Tag: Café arábica

  • Colheita de arábica salta a 87% no Cerrado Mineiro; entenda o que preocupa os produtores agora

    Colheita de arábica salta a 87% no Cerrado Mineiro; entenda o que preocupa os produtores agora

    Tempo firme e ausência de chuvas favorece avanço da colheita nas propriedades associadas à Expocacer, mas técnicos pedem atenção redobrada ao café de chão

    A colheita de café arábica avançou para 87% no Cerrado Mineiro até a última sexta-feira, 21 de agosto, segundo levantamento da Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer). O ritmo ficou levemente atrás do observado no mesmo período do ano passado, quando uma safra menor permitiu que os produtores associados concluíssem 90% da colheita.

    Do total colhido até agora, os produtores já beneficiaram cerca de 70% da produção, com rendimento médio de 495 litros por saca de 60 kg beneficiada.

    Técnicos de campo da Expocacer atribuem o avanço dos trabalhos à estabilidade do tempo. Condições firmes e a ausência de chuvas nas últimas semanas permitiram maior continuidade das operações de colheita nas lavouras da região.

    Qualidade do café e colheita de chão exigem atenção

    Na semana passada, a cooperativa registrou um elevado percentual de catação nos cafés recebidos reflexo direto do avanço da colheita de chão. O indicador voltou a subir e já supera 20% no período.

    Diante desse cenário, os técnicos orientam os produtores a priorizar a colheita do café que caiu no chão nas próximas semanas. Eles recomendam aproveitar o período de tempo seco para concluir essa etapa antes do retorno das chuvas. O que reduz o risco de perdas de produção e de qualidade dos frutos.

    “É importante aproveitar o período de tempo firme para avançar e, sempre que possível, concluir essa operação antes de um eventual retorno das chuvas, reduzindo os riscos de perdas de produção e de qualidade dos frutos que permanecem no solo”, explicam os técnicos.

    Os especialistas também recomendam que os produtores acompanhem de perto as previsões meteorológicas.

    Manejo da irrigação pede ajustes neste período

    Nas áreas irrigadas, a cooperativa recomenda atenção redobrada ao manejo da irrigação, com ajuste das lâminas de acordo com a evapotranspiração e as condições de cada propriedade.

    Segundo os técnicos da Expocacer, este período do ano concentra elevada demanda hídrica e altas taxas de evapotranspiração. Por isso, um fornecimento adequado de água se torna essencial para manter o vigor das plantas. Além de preservar o enfolhamento e garantir boas condições para o pegamento da próxima florada.

    Os técnicos também recomendam que os produtores monitorem e controlem pragas com potencial de causar desfolha, preservando a área foliar das plantas para o próximo ciclo produtivo.

    Como estão as condições climáticas no Cerrado Mineiro

    O período mais recente manteve o cenário predominantemente seco na região de atuação da Expocacer, sem registro de chuvas nos municípios acompanhados. O quadro reforça a baixa disponibilidade hídrica observada nas últimas semanas.

    Para os próximos dias, a previsão não indica mudanças significativas no padrão meteorológico, sem chuvas esperadas até 25 de agosto. As temperaturas máximas devem variar entre 23°C e 32°C, e as mínimas entre 15°C e 20°C. O período deve registrar uma leve elevação das mínimas em alguns dias e uma tendência de queda das máximas até 26 de agosto.

  • Brasil vai escolher os melhores cafés conilon e robusta em concurso internacional

    Brasil vai escolher os melhores cafés conilon e robusta em concurso internacional

    A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) lançou o The Best of Canephora Brazil 2026, primeiro concurso internacional dedicado exclusivamente aos cafés especiais da espécie Coffea canephora, que reúne conilon e robusta.

    Produtores brasileiros vinculados ao projeto Brazil The Coffee Nation podem inscrever amostras da safra 2026 até 3 de setembro. Os melhores lotes serão selecionados por especialistas brasileiros e estrangeiros e, posteriormente, comercializados em um leilão internacional.

    A competição é organizada pela BSCA em parceria com a Alliance for Coffee Excellence (ACE) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).

