Tag: Embrapa Florestas

  • Mês junino: Pinhão abre novas oportunidades de renda no Paraná

    Mês junino: Pinhão abre novas oportunidades de renda no Paraná

    Tradicional nas festas juninas, o pinhão, semente da araucária, vem conquistando espaço na gastronomia. No Paraná, maior produtor nacional, a cadeia produtiva da semente tem sido fortalecida por iniciativas que impulsionam o turismo rural.

    A safra do pinhão ocorre entre os meses de maio e julho. Nesse período, municípios paranaenses promovem atividades que aproximam visitantes da cultura regional. Trilhas em áreas de araucária, colheitas guiadas, oficinas culinárias e festivais gastronômicos fazem parte das atrações oferecidas em diferentes localidades do estado.

    Sapecada

    Nos municípios de Pinhão, Inácio Martins e Turvo, considerados os maiores produtores paranaenses, os turistas também podem participar da tradicional sapecada, prática transmitida entre gerações.

    Segundo José Augusto Zanchetta, fundador e integrante da diretoria da Associação dos Produtores Rurais, Artesãos e Empreendedores de Turismo da Campina do Taquaral e Região (Acamp), a técnica consiste em assar o pinhão utilizando fogo produzido com galhos secos da própria araucária.

    “O ritual consiste no preparo do pinhão no fogo feito a partir dos galhos secos do próprio pinheiro”. Assim, a semente ganha casca tostada, interior macio e um sabor característico.

    A tradicional sapecada de pinhão é preparada em uma fogueira contínua de aproximadamente dois quilômetros de extensão — Foto: Divulgação/Gralha Azul

    Na mesa do povo

    Além da forma tradicional de consumo, o pinhão tem ampliado sua presença na gastronomia regional. Atualmente, chefs e cozinheiros utilizam o ingrediente em receitas como lasanhas, carneiro, costela, bolinho de rabada, sopas, bolachas e sorvetes. Em preparações com carnes, a semente pode ser adicionada cozida, inteira ou em lascas, principalmente em pratos com molhos, ensopados e recheios.

    Para a nutricionista e chef de cozinha Fátima Negre, de Curitiba, o pinhão reúne atributos que vão além da alimentação.

    “O pinhão não é apenas um ingrediente, ele representa cultura, sustentabilidade, inovação gastronômica e desenvolvimento regional”, afirma.

    Chef de cozinha Fátima Negre destaca ainda o potencial de uso do pinhão como alimento sem glúten — Foto: Divulgação

    A especialista destaca ainda que o alimento possui características valorizadas pelo mercado consumidor. “Pode ser utilizado em preparações doces e salgadas, de receitas tradicionais a pratos sofisticados”, ressalta.

    Segundo Negre, existe atualmente um movimento crescente de valorização dos ingredientes regionais brasileiros, e o pinhão se destaca.

    Embrapa Florestas

    Enquanto isso, a Embrapa Florestas, sediada em Colombo (PR), avança em um projeto voltado ao fortalecimento da cadeia produtiva da semente. A iniciativa prevê a instalação de uma agroindústria de processamento de pinhão na região da Terra dos Pinheirais, que reúne 11 municípios do centro-sul do Paraná.

    A unidade está em construção em Inácio Martins, segundo maior produtor estadual. Em 2024, o município registrou uma colheita de 750 toneladas. Já a cidade de Pinhão liderou a produção paranaense com 880 toneladas.


    Em todo o estado, a cultura movimentou R$ 25,7 milhões em 2024, com uma produção aproximada de 4 mil toneladas — Foto: Embrapa

    O projeto da Embrapa também contempla treinamentos voltados ao processamento da semente e à produção de mudas enxertadas de araucária. Inicialmente, a agroindústria fabricará farinha de pinhão, mas o plano prevê a expansão para produtos como snacks, salgadinhos, pães e pré-misturas para panificação.

    Agroindústria

    No campo, os produtores acompanham com expectativa a implantação da agroindústria. O coletor Rui Sérgio Czanovski, de Inácio Martins, acredita que o novo empreendimento poderá ampliar sua rentabilidade. Atualmente, a comercialização do pinhão representa cerca de 10% da renda da propriedade, cuja principal atividade é o cultivo de erva-mate.

    “Para melhorar o preço que recebo pelo pinhão, tirei o atravessador e vendo direto ao cliente”, relata. Hoje, ele comercializa o produto por R$ 8 o quilo.

    Já o produtor Sílvio de Godoy ainda depende da venda para intermediários, o que reduz sua remuneração para R$ 6,40 por quilo. Assim, ele vê na nova estrutura uma oportunidade de aumentar os ganhos. “Espero um melhor rendimento com a agroindústria”, afirma.

  • Pesquisadores descobrem duas novas espécies de minhocas

    Pesquisadores descobrem duas novas espécies de minhocas

    Pesquisadores identificaram duas espécies de minhocas até então desconhecidas pela ciência na Fazenda Canchim, sede da Embrapa Pecuária Sudeste, em São Carlos (SP). A descoberta, publicada em abril na revista internacional Zootaxa, coloca o Brasil mais perto de mapear a riquíssima e ainda pouco conhecida fauna de oligoquetas do país.

    As duas espécies pertencem à família Glossoscolecidae: a Fimoscolex bernardii sp. nov. e a Glossoscolex (Glossoscolex) canchim sp. nov. Os animais habitam áreas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e lavouras sob plantio direto, sistemas agrícolas reconhecidos por sua menor perturbação do solo.

