Tag: economia brasileira

  • Congresso Andav debate gestão de pessoas no agro

    Congresso Andav debate gestão de pessoas no agro

    A transformação do agronegócio brasileiro também passa pela forma como as empresas lidam com seus profissionais. Em um setor marcado por mudanças constantes e maior exigência de competitividade, temas como retenção de talentos, formação de lideranças, cultura organizacional e sucessão ganham espaço na agenda estratégica. Essas questões estarão entre os assuntos debatidos no 15º Congresso Andav 2026, que será realizado de 11 a 13 de agosto, no Transamerica Expo Center, em São Paulo.

    A programação reunirá especialistas e lideranças para discutir os desafios relacionados à gestão de pessoas na distribuição de insumos agropecuários. O objetivo é ampliar o debate sobre desenvolvimento humano, engajamento e construção de ambientes organizacionais capazes de acompanhar as transformações do setor.

    Um dos destaques será a palestra “Transforme Negócios Através de Pessoas!”, marcada para 12 de agosto. A apresentação será conduzida por Paulo Camargo, mentor de CEOs, conselheiro, ex-CEO do McDonald’s e colunista do UOL Economia.

    No dia seguinte, 13 de agosto, Izabela Mioto, professora associada da Fundação Dom Cabral (FDC), ministrará a palestra “Gestão de Pessoas que Transforma Organizações”. A especialista abordará estratégias relacionadas ao fortalecimento da cultura organizacional e ao desenvolvimento de lideranças, com foco em inovação, desempenho e engajamento das equipes.

    “Os desafios da distribuição vão além dos aspectos econômicos e tecnológicos. As pessoas são o principal ativo das empresas. Investir em liderança, cultura organizacional e desenvolvimento humano é investir na sustentabilidade dos negócios e na evolução de todo o setor”, afirma Paulo Tiburcio, presidente executivo da Andav.

    Premiações reconhecem nomes do agronegócio

    A programação do Congresso Andav também terá espaço para o reconhecimento de profissionais e personalidades que contribuem para o desenvolvimento da distribuição de insumos e do agronegócio brasileiro.

    O tradicional Prêmio Andav de Reconhecimento será realizado ao longo dos três dias do evento. Em 11 de agosto, a advogada especializada em Direito Socioambiental Samanta Pineda, do escritório Pineda e Krahn, receberá a homenagem na categoria Defesa do Setor.

    Já no dia 12, a premiação será dedicada à categoria Personalidades do Agro, que reconhecerá importantes lideranças da distribuição de insumos agropecuários.

    Encerrando as homenagens, Letícia Jacintho, presidente do movimento De Olho no Material Escolar (DONME), será reconhecida no dia 13, na categoria Educação e Comunicação. A homenagem considera sua atuação relacionada à valorização da educação e da comunicação junto à sociedade.

    Congresso reúne debates sobre futuro do setor

    Com o tema “Agroeconomia Brasileira: Reflexões para o Futuro”, o 15º Congresso Andav 2026 terá uma programação voltada aos principais desafios e oportunidades do agronegócio.

    Além da gestão empresarial e das discussões sobre pessoas e liderança, o evento reunirá economistas, executivos, pesquisadores, especialistas e lideranças do setor. Entre os assuntos previstos estão economia, geopolítica, crédito, mercado financeiro, reforma tributária, inteligência de mercado, bioenergia, inovação e distribuição de insumos.

    A edição de 2026 contará com quatro pavilhões e mais de 24 mil metros quadrados de área de exposição. O espaço reunirá centenas de empresas, instituições e especialistas em uma programação voltada à geração de conhecimento, relacionamento e oportunidades de negócios.

    Durante o Congresso, também será apresentada a Pesquisa Nacional da Distribuição Andav 2026, desenvolvida em parceria com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP). O levantamento é apontado como uma das principais referências sobre o mercado brasileiro de distribuição de insumos agropecuários.

