Tag: herbicidas

  • Brasil reduz compras de defensivos em 2026

    Brasil reduz compras de defensivos em 2026

    As importações brasileiras de defensivos químicos alcançaram US$ 4,28 bilhões entre janeiro e maio de 2026, queda de 6,8% frente ao mesmo período de 2025, quando somaram US$ 4,59 bilhões. Em volume, o recuo foi de 6,5%, passando de 537,3 mil toneladas para 502,6 mil toneladas.

    Os dados, compilados pelo CropData, mostram um mercado em ajuste, com redução no preço médio e avanço dos produtos genéricos nas compras externas.

    Do total importado, os produtos formulados representaram US$ 1,4 bilhão, pouco mais de um terço do valor. A retração também atingiu esse segmento, tanto em volume quanto em ticket médio.

    Segundo o gerente executivo da CropLife Brasil, Renato Gomides, a queda nas importações não indica redução no nível de proteção das lavouras, mas sim uma mudança no perfil de consumo.

    “A dinâmica reflete maior participação de produtos pós-patente, amplamente disponíveis no mercado global. Com margens pressionadas, endividamento e crédito restrito, o produtor diversifica o portfólio e busca alternativas mais acessíveis”, afirma.

    Ele destaca ainda que o Brasil enfrenta entraves regulatórios na aprovação de novas tecnologias, com prazos mais longos que outras grandes potências agrícolas. “Esse atraso direciona o mercado para soluções já disponíveis, reforçando o uso de genéricos”, completa.

    Herbicidas lideram importações de formulados

    Entre os produtos formulados, os herbicidas lideraram as importações, com US$ 471 milhões e 112 mil toneladas. Apesar da liderança, o segmento registrou queda em valor, volume e preço médio na comparação anual.

    Inseticidas (US$ 295 milhões) e fungicidas (US$ 249 milhões) aparecem na sequência, também com retração.

    Os herbicidas responderam por 34% do valor e quase 45% do volume dos formulados importados no período. O protagonismo, segundo Gomides, está diretamente ligado à dinâmica agronômica das lavouras brasileiras.

    “O controle de plantas daninhas é essencial para evitar competição por água, luz e nutrientes. No sistema de plantio direto, amplamente adotado no Brasil, o manejo químico substitui o revolvimento do solo, reduzindo erosão e compactação”, explica.

    Ele acrescenta que produtores têm intensificado o uso de herbicidas, especialmente pré-emergentes, para garantir eficiência em culturas como soja, milho e algodão.

    China domina fornecimento de herbicidas

    A China liderou as exportações de herbicidas formulados ao Brasil, com 72% do valor (US$ 338 milhões) e 90% do volume (100 mil toneladas).

    Na sequência, aparecem Estados Unidos e Alemanha, com 10% (US$ 47 milhões) e 5% (US$ 26 milhões) do valor importado, respectivamente. Em volume, os EUA e a Índia ocupam as posições seguintes.

    Plataforma amplia análise de mercado

    O CropData passou a oferecer novas funcionalidades para análise do mercado de defensivos químicos.

    Entre elas, a ferramenta de importação por ingrediente ativo permite avaliar até 19 substâncias, comparando produtos técnicos e formulados, com dados de valor, volume, preço médio e origem.

    Outra novidade é o monitoramento da comercialização no mercado interno, com base em dados do Ibama. Em 2024, o Brasil comercializou 826 mil toneladas de produtos formulados.

    Considerando a área agrícola nacional, incluindo grãos, café, cana-de-açúcar, hortifrutigranjeiros e florestas plantadas, o consumo médio foi de 7,73 kg por hectare. O indicador segue metodologia da FAO para estimar o uso de defensivos no país.

  • Percevejo, mancha-alvo e mato: o trio que ameaça a rentabilidade

    Percevejo, mancha-alvo e mato: o trio que ameaça a rentabilidade

    A agricultura brasileira entrou em um novo patamar de exigência técnica, no qual produzir mais não é mais suficiente: é preciso produzir melhor. Essa foi a principal mensagem apresentada por Valdumiro Garcia, gerente de Marketing Regional da IHARA, durante a 23ª Tecnoshow Comigo, realizada em Rio Verde (GO). Nesse contexto, a pressão por produtividade aumenta, e o sucesso no campo passa a depender de inovação, manejo assertivo e escolha correta de tecnologias.

    Segundo ele, a IHARA atua como uma ponte entre a tecnologia japonesa e o agricultor brasileiro, trazendo moléculas inovadoras adaptadas à realidade tropical. “A agricultura é capricho. Não basta plantar, é preciso entender o ambiente, o momento da planta e o problema a ser enfrentado”, afirmou.

    A necessidade de inovação, explicou, está diretamente ligada às características do sistema produtivo brasileiro. Com possibilidade de segunda safra e condições climáticas favoráveis, o mesmo ambiente que beneficia as culturas também favorece pragas e doenças. “Tudo que é bom para a planta também é bom para os fatores que limitam a produtividade”, ressaltou. Por isso, investir em tecnologia deixou de ser uma opção e passou a ser uma necessidade.

    Hoje, o Brasil possui cerca de 50 milhões de hectares de soja. No entanto, a área tratada com defensivos ultrapassa 1,4 bilhão de hectares ao longo dos anos, considerando múltiplas aplicações. Esse dado evidencia um movimento claro: o agricultor trata cada vez mais sua lavoura para proteger o potencial produtivo.

