Tag: cobras

  • 900 cobras escapam após enchentes na China

    900 cobras escapam após enchentes na China

    As enchentes provocadas pela passagem do tufão Maysak deixaram cerca de 900 cobras à solta em Hengzhou, no sul da China, aumentando o risco para a população. Enquanto equipes de resgate ainda trabalham para minimizar os danos causados pelas chuvas, o país também se prepara para a chegada do tufão Bavi, que deve atingir parte do território chinês com novos temporais. O cenário combina perdas humanas, destruição de infraestrutura e uma ameaça adicional provocada pela fuga de animais de criadouros e de um zoológico inundado.

    Até o momento, as autoridades confirmaram pelo menos 39 mortes e nove desaparecidos em decorrência da passagem do tufão Maysak.

    Enchentes provocam fuga de centenas de cobras

    As fortes chuvas inundaram fazendas especializadas na criação comercial de serpentes, permitindo que aproximadamente 900 cobras escapassem. Como consequência, moradores passaram a conviver com o risco de encontrar os animais em ruas, residências e áreas alagadas.

    Além disso, uma mulher morreu após ser picada por uma cobra que, segundo relatos locais, teria fugido de um dos criadouros. De acordo com testemunhas, o socorro demorou para chegar porque as enchentes bloquearam estradas e dificultaram o acesso das equipes de emergência.

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    Zoológico também registrou fuga de animais

    Ao mesmo tempo, um zoológico particular localizado em Guigang sofreu com a inundação e registrou a fuga de diversos animais. Entre eles estavam crocodilos, zebras, burros, avestruzes, cavalos miniatura e guaxinins, que podem apresentar comportamento agressivo devido ao estresse causado pelo desastre.

    Durante a enchente, três leões morreram afogados. Ainda assim, funcionários conseguiram impedir que outros predadores escapassem. Segundo a proprietária do zoológico, Yin Feifei, a equipe arriscou a própria vida para manter as jaulas fechadas e evitar novos riscos à população.

    Hengzhou reúne milhares de criadouros de serpentes

    Embora seja conhecida como a capital chinesa do jasmim, Hengzhou também concentra uma importante atividade ligada à criação comercial de cobras. Em 2020, a região de Guangxi reunia cerca de 20 milhões de serpentes distribuídas em mais de 14 mil criadouros, destinados principalmente aos setores farmacêutico e alimentício.

    Entre as espécies mais comuns estão as cobras-rato, que não possuem veneno, e as cobras-rei, cuja picada pode ser fatal para seres humanos. Por isso, as autoridades reforçaram os alertas para evitar novos acidentes.

    Equipes intensificam operações de resgate

    Enquanto isso, equipes especializadas seguem capturando serpentes escondidas em casas, terrenos e áreas atingidas pelas enchentes. Segundo o caçador civil Zhu, seu grupo recolheu entre 2 mil e 3 mil cobras em apenas dois dias de trabalho. Conforme relatou, praticamente todos os animais encontrados na área atendida pela equipe foram removidos.

    Além das buscas, hospitais ampliaram os estoques de soro antiofídico. Da mesma forma, o governo orientou os moradores a evitarem deslocamentos durante a noite e recomendou atenção redobrada em locais com vegetação, onde as serpentes costumam se esconder.

    China entra em alerta para a chegada do tufão Bavi

    Mesmo com os trabalhos de recuperação em andamento, o Observatório Nacional da China colocou o país em alerta laranja devido à aproximação do tufão Bavi. A previsão indica que o fenômeno deve atingir o leste da China e Taiwan, provocando chuvas intensas e ventos fortes.

    Por precaução, cidades iniciaram planos de evacuação e reforçaram os sistemas de emergência. Na província de Zhejiang, cerca de 17 mil pessoas deixaram áreas consideradas de risco. Além disso, Pequim e Tianjin também intensificaram as medidas preventivas diante da previsão de novos temporais.