    Serviço

    Congresso Andav 2026
    Data: 11 a 13 de agosto de 2026
    Horário da plenária: dias 11 e 12, das 10h às 16h45; dia 13, das 10h às 16h
    Horário da exposição: dias 11 e 12, das 9h às 21h; dia 13, das 9h às 18h
    Local: Transamerica Expo Center
    Endereço: Avenida Dr. Mário Villas Boas Rodrigues, 387, Santo Amaro, São Paulo-SP – entrada pelo Pavilhão G
    Outras informações: eventosandav.com.br

  • El Nino pode desacelerar agropecuária até 2027, mesmo com avanço do PIB do Brasil

    El Nino pode desacelerar agropecuária até 2027, mesmo com avanço do PIB do Brasil

    Após iniciar o ano em alta, a agropecuária brasileira tende a perder força nos próximos meses e pode entrar em trajetória de desaceleração até 2027. O cenário é pressionado principalmente pelo risco de perdas nas colheitas associadas ao fenômeno El Nino, além do aumento dos custos de produção, especialmente dos fertilizantes.

    Segundo o economista Felippe Serigati, pesquisador da FGV Agro, o comportamento climático deve impactar diretamente o desempenho das safras. “Não se faz safra recorde em ano de El Nino”, afirma.

    Além disso, Carlos Cogo, da Cogo Inteligência em Agronegócios, lembra que eventos anteriores servem de alerta ao setor produtivo.

    “O último El Nino de grande intensidade, semelhante ao que se espera para este ano, foi o de 2014 e 2015. Para os produtores, ele deixou uma péssima lembrança, já que o país enfrentou a maior quebra de safra de sua história”, destaca.

    O fenômeno climático, por sua vez, provoca efeitos diferentes no território nacional, já que causa secas intensas no Centro-Norte e, em contrapartida, chuvas mais fortes no Sul. Dessa forma, há alta probabilidade de formação entre junho e julho. Se confirmado, o evento pode atrasar o plantio e reduzir as colheitas previstas para 2027.

    El Niño pode se consolidar já nas próximas semanas, alertam especialistas — Foto: Curiosity/CuriosityonX/X

    Para Cogo, o impacto tende a ser amplo sobre diferentes culturas.

    “Praticamente não existe cultivo que não seja vulnerável ao El Nino. Como o Brasil tem dimensões continentais e a produção agrícola está espalhada por todo o país, algumas regiões sofrem com secas intensas e outras com chuvas excessivas”, ressalta.

    PIB do Brasil cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026

    Os dados do Produto Interno Bruto (PIB) divulgados nesta sexta-feira (29) pelo IBGE mostram que a economia brasileira cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026, na comparação com os três últimos meses de 2025. Além disso, em valores correntes, o PIB alcançou R$ 3,3 trilhões no período.

    O resultado indica aceleração em relação ao quarto trimestre de 2025, quando a alta foi de 0,3%. Dessa forma, trata-se do maior avanço trimestral desde o primeiro trimestre do ano anterior, quando a economia havia crescido 1,3%.

    Agro lidera avanço econômico

    De acordo com o IBGE, os setores que mais contribuíram para o crescimento foram a agropecuária, a indústria extrativa mineral e outras atividades de serviços. Assim, o campo volta a se destacar como um dos principais motores da economia brasileira.

  • PIB da agropecuária cresce 2% no primeiro trimestre de 2026

    PIB da agropecuária cresce 2% no primeiro trimestre de 2026

    O PIB da agropecuária brasileira começou 2026 em alta e registrou crescimento de 2% no primeiro trimestre na comparação com os últimos três meses de 2025. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (29) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

    Segundo o levantamento, o setor movimentou cerca de R$ 230,4 bilhões entre janeiro e março deste ano. Já na comparação com o mesmo período de 2025, o avanço do PIB agropecuário foi de 0,7%.

    O desempenho positivo ajudou diretamente o resultado da economia brasileira. Ao todo, o PIB do Brasil alcançou R$ 3,3 trilhões no primeiro trimestre, com crescimento de 1,1% em relação ao trimestre anterior.

    Ainda de acordo com o IBGE, o PIB da agropecuária respondeu por aproximadamente 7% de toda a economia brasileira no início de 2026. Além disso, quando entram na conta setores ligados ao agronegócio, como transporte, comércio, agroindústria e produção de insumos, a participação do agro no PIB nacional se torna ainda maior.

    Produção de soja fortaleceu o PIB agropecuário

    O IBGE atribuiu o crescimento do PIB da agropecuária principalmente ao avanço da produção agrícola e ao aumento da produtividade em diversas regiões do país.

