Tag: conectividade rural

  • Cooperativas de café e leite buscam superar barreiras tecnológicas

    Cooperativas de café e leite buscam superar barreiras tecnológicas

    Em uma pesquisa da Fundação Dom Cabral, foram identificadas 22 barreiras à transformação digital em cooperativas de café e leite de Minas Gerais. O estudo foi desenvolvido em um mestrado profissional em Administração, a partir de entrevistas com lideranças cooperativistas do estado.

    Embora exista interesse entre os cooperados em digitalizar a gestão, a adoção das ferramentas ainda é dificultada por fatores que vão além da falta de recursos financeiros.

    Entre os principais obstáculos, são apontadas a dificuldade dos pequenos produtores para utilizar tecnologias, a resistência a novas soluções e a baixa conectividade nas áreas rurais. Além disso, limitações para investimentos em sistemas e equipamentos são enfrentadas tanto pelas cooperativas quanto pelos produtores.

    Digitalização avança no agro

    O cenário observado em Minas Gerais acompanha uma transformação que vem sendo registrada em todo o agronegócio brasileiro. Segundo o Cepea e a CNA, o setor respondeu por 25,13% do Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2025.

    Ao mesmo tempo, diferentes níveis de maturidade tecnológica são observados entre as cooperativas. Enquanto algumas ferramentas digitais já são utilizadas na gestão e na produção, problemas de infraestrutura e capacitação ainda são enfrentados por outras organizações.

    Nesse contexto, sete tendências tecnológicas foram identificadas em um levantamento do Sistema OCB/InovaCoop. De acordo com o estudo, essas soluções poderão influenciar a competitividade das cooperativas agropecuárias nos próximos anos.

    Entre as tendências apontadas, a rastreabilidade aparece como uma das principais demandas. Isso ocorre, sobretudo, porque mais informações sobre a origem dos produtos e as etapas da cadeia produtiva passaram a ser exigidas pelos consumidores.

    Campinas concentra inovação

    Enquanto barreiras estruturais e culturais ainda são enfrentadas pelas cooperativas mineiras, a região de Campinas, no interior de São Paulo, foi consolidada como um polo de inovação para o agronegócio.

    Na região, estão instalados o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Essa proximidade entre centros de pesquisa e empresas é apontada como um dos fatores que atraíram startups do setor, conhecidas como agtechs.

    Como consequência, soluções de inteligência artificial, sensores e sistemas de gestão passaram a ser desenvolvidas e testadas próximas às empresas do agronegócio.

    Por outro lado, dificuldades básicas ainda são enfrentadas por muitas cooperativas. Entre elas estão o acesso limitado à internet e a falta de capacitação dos cooperados.

    Assim, permanece um descompasso entre a oferta de tecnologias avançadas e a capacidade de adoção dessas soluções no campo.

    Confiança influencia adoção

    Para Luis Carlos Crema, advogado, contador e empresário, uma posição específica é ocupada pelo produtor dentro da cooperativa. Ele atua, simultaneamente, como dono, fornecedor e cliente da organização.

    Com 33 anos de atuação na prestação de serviços jurídicos e contábeis a cooperativas de todo o Brasil, Crema assumiu recentemente a posição de CEO do ST7 COOP, sistema de gestão voltado ao setor.

    “O produtor vive uma realidade muito particular dentro de uma cooperativa: ele é, ao mesmo tempo, dono, fornecedor e cliente do próprio negócio. Quando a tecnologia chega sem entender essa tripla função, ela acaba sendo vista como algo estranho à rotina dele, difícil de confiar”, afirma Crema.

    Além disso, parte da resistência identificada pela Fundação Dom Cabral é atribuída pelo executivo à forma como a contabilidade cooperativista costuma ser tratada pelos sistemas de tecnologia.

    “Não é a mesma contabilidade de uma empresa comum. Ela precisa ser feita de duas formas, uma convencional, outra cooperativista, levando em conta o que chamamos de ato cooperativo. Quando o sistema não nasce entendendo essa diferença, o produtor sente que está lidando com uma ferramenta que fala outra língua”, explica.

    Inteligência artificial ganha espaço

    A expansão do ecossistema de inovação também é revelada pelos indicadores do setor. No Radar Agtech Brasil 2025, foram registradas 2.075 startups voltadas ao agronegócio em operação no país.

    Em relação ao ano anterior, foi registrado crescimento de 5%. Dessa forma, o levantamento reforça a ampliação do mercado de empresas de tecnologia voltadas ao campo.

    Além disso, pesquisas do setor de tecnologia apontam que ferramentas de inteligência artificial já são utilizadas por cerca de 40% das empresas brasileiras em alguma etapa das operações.

    Nesse cenário, a IA deixou de ser tratada apenas como uma experiência. A tecnologia passou a ser associada à competitividade, embora sua adoção pelas cooperativas ainda seja condicionada à infraestrutura, à qualificação e à segurança no uso dos dados.

    Pesquisa recomenda medidas

    Para que as barreiras sejam reduzidas, o estudo da Fundação Dom Cabral recomenda a adoção de medidas permanentes:

    • criação de programas contínuos de capacitação digital para produtores;

    • ampliação do acesso à internet nas áreas rurais;

    • desenvolvimento de plataformas simples e adaptadas à rotina do campo;

    • estímulo à intercooperação para ampliar a escala e reduzir custos;

    • fortalecimento da governança sobre o uso de dados, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

    Além da infraestrutura, a proteção das informações é considerada essencial. Para Crema, a confiança precisa ser estabelecida antes da adoção de novas funcionalidades.

    “Antes de qualquer funcionalidade, o produtor precisa sentir que a informação dele está protegida e que vai ser usada para ajudá-lo a vender melhor o que produziu. Sem essa confiança, nenhuma tecnologia avança no campo”, diz.

    Sistema reúne 27 módulos

    O ST7 COOP é um sistema de gestão empresarial desenvolvido pela SOLTERRA SOLUÇÕES INTELIGENTES S.A., empresa com sede em Campinas (SP) e escritório em Minas Gerais.

