Tag: Goiás

  • Pesagem sem controle transforma produção em perda silenciosa

    Pesagem sem controle transforma produção em perda silenciosa

    Em um cenário de margens mais apertadas no campo, cada detalhe da operação passou a impactar diretamente o bolso do produtor. Na 23ª Tecnoshow Comigo (Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano), realizada em Rio Verde (GO), a pesagem de cargas ganhou protagonismo como ferramenta estratégica para garantir controle, evitar perdas e reduzir riscos. Segundo Paulo Faber, especialista em soluções de pesagem da Toledo do Brasil, a balança rodoviária deixou de ser apenas um equipamento e se tornou parte essencial da gestão dentro da propriedade rural.

    “A balança traz controle de tudo o que entra e tudo o que sai da fazenda”, afirmou. De acordo com ele, o monitoramento começa ainda na chegada de insumos, como fertilizantes e matéria-prima, e segue até a saída da produção, como soja e milho destinados à comercialização.

    Esse acompanhamento, explicou, permite ao produtor maior precisão nas negociações e reduz a dependência de pesagens externas, que podem abrir margem para divergências. Nesse contexto, a tecnologia atua diretamente na proteção da rentabilidade. “Quando a pesagem é feita dentro da propriedade, o produtor reduz riscos de desvios ou fraudes”, destacou.

    Controle interno e mais eficiência na operação

    A profissionalização das fazendas no Centro-Oeste tem impulsionado a adoção de sistemas mais robustos de gestão. Além disso, a digitalização da pesagem permite integrar os dados a plataformas de controle, eliminando anotações manuais e tornando o processo auditável em tempo real.

    Esse avanço acompanha o crescimento da produção agrícola em Goiás, onde soja e milho dominam a maior parte da safra. Por isso, qualquer erro no carregamento ou transporte deixa de ser apenas um detalhe operacional e passa a representar prejuízo financeiro direto.

    Paulo Faber – Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Na prática, a balança rodoviária funciona como um ponto de controle estratégico dentro da propriedade. Ao registrar com precisão o peso das cargas, o produtor consegue gerenciar melhor estoques, acompanhar fluxos logísticos e tomar decisões mais assertivas ao longo da safra.

    Segurança jurídica e preservação das rodovias

    Outro ponto de atenção envolve o transporte de cargas. O excesso de peso em caminhões pode gerar multas e responsabilizar diretamente o produtor rural. Atualmente, a fiscalização não recai mais apenas sobre o motorista, mas sobre a origem da carga.

    “O controle de peso por eixo é exigido, e quem responde por isso é o embarcador”, explicou Faber. Ou seja, sem a pesagem correta na fazenda, o produtor corre o risco de arcar com penalidades por sobrecarga.

    Além disso, o excesso de peso compromete a conservação das rodovias, aumentando custos públicos e logísticos. Dessa forma, o uso de balanças contribui não apenas para a segurança da operação, mas também para a durabilidade da infraestrutura de transporte.

    Automação e novos recursos ampliam o controle

    Durante a Tecnoshow Comigo, a Toledo do Brasil apresentou soluções que vão além da pesagem tradicional. Entre os destaques está a automação do processo, que reduz a interferência humana e aumenta a confiabilidade dos dados.

    Com o uso de tags eletrônicas, por exemplo, o caminhoneiro realiza todo o processo de pesagem de forma automática, desde a entrada até a saída da propriedade. Assim, o sistema registra todas as informações com precisão e agilidade.

    Outro lançamento apresentado foi um medidor de umidade de grãos, tecnologia que complementa o controle da produção. A umidade interfere diretamente no peso final e, consequentemente, no valor comercial do produto.

    “Antes da venda, é fundamental entender a umidade do grão, porque isso impacta diretamente na rentabilidade”, ressaltou.

    Gestão mais precisa em um agro mais exigente

    A adoção de tecnologias de pesagem reflete uma mudança no perfil do produtor rural, cada vez mais orientado por dados e eficiência. Em um ambiente de custos elevados e maior pressão por resultados, controlar processos se tornou indispensável.

    Dessa forma, a balança rodoviária deixa de ser apenas um equipamento operacional e passa a ocupar papel estratégico dentro da propriedade. Ao garantir precisão, transparência e segurança, a tecnologia contribui para um agro mais profissional e preparado para os desafios do mercado.

