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  • Estimativa de clima seco no Brasil derruba preços do café

    Estimativa de clima seco no Brasil derruba preços do café

    Os contratos futuros de café arábica com vencimento em setembro (KCU26) fecharam nesta terça-feira (21) em queda de 0,75%, recuo de 2,45 pontos, na Intercontinental Exchange (ICE) em Nova York. O robusta para o mesmo mês (RMU26), negociado em Londres, caiu 1,70%, ou 66 pontos.

    As atualizações das previsões meteorológicas retiraram a expectativa de chuvas nesta semana nas regiões produtoras do Brasil e reacenderam a possibilidade de aceleração da colheita, o que pressionou as cotações após um início de pregão em alta.

    Mercado abre em alta, mas perde fôlego ao longo do dia

    O pregão desta terça começou com o arábica valorizado na ICE Futures US: o contrato de setembro chegou a operar a 328,45 centavos de dólar por libra-peso, alta de 390 pontos, enquanto o vencimento de dezembro avançava 445 pontos, a 313,90 centavos. No mercado físico brasileiro, o indicador Cepea/Esalq também abriu em alta, com a saca de 60 kg do arábica cotada a R$ 1.753,28 em São Paulo, valorização de 2,40% no dia. O robusta, no entanto, já refletia a pressão da elevação dos estoques e recuava 0,56%, para R$ 1.104,56 a saca.

    Analistas atribuem a virada dos preços ao longo do pregão à atualização das previsões climáticas, que passaram a indicar predomínio de tempo seco até o fim de julho na maior parte das áreas produtoras do Sudeste e da Bahia, com apenas pancadas isoladas entre o sul do Espírito Santo e o sul da Bahia. A perspectiva de estiagem favorece o avanço dos trabalhos de campo e reduz o temor de novos atrasos na colheita.

    Aumento dos estoques da ICE pressiona o robusta

    A elevação dos estoques certificados também pesa sobre o robusta. Na segunda-feira (20), o volume disponível na ICE atingiu uma máxima de 3,75 meses, com 4.239 lotes. Ou seja, uma recuperação expressiva frente à mínima de dois anos registrada em 15 de maio, quando os estoques somavam apenas 3.631 lotes. Já os estoques de arábica seguem em trajetória oposta: caíram a uma mínima de 2,25 anos nesta terça, com 328.759 sacas, o que ajuda a sustentar o preço da variedade.

    Apesar da queda desta terça, o atraso da colheita brasileira continua no radar do mercado. Segundo levantamento da Safras & Mercado divulgado na sexta-feira (17), os produtores haviam concluído 64% da colheita da safra 2026/27 até 15 de julho. Um percentual inferior aos 77% do mesmo período do ano passado e abaixo da média histórica de cinco anos, de 70%.

    O atraso ajudou a levar o arábica ao maior nível em 5,75 meses em 6 de julho. E o robusta repetiu o movimento no dia seguinte, também na máxima do período. Desde então, porém, as cotações oscilam com força dentro de uma faixa ampla, abaixo desses picos, em um cenário de baixa liquidez que amplifica os movimentos de preço.

    Margens mais altas na ICE reduzem liquidez e ampliam a volatilidade

    A recente elevação das exigências de margem para negociação de contratos futuros de café pela ICE reduziu a liquidez do mercado. Como consequência, fundos de investimento encerraram posições com mais frequência, o que provoca oscilações de preço mais bruscas em uma única direção. Um padrão que analistas esperam que persista nas próximas semanas, à medida que a safra brasileira avança e as bolsas internacionais seguem reagindo a cada novo dado.

    As fortes chuvas registradas no Brasil ao longo do último mês prejudicaram os trabalhos de campo. E podem ter comprometido a qualidade da safra, o que levou produtores a segurar vendas na expectativa de preços mais altos. A esse fator soma-se a preocupação com o El Niño. A trading Commercial alertou que o fenômeno pode atrasar as chuvas do Brasil entre setembro e outubro. Esse é um período decisivo para a floração, prejudicando a safra 2026/27. Em 8 de julho, o Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos classificou o episódio, formado no mês anterior no Pacífico equatorial, como um dos mais fortes dos últimos 75 anos. E com potencial para provocar enchentes, secas e variações bruscas de temperatura na Ásia e na América do Sul.

    Dados mais recentes da Somar Meteorologia reforçam o quadro de estiagem: Minas Gerais, maior produtor de café do país, registrou apenas 0,2 mm de chuva na semana encerrada em 19 de julho, equivalente a 20% da média histórica para o período.

    Fatores baixistas seguem no radar

    Do lado da oferta, o desempenho das exportações brasileiras também pressiona os preços. O Cecafé informou na semana passada que os embarques de café verde cresceram 14,4% em junho na comparação anual, somando 2,64 milhões de sacas. O Vietnã, maior produtor mundial de robusta, também amplia embarques: as exportações no primeiro semestre de 2026 avançaram 7,3%, para 1,05 milhão de toneladas, segundo o escritório nacional de estatísticas do país. Em 2025, os embarques haviam crescido 17,5%. A produção vietnamita da safra 2025/26 deve subir 6%, para 1,76 milhão de toneladas (29,4 milhões de sacas), maior volume em quatro anos.