    Governo amplia ajuda às regiões afetadas

    Diante da gravidade da situação, o governo chinês enviou aproximadamente 50 mil itens de ajuda humanitária para as províncias de Zhejiang e Fujian. O material inclui camas dobráveis, cobertores e kits de emergência destinados às famílias desalojadas pelas enchentes.

    Além do envio de suprimentos, o presidente Xi Jinping determinou prioridade total às ações de resgate, ao atendimento dos feridos e ao reassentamento das pessoas afetadas. Segundo a agência estatal Xinhua, o objetivo é reduzir o número de vítimas e evitar novos desastres decorrentes das fortes chuvas.

    Por fim, a sequência de eventos climáticos extremos se agravou com a passagem de um tornado pela província de Hubei. O fenômeno deixou 11 mortos e um desaparecido, além de destruir casas, fábricas e vias públicas, ampliando os desafios enfrentados pelas autoridades chinesas.

  • Conheça a serpente temida na Ilha das Cobras no litoral paulista

    Conheça a serpente temida na Ilha das Cobras no litoral paulista

    A Ilha da Queimada Grande, localizada entre Itanhaém e Peruíbe, no litoral de São Paulo, ganhou fama internacional por abrigar a jararaca-ilhoa (Bothrops insularis), espécie endêmica considerada uma das serpentes mais perigosas do planeta. No entanto, a chamada Ilha das Cobras também é lar de outra serpente bem menos conhecida: a dormideira (Sibynomorphus mikanii), uma espécie inofensiva que se alimenta principalmente de lesmas e caracóis.

    Além disso, a Queimada Grande é considerada a segunda ilha com maior densidade populacional de cobras do mundo. O local é o único habitat natural da jararaca-ilhoa. Já a dormideira também ocorre no continente e, segundo pesquisadores, apresenta poucas diferenças visíveis em relação aos exemplares encontrados fora da ilha.

    De acordo com o pesquisador do Instituto Butantan, Otavio Marques, a presença da dormideira desperta interesse científico porque, ao contrário da jararaca-ilhoa, a espécie não sofreu mudanças aparentes durante o período de isolamento geográfico.

    Segundo o pesquisador, seus hábitos noturnos e a alimentação baseada em lesmas permitiram que a serpente encontrasse na ilha condições muito semelhantes às existentes no continente. Dessa forma, a espécie manteve características praticamente inalteradas ao longo do tempo.

    Dormideira pode ser encontrada em hortas e áreas úmidas

    Conforme informações do Instituto Butantan, a dormideira é uma serpente de pequeno porte, terrestre e com hábitos predominantemente noturnos. Além disso, ela é totalmente inofensiva aos seres humanos.

    Sua dieta é composta principalmente por lesmas e caracóis, motivo pelo qual a espécie costuma ser encontrada em hortas, áreas de cultivo e locais com vegetação úmida, ambientes comuns em diversas propriedades rurais.

    Cobra dormideira na Ilha da Queimada Grande, entre Itanhaém e Peruíbe, SP — Foto: Instituto Butantan

    A serpente não possui veneno. Em contrapartida, desenvolveu adaptações específicas no crânio e na mandíbula que permitem retirar moluscos de dentro das conchas sem quebrá-las, característica que chama a atenção dos pesquisadores.

    Jararaca-ilhoa desenvolveu peçonha mais potente após isolamento

    Enquanto a dormideira costuma passar despercebida, a jararaca-ilhoa permanece como a principal protagonista da Ilha da Queimada Grande. Segundo o biólogo Eric Comin, a espécie figura entre as serpentes mais peçonhentas e perigosas do mundo.

    “Ela é uma jararaca de coloração meio esverdeada com tom voltado ao amarelo. Com isso, ela tem uma camuflagem muito boa”, disse Comin.

    A origem da espécie está diretamente relacionada ao isolamento geográfico provocado pela elevação do nível do mar há aproximadamente 11 mil anos. Com a formação da ilha, uma população ancestral de jararacas ficou separada do continente e passou a evoluir de forma independente.

