Tag: doença

  • A doença que pode devastar a banana mundial chegou perto do Brasil

    A doença que pode devastar a banana mundial chegou perto do Brasil

    Uma doença capaz de dizimar plantações inteiras de banana está se aproximando silenciosamente das fronteiras brasileiras. E o Brasil acaba de dar um passo estratégico para se proteger. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Ministério da Agricultura do Equador e a Associação de Exportadores de Banana do Equador (Aebe) assinaram, em Brasília, uma carta de intenções para desenvolver variedades geneticamente resistentes ao Fusarium Raça 4 Tropical (Foc R4T), considerada a doença mais destrutiva da bananicultura mundial.

    O Foc R4T é um fungo que causa a chamada murcha de Fusarium, doença sem cura e sem controle eficiente. Uma vez presente no solo, ele pode inviabilizar o cultivo por décadas. Já está ativo em 17 países da Ásia, África e Oceania. E avança pelo continente americano. Colômbia (2019), Peru (2020), Venezuela (2023) e, mais recentemente, Equador (2025) já registraram a praga. O Brasil, por ora, está livre, mas o cerco se fecha.

    “O desenvolvimento de variedades resistentes e seu plantio em países onde a praga ocorre é uma questão de segurança nacional para o Brasil”, afirma Edson Perito Amorim, pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura e líder do Programa de Melhoramento Genético de Banana e Plátano. “Só há duas organizações no mundo pesquisando melhoramento de Cavendish, e a Embrapa é uma delas.”

    Uma parceria com peso estratégico

    O Equador é o maior exportador de bananas do mundo. Foram quase 4 milhões de toneladas destinadas à exportação em 2023, segundo a FAO. O Brasil, por sua vez, produziu 7 milhões de toneladas em 2024, destinadas exclusivamente ao consumo interno. Os dois países compartilham o mesmo grupo de banana mais vulnerável: o Cavendish, popularmente conhecida como Nanica.

    A cooperação permitirá que variedades desenvolvidas pela Embrapa sejam testadas em solo equatoriano, sob pressão real da doença, o ambiente ideal para validar a resistência genética. O Equador oferece o campo de batalha; o Brasil, a ciência.

    Foto: Edson Amorim/Embrapa

    “Esta é a primeira de várias oportunidades de parceria com o Equador. A cooperação internacional é fundamental para acelerar o desenvolvimento de tecnologias capazes de proteger a bananicultura mundial”, destacou Silvia Massruhá, presidente da Embrapa.

    Brasil já tem variedades resistentes e quer ir além

    O acordo não parte do zero. Graças a uma parceria anterior com a Corporação Colombiana de Pesquisa Agropecuária (AgroSavia), a Embrapa já comprovou que duas de suas variedades, a BRS Princesa (tipo Maçã) e a BRS Platina (tipo Prata), são naturalmente resistentes ao Foc R4T. O Brasil é, hoje, o único país das Américas preparado para enfrentar a doença nessas variedades. A nova parceria com o Equador amplia o foco para o grupo Cavendish, o mais consumido no mundo e o mais exposto à praga.

    “Ao unir esforços com o Equador e com o setor produtivo representado pela Aebe, ampliamos nossa capacidade de gerar e validar variedades mais resistentes, contribuindo para a sustentabilidade da produção e para a segurança alimentar global”, disse Massruhá.

    Outra ameaça no radar: o moko da bananeira

    Além do Fusarium, o acordo também prevê pesquisas sobre o moko da bananeira, doença causada pela bactéria Ralstonia solanacearum. Altamente destrutivo, o moko não tem controle eficiente conhecido e já causou perdas de 3 mil hectares no Equador. No Brasil, está restrito à região Norte, mas especialistas temem sua expansão.

    O moko é uma das doenças mais destrutivas das bananeiras cultivadas em áreas de várzea da Região Amazônica cujas inundações disseminam a bactéria. Foto: Luadir Gasparotto/Embrapa

    “O projeto pretende desenvolver tecnologias que possam auxiliar os produtores brasileiros numa eventual migração dessa doença para outras regiões produtoras”, explica Amorim.