    O artigo tem a assinatura da pesquisadora Marie Luise Carolina Bartz, do Programa de Pós-Graduação em Ecossistemas Agrícolas e Naturais da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); do pesquisador George Brown, da Embrapa Florestas; e de Lilianne Maia Bruz, do Programa de Pós-Graduação em Solos da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

    Bioindicadoras da qualidade do solo

    Minhocas figuram entre os organismos mais relevantes da fauna edáfica. Atuam como engenheiras do ecossistema. Ou seja, abrem canais no solo, fragmentam resíduos vegetais, transportam microrganismos e misturam matéria orgânica com minerais. E sua presença ou ausência indica o estado de saúde do ambiente em que vivem.

    “Espécies nativas geralmente estão associadas a habitats menos perturbados, enquanto formas exóticas ou invasoras tendem a dominar solos manejados. O registro da diversidade de minhocas em sistemas integrados é essencial para relacionar as respostas biológicas do solo à intensidade do manejo e à sustentabilidade a longo prazo”, afirma George Brown.

    Para Bartz, o achado demonstra que a produção agrícola e a conservação da vida no solo podem andar juntas. “As minhocas são organismos-chave e sua presença indica que esses sistemas estão funcionando biologicamente. Isso reforça que práticas como o plantio direto e os sistemas integrados não apenas produzem alimentos, mas também mantêm a biodiversidade nativa brasileira”, diz a pesquisadora. “O impacto é muito positivo. Isso muda a forma como vemos a agricultura. Ela deixa de ser apenas produtiva e passa a ser também conservacionista.”

    Da coleta à publicação

    A história desta descoberta começa em 2018, quando Brown, Bartz, Bruz e equipe visitaram a Embrapa Pecuária Sudeste para avaliar a influência dos sistemas integrados sobre a qualidade do solo e as populações de minhocas. Os dados gerados a partir dessas coletas também alimentaram a tese de doutorado de Lilianne Bruz.

    “Há ainda muitas respostas que precisam ser dadas. Para isso, procuramos especialistas que atuam em outros temas para entender melhor esses sistemas, que são muito complexos”, ressalta o pesquisador Alberto Bernardi, da Embrapa Pecuária Sudeste, homenageado no nome de uma das espécies.

    Os resultados mostraram que os sistemas integrados aumentam a abundância de minhocas, tanto nativas quanto exóticas. “O fato de termos encontrado minhocas nativas em áreas amplamente perturbadas indica que os sistemas integrados utilizados na Embrapa possibilitam a conservação dessas espécies”, explica Bruz.

    A coleta ocorreu em múltiplos ambientes da Fazenda Canchim; sistemas ILPF, ILP, IPF, pastagem extensiva, pastagem intensiva e cultura de milho irrigado sob plantio direto. Técnicos retiraram os animais manualmente, contaram, separaram e os avaliaram quantitativa e qualitativamente. Após análise das características externas, realizaram dissecção dorsal para examinar as estruturas anatômicas internas.

    Os espécimes estão depositados na Coleção Fritz Müller de Oligoquetas (COFM) da Embrapa Florestas, em Colombo (PR), com um parátipo de cada espécie no Museu de Zoologia de São Paulo (MZUSP).

    Os nomes carregam história

    A Fimoscolex bernardii recebe o nome em homenagem a Alberto Bernardi, responsável há mais de 20 anos pelos experimentos sobre sistemas integrados na Embrapa Pecuária Sudeste.

    Alberto Bernardi (Embrapa São Carlos), George Brown (Embrapa florestas), Marie Bartz. Foto: Lilianne Maia Bruz/Embrapa

    Já a Glossoscolex canchim leva o nome de uma árvore nativa da Mata Atlântica, a canchim (Pachystroma longifolium), comum na região de São Carlos. A mesma que batizou a raça bovina Canchim e a própria fazenda onde os pesquisadores fizeram a descoberta.

    Brasil tem uma das faunas mais ricas do mundo. E ainda pouco mapeada

    O país conta com cerca de 336 espécies de minhocas descritas, mas estimativas indicam que podem existir mais de 1.400 no território nacional. São Paulo é um dos estados com maior número de espécies registradas, e São Carlos se situa justamente na transição entre a Mata Atlântica e o Cerrado, região de grande heterogeneidade ambiental e intensa atividade agropecuária.

    Apesar disso, a composição taxonômica das minhocas nativas ainda permanece pouco documentada, especialmente no Cerrado. A Fazenda Canchim funciona há mais de duas décadas como sítio de referência para experimentos de longo prazo, mas suas comunidades zoológicas do solo seguem subestudadas.

    Além do valor taxonômico, a descoberta reforça a necessidade de mais estudos ecológicos sobre como o uso da terra e as práticas de manejo influenciam a persistência das comunidades nativas de minhocas. E por consequência, a saúde dos solos brasileiros.

  • Araucária gigante cai e mobiliza corrida científica para preservar DNA raro

    Araucária gigante cai e mobiliza corrida científica para preservar DNA raro

    A queda da quarta maior araucária do Brasil, na Estação Experimental da Embrapa em Caçador (SC), disparou uma operação de resgate genético contra o relógio. Uma equipe da Embrapa Florestas viajou até o município para coletar material genético e tentar clonar o exemplar. Ele era apelidado carinhosamente de “Pinheirão” por pesquisadores que conviveram com ele por décadas.

    Com 44 metros de altura e 2,45 metros de diâmetro à altura do peito (DAP), o espécime era o quarto maior da espécie Araucaria angustifolia no país, segundo levantamentos do professor Marcelo Scipioni, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A queda ocorreu nas últimas semanas, mas não há confirmação da data exata.