    “Nesse isolamento, ela teve que caçar aves do continente que vão até a ilha. Para ela caçar essas aves, se ela pica a ave e a peçonha não é forte, a ave voa, vai embora e cai em outro lugar”, acrescentou o biólogo.

    Jararaca-ilhoa na Ilha da Queimada Grande, conhecida como 2ª com maior densidade de cobras do mundo — Foto: João Rosa

    Com o passar das gerações, a espécie desenvolveu uma peçonha cada vez mais eficiente para capturar aves, que representam a maior parte de sua alimentação. Assim, a seleção natural favoreceu indivíduos capazes de imobilizar rapidamente suas presas.

    “Dentro desse isolamento geográfico […] a peçonha dela se potencializou de uma tal forma que a partir do momento que ela dava o bote, a ave já morria e ficava no galho”, completou Comin.

    Por isso, a Ilha da Queimada Grande se tornou um dos mais importantes laboratórios naturais para estudos sobre evolução, adaptação de espécies e biodiversidade, temas de grande relevância para a conservação dos ecossistemas brasileiros.

  • Por que Mato Grosso do Sul é considerado um refúgio de cobras gigantes?

    Por que Mato Grosso do Sul é considerado um refúgio de cobras gigantes?

    As águas cristalinas de Bonito e as paisagens alagadas do Pantanal transformaram Mato Grosso do Sul em um dos principais refúgios de sucuris no Brasil. Nos últimos meses, vídeos publicados nas redes sociais mostraram serpentes gigantes nadando próximas de turistas, além de registros raros de acasalamento e caça na natureza.

    As imagens chamaram atenção pela proximidade dos animais com visitantes durante passeios em rios da região. Apesar do tamanho impressionante, especialistas afirmam que a espécie possui comportamento tranquilo e raramente representa perigo para humanos.

    Segundo biólogos, a fama negativa das sucuris surgiu ao longo dos anos por causa do porte avantajado das serpentes e do medo historicamente associado às cobras. Filmes, histórias exageradas e vídeos falsos publicados na internet também ajudaram a reforçar a ideia de que os animais seriam agressivos.

    Na prática, porém, as sucuris costumam evitar contato com pessoas e preferem permanecer afastadas.

    Sucuri flagrada por atletas durante canoagem no MS — (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

    Gigantes dos rios brasileiros

    Das quatro espécies de sucuris existentes no mundo, três vivem no Brasil. Mato Grosso do Sul abriga duas delas: a sucuri-verde e a sucuri-amarela.

    A sucuri-verde (Eunectes murinus) é considerada a maior e mais pesada serpente do planeta. A espécie pode ultrapassar os sete metros de comprimento e atingir cerca de 200 quilos. Já a sucuri-amarela (Eunectes notaeus), bastante comum no Pantanal, possui porte menor, mas também impressiona, com fêmeas chegando a quatro metros.

    Em rios como o Rio Sucuri, em Bonito, a transparência da água permite que turistas observem peixes, plantas aquáticas e até grandes serpentes durante atividades de flutuação e contemplação da natureza.

    A combinação entre ecoturismo, rios cristalinos e áreas preservadas ajuda a explicar a frequência dos encontros com sucuris no estado. Guias turísticos relatam que muitos visitantes chegam receosos, mas mudam de percepção ao observar o comportamento calmo dos animais.

    Na maioria das vezes, as serpentes permanecem imóveis ou apenas nadam lentamente, sem demonstrar qualquer reação aos humanos próximos.

  • Surpreendente: Brasileiros podem ter achado a maior sucuri do mundo em MG

    Surpreendente: Brasileiros podem ter achado a maior sucuri do mundo em MG

    Dois jovens, Matheus Araújo e Gabriel Camargos, gravaram um vídeo que está dando o que falar no Brasil. Os observadores estavam em uma fazenda na zona rural de Lagoa da Prata, no interior de Minas Gerais, às margens do Rio São Francisco, quando se depararam com dezenas de sucuris concentradas no mesmo ponto, atraídas pelos feromônios de uma fêmea gigante.