    Além disso, as condições climáticas favoráveis impulsionaram o desempenho das lavouras. Dados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) mostraram que a ampliação da área plantada favoreceu especialmente a produção de soja.

    A cultura apresentou aumento de 4,8% na estimativa anual e atingiu um novo recorde na série histórica do levantamento. Com isso, a soja se consolidou como um dos principais motores do crescimento do PIB agropecuário no período.

    Milho e arroz tiveram retração

    Apesar do avanço da soja, algumas culturas importantes registraram queda no começo de 2026. Segundo o IBGE, o milho apresentou recuo de 2,5% na estimativa anual de produção. Já o arroz teve queda de 10,6%.

    Mesmo assim, o resultado geral do PIB da agropecuária permaneceu positivo graças ao desempenho robusto de outras culturas agrícolas.

    Trajetória de crescimento

    Além da agropecuária, outros setores também contribuíram para o avanço da economia nacional no primeiro trimestre.

    A Indústria cresceu 1,0%, enquanto o setor de Serviços avançou 0,5% no período.

    No acumulado dos quatro trimestres encerrados em março de 2026, o PIB brasileiro registrou alta de 2,0% em relação aos quatro trimestres anteriores.

    Já o Valor Adicionado da Agropecuária acumulou crescimento expressivo de 7,5%, reforçando o peso do agronegócio no desempenho econômico do país.

  • Agronegócio pressiona governo para mudar financiamento de safra

    Agronegócio pressiona governo para mudar financiamento de safra

    Com inadimplência rural em nível recorde e dívidas que já ultrapassam R$ 800 bilhões, o agronegócio pressiona o governo federal por mudanças no modelo de financiamento do setor no próximo Plano Safra 2026/2027. O novo pacote deve ser anunciado em junho pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

    O cenário preocupa produtores e parlamentares ligados ao agro. No Plano Safra 2025/2026, o governo anunciou R$ 516,2 bilhões para a agropecuária, mas o Tesouro Nacional conseguiu equalizar juros para apenas R$ 113,8 bilhões do total. Na prática, grande parte dos recursos prometidos não chegou ao produtor rural.

    Entidades do setor e integrantes da bancada ruralista alertam que o atual modelo de subsídios está perto do limite e pode afetar a oferta agrícola nos próximos anos.

    A senadora Tereza Cristina, ex-ministra da Agricultura no governo de Jair Bolsonaro, afirmou que o agronegócio enfrenta uma “tempestade perfeita”. Segundo ela, a combinação de preços internacionais baixos, custos elevados de produção e crédito restrito agravou a situação financeira dos produtores.

    Durante o Congresso da Abramilho, realizado em Brasília, a parlamentar destacou que muitos agricultores já não conseguem oferecer garantias para acessar financiamentos. “Os juros não cabem mais no bolso do produtor”, declarou.

    Fundo de investimentos

    Entre as propostas defendidas pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) está a criação de um Fundo Garantidor de Investimentos (FGI) voltado ao setor rural. A medida prevê um aporte federal de R$ 20 bilhões para ampliar o acesso ao crédito e facilitar a renegociação das dívidas do agro.

    A proposta foi incluída no relatório do senador Renan Calheiros sobre o PL 5.122/2023, em análise na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. A votação está prevista para a próxima terça-feira (19).

    Segundo Tereza Cristina, o fundo pode destravar até R$ 200 bilhões em crédito para o setor. Ela também pediu maior sensibilidade do governo federal para que as mudanças avancem já no próximo Plano Safra.

  • Brasil terá recorde de empresas na maior feira de alimentos da Ásia

    Brasil terá recorde de empresas na maior feira de alimentos da Ásia

    O Brasil terá participação recorde na Sial China 2026, considerada a maior feira de alimentos e bebidas da Ásia e uma das principais do mundo. Ao todo, 82 empresas brasileiras exportadoras estarão presentes no evento, que começa nesta segunda-feira (18), em Xangai. A expectativa do setor é movimentar cerca de US$ 3,3 bilhões em negócios.

