Um grupo de pescadores viveu uma experiência única, e quase inacreditável, ao capturar um jaú de 68 quilos durante uma pescaria esportiva no Rio Acre. As imagens do peixe gigante chamaram atenção pelo porte do animal, considerado um dos maiores peixes de água doce da América do Sul.
A pescaria reuniu Rose, Rojaiso, Márcio e Tiba. Para chegar ao local escolhido, eles percorreram aproximadamente quatro horas de canoa até uma praia às margens do Rio Acre, onde permaneceram por dois dias em busca de grandes exemplares.
Após retirar o peixe da água e registrar o momento em fotografias, os pescadores celebraram a conquista e destacaram a abundância de espécies encontrada na região.
“O Rio Acre é abençoado e temos fartura de peixes. Podemos dizer que não é história de pescador”, afirmou Tiba.
“Assim é a vida de quem vive da pesca e dos ribeirinhos deste rio, que possui muitas riquezas naturais” — (Foto: Reprodução/Redes Sociais)
Mesmo com o Rio Acre apresentando nível abaixo do normal em alguns trechos, o grupo afirmou que ainda existem pontos favoráveis para a prática da pesca esportiva.
O Rio Acre nasce no Peru, atravessa o estado do Acre e deságua no Rio Purus, um dos principais afluentes do Rio Amazonas.
Conheça o jaú
O jaú (Zungaro jahu) é uma das maiores espécies de peixes de água doce da América do Sul. Ele ocorre em importantes bacias hidrográficas, como as dos rios Amazonas, Paraná e Paraguai.
A espécie pode ultrapassar 1,5 metro de comprimento e alcançar mais de 100 quilos, sendo considerada um dos peixes mais cobiçados pelos praticantes da pesca esportiva devido ao tamanho e à força durante a captura.
Seu corpo robusto, a cabeça larga e a grande resistência fazem do jaú um verdadeiro símbolo dos grandes rios brasileiros.
O famoso bife de ouro voltou aos holofotes após aparecer em um jantar de luxo bancado pelo banqueiro Daniel Vorcaro para o então governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, em Nova York. O encontro, estimado em cerca de R$ 60 mil, ocorreu no restaurante Nusr-Et Steakhouse, comandado pelo chef turco Salt Bae.
O caso ganhou repercussão nacional depois que documentos da Polícia Federal apontaram que Vorcaro pediu uma experiência exclusiva para Castro, incluindo carnes folheadas a ouro, vinhos premium e champanhes internacionais.
Como é o famoso “bife de ouro”
O chamado bife de ouro se tornou um dos pratos mais conhecidos da alta gastronomia mundial. A iguaria utiliza cortes nobres, como Tomahawk e Wagyu, carnes valorizadas pelo elevado nível de marmorização, que garante maciez e sabor intenso.
Após o preparo na grelha, o corte recebe delicadas folhas de ouro comestível de 24 quilates. O metal é aplicado diretamente sobre a carne ainda quente e cria o visual luxuoso que viralizou nas redes sociais.
Filé com ouro em restaurante do chef turco Salt Bae — Foto: Reprodução
Apesar da aparência extravagante, o ouro não altera o sabor da carne. Especialistas e críticos gastronômicos afirmam que ele funciona apenas como elemento visual e símbolo de ostentação. Ainda assim, o espetáculo à mesa ajudou a transformar o prato em febre mundial.
Os preços impressionam. Dependendo do restaurante e do corte escolhido, o prato pode custar entre R$ 1,5 mil e mais de R$ 10 mil. Em Londres, por exemplo, versões do famoso tomahawk dourado chegaram a ultrapassar US$ 1 mil.
O sucesso do prato também está ligado ao forte apelo visual. Vídeos publicados por Salt Bae, mostrando o preparo teatral das carnes e o famoso gesto de salgar os cortes com o braço inclinado, viralizaram na internet e transformaram o chef em meme global.
Redes sociais de Salt Bae mostram malabarismo no preparo de carnes — Foto: Reprodução/Instagram
O chef turco Nusret Gökçe, conhecido como Salt Bae, nasceu em 1983, na Turquia, e começou a trabalhar ainda jovem como aprendiz de açougueiro em Istambul.