    Um escudo científico para 250 mil famílias

    Do lado equatoriano, o interesse é imediato: são mais de 250 mil famílias envolvidas diretamente na produção de banana no país. “Esperamos que esse problema se converta em uma grande oportunidade para o governo do Equador e para a Embrapa”, disse Juan Carlos Vega Melo, ministro de Agricultura do Equador, durante a assinatura da carta de intenções.

    Francisco Laranjeira, chefe-geral da Embrapa Mandioca e Fruticultura, resume bem o que está em jogo: “A Embrapa pretende resolver um problema real dos plantios do Equador, o que deve proporcionar que frutos de cultivares resistentes sejam utilizados em mais de 75 mercados no mundo. E ainda diminuam a chance de que os problemas do R4T e do moko cheguem ao Brasil.”

  • Alerta: podridão de ramos ameaça produção de laranjas no cinturão citrícola

    Alerta: podridão de ramos ameaça produção de laranjas no cinturão citrícola

    A podridão de ramos, também chamada de podridão peduncular ou gomose de ramo, tem avançado nos pomares de laranja nos últimos meses. A doença, causada por fungos da família Botryosphaeriaceae, preocupa os citricultores devido ao impacto na produção.

    Altas temperaturas, seca prolongada e infecções como o greening aumentam a vulnerabilidade das plantas. Os fungos Bot, como Lasiodiplodia e Dothiorella, podem permanecer sem causar danos, mas se tornam patogênicos em situações de estresse. Além dos citros, esses microrganismos afetam videiras e amendoeiras em diferentes regiões do mundo.

    Os sintomas incluem podridões em ramos, pedúnculos e frutos, rachaduras na casca e, em casos graves, secamento parcial ou total da copa. Também há exsudação de goma nos tecidos mais jovens. “O fungo pode estar em estágio endofítico, sem prejudicar a planta, ou patogênico, quando degrada células para absorver nutrientes”, explica Thiago Carraro, pós-doutorando do Fundecitrus.

    Nos pomares paulistas, o estresse térmico e hídrico tem favorecido a disseminação da doença. “O calor extremo e a falta de chuva entre fevereiro e março enfraqueceram as plantas, facilitando a infecção pelos fungos Bot. Quando voltou a chover, os sintomas apareceram”, afirma Geraldo Silva Junior, pesquisador do Fundecitrus. Ele alerta que surtos também ocorrem nos meses de setembro e outubro.

    Manejo exige diagnóstico preciso

    Foto: Divulgação – Fundecitrus

    Outros fungos podem causar podridão de ramos e pedúnculos, tornando o diagnóstico correto essencial para evitar perdas produtivas. O controle eficaz exige monitoramento constante, manejo integrado e medidas preventivas. Entre as estratégias recomendadas estão o uso de protetores solares para reduzir o estresse térmico e o controle de outras doenças, como o greening.

    “A citricultura já enfrenta o greening há mais de 20 anos e agora precisa lidar com plantas estressadas que expressam sintomas da podridão de ramos”, ressalta Geraldo.

    No Brasil, ainda há poucos estudos sobre a eficácia de produtos contra a doença. Em outras culturas, os fungicidas mais eficientes são triazois (DMI), estrobilurinas (QoI), carboxamidas (SDHI), multissítios e indutores de resistência. “O ideal é aplicar os fungicidas de forma preventiva, principalmente após períodos de estresse seguidos por chuvas”, destaca o pesquisador.

    O Fundecitrus já iniciou estudos para identificar as espécies de fungos Bot presentes nos pomares paulistas. A pesquisa também investiga a relação da doença com o greening e outros fatores de estresse, além da eficácia de produtos químicos e biológicos no controle da infecção.

    Os citricultores podem esclarecer dúvidas e receber orientações pelo telefone 0800-110-2155, pelo WhatsApp (16) 99629-2471 ou nos demais canais de comunicação do Fundecitrus. Agrônomos da instituição também estão disponíveis para auxiliar no manejo da doença.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Tarifas Trump: saiba quais setores do agro podem ser mais impactados
    + Agro em Campo: Florianópolis sedia campeonatos brasileiros de drinques alcoólicos com café e desenho em leite

     

  • Perigo: surto de febre do Oropouche avança

    Perigo: surto de febre do Oropouche avança

    A Embrapa integrou, entre os dias 18 e 20 de fevereiro, uma missão técnica liderada pelo Ministério da Saúde (MS) para avaliar a situação da febre do Oropouche no Espírito Santo. A doença, transmitida pelo inseto Culicoides sp., conhecido como maruim, tem afetado seres humanos e animais, provocando um aumento expressivo no número de casos. Segundo dados do Ministério da Saúde, apenas entre as semanas epidemiológicas 1 e 6 de 2025, o estado registrou 4.317 casos, liderando os índices da doença no país.