    Produtividade exige estratégia e precisão

    No Cerrado, a média de produtividade gira em torno de 55 sacas por hectare — ponto de equilíbrio para muitos produtores. A margem de lucro, porém, só aparece acima disso. Para alcançar ganhos mais expressivos, é necessário atingir patamares entre 70 e 75 sacas por hectare.

    Esse salto produtivo, segundo Valdumiro, depende de uma combinação de fatores: melhoramento genético, acesso a crédito e, principalmente, manejo eficiente. “É impossível imaginar a prosperidade da agricultura brasileira sem investimento em tecnologia”, afirmou.

    Valdumiro Garcia, gerente de Marketing Regional da IHARA, durante a 23ª Tecnoshow Comigo – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    O avanço das doenças e pragas também exige um olhar mais detalhado. Se no passado o foco estava em problemas visíveis, como a ferrugem asiática, hoje o cenário é mais complexo. A mancha-alvo, por exemplo, vem ganhando protagonismo e já apresenta maior tolerância a fungicidas tradicionais.

    Diante desse cenário, a IHARA apresentou o fungicida SEIV, desenvolvido especificamente para o controle dessa doença. De acordo com dados da empresa, a tecnologia pode alcançar até 95% de eficácia, contribuindo diretamente para a manutenção da produtividade.

    Outro ponto destacado foi a importância da especificidade no manejo. Enquanto o produtor costuma escolher fungicidas considerando o tipo de doença e o estágio da planta, o mesmo cuidado nem sempre ocorre no controle de pragas.

    Pressão de pragas e plantas daninhas aumenta

    Entre os principais desafios atuais estão os percevejos, especialmente o barriga-verde, que vem se adaptando à soja e causando danos mais severos que o percevejo-marrom. Além disso, a presença de mosca-branca em anos chuvosos rompe antigos padrões e exige novas estratégias de controle.

    Para esse cenário, o inseticida ZEUS surge como uma solução de amplo espectro, com atuação eficiente tanto em percevejos quanto em mosca-branca, além de efeito residual prolongado.

    No manejo de plantas daninhas, o alerta é para a crescente resistência. Espécies como capim-pé-de-galinha, caruru e capim-amargoso apresentam menor sensibilidade aos herbicidas convencionais, exigindo novas abordagens.

    Uma das estratégias defendidas é o uso de herbicidas pré-emergentes, como o Yamato, que atuam antes mesmo da germinação das plantas invasoras. Ainda assim, há espaço para crescimento: cerca de metade das lavouras brasileiras de soja não utiliza esse tipo de manejo.

    “A planta daninha precisa ser combatida antes de aparecer. O produtor precisa surpreender o problema, não reagir a ele”, explicou.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Cooperativismo e futuro da agricultura

    A relevância da Tecnoshow Comigo também aparece como ponto de conexão entre tecnologia e produtor. A cooperativa atua em cerca de 22% da área de soja e milho de Goiás, reforçando o papel do cooperativismo na difusão de conhecimento e inovação.

    Ao mesmo tempo, a IHARA mantém um pipeline robusto, com 22 novos ativos em desenvolvimento e potencial para até 240 produtos. Entre os lançamentos previstos está o Fusão Fix, que promete mais praticidade e eficiência no manejo da soja.

    A mensagem final reforça a mudança de mentalidade no campo. Se antes produzir 70 sacas era referência, hoje já se fala em 100 sacas por hectare. Assim, o novo cenário exige mais conhecimento, planejamento e precisão.

    “Cada vez mais, o agricultor precisa conhecer o alvo e escolher a solução adequada. Esse é o caminho para garantir produtividade, rentabilidade e sustentabilidade no campo”, concluiu Valdumiro.

  • Capim-capeta avança e acende alerta no Brasil

    Capim-capeta avança e acende alerta no Brasil

    O avanço do capim-capeta (Sporobolus spp.) preocupa produtores e especialistas em todo o Brasil. A planta daninha, considerada uma das mais agressivas das pastagens, pode reduzir a capacidade de lotação em até 40%, comprometendo a produção de carne e leite e desvalorizando propriedades rurais. Em alguns casos, áreas fortemente infestadas tornam-se inviáveis para a pecuária.

    Foto: Divulgação

    O impacto econômico é expressivo. Em uma fazenda com capacidade inicial de 2,0 unidades animais por hectare (UA/ha), a presença do capim-capeta pode gerar perda de 0,8 UA/ha. Com o preço médio da arroba a R$ 250,00 e produção de 16 arrobas por unidade animal ao ano, a perda chega a 12,8 arrobas por hectare, equivalente a cerca de R$ 3,2 mil por hectare por ano.

    Disseminação rápida aumenta o risco

    O potencial de propagação do capim-capeta é o principal motivo de alerta. Uma única touceira produz até 200 mil sementes por ano, com capacidade de permanecer viáveis no solo por até dez anos. As sementes se espalham facilmente por pneus, equipamentos agrícolas, fezes de animais e até pela água da chuva, o que acelera a colonização de novas áreas.

    “Em três ou quatro anos, o capim-capeta pode dominar grandes extensões, especialmente onde há falhas de cobertura ou degradação das pastagens. Embora não cause a degradação inicial, ele agrava o problema e dificulta a recuperação da área”, explica Gustavo Corsini, engenheiro agrônomo.

    A preocupação aumenta diante da relevância da pecuária nacional. Segundo a Embrapa, o Brasil possui 213,7 milhões de bovinos, e quase 90% da carne é produzida em sistemas a pasto. São cerca de 160 milhões de hectares de pastagens que sustentam mais de 200 milhões de animais.