    A corrida contra o tempo

    Após chegar ao local, a equipe avaliou as condições das brotações na copa do Pinheirão. “O ideal é que a coleta deste tipo de material ocorra entre cinco e dez dias após a queda. No entanto, a equipe encontrou brotações ainda viáveis”, explica o pesquisador Ivar Wendling, da Embrapa Florestas.

    O material coletado seguiu para enxertia em laboratório. Os pesquisadores devem confirmar o sucesso do procedimento em cerca de 100 dias. A altura do Pinheirão, que por décadas impediu qualquer intervenção no topo da árvore, só se tornou acessível com o tombamento. “Esse material se encontra no alto, na copa da árvore e, em virtude de sua altura, o procedimento só seria possível por meio de escalada, o que era inviável nesta árvore, ou, infelizmente, com seu tombamento”, explica Paulo César, bolsista da equipe.

    Equipe da Embrapa Florestas se mobilizou para coleta de material genético e tentativa de clonagem da árvore. Foto: Katia Pichelli / Embrapa Florestas

    A iniciativa busca preservar características genéticas raras da espécie, incluindo altura e longevidade excepcionais.

    Vínculo científico e emocional

    Para Anderson Feltrim, gerente da Estação Experimental da Epagri em Caçador, a mobilização vai além do interesse científico. “A mobilização atual reflete não apenas o valor científico da árvore, mas também o vínculo ao longo dos anos de todos nós que convivemos com ela. Assim que constatamos a queda, acionamos a Embrapa, pois entendemos o valor científico de estudá-la”, afirmou.

    A Embrapa Florestas já tem experiência nesse tipo de operação. Em Cruz Machado (PR), a instituição conduziu a clonagem de outra araucária de grande porte após queda semelhante. Um caso que serve de referência técnica para o trabalho atual.

    Uma idade ainda desconhecida

    O Pinheirão nunca revelou sua idade com precisão. O tronco oco inviabilizava a dendrocronologia, técnica que determina a idade de uma árvore pela contagem dos anéis de crescimento no interior do tronco. Em árvores em pé e íntegras, a leitura se faz com um trado que extrai uma amostra de madeira a partir da altura do peito, onde os anéis costumam ser mais regulares e representativos. Com o tombamento, tornou-se possível retirar discos do tronco para contagem direta.

    A equipe, com orientação do técnico Arnaldo Soares da Embrapa Florestas, pretende coletar discos em uma região onde a madeira permanece íntegra, por volta dos cinco metros de altura. A contagem, porém, indicará apenas uma idade mínima: os anos iniciais de crescimento, anteriores ao momento em que o tronco atingiu aquela altura, ficam fora do registro.

    A pesquisadora Maria Augusta Doetzer Rosot, do Laboratório de Monitoramento da Embrapa Florestas, acompanhou o Pinheirão desde 2003. Foi quando a equipe instalou experimentos na estação em parceria com professores e alunos da UFPR. “Devido à fragilidade observada no tronco, optou-se por não se proceder a nenhuma investigação para determinar sua idade, mas certamente esta árvore serviu de inspiração para muitos de nossos trabalhos”, conta.

    Além disso, o exemplar também figurava na agenda de visitantes internacionais, como pesquisadores da FAO, da Universidade Politécnica de Madri, do Centro Agronômico de Investigação e Ensino (CATIE, Costa Rica) e da Rede Internacional de Bosques Modelo (Canadá).

    Os últimos registros em vida

    Em novembro de 2025, o fotógrafo Zé Paiva e o cinegrafista Gustavo Fonseca foram os últimos profissionais a documentar o Pinheirão ainda em pé. A dupla estava em Caçador para o projeto “Reinvenção da Natureza”, do SESC, que mapeou 12 árvores gigantes do Sul do Brasil com base no trabalho do prof. Scipioni.

    “É muito forte a sensação de sermos os últimos fotógrafos documentando essa árvore tão impressionante, sentir a força da natureza, mas também o impacto de ver a finitude da vida e que a vida está sempre se renovando”, disse Paiva.

    Últimos registros oficiais do Pinheirão quando ele ainda estava em pé foram feitos em novembro de 2025. Foto: Zé Paiva/Vista Imagens

    O projeto resultará em uma exposição artística multimídia, com vídeos e experiência imersiva sobre a Floresta Ombrófila Mista. A mostra deve estrear no primeiro semestre na galeria do SESC Concórdia e, no segundo semestre, no SESC Itajaí. Acompanhe o perfil @zepaivaphoto para mais informações.

    Scipioni coordena um dos principais levantamentos de árvores gigantes do Sul do Brasil, mapeando exemplares com mais de 1,5 metro de diâmetro, hoje cada vez mais escassos. Além disso, o trabalho envolve expedições a campo, análise de anéis de crescimento e estudo de araucárias e imbuias de grande porte. E tem foco em ecologia, conservação e importância ambiental.

    Clima extremo derruba gigantes

    Em estudo recente, Scipioni investigou a relação entre mudanças climáticas e a queda de árvores monumentais no Sul do Brasil. A pesquisa analisou eventos de 2023 e concluiu que o fator determinante para o tombamento não é o vento, mas a saturação do solo, que perde resistência e compromete a ancoragem das raízes.

    “O peso elevado e as copas largas dessas árvores centenárias as tornam particularmente vulneráveis a essas mudanças climáticas induzidas pelo El Niño”, explica o professor. O aumento das chuvas extremas transforma terrenos argilosos em superfícies instáveis para árvores de grande porte. O que exige, portanto, estratégias urgentes de conservação e monitoramento proativo para proteger esse patrimônio ecológico e cultural.