    A missão técnica buscou avaliar os impactos da doença e elaborar estratégias de controle. O Ministério da Saúde solicitou à Embrapa um projeto de pesquisa e inovação para combater a febre do Oropouche. Para atender essa demanda, a Embrapa mobilizou pesquisadores de diversas unidades, contando também com a participação de profissionais da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e agentes de saúde das secretarias estadual e municipais.

    As atividades se concentraram nos municípios de Alfredo Chaves, onde mais de 1.300 casos já foram confirmados. E também Santa Teresa, localidade com potencial para apresentar um aumento expressivo na incidência da doença.

    A equipe identificou a presença do vetor e discutiu medidas de controle ambiental e agropecuário. “A febre do Oropouche está se espalhando rapidamente e superando a transmissão da dengue. O que antes era um problema restrito ao Norte do país agora se espalha por todas as regiões, causando preocupação e até mortes”, alertou a pesquisadora Janice Zanella, da Embrapa Suínos e Aves.

    Impacto ambiental e agricultor na disseminação da doença

    A pesquisadora Fabiana Rezende, da Embrapa Mandioca e Fruticultura, destacou que a atividade humana tem desempenhado um papel crucial na disseminação do maruim. Regiões de cultivo de banana, cacau, café e outras frutíferas, com baixa proteção de nascentes e topos de morro, criam condições ideais para a proliferação do vetor.

    A expansão da doença também tem causado impactos sociais e econômicos. Muitos produtores rurais estão considerando abandonar suas propriedades devido ao risco de contaminação, enquanto comunidades locais relatam o afastamento de familiares e visitantes por medo da infecção.

    Estratégias de controle e pesquisa

    A missão propõe soluções de curto, médio e longo prazo para conter a doença. Algumas medidas incluem:

    • Controle do vetor: Pesquisa e desenvolvimento de agentes biológicos, químicos e alternativas sustentáveis para reduzir a população do maruim.
    • Mobilização social: Conscientização das comunidades locais sobre medidas preventivas e participação em soluções colaborativas.
    • Recuperação ambiental: Recomposição de nascentes, controle biológico, plantios diversificados e estratégias de equilíbrio ambiental.

    A Embrapa Mandioca e Fruticultura está ativamente envolvida na missão devido às implicações para culturas como a banana e pela presença da febre do Oropouche na Bahia. Segundo Francisco Laranjeira, chefe-geral da unidade, “nosso compromisso é atuar de forma integrada para desenvolver soluções que garantam a saúde pública e a segurança do setor agropecuário”.

    Febre do Oropouche: O que é e como se espalha?

    Descoberto nos anos 1950, o vírus da febre do Oropouche passou a ter um ciclo urbano e periurbano, atingindo humanos diretamente. O ciclo silvestre ocorre entre bichos-preguiça, aves silvestres, primatas e humanos, com o maruim atuando como vetor. No ciclo urbano, a transmissão ocorre apenas entre mosquitos e seres humanos.

    O Brasil abriga os quatro genótipos conhecidos do vírus, tornando sua disseminação ainda mais complexa. Os cientistas ainda precisam desenvolver uma vacina e estudar inseticidas eficazes. Diferente do mosquito da dengue, o maruim se reproduz em matéria orgânica e aparece em plantações de banana, cupuaçu, café e cacau.

    Os sintomas incluem febre, dor de cabeça, dor muscular e articular, semelhantes aos da dengue e outras arboviroses. O Ministério da Saúde reforça a importância da investigação clínica, epidemiológica e laboratorial para aprimorar o controle da doença e orientar medidas preventivas.