    Segundo a companhia, 27 módulos integrados são reunidos pela plataforma. Entre eles estão:

    • contabilidade cooperativa;

    • automação fiscal;

    • CRM cooperativista;

    • gestão de estoque;

    • logística;

    • comércio exterior;

    • análise de crédito;

    • inteligência artificial.

    A empresa afirma que o sistema foi estruturado com base no ato cooperativo, mecanismo pelo qual é registrada a participação de cada associado nos resultados da cooperativa.

    A plataforma pode ser implantada em servidores próprios ou utilizada em nuvem. Além disso, diferentes bancos de dados são compatíveis com o sistema.

    Por fim, a inteligência artificial nativa, denominada IA-ST7, permite interação por voz, automação de compras e suporte ao planejamento estratégico, conforme informações da SOLTERRA.

  • Agroleite ganha cobertura 4G permanente em parque tecnológico

    Agroleite ganha cobertura 4G permanente em parque tecnológico

    Os visitantes da 26ª edição do Agroleite passaram a contar com cobertura 4G no Parque Tecnológico Agroleite, em Castro (PR). A nova torre de telefonia móvel entrou em operação antes da abertura da feira e permanecerá instalada de forma permanente. A estrutura beneficia produtores rurais, cooperados, expositores, moradores da região e o público que frequenta o espaço ao longo do ano.

    A implantação da infraestrutura atende uma demanda antiga do parque, que não dispunha de cobertura de telefonia móvel para os visitantes. Segundo os responsáveis pelo projeto, o sinal alcança aproximadamente 15 quilômetros. O relevo plano da região contribui para a área de cobertura e amplia o acesso aos serviços de comunicação e internet móvel.

    A iniciativa contou com apoio do programa de incentivo do Governo do Paraná, que permite a utilização de créditos de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) em investimentos estruturantes. A TIM foi a empresa responsável pela implantação da torre.

    Estrutura atenderá o parque durante todo o ano

    Além de melhorar a comunicação durante o Agroleite, a nova torre permanecerá em funcionamento após o encerramento da feira. Dessa forma, produtores, empresas instaladas no parque e comunidades vizinhas continuarão utilizando a estrutura.

    Segundo o gerente de Tecnologia e Informação da Castrolanda, Emerson Zanoti Rosa, o projeto surgiu para solucionar um problema antigo relacionado à conectividade.

    “Tínhamos o desafio de garantir conectividade para o Parque Tecnológico Agroleite e seus visitantes. Em conjunto com a UniTI, o Governo do Estado e a Prefeitura, conseguimos viabilizar um modelo que atenderá o parque durante todo o ano. Essa torre representa um ganho importante para o Agroleite, para os produtores, para a comunidade e para toda a região.”

    O diretor executivo da UniTI, Alfredo Kugeratski, afirmou que a iniciativa representa um avanço para a infraestrutura regional. Segundo ele, a Castrolanda foi a primeira cooperativa paranaense integrante da entidade a implantar uma torre pública de telefonia.

    Para o presidente da Castrolanda, Willem Berend Bouwman, o investimento amplia as possibilidades de comunicação para produtores rurais e moradores do entorno do parque.

    Já o gerente do Parque Tecnológico Agroleite, Gustavo Viganó, destacou que o espaço reúne empresas, instituições e iniciativas voltadas ao desenvolvimento do agronegócio. Segundo ele, a nova estrutura fortalece o parque como ambiente de inovação e geração de conhecimento.

    Feira segue até sexta-feira em Castro

    O Agroleite 2026 começou na segunda-feira (3) e segue até sexta-feira (7), em Castro, nos Campos Gerais do Paraná. Considerado um dos principais eventos da cadeia leiteira da América Latina, o encontro reúne produtores, cooperativas, empresas, pesquisadores e profissionais do setor para apresentar tecnologias, equipamentos, pesquisas e soluções voltadas à produção de leite.

    Ao longo da programação, os participantes acompanham demonstrações de tecnologias, palestras técnicas, exposição de máquinas e equipamentos, além de atividades voltadas à inovação e ao desenvolvimento da pecuária leiteira.

    A edição deste ano reúne 125 empresas patrocinadoras. Além da exposição de produtos e serviços, o evento busca estimular a troca de conhecimento e a realização de negócios entre os diferentes segmentos da cadeia produtiva.

    O Agroleite é promovido pela Cooperativa Castrolanda e tem entrada gratuita. A programação acontece no Parque Tecnológico Agroleite e no Parque Dario Macedo, em Castro (PR), até o dia 7 de agosto.

  • Máquinas inteligentes ajudam produtor contra mudanças climáticas

    Máquinas inteligentes ajudam produtor contra mudanças climáticas

    As mudanças climáticas têm alterado de forma significativa a rotina no campo. Secas prolongadas, chuvas irregulares e variações bruscas de temperatura impactam diretamente o planejamento das safras. Diante desse cenário, cresce o uso de máquinas inteligentes e tecnologias embarcadas para apoiar o produtor rural.

    Essas soluções já fazem parte da chamada agricultura de precisão. Elas permitem maior controle das operações, uso mais eficiente de insumos e tomada de decisão mais rápida. Como resultado, o produtor consegue reduzir perdas e melhorar o desempenho das lavouras mesmo em condições adversas.

    Além disso, a conectividade no campo amplia a capacidade de monitoramento em tempo real. Isso facilita o ajuste das operações conforme o clima muda ao longo do ciclo produtivo.

    Tecnologia amplia eficiência e reduz desperdícios

    Entre as principais ferramentas utilizadas estão piloto automático, telemetria, monitoramento remoto, controle de seções e aplicação em taxa variável. Esses recursos ajudam a adequar o manejo às características de cada área da propriedade.

    Com isso, há redução de sobreposição de insumos e menor desperdício de sementes, fertilizantes e defensivos. Ao mesmo tempo, o produtor ganha precisão nas operações e melhora o aproveitamento dos recursos disponíveis.

