Tag: importação

  • Governo prepara salvaguardas no acordo Mercosul-UE

    Governo prepara salvaguardas no acordo Mercosul-UE

    O governo federal prepara decreto de salvaguardas no acordo Mercosul-UE. O vice-presidente Geraldo Alckmin confirmou o envio do texto à Casa Civil nesta quarta-feira (25). A Casa Civil fará análise jurídica antes da publicação do decreto.

    As salvaguardas funcionam como instrumentos de proteção aos produtores nacionais. O texto prevê mecanismos para proteger produtos agrícolas brasileiros. Essas medidas poderão ser acionadas caso organismos europeus imponham sanções.

    No fim do ano passado, o Parlamento Europeu aprovou regras mais rígidas para importações agrícolas. As novas normas se vinculam ao acordo comercial com o Mercosul. As medidas europeias poderão ser aplicadas se grandes volumes importados ameaçarem produtores locais. Diante disso, o agronegócio brasileiro cobra reciprocidade do governo federal.

    O setor defende salvaguardas contra eventual aumento de importações europeias concorrentes. “Alguns setores sempre demonstram preocupação. Por isso, encaminhamos hoje a proposta”, afirmou Alckmin. Ele deu a declaração após reunião com o presidente da Câmara Hugo Motta e o deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP), que relata o projeto que ratifica o acordo entre os blocos.

    O tratado criará uma das maiores zonas de livre comércio do mundo. O bloco reunirá produção estimada em US$ 22 trilhões. Além disso, o acordo abrangerá mercado consumidor de 720 milhões de habitantes. A Casa Civil poderá consultar ministérios como o da Fazenda. Depois, o governo enviará o decreto para assinatura presidencial. O Senado ainda analisará a ratificação do acordo Mercosul-UE. A Câmara dos Deputados aprovou o texto nesta quarta-feira.

    Como funcionam as salvaguardas no acordo Mercosul-UE

    As salvaguardas permitem reação a surtos de importação após redução tarifária. O governo pode aplicar medidas se comprovar dano grave à produção nacional. Nesse caso, o país poderá estabelecer cotas de importação. Também poderá suspender a redução tarifária prevista no acordo. Além disso, poderá restabelecer o imposto anterior ao tratado. O decreto definirá prazos, procedimentos de investigação e condições de aplicação.

  • Suprema Corte dos EUA derruba tarifaço de Trump e impacta o agro

    Suprema Corte dos EUA derruba tarifaço de Trump e impacta o agro

    A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que tornou ilegal o tarifaço do governo Donald Trump já repercute no agronegócio brasileiro. Os setores com negócios nos Estados Unidos receberam a notícia de forma positiva e, ao mesmo tempo, cautelosa.

    Os especialistas afirmam que o mercado ainda precisa entender como o governo americano cumprirá a decisão. Por seis votos a três, a Corte decidiu que a legislação não permite ao presidente criar tarifas sem autorização do Congresso. Com isso, os ministros derrubaram as tarifas aplicadas desde abril de 2025.

    Devolução de valores?

    O governo dos Estados Unidos pode ter que devolver parte dos valores arrecadados. As estimativas apontam que o montante supera US$ 175 bilhões. A decisão produz efeitos a partir da data do julgamento e invalida a cobrança desde então. No entanto, o reembolso não ocorre de forma automática.

    As empresas que pagaram as tarifas precisarão ingressar com ações na Justiça americana. Cada pedido de devolução passará por análise individual. Os analistas destacam que apenas quem sofreu prejuízo direto poderá propor ação. Ou seja, somente o importador que pagou a tarifa nos Estados Unidos poderá pedir reembolso ou indenização.

    As empresas brasileiras terão legitimidade se atuarem como importadoras nos Estados Unidos. Além disso, poderão agir se possuírem subsidiárias no país que tenham recolhido as tarifas. O ordenamento jurídico americano não reconhece, em regra, prejuízos indiretos. Assim, perdas de mercado ou redução de vendas não garantem direito automático à indenização.

    Reversão da decisão é difícil

    As decisões da Suprema Corte têm caráter final e efeito vinculante. Por isso, uma reversão pelo governo americano se torna improvável. Mesmo assim, analistas recomendam cautela diante da possível reação do governo Trump.

    Trump anuncia 10% de tarifa

    Após o julgamento, Trump anunciou tarifa global de 10% sobre produtos importados. A nova medida deve valer por 150 dias, segundo o governo. Caso a decisão judicial seja mantida, o comércio global pode passar por rearranjo.