Entre 2007 e 2010, ele viajou para países como Argentina e Estados Unidos para aperfeiçoar técnicas de preparo de carnes. Depois disso, abriu o primeiro restaurante da rede Nusr-Et, em 2010.
A fama mundial veio em 2017, quando vídeos mostrando seu jeito teatral de cortar carnes e jogar sal viralizaram nas redes sociais. O gesto virou meme e ajudou a transformar o chef em um fenômeno da internet.
Jantar de luxo e a investigação da Polícia Federal
Segundo documentos obtidos pela GloboNews, Daniel Vorcaro orientou assessores a organizarem uma experiência diferenciada para Cláudio Castro durante viagem oficial aos Estados Unidos.
“Pede aquela carne de ouro ou alguma especial pra ele ir”, escreveu o banqueiro, conforme a investigação.
A PF afirma ainda que Vorcaro autorizou a compra do vinho Vega-Sicilia Único 2013 e de champanhes internacionais, como Dom Pérignon On Ice e Cristal.
O relatório também indica que funcionários do restaurante informaram que Salt Bae estaria presente no local e atenderia pessoalmente a mesa.
Embora Vorcaro não tenha participado diretamente do jantar, investigadores localizaram um pagamento de US$ 13,3 mil em seu cartão na mesma data do encontro, valor equivalente a cerca de R$ 66 mil na cotação da época.
Castro elogia jantar com Vorcaro — Foto: Reprodução/TV Globo
O jantar ocorreu em maio de 2023, durante a viagem de Cláudio Castro aos Estados Unidos para participar do LIDE Brazil Investment Forum. Meses depois, o Rioprevidência realizou aportes milionários no Banco Master.
Segundo a investigação, o fundo aplicou inicialmente R$ 40 milhões na instituição financeira em novembro de 2023. Pouco depois, houve novos aportes de R$ 80 milhões e R$ 200 milhões.
Os documentos foram enviados ao ministro do STF André Mendonça, relator dos inquéritos relacionados ao caso. A defesa de Cláudio Castro afirma que não houve irregularidades. Já o Banco Master sustenta que todas as operações seguiram critérios técnicos e legais.
Com apenas duas fêmeas vivas no mundo, o rinoceronte-branco-do-norte entrou em uma corrida contra o tempo para não desaparecer de vez. Sem machos da subespécie vivos e sem possibilidade de reprodução natural, cientistas passaram a apostar em uma alternativa de alta complexidade: criar embriões em laboratório.
Considerado um dos casos mais críticos da conservação animal, o projeto tenta evitar a extinção definitiva da espécie usando fertilização in vitro. As duas últimas fêmeas, Najin e Fatu, vivem sob proteção constante no Quênia e não conseguem gerar filhotes naturalmente.
Como funciona a técnica?
Os pesquisadores coletam óvulos das fêmeas remanescentes e realizam a fertilização em laboratório com esperma de machos já mortos, preservado em bancos genéticos. Até agora, dezenas de embriões considerados viáveis já foram produzidos.
A próxima etapa é ainda mais delicada: implantar esses embriões em fêmeas de rinoceronte-branco-do-sul, que funcionarão como barrigas de aluguel. A estratégia tenta contornar a impossibilidade de gestação das últimas representantes da subespécie.
Os primeiros testes já mostraram que o procedimento pode funcionar. Em uma das tentativas, um embrião conseguiu se desenvolver por cerca de 70 dias após a implantação. A gestação, no entanto, foi interrompida depois que a fêmea hospedeira morreu por complicações de saúde.
Mesmo assim, os cientistas consideraram o experimento um avanço importante, já que ele comprovou que a gestação é biologicamente possível.
Apesar do otimismo, o processo ainda envolve muitos desafios. A gravidez de um rinoceronte dura cerca de 16 meses, e cada tentativa apresenta riscos elevados tanto para o embrião quanto para a fêmea substituta.
Além das dificuldades técnicas, o projeto também levanta debates éticos e financeiros. Isso porque a reprodução assistida exige investimentos milionários e mobiliza equipes internacionais, o que reacende discussões sobre o custo e os limites da conservação de espécies ameaçadas.
O cantor Juliano, da dupla com Henrique, viveu um baita susto na última sexta-feira (8). Seu helicóptero caiu enquanto sobrevoava uma propriedade rural em Tocantins, com o piloto e um ocupante a bordo.