    Outro ponto relevante é a geração de dados pelas máquinas conectadas. Essas informações permitem analisar o desempenho das operações e planejar as próximas safras com mais segurança.

    De acordo com Lucas Zanetti, gerente de Marketing de Produto da Massey Ferguson, a tecnologia tem papel direto na adaptação da agricultura às mudanças climáticas.

    “As tecnologias embarcadas nas máquinas agrícolas permitem transformar dados em inteligência, ajudando a otimizar recursos, aumentar a eficiência operacional e reduzir riscos ao longo do ciclo produtivo”, afirma.

    Agricultura de precisão fortalece resiliência no campo

    Segundo o especialista, o uso dessas ferramentas já se tornou estratégico para o setor. A combinação entre automação, conectividade e análise de dados amplia a capacidade de resposta do produtor diante das variações do clima.

    “Quando utilizamos recursos como aplicação em taxa variável, piloto automático e monitoramento remoto, conseguimos produzir de forma mais eficiente, reduzindo desperdícios e aproveitando melhor cada janela de operação. Isso contribui não apenas para a rentabilidade do produtor, mas também para uma agricultura mais resiliente diante das mudanças climáticas”, destaca.

    A Massey Ferguson tem ampliado seu portfólio de soluções digitais para apoiar a gestão das propriedades rurais. A integração entre máquinas e plataformas de monitoramento permite uma visão mais completa da operação.

    Dessa forma, o produtor consegue tomar decisões mais estratégicas ao longo do ciclo produtivo. Além disso, melhora a eficiência operacional e reduz riscos associados ao clima.

    “A tecnologia é uma das principais aliadas da agricultura para enfrentar os desafios do presente e do futuro. Quanto mais informações o produtor tiver sobre sua operação, maior será sua capacidade de se adaptar às condições climáticas, preservar recursos e manter altos níveis de produtividade”, conclui Zanetti.

  • Irrigação inteligente ganha espaço com pressão por alimentos

    Irrigação inteligente ganha espaço com pressão por alimentos

    A Valley, marca da Valmont Industries, colocou a irrigação no centro do debate sobre o futuro da produção agrícola durante apresentação realizada em 29 de abril de 2026, na Agrishow. Na ocasião, a empresa apontou que o avanço da população mundial e a pressão por alimentos exigem aumento consistente de produtividade. Além disso, destacou que a tecnologia no campo será decisiva para atender essa demanda crescente.

    A análise foi conduzida por Cristiano Del Nero, diretor-presidente da Valley no Brasil, que apresentou o cenário global. Segundo ele, a população mundial deve atingir 10,4 bilhões de pessoas até 2100. Dessa forma, a necessidade de produção agrícola tende a crescer de maneira contínua. Ao mesmo tempo, o consumo de energia também avança. Nesse sentido, as fontes renováveis se destacam pelo crescimento acelerado nas últimas décadas.

    No Brasil, a Valley ressaltou o protagonismo do país no mercado internacional de commodities. Atualmente, o país lidera a produção e exportação de produtos como soja e açúcar. Além disso, ocupa posições relevantes em milho, algodão, etanol e proteína animal. No entanto, o ambiente econômico segue desafiador. Em especial, as margens dos produtores vêm sendo pressionadas entre 2023 e 2025, tanto no Sul quanto no Cerrado.

    Cristiano Del Nero, diretor-presidente da Valley no Brasil – Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Valley aposta em tecnologia para sustentar crescimento

    A estratégia da Valley, segundo Jonas Proença, diretor de Marketing e Desenvolvimento de Rede da empresa, está diretamente ligada ao aumento de produtividade sem expansão de área. Nesse contexto, o executivo ressaltou que o Brasil saiu de cerca de 1 tonelada por hectare, em 1977, para aproximadamente 4 toneladas por hectare em 2023. Como resultado, o país evitou a abertura de cerca de 230 milhões de hectares.

    Além disso, Proença afirmou que essa evolução deve continuar até 2030. Isso porque o avanço será impulsionado pelo uso intensivo de tecnologia e pela recuperação de áreas degradadas. Dessa maneira, a irrigação ganha protagonismo ao permitir maior eficiência no uso da terra. Ao mesmo tempo, viabiliza múltiplas safras na mesma área.

    Atualmente, o Brasil possui 851,5 milhões de hectares, com predominância de pastagens. Portanto, o crescimento da produção depende mais de eficiência do que de expansão territorial. Nesse cenário, a irrigação surge como ferramenta central para ampliar o uso produtivo das áreas já disponíveis.

    Irrigação inteligente reduz custos e aumenta produção

    As soluções da Valley em irrigação por pivô central foram apresentadas como um dos principais caminhos para enfrentar a variabilidade climática. De acordo com André Stanciola, gerente de Desenvolvimento de Negócios da empresa, a tecnologia permite elevar a produtividade e garantir maior previsibilidade. Além disso, contribui para o uso racional dos recursos naturais.

    Os ganhos são expressivos. Por exemplo, em áreas irrigadas, a produtividade pode aumentar até 100% em frutas. Da mesma forma, culturas como milho e cereais registram crescimento superior a 70%. Já soja, café e cana também apresentam incrementos relevantes. Consequentemente, a irrigação possibilita mais de uma safra na mesma área, o que amplia o retorno econômico ao produtor.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Outro ponto enfatizado pela Valley foi a integração com conectividade. Nesse sentido, sistemas digitais permitem reduzir o uso de água em até 20%. Além disso, o consumo de energia pode cair até 30%. Ao mesmo tempo, a automação reduz a necessidade de mão de obra em até 80%. Com isso, o produtor passa a contar com monitoramento contínuo das operações.

    Por fim, a presença global da Valley também foi destacada. A empresa conta com 375 distribuidores e mais de 548 mil pivôs instalados no mundo. Desse total, cerca de 47% pertencem à marca. Assim, a companhia reforça sua estratégia de consolidar um ecossistema integrado, que combina equipamentos, dados e gestão.

    Diante desse cenário, a Valley indica que deve ampliar sua atuação no Brasil. Para isso, aposta na irrigação inteligente como base para unir produtividade, eficiência e sustentabilidade no agronegócio.