    Concurso terá duas categorias

    O The Best of Canephora Brazil segue o modelo do Cup of Excellence, tradicional competição voltada aos cafés arábica.

    As inscrições estão divididas em duas categorias:

    • Processo Clássico: frutos secos com casca ou despolpados/desmucilados;
    • Processo Experimental: cafés canéforas submetidos à fermentação induzida, sem adição de substâncias externas ao café.

    Entre 7 e 11 de setembro, juízes brasileiros avaliarão os lotes na sede da BSCA, em Varginha (MG).

    Serão analisados critérios como tipo, cor, aspecto, umidade, atividade de água, defeitos e qualidade da bebida, seguindo protocolo internacional específico para canéforas.

    As 24 amostras que alcançarem pelo menos 83 pontos, em uma escala de zero a 100, avançarão para a Fase Internacional.

    Nessa etapa, juízes estrangeiros virão ao Brasil para selecionar os 10 melhores cafés da safra, com no máximo cinco vencedores por categoria.

    Vencedores irão a leilão internacional

    Os cafés vencedores serão comercializados em um leilão internacional presencial em 29 de novembro, durante a cerimônia de premiação em Cacoal (RO).

    Cada lote terá preço mínimo de US$ 9 por kg, equivalente a US$ 9 mil por tonelada.

    Segundo a BSCA, o valor é 140% superior à cotação de US$ 3.702 por tonelada registrada na Bolsa de Londres em 20 de agosto, referência internacional para os cafés canéforas.

    Para o diretor executivo da BSCA, Vinicius Estrela, a competição também busca ampliar a visibilidade internacional das diferentes origens produtoras brasileiras.

    “Os constantes investimentos em pesquisa, tecnologia e inovação realizados pelos produtores de canéforas no Brasil subiram o sarrafo da qualidade”, afirma Estrela.

    De acordo com o diretor, o país já produz cafés 100% robusta ou conilon de alta qualidade para consumo sem mistura com arábica, enquanto anteriormente esses grãos eram utilizados principalmente em blends.

    Produtores e empresas interessados podem consultar o regulamento e realizar a inscrição no site da BSCA.

    Cup of Excellence também recebe inscrições

    A BSCA também recebe, até 3 de setembro, inscrições para o Cup of Excellence Brazil 2026, concurso internacional de qualidade voltado aos cafés arábica especiais.

    Podem participar cafeicultores e empresas vinculados ao Brazil The Coffee Nation com cafés da safra 2026/27.

    Na edição anterior, o leilão virtual dos vencedores durou cerca de nove horas e movimentou R$ 1,8 milhão, com preço médio de R$ 15 mil por saca de 60 kg.

    O lote campeão chegou a R$ 46.803,11 por saca. Os cafés foram adquiridos por compradores da Arábia Saudita, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, Japão, Malásia, Noruega e Brasil.

  • Evento une Brasil, EUA, Colômbia e Vietnã para debater rumo do café

    Evento une Brasil, EUA, Colômbia e Vietnã para debater rumo do café

    Representantes do maior mercado consumidor de café do planeta se juntam a líderes de dois dos principais países produtores do grão nos dias 20 e 21 de agosto, em Vitória, no ES. 

    O Vitória Coffee Summit 2026 reunirá autoridades de todo setor cafeeiro do Brasil, Estados Unidos, Colômbia e do Vietnã. O objetivo é debater os rumos da cafeicultura mundial.

    O Centro do Comércio do Café de Vitória (CCCV) organiza o evento, que recebe nesta edição Bill Murray, presidente da National Coffee Association (NCA), entidade que representa a indústria e os importadores de café dos Estados Unidos. Também participam Francisco Gómez, presidente do Conselho da Associação Colombiana de Exportadores de Café (Asoexport), e Nguyen Nam Hai, presidente da Vietnam Coffee-Cocoa Association (VICOFA), principal entidade do setor cafeeiro vietnamita.

    Encontro reúne consumidor e maiores produtores

    Marcus Magalhães, curador técnico do evento e uma das principais referências em inteligência de mercado para o setor, destaca o ineditismo do encontro em território nacional. Pela primeira vez no Brasil, representantes do principal mercado consumidor de café, os EUA, se reúnem com líderes dos três maiores produtores mundiais: Brasil, Colômbia e Vietnã.