    Controle do capim-capeta requer tecnologia

    Especialistas alertam que o enfrentamento do capim-capeta exige mudança de estratégia. O uso de herbicidas modernos e práticas de manejo integradas torna-se indispensável para conter o avanço da planta. “O momento pede modernização das técnicas e uso de soluções tecnológicas eficazes no controle dessa invasora”, afirma Iuri Cosin, engenheiro agrônomo e gerente de Produtos Herbicidas da IHARA.

    Em um setor que depende da qualidade das pastagens, investir em manejo eficiente significa mais do que combater uma planta daninha. É garantir produtividade, rentabilidade e sustentabilidade. “Cuidar do pasto é fortalecer toda a base produtiva, assegurando rebanhos mais saudáveis e maior retorno econômico”, conclui Gustavo Corsini.

  • Governo lança plano de guerra contra o caruru-gigante

    Governo lança plano de guerra contra o caruru-gigante

    O Governador Tarcísio de Freitas e o secretário de Agricultura e Abastecimento, Geraldo Melo Filho, assinaram na última sexta-feira (20) o Plano Estadual de Prevenção, Controle e Erradicação do caruru-gigante (Amaranthus palmeri). A Resolução SAA nº 7/2026, publicada no Diário Oficial, define as regras técnicas e operacionais para eliminar a planta daninha invasora do território paulista.

    A medida oficializa a força-tarefa que a Defesa Agropecuária iniciou em 3 de fevereiro, logo após a confirmação do primeiro foco no município de Mirassol, na região de São José do Rio Preto. Na ocasião, os fiscais interditaram a propriedade, eliminaram as plantas e iniciaram o monitoramento ampliado da área.

    Agora, com o plano em vigor, a Secretaria organiza as ações de vigilância fitossanitária, fiscalização e erradicação em todo o estado. O protocolo prevê a padronização dos procedimentos, incluindo a rastreabilidade das áreas, o manejo integrado da praga e o controle rigoroso do trânsito de máquinas e implementos agrícolas.

    “A resposta rápida do Estado agora se consolida num plano permanente. Estamos mobilizando toda a estrutura da Secretaria, em parceria com produtores, prefeituras e instituições de pesquisa, para evitar a disseminação da praga e preservar a competitividade da nossa agricultura”, afirma o secretário Geraldo Melo Filho.

    Impacto bilionário

    A preocupação do governo tem lastro econômico. O caruru-gigante ataca culturas estratégicas como soja, milho e algodão, que juntas movimentam R$ 13 bilhões no Valor da Produção Agropecuária paulista.

    A soja responde por cerca de R$ 8,9 bilhões anuais, o milho supera R$ 4 bilhões e o algodão atinge R$ 181 milhões. Caso a praga se espalhe, os prejuízos podem vir tanto da queda de produtividade quanto do aumento significativo dos custos para controle.

    “As ações incluem vigilâncias ativas e passivas, controle de máquinas, manejo integrado e eliminação imediata dos focos. Precisamos que todo o setor produtivo embarque nessa para extinguirmos a praga com a máxima eficiência”, explica Alexandre Paloschi, diretor do Departamento de Defesa Sanitária Vegetal.

    Ameaça silenciosa

    O Amaranthus palmeri não é uma planta daninha comum. De crescimento rápido e elevada agressividade, a espécie apresenta resistência a herbicidas e uma capacidade reprodutiva impressionante. Cada planta fêmea produz de 200 mil a 500 mil sementes, dependendo das condições ambientais.

    Outro fator de alerta para os agrônomos é que as fêmeas podem gerar sementes viáveis mesmo sem a polinização por plantas machos. Essa característica exige monitoramento contínuo das áreas agrícolas.

    Diante de qualquer suspeita da praga, especialmente em locais com indícios de resistência a herbicidas, produtores e técnicos devem contatar imediatamente a unidade da Defesa Agropecuária mais próxima.

  • Soluções japonesas elevam produtividade no campo

    Soluções japonesas elevam produtividade no campo

    A Ihara apresentou suas principais apostas em inovação, novos produtos e estratégias para ampliar a produtividade agrícola no Brasil durante a 38ª edição da Show Rural Coopavel, realizada de 9 a 13 de fevereiro, em Cascavel (PR). Em coletiva de imprensa no evento, o gerente distrital e comercial da empresa, Rafael Scapini, detalhou tendências de mercado, desafios do manejo e os próximos lançamentos previstos no portfólio da companhia.

    Inovação japonesa aplicada ao campo brasileiro

    Reconhecida como uma das principais plataformas de inovação agrícola do Japão no Brasil, a Ihara atua com acionistas majoritariamente ligados ao fornecimento de moléculas. Esse modelo permite que soluções desenvolvidas no maior polo de pesquisa agrícola do mundo cheguem ao campo brasileiro de forma direcionada às necessidades do produtor.

    Rafael Scapini, gerente distrital e comercial da Ihara – Foto: Pedro H, Lopes

    Além disso, a empresa mantém o foco em transformar tecnologia em resultado prático na lavoura. O objetivo, segundo Scapini, é garantir que a inovação chegue até o produto final, com impacto direto na produtividade e na rentabilidade.