    Em relatório de 3 de junho, o USDA projetou uma safra brasileira recorde de 71,9 milhões de sacas para 2026/27. Ou seja, uma alta de 14% na comparação anual. Uma estimativa que, em 9 de junho, havia levado o arábica à mínima de 20,5 meses e o robusta à mínima de 3,5 meses no contrato mais próximo. O Rabobank elevou a projeção de superávit global de arábica para 9,5 milhões de sacas, ante 7,0 milhões estimados anteriormente.

    Já a Organização Internacional do Café informou queda de 0,3% nas exportações globais do atual ano-safra, para 138,658 milhões de sacas. Em relatório semestral, o FAS/USDA projetou recorde de produção mundial em 2025/26, de 178,848 milhões de sacas. Um alta de 2%, puxada pelo avanço de 10,9% do robusta (83,333 milhões de sacas), que compensa a queda de 4,7% do arábica (95,515 milhões de sacas). A produção brasileira deve recuar 3,1%, para 63 milhões de sacas, enquanto a do Vietnã deve crescer 6,2%, para 30,8 milhões de sacas. Os estoques finais globais devem cair 5,4%, para 20,148 milhões de sacas.

  • El Niño pode mudar produção global de café nos próximos anos

    El Niño pode mudar produção global de café nos próximos anos

    A confirmação de um novo episódio de El Niño para o segundo semestre de 2026 voltou a acender o alerta no mercado internacional de café.

    Embora os impactos variem de acordo com a intensidade do fenômeno e das condições climáticas de cada região produtora, especialistas avaliam que o clima poderá influenciar a oferta global da commodity entre 2026 e 2027.

    Segundo análise da Hedgepoint Global Markets, os efeitos do El Niño costumam ser diferentes entre os países produtores e dependem do estágio das lavouras quando o fenômeno ocorre.

    Brasil deve escapar dos impactos imediatos

    O Brasil, maior produtor e exportador mundial de café, não deve sofrer impactos diretos na safra 2026/27, segundo a projeção atual da consultoria.

    Mesmo assim, um período mais chuvoso durante o outono e o inverno pode provocar atrasos na colheita e aumentar a volatilidade dos preços no mercado.

    De acordo com Laleska Moda, analista de inteligência de mercado da Hedgepoint, o monitoramento climático continua sendo fundamental para os próximos meses.

    “Embora a produção da safra 2026/27 não deva ser afetada, o andamento da colheita e a fase de florada exigem atenção.”

    Próxima safra pode enfrentar desafios

    Os maiores riscos ainda estão ligados ao desenvolvimento da próxima temporada.

    Isso porque alterações nos padrões de chuva e temperatura podem influenciar etapas decisivas para a formação dos grãos e para o potencial produtivo das lavouras.

    O comportamento climático durante a florada será um dos fatores mais observados pelo mercado nos próximos meses.

    Leia mais: Agro confia mais nos EUA do que na China, aponta FGV

    América Central e Ásia estão entre as regiões mais vulneráveis

    Fora do Brasil, os efeitos do El Niño podem ser mais significativos.

    Segundo a Hedgepoint, importantes produtores da América Central e da Ásia apresentam maior risco de enfrentar problemas climáticos nas safras 2026/27 e 2027/28.

    A preocupação aumenta diante da possibilidade de um evento forte entre o final de 2026 e o início de 2027.

    Nessas regiões, mudanças no regime de chuvas e períodos prolongados de calor podem comprometer fases importantes do desenvolvimento das lavouras, reduzindo a produtividade e pressionando a oferta mundial de café.

    Caso o fenômeno ganhe força nos próximos meses, o mercado poderá reagir antecipadamente às expectativas de menor produção em algumas das principais regiões produtoras do mundo.

  • Chuvas interrompem queda dos preços do café arábica

    Chuvas interrompem queda dos preços do café arábica

    Os preços do café arábica reagiram na segunda semana de junho após um período de forte queda. O movimento ocorreu devido às chuvas nas principais regiões produtoras do país. Segundo pesquisadores do Cepea, as cotações recuaram no início do mês com o avanço da colheita da safra 2026/27. No entanto, os preços voltaram a subir a partir do dia 10.

    As chuvas dificultaram os trabalhos no campo e reduziram pontualmente a oferta da variedade. Como resultado, o mercado registrou uma recuperação das cotações.

    Chuvas preocupam os produtores

    Além de atrasar a colheita, as precipitações podem comprometer a qualidade dos grãos. O cenário preocupa agentes do setor em um momento decisivo da safra. De acordo com o Cepea, estimativas oficiais apontam para uma produção recorde de café. Apesar disso, participantes do mercado relatam qualidade inferior dos grãos. Os agentes também observam peneiras menores em comparação com a temporada anterior. Esse fator pode influenciar a valorização dos lotes de melhor qualidade.

    Café robusta mantém preços firmes

    Enquanto o arábica oscila com as condições climáticas, o café robusta apresenta maior sustentação nos preços. Pesquisadores do Cepea atribuem esse comportamento às projeções de uma safra menor que a registrada no ciclo anterior. Com expectativa de oferta mais restrita, o robusta segue negociado em patamares mais firmes no mercado.

