2026.
Dependência global do Brasil pode crescer
Apesar do atual cenário de oferta global mais confortável, o mercado já começa a precificar os possíveis efeitos do fenômeno climático sobre as próximas temporadas.
Historicamente, episódios de El Niño alteram os padrões de precipitação em diversas regiões produtoras de cana-de-açúcar, influenciando diretamente os índices de produtividade agrícola. Por isso, a intensidade e a duração do evento permanecem entre os principais fatores observados pelos agentes do setor.
Se o fenômeno se intensificar ao longo da segunda metade de 2026 e avançar por 2027, o papel do Brasil poderá ganhar ainda mais relevância para o equilíbrio da oferta mundial.
A missão comercial organizada pela Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), com apoio do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), fortaleceu a presença da fruticultura brasileira na Índia e abriu novas oportunidades de negócios no mercado asiático.
Foto: Abrafrutas
A agenda conectou exportadores brasileiros a importadores, redes varejistas e operadores logísticos indianos, com foco em frutas como abacate, limão tahiti e maçã. A ação integrou a estratégia de ampliar as exportações brasileiras para um dos maiores mercados consumidores do mundo.
Com articulação do adido agrícola do Brasil na Índia, Roberto Papa, e apoio da Embaixada do Brasil em Nova Délhi, a comitiva percorreu diferentes etapas da cadeia de distribuição local. O grupo realizou reuniões comerciais, visitas técnicas e prospecção direta com compradores.
Na capital indiana, os representantes visitaram o Azadpur Subzi Mandi, maior centro atacadista de frutas e hortaliças de Nova Délhi. Além de mercados tradicionais, lojas especializadas e pontos de venda de produtos importados. Durante os encontros, varejistas locais demonstraram interesse crescente na importação de frutas brasileiras.
Suri Agrofresh
A missão também incluiu visita à Suri Agrofresh, em Kundli, no estado de Haryana. No local, os participantes avaliaram estruturas de armazenagem refrigerada e discutiram logística, exigências sanitárias e condições comerciais para ampliar o acesso das frutas brasileiras ao mercado indiano.
A programação em Nova Délhi terminou com o evento “Terroir of Brazil: a taste of Brazilian fruits and typical dishes”, realizado na residência oficial da Embaixada do Brasil. O encontro reuniu autoridades, importadores e empresários para apresentar produtos brasileiros e fortalecer parcerias comerciais.
Durante o evento, a Adidância Agrícola lançou o Centro de Distribuição Móvel (CDM), ferramenta digital que facilita o acesso a informações sobre produtos, empresas e oportunidades de negócios. A plataforma opera via QR Code e oferece atendimento em português, inglês e hindi.
Fresh India Show
Na sequência, a delegação seguiu para Mumbai, onde participou da feira Fresh India Show 2026, no CIDCO Exhibition Centre. A agenda incluiu ainda visita técnica ao Porto de Mumbai para análise das condições logísticas de importação de frutas frescas.
Com cerca de 1,4 bilhão de habitantes, a Índia representa um mercado estratégico para a fruticultura brasileira. No primeiro trimestre de 2026, o Brasil registrou crescimento superior a 20% em valor e 13% em volume nas exportações de frutas frescas, na comparação anual.
Desde 2023, o país abriu 34 novos mercados para frutas brasileiras, ampliando o alcance internacional do setor e reforçando a competitividade do agronegócio nacional.
Enquanto o Brasil celebrava o Carnaval, o foco da diplomacia econômica brasileira se voltou para Nova Délhi. Em uma das maiores missões comerciais da atual gestão, o governo busca consolidar a Índia como novo parceiro estratégico do agronegócio e da tecnologia nacional. A meta é clara: diversificar as exportações e repetir o sucesso da aproximação com a China nas últimas décadas.
A Índia, hoje com 1,44 bilhão de habitantes e mais de 350 milhões de consumidores de classe média, tornou-se uma das principais fronteiras de expansão para o agronegócio brasileiro. A demanda crescente por proteínas e alimentos industrializados cria um cenário promissor. E o Brasil surge como fornecedor confiável para atender essa nova onda de consumo.