  • Tecnologia integrada impulsiona eficiência no campo

    Tecnologia integrada impulsiona eficiência no campo

    A New Holland levou à Agrishow 2026, em Ribeirão Preto (SP), um portfólio completo de soluções integradas voltado a diferentes perfis de produtores, com foco em produtividade, eficiência e sustentabilidade. Além disso, a apresentação foi conduzida por Adriano Becker, diretor de Tecnologia de Precisão; Eduardo Kerbauy, vice-presidente de Marketing para a América Latina; Flávio Mazetto, diretor de Produto e Portfólio; e Auri Orlando, diretor de Suporte ao Cliente e Concessionário, responsáveis por detalhar os investimentos em inovação, conectividade e nacionalização da produção.

    Segundo Eduardo Kerbauy, a estratégia da marca reforça o posicionamento como fornecedora full-liner. Nesse sentido, a empresa amplia o acesso a tecnologias capazes de impulsionar a produtividade com simplicidade operacional. Ao mesmo tempo, reforça a proximidade com o produtor rural.

    A empresa destacou a amplitude do portfólio, que abrange desde pulverização inteligente até colheitadeiras com inteligência artificial, além de tratores e soluções digitais integradas. Com isso, busca atender diferentes realidades no campo.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Pulverização inteligente e automação avançada

    A linha de pulverizadores Defensor foi um dos principais destaques, com modelos que variam de 30 a 4.000 litros. O Defensor 4000 incorpora o sistema SaveFarm, que utiliza inteligência artificial para aplicação seletiva, reduzindo o uso de herbicidas em até 90%. Além disso, a tecnologia permite maior precisão e economia de insumos.

    Adriano Becker ressaltou o papel da tecnologia de precisão. Segundo ele, a aplicação seletiva e os sistemas embarcados permitem decisões em tempo real, elevando a eficiência operacional. Dessa forma, o produtor ganha mais controle sobre a lavoura.

    A linha conta ainda com recursos como monitor Smart Fill, IntelliSpray II e sistema de recirculação. Ao mesmo tempo, a marca apresentou drones de aplicação, ampliando a versatilidade, principalmente em áreas de difícil acesso.

    Colheitadeiras com inteligência artificial

    Outro eixo central foi o portfólio de colheitadeiras, com destaque para a linha CR, equipada com automação baseada em inteligência artificial. O sistema IntelliSense ajusta automaticamente os parâmetros da máquina. Com isso, otimiza o desempenho e reduz perdas durante a colheita.

    Flávio Mazetto destacou a evolução tecnológica. De acordo com ele, as máquinas são capazes de tomar decisões operacionais de forma autônoma. Assim, aumentam a eficiência e reduzem custos.

    A marca também enfatizou a oferta de três sistemas de debulha distintos, com as linhas TC, TX e CR. Dessa forma, atende diferentes perfis de produtores e culturas.

    Produção nacional e investimento estratégico

    Um dos anúncios mais relevantes foi o investimento superior a R$ 100 milhões para nacionalizar a produção das plataformas Draper FD2. Com isso, a fabricação será realizada em Curitiba (PR), atendendo toda a América Latina.

    A iniciativa busca reduzir prazos de entrega e ampliar a disponibilidade de peças. Além disso, fortalece o suporte técnico ao produtor. Segundo Kerbauy, a produção local melhora a eficiência operacional no campo.

    Conectividade e suporte ao produtor

    A conectividade foi apresentada como elemento central da estratégia. As máquinas contam com telemetria embarcada e diferentes opções de conexão. Assim, o produtor pode monitorar a operação em tempo real.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Auri Orlando destacou o impacto no pós-venda. Segundo ele, a integração entre tecnologia e suporte aumenta a disponibilidade das máquinas. Ao mesmo tempo, melhora a experiência do cliente.

    Tratores e soluções sustentáveis

    A marca também apresentou sua linha renovada de tratores. Entre os destaques está o T6.180 Methane Power, movido a biometano. Com isso, reduz significativamente as emissões de poluentes.

    Outro ponto de atenção foi o conceito T5.120 “Il Trattore”. Por fim, o modelo reforça a conexão entre tradição e inovação no desenvolvimento de máquinas agrícolas.

    Encaminhamentos

    A participação na Agrishow reforça a estratégia da New Holland de ampliar sua presença no mercado latino-americano. Dessa forma, a empresa aposta em tecnologia, produção local e soluções integradas para aumentar a eficiência no campo.

  • Tecnologia e serviços sustentam eficiência no agro

    Tecnologia e serviços sustentam eficiência no agro

    O ambiente econômico mais desafiador para o agronegócio, marcado por juros elevados, custos de insumos pressionados e redução do crédito, pautou a participação da Case IH na Agrishow 2026, em Ribeirão Preto (SP). Durante um bate-papo com jornalistas, executivos da companhia detalharam como a marca estrutura sua atuação para manter produtividade e rentabilidade no campo, apoiada no tripé gente, produto e serviço. Segundo dados citados, o mercado de máquinas agrícolas registra retração de 5%, conforme a Anfavea, enquanto a inadimplência cresce e exige maior cautela dos produtores.

    Participaram da apresentação Paulo Arabian, vice-presidente de Vendas da Case IH para a América Latina; Fernando Gaya, vice-presidente Comercial e de Operação de Peças; Nilson Righi, gerente de Marketing Tático; e Leandro Conde, diretor de Marketing de Varejo da empresa na região.

    De acordo com Paulo Arabian, vice-presidente de Vendas para a América Latina, o momento é desafiador, mas também exige evolução. “O agro vive de ciclos. O produtor precisa produzir mais para ganhar mais, e isso passa necessariamente por tecnologia e eficiência operacional”, afirmou. A companhia reforça sua posição como marca de alta performance, com foco em soluções que reduzam custos e ampliem produtividade.