     

     

     

     

  • Safra bilionária faz café perder valor no mercado global

    Safra bilionária faz café perder valor no mercado global

    Os preços do café voltaram a cair no mercado internacional. Na última sexta-feira (28), o contrato do café arábica recuou 3,15%, enquanto o robusta perdeu 2,19%. Já na segunda-feira (1), o arábica atingiu o menor patamar dos últimos 1,5 ano no contrato futuro mais próximo.

    A principal pressão veio das previsões meteorológicas para as regiões produtoras do Brasil. Segundo os modelos climáticos, o tempo mais seco previsto para esta semana deve favorecer o avanço da colheita do café, que sofreu atrasos nos últimos dias devido às chuvas intensas registradas em importantes áreas produtoras.

    Safra será maior?

    Além das condições climáticas favoráveis, o mercado também reage às projeções de uma oferta global mais robusta nos próximos meses.

    A Coffee Trading Academy estima que a safra brasileira de café 2026/27 alcançará 71,4 milhões de sacas, volume 12% superior ao registrado no ciclo anterior.

    Por sua vez, o Marex Group Plc divulgou uma projeção ainda mais otimista. A consultoria prevê uma colheita recorde de 75,9 milhões de sacas no Brasil, superando a estimativa da Sucafina, que calcula uma produção de 75,4 milhões de sacas, equivalente a uma alta anual de 15,5%.

    Da mesma forma, a StoneX revisou para cima suas projeções. Em março, a empresa elevou sua estimativa para a safra brasileira de 2026/27 para 75,3 milhões de sacas, acima das 70,7 milhões de sacas previstas em novembro.

    Além disso, a consultoria projeta que o superávit global de café chegará a 10 milhões de sacas em 2026, ante 1,8 milhão de sacas em 2025. Caso a previsão se confirme, será o maior excedente mundial dos últimos seis anos.

    Vietnã amplia exportações do robusta

    O crescimento da oferta também vem do Vietnã, maior produtor mundial de café robusta.

    Segundo o Escritório Nacional de Estatísticas do país, as exportações vietnamitas cresceram 15,8% entre janeiro e abril de 2026, totalizando 810 mil toneladas métricas.

    O café robusta possui maior teor de cafeína e costuma apresentar sabor mais intenso e encorpado que o arábica — Foto: Embrapa

    No ano anterior, os embarques já haviam registrado forte expansão, avançando 17,5% e alcançando 1,58 milhão de toneladas métricas.

    Enquanto isso, a produção vietnamita de café em 2025/26 deve atingir 1,76 milhão de toneladas métricas, o equivalente a 29,4 milhões de sacas. O volume representa crescimento de 6% em relação à safra anterior e marca o maior nível em quatro anos.

    Estoques menores limitam quedas mais acentuadas

    Apesar da pressão baixista causada pelo aumento da oferta, a redução dos estoques monitorados pela Intercontinental Exchange (ICE) tem ajudado a sustentar parte das cotações.

    Os estoques de café arábica armazenados pela bolsa recuaram para 434.930 sacas, o menor nível em aproximadamente três meses e meio.

    Já os estoques de robusta atingiram uma mínima de dois anos ao registrar 3.631 lotes em maio. Posteriormente, houve leve recuperação para 3.864 lotes.

    El Niño ainda preocupa mercado

    Por outro lado, o risco climático continua no radar dos investidores. A possível formação do fenômeno El Niño pode atrasar as chuvas previstas para setembro e outubro no Brasil, período considerado crucial para a floração dos cafeeiros.

    Caso esse cenário se confirme, a produtividade da safra brasileira de 2026/27 poderá ser afetada.

    A preocupação ganhou força após a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) indicar 82% de probabilidade de formação do El Niño entre maio e julho. Além disso, o órgão aponta 67% de chance de ocorrência de um Super El Niño até o final do ano.

    Exportações brasileiras recuam

    Outro fator que oferece suporte aos preços é a redução das exportações brasileiras.

    Segundo dados divulgados pela Cecafé em 12 de maio, os embarques de café verde do Brasil somaram 2,76 milhões de sacas em abril, resultado 1,3% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado.

    Além disso, o mercado também acompanha os impactos do fechamento contínuo do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas do mundo.

    Produção mundial deve bater recorde

    Mesmo diante dos desafios logísticos e climáticos, a perspectiva para a oferta global continua positiva.

    A Organização Internacional do Café (OIC) informou que as exportações mundiais recuaram apenas 0,3% no atual ano comercial, que vai de outubro a setembro, totalizando 138,658 milhões de sacas.

    Além disso, relatório divulgado pelo Serviço de Agricultura Exterior (FAS) projeta que a produção mundial de café em 2025/26 alcançará um recorde de 178,848 milhões de sacas, crescimento de 2% em relação ao ciclo anterior.

    Segundo o levantamento, a produção global de arábica deverá cair 4,7%, para 95,515 milhões de sacas. Em contrapartida, a produção de robusta deverá crescer 10,9%, chegando a 83,333 milhões de sacas.

    O USDA também estima que a safra brasileira de café em 2025/26 recue 3,1%, totalizando 63 milhões de sacas. Já a produção do Vietnã deve avançar 6,2%, alcançando 30,8 milhões de sacas, o maior volume em quatro anos.

    Por fim, o órgão projeta que os estoques finais globais diminuam 5,4%, passando de 21,307 milhões para 20,148 milhões de sacas no ciclo 2025/26.