    O ministro da Agricultura, André de Paula, também participará da feira em sua primeira missão internacional desde que assumiu o cargo. Após a agenda em Xangai, ele seguirá para Pequim, onde se reunirá com representantes do governo chinês para discutir novas aberturas de mercado e melhorias nas relações comerciais entre os países, incluindo a flexibilização da cota de importação de carne bovina brasileira.

    A Sial China é vista como estratégica para ampliar a presença dos produtos brasileiros não apenas entre importadores chineses, mas também junto a compradores de diferentes países asiáticos. O maior espaço será dedicado à carne bovina, sob coordenação da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, com a participação de 25 frigoríficos.

    O projeto Brazilian Beef, criado pela entidade para promover a carne bovina brasileira no exterior, contará com um estande de mais de 1,2 mil metros quadrados. Na edição passada da feira, os negócios fechados durante o evento somaram US$ 265,2 milhões, enquanto a projeção para os 12 meses seguintes alcançou US$ 2,24 bilhões.

    Estratégia para o agronegócio brasileiro

    O evento também contará com um espaço exclusivo para o Programa Cooperar para Exportar, iniciativa voltada à internacionalização de cooperativas da agricultura familiar. Nesta edição, 10 cooperativas brasileiras apresentarão produtos como cafés especiais, açaí, castanhas, mel, vinhos, polpas de frutas e alimentos ligados à biodiversidade brasileira.

    Para o presidente da ApexBrasil, Laudemir Muller, a missão reforça a importância estratégica da China para o agronegócio brasileiro e amplia as oportunidades para produtos de maior valor agregado.

    “A China é um parceiro estratégico para o Brasil e esta missão representa mais um passo importante na diversificação e agregação de valor das exportações brasileiras. Estamos ampliando a presença de empresas brasileiras no mercado chinês, fortalecendo setores tradicionais e abrindo espaço para cooperativas, agricultura familiar e produtos de maior valor agregado. O número recorde de empresas na Sial demonstra a confiança do setor produtivo brasileiro no potencial desse mercado”, afirmou.

    Atualmente, a China lidera como principal destino das exportações do agronegócio brasileiro. Em 2025, o país asiático importou mais de US$ 55,3 bilhões em produtos agropecuários do Brasil, o equivalente a 32,7% de todas as exportações do setor. Entre 2019 e 2025, o mercado chinês abriu 25 novas oportunidades para produtos brasileiros, incluindo itens do complexo soja, proteínas animais, gergelim, farinha de aves e suínos, além de DDG de milho utilizado na alimentação animal.

  • O que tinha no seu chocolate que a lei agora proíbe esconder

    O que tinha no seu chocolate que a lei agora proíbe esconder

    O plenário do Senado aprovou nesta quarta-feira, 15 de abril, em regime de urgência, o projeto de lei que estabelece percentuais mínimos de cacau em chocolates e derivados. A matéria segue agora para a sanção do presidente Lula.

    Na prática, a lei muda o que pode e o que não pode se chamar de chocolate no Brasil. Ela define percentuais mínimos de cacau para cada categoria de produto e, além disso, obriga fabricantes a informar esse percentual nos rótulos de forma clara, tanto em produtos nacionais quanto importados.

    A informação deve constar na parte frontal da embalagem, com a expressão “Contém X% de cacau”, ocupando ao menos 15% dessa área, em caracteres legíveis e com contraste que facilite a visualização pelo consumidor. Ou seja, sem letrinhas miúdas nem truques gráficos.

    Com exigência de transparência, produtos que não atingirem os índices não poderão mais usar o nome chocolate
    (Foto: Reprodução/Agência Brasil)

    Quanto cacau precisa ter em cada produto?

    Os percentuais ficaram assim definidos:

    Chocolate em pó precisa ter no mínimo 32% de sólidos totais de cacau. Ao leite exige pelo menos 25% de sólidos totais de cacau e 14% de sólidos totais de leite ou derivados. Chocolate branco deve conter no mínimo 20% de manteiga de cacau e 14% de sólidos totais de leite. Achocolatados, chocolates fantasia, compostos e coberturas sabor chocolate precisam ter ao menos 15% de sólidos de cacau ou 15% de manteiga de cacau.

    Há ainda uma regra específica para o chocolate sem classificação mais precisa: a lei exige um mínimo de 35% de sólidos totais, sendo pelo menos 18% de manteiga de cacau e 14% isentos de gordura, com um limite de 5% para outras gorduras vegetais autorizadas.