    A queda das tarifas tende a enfraquecer políticas de retaliação comercial. Com isso, produtos americanos podem voltar a competir com os brasileiros em mercados estratégicos. Isso pode ocorrer tanto em novos destinos quanto naqueles onde houve substituição de fornecedores. Ao mesmo tempo, a decisão reduz incertezas no comércio internacional e nas cadeias de suprimentos.

    No caso do Brasil, a interrupção das tarifas amplia a competitividade dos produtos exportados. Ainda assim, a medida não garante aumento imediato das exportações ao mercado americano. Além disso, a Suprema Corte não detalhou como ocorrerá a devolução dos valores pagos. Essa ausência de regras claras pode gerar disputas judiciais prolongadas nos Estados Unidos.

    De modo geral, empresas expostas ao mercado americano já reavaliam suas estratégias.Agora, elas podem revisar políticas de preços sem considerar os custos adicionais das tarifas.

  • Apex articula missão à Europa por acordo Mercosul-UE

    Apex articula missão à Europa por acordo Mercosul-UE

    A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos articula missão oficial à Europa até março. A iniciativa envolve o presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre. O objetivo é ampliar a pressão política pela ratificação do acordo Mercosul-União Europeia.

    O presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, confirmou a articulação nesta quinta-feira. Segundo Viana, Alcolumbre indicou o acordo como prioridade do Congresso após o recesso parlamentar. Assim, a estratégia busca acelerar a ratificação interna no Brasil e nos demais países do Mercosul. Em seguida, o foco será intensificar o diálogo político diretamente com os países europeus.

    A proposta inclui visita de parlamentares sul-americanos ao Parlamento Europeu. A articulação prevê diálogo institucional entre presidentes de parlamentos, em nível político elevado. Viana afirmou que a coordenação conjunta fortalece a tramitação do acordo no bloco europeu.

    Comunicação para enfrentar resistências

    Paralelamente, a Apex prepara ofensiva de comunicação para reduzir resistências ao acordo. A estratégia busca atualizar a percepção do Brasil entre eurodeputados e consumidores. O foco inclui combater estereótipos ligados ao agronegócio e às agendas ambiental e social.

    Dados da Apex mostram que a União Europeia é o segundo maior destino das exportações brasileiras. Em 2025, o Brasil exportou US$ 49,8 bilhões ao bloco europeu, atrás apenas da China. O agronegócio responde por cerca de 23% do comércio bilateral. O percentual é inferior à percepção de que o acordo favoreceria apenas produtos agrícolas. Segundo Viana, parte da oposição ainda se baseia em uma imagem defasada do Brasil. Ele destacou que argumentos usados anos atrás não refletem o cenário atual do país.

    Estudo aponta novas oportunidades

    A Apex divulgou estudo sobre ganhos comerciais com a desgravação tarifária imediata. O levantamento indica potencial de exportação em 543 produtos brasileiros. O mercado europeu movimenta US$ 43,9 bilhões anuais em importações nesses itens.

    A Europa Ocidental concentra 266 oportunidades identificadas no estudo. Entre 2020 e 2024, as exportações para a região somaram média anual de US$ 831 milhões. A Europa Meridional reúne 123 produtos com potencial. A Europa Oriental apresenta 101 itens, enquanto a Europa Setentrional soma 53 produtos.

    Revisão jurídica amplia desafios

    A mobilização ocorre após decisão recente do Parlamento Europeu sobre o acordo. O bloco aprovou pedido de revisão jurídica adicional do tratado. A votação ocorreu no último sábado, após 26 anos de negociações. A decisão não inviabiliza o acordo, mas cria novo obstáculo político.

    O processo pode prolongar a tramitação por até dois anos. A resolução atendeu parlamentares que defendem salvaguardas ambientais mais rígidas. Essas exigências, segundo o governo brasileiro, podem comprometer o texto negociado. Viana atribuiu o resultado à baixa mobilização dos defensores do acordo. Ele também citou a atuação de lobbies agrícolas europeus contrários aos produtos brasileiros.

  • Mercosul mira novos acordos após pacto com UE

    Mercosul mira novos acordos após pacto com UE

    Após assinarem acordo com a União Europeia, países do Mercosul ampliam negociações comerciais com outros blocos e nações. O presidente do Paraguai, Santiago Peña, afirmou que o processo de integração comercial do Mercosul está apenas começando.