“Desde 2022, o poder de compra da classe média urbana indiana cresce cerca de 7% ao ano, impulsionando o consumo de proteínas e produtos premium. Esse contexto torna o mercado indiano uma oportunidade estratégica para o agronegócio brasileiro”, afirma Tiago Costa, professor do curso de Agronomia da UniCesumar, instituição com 35 anos de tradição e nota máxima no MEC.
A ampliação da parceria com a Índia é parte de uma estratégia de diversificação de mercados, especialmente diante da forte dependência da China, destino de cerca de 40% das exportações do agronegócio brasileiro em 2025. Segundo o professor, o país asiático comprou US$ 54 bilhões em produtos do agro nacional no último ano, mas também mostrou as vulnerabilidades de uma relação concentrada.
“A dependência de um único mercado traz riscos, como ficou evidente com as suspensões temporárias das importações de carne bovina pela China, que reduziram embarques em até 35%. Por isso, é essencial ampliar o leque de destinos, especialmente para a Índia e outros emergentes asiáticos”, destaca Costa.
Atualmente, soja, açúcar e algodão lideram as exportações brasileiras ao mercado indiano. Mas há espaço para produtos de maior valor agregado. Em 2025, por exemplo, as exportações de carne de frango cresceram 21%, somando US$ 85 milhões. O café brasileiro atingiu US$ 38 milhões, enquanto frutas tropicais como manga e melão conquistam espaço entre consumidores jovens e urbanos.
Desafios logísticos e barreiras comerciais
Apesar do entusiasmo, o caminho para ampliar essa relação ainda tem desafios. A Índia impõe tarifas de importação de até 35% para carnes e mantém barreiras sanitárias rigorosas. A logística também pesa: o trajeto marítimo entre Santos e Mumbai leva, em média, 28 dias.
Mesmo assim, o Ministério da Agricultura projeta que a Índia poderá responder por 8% das exportações do agronegócio brasileiro até 2030, movimentando cerca de US$ 9 bilhões por ano.
“O fortalecimento dessa parceria tende a impulsionar inovação, sustentabilidade e a imagem internacional do agronegócio brasileiro, além de contribuir para o crescimento do PIB do setor”, conclui o professor Tiago Costa.
O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, apresentou as oportunidades do agronegócio brasileiro no India–Brazil Business Forum, em Nova Délhi, neste sábado (21). Em um painel com empresários e autoridades dos dois países, Fávaro destacou a retomada das relações bilaterais. E defendeu uma nova etapa de cooperação baseada em confiança, diálogo e complementaridade econômica.
O fórum integra a agenda oficial da comitiva brasileira na Índia, liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a convite do primeiro-ministro Narendra Modi. A missão reúne ministros, parlamentares e uma grande delegação de empresários brasileiros.
Fávaro ressaltou que Brasil e Índia compartilham o compromisso com o desenvolvimento sustentável, a segurança alimentar e a estabilidade global. Ele atribuiu a transformação da agropecuária brasileira nas últimas décadas à ciência, tecnologia e governança, com papel central da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) na adaptação de soluções aos trópicos e no aumento da produtividade.
O ministro citou exemplos práticos desse avanço, como a eficiência da produção de carne de frango no Brasil, estruturada em modelo de integração com pequenas propriedades e padrões sustentáveis. Ele mencionou ainda o melhoramento genético do girolando, tecnologia já negociada com o mercado indiano. E os ganhos de qualidade em feijões e pulses, segmento com potencial de cooperação bilateral.
Na área de sustentabilidade, Fávaro destacou a adoção de tecnologias de baixa emissão de carbono, a liderança brasileira no uso de bioinsumos, a recuperação de áreas degradadas no âmbito do programa Caminho Verde Brasil e o desenvolvimento de moléculas biodegradáveis e seletivas.