Edson Reis, pai dos cantores, pilotava a aeronave no momento do incidente. A assessoria da dupla informou que ocorreu um pouso de emergência, mas que Edson passa bem, assim como o ocupante.
Modelo de R$ 3,8 milhões
O modelo, fabricado em 2013, é o Robinson R44 Raven II e domina voos privados e treinamentos graças ao baixo custo operacional. No mercado de usados, varia de R$ 2,5 milhões a R$ 3,8 milhões em estado seminovo ou após overhaul. Novo, custava R$ 5,5 milhões.
A máquina conta com quatro lugares, podendo transportar até três passageiros. Quanto ao peso de decolagem, suporta um peso máximo de 1.134 kg (somando o peso do helicóptero, combustível e ocupantes).
Helicóptero caiu próximo a fazenda de Henrique e Juliano no Tocantins — Foto: Reprodução/Redes sociais
“Confirmamos o incidente, com helicóptero pertencente à família de Henrique e Juliano. A aeronave fez um pouso de emergência Na tarde de hoje, 08 de maio. O pouso aconteceu em uma das propriedades da dupla, em Porto Nacional/TO. Sr. Edson Reis, pai dos cantores, é um piloto experiente e estava no comando do helicópter, felizmente passa bem, e não sofreu nenhum tipo de lesão grave.”
Íntegra da nota do CENIPA
“Força Aérea Brasileira (FAB), por meio do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), informa que, nesta sexta-feira (08/05), investigadores do Sexto Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SERIPA VI) — órgão regional do CENIPA, com sede em Brasília (DF) — foram acionados para realizar a Ação Inicial da ocorrência envolvendo a aeronave de matrícula PR-MSJ, no município de Porto Nacional (TO).
Durante a Ação Inicial, profissionais qualificados e credenciados aplicam técnicas específicas para coleta e confirmação de dados, preservação de elementos, verificação inicial dos danos causados à aeronave ou pela aeronave, além do levantamento de outras informações necessárias à investigação.”
Ninguém gosta de barata, e isso é quase um consenso. No entanto, esse inseto rejeitado e onipresente desempenha funções ecológicas essenciais. Se elas sumissem amanhã, provocariam um efeito em cadeia surpreendente.
No ambiente natural, as baratas decompõem matéria orgânica. Além disso, contribuem para a polinização com hábitos herbívoros e servem de alimento para diversas espécies. Vespas, pequenos mamíferos e aves dependem delas para sobreviver. “Alguns insetos predam baratas, como certas vespas, aliadas no controle de infestações. Elas também integram a dieta de mamíferos e aves”, diz o biólogo André Coppe, do Instituto de Biociências da USP.
“Lixeiras do meio ambiente”
As baratas evitam até o transbordamento de esgotos. Esses locais úmidos, escuros e cheios de decomposição favorecem sua proliferação. Assim, elas decompõem detritos humanos diretamente.
“De modo geral, as baratas atuam como ‘lixeiras do meio ambiente’. Dejetos e descartes humanos viram alimento para elas e outros decompositores”, explica o biólogo Matheus D’Oran, mestrando no Museu de Zoologia da USP.
O que aconteceria se as baratas sumissem?
Seu desaparecimento geraria um efeito dominó. Elas sustentam a cadeia alimentar e a ciclagem de nutrientes. “Predadores especializados, parasitoides e plantas dependentes delas sofreriam primeiro e poderiam sumir”, afirma Coppe.
Em seguida, predadores superiores perderiam alimento. O lixo se acumularia, os odores aumentariam e a fertilidade do solo cairia. Por fim, o setor agropecuário sentiria o impacto no equilíbrio ecológico.
Importância real, distância necessária
Reconhecer o papel ecológico das baratas não significa conviver com elas dentro de casa. As espécies urbanas circulam por esgotos, lixo e dejetos, carregando microrganismos que representam risco real de contaminação. Manter a higiene domiciliar, evitar o acúmulo de lixo e não deixar restos de comida expostos são os passos básicos recomendados pelos especialistas.