    Peña falou com jornalistas após a cerimônia de assinatura do acordo Mercosul-União Europeia, realizada em Assunção, no sábado (17). O Paraguai sediou o evento por exercer a presidência temporária do Mercosul.

    Segundo Peña, as negociações de livre comércio com os Emirados Árabes avançam de forma consistente. Além disso, o presidente destacou os mercados asiáticos como estratégicos para a expansão comercial do bloco. Entre os países citados estão Japão, Coreia do Sul, Indonésia e Vietnã.

    Peña também ressaltou a China como parceira estratégica das nações latino-americanas e do Mercosul. O presidente informou ainda que o bloco avança em um acordo de complementação econômica com o Canadá.
    De acordo com Peña, os países do Mercosul defendem integração econômica, colaboração e multilateralismo como caminhos para o crescimento.

     

  • União Europeia e Mercosul assinam acordo histórico neste sábado

    União Europeia e Mercosul assinam acordo histórico neste sábado

    Após mais de duas décadas de negociações, União Europeia e Mercosul assinam neste sábado (17) acordo comercial histórico. A cerimônia ocorre em Assunção, no Paraguai, e marca passo decisivo rumo à maior zona de livre comércio. O tratado busca integrar mercados, reduzir tarifas e ampliar o fluxo de bens e investimentos entre os blocos.

    Assinatura ocorre sem presença de Lula

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participará da cerimônia em Assunção. Ele será o único chefe de Estado sul-americano ausente no evento. Estarão presentes líderes da Argentina, Uruguai, Bolívia e Paraguai.
    Também participam Ursula von der Leyen e António Costa, principais representantes da União Europeia.

    Lula comenta demora nas negociações

    Na sexta-feira, Lula recebeu Ursula von der Leyen no Rio de Janeiro. Durante o encontro, ele criticou a longa duração das negociações. Segundo o presidente, foram “25 anos de sofrimento e tentativa de acordo”. Lula afirmou que o acordo reunirá cerca de 720 milhões de pessoas. Ele destacou que o tratado envolve um PIB estimado em US$ 22 trilhões.

    Assinatura não encerra o processo

    Apesar da assinatura, o acordo ainda não entra em vigor. O texto seguirá para ratificação nos parlamentos dos países envolvidos. Esse processo tende a ser longo e politicamente sensível, sobretudo na União Europeia.

    Formalização dos votos na União Europeia

    Antes da assinatura, o Comitê de Representantes Permanentes aprovou o texto provisoriamente. Os Estados-membros confirmaram seus votos por escrito até o prazo oficial. O Chipre confirmou a adesão europeia por ampla maioria.

    Assinatura formal do acordo

    Com a maioria qualificada, Ursula von der Leyen recebeu autorização para assinar o tratado. Inicialmente prevista para segunda-feira, a assinatura foi antecipada para este sábado. O Paraguai exerce atualmente a presidência rotativa do Mercosul.

    Quando o acordo entra em vigor

    Na União Europeia, o Parlamento Europeu analisará o texto. Algumas partes também podem exigir aprovação dos parlamentos nacionais. No Mercosul, o tratado seguirá para os Congressos do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. O acordo cria obrigações legais, como redução de tarifas e mudanças regulatórias. Os blocos podem aplicar provisoriamente partes do tratado antes da ratificação completa.

    Principais pontos do acordo UE-Mercosul

    Negociado há mais de 25 anos, o acordo prevê redução gradual de tarifas. O texto estabelece regras comuns para produtos industriais, agrícolas e investimentos. O tratado criará um mercado integrado com mais de 700 milhões de consumidores.

    Divisões internas na União Europeia

    Alemanha e Espanha apoiam o acordo por enxergarem oportunidades comerciais. Esses países buscam reduzir a dependência da China e acessar minerais estratégicos. A França lidera a oposição ao tratado dentro do bloco europeu. Polônia, Irlanda e Áustria também demonstram resistência. O principal temor envolve prejuízos à agricultura europeia.

    Exigências ambientais e papel do Brasil

    O texto final inclui salvaguardas para a agricultura europeia. O acordo também impõe exigências ambientais mais rigorosas. Para o Mercosul, o Brasil tem papel central na ratificação. O país precisa comprovar avanços em sustentabilidade e controle ambiental.

  • Brasil e Portugal defendem rapidez no acordo Mercosul-UE

    Brasil e Portugal defendem rapidez no acordo Mercosul-UE

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou nesta terça-feira, 13, com o primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro. Segundo o Palácio do Planalto, os líderes comemoraram a aprovação do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.