    O presidente do CCCV, Fabrício Tristão, lista os temas que vão nortear os painéis do evento. O cenário geopolítico internacional, os efeitos do El Niño e das mudanças climáticas, o andamento da colheita brasileira, a busca por novos mercados internacionais, a sustentabilidade, as boas práticas agrícolas e as transformações nos hábitos de consumo.

    “O café vive um momento de transformação profunda. O mercado internacional mudou, o consumidor mudou e a dinâmica dos negócios também mudou. Hoje, não basta produzir bem. É preciso compreender cenários, antecipar movimentos e construir conexões estratégicas.”

    Executivos de peso confirmam presença

    Magalhães também ressalta a participação de nomes relevantes da indústria, como Tina Cação, diretora de Vendas da JDE Peet’s Brasil. A empresa figura entre as maiores companhias de café do mundo e detém marcas como L’OR, Pilão, Café do Ponto, Caboclo e Pelé.

    Como agência da Organização Internacional do Café (OIC), o CCCV certifica a origem das exportações do Espírito Santo, maior produtor nacional da variedade conilon e estado que também expande o cultivo do café arábico.

    A entidade elabora estatísticas de exportação e de preços praticados no estado, realiza a cotação diária do café e oferece cursos de classificação e degustação. São iniciativas que reforçam a qualificação técnica e o fortalecimento da cadeia produtiva capixaba.

    Serviço

    • Vitória Coffee Summit 2026

    • Datas: 20 e 21 de agosto

    • Local: Cais das Artes, Enseada do Suá, Vitória (ES)

  • Colheita de café arábica no Cerrado Mineiro já chega a 81%

    Colheita de café arábica no Cerrado Mineiro já chega a 81%

    A colheita de café arábica no Cerrado Mineiro avançou para 81% até o dia 14 de agosto, segundo o boletim técnico semanal da Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer). O predomínio de tempo seco e firme favoreceu as operações no campo e garantiu mais continuidade e agilidade aos trabalhos.

    Os produtores já beneficiaram cerca de 63% do café colhido na região, com rendimento médio de 500 litros de café em coco para cada saca de 60 kg beneficiada. O tempo seco da semana passada permitiu que as operações de campo ganhassem ritmo, sem as interrupções comuns em períodos chuvosos.

    Café de chão preocupa e exige atenção redobrada

    Os técnicos da Expocacer registraram novo aumento no percentual de café de cataçã, ou seja, aquele colhido diretamente do chão, que já representa pouco mais de 20% do total da safra. Esse crescimento acompanha o avanço da colheita nas etapas finais em diversas áreas da região.

    Diante desse cenário, os especialistas recomendam que os produtores priorizem a retirada dos frutos ainda presentes nas plantas e intensifiquem o recolhimento dos grãos caídos no solo. Segundo eles, essas ações se tornam ainda mais urgentes com a possibilidade de retorno das chuvas, já que o aumento da umidade pode comprometer tanto o andamento dos trabalhos quanto a qualidade final do produto.

    Pós-colheita e monitoramento de pragas entram no radar

    Os técnicos da cooperativa reforçam também a importância de executar os manejos pós-colheita no momento certo. Essa é uma etapa fundamental para a recuperação das plantas e a preparação delas para o próximo ciclo produtivo.

    O monitoramento de pragas ganha destaque neste período. Isso porque a combinação de tempo seco com temperaturas mais altas favorece o desenvolvimento e o crescimento das populações no campo. Os especialistas pedem atenção especial ao bicho-mineiro e ao ácaro-vermelho, com acompanhamento frequente das lavouras para identificar focos logo no início e definir o manejo mais adequado para cada situação.

    Nas áreas irrigadas, a baixa disponibilidade hídrica e as temperaturas elevadas exigem cuidado redobrado com o manejo da irrigação. Os técnicos orientam os produtores a monitorar a umidade do solo e a demanda hídrica das plantas, ajustando lâminas e turnos de rega conforme as condições de cada área. Uma estratégia que otimiza o uso da água e prepara melhor as lavouras para o ciclo seguinte.