“As baratas existem por conta própria, sem razões utilitárias, e ocupam seus próprios nichos, se aproveitando, por vezes, do impacto que nosso sistema econômico gera no meio ambiente. Esses bichos surgiram naturalmente neste planeta e não evoluíram com o objetivo de satisfazer as necessidades humanas”, conclui D’Oran.
A banana produzida em Bom Jesus da Lapa (BA) recebeu o selo de Indicação Geográfica (IG) do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Este reconhecimento atesta a qualidade e a reputação da fruta cultivada no Perímetro de Irrigação Formoso. A certificação destaca o esforço conjunto do Fórum Baiano de Indicação Geográfica e Marcas Coletivas, coordenado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri-BA).
Na categoria Indicação de Procedência, a chamada “banana clarinha da Bahia” se diferencia pela tonalidade amarelo-ouro, sabor mais doce e acidez reduzida — características influenciadas pelo manejo no clima semiárido. As variedades Nanica e Prata, cultivadas no Formoso, já figuram entre as frutas de maior reconhecimento nacional.
Para Jorgete Oliveira, assessora técnica da Seagri, o selo reforça a competitividade da produção local. “A IG deve agregar valor ao produto, ampliar o acesso a mercados nacionais e internacionais e incentivar práticas produtivas sustentáveis”, afirmou. Segundo ela, o Fórum Baiano atua como elo estratégico entre produtores, cooperativas e órgãos públicos no processo de certificação. A iniciativa também abre novas oportunidades de exportação, principalmente para mercados europeus.
Com o novo registro, a Bahia soma seis Indicações Geográficas reconhecidas, todas na categoria Indicação de Procedência. As outras são: Sul da Bahia (cacau), Oeste da Bahia (café), Microrregião Abaíra (cachaça), Vale Submédio São Francisco (uvas e mangas) e Vale do São Francisco (vinhos e espumantes).
Polo consolidado e identidade regional
O Perímetro de Irrigação Formoso, às margens do rio Corrente, ocupa cerca de 19,5 mil hectares, dos quais 8,7 mil são dedicados ao cultivo de banana. Implantado pela Codevasf em 1988 e administrado pelo Distrito de Irrigação de Formoso, o projeto consolidou-se como um dos maiores polos de produção do país.
Voltado inicialmente à banana-nanica para exportação, o projeto articulou toda a cadeia produtiva: da importação e adaptação de mudas à formação de viveiros e cooperativas. Um dos destaques é a Cooperativa dos Produtores de Bom Jesus da Lapa, responsável por expandir o alcance comercial da banana baiana para diversos estados e países.
Além do impacto econômico, a produção lapense preserva um forte valor histórico e cultural. A atividade revela a trajetória das famílias produtoras e consolida a região como referência nacional na fruta mais consumida pelos brasileiros.
O mercado global de cacau encerra um período de escassez e começa um novo ciclo de superávit. A consultoria StoneX, em seu Relatório de Saldo Global de Cacau, projeta um excedente de 287 mil toneladas na safra 2025/26 e de 267 mil toneladas na safra seguinte. As duas projeções indicam que a oferta supera a demanda pela primeira vez em dois anos.
A recuperação da oferta depende principalmente de quatro países: Costa do Marfim, Equador, Gana e Indonésia. Cada um deles aumenta a produção por razões específicas, desde investimentos em área plantada até condições climáticas favoráveis.
Rafael Borges, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, explica que a consultoria revisou a safra 2025/26 com base no aumento da oferta na Costa do Marfim, ajuste negativo em Gana e redução da demanda global. A produção mundial e a demanda foram revisadas para baixo, mas o saldo global permanece em 287 mil toneladas.
O cenário pressiona os preços do cacau, que chegam atualmente a US$ 4.185 por tonelada. Os efeitos no preço do chocolate ao consumidor devem aparecer gradualmente, à medida que os estoques se normalizam após a forte destruição registrada em 2023/24.
Gana: otimismo crescente com a safra
Até a primeira metade de novembro, cerca de 220 mil toneladas de cacau já chegaram aos portos de Gana, alimentando um clima de otimismo para a safra 2025/26. As expectativas iniciais apontavam para uma produção abaixo de 600 mil toneladas, mas as boas condições das lavouras levaram analistas a revisar essa estimativa para cima.