    Crescimento do portfólio e novos lançamentos

    O avanço da Ihara no País ocorre de forma consistente. Em 2017, a empresa registrou seu maior crescimento histórico, com o lançamento de 15 produtos em um único ano. Já em 2025, o portfólio alcançou 79 produtos disponíveis, atendendo todas as culturas e segmentos do agronegócio.

    Atualmente, a companhia avalia e desenvolve 22 moléculas, com potencial para originar até 240 novos produtos. Além disso, quatro soluções — dois fungicidas e dois inseticidas — avançam para a fase final de desenvolvimento. “Tem muita coisa nova para vir por aí”, afirmou Scapini.

    Entre os produtos que devem chegar em breve ao agricultor estão o Fusão Fix, fungicida voltado à cultura da soja; o Alecto, inseticida com molécula inédita para o controle de lagartas; e o Olympo, mistura tripla para soja, com ação contra lagartas, percevejos e outras pragas.

    Recentemente, a Ihara também lançou o SEIV, fungicida desenvolvido com tecnologia própria para o controle da mancha-alvo. Segundo a empresa, o produto permite máximo controle da doença e pode elevar a produtividade em até quatro sacas por hectare.

    Custos de produção e busca por eficiência

    De acordo com Scapini, o produtor rural tem ampliado o investimento em tecnologia como resposta às margens cada vez mais apertadas. Atualmente, cerca de 20% dos recursos vão para fungicidas, 25% para inseticidas, 20% para herbicidas e 7% para tratamento de sementes, além de outros custos de manejo.

    No custo total de produção, os fertilizantes representam aproximadamente 25%, enquanto os defensivos somam 15% e as sementes ficam entre 7% e 8%. Para alcançar o ponto de equilíbrio, o produtor precisa colher cerca de 55 sacas de soja por hectare ao adotar um pacote tecnológico completo.

    Nesse contexto, o investimento em manejo adequado deixou de ser opção e passou a ser necessidade. “Novos patamares de produtividade exigem capricho e planejamento”, destacou o gerente.

    Manejo de plantas daninhas e resistência

    O manejo de plantas daninhas se consolidou como um dos maiores desafios da agricultura moderna. A resistência ao glifosato acelerou o uso de herbicidas pré-emergentes, especialmente no Sul do País. Espécies como caruru, buva e capim-pé-de-galinha ganharam espaço com as condições climáticas favoráveis.

    Diante desse cenário, o herbicida Yamato SC ganhou importância no manejo da resistência. O produto oferece maior período de controle, alta seletividade e segurança para o agricultor iniciar a lavoura no limpo.

    Enquanto isso, a evolução genética também transformou o campo. Se antes uma mesma genética atendia grandes regiões, hoje a escolha ocorre por propriedade. Assim, o produtor alia genética, seletividade e tecnologia para alcançar maior eficiência.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Doenças e controle de pragas

    Entre as doenças da soja, a ferrugem asiática segue como a principal preocupação. Dados da Aprosoja indicam que a doença pode comprometer até 90% da produção. Na última safra, o Brasil registrou mais de 240 focos, o maior número já observado.

    Para enfrentar esse desafio, a Ihara destaca os fungicidas Sugoy e Fusão. O Sugoy reúne uma mistura tripla com ação contra ferrugem, mancha-alvo, antracnose e outras doenças. Dessa forma, o produtor não precisa adicionar outros produtos ao manejo. Já o Fusão combina alta performance com baixo investimento, o que o torna indispensável na rotina do campo.

    No controle de insetos, o Zeus se consolidou como referência no manejo de percevejos. Segundo dados apresentados, apenas um percevejo por metro quadrado pode gerar prejuízos superiores a R$ 11 mil em uma área de 100 hectares. “Não é promessa, é resultado de campo”, reforçou Scapini.

    Com foco em inovação contínua, tecnologia japonesa e soluções adaptadas à realidade brasileira, a Ihara projeta um novo ciclo de crescimento no País. A estratégia prioriza eficiência no manejo, controle preciso de pragas e doenças e aumento da rentabilidade. “É o detalhe que faz a diferença dentro do manejo produtivo”, concluiu o gerente.

  • Tecnologia de aplicação garante uso seguro de defensivos

    Tecnologia de aplicação garante uso seguro de defensivos

    A correta tecnologia de aplicação de pesticidas é determinante para a eficiência e a segurança na produção de alimentos. Com esse foco, a Embrapa Soja (PR) e a Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) reuniram orientações práticas voltadas aos desafios enfrentados no uso de defensivos agrícolas em condições de campo. As informações integram a publicação Tecnologia de Aplicação de Pesticidas, que será lançada durante o Show Rural Coopavel 2026, em Cascavel (PR).

    Foto: Rafael Soares/Embrapa

    De acordo com o pesquisador Dionísio Gazziero, da Embrapa Soja, todo processo de controle, desde o diagnóstico até a aplicação do produto, deve observar critérios técnicos e ambientais. “O uso de pesticidas requer equipamentos em boas condições, regulagem adequada e conhecimento técnico para atingir o alvo com segurança humana e ambiental”, destaca.

    Lançamento ocorre durante o Show Rural Coopavel

    A publicação será apresentada na Vitrine de Tecnologias da Embrapa, entre os dias 9 e 13 de fevereiro, durante o Show Rural Coopavel 2026. Assinam o material os pesquisadores Cleber Maciel, Dionísio Gazziero, Rafael Theisen, Luiz Gustavo Bridi e Fernando Adegas.