    A conectividade aparece como um dos pilares dessa transformação. Sistemas de monitoramento de frota, centrais de controle — mais de 70 em operação — e ferramentas de agricultura de precisão já fazem parte do cotidiano no campo. Nesse contexto, pulverizadores ganham protagonismo, especialmente com a aplicação seletiva, que combina hardware embarcado e softwares capazes de gerar mapas detalhados, reduzindo o uso de defensivos e otimizando recursos.

    Portfólio renovado e avanço tecnológico

    Entre as novidades apresentadas, a Case IH destacou a renovação completa do portfólio entre 2025 e 2026, com mais de 20 lançamentos no estande. Na linha de colheitadeiras, os novos modelos incorporam automação avançada, com capacidade de realizar manobras, comunicação entre máquinas e monitoramento integral das operações. “Já é uma realidade disponível no mercado, com ganhos claros de eficiência”, explicou Nilson Righi, gerente de Marketing Tático.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Outro destaque está na Série 160 e nas plataformas de milho e grãos. As plataformas de milho chegam em três versões — do básico ao mais sofisticado — com opções como a linha Premium, que oferece ajuste hidráulico do despigador diretamente da cabine e chapa defletora lateral para redução de perdas. Já a versão Evolução atende operações de maior escala, com estrutura reforçada, acionamento híbrido e componentes em alumínio de alta resistência.

    Na área de grãos, os equipamentos são produzidos em Curitiba (PR), reforçando a estratégia de nacionalização. Segundo Fernando Gaya, vice-presidente Comercial e de Operação de Peças, o investimento superior a R$ 100 milhões visa ampliar disponibilidade de peças, assistência técnica e condições de financiamento. “O Brasil tem condições muito variadas de campo. Produzir localmente permite maior adaptação e suporte ao cliente”, disse.

    Conectividade, serviços e capacitação

    A digitalização do agro também impulsiona o ecossistema de pós-venda. A Case IH ampliou sua plataforma de e-commerce de peças, que já soma mais de 5 mil clientes, sendo 4 mil recorrentes. São mais de 16 mil itens comercializados, com um portfólio total de 160 mil disponíveis. Em 2026, as vendas online devem superar 7% do total, com crescimento contínuo. Um dos avanços é o sistema que identifica peças por imagem, a partir de uma foto tirada pelo celular.

    Leandro Conde, diretor de Marketing de Varejo, destacou que o valor está no uso dos dados. “Máquina conectada não gera valor sozinha. O valor vem da interpretação e da ação sobre esses dados, com suporte, consultoria e planejamento”, afirmou. A empresa oferece monitoramento remoto, planos de manutenção com previsibilidade de custos e consultoria de performance.

    A formação de mão de obra também é tratada como prioridade. A companhia mantém programas de capacitação com mais de 200 cursos gratuitos e registrou 15 mil certificados emitidos em 2025. Em 2026, uma nova parceria com o Senar-RS deve abrir mais de 7 mil vagas. A empresa também é a única montadora a oferecer curso de CAAR (Condutor de Aplicação de Agroquímicos Remota).

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Inovação no campo e sustentabilidade

    A chamada Fazenda Conectada, projeto iniciado em 2021, funciona como laboratório para validação de tecnologias. Entre os resultados, há aumento médio de 25% na área colhida e redução no uso de máquinas, com impacto direto no consumo de combustível e na eficiência operacional.

    A companhia também avança em soluções sustentáveis, como o desenvolvimento de motores a etanol, 100% nacionais. Uma colhedora equipada com esse conceito já operou na última safra com resultados considerados positivos e deve passar por novos testes. Tratores com a mesma tecnologia também estão em uso.

    Outro ponto de atenção é a integração de drones ao ecossistema agrícola. Com operação contínua, os equipamentos conseguem cobrir até 900 hectares, atingindo 98,9% de área tratada. A proposta é complementar a pulverização tradicional com mais agilidade e precisão.

    Ao final, a empresa reforça que, apesar do avanço da automação, o fator humano permanece central. A estratégia combina tecnologia, capacitação e suporte para garantir produtividade em um cenário que exige cada vez mais eficiência.

  • Conectividade e automação aceleram evolução no campo

    Conectividade e automação aceleram evolução no campo

    A Massey Ferguson apresentou, nesta segunda-feira (27), durante a abertura da Agrishow 2026, em Ribeirão Preto (SP), um amplo pacote de soluções que marca seus 65 anos de atuação no Brasil. A apresentação foi conduzida por Luis Felli, head global da Massey Ferguson e vice-presidente sênior da AGCO; Rodrigo Junqueira, vice-presidente da Massey Ferguson para a América Latina; e Breno Cavalcanti, diretor de marketing da marca. O conjunto de novidades reúne máquinas, plataformas digitais e tecnologias voltadas à eficiência operacional, conectividade e sustentabilidade no campo.

    Além disso, a trajetória da Massey Ferguson no Brasil acompanha a evolução da agricultura nacional. Antes mesmo da instalação da primeira fábrica, em 1961, a marca participou da primeira colheita mecanizada do país, em 1939. Desde então, esteve presente em marcos como a expansão do plantio direto e o avanço da agricultura de precisão. Atualmente, a companhia soma mais de 400 concessionárias na América Latina, sendo mais de 200 no Brasil, além de unidades industriais estratégicas na região.

    Nesse sentido, os executivos destacaram que o novo ciclo do agronegócio exige operações mais conectadas, automatizadas e orientadas por dados. Por isso, a empresa anunciou 11 lançamentos que integram máquinas, tecnologia e serviços em um ecossistema digital.

    Máquinas e tecnologia impulsionam nova fase do campo

    Entre os principais destaques, o trator MF 9S surge como o maior e mais potente da marca no Brasil, com modelos que chegam a 425 cv. Além disso, o equipamento incorpora soluções de automação, como piloto automático, manobras automatizadas e telemetria, ampliando o controle das operações e reduzindo falhas no campo.