Foto: Divulgação – Mapa
O preço farmgate pago aos produtores ganenses representa outro fator relevante. O valor superou as cotações internacionais e alcançou patamares acima de US$ 5.000 por tonelada, dependendo da taxa de câmbio do cedi ganense. Esse diferencial reduz o incentivo ao contrabando para países vizinhos e sustenta a perspectiva de uma safra volumosa.
Equador consolida expansão produtiva
O Equador destaca-se como um dos principais produtores fora da África. Borges aponta que a expansão da produção reflete condições climáticas favoráveis nos últimos dois anos, além da maturação de investimentos em ampliação de área e uso intensivo de fertilizantes. Além disso, a predominância de variedades híbridas, mais resistentes a pragas e doenças, também contribui para maior estabilidade dos rendimentos.
Os altos preços internacionais estimularam novos investimentos no país, com apoio dos setores público e privado. Estimativas oficiais indicam que a produção equatoriana pode superar 650 mil toneladas em 2026/27, com potencial de crescimento adicional ao longo da década.
Indonésia e Peru avançam com cautela
Na Indonésia, a StoneX projeta uma recuperação moderada, com produção em torno de 230 mil toneladas nas próximas duas safras. Os elevados preços ampliaram a capacidade de investimento dos produtores, mas o declínio estrutural do parque cacaueiro limita ganhos mais expressivos. Chuvas acima da média e o risco de um evento de El Niño em 2026 permanecem como fatores de atenção.
O Peru compartilha características estruturais com o Equador, como clima tropical úmido e desafios fitossanitários semelhantes. A safra 2024/25 já beneficiou-se de chuvas regulares e preços elevados, que impulsionaram investimentos em manejo e fertilização. As perspectivas para as próximas temporadas permanecem favoráveis.
Demanda segue pressionada, mas mostra sinais de estabilização
Os dados de moagem, o principal indicador de consumo de cacau, registraram forte queda nos últimos três trimestres. No primeiro trimestre da safra 2025/26, a moagem recuou 7,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Ainda assim, o trimestre apresentou moagem superior ao período imediatamente anterior, contrariando a sazonalidade histórica. A StoneX avalia que a recente queda nos preços pode permitir uma estabilização ou leve recuperação do consumo até o final de 2026. A consultoria estima uma moagem global de 4,663 milhões de toneladas em 2025/26, com avanço de 2,4% na safra seguinte, para 4,774 milhões de toneladas.
Estoques caminham para normalização
Os superávits estimados devem elevar a relação entre estoques e demanda para patamares próximos de 40% ao final de 2026/27. Portanto, indicando uma recomposição gradual após a crise do ano anterior.
Rafael Borges, analista de Inteligência de Mercado. Foto: Divulgação
Borges conclui que o mercado global de cacau passa por um processo de reorganização e caminha para uma nova normalidade de preços. Essa normalidade depende do equilíbrio entre atratividade e destruição da demanda, além dos incentivos e desestímulos aos investimentos no cultivo, não apenas na África, mas também em países como o Equador.
Na madrugada de 20 de novembro, um lote de 420 quilos de goiabas deixou Carlópolis, no Norte Pioneiro do Paraná, rumo à Europa em um voo cargueiro. A carga parecia comum para quem olhava de fora. Mas para os cooperados da Cooperativa Agroindustrial de Carlópolis (COAC) significava um divisor de águas. Era a primeira exportação direta de goiaba feita pela entidade, sem a presença de intermediários.
O negócio rendeu um valor três vezes maior que o preço médio pago no mercado interno. Mostrando como a fruta ganha força quando segue à risca as normas internacionais de qualidade e segurança. Por acordo contratual, o país europeu que recebeu a remessa não foi revelado, o que não diminui o peso simbólico dessa estreia para a cadeia produtiva regional.
Do estande na feira ao contrato fechado
Essa história não nasceu no aeroporto, mas em corredores de feira e muitas reuniões técnicas. Desde 2017, a goiaba de Carlópolis marca presença na Fruit Attraction, em Madri, evento que virou vitrine internacional para frutas brasileiras.
Na edição mais recente da feira, em outubro, representantes da COAC e da Xportare, empresa especializada em acesso a mercados, fizeram cerca de 20 contatos com compradores europeus e saíram da Espanha com uma lista de exigências claras e um compromisso: ajustar processos e entregar o primeiro lote em poucas semanas. Pouco mais de um mês depois, as caixas de fruta já cruzavam o Atlântico, sinal de que a cooperativa entendeu rápido o recado do mercado.