    “Hoje, mais do que nunca, o produtor precisa ter controle total da operação. É isso que garante competitividade”, concluiu Faber.

  • Veja fotos: Fazenda de Amado Batista entra na “lista suja” por trabalho análogo à escravidão

    Veja fotos: Fazenda de Amado Batista entra na “lista suja” por trabalho análogo à escravidão

    A inclusão do nome do cantor Amado Batista na chamada “lista suja” do trabalho escravo reacendeu o debate sobre condições de trabalho no campo. O cadastro, atualizado pelo Governo Federal nesta semana, reúne empregadores flagrados explorando trabalhadores em condições análogas à escravidão.

    De acordo com informações do Ministério do Trabalho e Emprego, fiscalizações realizadas em novembro de 2024 identificaram irregularidades em duas propriedades do artista, localizadas em Goianápolis, na Região Metropolitana de Goiânia.

    Condições precárias e jornadas extensas

    Durante as inspeções, equipes relataram condições consideradas degradantes. Trabalhadores dormiam em colchões no chão, sem acesso a camas ou roupas de cama. Além disso, o local não oferecia estrutura adequada para refeições, já que faltavam mesas e cadeiras. Segundo os auditores, também não havia armários individuais para guardar pertences, e as condições de higiene eram consideradas precárias.

    Foto: Reprodução/MTE

    “O local não dispunha de camas, sendo que os trabalhadores dormiam sobre colchões no chão; não eram fornecidas roupas de camas e nem disponibilizados armários individuais para guarda de objetos pessoais; as condições de higiene do local eram precárias, sendo que sequer havia local para se tomar refeições, com mesas e cadeiras”, informou o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

    Além disso, as jornadas chamaram atenção. Em alguns casos, a carga de trabalho chegava a até 18 horas diárias. Outros trabalhadores relataram rotinas entre 12 e 16 horas por dia, ao longo de toda a semana.


    Cozinha improvista de galpão onde estavam alojados trabalhadores e outro cômodo da propriedade com colchões Foto: Reprodução/MTE

    Número de trabalhadores envolvidos

    Ainda conforme o governo, 14 trabalhadores teriam sido submetidos a condições irregulares. Desse total, 10 estavam no Sítio Esperança e quatro no Sítio Recanto da Mata, propriedades vizinhas situadas na BR-060.

    No Sítio Recanto da Mata, fiscais apontaram condições degradantes e jornada exaustiva. Já no Sítio Esperança, os indícios se concentraram principalmente na carga excessiva de trabalho.

    Além disso, parte das atividades ocorria sem registro formal. Alguns trabalhadores afirmaram que ainda não haviam recebido salários referentes ao mês anterior.

    Área arrendada e terceirização

    Outro ponto relevante envolve uma área arrendada para cultivo de milho. Nesse local, um prestador de serviços terceirizado foi responsável pela contratação de operadores de máquinas.

    Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, esses trabalhadores pernoitavam em um galpão sem estrutura adequada. Quando a fiscalização chegou, parte das atividades já havia sido interrompida.

    Esse cenário reforça um problema recorrente no setor: a responsabilidade sobre condições de trabalho em contratos terceirizados.

    Defesa contesta e cita acordo

    A defesa de Amado Batista contesta a versão apresentada pelos órgãos públicos. Em nota, os representantes afirmam que não houve resgate de trabalhadores nas propriedades e classificam essa informação como inverídica: “Primeiramente, a informação veículada de que houve o resgate de 14 trabalhadores na propriedade do senhor Amado é completamente falsa e inverídica. Não houve nenhum trabalhador nas propriedades. Ocorreu uma fiscalização em uma fazenda arrendada para o plantio de milho, na qual foram identificadas irregularidades na contratação de 4 colaboradores que eram empregados em uma empresa terceirizada.”

    Os advogados também informaram que foi firmado um Termo de Ajustamento de Conduta com o Ministério Público do Trabalho. Segundo a nota, todas as obrigações trabalhistas foram quitadas.

    Por fim, a equipe jurídica afirma que já adotou medidas administrativas para encerrar os processos relacionados ao caso.