    Essa fêmea tem nome e se chama Cotoca. A gigante foi avistada pela primeira vez em 2022 e estava desaparecida há cerca de quatro anos. Agora, os dois acreditam ter a reencontrado.

    Relato impressionante

    “Nos últimos dias, a grande fêmea vem liberando feromônios, substância capaz de atrair parceiros a quilômetros de distância! A alta concentração de sucuris aqui não é normal. O que indica que este local pode estar prestes a se tornar palco de um dos eventos mais impressionantes da natureza: o acasalamento!”, escreveram na legenda da postagem.

    Matheus e Gabriel acreditam que a sucuri-verde gigante esteja atualmente com mais de 6 metros de comprimento. Para eles, o animal representa um fenômeno raro e simbólico dentro do ecossistema local.

    “Vocês pensando que sucuri era do Pantanal, da Amazônia… e a maior sucuri do mundo come pão de queijo. Esse é o registro mais épico envolvendo sucuris, envolvendo Minas Gerais, quem sabe envolvendo o Brasil”, disseram eles no registro.

     

  • Sucuri ou jacaré? Turistas confundem animal gigante em rio no Pantanal

    Sucuri ou jacaré? Turistas confundem animal gigante em rio no Pantanal

    Um grupo de turistas, que faziam um passeio por um rio no Pantanal sul-mato-grossense, foram surpreendidos ao se deparar com uma sucuri de grande porte a poucos metros da embarcação. A serpente, que havia ingerido recentemente uma presa, chegou a ser confundida com um jacaré devido ao seu tamanho.

    Visitantes encontram esses predadores o tempo todo nos rios do Pantanal, usados pra passeios e pesca. A sucuri, maior cobra do mundo, caça em silêncio e atinge até 9 metros, enquanto jacarés-açu dominam as corredeiras.

    Uma das turistas que estava no barco relatou a surpresa com o encontro: “Ganhei a viagem. Estou até tremendo. Tenho muito medo desse bicho, mas foi gratificante ver um animal desse tamanho, ainda mais se alimentando”, disse.

    Sucuri é confundida com jacaré por turistas no Pantanal (Foto: Reprodução/ Célio Araújo)

    Cena comum no Pantanal

    O guia Célio Araújo registrou o vídeo viral e explicou que o volume do animal resulta da ingestão recente de um cateto, o porco-do-mato que ele predou logo antes do encontro. Ele ainda afirmou que cenas assim não são incomuns no Pantanal.

    “Sempre estamos na expectativa de encontrar uma sucuri, e quando isso acontece é preciso ter muito cuidado. É um animal arisco, que teme o ser humano, mas não pode ser subestimado”, afirmou.

     

  • Conheça a curiosa cobra-papagaio, serpente que vive pendurada nas árvores

    Conheça a curiosa cobra-papagaio, serpente que vive pendurada nas árvores

    Imagine só: uma cobra que passa o dia inteiro enrolada num galho a 15 metros de altura, tem o corpo verde com manchas brancas, barriga amarela e, quando filhote, é alaranjada. Parece criação de roteirista, mas a cobra-papagaio é real, vive nas florestas tropicais da América do Sul e carrega uma série de características que deixam até os especialistas impressionados. Além disso, ela não precisa de veneno para matar.

    Uma cobra de visual impactante e nome à altura

    Seu nome científico é Corallus batesii e ela pertence à família Boidae, a mesma das jiboias e sucuris. No Brasil, ganhou o apelido de cobra-papagaio por razão óbvia: sua coloração intensa em verde e amarelo lembra diretamente a ave mais tradicional do país. Mais precisamente, boa parte do corpo é verde com manchas brancas e o ventre é amarelo, segundo o Instituto Butantan.

    Em termos de tamanho, não há como ignorá-la. A cobra-papagaio pode chegar a até 2 metros de comprimento, o que a coloca entre as serpentes de porte médio-grande do continente. Apesar da aparência imponente, ela não é peçonhenta, ou seja, não possui veneno. Mas isso não significa que seja inofensiva para as suas presas.