    A missão liderada pelo Ministério da Saúde e apoiada pela Embrapa representa um passo fundamental para enfrentar essa ameaça crescente. O desenvolvimento de soluções científicas e sustentáveis é essencial para conter a febre do Oropouche e evitar impactos mais severos no Brasil.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Bananas: um alimento para todas as horas
    + Agro em Campo: Mercado de café: aumentam incertezas para safra 2025/26

  • Bahia confirma primeiro caso de ferrugem asiática; Brasil soma 107 focos

    Bahia confirma primeiro caso de ferrugem asiática; Brasil soma 107 focos

    A Bahia registrou o primeiro caso de ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi) em lavouras de soja neste mês de fevereiro. O Programa Fitossanitário da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) identificou o foco no núcleo produtor de Rosário, em Correntina, no dia 5. Depois, a confirmação veio após análise laboratorial com apoio da Fundação BA, em Luís Eduardo Magalhães.

    A Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), responsável pelo registro oficial da doença no estado, acompanha a situação. O órgão reforça que não há motivo para alarde.

    Segundo o Consórcio Antiferrugem, a safra 2024/25 já soma 107 focos da doença no Brasil. O Rio Grande do Sul lidera com 71 casos, sendo o estado com maior incidência.

    A pesquisadora Cláudia Godoy, da Embrapa Soja (Londrina-PR), afirma que a tendência é de aumento na ocorrência da ferrugem asiática devido às chuvas frequentes nesta época do ano. No entanto, ela destaca que os produtores estão mais atentos ao controle da doença nesta safra, aproveitando o conhecimento adquirido em anos anteriores.

    Os municípios com focos de ferrugem, o mapa das áreas afetadas e dados sobre o controle da doença estão disponíveis no Sistema de Alerta: www.cnpso.embrapa.br/alerta.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Petrobras descobre nova camada de óleo no pré-sal da Bacia de Santos

  • Doença pode reduzir 13% produção de trigo no mundo

    Doença pode reduzir 13% produção de trigo no mundo

    As mudanças climáticas estão ampliando o alcance e a gravidade da brusone, uma doença fúngica que compromete seriamente a produção de trigo. Causada pelo fungo Pyricularia oryzae Triticum, a brusone é favorecida por altas temperaturas e umidade.

    Segundo estudo publicado na Nature Climate Change, a doença pode se expandir globalmente, afetando 13,5 milhões de hectares e reduzindo a produção mundial de trigo em até 13% até 2050.

    Antes limitada a climas tropicais e subtropicais, a brusone está surgindo em áreas de clima mais frio e seco, como Bangladesh e o sul do Brasil. No estado do Rio Grande do Sul, surtos recentes foram associados ao aumento das temperaturas mínimas durante o inverno, criando condições ideais para o desenvolvimento do fungo. Esse cenário é preocupante, pois indica que a doença pode avançar para novas regiões, impactando drasticamente áreas agrícolas.

    História

    Historicamente, a brusone surgiu no trigo no Brasil em 1985, no Paraná. Rapidamente se espalhou pela América do Sul, com grandes surtos no Paraguai, Bolívia e Argentina, causando perdas de até 80%. Fora do continente, a doença foi registrada pela primeira vez em Bangladesh em 2016, com prejuízos acima de 30%. Desde então já chegou à África e ao Uruguai. A dispersão ocorre principalmente pelo vento e pelo comércio de grãos e sementes contaminadas, o que aumenta o risco de surtos em novos territórios.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Pesquisa da Embrapa desenvolve feijão mais saudável
    + Agro em Campo: Valor da produção agropecuária crescerá 7,6% na safra 2024/25

    Projeções baseadas em modelos climáticos sugerem que, até 2050, a brusone pode atingir continentes inteiros, com exceção da Antártida. Países como Estados Unidos, França, Itália, China e Austrália estão entre os possíveis novos alvos da doença, o que pode comprometer a segurança alimentar global.

    Iniciativas de melhoramento genético, controle químico e manejo agrícola vêm sendo desenvolvidas. Mas os especialistas afirmam que, diante do aquecimento global, soluções mais robustas e estratégias preventivas são necessárias.

    Enfrentar a brusone será essencial para proteger o trigo, que é um dos alimentos mais consumidos no mundo, e para garantir a resiliência da produção agrícola em um cenário de mudanças climáticas.