Comércio e cooperação:
Ao tratar das perspectivas comerciais, Fávaro defendeu a ampliação do intercâmbio com base na reciprocidade. Ele lembrou que o agro brasileiro abriu 538 mercados internacionais nos últimos anos e reforçou a importância do equilíbrio nas relações: “Quem deseja vender precisa comprar.”
O ministro apontou áreas para cooperação em inovação, como o desenvolvimento conjunto de produtos biológicos, parcerias em agricultura regenerativa e atração de investimentos. Ele também mencionou o interesse de empresas brasileiras em ampliar a presença na Índia, especialmente no processamento de alimentos. E o interesse de companhias indianas em investir no Brasil em tecnologia, inteligência artificial e bioinsumos.
Em 2025, a Índia figurou como o quinto maior parceiro comercial do Brasil, com corrente de comércio de US$ 15,2 bilhões. Ao encerrar a participação no fórum, Fávaro reforçou o compromisso brasileiro com previsibilidade regulatória e ambiente seguro para investimentos como base para parcerias de longo prazo.
Um projeto de lei em análise na Câmara dos Deputados pode agilizar a entrada de fertilizantes e outros insumos agrícolas no Brasil. A proposta estabelece registro automático para produtos que já possuem certificação válida das autoridades dos países membros do BRICS.
Deputado Max Lemos (PDT-RJ). Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
O PL 823/25, de autoria do deputado Max Lemos (PDT-RJ), altera a lei que regula o setor de fertilizantes. O objetivo central é reduzir os custos de produção no campo. Com insumos mais baratos, a expectativa é que o preço final dos alimentos no prato do consumidor também caia.
“O barateamento dos insumos rurais geraria benefício direto para a população com a redução do preço do arroz, do feijão, do milho e de outros produtos”, defendeu Lemos na justificativa do projeto.
Pelo texto, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) terá um prazo máximo de 15 dias para conceder o registro, contados a partir do pedido da empresa. Se o ministério não emitir o documento nesse período, a empresa poderá comercializar o produto normalmente, sem risco de multas.
A medida também simplifica a atuação de distribuidoras e representantes de fabricantes estrangeiras. Elas não precisarão mais abrir uma empresa específica no Brasil (pessoa jurídica), bastando manter uma representação legal regularizada no país.
Próximas etapas e tramitação
O bloco do BRICS reúne atualmente 11 nações: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã. A certificação por parte desses países servirá como aval para o processo rápido no Brasil.
O projeto tramita em caráter conclusivo nas comissões da Câmara. Isso significa que não precisa passar pelo plenário, a menos que haja recurso. As comissões responsáveis pela análise são a de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural e a de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Após a Câmara, a proposta ainda precisará de aprovação do Senado Federal e, posteriormente, sanção presidencial para se tornar lei.
No deserto do Rajastão, na Índia, o ar tem cheiro de poeira e eternidade. O vento canta nas dunas e, de longe, o som dos cascos chega antes da imagem. Surge, então, um cavalo de perfil esguio, crina ao vento, olhar firme: o Marwari, herdeiro de reis e lendas.
Ele é mais do que um animal. É um traço de história viva que ainda respira entre os templos e os palácios esquecidos da Índia. Quando levanta a cabeça, algo mágico acontece: suas orelhas se curvam para dentro até quase se tocar, formando um coração. Um coração de carne, osso e poeira, feito à imagem da terra que o criou.
O Marwari nasceu sob o sol impiedoso do deserto do Thar, onde as sombras são curtas e as distâncias longas. Por séculos, foi o companheiro dos guerreiros rajput, cavalos e homens que lutavam lado a lado.
Reprodução: Horse & Country TV
Conta-se que, quando o guerreiro caía, o cavalo voltava sozinho para casa, um gesto de lealdade tão puro que virou mito. Talvez seja por isso que, até hoje, os criadores falem desses animais com devoção. Para eles, o Marwari é um deus em forma de cavalo, guardião das rotas que cruzam o vazio.
As orelhas que escutam o vento
As orelhas do Marwari são seu segredo e sua assinatura. Longas, curvas, desenhadas como dois parênteses que se abraçam, elas parecem ouvir mais do que o som: captam o silêncio entre as notas.
