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  • Ceará avança em acordo bilionário que pode transformar a pesca no Brasil

    Ceará avança em acordo bilionário que pode transformar a pesca no Brasil

    A Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC) lidera uma articulação que coloca o Ceará no centro de um corredor internacional voltado à Economia Azul. A iniciativa conecta o estado brasileiro à província de Nova Scotia, no Canadá, com foco em pesca, aquicultura, inovação oceânica, logística e sustentabilidade.

    O projeto reúne empresários, pesquisadores e representantes do setor público dos dois países para criar uma rota estratégica de negócios. A proposta integra produção, tecnologia e investimento com o objetivo de ampliar o valor agregado da cadeia do pescado.

    Parcerias estratégicas reforçam eixo Brasil-Canadá

    A CCBC aproxima instituições de referência em Nova Scotia, como a Dalhousie University, o Bedford Institute of Oceanography e o COVE, hub de tecnologia oceânica no Porto de Halifax. Essas entidades lideram pesquisas em gestão pesqueira, biodiversidade marinha e inovação aplicada ao setor.

    Além disso, o diálogo já envolve órgãos governamentais canadenses, como Invest Nova Scotia, Invest Halifax e Nova Scotia Intergovernmental Affairs. A estratégia prioriza conexões institucionais para acelerar a integração entre empresas, academia e governo.

    Exportações em alta impulsionam aproximação

    O avanço da parceria ocorre em meio ao crescimento consistente do comércio bilateral de pescado. Entre janeiro e maio de 2026, o Brasil exportou US$ 1,82 milhão para o Canadá. O Ceará respondeu por US$ 217,4 mil, o equivalente a 11,9% do total.

    O desempenho do estado chama atenção. Entre 2023 e 2025, as exportações cearenses saltaram de US$ 525 mil para US$ 2,05 milhões, alta de 291%. No mesmo período, o Brasil ampliou as vendas de US$ 2,7 milhões para US$ 7,3 milhões, crescimento de 167%.

    Ceará lidera produção e ganha protagonismo internacional

    O Ceará concentra cerca de 25% das exportações brasileiras de pescado e movimentou US$ 93,8 milhões em 2024. O estado também lidera a produção nacional de aquicultura marinha e responde por mais da metade da produção do Nordeste.

    Esse desempenho colocou o estado no radar global da Economia Azul. Segundo Igor Gonçalves, coordenador do Chapter Ceará da CCBC, a complementaridade entre os mercados motivou a aproximação.

    Ele destaca que a Economia Azul permite resultados mais rápidos ao integrar comércio, tecnologia e inovação em um mesmo ecossistema.

    Complementaridade entre mercados abre oportunidades

    O Canadá demanda espécies tropicais e produtos premium, como pargo congelado, atum, lagosta e tilápia. O pargo (Lutjanus purpureus) lidera as exportações cearenses para o país.

    Por outro lado, o Brasil importa principalmente vieiras congeladas, que representam cerca de 90% das compras de pescado canadense. Há espaço para ampliar o fluxo com produtos como bacalhau, salmão e lagosta de águas frias.

    Corredor vai além da exportação de pescado

    A iniciativa prevê mais do que comércio direto. O projeto inclui processamento de pescado, intercâmbio tecnológico e atração de investimentos bilaterais.

    Entre as possibilidades, está a instalação de unidades de processamento no Canadá com participação de empresas brasileiras. Essas estruturas podem atender o mercado local e ampliar o acesso a outros países.

    Para a CCBC, a combinação entre a capacidade produtiva do Ceará e a tecnologia de Nova Scotia cria um ambiente favorável para expandir a competitividade e gerar novos negócios na Economia Azul.