  • Mercado global de café deve ter ‘turbulência’ até avanço da safra brasileira

    Mercado global de café deve ter ‘turbulência’ até avanço da safra brasileira

    O mercado internacional de café ainda deve atravessar semanas de instabilidade até que a nova safra brasileira chegue de forma mais consistente aos principais destinos consumidores. A avaliação é de Alex Perk, chefe da área de café na Europa da Comexim Trade Group, durante conversa com jornalistas à margem do Seminário Nacional do Café.

    Segundo o executivo, a expectativa da empresa é de que o Brasil colha cerca de 71 milhões de sacas de 60 quilos em 2026. Desse total, aproximadamente 48 milhões de sacas devem ser de café arábica, enquanto outras 23 milhões correspondem ao conilon e robusta.

    A projeção supera os números divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que revisou nesta quinta-feira (21) sua estimativa para 66,7 milhões de sacas. Conforme a estatal, a produção brasileira deve incluir 45,8 milhões de sacas de arábica e 20,9 milhões de robusta/conilon.

    Clima, eleições e logística elevam preocupação

    Apesar da perspectiva positiva para a safra brasileira, Perk alertou que o mercado segue cercado de fatores de risco. Entre eles, estão as questões climáticas, o cenário político brasileiro e os impactos no câmbio.

    “Acreditamos que a safra brasileira é muito boa, mas temos riscos climáticos pela frente, eleições no Brasil, que pode influenciar o mercado de câmbio. Enquanto vejo a produtividade brasileira muito boa, vejo riscos que não deveriam ser ignorados”, afirmou.

    Além disso, o especialista destacou que os baixos estoques globais ajudam a sustentar os preços internacionais. Nesta quinta-feira, o contrato do café arábica para julho na bolsa de Nova York avançou 1,9%, encerrando o dia cotado a US$ 2,7340 por libra-peso. Já o contrato para setembro registrou alta de 1,92%, negociado a US$ 2,6550.

    Segundo Perk, o atraso natural entre a colheita e a chegada efetiva do café brasileiro aos mercados consumidores mantém a pressão sobre as cotações.

    “Uma das razões para esse patamar elevado de preços é o baixo nível de estoque mundial. A safra brasileira ainda vai demorar alguns meses até chegar aos mercados de destino. Isso, e os riscos climáticos por vir, estão ajudando a suportar o preço no momento”, avaliou.

    Risco de geadas e impacto do El Niño

    O executivo também ressaltou que ainda é cedo para prever uma tendência definitiva para os preços internacionais. Embora o Brasil caminhe para uma safra robusta, ele acredita que o volume pode não ser suficiente para equilibrar totalmente a oferta e a demanda global.

    Além disso, Perk lembrou que o país está próximo do inverno, período que aumenta o risco de geadas em regiões produtoras. Em algumas áreas onde a colheita já começou, as chuvas também vêm desacelerando os trabalhos no campo.

    Outro ponto de atenção envolve o avanço do fenômeno climático El Niño, que pode afetar principalmente a produção de café robusta no Sudeste Asiático: “Se tivermos uma queda de produção de robusta no sudeste asiático, vai forçar a demanda para o arábica e alterar o equilíbrio. Mas precisamos esperar”, explicou.

    Guerra no Oriente Médio pressiona fretes

    O cenário logístico global também preocupa o mercado cafeeiro. Conforme Perk, a guerra no Oriente Médio e o fechamento do Estreito de Ormuz elevaram em cerca de 30% os custos do frete marítimo.

    Segundo ele, o comportamento dos preços dependerá diretamente dos impactos da guerra sobre os custos globais de energia. Dessa forma, o mercado pode tanto continuar sustentando os atuais níveis de preços quanto limitar eventuais quedas provocadas pelo aumento da oferta.

    Consumo segue resiliente

    Durante o painel do seminário, Perk descartou uma possível retração relevante na demanda mundial por café. Na avaliação dele, o consumo segue resiliente, mesmo diante dos preços elevados, e mantém tendência de crescimento.

    A visão é compartilhada por Danilo Pucci, CEO da Volcafé Brasil. Participando do mesmo debate, o executivo afirmou que o consumo só se tornaria motivo de preocupação diante de uma disparada extrema nos preços, semelhante ao ocorrido recentemente no mercado de cacau.

    “A minha maior preocupação é o clima, com El Niño. E o impacto pode ser maior no robusta do que no arábica”, concluiu.

  • Embrapa e parceiros promovem Agro Summit Amazônia

    Embrapa e parceiros promovem Agro Summit Amazônia

    A 13ª edição da Rondônia Rural Show Internacional 2026 contará com uma novidade voltada à ciência e inovação no agronegócio amazônico. Pela primeira vez, a Embrapa Rondônia e instituições parceiras promovem o Agro Summit Amazônia: Inovação e Novas Fronteiras para Agropecuária Amazônica.

    O evento acontecerá entre os dias 25 e 30 de maio, no Centro Tecnológico Vandeci Rack, em Ji-Paraná (RO). A proposta é aproximar produtores, pesquisadores e empresários das principais tecnologias desenvolvidas para a realidade produtiva da Amazônia.

    A programação contará com dois ambientes principais: o Espaço Inovação e a Vitrine de Tecnologias. Ambos terão atividades presenciais e transmissões online.