    O tratado deve ser assinado no próximo dia 17, durante encontro oficial no Paraguai. As negociações do acordo duraram 25 anos até a conclusão entre os dois blocos econômicos. Apesar disso, o texto ainda precisa passar pelo processo de internalização nos países signatários.

    Durante a conversa, Montenegro elogiou o empenho de Lula para viabilizar a conclusão do acordo. Além disso, ambos defenderam que as novas regras entrem em vigor o mais rápido possível.

    Segundo nota oficial, os líderes destacaram a importância do acordo para o multilateralismo e o livre comércio.
    Eles afirmaram que o tratado tem dimensão política e estratégica no atual cenário internacional.

    Por fim, Lula e Montenegro concordaram em atuar juntos para garantir implementação rápida e eficiente do acordo. Os dois também discutiram a situação na Venezuela e defenderam ações para evitar instabilidade na América do Sul.

     

  • Importação de trigo atinge maior nível em 12 anos

    Importação de trigo atinge maior nível em 12 anos

    As importações brasileiras de trigo alcançaram, em 2025, o maior volume desde 2013, apontam dados da Secex analisados pelo Cepea. Os embarques cresceram devido aos baixos preços externos e à ampla oferta mundial do cereal.

    Em dezembro, os portos brasileiros receberam 698,74 mil toneladas de trigo. O volume foi o segundo maior do ano, atrás apenas de janeiro, com 717 mil toneladas importadas. Além disso, dezembro registrou o maior volume mensal desde 2016.

    No acumulado de 2025, o Brasil importou 6,894 milhões de toneladas de trigo. O total representou alta de 3,7% em relação a 2024.

    Com estoques internos confortáveis, empresas iniciaram 2026 com baixa atuação no mercado doméstico. Diante da menor demanda, os preços pagos ao produtor caíram na maioria das regiões acompanhadas pelo Cepea.

    Por outro lado, no mercado de lotes, as cotações subiram, com exceção do Paraná. O movimento reflete a retração dos vendedores, que aguardam preços mais atrativos com o avanço da entressafra.

     

     

     

  • Acordo Mercosul–UE: entenda os 13 principais pontos

    Acordo Mercosul–UE: entenda os 13 principais pontos

    Após mais de 25 anos de negociações, o Conselho da União Europeia aprovou o acordo com o Mercosul nesta sexta-feira (9). O tratado deve ser assinado em 17 de janeiro, em Assunção, no Paraguai. Juntos, os blocos formam a maior zona de livre comércio do mundo, com cerca de 700 milhões de consumidores.

    Apesar do avanço, agricultores europeus e ambientalistas mantêm críticas ao acordo. Eles apontam riscos ao clima e à concorrência agrícola. Ainda assim, os governos defendem ganhos econômicos e maior previsibilidade comercial.

    A implementação ocorrerá de forma gradual. Por isso, os efeitos práticos devem surgir ao longo de vários anos. Após a assinatura, o Parlamento Europeu ainda precisará aprovar o texto. Além disso, partes técnicas exigirão ratificação nos parlamentos nacionais da União Europeia. Esse processo pode ampliar o prazo e abrir espaço para disputas políticas.

    1. Eliminação de tarifas alfandegárias

    O acordo prevê redução gradual de tarifas sobre a maior parte dos bens e serviços. O Mercosul zerará tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos. Já a União Europeia eliminará tarifas sobre 95% dos bens do Mercosul em até 12 anos.

    2. Ganhos imediatos para a indústria

    Diversos produtos industriais terão tarifa zero desde o início do acordo. Entre os setores beneficiados estão máquinas, equipamentos e produtos químicos. Automóveis, autopeças e aeronaves também entram na lista.

    3. Acesso ampliado ao mercado europeu

    Empresas do Mercosul ganham preferência em um mercado de alto poder aquisitivo. A União Europeia tem Produto Interno Bruto estimado em US$ 22 trilhões. Além disso, o comércio tende a ser mais previsível e com menos barreiras técnicas.

    4. Cotas para produtos agrícolas sensíveis

    Produtos agrícolas terão cotas específicas de importação no mercado europeu. A lista inclui carne bovina, frango, arroz, mel, açúcar e etanol. Acima das cotas, os países aplicarão tarifas. As cotas crescerão gradualmente, com redução tarifária progressiva. O mecanismo busca evitar impactos abruptos sobre agricultores europeus.

    Na União Europeia, as cotas representam 3% dos bens ou 5% do valor importado do Brasil. No mercado brasileiro, elas chegam a 9% dos bens ou 8% do valor.