    No plantio, por exemplo, a plantadeira Momentum, nas versões de 30 e 40 linhas, integra tecnologias como distribuição inteligente de peso e controle de insumos. Dessa forma, o sistema garante maior uniformidade na profundidade de plantio e pode gerar ganhos reais de produtividade. Ao mesmo tempo, a logística evolui, já que o equipamento permite transporte sem desmontagem, reduzindo o tempo de deslocamento entre áreas.

    Já a digitalização ganha protagonismo com a plataforma FarmENGAGE, que permite a gestão integrada da operação agrícola em tempo real. Com isso, a solução reúne dados agronômicos e operacionais em um único ambiente, inclusive de máquinas de diferentes marcas, ampliando a capacidade de análise e tomada de decisão.

    O “Gigante” de 19 toneladas MF 9S

    Sustentabilidade, biocombustíveis e eficiência operacional

    Por outro lado, a sustentabilidade também ganha espaço entre os lançamentos. Um dos principais avanços é o desenvolvimento do motor AGCO Power movido a etanol, concebido no Brasil. Dessa maneira, a tecnologia surge como alternativa para redução de custos operacionais e emissões de carbono, podendo reduzir em até 90% as emissões de CO₂ equivalente.

    Além disso, a estratégia inclui a democratização da tecnologia no campo. As séries de tratores MF 5M e MF 6M passam a incorporar recursos como piloto automático e conectividade, ampliando o acesso à agricultura de precisão para produtores de pequeno e médio porte. Ao mesmo tempo, o MF 3700 se posiciona como uma solução versátil para diferentes sistemas produtivos.

    Na pulverização, por sua vez, o pulverizador MF 500R incorpora tecnologias de controle automático de seções e monitoramento em tempo real. Como resultado, garante aplicação mais precisa e reduz desperdícios de insumos, contribuindo para maior eficiência e sustentabilidade.

    Colheita, cana e nova máquina reforçam portfólio

    Além disso, a chegada da colheitadeira Gleaner ao Brasil amplia o portfólio com foco em versatilidade. O modelo apresenta um sistema de rotor transversal, que melhora o fluxo do material e preserva a qualidade dos grãos. Dessa forma, mantém desempenho estável mesmo em terrenos inclinados e em diferentes culturas.

    No setor sucroenergético, por outro lado, a marca apresenta soluções que cobrem todas as etapas da produção. Tratores, pulverizadores e enfardadoras aumentam a eficiência operacional e reduzem custos ao longo do ciclo da cana.

    Ao mesmo tempo, a colheitadeira MF 9005S reforça o foco em sustentabilidade, com sistemas que melhoram a distribuição da palha e favorecem o plantio direto. Já equipamentos como a enfardadora MF 2234 ampliam o aproveitamento da biomassa, contribuindo para geração de energia e redução de perdas.

    Conectividade e dados consolidam nova agricultura

    Por fim, a integração entre máquinas e plataformas digitais aparece como eixo central das soluções apresentadas. Tecnologias como telemetria, piloto automático e gestão de dados permitem monitoramento em tempo real, maior previsibilidade e redução de custos operacionais.

  • Agro entra em nova era com máquinas mais inteligentes

    Agro entra em nova era com máquinas mais inteligentes

    A apresentação de mais de 20 lançamentos voltados ao agronegócio marcou a manhã desta segunda-feira (27), primeiro dia da Agrishow 2026, em Ribeirão Preto (SP). A John Deere reuniu as novidades na “Casa John Deere” e mostrou soluções que envolvem máquinas, tecnologia digital, conectividade e serviços financeiros. O pacote prioriza ganho de produtividade, eficiência operacional e redução de custos no campo.

    O portfólio inclui mais de 25 equipamentos e soluções direcionadas a diferentes perfis de produtores. Entre os principais destaques aparecem as colhedoras de cana CH7 e CH9, além de plantadeiras, pulverizadores, colheitadeiras e tratores. Ao mesmo tempo, a empresa reforça o avanço da agricultura de precisão, com integração entre máquinas e dados.

    A estratégia apresentada na feira é sustentada por diferentes áreas da companhia. Estela Dias, gerente de Marketing Tático da John Deere para a América Latina, destaca a ampliação do acesso às tecnologias no campo. Já Isabela Aranovich, gerente de estratégia e inovação para sistemas de produção para a América Latina, reforça a importância da integração entre soluções ao longo da operação agrícola. Por sua vez, Rodrigo Iglesias, diretor de pós-venda e suporte ao cliente para a América Latina, enfatiza o acompanhamento contínuo ao produtor. Valério Wagner, diretor de marketing para a América Latina, aponta o foco em conectar inovação a resultados práticos.

    Plantio e pulverização ganham precisão e agilidade

    No plantio, a plantadeira DB Transportável reduz em mais de 90% o tempo de preparação para deslocamentos entre fazendas. Dessa forma, um processo que antes levava até dois dias passa a ser concluído em cerca de duas horas, o que amplia a eficiência logística e preserva a janela ideal.

    Já a linha 1200 FT amplia o acesso ao plantio de alta performance em pequenas e médias propriedades. Além disso, adapta-se a diferentes condições de terreno. No setor sucroenergético, o sistema ExactStand utiliza visão computacional para monitorar, em tempo real, a distribuição da cana e identificar falhas durante a operação.

    Na pulverização, a série 400R incorpora nova arquitetura eletrônica, motores de até 300 hp e barras de até 40 metros. Como resultado, o produtor reduz em até 10% o tempo de abastecimento e em até 50% o tempo de ajustes. Ao mesmo tempo, o sistema See & Spray aplica herbicidas apenas onde há plantas daninhas, o que pode gerar economia de até 93% no uso de insumos.

    Valério Wagner, diretor de marketing para a América Latina – Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Colheita e cana avançam em eficiência operacional

    Na colheita de grãos, a nova plataforma de milho CR acompanha o avanço do etanol de milho no Brasil. O sistema realiza ajustes automáticos em tempo real, o que melhora o desempenho operacional. Já a colheitadeira S4 atua com eficiência em terrenos acidentados e áreas com menor espaço de manobra, além de sincronizar máquinas durante a operação.