    Produtos que não atingirem esses índices não poderão mais usar a palavra “chocolate” nem imagens que remetam a ele. Os fabricantes deverão adotar denominações claras e ficam proibidos de utilizar elementos visuais que possam induzir o consumidor ao erro. Quem descumprir responde pelo Código de Defesa do Consumidor e pela legislação sanitária.

    O argumento que veio do campo

    O senador Angelo Coronel (Republicanos-BA), relator da proposta, não deixou dúvida sobre o que estava em jogo para além do consumidor urbano. “Os produtores têm sofrido com os preços. O governo não faz previsão de safra e libera importação de cacau da África, que não tem controle fitossanitário. A gente tem que ter sempre a previsão de safra para que, com essa previsão, possa aferir se realmente precisaremos importar ou não, porque nós temos que valorizar o produtor nacional, especialmente da agricultura familiar,” afirmou.

    A fala resume bem a pressão que vem de baixo. Agricultores familiares da Bahia e do Pará convivem com importações sem rastreabilidade, preços instáveis e ausência de planejamento de safra. A nova lei não resolve tudo isso, mas cria um mecanismo indireto de valorização: se a indústria precisa de mais cacau real nos produtos, a demanda pela matéria-prima nacional tende a crescer.

    O Brasil produz cacau, mas vende pouco do que poderia

    Os números ajudam a entender a dimensão do mercado que está sendo regulado. Dados da FAO indicam que o Brasil é o sexto maior produtor de cacau do mundo, com Bahia e Pará respondendo por mais de 90% da produção nacional. Ao mesmo tempo, a presença do chocolate nos lares brasileiros passou de 85,5% em 2020 para 92,9% em 2024, com consumo médio de 3,9 quilos por pessoa ao ano, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas.

    É um mercado enorme, crescente e que até agora operava sem uma definição legal clara do que é, afinal, um chocolate. Essa lacuna beneficiava quem colocava menos cacau nos produtos sem precisar admitir isso em lugar algum da embalagem.

    Quando as regras entram em vigor?

    As normas entrarão em vigor 360 dias após a publicação da lei. Isso dá à indústria cerca de um ano para adaptar formulações, embalagens e peças publicitárias. É um prazo razoável, mas que também sinaliza que mudanças de prateleira estão a caminho.

     

  • Agro sob ataque: Selic alta e custos não dão trégua no campo

    Agro sob ataque: Selic alta e custos não dão trégua no campo

    A desaceleração no ritmo de queda da taxa básica de juros no Brasil, combinada à pressão internacional sobre insumos e ao ambiente fiscal doméstico mais sensível, já impacta o planejamento do agronegócio para 2026. A avaliação é de Wolney Arruda, administrador de empresas e presidente da Plantae Agrocrédito, com atuação no mercado de crédito rural há mais de duas décadas.

    Em entrevista ao Agro em Campo ele aponta para um cenário de crédito mais caro, custos elevados e maior incerteza para o produtor rural.

    Segundo o especialista, a combinação entre tensões geopolíticas, sobretudo envolvendo o Irã, e a limitação fiscal do governo brasileiro tende a manter o custo do dinheiro elevado por mais tempo. Isso afeta diretamente o acesso ao crédito rural e amplia os desafios para a próxima safra.

    Juros, cenário macro e crédito

    A redução menor da Selic muda o cenário para o agro em 2026?

    Muda bastante. O mercado esperava cortes mais agressivos, o que ajudaria a aliviar o custo do crédito. Com um ritmo mais lento, o produtor precisa se preparar para juros elevados por mais tempo.

    O que pesa mais hoje: risco fiscal ou cenário externo?

    Os dois fatores são relevantes, mas o fiscal tem um peso estrutural. Ele influencia diretamente a percepção de risco do país e limita a atuação do Banco Central.

    Existe risco de interrupção no ciclo de queda dos juros?

    Existe, principalmente se houver nova pressão inflacionária vinda de energia ou insumos agrícolas.

    Como esse cenário impacta o custo do dinheiro no campo?

    Ele encarece todas as linhas, tanto subsidiadas quanto livres, e reduz o acesso ao crédito em condições favoráveis.