    Os autores ressaltam que a eficiência da aplicação depende da escolha correta do produto, do respeito às recomendações técnicas e do monitoramento das condições climáticas. “Desde o momento em que a calda sai do pulverizador até atingir o alvo, seguir as orientações é essencial para evitar perdas e contaminações”, complementa Gazziero.

    Condições climáticas e tamanho das gotas influenciam resultados

    Fatores ambientais exercem grande peso sobre a eficiência da aplicação. Ventos fortes, baixa umidade e altas temperaturas aumentam riscos de deriva e evaporação. Segundo Cleber Maciel, as condições ideais envolvem velocidades de vento entre 3,2 e 6,5 km/h, umidade mínima de 55% e temperatura inferior a 30 °C.

    O tamanho das gotas também é decisivo. Gotas muito finas favorecem a cobertura, mas ficam mais suscetíveis à deriva; gotas maiores reduzem contaminações e atendem melhor à aplicação de herbicidas mimetizadores da auxina. “A escolha correta das pontas de pulverização e da pressão de trabalho é estratégica para evitar fitointoxicação e impacto ambiental”, observa o pesquisador da Unicentro.

    Regulagem e calibração de pulverizadores são pontos críticos

    A regulagem e calibração dos pulverizadores está entre os principais gargalos do setor. Gazziero afirma que inspeções de campo mostram alto índice de equipamentos operando com falhas, o que compromete o controle e a segurança ambiental. “A calibração correta garante que o volume de calda aplicado corresponda ao planejado, evitando desperdícios e desuniformidade”, explica.

    Problemas como vazamentos, bicos desgastados e filtros obstruídos são comuns e reduzem a qualidade da aplicação. Para os especialistas, a manutenção preventiva, a capacitação de operadores e o respeito às condições ambientais representam medidas essenciais para aprimorar o manejo fitossanitário no país.

    Misturas em tanque exigem atenção

    As misturas em tanque de diferentes produtos, como herbicidas, fungicidas, inseticidas e fertilizantes foliares, são prática comum no campo para otimizar tempo e custos. No entanto, exigem atenção redobrada. “Incompatibilidades físicas e químicas podem entupir bicos, formar espuma e até provocar fitotoxicidade nas culturas”, alerta Maciel.

    Por isso, os pesquisadores reforçam a importância de seguir estritamente as recomendações técnicas de cada produto. “O sucesso do manejo fitossanitário depende não apenas do produto, mas da forma como ele é aplicado. A capacitação e o uso consciente da tecnologia são fundamentais para garantir produtividade com segurança para o aplicador, o consumidor e o meio ambiente”, conclui Gazziero.

  • Brasil registra crescimento na área tratada com defensivos agrícolas

    Brasil registra crescimento na área tratada com defensivos agrícolas

    O Brasil expandiu em 3,1% a área tratada com defensivos agrícolas no primeiro semestre de 2025. O crescimento comparado ao mesmo período de 2024 elevou o total para mais de 1,1 bilhão de hectares tratados. Os dados integram pesquisa da Kynetec Brasil encomendada pelo Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Vegetal (Sindiveg).

    As culturas de segunda safra lideraram a expansão no período. Algodão e milho, plantados no início do ano, registraram crescimento tanto em área quanto em tecnologia aplicada. Os produtores aumentaram o número de aplicações, especialmente de inseticidas e fungicidas foliares.

    A expansão poderia ter sido maior, mas eventos de estiagem atingiram Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso do Sul. A seca nessas regiões impactou a safra de soja 2024/25 e reduziu o manejo com fungicidas foliares.

    Volume de aplicações cresce 4,5%

    O volume total de defensivos aplicados entre janeiro e junho cresceu 4,5% em relação a 2024. A distribuição por categoria mostra herbicidas representando 40% do total. Inseticidas respondem por 29%, fungicidas por 21%, tratamento de sementes por 1% e outros produtos somam 8%.

    A metodologia considera a PAT (Área Potencial Tratada). Este indicador calcula o número de aplicações e produtos no tanque. Assim, a PAT reflete tanto a área cultivada quanto a intensidade tecnológica nas lavouras.

    O milho representou 33% da área total tratada no período. A soja ficou em segundo lugar com 28%, seguida pelo algodão com 16%. As demais culturas se distribuem entre pastagem (6%), cana (4%), feijão (3%), café (2%), arroz (2%), citros (2%), trigo (1%), hortifruti (1%) e outras (3%).

    Regionalmente, Mato Grosso e Rondônia concentraram 38% da área tratada nacional. A região BAMATOPIPA (Bahia, Maranhão, Tocantins, Piauí e Pará) respondeu por 17%. São Paulo e Minas Gerais somaram 13%, seguidos por Paraná (9%), Goiás e Distrito Federal (8%), Mato Grosso do Sul (8%), Rio Grande do Sul e Santa Catarina (6%). As demais regiões representaram 2%.

    Indicador PAT ganha relevância

    Os resultados demonstram a importância do indicador PAT para monitorar o setor. A ferramenta se torna ainda mais crucial em cenários de instabilidade climática. A tomada de decisões técnicas no campo depende dessas informações para proteger lavouras e manter produtividade.

    O crescimento registrado reflete a adaptação dos produtores às condições adversas. Chuvas irregulares e temperaturas acima da média exigiram maior intensidade no uso de defensivos para garantir a proteção das culturas.