    Previsão do tempo reforça tendência de estiagem

    Na semana passada, o tempo firme predominou na região de Patrocínim, com baixa ocorrência de chuvas. Entre os municípios monitorados pela Expocacer, apenas Uberaba registrou precipitação, com um acumulado de 0,3 milímetro.

    A previsão indica continuidade do tempo seco até o dia 20 de agosto, sem chuvas para os municípios acompanhados. As temperaturas máximas devem variar entre 28°C e 30°C, enquanto as mínimas seguem em queda gradual, oscilando entre 8°C e 15°C nos próximos dias.

    Esse padrão climático favorece tanto a conclusão da colheita quanto o processo de secagem dos grãos. Ou seja, permitindo que produtores mantenham o ritmo das atividades no campo e nos terreiros. Os técnicos reforçam ainda que este é o momento ideal para retirar os frutos remanescentes das plantas e recolher o café de chão, aproveitando a janela de tempo seco.

    Por outro lado, a extensão do período sem chuvas pode intensificar a perda de umidade do solo. Um fator que exige atenção especial nas áreas mais suscetíveis ao déficit hídrico.

  • Café dispara em julho mesmo com avanço da colheita

    Café dispara em julho mesmo com avanço da colheita

    Os preços do café subiram em julho, apesar do avanço da colheita brasileira da safra 2026/27. A colheita do café arábica se aproxima do fim nas principais regiões produtoras. Enquanto isso, os trabalhos com o café robusta estão praticamente encerrados.

    Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), as duas variedades registraram valorização. No entanto, as chuvas nas regiões produtoras de arábica impulsionaram principalmente as cotações durante julho. As precipitações aumentaram as preocupações sobre o ritmo da colheita e a qualidade dos grãos.

    Colheita de arábica entra na reta final

    De acordo com agentes consultados pelo Cepea, cerca de 20% da área ainda aguarda a colheita. Na maior parte das regiões produtoras, os trabalhos já avançaram para a etapa final.

    Nesse cenário, produtores concentram os esforços no recolhimento do café do chão. Além disso, as equipes trabalham na colheita dos últimos talhões de café arábica.

    Robusta também registra alta nos preços

    O café robusta também apresentou valorização dos preços durante julho. A alta ocorreu mesmo com o aumento da oferta provocado pela finalização da colheita. Segundo o Cepea, entretanto, o volume colhido de robusta ficou abaixo do registrado nesta temporada.

    Esse cenário ajudou a sustentar os preços da variedade. Além disso, a valorização do café arábica também contribuiu para manter os preços do robusta em alta. Assim, mesmo com a colheita avançando, o mercado brasileiro de café registrou preços maiores em julho.

  • Estimativa de clima seco no Brasil derruba preços do café

    Estimativa de clima seco no Brasil derruba preços do café

    Os contratos futuros de café arábica com vencimento em setembro (KCU26) fecharam nesta terça-feira (21) em queda de 0,75%, recuo de 2,45 pontos, na Intercontinental Exchange (ICE) em Nova York. O robusta para o mesmo mês (RMU26), negociado em Londres, caiu 1,70%, ou 66 pontos.

    As atualizações das previsões meteorológicas retiraram a expectativa de chuvas nesta semana nas regiões produtoras do Brasil e reacenderam a possibilidade de aceleração da colheita, o que pressionou as cotações após um início de pregão em alta.

    Mercado abre em alta, mas perde fôlego ao longo do dia

    O pregão desta terça começou com o arábica valorizado na ICE Futures US: o contrato de setembro chegou a operar a 328,45 centavos de dólar por libra-peso, alta de 390 pontos, enquanto o vencimento de dezembro avançava 445 pontos, a 313,90 centavos. No mercado físico brasileiro, o indicador Cepea/Esalq também abriu em alta, com a saca de 60 kg do arábica cotada a R$ 1.753,28 em São Paulo, valorização de 2,40% no dia. O robusta, no entanto, já refletia a pressão da elevação dos estoques e recuava 0,56%, para R$ 1.104,56 a saca.