  • Doença da Língua Azul – autoridades sanitárias da Europa em alerta

    Doença da Língua Azul – autoridades sanitárias da Europa em alerta

    A recente identificação de casos da doença da Língua Azul em rebanhos na Europa acendeu um alerta entre produtores e autoridades sanitárias do continente. A doença, causada por um vírus transmitido por mosquitos do gênero Culicoides, afeta principalmente ovinos, embora também possa infectar bovinos e caprinos. Os sintomas que incluem febre alta, inchaço da língua e das mucosas, além de lesões nos cascos e hemorragias. A Língua Azul pode levar a graves prejuízos econômicos e impactos na saúde animal.

    A presença da Língua Azul em rebanhos europeus representa uma preocupação significativa para o setor agropecuário. Especialmente em países com alta densidade de criação de ovinos e bovinos. A doença não é transmissível aos seres humanos, mas sua alta taxa de mortalidade entre os animais e as consequências econômicas resultantes das restrições ao comércio de produtos de origem animal são motivos de grande apreensão.

    Nas últimas semanas, surtos da doença foram confirmados em países como Espanha, França e Alemanha. Principalmente em regiões onde a pecuária é um dos principais pilares da economia. As autoridades sanitárias europeias têm intensificado os esforços para controlar a propagação do vírus. E implementando medidas como a restrição de movimentação de animais e a ampliação das campanhas de vacinação em áreas afetadas.

    Controle e prevenção da doença

    A prevenção da Língua Azul envolve principalmente a vacinação dos rebanhos, mas também passa por ações de manejo para reduzir a exposição dos animais aos mosquitos transmissores. Em áreas onde a doença é endêmica, a vacinação é a principal estratégia para minimizar os surtos. Além disso, o controle dos insetos vetores, por meio de medidas como o uso de repelentes e a melhoria das condições de higiene nos locais de criação, é essencial para reduzir a transmissão do vírus.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Cientistas brasileiros desenvolvem nova espécie de trigo
    + Agro em Campo: Preços do arroz em casca sobem pelo quarto mês consecutivo

    As autoridades sanitárias da União Europeia têm trabalhado em conjunto com produtores e associações do setor para garantir que as medidas de controle sejam efetivas e abrangentes. O monitoramento contínuo dos rebanhos e a comunicação rápida de novos casos são fundamentais para impedir a disseminação do vírus.

    Consequências econômicas e comerciais

    Os surtos de Língua Azul na Europa não apenas afetam a saúde dos rebanhos, mas também têm consequências significativas para o comércio de produtos agropecuários. A doença pode levar à imposição de restrições à exportação de carne, leite e outros produtos derivados dos animais infectados, causando perdas econômicas para os produtores e afetando as cadeias de suprimento.

    Além disso, o aumento dos custos com vacinação e manejo dos rebanhos em áreas afetadas representa um ônus adicional para os produtores, que já enfrentam desafios como as variações climáticas e as flutuações dos preços das commodities agrícolas.

    França relata surto de doença da língua azul próximo à fronteira com a Bélgica

    A França registrou um surto de doença da língua azul em uma fazenda localizada perto da fronteira com a Bélgica. Isso conforme informou a Organização Mundial da Saúde Animal (WOAH) na quarta-feira. Em 29 de julho de 2024, as autoridades belgas declararam um surto de febre catarral ovina do sorotipo 3 (FCO-BTV3). O surto ocorreu na comuna de Chimay, que faz divisa com a França.

    A febre da língua azul, transmitida por insetos, representa uma ameaça significativa para ruminantes domésticos, como ovelhas, gado e cabras. Desde o final do ano passado, a doença tem circulado na Holanda, no norte da Bélgica e no oeste da Alemanha. E sua progressão em direção ao sul da Bélgica aumentou na última semana.

    Medidas do governo francês

    Em resposta ao surto, o Ministério da Agricultura e da Soberania Alimentar da França ativou as medidas previstas na regulamentação para combater a difusão do FCO-BTV3, que ainda não foi caracterizado no território francês. As autoridades estão monitorando a situação de perto e implementando estratégias para proteger a saúde animal e prevenir a propagação da doença.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Como democracia pode liberar o potencial agrícola da Venezuela
    + Agro em Campo: Empresas brasileiras participam de missão empresarial no Uruguai

    A febre da língua azul pode ter consequências graves para a produção agrícola, uma vez que a escassez de ruminantes pode afetar a polinização e a produção de diversas culturas. O governo francês trabalha em conjunto com as autoridades belgas para coordenar esforços de contenção e garantir a segurança alimentar na região.