    Impactos da “lista suja”

    A inclusão no cadastro de empregadores associados ao trabalho análogo à escravidão costuma gerar consequências relevantes. Empresas listadas enfrentam restrições de crédito em bancos públicos e podem sofrer barreiras comerciais.

    Além disso, o impacto reputacional tende a ser significativo, especialmente em setores ligados ao agronegócio, onde práticas trabalhistas têm ganhado cada vez mais atenção de consumidores e investidores.

  • Tecnoshow Comigo abre edição com foco em inovação no agro

    Tecnoshow Comigo abre edição com foco em inovação no agro

    A Tecnoshow Comigo 2026 começou na manhã desta segunda-feira (6), em Rio Verde (GO), reunindo lideranças políticas, produtores rurais, pesquisadores, autoridades municipais e estaduais, além de embaixadores de diversos países. Considerada uma das principais feiras do agronegócio brasileiro, a programação segue até sexta-feira (10), no Centro Tecnológico Comigo (CTC). O evento destaca o Sudoeste Goiano como referência nacional em produtividade e qualificação no campo.

    Organizada pela Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano (Comigo), a feira amplia nesta edição o alcance internacional. A presença de representantes estrangeiros reforça o interesse global pelo agronegócio brasileiro. Além disso, evidencia a força tecnológica e produtiva da região.

    Abertura reúne autoridades e marca transferência simbólica da capital

    A programação começou com uma coletiva de imprensa. Em seguida, ocorreram a revista da guarda e o hasteamento das bandeiras no estande do Governo de Goiás.

    Participaram da abertura o presidente do Conselho de Administração da Comigo, Antonio Chavaglia, o governador Daniel Vilela (MDB) e o prefeito de Rio Verde, Wellington Carrijo (MDB).

    Antonio Chavaglia, presidente do Conselho de Administração da Comigo – Foto: Pedro H. Lopes

    Durante a solenidade, autoridades assinaram o termo simbólico que transfere a capital do estado para o município até o encerramento da feira. A medida reforça a importância econômica e política do evento para Goiás.

    Chavaglia destacou o papel da Tecnoshow na difusão de tecnologia, mesmo diante de um cenário econômico desafiador. “Embora estejamos em um momento de recessão, a feira tem de continuar trazendo revoluções tecnológicas nas áreas de agricultura e pecuária. Nossa feira é tradicional e com o público sempre presente”, afirmou.

    Além disso, ele alertou para a pressão sobre o setor. “Estamos em uma situação delicada no Brasil. Há uma guerra que impacta os custos do petróleo e dos insumos, o que torna cada vez mais difícil manter margem”, disse.

    Segundo ele, esse cenário afeta diretamente o produtor rural. “O custo será repassado para o produtor, o que, às vezes, acaba fechando em vermelho”, completou.

    Apoio ao setor e cenário internacional

    O governador Daniel Vilela reforçou a importância do agronegócio para a economia. “Esse setor carrega a economia do nosso estado e do Brasil”, afirmou.

    Governador Daniel Vilela – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Em seguida, destacou o desempenho do Sudoeste Goiano. “A região representa a mais alta produtividade e qualificação profissional do produtor rural”, declarou.

    Além do impacto econômico, a presença de embaixadores fortalece a visibilidade internacional da Tecnoshow Comigo. Dessa forma, o evento se consolida como vitrine de inovação, tecnologia e negócios no campo.

    Vilela também anunciou medidas para reduzir custos logísticos. “O estado de Goiás vai subsidiar em R$ 1,20 o diesel, garantindo apoio ao produtor e à cadeia logística”, disse.

    Por fim, ele destacou o papel da feira na busca por soluções. “Que possamos encontrar aqui oportunidades e respostas para os desafios enfrentados pelo setor”, afirmou.

    Ao longo da semana, a Tecnoshow Comigo deve movimentar bilhões em negócios. Além disso, o evento apresenta novas tecnologias e fortalece conexões entre produtores, empresas e investidores. A expectativa é ampliar ainda mais sua relevância no cenário nacional e internacional.

  • Fazenda Talismã: como Leonardo transformou música em patrimônio rural milionário

    Fazenda Talismã: como Leonardo transformou música em patrimônio rural milionário

    Muito além dos palcos e dos sucessos sertanejos, o cantor Leonardo construiu um legado também no campo. Dono da Fazenda Talismã, localizada em Jussara, no interior de Goiás, o artista transformou a propriedade em um dos exemplos mais reconhecidos da presença de celebridades no agronegócio brasileiro.