  • Bactérias prometem revolucionar o cultivo de pimenta-do-reino

    Bactérias prometem revolucionar o cultivo de pimenta-do-reino

    Pesquisadores brasileiros identificaram duas bactérias presentes naturalmente no interior das plantas com potencial para transformar o cultivo da pimenta-do-reino, a segunda especiaria mais produzida no Brasil, com valor de mercado que saltou de R$ 1,65 bilhão para R$ 3,67 bilhões em apenas um ano.

    Cacho de pimenta-do-reino. Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

    O estudo, conduzido pela Embrapa em parceria com cinco universidades federais, mostra que as linhagens Priestia sp. T2.2 e Lysinibacillus sp. C5.11 estimulam o crescimento da planta e melhoram o enraizamento das estacas usadas na produção de mudas.

    Como as bactérias atuam

    As chamadas bactérias endofíticas habitam os tecidos internos das plantas sem causar doenças. As linhagens identificadas produzem ácido indolacético (AIA) — hormônio que regula o crescimento vegetal — e sideróforos, compostos que capturam ferro no solo e o tornam mais acessível às raízes. Esse mecanismo explica os resultados expressivos obtidos nos experimentos realizados entre 2023 e 2024 na Embrapa Amazônia Oriental, em Belém (PA).

    Estacas da variedade Singapura de pimenteira-do-reino submetidas à solução com Priestia sp. T2.2 cresceram até 75% mais em altura e registraram aumento de 136% na massa seca da parte aérea em relação às plantas de controle. Já a Lysinibacillus sp. C5.11 provocou um salto de 333% na massa seca das raízes. Uma terceira linhagem avaliada, Bacillus sp. C1.4, também apresentou efeitos positivos na parte aérea, porém em menor escala.

    “Esses resultados apontam para plantas com raízes mais vigorosas, ramificadas e pesadas. Isso é fundamental para a absorção de nutrientes do solo e, consequentemente, maior crescimento da planta, maior quantidade de galhos e folhas, mais fotossíntese, mais sanidade, maior longevidade dos pimentais e maior produtividade. É um ciclo benéfico de desenvolvimento”, afirma Oriel Lemos, pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental.

    O gargalo das mudas na agricultura familiar

    A estaquia, técnica de reprodução que consiste em retirar pequenos galhos da planta-mãe e enraizá-los para gerar novas mudas, é o método preferido dos produtores porque preserva as características genéticas da matriz e reduz o tempo até a frutificação. O problema é que o baixo índice de pegamento das raízes compromete a qualidade das mudas e, por consequência, a produtividade das lavouras.

    “Um pimental produtivo se inicia com uma muda sadia. E uma das dificuldades dos produtores é ter estacas que tenham um enraizamento efetivo para a produção das mudas. Há ainda muitas perdas nesse processo. Então, essa descoberta revela o potencial de obtermos um bioinsumo que traga mais segurança aos pequenos produtores para a implantação ou ampliação de pimentais com mudas sadias e, consequentemente, plantas mais vigorosas e produtivas”, destaca Alessandra Nakasone, pesquisadora da Embrapa Florestas.

    A descoberta interessa especialmente à agricultura familiar, responsável pela maior parte da produção nacional. As bactérias também solubilizam nutrientes no solo, tornando-os mais disponíveis para absorção pelas raízes. Portanto pode reduzir a dependência de fertilizantes e defensivos químicos e aumentar a sustentabilidade da cadeia produtiva.

    Brasil lidera produção, mas desafios persistem

    O Brasil colheu quase 125 mil toneladas de pimenta-do-reino em 2024, segundo o IBGE, ocupando o segundo lugar no ranking mundial de produtores. Espírito Santo e Pará concentram mais de 90% da safra nacional. O estado paraense, com 41 mil toneladas produzidas no mesmo ano, se destaca pelo perfil de agricultura familiar e pelos processos sustentáveis de produção.

    Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

    A pesquisa ganha ainda mais relevância com a aprovação da Lei Federal nº 15.070/2024, que trouxe mais segurança jurídica ao setor de bioinsumos. Pela nova norma, produtos biológicos desenvolvidos a partir de microrganismos como as cepas de Priestia e Lysinibacillus não se enquadram como pesticidas e têm uso agrícola liberado, desde que comprovada a segurança.

    “A expectativa é que, além de melhorar o crescimento das mudas, esses bioinsumos possam atuar no controle de doenças comuns à pimenta-do-reino, como as causadas por Fusarium, e assim reduzir perdas e fortalecer a cadeia produtiva”, projeta Katia Nechet, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente.

    Os próximos passos incluem testes em áreas de produtores, com outras variedades clonais e em sistemas de cultivo como o plantio em tutor vivo de gliricídia — alternativa sustentável ao uso de estacas de madeira como suporte para o crescimento da planta.

    A pesquisa reuniu pesquisadores da Embrapa Amazônia Oriental, Embrapa Florestas, Embrapa Meio Ambiente e das universidades federais Unifesspa, UFLA, UFRPE e UFPA.

  • Ferramenta facilita inventário florestal em sistemas integrados

    Ferramenta facilita inventário florestal em sistemas integrados

    A Embrapa Florestas lançou uma nova versão da planilha eletrônica para inventário florestal em sistemas ILPF. Desenvolvida para uso no Excel, a ferramenta atende demandas apresentadas por técnicos e produtores durante cursos. O objetivo é apoiar o planejamento e o manejo de árvores nesses sistemas integrados. O download está disponível gratuitamente no site da Embrapa Florestas.