  • Embrapa descobre técnicas simples que eliminam herbicidas em lavouras orgânicas

    Embrapa descobre técnicas simples que eliminam herbicidas em lavouras orgânicas

    Pesquisadores da Embrapa desenvolveram métodos eficazes para controlar plantas invasoras sem usar herbicidas. O estudo realizado no Cerrado goiano comprova que técnicas simples como rotação de culturas, cobertura do solo e semeadura direta eliminam a necessidade de produtos químicos.

    A descoberta revoluciona especialmente a agricultura orgânica e agroecológica. Produtores rurais podem reduzir drasticamente o uso de capina manual. O método também preserva o meio ambiente e mantém a produtividade das lavouras.

    Experimento comprova eficácia em ambiente tropical

    A pesquisa aconteceu na Fazendinha Agroecológica da Embrapa Arroz e Feijão, em Santo Antônio de Goiás. Cientistas avaliaram diferentes formas de manejo durante quatro anos consecutivos. A área estudada passava por transição do sistema convencional para o orgânico.

    Os pesquisadores testaram como plantas de cobertura influenciam a presença de vegetação espontânea. Também compararam o preparo convencional do solo com o plantio direto. O objetivo era encontrar o equilíbrio entre controle e convivência com plantas nativas.

    Manejo agroecológico prioriza biodiversidade

    O sistema orgânico trata plantas espontâneas de forma diferente da agricultura convencional. Produtores agroecológicos preservam e mantêm a biodiversidade local. As plantas nativas fazem parte do ambiente produtivo.

    Crotalária juncea no campo
    Foto: Arminda Carvalho/Embrapa

    Lavouras orgânicas buscam equilíbrio entre diferentes espécies vegetais. O controle acontece através de práticas sustentáveis. Técnicas como cobertura do solo, rotação de culturas e escolha de variedades adequadas auxiliam no processo.

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    O experimento funcionou com plantios sucessivos ao longo dos anos. Pesquisadores cultivaram milho e feijão no início do período chuvoso. Após a colheita, semearam plantas de cobertura na safrinha.

    Crotalária, guandu, mucuna-preta e sorgo vassoura permaneceram no campo durante a entressafra. Com a chegada das chuvas, cientistas manejaram essa cobertura vegetal. O material ficou sobre o solo para plantio direto ou foi incorporado para semeadura convencional.

    Tiririca tem população reduzida em 300%

    O estudo identificou 25 espécies de plantas espontâneas na área. Pesquisadores focaram nas mais problemáticas: tiririca, trapoeraba, corda de viola, picão-preto e leiteiro. Essas plantas causam maiores prejuízos nas culturas de feijão e milho.

    A tiririca representa um dos principais desafios em sistemas tropicais. Plantas de cobertura exerceram efeito supressor significativo. “O plantio direto reduziu a população de tiririca em cerca de três vezes comparado ao preparo convencional”, explica Agostinho Didonet, coordenador da pesquisa.

    Sorgo vassoura, milheto e crotalária apresentaram os melhores resultados. Essas espécies oferecem maior cobertura do solo e produzem mais biomassa. A proteção física impede o desenvolvimento de plantas invasoras.

    Crotalária dobra controle de trapoeraba

    Para trapoeraba, outra planta comum no Cerrado, diferentes coberturas mostraram eficácia variável. Crotalária, guandu e mucuna quase dobraram o controle comparado ao pousio. Sorgo vassoura apresentou resultados inferiores para essa espécie.

    “O tipo de preparo do solo não afetou significativamente o efeito supressor das plantas de cobertura”, observa Didonet. O plantio direto e o sistema convencional tiveram performance similar no controle de trapoeraba.

    Dia de campo em área de feijão da Fazendinha Agroecológica da Embrapa Arroz e Feijão – Foto: Sebastião Araújo/Embrapa

    A rotação de culturas na safra principal combinada com diferentes plantas de cobertura criou condições favoráveis. O sistema alcançou equilíbrio sem predomínio de nenhuma espécie invasora. Essa diversidade facilita o controle seguindo princípios agroecológicos.

    Plantas de cobertura em plantio direto reduziram a competitividade de espécies espontâneas. A presença de resíduos vegetais na superfície durante todo o ano explica esse resultado. O método imita processos naturais dos ecossistemas.

    Sustentabilidade garante produtividade a longo prazo

    Sistemas agroecológicos reproduzem características dos ecossistemas naturais. Utilizam técnicas agrícolas baseadas em princípios sustentáveis. O objetivo é preservar o meio ambiente sem reduzir a capacidade produtiva.

    A agroecologia integra aspectos agronômicos, ecológicos e socioeconômicos. Avalia efeitos das tecnologias sobre sistemas agrícolas e sociedade. O método desenvolvido pela Embrapa oferece alternativa viável para produtores orgânicos.

    A pesquisa comprova que técnicas simples podem substituir herbicidas com eficácia. Produtores rurais ganham autonomia e reduzem custos de produção. O meio ambiente se beneficia com a eliminação de produtos químicos.

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  • Uso de herbicidas no Brasil sobe 128% em uma década

    Uso de herbicidas no Brasil sobe 128% em uma década

    O Brasil registrou um aumento expressivo no consumo de herbicidas nos últimos 11 anos. De acordo com um estudo da Embrapa Meio Ambiente em parceria com a Universidade de Rio Verde, entre 2010 e 2020, as vendas saltaram de 157,5 mil para 329,7 mil toneladas anuais de ingredientes ativos. Esse avanço, de 128%, contrasta fortemente com o crescimento da área agrícola, que foi de 24% no mesmo período.