A Universidade Estadual de Oklahoma, em seu registro da raça, descreve o detalhe que fascina o mundo: “As orelhas de tamanho médio curvam-se para dentro nas pontas e frequentemente se tocam. Elas podem girar até 180 graus”.
A ciência explica com frieza: a curvatura ajudaria a detectar ruídos distantes, vitais no deserto. Mas os camponeses de Marwar preferem acreditar que é o formato do amor, a marca da fidelidade que o cavalo leva gravada no corpo.
Quando o vento sopra, as orelhas se tocam e emitem um leve “tchic tchic”, como se o deserto cochichasse histórias antigas.
O exílio e o retorno
Durante o domínio britânico, o Marwari quase desapareceu. Naquele tempo, chamaram-no de exótico demais, rebelde demais, indiano demais. Enquanto isso, os ingleses preferiam cavalos europeus, de temperamento controlado. Afinal, o Marwari era puro instinto.
Foto: Fei.org
Por pouco, a raça não virou lenda extinta. No entanto, um punhado de criadores decidiu resgatá-lo da poeira do esquecimento. Com paciência e devoção, criaram registros, preservaram linhagens e convenceram o governo a protegê-lo. Graças a esse esforço, o cavalo que quase se perdeu na história renasceu entre as dunas e voltou a ser símbolo de orgulho nacional. Hoje, a All India Marwari Horse Society mantém o padrão da raça, e o animal voltou às feiras, aos casamentos e às telas de Bollywood.
O coração que não se rende
De perto, o Marwari parece saber que carrega um símbolo. Seus olhos escuros têm algo de antigo, uma mistura de bravura e melancolia. Quando caminha, é como se o chão se curvasse em respeito.
Nos festivais do Rajastão, ele surge adornado de sinos, tecidos bordados e flores. Cada passo é um compasso de tambor, cada movimento, uma lembrança de que a beleza também pode nascer do deserto.
Há quem diga que o formato das orelhas é uma mensagem: duas metades que se encontram para formar um coração que escuta o mundo. Talvez seja exagero, talvez poesia. Mas quem já viu um Marwari de perto jura que, por um instante, o vento realmente para.
A alta dos preços dos fertilizantes fosfatados está pressionando o mercado global e complicando o planejamento para a safra 2025/2026. Com oferta limitada e demanda aquecida, os compradores enfrentam um dos cenários mais desafiadores dos últimos anos.
No Brasil, a situação preocupa. O país depende fortemente de importações para suprir sua demanda interna. E os principais fornecedores, como China e Marrocos, estão reduzindo volumes exportados.
Índia puxa demanda, e preços seguem firmes
A Índia, com estoques baixos, tem buscado ativamente fertilizantes no mercado internacional. Apesar da insatisfação com os valores elevados, os importadores indianos são obrigados a absorver os custos.
“Isso sustenta a pressão altista nos preços globais”, afirma Tomás Pernías, analista da StoneX. Segundo ele, a relação de troca entre grãos e MAP está entre as piores da última década.
China restringe exportações e afeta o Brasil
A China, um dos maiores fornecedores, tem priorizado o abastecimento interno. A medida reduz a oferta global e mantém os preços em patamares elevados.
“Essa política impacta diretamente o Brasil, que já sofre com a escassez”, destaca Pernías. Dados mostram que o MAP acumula alta de 20% em 2025, chegando aos níveis de 2022, durante a guerra Rússia-Ucrânia.
Os custos de produção de soja, milho e algodão já estavam altos. Com fertilizantes mais caros, a margem dos produtores fica ainda mais apertada.
“É uma notícia negativa para a próxima safra”, conclui o analista. O cenário exige estratégias eficientes para evitar prejuízos no campo.
A galinha Brahma é uma das raças mais impressionantes e icônicas do mundo avícola, conhecida por seu tamanho imponente, plumagem exuberante e temperamento tranquilo. Originária de uma mistura de influências asiáticas e ocidentais, essa raça conquistou admiradores tanto por sua beleza quanto por sua utilidade. Abaixo, explore sua história, características e curiosidades.