    Geopolítica e custo dos insumos

    Como o conflito envolvendo o Irã impacta os fertilizantes?

    O Irã é um player relevante na produção de nitrogenados. Qualquer restrição de oferta pressiona os preços globais.

    O Brasil está muito dependente de insumos externos?

    Sim, especialmente em fertilizantes. Isso torna o país vulnerável a choques internacionais.

    Há alternativa no curto prazo?

    No curto prazo, não. A dependência é estrutural e exige tempo e investimento para ser reduzida.

    O risco no Estreito de Ormuz já afeta o diesel?

    Ainda de forma indireta, mas o mercado já precifica essa possibilidade, o que sustenta a volatilidade.

    Wolney Arruda, presidente da Plantae Agrocrédito

    Custos, produção e margens

    Qual é hoje o principal fator de pressão de custos?

    É um conjunto: fertilizantes, diesel e crédito. Todos estão pressionados ao mesmo tempo.

    Esse cenário pode mudar decisões do produtor?

    Sem dúvida. Pode levar à redução de área ou à escolha de culturas menos intensivas em insumos.

    Quais culturas são mais sensíveis?

    Milho e trigo, por exemplo, dependem mais de fertilizantes nitrogenados.

    O produtor está preparado para margens menores?

    Os mais capitalizados sim, mas uma parcela relevante ainda opera com pouca margem de segurança.

    Crédito rural e financiamento

    Como a Selic mais alta afeta o Plano Safra?

    Aumenta o custo de equalização para o governo, o que pode limitar a oferta de crédito subsidiado.

    A migração para crédito livre deve crescer?

    Sim, é uma tendência, principalmente entre produtores de maior porte.

    Quais os riscos dessa migração?

    Maior exposição à volatilidade dos juros e menor previsibilidade no custo financeiro.

    Pequenos e médios produtores serão mais impactados?

    Devem ser os mais afetados, porque têm menos acesso a alternativas de financiamento.

    Estratégia e perspectivas

    Como o produtor deve se posicionar agora?

    Com mais cautela, planejamento financeiro rigoroso e atenção ao custo de produção.

    Ferramentas de proteção ganham mais importância?

    Sim, hedge e gestão de risco passam a ser essenciais nesse ambiente.

    O agro brasileiro perde competitividade?

    Não necessariamente, mas enfrenta um ambiente mais desafiador.

    Esse cenário é conjuntural ou estrutural?

    Tem elementos dos dois. A geopolítica pode se ajustar, mas a questão fiscal tende a ser mais persistente.

    O que esperar para 2026 no campo?

    Um ano de decisões mais complexas, margens apertadas e maior necessidade de gestão profissional.

  • Arroba do boi dispara e atinge maior valor desde 1997

    Arroba do boi dispara e atinge maior valor desde 1997

    O mercado pecuário brasileiro vive um momento decisivo. O preço do boi gordo atingiu o maior valor nominal da série histórica iniciada em 1997, segundo dados do Cepea, referência nacional em análises agropecuárias. Esse movimento, além de chamar a atenção dos produtores, também sinaliza mudanças importantes no ciclo da pecuária de corte.

    Recorde histórico e escalada recente dos preços

    O Indicador do boi gordo do Cepea superou patamares históricos ao longo de 2026. Em abril, a arroba já opera acima de R$ 360 em São Paulo, principal praça de referência do país.

    Além disso, os números mostram uma escalada consistente. No início de janeiro, a arroba estava próxima de R$ 318. Poucos meses depois, o valor avançou mais de R$ 40, evidenciando uma valorização expressiva no período.

    Esse movimento não ocorreu de forma isolada. Em fevereiro, o mercado já registrava forte alta mensal. Segundo dados recentes, a arroba chegou a R$ 325,80, com valorização de 7,92% apenas naquele mês.

    Virada do ciclo pecuário impulsiona valorização

    A alta do boi gordo está diretamente ligada à virada do ciclo pecuário. Após um período de maior abate de fêmeas, o mercado entra agora em uma fase de retenção de matrizes.

    Nesse sentido, a oferta de animais terminados diminui. Como resultado, os frigoríficos enfrentam dificuldade para compor escalas de abate, o que sustenta os preços em níveis elevados.