    Mais do que uma fazenda de famoso, a Talismã é uma operação produtiva real e um retrato fiel de como o campo virou estratégia de negócio para quem veio do entretenimento.

    Do nome de um sucesso ao patrimônio de R$ 60 milhões

    A Fazenda Talismã carrega o nome de um dos maiores hits da dupla Leandro & Leonardo. Portanto, desde a origem, a propriedade reflete a ligação direta entre a carreira artística e a vida no campo.

    Adquirida por cerca de R$ 4,6 milhões, a fazenda é avaliada hoje em aproximadamente R$ 60 milhões. Esse crescimento expressivo ilustra, na prática, a valorização do agronegócio brasileiro ao longo das últimas décadas.

    Leonardo e família ostentam vida na fazenda. (Imagem: Redes Sociais)

    Estrutura e dimensão: o que torna a Talismã uma referência

    A fazenda ocupa cerca de 1.000 hectares em área própria, com outras áreas associadas que podem chegar a 7.000 hectares. Além disso, abriga mais de 5.000 cabeças de gado e conta com estrutura completa de curral, manejo e produção. Parte das terras é arrendada para o cultivo de soja e milho.

    No entanto, a Talismã vai além da produção agrícola. A propriedade também possui mansão, lago com praia artificial, pista de pouso, capela e espaços para eventos. Essa combinação entre produção rural e infraestrutura de alto padrão faz dela um modelo híbrido dentro do agronegócio.

    Impressionante vista aérea da Fazenda Talismã. (Imagem: Redes Sociais)

    Pecuária: o coração do negócio

    Apesar da visibilidade nas redes sociais e nos eventos que sedia, a base da Fazenda Talismã é a pecuária. A propriedade funciona como centro de criação, recria e engorda de gado. Além disso, participa ativamente de leilões e movimenta a economia local da região Centro-Oeste, uma das mais produtivas do agro brasileiro.

    Com milhares de animais em produção, a fazenda integra de forma concreta a cadeia pecuária do país.

    O que a Talismã representa para o agronegócio

    O caso da Fazenda Talismã vai além da história de um artista bem-sucedido. Ele revela, sobretudo, três transformações importantes no setor rural brasileiro.

    A primeira delas é a consolidação do agro como investimento estratégico. Cada vez mais, artistas enxergam o campo como proteção de patrimônio, fonte de renda recorrente e ativo de valorização consistente.

    A segunda transformação é a profissionalização das propriedades de celebridades. A Talismã não existe apenas para lazer. Ela produz, gera empregos e participa ativamente da cadeia econômica rural.

    Por fim, há um impacto cultural relevante. A fazenda tornou-se cenário frequente de eventos, conteúdos digitais e cobertura da imprensa. Com isso, ajudou a aproximar o público urbano do universo do agronegócio, contribuindo para a popularização do setor na cultura brasileira.

    Um novo modelo de fazenda brasileira

    A Fazenda Talismã representa, portanto, um novo tipo de propriedade rural no Brasil: ao mesmo tempo empresa agropecuária, patrimônio milionário e marca pessoal de um artista. Esse modelo une produção rural, entretenimento e influência digital de forma cada vez mais integrada.

    O campo deixou de ser apenas herança ou símbolo de status. Como mostra o exemplo de Leonardo, ele virou estratégia de negócio, inclusive para quem construiu sua história a partir do palco.

  • Tecnoshow Comigo 2026: feira do agro em Goiás projeta R$ 10 bilhões em negócios

    Tecnoshow Comigo 2026: feira do agro em Goiás projeta R$ 10 bilhões em negócios

    A Tecnoshow Comigo 2026 deve movimentar cerca de R$ 10 bilhões em negócios e reunir quase 700 expositores em Rio Verde, consolidando-se como uma das principais feiras agro do Brasil. O evento ocorre de 6 a 10 de abril, no Centro Tecnológico Comigo (CTC), referência em tecnologia agrícola aplicada ao agronegócio.