    No segmento sucroenergético, as colhedoras CH7 e CH9 entregam avanços em eficiência e qualidade da matéria-prima. Testes indicam redução de até 20% nas impurezas vegetais, sem aumento de perdas. Além disso, há ganho no índice de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR). No modelo CH7, o consumo de combustível cai até 10% por tonelada colhida, o que impacta diretamente o custo operacional.

    Outro diferencial envolve os ajustes remotos por meio de plataforma digital. Com isso, o produtor padroniza configurações e responde mais rapidamente às condições do canavial.

    Máquinas, conectividade e serviços ampliam atuação

    A linha de tratores 5M chega ao mercado com modelos entre 85 e 120 cv, combinando robustez e foco em custo operacional. Já o trator 3041E atende propriedades que demandam versatilidade e menor porte. No segmento de construção, equipamentos como retroescavadeiras, motoniveladoras e escavadeiras ampliam a atuação no agronegócio.

    Além disso, os Pacotes de Atualização permitem modernizar máquinas em operação. As soluções incluem piloto automático, controle de insumos em tempo real e conectividade via satélite. Dessa forma, o produtor amplia o acesso à agricultura de precisão.

    Durante a feira, o Banco John Deere oferece condições especiais, com linhas alinhadas ao Plano Safra 2025/26. Ao mesmo tempo, o Consórcio Nacional John Deere, em parceria com a Randon Consórcios, surge como alternativa para aquisição de equipamentos, com parcelamento integral e flexibilidade de crédito.

  • Gigante de 19 toneladas estreia na Agrishow 2026

    Gigante de 19 toneladas estreia na Agrishow 2026

    Um trator de até 425 cavalos de potência, com cerca de 19 toneladas e capacidade de operar praticamente sozinho, será uma das principais novidades da Agrishow 2026, em Ribeirão Preto (SP). Pela primeira vez no Brasil, a Massey Ferguson apresenta o MF 9S. O modelo é voltado à agricultura de larga escala. Além disso, aposta em automação, conectividade e eficiência operacional para ampliar a produtividade no campo.

    O lançamento ocorre durante a feira, entre os dias 27 de abril e 1º de maio. Com isso, a fabricante entra em um novo segmento de alta potência no País. A proposta é clara. A empresa quer reduzir a dependência direta do operador. Ao mesmo tempo, busca transformar o trator em uma plataforma inteligente de trabalho. Essa evolução se baseia em dados e monitoramento remoto.

    Desenvolvido para operações de grande escala, o MF 9S incorpora sistemas avançados. Esses recursos permitem condução automatizada e execução de tarefas com mínima intervenção humana. Na prática, o equipamento realiza grande parte das operações sozinho. Assim, o operador passa a focar no acompanhamento dos parâmetros técnicos e estratégicos.

    “O MF 9S é o carro-chefe do novo segmento de alta potência dentro do nosso portfólio. Descomplicada, confiável e conectada, a série combina uma experiência de usuário aprimorada com tecnologia inovadora para oferecer um equipamento versátil e que atenda às necessidades dos agricultores”, afirma Lucas Zanetti, gerente de Marketing de Produto da Massey Ferguson.

    Automação e conectividade redefinem a operação no campo

    Entre os principais recursos está o piloto automático MF Guide. O sistema mantém o trator alinhado com precisão centimétrica. Além disso, o MF AutoTurn permite que a máquina faça curvas de forma autônoma ao final de cada linha. Já o AutoHeadland executa comandos automaticamente nas manobras de cabeceira. Dessa forma, há redução de falhas operacionais e aumento do rendimento.

    Foto: Divulgação MF

    Outro ponto central é a conectividade. Com o MF Connect, o produtor acompanha dados em tempo real. Ele pode verificar consumo de combustível, localização e desempenho do equipamento, mesmo à distância. Além disso, a plataforma FarmEngage amplia a gestão. O sistema reúne informações agronômicas e permite conexão com outras máquinas da propriedade, inclusive de diferentes marcas.

    O conjunto mecânico também reforça a eficiência. O MF 9S utiliza motor AGCO Power de seis cilindros. A transmissão Dyna-VT é continuamente variável. Assim, o trator entrega potência de forma constante. Não há necessidade de troca de marchas. Como resultado, o desempenho operacional melhora e o consumo de combustível diminui. O tanque de 660 litros amplia a autonomia em campo.

    No quesito conforto, o design Protec-U separa o motor da cabine por um vão de 18 centímetros. Essa solução reduz ruídos e vibrações. A cabine, com 3,4 m³, está entre as mais amplas da categoria. Além disso, conta com painel digital, terminal touchscreen e iluminação LED 360°. Dessa maneira, o trabalho noturno se torna mais eficiente e seguro.

    Conjunto com plantadeira amplia ganhos de produtividade

    O desempenho do MF 9S aumenta quando o trator opera em conjunto com a plantadeira Momentum. O equipamento está disponível nas versões de 30 e 40 linhas. A solução integrada foi desenvolvida para garantir maior uniformidade no plantio. Ao mesmo tempo, busca maximizar o aproveitamento das janelas operacionais.

    Ensaios de campo indicam ganhos de até 3% na produtividade da soja. No milho safrinha, o avanço pode chegar a 2,3%. Segundo a fabricante, esse desempenho pode representar retorno de até R$ 465 por hectare. Esse resultado ocorre devido à melhor uniformidade na emergência das plantas.

    Foto: Divulgação MF

    A plantadeira utiliza tecnologias como Smart Frame e Weight Transfer. Esses sistemas distribuem automaticamente o peso ao longo da estrutura. Dessa forma, as linhas mantêm melhor contato com o solo. Além disso, os sistemas VSet e VDrive garantem precisão na distribuição de sementes. O controle de fertilizantes ocorre por meio do vApply. Esse recurso evita sobreposições e reduz desperdícios.

    Com monitoramento em tempo real por meio do display 20/20, o operador acompanha toda a operação com maior precisão. Assim, ele identifica falhas rapidamente e ajusta os parâmetros conforme necessário.