    Sem veneno, mas com técnica mortal

    A ausência de veneno não representa nenhuma desvantagem para a cobra-papagaio na hora de caçar. Ela adota a mesma estratégia das sucuris e jiboias: a constrição. A serpente se enrola em torno da presa e aperta com força suficiente para impedir a respiração, matando o animal antes de devorá-lo. Eficiente, silenciosa e mortal, sem precisar inocular uma única gota de toxina.

    Com hábitos noturnos, a cobra-papagaio desce ao solo ao anoitecer para caçar marsupiais como gambás, roedores, morcegos e até algumas aves. Durante o dia, o comportamento é completamente diferente: ela sobe e permanece imóvel nos galhos mais altos, em repouso e camuflada. Suas pupilas verticais são adaptadas para enxergar melhor no escuro e regular a luminosidade.

    A cobra-papagaio muda de cor conforme cresce para garantir camuflagem perfeita em cada etapa da vida — (Foto: Divulgação/Instituto Butantan)

    A vida nas alturas: o hábito que mais surpreende

    Enquanto a maioria das cobras raseja pelo chão, a cobra-papagaio escolheu outro endereço. Ela é mais comumente encontrada no topo de grandes árvores, chegando a se instalar por horas em galhos a alturas de 12 a 15 metros, de acordo com o Instituto Butantan. Esse comportamento arborícola é raro entre as serpentes e contribui muito para o fascínio que a espécie desperta.

    A cobra-papagaio é endêmica de regiões com alta umidade arbórea, especialmente a floresta amazônica, e pode ser encontrada no Brasil, Peru, Suriname, Guiana, Colômbia, Venezuela e Equador. Em casos excepcionais, também aparece em áreas mais secas como savanas ou florestas secas de outras partes da América do Sul, sobretudo em períodos de seca, quando desce ao solo em busca de água.

    Uma cobra que muda de cor ao longo da vida

    Talvez a característica mais surpreendente da cobra-papagaio seja a transformação que ela passa ao longo do ciclo de vida. Quando filhote, ela não tem nada de verde. Nessa fase, possui coloração alaranjada para se disfarçar nos galhos finos e mais baixos das árvores, onde ainda não consegue subir. Conforme cresce e passa a habitar as partes mais altas das copas, a coloração vai se transformando progressivamente. À medida que se tornam adultas e alcançam as partes com folhagem, ficam cada vez mais verdes para se camuflar entre as folhas.

    Essa adaptação cromática ao longo da vida é uma estratégia sofisticada de sobrevivência. Cada fase do desenvolvimento exige uma camuflagem diferente porque o ambiente acessível ao animal muda conforme ele cresce. Nenhuma cor é aleatória: cada tom é uma resposta precisa ao ambiente e ao estágio de vida da serpente.

    Para quem se interessa por fauna silvestre, a cobra-papagaio é um lembrete de que a Amazônia ainda guarda animais cuja biologia rivaliza com qualquer ficção científica. Bela, letal à sua maneira e capaz de se reinventar ao longo da vida, ela é uma das joias menos conhecidas da biodiversidade brasileira.

  • Cobra no quintal? Biólogo derruba os maiores mitos sobre como manter serpentes longe de casa

    Cobra no quintal? Biólogo derruba os maiores mitos sobre como manter serpentes longe de casa

    Quem já encontrou uma cobra no jardim sabe bem o tamanho do susto. Mas o que a maioria das pessoas faz depois desse encontro é exatamente o que não deveria. Compra plantas com cheiro forte, espalha naftalina, cerca o quintal com ervas aromáticas e acha que está protegida.

    Segundo o biólogo Fabiano Soares, referência em fauna silvestre e com grande atuação nas redes sociais pelo perfil @biologo.zero, nenhum odor vegetal tem poder comprovado de repelir serpentes. E pior: algumas dessas soluções caseiras podem até atrair o problema que tentam resolver.

    O que realmente chama uma cobra para o seu quintal?