    Com 130 hectares, o espaço permite que empresas e instituições apresentem soluções em condições reais de produção. Esse formato aproxima a tecnologia agrícola da rotina do produtor rural, fator decisivo para acelerar a adoção de inovação no campo.

    A Comigo organiza a feira e mantém, há décadas, parcerias com a Embrapa e universidades. Esse investimento contínuo em pesquisa fortalece a base tecnológica do evento e consolida a Tecnoshow como vitrine estratégica do agronegócio no Centro-Oeste.

    Números mostram força da feira agro

    A edição de 2025 reforçou a dimensão da Tecnoshow no agronegócio brasileiro. O evento reuniu 695 expositores e atraiu cerca de 140 mil visitantes. Mais de 3 mil máquinas e equipamentos ficaram em exposição, com foco em tecnologia agrícola e mecanização.

    A programação incluiu mais de 100 palestras técnicas, com público superior a 7 mil pessoas. Além disso, a feira gerou aproximadamente 12,8 mil empregos diretos e indiretos e movimentou R$ 9,24 bilhões em negócios, consolidando seu papel como uma das maiores feiras agro do país.

    Termômetro do agronegócio no Centro-Oeste

    Mais do que uma vitrine de lançamentos, a Tecnoshow funciona como termômetro do agronegócio, especialmente no Centro-Oeste, região estratégica para a produção de grãos no Brasil.

    A presença de fabricantes de máquinas, empresas de insumos, soluções em tecnologia agrícola e crédito rural indica o nível de investimento do produtor rural e o avanço da tecnificação no campo.

    Diante de custos elevados e maior pressão por produtividade, o setor amplia a busca por eficiência. Nesse cenário, a adoção de tecnologia agrícola e ferramentas de gestão de risco se torna essencial para manter a competitividade do agronegócio brasileiro.

    A Tecnoshow Comigo 2026 deve refletir esse movimento e transformar inovação em negócios concretos para o produtor rural.

    Serviço Tecnoshow Comigo 2026

    • Datas: 6 a 10 de abril de 2026
    • Local: Centro Tecnológico Comigo (CTC), Rio Verde (GO)
    • Realização: Comigo — Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano
  • Como o Ibama e os quilombolas Kalunga estão mudando o combate a incêndios no Cerrado

    Como o Ibama e os quilombolas Kalunga estão mudando o combate a incêndios no Cerrado

    O Ibama concluiu, em Engenho II, a primeira etapa das Oficinas de Mapeamento da Cultura do Fogo no Território Kalunga, no interior de Goiás. A iniciativa do Prevfogo integra dados técnicos e saberes tradicionais quilombolas para fortalecer a prevenção de incêndios no Cerrado. As atividades ocorrem em Vão de Almas, nos dias 27 e 28 de março, e em Procópia, nos dias 30 e 31.

    Na comunidade de Engenho II, brigadistas e moradores construíram, de forma coletiva, estratégias locais de proteção territorial. O modelo segue o Manejo Integrado do Fogo (MIF), que orienta o uso planejado e controlado do fogo e substitui a lógica da proibição total.

    Oficina Kalunga
    Foto: Divulgação/Ibama

    A proposta busca reduzir o acúmulo de biomassa seca, proteger nascentes e matas de galeria, preservar Áreas de Proteção Permanente (APPs) e evitar incêndios descontrolados durante o período seco.

    Tecnologia e memória ancestral se integram no mapeamento

    A metodologia do Prevfogo em Goiás cruza dois tipos de conhecimento. De um lado, o Ibama fornece dados técnicos e geoespaciais, como mapas de material combustível, histórico de focos de calor e registros de incêndios e queimas prescritas. De outro, anciãos, lideranças comunitárias e brigadistas quilombolas compartilham saberes sobre a paisagem. Esse processo resulta na construção do chamado “mapa vivo” do território.

    A integração transforma dados técnicos em ações práticas de manejo. O processo respeita os ciclos naturais do Cerrado e os modos tradicionais de uso da terra. Durante as oficinas, os participantes desenham coletivamente sobre mapas georreferenciados em grande escala, o que permite um zoneamento estratégico do território.

    Esse zoneamento define duas categorias principais:

    • Áreas sensíveis, onde o fogo deve ser evitado, como matas de galeria, nascentes, veredas e zonas de extrativismo;
    • Áreas de manejo com fogo, onde a queima planejada reduz material combustível, protege regiões sensíveis e atende demandas da comunidade, como manejo de pastagens e preparo do solo.