    A combinação entre potência, automação e inteligência operacional posiciona o MF 9S como uma solução voltada ao produtor que busca escala, eficiência e maior controle sobre os resultados no campo.

  • Pesquisa aponta fatores-chave para ampliar a agricultura 4.0 no Brasil de forma responsável

    Pesquisa aponta fatores-chave para ampliar a agricultura 4.0 no Brasil de forma responsável

    A tecnologia chega rápido ao agronegócio brasileiro, mas nem sempre alcança quem mais precisa. Um estudo publicado na revista Agricultural Systems identificou os principais fatores que impulsionam a adoção de tecnologias da agricultura 4.0 no Brasil e propõe estratégias para ampliar esse processo de forma responsável. A pesquisa integra as ações do Centro de Ciência para o Desenvolvimento em Agricultura Digital, o Semear Digital, sediado na Embrapa Agricultura Digital, em Campinas.

    O ponto de partida é uma constatação recorrente no setor. “A gente ainda vê uma lacuna grande entre o que é desenvolvido na academia e o que de fato chega na ponta e traz resultados para o produtor”, afirma Jayme Barbedo, coautor do estudo.

    18 fatores que determinam a adoção tecnológica no campo

    Para entender esse descompasso, os pesquisadores analisaram 18 fatores determinantes da adoção tecnológica, chamados no estudo de drivers, organizados em dimensões sociais, políticas e tecnológicas. A partir de revisão da literatura e consulta a especialistas, os autores mapearam como esses fatores se influenciam mutuamente e quais exercem maior efeito sobre o sistema.

    “Nem todos têm o mesmo peso. Alguns provocam uma reação em cadeia dentro do ecossistema. São esses que mais nos interessam”, afirma Franco da Silveira, pesquisador de pós-doutorado apoiado pela FAPESP e também autor do estudo.

    Entre os fatores com maior capacidade de influência, o estudo destaca conectividade rural, juventude no campo, ação governamental, mecanismos de divulgação de informação e representatividade do ecossistema agroalimentar.

    Conectividade: a base que ainda falta

    A conectividade rural aparece como condição estruturante para qualquer avanço tecnológico no campo. Embora o acesso à internet tenha crescido nos últimos anos, ainda existem lacunas críticas nas áreas produtivas.

    “Boa parte dos produtores já tem internet em casa. Mas na área de produção, onde tecnologias do tipo internet das coisas precisam operar, a cobertura ainda é muito limitada”, diz Barbedo. Sem infraestrutura adequada, soluções digitais simplesmente deixam de funcionar como previsto.

    O jovem rural como agente de transformação

    Outro fator de destaque é o papel dos jovens no campo. O estudo os identifica como ponte entre o mundo digital e a realidade das propriedades rurais: “O jovem sente as dores do pai no dia a dia e ao mesmo tempo acompanha o que está acontecendo no mundo digital. Ele pode levar essa percepção para a esfera política e para dentro da propriedade”, afirma Silveira.

    Contudo, manter essa geração no campo depende de condições concretas. “Não é que o jovem não goste do campo. Ele quer se sentir parte do mundo. Se não tem acesso à infraestrutura e às oportunidades, ele vai embora para a cidade”, observa Barbedo. Nesse sentido, a tecnologia pode reduzir a carga de trabalho e tornar a atividade rural mais atraente para os mais jovens.

    Informação e políticas públicas diferenciadas

    A circulação de informação também aparece como fator crítico. O estudo aponta uma assimetria importante: há regiões onde produtores ainda não tiveram contato com determinadas tecnologias disponíveis há anos.

    “Se a informação não chega de forma adequada, a resistência aumenta”, afirma Silveira. Estratégias de demonstração em fazendas-modelo e laboratórios vivos ajudam a reduzir incertezas, permitindo que produtores vejam resultados concretos antes de decidir investir.

    Na dimensão de políticas públicas, o estudo defende ações diferenciadas para perfis distintos de produtores. “A política não pode ser a mesma para todo mundo”, diz Silveira. Enquanto grandes produtores costumam ampliar a fronteira tecnológica com mais facilidade, pequenos e médios enfrentam restrições financeiras e de capacitação. A pesquisa sugere incentivos regionais, criação de áreas experimentais, fortalecimento de parcerias entre governo, universidades e startups, além de integração de dados agrícolas a plataformas públicas.

    Escala responsável: não basta adotar, é preciso saber como

    Um conceito central do estudo é o de escala responsável. A proposta é que a disseminação das tecnologias da agricultura 4.0 leve em conta seus efeitos sociais, ambientais e econômicos, evitando ampliar desigualdades ou comprometer metas de desenvolvimento sustentável.

    “Precisamos falar em adoção de tecnologia, mas também preparar o caminho para ter essa expansão responsável”, afirma Silveira.

    Um exemplo prático seria a ampliação de plataformas digitais voltadas a pequenos produtores, acompanhada de políticas de inclusão. Além de ofertar sensores e ferramentas baseadas em inteligência artificial, a iniciativa deveria prever conectividade rural, capacitação contínua, acesso a crédito e regras claras sobre uso e propriedade dos dados.

    Pesquisa como bússola para o agro digital

    Para Barbedo, estudos como esse orientam decisões estratégicas tanto na formulação de políticas de desenvolvimento rural quanto em projetos como o Semear Digital, que desenvolve soluções voltadas a pequenas e médias propriedades. “Esses estudos fornecem subsídios para direcionar melhor os esforços e focar em tecnologias que realmente tragam impacto”, afirma.

    O cenário, contudo, é dinâmico. Com os avanços recentes em inteligência artificial, o ritmo de mudança acelera. “As coisas estão evoluindo muito rápido. Mesmo quem trabalha diretamente com inteligência artificial tem dificuldade de prever os próximos passos”, pondera Barbedo.

    Como próximo passo, Silveira prepara um estudo que incorpora fatores econômicos e ambientais e examina como a adoção tecnológica pode dialogar com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. “Se não pensarmos estratégias para esses fatores, podemos tensionar metas que a própria tecnologia se propõe a apoiar”, conclui.