    Analistas atribuem a virada dos preços ao longo do pregão à atualização das previsões climáticas, que passaram a indicar predomínio de tempo seco até o fim de julho na maior parte das áreas produtoras do Sudeste e da Bahia, com apenas pancadas isoladas entre o sul do Espírito Santo e o sul da Bahia. A perspectiva de estiagem favorece o avanço dos trabalhos de campo e reduz o temor de novos atrasos na colheita.

    Aumento dos estoques da ICE pressiona o robusta

    A elevação dos estoques certificados também pesa sobre o robusta. Na segunda-feira (20), o volume disponível na ICE atingiu uma máxima de 3,75 meses, com 4.239 lotes. Ou seja, uma recuperação expressiva frente à mínima de dois anos registrada em 15 de maio, quando os estoques somavam apenas 3.631 lotes. Já os estoques de arábica seguem em trajetória oposta: caíram a uma mínima de 2,25 anos nesta terça, com 328.759 sacas, o que ajuda a sustentar o preço da variedade.

    Apesar da queda desta terça, o atraso da colheita brasileira continua no radar do mercado. Segundo levantamento da Safras & Mercado divulgado na sexta-feira (17), os produtores haviam concluído 64% da colheita da safra 2026/27 até 15 de julho. Um percentual inferior aos 77% do mesmo período do ano passado e abaixo da média histórica de cinco anos, de 70%.

    O atraso ajudou a levar o arábica ao maior nível em 5,75 meses em 6 de julho. E o robusta repetiu o movimento no dia seguinte, também na máxima do período. Desde então, porém, as cotações oscilam com força dentro de uma faixa ampla, abaixo desses picos, em um cenário de baixa liquidez que amplifica os movimentos de preço.

    Margens mais altas na ICE reduzem liquidez e ampliam a volatilidade

    A recente elevação das exigências de margem para negociação de contratos futuros de café pela ICE reduziu a liquidez do mercado. Como consequência, fundos de investimento encerraram posições com mais frequência, o que provoca oscilações de preço mais bruscas em uma única direção. Um padrão que analistas esperam que persista nas próximas semanas, à medida que a safra brasileira avança e as bolsas internacionais seguem reagindo a cada novo dado.

    As fortes chuvas registradas no Brasil ao longo do último mês prejudicaram os trabalhos de campo. E podem ter comprometido a qualidade da safra, o que levou produtores a segurar vendas na expectativa de preços mais altos. A esse fator soma-se a preocupação com o El Niño. A trading Commercial alertou que o fenômeno pode atrasar as chuvas do Brasil entre setembro e outubro. Esse é um período decisivo para a floração, prejudicando a safra 2026/27. Em 8 de julho, o Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos classificou o episódio, formado no mês anterior no Pacífico equatorial, como um dos mais fortes dos últimos 75 anos. E com potencial para provocar enchentes, secas e variações bruscas de temperatura na Ásia e na América do Sul.

    Dados mais recentes da Somar Meteorologia reforçam o quadro de estiagem: Minas Gerais, maior produtor de café do país, registrou apenas 0,2 mm de chuva na semana encerrada em 19 de julho, equivalente a 20% da média histórica para o período.

    Fatores baixistas seguem no radar

    Do lado da oferta, o desempenho das exportações brasileiras também pressiona os preços. O Cecafé informou na semana passada que os embarques de café verde cresceram 14,4% em junho na comparação anual, somando 2,64 milhões de sacas. O Vietnã, maior produtor mundial de robusta, também amplia embarques: as exportações no primeiro semestre de 2026 avançaram 7,3%, para 1,05 milhão de toneladas, segundo o escritório nacional de estatísticas do país. Em 2025, os embarques haviam crescido 17,5%. A produção vietnamita da safra 2025/26 deve subir 6%, para 1,76 milhão de toneladas (29,4 milhões de sacas), maior volume em quatro anos.

    Em relatório de 3 de junho, o USDA projetou uma safra brasileira recorde de 71,9 milhões de sacas para 2026/27. Ou seja, uma alta de 14% na comparação anual. Uma estimativa que, em 9 de junho, havia levado o arábica à mínima de 20,5 meses e o robusta à mínima de 3,5 meses no contrato mais próximo. O Rabobank elevou a projeção de superávit global de arábica para 9,5 milhões de sacas, ante 7,0 milhões estimados anteriormente.