    Política nacional reforça o modelo

    A Lei nº 14.944/2024 instituiu a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo (PNMIF) e colocou a prevenção e a participação comunitária no centro das ações contra incêndios florestais.

    A legislação reconhece o uso seguro e planejado do fogo em ecossistemas adaptados, como o Cerrado. Com isso, o país supera o antigo paradigma do “fogo zero”, que orientou por anos as políticas ambientais brasileiras.

  • Onça-pintada resgatada se prepara para voltar para vida selvagem

    Onça-pintada resgatada se prepara para voltar para vida selvagem

    Após 14 meses de reabilitação, uma onça-pintada resgatada no sul de Roraima chegou na última quinta-feira (12) ao Instituto Nex, em Corumbá de Goiás (GO), a 80 quilômetros de Brasília. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) conduziu a transferência a partir do Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) de Brasília, onde o animal se recuperou. O objetivo é avançar o processo de reabilitação em um espaço maior, mais isolado e dentro da mata. Condições essenciais para preparar o felino para a soltura no bioma amazônico.

    Foto: Paula Rafiza/Ibama

    Policiais ambientais resgataram a onça em janeiro de 2024, em uma chácara no município de Caroebe, região sul de Roraima. O animal tinha pouco mais de um mês de vida e chegou ao Cetas de Boa Vista desidratado, ferido, com escoriações e fungos pelo corpo.

    A equipe realizou exames de sangue, radiografias e análise de parasitas antes de iniciar o tratamento. Já recuperado, o felino seguiu em abril para o Cetas Brasília, que conta com recintos estruturados para grandes felinos e equipe especializada.

    Hoje, o animal pesa cerca de 40 quilos, está em excelentes condições de saúde e demonstra comportamento selvagem. Ela caça presas e evita o contato humano, dois indicadores fundamentais para uma futura reintrodução na natureza. “É a primeira vez que aplicamos esse programa em um filhote de onça-pintada”, afirma Júlio César Montanha, chefe do Cetas de Brasília.

    Como funciona o protocolo de reabilitação

    O processo começa com um período de quarentena, durante o qual a equipe monitora o estado clínico e comportamental do animal. Na sequência, atividades de enriquecimento ambiental estimulam o felino a usar seus instintos naturais e a se desenvolver fisicamente.

    No Instituto Nex, a onça entra em uma nova fase: recintos maiores e mais isolados, dentro da mata, onde a presença humana é reduzida ao mínimo. “Esse isolamento é importante porque a presença humana acaba afetando o processo”, explica Júlio. A previsão é que o animal permaneça no local entre seis e oito meses.

    Foto: Paula Rafiza/Ibama

    Segundo o chefe do Cetas, esse período mais longo em ambiente amplo vai permitir avaliar com profundidade quais comportamentos naturais o animal ainda precisa desenvolver para ganhar autonomia suficiente e retornar ao habitat natural na Amazônia.

  • Conheça as polenteiras de Nova Veneza

    Conheça as polenteiras de Nova Veneza

    No interior de Goiás, a 30 quilômetros de Goiânia, uma cidade preserva mais do que arquitetura e festas típicas: preserva a alma da imigração italiana. E quem carrega esse peso, com orgulho e tacho na mão são, sobretudo, as mulheres.

    Foto: Raquel Pinho/Divulgação

    No Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, Nova Veneza homenageia aquelas que sustentam a herança italiana com trabalho, memória e generosidade. A cidade, fundada em 1958 por descendentes de imigrantes italianos que chegaram ao Brasil entre 1870 e 1920, consolidou-se como principal referência da cultura ítalo-goiana no estado. Especialmente por meio do Festival Italiano de Nova Veneza, que chega à 20ª edição em 2026.

    Mas os números e as datas contam apenas parte da história. A cultura italiana em Nova Veneza sobrevive, acima de tudo, nas cozinhas, quintais e roças onde mães e avós ensinaram suas filhas a cozinhar, rezar e existir.