    Além disso, produtores mais capitalizados tendem a segurar os animais à espera de cotações melhores. Portanto, o mercado ganha ainda mais pressão de alta no curto prazo.

    Exportações aquecidas e demanda firme

    Ao mesmo tempo, a demanda internacional segue aquecida. A China continua como principal compradora da carne bovina brasileira, enquanto outros mercados ampliam participação.

    Assim, o cenário externo contribui diretamente para sustentar os preços domésticos. Mesmo quando há volatilidade cambial, o volume exportado ajuda a manter o equilíbrio entre oferta e demanda. Por outro lado, o consumo interno ainda enfrenta limitações devido ao poder de compra da população.

    Impactos diretos para o produtor rural

    Para o pecuarista, o cenário atual representa uma janela de rentabilidade relevante. Com preços mais altos, a margem tende a melhorar, principalmente para quem conseguiu reduzir custos ou travar insumos antecipadamente.

    Porém, nem todos os elos da cadeia se beneficiam igualmente. A reposição, especialmente de bezerros, também fica mais cara, o que pode pressionar sistemas de recria e engorda.

    Além disso, custos com nutrição, suplementação e confinamento seguem elevados. Dessa forma, a gestão eficiente continua sendo decisiva para capturar os ganhos desse ciclo.

    Reflexos na indústria e no consumidor

    Enquanto o produtor comemora, a indústria frigorífica enfrenta margens mais apertadas. O encarecimento da matéria-prima reduz a competitividade, sobretudo no mercado interno.

    Consequentemente, o preço da carne ao consumidor tende a subir. Esse movimento já aparece no atacado e pode ganhar força nos próximos meses.

    Ainda assim, o ritmo desse repasse depende do consumo doméstico. Se a demanda não reagir, parte da pressão pode ser absorvida pela indústria.

  • R$ 30 bilhões do pré-sal: plano do agronegócio para quitar dívidas avança

    R$ 30 bilhões do pré-sal: plano do agronegócio para quitar dívidas avança

    O agronegócio brasileiro articula uma proposta que pode mudar o rumo do crédito rural no país. Parlamentares ligados ao setor defendem o uso de recursos do fundo social do pré-sal para renegociar dívidas de produtores.

    A ideia prevê a liberação de pelo menos R$ 30 bilhões como ponto de partida para um programa de alívio financeiro no campo.

    O tema foi discutido essa semana, em reunião convocada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a pedido da senadora Tereza Cristina (PP-MS), vice da FPA. Participaram parlamentares ligados ao setor, os líderes do governo Jaques Wagner (PT-BA) e Randolfe Rodrigues (PT-AP) e o ministro da Fazenda, Dario Durigan.

    Por que o agro quer esse dinheiro?

    O setor enfrenta um cenário considerado crítico por representantes políticos e produtores.

    Nos últimos anos, fatores como juros elevados, queda no preço de commodities e aumento nos custos de produção pressionaram o caixa dos agricultores.

    Ao mesmo tempo, eventos climáticos extremos agravaram a situação, especialmente em regiões como o Rio Grande do Sul, que acumulou perdas bilionárias na produção agrícola.

    Diante disso, lideranças do agro classificam o momento como uma “tempestade perfeita”, combinando crise financeira e desafios estruturais.

    A proposta

    O plano em discussão envolve a repactuação das dívidas rurais por meio de um projeto de lei que já tramita no Congresso.

    Durigan disse que há a possibilidade de o governo conceder uma linha de crédito emergencial nos moldes de uma medida provisória que liberou R$ 12 bilhões no ano passado. O governo Lula (PT) também vem discutindo um amplo programa para reduzir o endividamento das famílias.

    “Temos aqui um compromisso, dentro desse esforço de lidar com o endividamento, também estender uma mão, uma linha para o setor agropecuário”, afirmou.

    A proposta permitiria usar recursos do pré-sal para refinanciar débitos de produtores afetados por crises climáticas e econômicas.

    Além disso, o modelo prevê condições facilitadas, como prazos mais longos e juros reduzidos, para garantir a recuperação financeira do setor. Em alguns casos, o programa também pode incluir carência para início dos pagamentos, ampliando o fôlego dos produtores

    Governo avalia alternativas

    O governo federal não descarta apoiar o setor, mas ainda analisa os impactos da proposta.