    Espaços terão palestras, workshops e demonstrações

    O Espaço Inovação funcionará no Pavilhão Empresarial Internacional do Governo de Rondônia. O local receberá palestras, painéis técnicos, mesas-redondas e maratonas de inovação, além da participação de startups do agro, conhecidas como Agtechs.

    Já a Vitrine de Tecnologias, instalada no estande da Embrapa, exibirá soluções práticas para o campo. O público poderá acompanhar demonstrações de cultivares adaptadas à região amazônica, tecnologias para pecuária de corte e leite, além de variedades de grãos mais resistentes às mudanças climáticas.

    Também estão previstas degustações de produtos regionais, como café, cacau, mandioca e mel.

    Entre os destaques da programação estão debates sobre pecuária sustentável, técnicas modernas para produção de café e cacau, além do uso da espectrometria na identificação de fraudes e definição de “terroirs” do café.

    Piscicultura e sustentabilidade ganham destaque

    A piscicultura amazônica também terá espaço especial durante o evento. Especialistas discutirão o mercado de peixes nativos da Amazônia e os desafios da produção sustentável.

    Além disso, o público acompanhará o lançamento do projeto “Amazônia Mais Robusta”, a apresentação dos resultados do projeto “CarbCafé” e a estreia do minidocumentário “Robustas Amazônicos: Café, Orgulho e Identidade”.

    A chefe-geral da Embrapa Rondônia, Lucia Wadt, destacou a importância do evento para o fortalecimento do agro na região Norte.

    “Teremos uma programação especial para mostrar como a ciência modifica a realidade da agropecuária Amazônica, familiar e empresarial”, afirmou. “Todas as atrações serão gratuitas e abertas ao público.”

    Café amazônico apresenta resultados promissores

    Outro ponto forte da programação será a apresentação dos avanços da Rede Estadual de Avaliação de Clones de Café em Rondônia, conhecida como Rede Café.

    O projeto reúne 64 clones de Robustas Amazônicos selecionados com participação direta dos produtores rurais. A pesquisa avalia produtividade, resistência climática, qualidade da bebida e tolerância a pragas.

    Segundo o pesquisador Alexsandro Lara Teixeira, os resultados já surpreendem.

    “Na primeira colheita, em 2024, 20% dos clones alcançaram produtividades superiores a 85 sacas por hectare”, explicou. “As análises da colheita de 2025 têm valores superiores a 200 sacas por hectare.”

    Cafeicultura amazônica ganha destaque com clones de Robustas Amazônicos que apresentam alta produtividade e resistência climática — (Foto: Reprodução/Embrapa)

    Evento também terá publicações e oficinas gratuitas

    Os visitantes poderão acessar gratuitamente livros, aplicativos e materiais técnicos produzidos pela Embrapa. Entre os destaques está a publicação “Sistemas Integrados e bem-estar animal no contexto das mudanças climáticas”.

    A pesquisadora Ana Karina Dias Salman explicou que o material apresenta soluções sustentáveis para reduzir impactos ambientais no agro amazônico.

    As oficinas terão vagas limitadas e as inscrições poderão ser feitas diretamente nos espaços da Embrapa e da Sedec. Além disso, as atividades serão transmitidas ao vivo pelos canais oficiais da Embrapa no YouTube.

  • Expedição leva ciência e inovação para pequenos produtores de café em Mato Grosso

    Expedição leva ciência e inovação para pequenos produtores de café em Mato Grosso

    A Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer) e a Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf-MT) lançam a Expedição Rota do Café – MT: “Pelos Caminhos do Café Mato-grossense”. O circuito itinerante de encontros técnicos leva resultados de pesquisas diretamente aos cafeicultores familiares das regiões Norte e Noroeste do estado.

    A programação começa por Colniza e segue para Aripuanã, Cotriguaçu, Juína, Nova Bandeirantes e Nova Monte Verde. Estes municípios destacam-se como referências na produção de café robusta em Mato Grosso.

    Atualmente, o estado produz cerca de 270 mil sacas por ano em mais de 30 municípios. A agricultura familiar e a assistência técnica rural impulsionam este crescimento, colocando Mato Grosso entre os estados com maior potencial para produção de cafés robustas, segundo pesquisadores da Empaer.

    Pesquisadores compartilham conhecimento técnico no campo

    Na reunião de planejamento nesta semana, a equipe de pesquisadores apresentou o roteiro da expedição à secretária da Seaf, Andreia Fujioka, e ao presidente da Empaer, Suelme Fernandes. Durante os encontros, técnicos e pesquisadores compartilharão resultados de pesquisas sobre validação de clones de café robusta mais adaptados às condições locais.

    Foto: Assessoria Empaer

    “A proposta é levar mais conhecimento ao produtor. O projeto busca estimular a adoção de tecnologias, melhorar a produtividade e garantir qualidade ao café produzido nas pequenas áreas rurais”, explica a engenheira agrônoma e pesquisadora em Sistemas Produtivos da Empaer, Danielle Müller.

    O presidente da Empaer, Suelme Fernandes, reforça o compromisso da instituição: “Nosso compromisso é transformar a pesquisa em ações práticas que beneficiem diretamente o agricultor familiar. Cada etapa da programação foi pensada para transformar conhecimento em ação. Queremos inspirar o produtor a ver o potencial do nosso café”.