    O matriarcado que preserva uma cultura

    Desde os primeiros anos de ocupação do solo goiano, foram as mulheres que transmitiram de geração em geração os valores, os hábitos e as receitas trazidos da Itália. A proximidade com os filhos fez da mãe a principal guardiã da identidade cultural no ambiente doméstico. Na cozinha, o ensino nunca parou.

    É nesse contexto que a história das irmãs Ana Maria (68), Iranilda Maria,a Nida (62) e Divina Aparecida (59) ganha significado especial. Há quase 20 anos, o trio integra a equipe de polenteiras do Festival Italiano de Nova Veneza, um grupo de quase 40 mulheres que mantém fila de espera para quem quer degustar a famosa polenta italiana do evento.

    As três são netas de italianos que vieram para Goiás trabalhar em fazendas de compatriotas. O avô as chamava, coletivamente, de “as Marias”. “Quando ele chamava uma Maria, estava chamando todas nós”, lembra Dona Ana, com carinho.

    Da roça ao festival: uma receita passada de mão em mão

    A polenta entrou na vida das irmãs antes mesmo de saberem o que era tradição. Na infância, a mãe preparava o prato no fogão da roça. Às vezes no lanche, com leite; outras vezes no almoço, com caldo de frango e arroz. Um cruzamento espontâneo entre a culinária italiana e a goiana.

    “Minha mãe foi muito importante pra mim, ensinou da polenta e muita coisa boa para nós”, diz Divina. Nida recorda que o prato era presença certa nas refeições: “Era mais comum na hora do lanche, com leite, mas ela também fazia para comer no almoço com caldo de frango e arroz.”

    Ana fecha o ciclo com uma observação simples e poderosa: “Minha mãe aprendeu com a avó dela, que provavelmente também teve uma mãe como professora. Agora estamos juntas todos os anos fazendo polenta, para não deixar a cultura morrer.”

    Mesmo fora do calendário do festival, as irmãs não param. Amigos, familiares e conhecidos batem à porta pedindo polenta. E elas fazem, sempre de bom grado.

    Uma nova geração na cozinha

    A tradição não para nas irmãs. Os netos demonstram cada vez mais interesse pelas raízes, e alguns já participam do festival. Dona Ana conta que a 19ª edição marcou a estreia do neto João Pedro na equipe. E que ele já confirmou presença na 20ª.

    “Tem que pôr eles mais novos para trabalhar, para aprender. Porque nós já estamos velhas e não aguentando muita coisa”, diz Ana, entre risos.

    Foto: Raquel Pinho/Divulgação

    A renovação também motiva Nida: “Os novinhos têm que aprender a fazer igual, para fazer um trem bão e gostoso, porque não pode faltar polenta pra ninguém.” Com leveza na voz, ela completa: “Eu quero continuar sendo polenteira enquanto Deus me der saúde.”

    Divina ressalta o espírito coletivo que transforma o trabalho pesado em celebração: “O povo fica todo animado, é gostoso. A gente deixa de ser só uma equipe e se torna uma grande família. É cansativo, é pesado o serviço, mas pela união a gente fica mais forte.”

    O Festival Italiano de Nova Veneza integra o calendário oficial de grandes eventos gastronômicos de Goiás. A 20ª edição, com o tema Brindiamo Storia e Sapori (Brindando História e Sabores!), acontece de 28 a 31 de maio de 2026, na cidade que nasceu da imigração italiana e recebe mais de 150 mil visitantes nos quatro dias de festa.

    As polenteiras já aqueceram os tachos.

  • Pesca predatória no Araguaia: Ibama aplica R$ 72 mil em multas e apreende espécie ameaçada

    Pesca predatória no Araguaia: Ibama aplica R$ 72 mil em multas e apreende espécie ameaçada

    O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) realizou uma operação de fiscalização no rio Araguaia, em Goiás, que resultou na apreensão de seis tartarugas-da-amazônia, três embarcações, uma arma de fogo e diversos equipamentos de pesca ilegal. A ação, concluída em 3 de março de 2026, gerou 11 autos de infração e multas que somam R$ 72,3 mil.