    5. Salvaguardas agrícolas

    A União Europeia poderá reintroduzir tarifas temporárias em situações específicas. Isso ocorrerá se as importações superarem limites definidos. A medida também vale quando preços ficarem abaixo do mercado europeu.

    6. Compromissos ambientais obrigatórios

    Produtos beneficiados não poderão estar ligados a desmatamento ilegal. As cláusulas ambientais têm caráter vinculante. O acordo prevê suspensão em caso de violação do Acordo de Paris.

    7. Regras sanitárias mantidas

    A União Europeia não flexibilizará padrões sanitários e fitossanitários. Assim, os produtos importados seguirão regras rigorosas de segurança alimentar.

    8. Comércio de serviços e investimentos

    O acordo reduz a discriminação regulatória a investidores estrangeiros. Também amplia oportunidades em serviços financeiros e telecomunicações. Transporte e serviços empresariais também avançam.

    9. Compras públicas

    Empresas do Mercosul poderão disputar licitações públicas na União Europeia. As regras serão mais transparentes e previsíveis.

    10. Propriedade intelectual

    O tratado reconhece cerca de 350 indicações geográficas europeias. Além disso, estabelece regras claras para marcas, patentes e direitos autorais.

    11. Pequenas e médias empresas

    O acordo traz um capítulo específico para pequenas e médias empresas. Ele prevê facilitação aduaneira e acesso à informação. Com isso, reduz custos e burocracia para pequenos exportadores.

    12. Impactos para o Brasil

    O acordo pode ampliar exportações do agro e da indústria brasileira. Além disso, o país ganha integração às cadeias globais de valor. O texto também pode atrair investimentos no médio e longo prazo.

    13. Próximos passos

    A assinatura está prevista para 17 de janeiro, no Paraguai. Depois disso, o Parlamento Europeu analisará o acordo.
    Os Congressos do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai também votarão o texto. A entrada em vigor ocorrerá apenas após a conclusão de todos os trâmites.

     

     

  • Cota chinesa pode reduzir exportações brasileiras de carne

    Cota chinesa pode reduzir exportações brasileiras de carne

    O Brasil pode deixar de faturar cerca de US$ 3 bilhões com exportações de carne bovina à China. Isso ocorre após a adoção de novas tarifas e cotas de importação pelo governo chinês. Nesta quarta-feira (31), a China anunciou uma cota anual de 1,1 milhão de toneladas para o Brasil.

    O volume excedente terá tarifa de 55%, o que restringe o acesso ao mercado. Além disso, o país asiático definiu cotas isentas da tarifa para outros grandes exportadores. A medida afeta diretamente a competitividade da carne bovina brasileira.

    Exportações

    Para 2025, o setor projeta exportações de 1,7 milhão de toneladas de carne bovina à China. Até novembro, os embarques já somaram 1,5 milhão de toneladas, com receita de US$ 8 bilhões. Segundo analistas, a tarifa pode inviabilizar exportações acima da cota estabelecida.

    O percentual de 55% dificulta negociações nas atuais condições de mercado. Caso as vendas fiquem limitadas a 1,1 milhão de toneladas, o Brasil voltaria ao patamar pré-2022. Desde aquele ano, as exportações superaram 1 milhão de toneladas anuais.

    Tratamento desigual

    O setor também critica o tratamento desigual entre fornecedores. A Argentina recebeu cota de 510 mil toneladas, enquanto o Uruguai ficou com 310 mil toneladas. Em resumo, na avaliação de especialistas, esses volumes são elevados em relação ao tamanho dos rebanhos desses países. Por isso, eles consideram que a medida é mais severa para o Brasil.

    Distribuição de cotas

    Outra preocupação envolve a distribuição das cotas. O setor ainda não sabe qual país fará a gestão nem quais critérios serão adotados. Além disso, as autoridades chinesas também avaliam novas medidas, ainda não detalhadas oficialmente. Entre elas, estão a redução de frigoríficos habilitados e das linhas de crédito aos importadores.

    Diante desse cenário, o mercado já projeta revisões nas estimativas de exportação para 2026.
    A incerteza aumenta e pressiona o planejamento do setor pecuário brasileiro.

  • China impõe tarifa de 55% à carne bovina importada

    China impõe tarifa de 55% à carne bovina importada

    O Ministério do Comércio da China confirmou a imposição de salvaguardas sobre a carne bovina importada.
    A medida inclui tarifa adicional de 55% para volumes que superarem cotas estabelecidas. O ministério publicou a decisão em comunicado oficial nesta quarta-feira, 31 de dezembro.