    Integrantes da equipe econômica indicaram a possibilidade de criar linhas de crédito emergenciais, semelhantes às adotadas anteriormente, como uma medida provisória que liberou bilhões ao agro.

    Além disso, qualquer decisão deve passar por negociações com o Congresso, já que envolve recursos públicos estratégicos.

     Debate divide opiniões

    A proposta, no entanto, não é consenso em Brasília.

    De um lado, representantes do agronegócio defendem que o uso do fundo do pré-sal não teria impacto fiscal direto e poderia evitar uma crise maior no campo. Por outro, críticos questionam o uso de recursos considerados estratégicos para financiar dívidas privadas, levantando discussões sobre prioridades econômicas e sociais.

    Pré-sal no centro da disputa

    O fundo social do pré-sal foi criado justamente para financiar áreas como educação, saúde e desenvolvimento social.

    Atualmente, o fundo acumula dezenas de bilhões de reais, o que o torna alvo de diferentes interesses políticos e econômicos. Por isso, qualquer tentativa de redirecionamento desses recursos tende a gerar forte debate no Congresso e na sociedade.

  • Seu bolso sentiu? Veja os alimentos que mais subiram e os que caíram em março

    Seu bolso sentiu? Veja os alimentos que mais subiram e os que caíram em março

    Mesmo com a desaceleração da inflação em março, o brasileiro continuou sentindo o peso dos alimentos no bolso. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que o índice oficial perdeu força, mas ainda registrou alta de 0,44% no período.

    No entanto, os alimentos e bebidas lideraram a pressão inflacionária. O grupo subiu cerca de 0,88%, com impacto relevante no índice geral.

    Além disso, a alimentação dentro de casa apresentou aumento ainda mais expressivo, o que afeta diretamente o consumo das famílias.

    O que ficou mais caro em março

    Entre os principais vilões do mês, alguns itens chamaram atenção pelo avanço significativo dos preços.

    Produtos básicos como feijão, ovos e leite registraram alta consistente. O feijão-carioca, por exemplo, subiu quase 20%, enquanto os ovos avançaram mais de 7%.

    Além disso, carnes também ficaram mais caras, refletindo custos de produção e dinâmica de oferta no mercado.

    Outro destaque foi o açaí, que disparou quase 30%, evidenciando como fatores sazonais e logísticos podem impactar rapidamente os preços.

    O que ficou mais barato no mês

    Por outro lado, alguns itens ajudaram a conter uma alta ainda maior da inflação.

    Os combustíveis registraram leve queda, com recuo em produtos como gasolina e etanol.

    Esse movimento ajudou a equilibrar parcialmente o índice geral, já que o transporte costuma ter peso importante no orçamento das famílias. Ainda assim, o alívio foi limitado frente ao avanço dos alimentos.

    Por que os preços continuam subindo?

    Diversos fatores explicam a pressão sobre os alimentos. Primeiramente, questões climáticas impactam diretamente a produção agrícola, reduzindo a oferta e elevando os preços.

    Além disso, o cenário internacional também influencia. Tensões geopolíticas e oscilações no mercado global afetam custos de insumos, transporte e energia.

    Outro ponto importante é o comportamento da demanda. Mesmo com inflação mais controlada, o consumo de itens essenciais mantém os preços elevados.

    Inflação desacelera, mas não alivia totalmente

    Embora o índice geral tenha desacelerado em relação a fevereiro, quando ficou em 0,84%, o impacto no dia a dia do consumidor ainda é significativo.

    No acumulado de 12 meses, a inflação permanece em torno de 3,9%, dentro da meta oficial.

    Ainda assim, como os alimentos têm peso relevante no orçamento das famílias, qualquer alta nesse grupo gera sensação de perda de poder de compra.

    Tendência para os próximos meses

    A expectativa do mercado é de continuidade da volatilidade nos preços dos alimentos. Por um lado, a melhora na oferta agrícola pode ajudar a estabilizar alguns itens. Por outro, fatores climáticos e externos seguem no radar e podem provocar novas oscilações.

    Dessa forma, o comportamento da inflação nos próximos meses dependerá, principalmente, da evolução do setor agrícola e do cenário internacional.