IG, GlobalGAP e “zero resíduo” na prática
O embarque não aconteceu só por boa vontade comercial, e sim por um pacote de credenciais que a goiaba de Carlópolis acumulou ao longo dos anos. A fruta tem Indicação Geográfica (IG) reconhecida e certificação GlobalGAP, que atestam boas práticas agrícolas, rastreabilidade, cuidado ambiental e condições adequadas de trabalho.
Foto: Divulgação – Embrapa/Paulo Lanzetta
Além disso, os produtores trabalham com o conceito de “zero resíduo”, buscando níveis de defensivos abaixo dos Limites Máximos de Resíduos exigidos pela União Europeia, muitas vezes muito próximos de zero. Algo decisivo para entrar nas gôndolas europeias com competitividade. Essa combinação de origem protegida, certificação internacional e baixa presença de resíduos virou argumento forte na negociação com importadores.
Poda escalonada e fruta o ano inteiro
Para abastecer o mercado europeu sem falhar na oferta, a COAC aposta em técnica e planejamento de safra. Uma das estratégias é a chamada poda escalonada, em que o produtor divide a poda de frutificação da goiabeira em etapas ao longo do ano. Em vez de cortar todos os galhos de uma vez, ele intervém em partes da planta em momentos diferentes, o que gera colheita contínua e reduz períodos de entressafra.
Essa regularidade garante que a fruta chegue mais fresca ao consumidor. E permite que a cooperativa atenda contratos de exportação semanais ou mensais com maior segurança. Portanto, sem depender apenas de uma grande safra concentrada em poucos meses.
Mais lucro, mais produtores e menos tempo de viagem
A diferença da nova fase está na forma de vender, não no destino. Entre 2020 e 2024, a COAC já tinha enviado mais de 340 toneladas de goiaba para o exterior, principalmente para a Europa. Mas sempre via traders, que ficavam com parte relevante da margem.
Agora, com a venda direta, a cooperativa negocia em contato próximo com o comprador, recebe todo o valor do contrato e ainda pode ajustar calibres, embalagens e logística conforme a exigência de cada mercado. Isso aumenta a rentabilidade dos produtores, fortalece a própria COAC e tende a atrair novos agricultores e novas áreas de plantio para a cultura da goiaba em Carlópolis.
Uma solução aparentemente bizarra, mas cientificamente comprovada, para um problema antigo da pecuária rendeu a uma equipe de pesquisadores japoneses um dos mais cobiçados (e divertidos) prêmios do mundo científico: o Ig Nobel de Biologia de 2025. O estudo demonstrou que pintar listras semelhantes às das zebras em vacas reduz drasticamente o número de picadas de moscas, oferecendo um método livre de pesticidas para o bem-estar animal.
Foto: Reprodução
A revista Annals of Improbable Research concede anualmente o Prêmio Ig Nobel, uma paródia do Nobel que busca “honrar conquistas que primeiro fazem as pessoas rirem e depois as fazem pensar”. O objetivo é celebrar o incomum, o imaginativo e, sobretudo, a curiosidade que impulsiona a ciência, mesmo por caminhos inesperados.
A inspiração por trás das listras
A pesquisa, conduzida por cientistas do Instituto Nacional de Pesquisa em Agricultura e Alimentação (NARO) do Japão, não surgiu do acaso. O Dr. Tomoki Kojima e sua equipe se inspiraram em estudos anteriores que já haviam elucidado um mistério da natureza: por que as zebras têm listras. A hipótese mais forte é que esse padrão único cria uma ilusão de ótica que confunde os olhos compostos das moscas picantes (como a mosca-do-estábulo, Stomoxys calcitrans), dificultando o pouso e, consequentemente, a picada.
Diante do desafio de um produtor rural que buscava alternativas aos pesticidas, o Dr. Kojima teve um insight. “Se funciona para zebras, por que não para vacas?”, pensou. A equipe então partiu para testar a hipótese em vacas da raça Japanese Black (Wagyu).