    Instituições se unem para fortalecer cafeicultura familiar

    A Rota do Café reúne parceiros institucionais que oferecem suporte técnico, científico e logístico às atividades. Participam da iniciativa a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), prefeituras municipais, sindicatos rurais, associações de produtores, cooperativas e instituições de ensino e pesquisa.

    “Entre os resultados esperados estão a integração entre pesquisa, extensão rural e produtores, a ampliação das oportunidades de comercialização e a valorização da identidade do café mato-grossense”, afirma a engenheira agrônoma e pesquisadora em Sistemas Produtivos da Empaer, Dalilhia Nazaré dos Santos.

    A secretária da Seaf, Andreia Fujioka, destacou a importância da união entre as instituições: “Acreditamos que o fortalecimento da agricultura familiar passa pela união entre instituições e produtores. Projetos como este reforçam o compromisso do Estado em gerar conhecimento, qualidade e renda para quem vive do que produz”.

    Qualidade e renda garantem permanência no campo

    Para a agricultura familiar, os benefícios vão além do aumento da produtividade. A expectativa da expedição é consolidar a marca “Café de Mato Grosso” como produto de origem, qualidade e valor social. Assim, gerarrenda e incentivando a permanência das famílias no campo.

    “Com assistência técnica, acesso à inovação e orientação adequada de manejo, pequenos produtores têm a oportunidade de produzir mais e melhor. Antes visto como cultura secundária em algumas regiões, o café ganha protagonismo na economia rural do estado”, pontua o engenheiro agrônomo e pesquisador em Solos da Empaer, Wininton Mendes.

    A inscrição para o evento é gratuita e está disponível no link da Empaer: https://forms.gle/GXBT2Ro8WGZfmn3N9

    Confira a programação completa

    Colniza: 11/3 (qua) – Câmara Municipal, 7h às 11h45;

    Aripuanã: 12/3 (qui) – Balneário Oasis, 7h às 11h45;

    Cotriguaçu: 25/3 (qua) – Centro de Eventos, 7h às 11h45;

    Juína: 26/3 (qui) – Barracão da Feira Municipal, 7h às 11h45;

    Nova Bandeirantes: 08/4 (qua) – local a definir, 7h às 11h45;

    Nova Monte Verde: 09/4 (qui) – Estância Villa Bella, 7h às 11h45.

  • Café robusta cresce no Brasil enquanto arábica sofre com clima

    Café robusta cresce no Brasil enquanto arábica sofre com clima

    O café que os brasileiros conhecem há gerações pode estar mudando sem que ninguém perceba. Enquanto secas intensas e temperaturas recordes castigam as tradicionais regiões cafeeiras do país, uma revolução silenciosa acontece nas lavouras: o robusta, um grão mais amargo e resistente, cresce a passos largos e ameaça destronar o reinado do suave arábica.

    Foto: Enrique Alves/Embrapa

    Nos últimos dez anos, a produção de robusta explodiu mais de 81% no Brasil, segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Enquanto isso, o arábica,que sempre foi a estrela das exportações brasileiras, patina com crescimento modesto de 2% a 2,5% ao ano.

    Clima extremo empurra produtores para o “plano B”

    A história por trás dessa mudança não é de escolha, mas de necessidade. Fernando Maximiliano, gerente de inteligência de mercado de café da StoneX, é direto: “Não foi necessariamente a demanda que resultou no crescimento da produção de robusta. Na realidade, os problemas climáticos e as perdas na safra de arábica foram os principais fatores.”

    As regiões tradicionais de cultivo estão sendo assoladas por secas mais frequentes e calor extremo — condições que o delicado arábica simplesmente não aguenta. O robusta, por outro lado, tolera temperaturas mais altas e resiste melhor a doenças, tornando-se a apólice de seguro dos cafeicultores brasileiros.

    A safra deste ano ilustra bem essa tendência: enquanto o arábica cresceu timidamente, o robusta registrou um salto de quase 22%, batendo recordes de produção, conforme análise da StoneX.

    Tecnologia verde nas plantações

    Em regiões mais quentes onde o arábica já não consegue sobreviver, produtores tão inovando com técnicas agroflorestais. Jonatas Machado, diretor comercial da Café Apuí, explica a estratégia: plantar pés de café à sombra de árvores nativas.

    “Dessa forma, ele permanecerá produtivo, ficará um pouco mais úmido, para não degradar tão facilmente”, conta Machado, cuja empresa produz robusta em sistema agroflorestal na Amazônia.

    Essa abordagem não apenas protege as plantas do calor escaldante, mas também contribui pra preservação ambiental. Um diferencial importante num mercado cada vez mais exigente com sustentabilidade.

    Brasil ameaça liderança vietnamita

    O Vietnã ainda é o maior produtor mundial de robusta, mas analistas do Rabobank acreditam que o Brasil pode ultrapassar o país asiático em breve. O trunfo brasileiro? Uma cadeia de suprimentos bem estruturada e experiência centenária no mercado de café.

    Foto: Gilberto Marques / Secretaria da Agricultura do Estado de SP

    Para o Brasil, essa transição representa mais que uma adaptação: é a garantia de permanecer como maior fornecedor mundial de café mesmo com as mudanças climáticas se intensificando.

    O gosto do seu café vai mudar?