  • Brasil bate recorde histórico em exportações para o Canadá

    Brasil bate recorde histórico em exportações para o Canadá

    O Brasil estabeleceu um novo marco nas exportações para o Canadá em 2025. Entre janeiro e setembro, as vendas brasileiras ao país norte-americano somaram US$ 5,08 bilhões, representando um crescimento de 14% comparado ao mesmo período do ano anterior. Os dados fazem parte do Quick Trade Facts (QTF), relatório trimestral da Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC).

    O valor supera em mais de US$ 600 milhões o recorde anterior, registrado em 2024, consolidando a trajetória ascendente do comércio bilateral entre as duas nações.

    As importações brasileiras de produtos canadenses também apresentaram expansão, com alta de 7% no acumulado do ano, totalizando US$ 2,36 bilhões. O resultado gerou um saldo comercial positivo de US$ 2,7 bilhões para o Brasil.

    A corrente de comércio entre os países,que soma exportações e importações, alcançou US$ 7,45 bilhões, crescimento de 12% em relação a 2024.

    Competitividade supera valorização cambial

    Um dos destaques da análise da CCBC é o crescimento das exportações brasileiras mesmo diante da valorização gradual do real frente ao dólar canadense. Normalmente, quando a moeda brasileira se fortalece, os produtos nacionais ficam mais caros para compradores estrangeiros, reduzindo a competitividade.

    “O desempenho confirma que os produtos brasileiros continuam ganhando espaço no mercado canadense pela qualidade, diversificação de portfólios e pelo cenário econômico mundial atual”, afirma Hilton Nascimento, diretor-presidente da CCBC.

    Nascimento também destaca o impacto das tarifas impostas pelos Estados Unidos a diversos países. “O tarifaço que foi imposto pelos Estados Unidos a vários países ajudou a impulsionar ainda mais a relação bilateral entre Brasil e Canadá que já vinha em alta”, complementou o executivo.

    Ouro lidera lista de produtos exportados

    O bulhão dourado (ouro em forma bruta) manteve a liderança absoluta nas exportações brasileiras ao Canadá. No terceiro trimestre de 2025, as vendas do metal precioso somaram US$ 1,79 bilhão, um salto de 43,8% frente ao mesmo período de 2024.

    Outros destaques incluem:

    • Alumina calcinada: US$ 883,1 milhões (crescimento de 37%)
    • Café verde: US$ 177,6 milhões (alta de 16%)
    • Carne suína: crescimento significativo no período
    • Óxido de alumínio: expansão na categoria de produtos da indústria de transformação

    Apesar da queda em itens como aeronaves e açúcar, a combinação de commodities minerais e agrícolas continua sustentando o bom desempenho da balança comercial. A participação do Canadá nas exportações totais do Brasil subiu de 1,7% para 2% no período analisado.

    Importações: fertilizantes e tecnologia em destaque

    As compras brasileiras de produtos canadenses cresceram 7% no acumulado de 2025, com destaque para insumos industriais e tecnológicos.

    No terceiro trimestre, os cloretos de potássio lideraram as importações, somando US$ 1,09 bilhão, alta de 6% em relação ao mesmo período de 2024. Outros produtos com desempenho expressivo incluem:

    • Turborreatores: US$ 113,8 milhões (aumento de 28%)
    • Helicópteros de até 2 mil kg: US$ 32,9 milhões (crescimento de 20%)
    • Enxofre a granel: US$ 28,1 milhões (salto de 678%)

    Nióbio, moldes industriais e betume de petróleo também registraram aumentos significativos, evidenciando a continuidade dos fluxos comerciais em setores estratégicos como alta tecnologia e energia.

    Para Hilton Nascimento, os números vão além de um simples recorde. “Mais do que um recorde comercial, esses números refletem o amadurecimento das relações econômicas entre Brasil e Canadá e o início de um novo ciclo de oportunidades”, conclui o presidente da CCBC.

    O Canadá consolida-se como parceiro estratégico do Brasil no comércio exterior, especialmente como fornecedor importante para a indústria brasileira nos segmentos químico, farmacêutico e de equipamentos pesados.