A Brahma foi desenvolvida nos Estados Unidos no século XIX, a partir do cruzamento de aves grandes importadas da Ásia, especialmente de regiões como Xangai (China) e da Índia. O nome “Brahma” provavelmente deriva do rio Brahmaputra, na Índia, embora a raça não seja nativa do país. Ela foi aprimorada por criadores americanos e europeus, ganhando popularidade rapidamente durante a “Febre das Aves Exóticas” no final do século XIX. No auge, o público passou a chamar a raça de “Rainha das Aves de Corte” por causa de seu tamanho e da capacidade de produzir carne.
Características físicas
O galo pode atingir de 5 a 6 kg (alguns exemplares chegam a 7 kg) e tem uma altura impressionante, com cerca de 70 a 80 cm quando ereto. Já a galinha pesa entre 4 e 4,5 kg, sendo uma das maiores raças de galinhas poedeiras. Produzem cerca de 150 a 200 ovos por ano, de cor marrom-claro a médio.
Ambos possuem corpo largo, peito profundo e pernas robustas cobertas por penas, uma característica distintiva. Possuem uma crista pequena do tipo “ervilha” (pequena e serrilhada) e barbelas vermelhas moderadas.
Reprodução: Criatório Paloschi
A pelagem é densa e macia, adaptada para climas frios. As cores mais comuns são Light Brahma (branco com detalhes pretos no pescoço e cauda), Dark Brahma (padrão cinza-escuro com contraste) e Buff Brahma (dourado claro).
Existem outra cores apreciadas pelos criadores, como a Lemmon. Embora não seja uma variedade oficialmente reconhecida por associações avícolas tradicionais (como a American Poultry Association ou a Entente Européenne), criadores e entusiastas usam esse termo para descrever uma variação de plumagem em Brahmas com tons amarelados ou dourados claros, semelhantes à tonalidade de um limão.
Sobre a cor “Lemon” em Brahmas
A coloração “Lemon” seria uma variação clara e suave, com penas em tons de amarelo-dourado pálido ou bege claro, muitas vezes combinada com padrões mais claros no pescoço e cauda. Em alguns casos, pode lembrar a Buff Brahma (dourado), porém com nuances mais claras e menos intensas.
Essa tonalidade pode surgir de cruzamentos seletivos entre linhagens de Brahmas Buff e Light, ou até de mutações genéticas naturais. No entanto, não é uma cor padronizada, o que significa que variações chamadas de “Lemon” podem diferir entre criadores.
Por não ser oficial, essa variação não é aceita em exposições avícolas formais, mas é apreciada em criações ornamentais ou por colecionadores que buscam cores únicas.
Alguns criadores especializados trabalham para desenvolver cores incomuns em Brahmas, como azul, splash, vermelho, ou até padrões “mille fleur” (inspirados na raça Sedosa). A “Lemon” poderia se encaixar nesse contexto de experimentação genética.
Tons claros como o amarelo-dourado podem desbotar levemente com a exposição solar intensa, exigindo atenção à proteção das aves em climas muito ensolarados.
Se você está em busca de Brahmas “Lemon”, é essencial consultar criadores especializados ou comunidades avícolas locais, já que a definição dessa cor pode variar.
O Criatório Paloschi, do biólogo Adriel Paloschi, trabalha com essa coloração, e em seus vídeos, diz que foi a cor que mais o agradou para criação.
Temperamento
As Brahmas são famosas por seu comportamento calmo e dócil, sendo ideais para criação em quintais ou pequenas propriedades. São aves sociáveis, tolerantes a outras raças e até afetuosas com humanos, o que as torna excelentes para famílias. No entanto, devido ao seu tamanho, precisam de espaço para se movimentar e poleiros baixos para evitar lesões.