    Já a Organização Internacional do Café informou queda de 0,3% nas exportações globais do atual ano-safra, para 138,658 milhões de sacas. Em relatório semestral, o FAS/USDA projetou recorde de produção mundial em 2025/26, de 178,848 milhões de sacas. Um alta de 2%, puxada pelo avanço de 10,9% do robusta (83,333 milhões de sacas), que compensa a queda de 4,7% do arábica (95,515 milhões de sacas). A produção brasileira deve recuar 3,1%, para 63 milhões de sacas, enquanto a do Vietnã deve crescer 6,2%, para 30,8 milhões de sacas. Os estoques finais globais devem cair 5,4%, para 20,148 milhões de sacas.

  • El Niño pode gerar superoferta de grãos na América Latina

    El Niño pode gerar superoferta de grãos na América Latina

    O El Niño pode favorecer a produção agrícola brasileira nos próximos meses, mas seus efeitos positivos sobre as lavouras não devem representar, necessariamente, maior rentabilidade para o produtor rural. A expectativa é de aumento na oferta de grãos e café, cenário que tende a pressionar os preços das commodities e elevar os custos de armazenagem.

    A análise faz parte de um estudo divulgado pela Allianz Trade, que avaliou os impactos do fenômeno climático sobre a agricultura da América Latina, com destaque para Brasil e Argentina. Segundo a empresa, episódios anteriores mostram que o fenômeno costuma criar condições favoráveis para importantes culturas agrícolas, principalmente nas regiões produtoras do Sul do continente.

    Produção pode crescer, mas preços tendem a cair

    Os dados reunidos pela Allianz Trade indicam que, durante eventos anteriores de El Niño, a produção de soja no Brasil chegou a ficar até 4% acima da tendência observada nos cinco anos anteriores. No caso do café arábica, o avanço foi de até 5% em relação à média histórica.

    Embora o aumento da produtividade seja visto como um fator positivo para o agronegócio, ele também pode gerar um efeito contrário sobre a renda dos produtores. Com mais produtos disponíveis no mercado, a tendência é que os preços internacionais das commodities agrícolas recuem, reduzindo as margens de lucro ao longo da comercialização da safra.

    Além disso, uma colheita mais volumosa exige maior capacidade de armazenagem. O estudo destaca que esse cenário pode elevar significativamente os custos logísticos para produtores e tradings, especialmente em períodos de maior concentração da oferta.

    Impactos variam conforme a região do Brasil

    Os efeitos do El Niño não devem ocorrer de forma uniforme em todo o país. De acordo com a Allianz Trade, as regiões Sul e parte do Centro-Sul tendem a registrar aumento das chuvas, favorecendo o desenvolvimento de culturas como soja, milho e café.

    Já o Norte do Brasil e a região amazônica podem enfrentar condições mais secas. Esse cenário amplia os riscos para a produção de alimentos, dificulta a logística em algumas áreas e pode afetar até a geração de energia elétrica.

    Segundo o levantamento, essa assimetria coloca Brasil, Colômbia e Peru entre os países latino-americanos mais vulneráveis a impactos inflacionários provocados pelas alterações climáticas associadas ao fenômeno.

    Efeitos também podem alcançar o mercado internacional

    No cenário global, a expectativa é que o aumento da oferta de soja e milho produzido na América Latina contribua para aliviar parte das pressões sobre os preços mundiais dos alimentos.

    Ao mesmo tempo, outras regiões produtoras continuam enfrentando condições climáticas adversas. O estudo cita que países do Leste Asiático e da África Ocidental permanecem sob risco de seca, situação que pode comprometer culturas estratégicas, como cacau, óleo de palma e arroz.

    Exportadores podem sair fortalecidos

    A Allianz Trade avalia que exportadores agrícolas brasileiros poderão se beneficiar do maior volume de produção, fortalecendo suas operações e ampliando a capacidade de acesso ao crédito.