    A principal razão para esse aumento é a resistência crescente das plantas daninhas ao glifosato, o herbicida mais utilizado no país. Esse fenômeno silencioso impõe grandes desafios ao manejo agrícola, pois reduz a eficácia do controle químico tradicional, obriga a adoção de novas moléculas e eleva os custos de produção.

    Com o glifosato perdendo eficiência, agricultores passaram a recorrer a outros princípios ativos. Entre 2010 e 2020, algumas moléculas foram destaque pelo rápido crescimento no uso:

    • Cletodim: aumento de 2.672%
    • Triclopir: 953%
    • Haloxifope: 896%
    • Diclosulam: 561%
    • Flumioxazina: 531%
    • Glufosinato: 290%
    • 2,4-D: 233%

    Esses números refletem o esforço dos produtores em manter o controle químico como estratégia principal no campo, mesmo diante de plantas daninhas cada vez mais resistentes.

    Metodologia do estudo

    O levantamento utilizou dados oficiais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), ajustando para normas internacionais e excluindo produtos para uso não agrícola e adjuvantes exclusivos. Os herbicidas mais comuns foram convertidos em unidades equivalentes para padronização dos dados, considerando “equivalente ácido” para glifosato, 2,4-D, triclopir e haloxifope; “toneladas de íon equivalente” para paraquate e diquate; “toneladas de cobre metálico equivalente” para fungicidas à base de cobre; e “toneladas de ingrediente ativo” para os demais defensivos.

    Foto: Wenderson Araujo/Trilux/Sistema CNA/Senar

    A equipe comparou a evolução do uso dos herbicidas com a expansão da área agrícola, das lavouras de soja e das pastagens não degradadas, utilizando dados do IBGE e da Universidade Federal de Goiás. Isso permitiu uma visão ampla do impacto dessas substâncias no contexto agrícola brasileiro.

    Herbicidas se consolidam como insumos prioritários

    O resultado evidenciou o protagonismo dos herbicidas entre os defensivos agrícolas. Diferentemente de fungicidas e inseticidas, usados apenas durante o cultivo, os herbicidas são aplicados do preparo do solo até o pré-colheita e no manejo de áreas de pousio. Essa versatilidade consolidou seu uso e aumentou consideravelmente a dependência do setor agrícola nacional por essas moléculas.

    No ano de 2020, os herbicidas responderam por cerca de 59% do mercado nacional de defensivos agrícolas. Fungicidas e inseticidas ficaram bem atrás.

    Limitações e preocupações ambientais

    O Brasil ainda apresenta baixa oferta de métodos alternativos ao controle químico, como técnicas físicas (laser, espuma, descargas elétricas) e bioherbicidas produzidos a partir de microrganismos ou extratos vegetais. Além dos impactos ambientais, o uso crescente de herbicidas torna o manejo mais caro e exige elevada especialização técnica, pois é preciso combinar diferentes moléculas ou alternar aplicações para tentar driblar a resistência, aumentando a carga química no ambiente.

    Atualmente, o país já registrou 20 casos de resistência ao glifosato, envolvendo pelo menos 12 espécies de plantas consideradas invasoras, como capim-amargoso, buva, caruru e capim-pé-de-galinha. As lavouras também passaram a conviver com plantas voluntárias de milho transgênico resistente ao glifosato, tornando o controle ainda mais complexo.

    Razões históricas para a dependência do glifosato

    Dois marcos históricos reforçaram a dependência desse produto. A adoção do sistema de plantio direto nos anos 1990 e a chegada das sementes transgênicas resistentes ao glifosato nos anos 2000. Esses avanços simplificaram o manejo, mas contribuíram para a intensificação do uso repetitivo do mesmo princípio ativo. Esse cenário, aliado à redução da mão de obra rural e à urbanização, favoreceu a mecanização e a ampliação do uso de insumos químicos.

    Os pesquisadores alertam para a necessidade urgente de reorganizar o sistema de produção rural brasileiro para garantir a sustentabilidade. Eles sugerem medidas como:

    • Maior investimento em pesquisa e desenvolvimento de bioherbicidas
    • Estímulo à adoção de métodos físicos de controle de plantas daninhas
    • Desenvolvimento de nanoformulações para liberação controlada de herbicidas, que permita a redução das doses aplicadas
    • Políticas públicas para incentivar a aquisição e adaptação de pulverizadores equipados com sensores de detecção de plantas
    • Capacitação constante de técnicos e produtores rurais para aplicação do manejo integrado
    • Certificação e premiação de agricultores que realizem uso racional e minimizado de defensivos

    O futuro do controle de plantas daninhas

    Segundo os pesquisadores, a superação da dependência química exclusiva só será possível com políticas públicas específicas, ampliação da pesquisa, inovação e incentivos à transição para sistemas integrados e equilibrados. O objetivo é garantir a produtividade com sustentabilidade a médio e longo prazo.

    O estudo reforça que o futuro da agricultura brasileira passa por diversificação de estratégias, integração de tecnologias inovadoras e pelo fortalecimento da pesquisa nacional em biotecnologia e controle alternativo de plantas daninhas.

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  • Glifosato: guerra judicial pode tirar um dos principais herbicidas do mercado

    Glifosato: guerra judicial pode tirar um dos principais herbicidas do mercado

    A possível retirada do herbicida Roundup do mercado norte americano está gerando preocupação entre agricultores, especialistas e a empresa Bayer. Ela enfrenta uma avalanche de processos judiciais relacionados ao produto. O herbicida, amplamente utilizado na agricultura mundial, tem como ingrediente ativo o glifosato, substância acusada de causar câncer em humanos. Segundo matéria do Wall Street Journal, a Bayer planeja descontinuar o produto depois de tantos processos.