    Tecnicamente, sim. O robusta tem mais cafeína e um sabor mais forte e amargo comparado ao arábica. Mas aqui entra um detalhe curioso: pode ser que você nem perceba a diferença.

    Matthew Barry, gerente de insights da Euromonitor International, observa que as gerações mais jovens não ligam tanto pra origem ou tipo de café. “Eles não se importam tanto com as origens, as notas de degustação”, explica. A preferência é por bebidas personalizadas, aqueles cafés cheios de leite, cremes e xaropes que mascaram o sabor natural dos grãos.

    Se os preços continuarem subindo (e tudo indica que sim), o robusta pode se tornar ainda mais atrativo por custar menos que o arábica.

    Europa pode acelerar a mudança

    Uma nova legislação europeia pode dar um empurrão extra no robusta. A lei exigirá certificação de que commodities importadas não vem de áreas recentemente desmatadas. Mas o café instantâneo, feito principalmente com robusta, estará isento dessa regra.

    Foto: Wenderson Araujo/Trilux/Sistema CNA/Senar

    Esse detalhe regulatório pode aumentar significativamente a demanda por produtos à base de robusta, segundo análise do Rabobank. Vale lembrar: a União Europeia consome quase 50% de todo café instantâneo vendido no mundo, de acordo com a Grand View Research.

    Mais dinheiro no bolso do produtor

    Embora tradicionalmente mais barato que o arábica, o robusta atingiu preços recordes recentemente. Combinando preços altos com produtividade quase duas vezes maior que o arábica, não é surpresa que mais cafeicultores estejam fazendo a transição.

    “Os produtores de robusta também estão melhorando a qualidade de seus grãos”, afirma Alexsandro Teixeira, pesquisador da Embrapa. Essa melhoria tornou a variedade mais atraente pros consumidores e impulsionou ainda mais os preços.

    A rentabilidade é simples: mais café por hectare, custos menores de produção e preços competitivos. Para muitos agricultores enfrentando prejuízos com o arábica, o robusta se tornou não apenas uma alternativa, mas a única opção viável.

    O futuro na xícara

    A transformação do café brasileiro é um microcosmo das mudanças climáticas globais. Tradições centenárias dão lugar à adaptação forçada. O sabor muda, as técnicas evoluem, mas o cafezinho de todo dia continua. Talvez um pouco mais amargo, mas definitivamente mais resiliente.

    Para os consumidores, a mensagem é clara: prepare-se para um café diferente. Para os produtores, a lição já foi aprendida: ou se adapta, ou desaparece.

  • Boletim Agro em Campo: arroz cai 51,4% em 1 ano, café oscila

    Boletim Agro em Campo: arroz cai 51,4% em 1 ano, café oscila

    Arroz

    O Indicador do arroz em casca CEPEA/IRGA-RS fechou outubro em R$ 58,00 a saca de 50 quilos, queda de 6,2% frente a setembro. Na comparação com outubro de 2024, a baixa chegou a 51,4% em termos nominais, refletindo oferta mais folgada e demanda mais lenta.

    Indústrias relataram forte redução nas vendas entre setembro e outubro e, por isso, compraram apenas para repor estoques imediatos. Além disso, agentes permaneceram atentos às medidas anunciadas pela Conab e, por cautela, retardaram novas aquisições.

    Café

    O Cepea apurou forte oscilação nos preços do café arábica e do robusta ao longo de outubro, em cenário ainda indefinido no comércio externo. Produtores reduziram as vendas no spot e priorizaram negócios pontuais, o que limitou a liquidez no mercado interno.

    Houve atenção do setor à possível retirada do café da lista de produtos brasileiros com tarifação extra pelos Estados Unidos, mas nada foi definido. Assim, agentes seguiram cautelosos e observaram o câmbio, a oferta ajustada e o clima no Brasil e no Vietnã.

    As chuvas de primavera favoreceram lavouras de arábica e melhoraram o robusta no Espírito Santo; porém, floradas da safra 2026/27 ainda dependem de novas precipitações para bom pegamento.

    Algodão

    O preço médio do algodão em pluma medido pelo Indicador CEPEA/ESALQ ficou em R$ 3,5176 por libra-peso em outubro, queda de 5,16% sobre setembro. Em relação a outubro do ano anterior, o recuo foi de 12,7%, levando a média ao menor nível em 16 anos, deflacionada pelo IGP-DI.

    O Cepea atribuiu o movimento à oferta nacional recorde, ao consumo doméstico e externo contidos e às cotações internacionais e do dólar em patamares mais baixos. Com isso, as negociações no spot ocorreram de forma pontual, enquanto muitos agentes focaram no cumprimento de contratos a termo e no plantio da nova temporada.

    Fonte: CEPEA/USP – 05/11/2025

    Resumo final

    • Café segue volátil por incerteza tarifária nos EUA, clima e oferta ajustada, o que reduz liquidez no spot.

    • Arroz no RS encerra outubro a R$ 58/saca, 51,4% abaixo de um ano antes, com indústria comprando só para reposição.

    • Algodão registra média mais baixa desde 2009 diante de oferta recorde e demanda limitada.

  • Café robusta amazônico conquista mercado internacional

    Café robusta amazônico conquista mercado internacional

    A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) recebe dez compradores internacionais em Rio Branco neste sábado e domingo (2 e 3 de novembro) para a primeira etapa da edição Cafés Especiais do programa Exporta Mais Brasil. A iniciativa marca o início de uma agenda estratégica para ampliar a presença do café brasileiro de alta qualidade no mercado global.