A jornalista Claudia Muller, em um postagem em suas redes sociais, diz “É a raça de galinha que eu acho mais encantadora! Digo que são iguais cachorrinhos de asas. São enormes, com penas cobrindo os pés igual “bombachas”.” Em um vídeo postado em seu Instagram, ela mostra as Brahmas adquiridas do Criatório Paloschi soltas em seu quintal.
Embora não ocupem o topo da produtividade, essas aves mantêm a postura mesmo durante o inverno, período em que outras raças diminuem a produção de ovos.
Curiosidades
No século XIX, a Brahma foi considerada a maior raça de galinha do mundo, ganhando o título de “King of All Poultry” (Rei de Todas as Aves) em exposições.
No final do século XIX, criadores enviaram exemplares para a Inglaterra como presente à rainha Victoria, o que ajudou a consolidar a fama internacional da raça. A Brahma também contribuiu para o desenvolvimento de outras raças, como a Cochin, e para o aprimoramento da qualidade das aves de corte.
Suas penas nas pernas exigem cuidados para evitar acúmulo de sujeira ou parasitas, especialmente em ambientes úmidos. Graças à plumagem densa, toleram bem o frio, mas precisam de sombra e água fresca no calor.
Criação atual
Hoje, a Brahma é valorizada principalmente como ave ornamental e de exposição, embora ainda seja criada para carne em pequena escala. Sua elegância e personalidade gentil a tornam uma favorita entre avicultores amadores e colecionadores.
A raça é um símbolo de grandiosidade e serenidade no mundo das aves. Seja pela história, pelo porte majestoso ou pela habilidade de adaptação, essa raça continua a encantar gerações, provando que tamanho e delicadeza podem coexistir harmoniosamente. Um verdadeiro tesouro para quem busca beleza e funcionalidade em um único animal.
Aliás, para mais informações sobre essa e outras espécies de galinhas, o Criatório Paloschi está no Instagram e no YouTube. O WhatsApp é: (47) 98409-4341.
O mercado de açúcar registrou uma entrega recorde de 1,7 milhão de toneladas em março, superando as expectativas e impulsionando a volatilidade nos preços. Apesar do relatório da UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia) vir em linha com as projeções, fatores externos e a antecipação do vencimento do contrato de março influenciaram o cenário.
O Centro-Sul moeu apenas 245 mil toneladas de cana, produzindo 7 mil toneladas de açúcar e 381 milhões de litros de etanol. São volumes menores que em 2023/24, típicos da entressafra. Segundo Luciano Rodrigues, diretor da UNICA, a maior produção de etanol, tanto de cana quanto de milho, reduz os riscos de oferta no mercado interno. Portanto, reforçando a projeção de uma safra açucareira robusta em 2025/26. E indicando uma possível tendência de queda nos preços do açúcar no médio prazo.
De acordo com Lívea Coda, coordenadora de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets, a volatilidade da semana passada foi causada pela antecipação do vencimento do contrato de março e por um cenário externo adverso, com queda no complexo energético e um dólar mais forte.
O contrato de maio deve ser monitorado de perto. A oferta no Brasil ficou mais restrita e deve continuar a diminuir com o fim da entressafra. A produção de açúcar na Índia e na Tailândia está abaixo das expectativas, o que ajuda a sustentar os preços no curto prazo.
Índia e Tailândia
A produção de açúcar na Índia está 14% abaixo da temporada passada (total de 21,9Mt até 28 de fevereiro). Isso que pode resultar em um déficit global maior para 2024/25. Na Tailândia, a expectativa de produção foi revisada para 10,5Mt devido a condições climáticas adversas, limitando suas exportações.
O início da safra do Centro-Sul brasileiro pode ser lento ou sofrer atrasos, oferecendo suporte ao contrato de maio. No entanto, se a demanda estiver confortável em esperar a próxima safra brasileira, essa recuperação nos preços pode ser mais lenta. Por exemplo, a Indonésia ainda não decidiu quando importará os 200kt aprovados, enquanto dados da China mostram que as importações, até dezembro do ano passado, caíram 36% para o açúcar e 24% se incluídas estimativas de xarope e contrabando.