    Antes de pensar em como afastar, é preciso entender o que atrai. Para Fabiano Soares, a resposta é direta: comida. “O que mais define, de fato, é a presença de alimentos. Se houver roedores, pequenos mamíferos, anfíbios como sapos e pererecas, ou até filhotes de aves e ovos, a cobra terá um motivo para aparecer”, explica o especialista.

    Cobras são predadoras oportunistas e altamente eficientes. Elas não vagam pelo ambiente por acaso. Seguem rastros de presas, detectam calor corporal e percebem movimentação. Quando um quintal oferece roedores em abundância, por exemplo, torna-se automaticamente um território de caça. Portanto, o controle de pragas, especialmente ratos e ratazanas, é a medida preventiva número um para quem quer manter serpentes à distância.

    Além da alimentação, o abrigo também pesa na escolha do animal. Entulho acumulado, pilhas de lenha, pedras empilhadas, restos de construção e até vegetação densa junto ao muro funcionam como convite. São locais frescos, protegidos e próximos de potenciais presas, tudo o que uma cobra busca.

    Plantas repelentes, naftalina e cheiros fortes não funcionam contra cobras — (Foto: Byronsdad/Getty Imagens)

    É mito!

    Erva-de-santa-maria, cravo-de-defunto, capim-limão. Essas e outras plantas circulam pela internet como soluções infalíveis contra cobras. Mas a ciência não confirma esse efeito, e o biólogo Fabiano Soares é categórico ao abordar o assunto. “Não existe nenhuma planta que possa ser utilizada para afastar. A própria planta pode servir como abrigo para elas”, alerta o especialista.

    Ao contrário de insetos, que de fato podem ser perturbados por determinados odores, as cobras utilizam outros mecanismos sensoriais para se orientar. Elas detectam vibrações no solo, percebem variações de temperatura por meio de fossetas labiais (em espécies como a jararaca) e captam odores pelo órgão de Jacobson, localizado no céu da boca. Nenhum desses sistemas é sensível ao cheiro de uma planta aromática da forma que o senso comum imagina.

    Na prática, investir em um jardim aromático denso pode ter o efeito contrário ao desejado. Uma vegetação alta e não aparada oferece sombra, umidade e esconderijo, condições ideais para que uma serpente se instale sem ser percebida por dias.

    Desmatamento e obras: o fator externo

    Nem sempre a culpa está no quintal do morador. Mudanças no entorno imediato de uma residência, como obras de construção civil, terraplanagem de lotes vizinhos e desmatamento de áreas verdes próximas, são causas frequentes de aparecimento repentino de cobras em locais onde antes não eram vistas. Quando o habitat natural é destruído, os animais perdem abrigo, rota de caça e território. A consequência direta é o deslocamento forçado em direção às áreas urbanizadas.

    Esse tipo de situação é especialmente comum em bairros que fazem divisa com cerrado, Mata Atlântica ou áreas de várzea. Em períodos de seca intensa, o movimento também aumenta, já que as serpentes buscam água e microclimas mais úmidos, que muitas vezes estão nos jardins irrigados das casas.

    Dicas infalíveis

    A boa notícia é que medidas simples e de baixo custo reduzem muito o risco de encontros indesejados. Fabiano Soares resume a lógica com clareza: “As cobras são guiadas pela temperatura e pelo recurso alimentar”. Ao eliminar esses dois elementos, o quintal deixa de ser interessante para o animal.

    Na prática, isso significa manter a grama sempre aparada, retirar entulhos e objetos acumulados, vedar frestas em portas, janelas e muros, e controlar ativamente a presença de roedores no ambiente. Essas ações atacam diretamente a cadeia que atrai serpentes, sem misticismo e sem gastos desnecessários.

    Caso uma cobra seja avistada, a orientação dos especialistas é clara: não tente capturar nem matar o animal. Ligue para o Corpo de Bombeiros ou para serviços de manejo de fauna silvestre do município. Em muitas regiões do Brasil, as serpentes são protegidas por lei e exercem papel fundamental no equilíbrio ecológico, controlando justamente as populações de roedores que tanto atraem as próprias cobras.