    Inventário é fundamental para Carne Carbono Neutro

    Segundo o pesquisador Vanderley Porfírio-da-Silva, o inventário florestal é fundamental para sistemas ILPF que buscam o selo Carne Carbono Neutro (CCN). “O inventário mostra o crescimento das árvores e estima o carbono acumulado. Essa informação é essencial para comprovar a neutralização do metano entérico”, explica. A planilha foi criada para consultores, extensionistas e profissionais que atuam em projetos de ILPF.

    O usuário insere dados básicos da área, como o arranjo espacial do sistema. A ferramenta calcula a densidade de plantio, além de parâmetros para o inventário, como tamanho das parcelas e distância entre elas. Esses cálculos facilitam a execução no campo e garantem dados precisos para softwares como o SisILPF. Esses simuladores avaliam crescimento florestal, produção de madeira e captura de carbono.

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    “A planilha define uma amostragem precisa, mesmo em sistemas com alta variabilidade”, afirma Edilson Oliveira, também pesquisador da Embrapa Florestas. Ele destaca que a ferramenta pode ser usada em áreas já implantadas ou em simulações. “O produtor consegue planejar o sistema e escolher as melhores opções de implantação”, completa.

    A ferramenta também permite instalar parcelas permanentes para gerar dados contínuos sobre o desempenho das árvores. Isso contribui para o manejo florestal sustentável e para medir benefícios ambientais do ILPF, como sombreamento e conforto térmico para os animais.

    SisILPF integra manejo e sustentabilidade

    Foto: divulgação – Embrapa / Vanderley Porfírio

    Os softwares SisILPF auxiliam no planejamento, manejo e análise econômica do componente florestal em sistemas ILPF. Eles simulam diferentes condições de clima e solo e todas as opções de manejo para espécies arbóreas. As ferramentas geram tabelas de sortimento de madeira por uso industrial, como laminação, serraria e energia. Também calculam o carbono capturado e emitem gráficos com estimativas para neutralizar metano da pecuária.

    Existem versões para espécies como Eucalyptus benthamii, Eucalyptus dunnii, Eucalyptus urograndis, Pinus elliottii, Pinus taeda, além de cedro, mogno e teca.

    Carne Carbono Neutro valoriza sustentabilidade da pecuária

    Desde os anos 2000, a pecuária brasileira enfrenta críticas por impactos ambientais e associação com desmatamento. Para reduzir a pegada de carbono, a Embrapa lançou em 2012 a marca Carne Carbono Neutro (CCN). A iniciativa integra árvores aos sistemas pastoris, garantindo compensação das emissões e promovendo bem-estar animal com sombreamento.

    Registrada no INPI em 2016, a marca segue protocolo auditável, que proíbe desmatamento e uso de fogo. O modelo assegura boas práticas agropecuárias, neutralização de emissões e rastreabilidade, alinhando-se aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 2, 12 e 13.

    Segundo Roberto Giolo, pesquisador da Embrapa Gado de Corte, a marca fortalece a competitividade da pecuária. “A CCN agrega valor à carne e beneficia toda a cadeia produtiva, com foco na sustentabilidade”, afirma.

     

  • Pinhão impulsiona renda e preservação ambiental no Sul de Minas

    Pinhão impulsiona renda e preservação ambiental no Sul de Minas

    A produção de pinhão tem se destacado como fonte de renda e instrumento de preservação ambiental na Serra da Mantiqueira, especialmente em Delfim Moreira, no Sul de Minas Gerais. O município é um dos principais produtores do estado, com safra estimada em 500 mil quilos em 2024, segundo dados da Emater-MG. A atividade movimenta cerca de R$ 3,5 milhões por ano e envolve aproximadamente mil hectares de araucárias produtivas.

    A colheita do pinhão, que ocorre entre abril e julho conforme a Lei Estadual nº 15.915/2022, foi encerrada mais cedo em 2024 devido à queda de 50% na safra, provocada por condições climáticas adversas, como temporais e aumento das temperaturas. Mesmo com a produção reduzida, o preço do quilo do pinhão dobrou, passando de R$ 3 para R$ 6, o que compensou parte das perdas para os produtores. O produto conta ainda com garantia de preço mínimo pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

    Delfim Moreira investe em ações para fortalecer o setor. Uma parceria entre a prefeitura, Embrapa Florestas e Avon está viabilizando a construção de uma unidade processadora de pinhão. A expectativa é que a nova estrutura permita a oferta de produtos derivados durante todo o ano, ampliando a renda dos agricultores.

    Viveiro municipal

    O município mantém também um viveiro municipal que distribui mudas de araucária enxertada gratuitamente aos produtores. Mais de 400 novas árvores já foram plantadas com apoio da Emater-MG, que oferece assistência técnica e incentiva o plantio sustentável. A Associação Araucária, formada por produtores locais, realiza eventos como o Festival Gastronômico do Pinhão e promove ações de educação ambiental nas escolas. Para outubro, está previsto um seminário sobre a importância da araucária para a região.

    Foto: Divulgação Prefeitura Municipal de Delfim Moreira

    Minas Gerais conta com cerca de dois mil produtores de pinhão, segundo levantamento da Emater-MG. Além de Delfim Moreira, os maiores municípios produtores são Itamonte (1,2 milhão de quilos), Alagoa (700 mil quilos), Baependi (480 mil quilos) e Marmelópolis (475 mil quilos).