    Os visitantes estrangeiros, vindos da América do Sul, América do Norte, Europa, Oriente Médio, Ásia e África, participam de visitas técnicas a fazendas e cooperativas que produzem café robusta amazônico. A programação inclui ainda atividades de cupping e encontros de negócios diretos com produtores do Acre e de Rondônia.

    “A Amazônia tem mostrado ao Brasil e ao mundo seu potencial para produzir cafés especiais, combinando tradição, tecnologia e sustentabilidade. Iniciar a agenda do Exporta Mais Brasil no Acre é um reconhecimento da força do nosso estado na produção de cafés diferenciados e de origem amazônica”, afirma Jorge Viana, presidente da ApexBrasil.

    Governo Federal apoia setor cafeeiro com abertura de 500 mercados

    A iniciativa integra o esforço do Governo Federal para apoiar o setor cafeeiro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já realizou mais de 18 encontros internacionais em parceria com a ApexBrasil e o Itamaraty, o que resultou na abertura de cerca de 500 novos mercados para produtos brasileiros.

    A ação também faz parte das medidas de diversificação de mercados voltadas a exportadores brasileiros afetados pelas tarifas dos Estados Unidos. O programa reforça o compromisso com a sustentabilidade e incentiva a geração de renda para produtores rurais na Amazônia, alinhando-se ao contexto da COP30.

    Produção amazônica cresce 4,6% ao ano

    Segundo dados do IBGE, a região amazônica ampliou sua produção de café robusta em 4,6% ao ano desde 2019. Portanto, um desempenho muito superior à média nacional de 1,6%. Os produtores alcançaram esse avanço por meio de ganhos de produtividade, o que reforça o papel sustentável da região na cafeicultura.

    A produtividade regional apresentou forte crescimento, com alta anual de 9,7% em Rondônia e 9,1% no Acre desde 2019.

    Agenda segue para Minas Gerais e Espírito Santo

    Após a etapa do Acre, o programa segue para Minas Gerais e Espírito Santo. O grupo de compradores receberá novos integrantes e totalizará 24 participantes vindos da América do Norte e do Sul, Europa, Oriente Médio e Ásia.

    Entre 4 e 6 de novembro, os visitantes participam da Semana Internacional do Café (SIC) em Belo Horizonte (MG). Esse é um dos principais eventos do setor, aberto a produtores de cafés arábica, robusta e conilon de todo o Brasil. A jornada se encerra entre 9 e 14 de novembro nas regiões de Matas de Minas (MG) e Caparaó (MG/ES), reconhecidas nacionalmente pela produção de cafés especiais.

    O Exporta Mais Brasil conta com o apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae Nacional). Nesta edição, a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) e associações regionais de produtores também apoiam a iniciativa: Conselho das Entidades de Café de Matas de Minas, Associação de Produtores de Cafés Especiais do Caparaó (APEC) e Cafeicultores Associados da Região de Matas de Rondônia (CAFERON).

    Exportações crescem 456 vezes em dois anos

    A ApexBrasil tem desempenhado papel decisivo na ampliação das exportações de robusta amazônico por meio de ações estratégicas de promoção comercial. Em agosto de 2023, a Agência levou 20 compradores de 11 países a Cacoal (RO), onde eles se reuniram com 23 produtores locais. A missão resultou em R$ 8 milhões em negócios até 2024.

    A Luckin Coffee, maior rede de cafeterias da China, estava entre os compradores presentes. A visita marcou o início de uma parceria estratégica que culminou, em junho de 2024, na assinatura de um acordo para fornecimento de até 120 mil toneladas de café brasileiro, no valor de US$ 500 milhões.

    O sucesso da cooperação abriu caminho para um novo acordo, firmado para a compra de 240 mil toneladas do grão brasileiro entre 2025 e 2029, estimado em US$ 2,5 bilhões. A ApexBrasil articulou a negociação em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

    “Iniciativas como essa têm impulsionado significativamente o crescimento das exportações nacionais que incluem não apenas o robusta amazônico, mas também outros tipos de café, como o arábica. Nesse sentido a agenda segue para Minas Gerais e, em seguida Espírito Santo”, ressalta Jorge Viana.

    O volume exportado pela região Norte saltou de US$ 18 milhões em 2023 para US$ 131 milhões em 2024. Um aumento de sete vezes em relação ao ano anterior e 456 vezes superior ao registrado em 2022, quando as exportações totalizaram US$ 287 mil.

    Sobre o Exporta Mais Brasil

    A ApexBrasil criou o programa Exporta Mais Brasil para aproximar o comércio exterior de empreendedores de todas as regiões do país e potencializar exportações e oportunidades de negócios. Empresas de diferentes setores participam de rodadas de negócios, missões comerciais e ações de promoção internacional que conectam diretamente produtores brasileiros a compradores estrangeiros.

    Entre 2023 e 2024, o programa realizou 28 edições, apoiou 875 empresas brasileiras, promoveu a vinda de 305 compradores internacionais de 65 países e gerou R$ 553 milhões em negócios. As ações consolidam o Brasil como um dos principais fornecedores de produtos de alto valor agregado no mercado global.