    O surto de doença da língua azul na França destaca a importância da vigilância sanitária e da cooperação internacional na luta contra doenças que afetam a agricultura. Isso inclui a implementação de medidas preventivas e a colaboração entre os países. Espera-se que a situação seja controlada e que os impactos na produção agrícola sejam minimizados.

    Perspectivas e Ações Futuras

    Com a ameaça da doença da Língua Azul se espalhando pelo continente europeu, a cooperação entre países e a implementação de estratégias de controle eficazes são cruciais para conter a doença. As autoridades europeias continuam a reforçar as medidas de vigilância. E a apoiar os produtores na adoção de práticas que minimizem os riscos para os rebanhos.

  • Combate ao greening retira 25 mil mudas irregulares em SP

    Combate ao greening retira 25 mil mudas irregulares em SP

    O Governo de São Paulo intensificou o combate ao greening, uma doença que ameaça a citricultura no estado. Entre os dias 2 e 4 de julho, agrônomos e técnicos agropecuários atuaram em Herculândia e Tupã, onde retiraram de circulação 25.040 mudas cítricas produzidas e comercializadas de forma irregular. A ação, coordenada pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Saa) e a Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA), atendeu a denúncias e resultou na fiscalização de seis locais.

    “Nesta ação, identificamos mudas cítricas armazenadas a céu aberto. Coletamos amostras para diagnóstico de Cancro Cítrico e greening, além de destruir e apreender as mudas”, explica Valentim Scalon, engenheiro agrônomo e gerente do Programa Estadual de Sanidade na Produção de Materiais de Propagação. Ele acrescenta que essas ações se tornarão rotineiras até que a produção seja regularizada e o comércio irregular cesse.

    A operação contou ainda com o apoio da Polícia Militar Ambiental, resultando em quatro autos de infração baseados nas legislações vigentes. Ou seja, essas leis estabelecem medidas de defesa sanitária vegetal para coibir o comércio ambulante de mudas, que causa graves danos econômicos às lavouras e pomares comerciais.

    A equipe técnica da Defesa Agropecuária retornou à região após coordenar uma ação no final de 2023, quando apreenderam mais de 9 mil mudas.

    Canal de denúncia

    Para conter o avanço do greening, a Defesa Agropecuária lançou em outubro um canal direto para denúncias de pomares de citros abandonados ou mal manejados. Esses pomares, sem controle do psilídeo (Diaphorina citri), vetor do greening, ou sem erradicação de plantas contaminadas, representam uma ameaça à citricultura.

    O greening, causado pela bactéria Candidatus Liberibacter spp., afeta todas as plantas cítricas e não tem cura. Ou sejam uma vez contaminada, a planta torna-se uma fonte de infecção para outras. Portanto, o greening é a doença mais ameaçadora para a citricultura global atualmente.

    O canal de denúncia visa informar a Defesa Agropecuária sobre a localização de pomares abandonados ou mal manejados. Isso permite ações de educação e conscientização dos produtores para adoção de medidas necessárias ao controle do greening, por exemplo. A legislação vigente exige o controle eficiente do psilídeo em todos os pomares e a eliminação de plantas sintomáticas em pomares com até oito anos de idade.

    Relatório cancro/greening

    A Defesa Agropecuária alerta os produtores de citros sobre a necessidade de entregar o relatório Cancro/Greening até 15 de julho. O documento deve ser enviado pelo sistema Gedave. Ele deve conter os resultados das vistorias trimestrais realizadas entre 1º de janeiro e 30 de junho de 2024.

    A entrega dos relatórios com dados precisos permite à Defesa Agropecuária direcionar melhor as ações de defesa fitossanitária e políticas públicas. Em São Paulo, a entrega do relatório é obrigatória para todos os produtores, independentemente da idade das plantas. Ou seja, atraso ou a não entrega do relatório sujeita o produtor às sanções previstas no Decreto Estadual Nº 45.211, de 19 de setembro de 2000.