    O manejo sustentável do pinhão contribui para a preservação da araucária, espécie ameaçada de extinção e símbolo da Mata Atlântica. A valorização do produto e o apoio de políticas públicas têm garantido a continuidade da atividade, aliando desenvolvimento econômico e conservação ambiental.

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  • Estudo confirma valor nutricional do pinhão precoce

    Estudo confirma valor nutricional do pinhão precoce

    Um estudo inédito da Embrapa Florestas, em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), comprovou que o pinhão precoce – produzido por araucárias clonadas por enxertia – possui o mesmo valor nutricional e sabor que o pinhão tradicional. A descoberta reforça a viabilidade da técnica, que reduz pela metade o tempo de produção da semente típica do Sul do Brasil, sem perder qualidade.

    A pesquisa, que acaba de completar 10 anos de desenvolvimento, analisou a composição nutricional de pinhões de araucárias enxertadas e comparou com os de árvores convencionais. Os resultados mostraram que ambos têm baixo teor de gordura, são ricos em proteínas, carboidratos e fibras, além de possuírem alto valor calórico.

    Tecnologia reduz tempo de produção pela metade

    Enquanto uma araucária tradicional leva de 12 a 20 anos para produzir pinhões, as enxertadas começam a dar frutos em apenas 6 a 10 anos. A técnica, desenvolvida em parceria entre Embrapa e UFPR, utiliza brotações de árvores adultas para acelerar o ciclo produtivo.

    Técnica é capaz de ajudar a conservar a araucária, espécie ameaçada de extinção. Foto: Kátia Pichelli

    “A nova planta se comporta como se tivesse a idade da matriz de onde o broto foi retirado”, explica Ivar Wendling, pesquisador da Embrapa Florestas. Isso permite colheitas mais rápidas, incentivando o cultivo comercial e ajudando na conservação da espécie, ameaçada de extinção.

    Manual ensina como implantar pomares de pinhão precoce

    Para auxiliar produtores, a Embrapa lançou um manual de boas práticas, com orientações sobre:

    •  Seleção de matrizes (árvores-mãe de qualidade)
    •  Preparo do solo e plantio
    •  Manejo adequado para evitar falhas no desenvolvimento
    •  Controle de pragas e doenças

    “Muitas mudas não vingavam por falta de cuidados básicos. Agora, com o manual, os produtores têm um guia completo”, destaca Wendling.

    Pinhão precoce pode virar fonte de renda no sul e sudeste

    A técnica já está sendo adotada por agricultores em Paraná, Santa Catarina e São Paulo. Em Bituruna (PR), o programa municipal “A Força das Araucárias” já beneficia 100 produtores, com planos de instalar uma agroindústria de farinha de pinhão.

    Muda de pinhão precoce recém formada – Foto: Kátia Pichelli

    Silmara Silva, produtora de Cunha (SP), comemora: “Vou colher pinhões em menos tempo e ter uma renda extra”. Já Cleverson Coradin, de Bocaiúva do Sul (PR), relata que seu pomar de 87 araucárias enxertadas começou a produzir com apenas 7 anos. “A demanda só tende a crescer, inclusive para exportação”, afirma.

    Benefícios ambientais: conservação e adaptação climática

    Além do ganho econômico, a técnica ajuda a:

    •  Reduzir a pressão sobre araucárias nativas
    •  Preservar árvores centenárias (como a araucária gigante de Cruz Machado, PR)
    •  Aumentar a diversidade genética, melhorando a resistência às mudanças climáticas

    “A enxertia permite resgatar e multiplicar genótipos raros, essenciais para pesquisas futuras”, ressalta Wendling.

    Onde encontrar mudas de araucária enxertada?

    Interessados devem procurar viveiros credenciados no Renasem (Registro Nacional de Sementes e Mudas). O Viveiro Porto Amazonas (PR) é pioneiro na produção comercial, com 3 mil mudas/ano.

    “Ainda há desafios, como conscientizar os produtores sobre o manejo correto”, diz Leonel Anderman, biólogo do viveiro.

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  • Pinhão: estudo revela potencial prebiótico da semente

    Pinhão: estudo revela potencial prebiótico da semente

    Um estudo realizado pela Embrapa Florestas, em parceria com a Universidade Federal de Viçosa (UFV) e a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), trouxe à luz uma descoberta promissora: o pinhão, semente da Araucaria angustifolia, contém compostos prebióticos capazes de beneficiar a saúde intestinal.

    Os principais elementos encontrados foram o amido resistente e os fructooligossacarídeos (FOS), substâncias que estimulam o crescimento de probióticos, microrganismos essenciais para um ecossistema intestinal equilibrado.

    Embora a presença de nutrientes como minerais (fósforo, potássio e magnésio) e amido resistente no pinhão já fosse conhecida, a identificação dos FOS é um marco inédito. De acordo com a coordenadora do projeto PINALIM, Catie Godoy, “os FOS eram encontrados em fontes vegetais como yacon, alcachofras, chicória e aspargos. A descoberta no pinhão pode impulsionar seu consumo com foco em uma alimentação saudável”.

    Os FOS são carboidratos não metabolizáveis pelo organismo humano que servem de alimento para probióticos. Eles promovem o crescimento de bactérias benéficas, como Lactobacillus plantarum e Bifidobacterium breve, e inibem microrganismos prejudiciais, como Clostridium perfringens. “Ao serem fermentados, esses compostos produzem ácidos graxos de cadeia curta, que favorecem a renovação das células intestinais e reduzem o risco de doenças digestivas e sistêmicas”, explica Célia Lúcia de Luces Fortes Ferreira, da UFV, especialista em probióticos.