  • Livres para amar: veja momento que casal de caninanas é solto

    Livres para amar: veja momento que casal de caninanas é solto

    Nesta semana mostramos o casal de cobras caninanas que escolheram uma residência como ninho de amor para o ritual de acasalamento.

    nfelizmente para elas, o momento íntimo terminou de forma abrupta. A equipe de prontidão resgatou com sucesso as serpentes, conhecidas por seu comportamento ágil e por não serem venenosas. Apesar de terem interrompido um momento íntimo do casal, a ação garantiu a segurança dos animais e dos moradores.

    Mas agora eles estão livres novamente para continuar a sua  historia de amor, e fazer novas caninaninhas. E a guarda-parque Izenita Brum, a mesma que interrompeu o momento romântico, foi a responsável por libertar os pombinhos, ou melhor dizendo, as cobrinhas.

     

    O resgate do casal de serpentes

    As caninanas, comumente encontradas em regiões de Mata Atlântica, são serpentes de hábitos diurnos e excelentes escaladoras. Apesar de assustarem algumas pessoas por seu tamanho — podendo chegar a 2,5 metros —, são inofensivas e importantes para o equilíbrio ecológico, ajudando no controle de roedores.

    Segundo a guarda-parque Izenita Brum, o resgate foi realizado com cuidado para não estressar os animais. “Elas estavam tranquilas, mas nosso papel é garantir que tanto os bichos quanto os humanos fiquem seguros”, explicou.

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  • Casal de caninanas é resgatado durante “lua de mel”

    Casal de caninanas é resgatado durante “lua de mel”

    O amor estava no ar na Área de Proteção Ambiental (APA) Macaé de Cima, mas não da forma que os humanos costumam imaginar. Nesta semana, a equipe de resgate ambiental recebeu um chamado inusitado: duas cobras dentro de uma residência. Ao chegarem ao local, a surpresa foi grande — um casal de caninanas (Spilotes pullatus) estava em pleno ritual de acasalamento.

    As serpentes, conhecidas por seu comportamento ágil e não venenoso, foram resgatadas com sucesso pela equipe de prontidão, que contou com a participação da guarda-parque Izenita Brum. Apesar de terem interrompido um momento íntimo do casal, a ação garantiu a segurança dos animais e dos moradores.

    O resgate do casal de serpentes

    As caninanas, comumente encontradas em regiões de Mata Atlântica, são serpentes de hábitos diurnos e excelentes escaladoras. Apesar de assustarem algumas pessoas por seu tamanho — podendo chegar a 2,5 metros —, são inofensivas e importantes para o equilíbrio ecológico, ajudando no controle de roedores.

    Segundo a guarda-parque Izenita Brum, o resgate foi realizado com cuidado para não estressar os animais. “Elas estavam tranquilas, mas nosso papel é garantir que tanto os bichos quanto os humanos fiquem seguros”, explicou. Após a captura, o casal foi solto em seu habitat natural, sem nenhum ferimento.

    Por que as cobras entram em residências?

    Especialistas explicam que, nesta época do ano, é comum encontrar serpentes em áreas urbanas próximas a florestas. O aumento da temperatura e a busca por parceiros para reprodução fazem com que esses animais se movimentem mais. Além disso, a presença de roedores em casas pode atraí-las.

    O que fazer ao encontrar uma serpente?

    • Mantenha a calma: a maioria das cobras no Brasil não é venenosa.
    • Não tente capturar: evite aproximação e contato.
    • Acione profissionais: chame a equipe ambiental local ou o Corpo de Bombeiros (193).

    A APA Macaé de Cima, localizada na região serrana do Rio de Janeiro, é um importante reduto de biodiversidade. Casos como esse reforçam a necessidade de conscientização sobre a convivência harmoniosa entre humanos e animais silvestres.

    E assim, o casal de caninanas teve seu “felizes para sempre” — longe das casas, mas em segurança na natureza.

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