    Desde que adquiriu a Monsanto em 2018, a Bayer tem enfrentado milhares de ações judiciais. Elas alegam que o glifosato é carcinogênico e que a empresa falhou em alertar os consumidores sobre os riscos à saúde. Em 2020, a Bayer concordou em pagar cerca de US$ 11 bilhões para resolver grande parte das reivindicações, mas ainda há muitos casos pendentes. Recentemente, um tribunal nos Estados Unidos ordenou que a empresa pagasse US$ 2,1 bilhões em um único caso envolvendo um consumidor diagnosticado com linfoma não-Hodgkin após anos de uso do Roundup.

    Esses processos têm causado impactos financeiros significativos à Bayer, que agora considera encerrar a produção do herbicida devido aos custos crescentes com indenizações e à pressão regulatória. A empresa pode decidir o assunto nos próximos meses e deve ter implicações profundas para a agricultura global.

    Dependência agrícola e impactos econômicos

    Agricultores consideram o Roundup uma ferramenta essencial devido à eficácia no controle de ervas daninhas. Nos Estados Unidos, por exemplo, o glifosato é usado em cerca de 87% das áreas cultivadas com milho, soja e algodão. Um estudo recente aponta que sua retirada do mercado resultaria em aumento significativo dos custos de produção de até 2,5 vezes por acre. E poderia gerar impactos ambientais negativos, como aumento nas emissões de gases de efeito estufa devido ao retorno de práticas agrícolas mais intensivas, como o preparo do solo.

    Pequenos agricultores seriam os mais afetados por esses custos adicionais, enquanto consumidores enfrentariam preços mais altos nos alimentos devido à inflação nos insumos agrícolas. Além disso, alternativas ao Roundup ainda são limitadas e podem levar anos para serem desenvolvidas e regulamentadas.

    O que é o glifosato?

    Trata-se de um princípio ativo, isto é, uma molécula desenvolvida na fabricação de produtos químicos. Inicialmente, o glifosato surgiu na indústria farmacêutica e também chegou a ser usado para limpar metais. Porém, se popularizou nos herbicidas da Monsanto, que hoje pertence à Bayer.

    O herbicida à base de glifosato é aplicado nas folhas de plantas daninhas, aquelas que nascem espontaneamente no meio das lavouras e prejudicam a produção agrícola. Ele bloqueia a capacidade da planta de absorver alguns nutrientes.

    Alternativas ao glifosato

    Embora existam opções naturais e orgânicas para substituir o Roundup, como herbicidas à base de vinagre, sal ou ferro, essas alternativas têm limitações em termos de custo e eficácia. Métodos manuais, como cobertura do solo (mulching) ou remoção manual das ervas daninhas, também são sugeridos. Mas são menos práticos para grandes áreas agrícolas.

    A controvérsia sobre o glifosato persiste. Enquanto estudos apontam uma ligação entre o químico e o câncer — levando a sua classificação como “provável carcinógeno” pela Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer — Bayer continua defendendo sua segurança com base em evidências científicas e pareceres regulatórios globais. Nos Estados Unidos, a EPA (Agência de Proteção Ambiental) deve concluir sua revisão sobre o registro do glifosato até 2026.

    A possível descontinuação do Roundup marca um ponto crítico na história da agricultura moderna. Para os agricultores que dependem dessa tecnologia há décadas, o desafio será adaptar-se a um futuro sem o “herbicida do século”.

    Posição no Brasil

    Entramos em contato com a assessoria da Bayer no Brasil, para saber se essa mudança afetaria o Brasil. Publicamos a resposta na integra abaixo.

    “Apesar do histórico científico claro, a indústria de litígios dos EUA continua a usar informações enganosas para questionar a segurança do glifosato em busca de retornos financeiros. A luta contra a indústria de litígios já custou mais de US$ 10 bilhões até o momento, sem uma resolução clara. Uma coisa é certa: não podemos continuar a vender um produto já aprovado e perder bilhões de dólares fazendo-o. Infelizmente, estamos nos aproximando de um ponto em que os esforços da indústria de litígios vão nos forçar a parar de vender este produto.

    E por mais que glifosato seja o assunto hoje, não há dúvidas de que todos os produtos de proteção de cultivos podem ser alvo da indústria de litígios. É por isso que, nos EUA, estamos ativamente engajados em esforços legislativos, nas esferas federal e estaduais, para apoiar políticas que protejam o acesso de agricultores a um produto essencial de proteção de cultivos. A agência regulatória americana (EPA) tem afirmado repetidamente que o glifosato é seguro para uso conforme instruções de bula. E a legislação que apoiamos reforça o a autoridade da EPA em suas decisões rigorosas e embasadas em ciência. Essa consistência garante que o rótulo segue a lei, ajudando a eliminar as premissas infundadas dos ataques legais que têm solicitado uniformidade nos rótulos nos EUA.

    Nenhuma decisão foi tomada até aqui e nós não trabalhamos com um cronograma específico. Conforme mencionamos na nossa mais recente divulgação de resultados, estamos focados em uma série de itens prioritários neste ano para contermos o litígio relacionado a glifosato. Esperamos que possamos encontrar uma solução para que não sejamos obrigados a interromper as vendas desse produto.”

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