    Como o pinhão contribui para a saúde

    Os resultados do estudo destacam o impacto positivo do amido resistente presente no pinhão. Essa fibra é fermentada no intestino grosso, promovendo benefícios como:

    • Manutenção da microbiota intestinal saudável: Estimula bactérias benéficas e inibe organismos prejudiciais.
    • Redução de doenças digestivas: Favorece a renovação do epitélio intestinal.
    • Controle metabólico: Reduz colesterol e glicemia, além de melhorar a absorção de minerais como cálcio, prevenindo condições como osteoporose.

    Variações de pinhão analisadas

    O estudo analisou três variedades de pinhão – Sancti josephi, Angustifolia e Caiova –, colhidas em diferentes épocas do ano. Por meio de métodos experimentais avançados, os pesquisadores avaliaram o conteúdo de oligossacarídeos, o amido resistente e o impacto dessas substâncias no crescimento bacteriano.

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    “O amido do pinhão mostrou ser mais eficaz do que carboidratos simples, como a dextrose, no estímulo a probióticos. Isso abre novas possibilidades para o uso do pinhão como ingrediente funcional em dietas equilibradas”, afirma Haíssa Cardarelli, da UFPB.

    Prebióticos x probióticos: o que são e como atuam

    • Probióticos: Microrganismos vivos, como bactérias e leveduras, que ajudam na digestão, protegem contra doenças e fortalecem o sistema imunológico. Alimentos como iogurte, kefir, chucrute e kombucha contêm esses microrganismos.
    • Prebióticos: Compostos alimentares não digeríveis, como os FOS e o amido resistente, que servem de substrato para o crescimento de probióticos no intestino.

    Em resumo, os probióticos são as bactérias benéficas, e os prebióticos, seu alimento. Ambos são essenciais para a saúde intestinal e metabólica.

    Impacto econômico e ambiental: preservando a araucária

    Além dos benefícios à saúde, a pesquisa aponta que a valorização do pinhão pode contribuir para a preservação da Araucária, uma árvore pré-histórica ameaçada de extinção. “Ao incentivar o consumo do pinhão, geramos demanda para a manutenção das florestas de Araucária e criamos oportunidades para o desenvolvimento de novos produtos alimentares”, afirma Natália Marques, especialista em Nutrição Clínica e Funcional.

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    A descoberta também pode fortalecer o mercado de alimentos funcionais no Brasil. Produtos como snacks, cereais matinais e suplementos à base de pinhão têm potencial para atender à crescente demanda por alimentos saudáveis e inovadores.

    Com base nos resultados promissores, novas pesquisas já estão em andamento. A professora Cardarelli e sua equipe planejam explorar o uso da farinha de pinhão como fonte de crescimento para probióticos. “Esse produto, desenvolvido com tecnologia da Embrapa, está próximo da produção industrial e poderá ampliar o acesso a benefícios para a saúde intestinal”, ressalta.

    Fructooligossacarídeos: mais do que simples açúcares

    Os FOS são comercializados como suplementos e podem custar até R$ 1,00 por grama, com doses diárias recomendadas entre 4 g e 17 g. Apesar de o consumo isolado de pinhão não atingir essas quantidades, seu uso combinado com outros alimentos pode integrar uma dieta equilibrada e benéfica para a microbiota intestinal.

    Alimentos contendo FOS contribuem significativamente para a manutenção do ecossistema intestinal
    Alimentos contendo FOS contribuem significativamente para a manutenção do ecossistema intestinal. Foto – Manuela Bergamim/Embrapa

    Além disso, os FOS contribuem para:

    • Redução do colesterol e glicemia.
    • Absorção de vitaminas e minerais essenciais.
    • Melhoria do sistema imunológico e saúde mental, que estão intimamente ligados à saúde intestinal.

    O pinhão se destaca não apenas como um alimento tradicional, mas também como uma fonte rica em compostos funcionais com benefícios comprovados para a saúde intestinal e metabólica. A pesquisa pioneira abre caminho para o desenvolvimento de produtos alimentares inovadores, reforça a importância da preservação ambiental e destaca o potencial do Brasil no mercado global de alimentos funcionais.

     

  • Embrapa identifica áreas suscetíveis a impactos climáticos extremos no Paraná

    Embrapa identifica áreas suscetíveis a impactos climáticos extremos no Paraná

    A Embrapa Florestas, em colaboração com diversas instituições, está desenvolvendo uma pesquisa para identificar áreas suscetíveis a eventos climáticos extremos no Paraná. A iniciativa visa criar uma base de dados que integre informações sobre geologia, geomorfologia, solos e vegetação. E contribuir para o aprimoramento do sistema de alerta da Defesa Civil no estado.

    Com base nos eventos climáticos que afetaram o Rio Grande do Sul em 2024, o Paraná busca estratégias para minimizar os impactos de desastres naturais, como enchentes e deslizamentos. O sistema GeoDC da Defesa Civil paranaense será fortalecido com os dados coletados pela Embrapa, melhorando a resposta emergencial em situações críticas.

    Ação conjunta para prevenção de desastres naturais

    A pesquisa conta com a participação da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná (Seab), Defesa Civil, Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) e outras entidades estaduais e federais. O objetivo é desenvolver estratégias eficazes de mitigação e resposta a eventos climáticos extremos, utilizando diagnósticos técnicos e lições aprendidas com as tragédias climáticas recentes.