    As regras entram em vigor em 1º de janeiro de 2026. O prazo de validade será de três anos, até 31 de dezembro de 2028. A decisão confirma discussões realizadas em recentes reuniões bilaterais.

    O tema ganhou relevância devido ao avanço das exportações brasileiras ao mercado chinês. O Brasil figura entre os principais fornecedores de carne bovina à China. Segundo o comunicado, a medida resulta de investigação iniciada em dezembro de 2024. As autoridades analisaram o crescimento das importações e os efeitos sobre a indústria doméstica.

    O ministério avaliou também a relação entre aumento das compras externas e prejuízos ao setor local. Ao final do processo, a China concluiu que as importações causaram danos graves à indústria nacional. O governo estabeleceu nexo direto entre o crescimento das importações e os impactos econômicos internos.

    Entenda como as medidas vão funcionar

    As salvaguardas combinarão cotas específicas por país com tarifas adicionais. A tarifa extra incidirá apenas sobre volumes que ultrapassarem os limites definidos. Dentro da cota anual, a carne bovina importada manterá a tarifa atualmente vigente. Acima da cota, os importadores pagarão tarifa adicional de 55%. A alíquota será aplicada sobre o imposto já em vigor.

    O ministério informou que as cotas não utilizadas não poderão ser transferidas. Cada ano terá limites independentes para importação. As medidas abrangem carne bovina fresca, refrigerada ou congelada.
    O texto inclui produtos com ou sem osso, inteiros ou em meia carcaça.

    Acordos e exceções

    Durante as salvaguardas, a China suspenderá benefícios do acordo China–Austrália. A decisão prevalecerá sobre compromissos bilaterais existentes para carne bovina. O comunicado prevê exceções para países em desenvolvimento. A isenção vale para países com participação inferior a 3% das importações chinesas.

    O conjunto desses países não poderá ultrapassar 9% do total importado. Caso os limites sejam superados, a salvaguarda poderá valer no ano seguinte. A lista de países excluídos consta em anexo ao anúncio oficial.
    O Ministério do Comércio afirmou que poderá revisar as medidas. A reavaliação dependerá de mudanças no mercado ou na indústria doméstica.

    Posicionamento do setor brasileiro

    A ABIEC e a CNA avaliam que a salvaguarda altera o acesso ao mercado chinês. As entidades afirmam que a medida exige reorganização da produção e das exportações. Segundo as organizações, os embarques envolvem produtos com maior valor agregado. Esses produtos têm perfil distinto do consumo doméstico brasileiro. O setor associa as exportações à geração de emprego e renda.

    As entidades destacam que a China permanece como principal destino da carne brasileira. O país asiático segue como mercado estratégico para a pecuária nacional. A medida cria uma quota crescente ao longo dos três primeiros anos.
    O limite inicial será de 1,106 milhão de toneladas no primeiro ano. Dentro da quota, a tarifa será de 12%. Fora da quota, a sobretaxa de 55% elevará a tarifa total para 67%.

    Importação em 2025

    Em 2025, a China importou cerca de 1,7 milhão de toneladas do Brasil. O volume representou 48,3% das exportações brasileiras de carne bovina. Nesse cenário, a cadeia produtiva precisará realizar ajustes.
    As mudanças envolvem produção, logística e exportação. A ABIEC e a CNA destacam a relação comercial construída ao longo de anos. As entidades citam fornecimento regular, previsibilidade e cumprimento sanitário. A carne bovina brasileira complementa o abastecimento do mercado chinês. O produto contribui para a estabilidade da oferta ao consumidor local.

    Impacto da pecuária na economia brasileira

    A cadeia da pecuária bovina tem papel central na economia brasileira. O setor leva renda a milhares de municípios. A atividade sustenta cerca de 7 milhões de empregos diretos e indiretos. Cerca de 70% da produção atende o mercado interno.
    Aproximadamente 30% da carne bovina brasileira segue para exportação.

    As entidades ressaltam o caráter complementar das vendas externas. As exportações ajudam a equilibrar e sustentar a cadeia pecuária nacional. A ABIEC e a CNA acompanharão a implementação das medidas.
    As entidades atuarão junto ao governo brasileiro e às autoridades chinesas. O objetivo é reduzir danos aos pecuaristas e exportadores. As organizações também buscam preservar o fluxo comercial histórico.