A metodologia e os resultados surpreendentes
Os pesquisadores dividiram as vacas em três grupos. Um foi pintado com listras pretas e brancas. Já outro foi pintado apenas com listras pretas (grupo de controle para verificar o efeito da tinta, e não do padrão). Por fim, o último grupo não foi pintado.
Os resultados, publicados em periódicos especializados, foram impressionantes. O número de moscas observadas picando as vacas listradas foi menos da metade em comparação com as vacas não pintadas.
O comportamento das vacas listradas mudou significativamente. Elas apresentaram menos 20% de movimentos de repelência, como sacudir a cabeça, bater o rabo e escoicear, indicando um claro estado de maior tranquilidade e menor estresse.
Impacto e limitações do método
O estudo vai além da curiosidade. As picadas de moscas são um grande problema na pecuária. Causam estresse, perda de peso, redução na produção de leite e podem transmitir doenças. O método das listras oferece uma alternativa ambientalmente amigável, que pode reduzir o uso de inseticidas químicos, diminuir os custos para o produtor e mitigar o crescente problema da resistência de pragas a pesticidas.
A principal limitação, como os próprios cientistas admitem, é a durabilidade. A tinta à base de água utilizada no experimento durou apenas alguns dias. A pesquisa agora busca desenvolver uma solução mais permanente, possivelmente em forma de vestimenta ou impressão direta no pelo do animal, que traga praticidade para uso em larga escala.
Uma tradição de sucesso japonês
Esta não é a primeira vez que o Japão se destaca no Ig Nobel. A conquista da equipe do Dr. Kojima marca o 19º ano consecutivo em que o país leva pelo menos um prêmio para casa. Com isso, consolidando uma tradição de pesquisas peculiares, porém rigorosas. Entre os vencedores históricos estão estudos sobre a percepção do sabor com hashis elétricos e a medição do atrito entre uma sola de sapato e uma casca de banana.
Em seu discurso de aceitação, o Dr. Kojima agradeceu aos colegas, familiares e, de forma especial, ao produtor rural que o desafiou a pensar fora da caixa. “Este prêmio é um incentivo para continuarmos buscando soluções simples e criativas para problemas complexos”, declarou.
O Ig Nobel de 2025 também celebrou outras dez pesquisas notáveis. Incluindo um estudo sobre o que acontece quando se diz a um narcisista que ele é inteligente. E também uma investigação para descobrir que tipo de pizza os lagartos preferem. Portanto, provando que o universo da ciência é vasto, diversificado e, acima de tudo, fascinante.
O chocolate tem um dia especial no calendário. Nesta segunda-feira (7), o mundo celebra o Dia Mundial do Chocolate. Amargo ou ao leite, ele agrada diferentes paladares e está presente em receitas e comemorações em todo o mundo.
Indicação Geográfica
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) valoriza a cadeia cacaueira por meio do selo de Indicação Geográfica (IG). Esse selo reconhece a produção de chocolates feita em áreas com características únicas, como solo, clima e relevo. O Mapa concede a IG em duas modalidades: Indicação de Procedência (IP) e Denominação de Origem (DO).
A Indicação de Procedência reconhece localidades conhecidas pela produção de determinado produto ou serviço. Já a Denominação de Origem considera produtos cujas qualidades estão ligadas ao meio geográfico e à tradição local.
No Brasil, uma associação de chocolate artesanal já recebeu esse reconhecimento no Rio Grande do Sul. A Associação de Indústria e Comércio de Chocolates Caseiros de Gramado obteve o selo de IP em 2021. Além disso, duas associações de produtores de cacau também conquistaram o selo: uma no Sul da Bahia e outra em Linhares (ES). Essas entidades produzem amêndoas que podem ser transformadas em chocolate de qualidade reconhecida.
Critérios técnicos
Segundo a Secretaria de Inovação, Desenvolvimento Sustentável, Irrigação e Cooperativismo (SDI/Mapa), o selo IG exige critérios técnicos. Entre os requisitos estão: origem geográfica delimitada, métodos tradicionais de produção e identidade própria.
A IG valoriza o chocolate artesanal, reconhece a autenticidade e impulsiona a economia local. O Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi) concede o selo IG no Brasil. Já o Mapa incentiva ações para ampliar o número de produtos agropecuários com esse reconhecimento.