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    No final de novembro, a Embrapa Florestas coordenará uma discussão sobre áreas vulneráveis sob a perspectiva geopedológica. O pesquisador Gustavo Curcio destaca que as semelhanças entre o relevo e os solos do Paraná e do Rio Grande do Sul podem intensificar os impactos das chuvas intensas. “Com nosso conhecimento sobre geologia, solos e vegetação do Paraná, podemos identificar áreas de risco iminente”, afirma Curcio.

    Mapas de solos e vegetação

    A análise dos mapas de solos e vegetação, tanto antigos quanto atuais, será fundamental para embasar as decisões da Defesa Civil. O Programa Nacional de Levantamento e Interpretação de Solos do Brasil no Paraná (PronaSolos PR) e a Ação Integrada de Solo e Água (AISA) estão elaborando mapas detalhados que visam melhorar o uso sustentável dos recursos naturais.

    O trabalho está integrado ao sistema GeoDC da Defesa Civil paranaense, considerado um dos mais completos do Brasil. Anderson Gomes das Neves, chefe do Centro Estadual de Gerência de Riscos da Defesa Civil, afirma que os novos dados aumentarão a precisão das respostas emergenciais no estado. “O GeoDC é o sistema mais robusto de defesa civil do país. Com os dados da Embrapa, poderemos validar informações com nosso banco de dados e tomar decisões mais assertivas”, conclui Neves.

    Sistema GeoDC amplia monitoramento e prevenção de desastres no Paraná

    O GeoDC reúne mapas detalhados de rodovias, redes hidrográficas e áreas municipais vulneráveis a vendavais, alagamentos, enchentes e estiagens. Futuras atualizações incluirão informações sobre os tipos de solo em cada região.

    A iniciativa é conduzida por um amplo consórcio, incluindo a Secretaria de Agricultura (Seab), Defesa Civil, Embrapa e Itaipu Binacional, que defendem estratégias para minimizar impactos climáticos, como evacuações, sinalização de áreas de risco e soluções ambientais.

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    Inspirado no trabalho de diagnóstico realizado no Rio Grande do Sul após enchentes, o sistema utiliza dados regionais para prever desastres com maior precisão. Estudos sobre solos e vegetação, somados ao cruzamento de informações paranaenses e gaúchas, ajudam a mapear áreas de maior risco, permitindo planejamento preventivo eficaz.

    “O planejamento integrado entre governo e iniciativa privada é essencial para evitar tragédias como as ocorridas no Rio Grande do Sul”, destacou Breno Menezes de Campos, da Seab.

    Abordagem integrada é essencial para mitigar riscos climáticos no Paraná

    José Gustavo de Oliveira Franco, professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, destaca a importância de uma abordagem integrada para enfrentar os riscos climáticos no estado. Ele defende a criação de um modelo de planejamento baseado em políticas públicas que assegurem que os municípios considerem esses riscos ao planejar a infraestrutura e o uso do solo. “Precisamos estabelecer planos de contingência, infraestrutura de evacuação e, principalmente, políticas públicas que ajudem a mitigar os impactos de eventos extremos”, afirma Franco.

    União de esforços para aumentar a resiliência

    A criação de um núcleo de planejamento interinstitucional é vista como uma estratégia fundamental para aumentar a resiliência do Paraná diante de eventos climáticos extremos. Izabella Brito, coordenadora da Casa Civil, afirma que o estado está comprometido em desenvolver estratégias sustentáveis e eficientes. “Estamos criando um planejamento para garantir que as comunidades mais vulneráveis estejam preparadas para os desafios climáticos. E também fortalecer a capacidade de resposta do estado diante de desastres”, declara.

    Brito acredita que a colaboração entre diferentes entidades e o uso de dados científicos têm o potencial de transformar o Paraná em um exemplo de prevenção e preparação para desastres climáticos. Ela ressalta que a interação entre a Defesa Civil, universidades, Embrapa e outras instituições não apenas melhora a precisão das previsões, mas também fortalece a rede de ações em resposta e recuperação.

    Importância do planejamento interinstitucional

    Breno Menezes de Campos, diretor do Departamento de Florestas Plantadas da Seab e coordenador do Grupo Gestor Estadual de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (ABC+), enfatiza a necessidade da união entre as instituições. “Para saber como agir e evitar surpresas, como ocorreu no Rio Grande do Sul, é preciso planejamento. A cooperação interinstitucional é crucial e deve envolver mais secretarias para ampliar sua abrangência”, prevê.

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    Durante as reuniões, foram apresentados cenários hipotéticos que podem ocorrer em eventos climáticos extremos, destacando que a formação geológica do Paraná pode resultar em desastres significativos. “Fomos sensibilizados a iniciar esse trabalho”, conta Menezes.

    Previsão e planejamento eficazes

    Os pesquisadores explicam que projeções sobre chuvas intensas são fundamentais para prever processos destrutivos como fluxos de massa e deslizamentos, que podem devastar vilas e cidades em regiões vulneráveis. “Assemelham-se ao Rio Grande do Sul em termos de relevo e solos”, afirma Gustavo Curcio. Ele ressalta que a parceria estabelecida pode gerar mapas que identifiquem áreas críticas e suas interações com diversos atributos das paisagens paranaenses.

    A iniciativa busca construir um planejamento estratégico que envolva todos os níveis de governo – federal, estadual e municipal – além da iniciativa privada. Isso inclui a análise das infraestruturas existentes e a criação de planos de contingência para evacuação quando necessário. “O planejamento conjunto entre instituições públicas e privadas pode ser a chave para evitar os impactos de eventos extremos”, conclui Breno Menezes.