    Foto: Divulgação/Ibama

    Denominada Operação Rios Federais, a fiscalização cobriu o trecho entre os municípios de Aruanã e São Miguel do Araguaia, incluindo rios afluentes e lagos naturais conectados ao leito do Araguaia. Duas embarcações do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) percorreram a região durante o período de defeso, fase em que a legislação proíbe temporariamente a pesca de determinadas espécies para garantir a reprodução dos peixes

    Crimes ambientais em série

    Entre os casos registrados, o mais grave envolveu a captura das seis tartarugas-da-amazônia (Podocnemis expansa), espécie protegida pela legislação brasileira. Além dos animais, os agentes apreenderam três canoas, três motores de popa e petrechos como molinetes, tarrafas e linhadas. Durante as abordagens, os fiscais também confiscaram uma arma de fogo.

    Materiais de pesca predatória encontrados abandonados às margens dos rios e lagos, sem identificação de proprietário, também foram recolhidos pelos fiscais.

    A operação faz parte de uma série de ações nacionais do Ibama contra a pesca irregular. No Acre, uma fiscalização semelhante realizada no mesmo período resultou na apreensão de 67 redes de pesca.

    Por que o defeso é tão importante no Araguaia?

    O rio Araguaia é reconhecido por sua extraordinária biodiversidade aquática e sustenta ecossistemas, comunidades ribeirinhas e a atividade pesqueira legal na região. O desrespeito ao período de defeso compromete a renovação natural das populações de peixes e pode levar ao colapso de espécies ao longo do tempo.

    A captura e o comércio de animais silvestres, como as tartarugas apreendidas na operação, agravam o quadro ambiental por se tratar de crimes que afetam espécies já sob pressão antrópica.

    Conforme a Lei nº 9.605/1998, a Lei de Crimes Ambientais, os infratores estão sujeitos a multas, apreensão de equipamentos e embarcações, além de resposta criminal. O Ibama reforça que a fiscalização durante o defeso é contínua e permanente em todo o território nacional.

  • Chuvas favorecem lavouras no Centro-Norte, mas restrição hídrica persiste no Sul

    Chuvas favorecem lavouras no Centro-Norte, mas restrição hídrica persiste no Sul

    As chuvas concentradas no Centro-Norte do Brasil entre 1º e 24 de fevereiro garantiram boas condições para o desenvolvimento das principais lavouras, segundo o Boletim de Monitoramento Agrícola divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O levantamento mostra volumes expressivos na região Norte e na faixa que vai do Amazonas ao Centro-Oeste e Sudeste, beneficiando o armazenamento de água no solo e impulsionando os cultivos da primeira e segunda safra.

    No Matopiba e em partes do Semiárido nordestino, embora os volumes tenham sido menores, a umidade favoreceu a semeadura e o crescimento das lavouras. Já o Sul do país registrou precipitações bem abaixo da média, limitando o desenvolvimento da soja no Rio Grande do Sul, estado em que grande parte das áreas está em floração e enchimento de grãos.

    Os indicadores espectrais analisados pela Conab confirmam boas condições de vegetação em quase todas as regiões monitoradas. Com índices superiores à média histórica nas fases críticas da soja. Em áreas do sudoeste de Mato Grosso do Sul, oeste de Santa Catarina e noroeste gaúcho, ainda há reflexos das restrições hídricas das últimas safras. No entanto, o índice atual do Rio Grande do Sul se aproxima das temporadas anteriores, que tiveram menor potencial produtivo.

    Distribuição

    A distribuição das chuvas também influenciou o ritmo do plantio do milho segunda safra.

    • Em Mato Grosso, o plantio avançou rapidamente com o andamento da colheita de soja.
    • No Paraná, a baixa umidade atrasou o início da semeadura em várias regiões.
    • No Mato Grosso do Sul, o retorno das chuvas beneficiou o avanço dos trabalhos e garantiu bom desenvolvimento das áreas já plantadas.
    • Em Goiás e Minas Gerais, o excesso de chuva reduziu a janela ideal de cultivo.
    • No Tocantins, o plantio acelerou e as lavouras emergidas apresentam boas condições agronômicas.

    A colheita da soja segue em ritmo consistente em estados como Mato Grosso, apesar das chuvas intensas em parte do Centro-Oeste e Sudeste, que atrasaram a operação em algumas regiões. No Rio Grande do Sul, a irregularidade e o baixo volume das precipitações já reduziram as estimativas de produtividade. E consolidaram estado como o principal ponto de atenção nas análises do boletim.