    Por outro lado, empresas ligadas ao processamento de alimentos e intermediários do mercado de commodities podem enfrentar um ambiente mais desafiador. A combinação entre excesso de oferta e queda nas cotações internacionais tende a aumentar a pressão sobre as margens financeiras do setor.

    Na avaliação da seguradora, o El Niño reforça que uma safra recorde nem sempre significa maior lucro para o agronegócio. Apesar do potencial de elevar a produtividade em diversas culturas, fatores como preços internacionais, custos de armazenagem e dinâmica do mercado continuarão sendo determinantes para o resultado financeiro dos produtores brasileiros.

  • Colheita de café arábica avança 40% no Cerrado Mineiro

    Colheita de café arábica avança 40% no Cerrado Mineiro

    A colheita de café arábica atingiu 40% da área de atuação da Expocacer, no Cerrado Mineiro, até 10 de julho. O clima seco acelerou os trabalhos e favoreceu a qualidade das operações. A cooperativa informou que 22% do café colhido já passou pelo beneficiamento. Além disso, o rendimento médio alcançou cerca de 520 litros por saca beneficiada.

    Nas lavouras, 35% dos frutos permanecem no estágio cereja. Esse ponto é considerado ideal para a colheita de café arábica. Mesmo com o avanço, a colheita segue atrás do ritmo registrado em 2025. No mesmo período do ano passado, os trabalhos já alcançavam 45% da área. O atraso ocorreu porque a safra de 2026 é maior. Além disso, as chuvas de junho reduziram o ritmo da colheita de café arábica. Para esta temporada, a cooperativa estima uma produção de 2,859 milhões de sacas de 60 quilos.

    Influência do clima

    O boletim semanal da Expocacer destaca que o tempo seco registrado na última semana acelerou a colheita e a pós-colheita. As condições climáticas também favoreceram a secagem dos grãos nos terreiros e o beneficiamento.

    A cooperativa informou que o índice médio de catação permanece próximo de 15%. No entanto, parte dos lotes ainda apresenta reflexos das chuvas anteriores. Esses cafés tiveram dificuldades durante a secagem nos terreiros. Por isso, alguns lotes registraram índices de catação próximos de 25%.

    Em contrapartida, a classificação por peneiras confirma a boa formação dos grãos. Os técnicos destacam o elevado percentual de cafés classificados nas peneiras 17 e 18.

    Chuva preocupa

    Agora, a maior preocupação envolve a previsão de chuva no Cerrado Mineiro. As precipitações previstas para esta semana exigem atenção dos produtores durante a pós-colheita. Segundo a Expocacer, o manejo correto na secagem e no armazenamento será decisivo para preservar a qualidade do café arábica e reduzir perdas.

    Os modelos meteorológicos indicam aumento da instabilidade nos próximos dias. A previsão inclui chuvas em Patrocínio, Araxá, Uberaba, Serra do Salitre, Patos de Minas e Monte Carmelo. Caso as precipitações se confirmem, elas poderão atrasar a colheita de café arábica, o transporte e a secagem dos grãos. O impacto será maior nas áreas com café espalhado nos terreiros.

    Diante desse cenário, a Expocacer recomenda que os produtores antecipem, sempre que possível, o recolhimento do café dos terreiros. A cooperativa também orienta o planejamento das operações de colheita, transporte e secagem para preservar a qualidade dos lotes e evitar atrasos no campo.

     

     

     

     

     

  • El Niño pode mudar produção global de café nos próximos anos

    El Niño pode mudar produção global de café nos próximos anos

    A confirmação de um novo episódio de El Niño para o segundo semestre de 2026 voltou a acender o alerta no mercado internacional de café.

    Embora os impactos variem de acordo com a intensidade do fenômeno e das condições climáticas de cada região produtora, especialistas avaliam que o clima poderá influenciar a oferta global da commodity entre 2026 e 2027.

    Segundo análise da Hedgepoint Global Markets, os efeitos do El Niño costumam ser diferentes entre os países produtores e dependem do estágio das lavouras quando o fenômeno ocorre.

    Brasil deve escapar dos impactos imediatos

    O Brasil, maior produtor e exportador mundial de café, não deve sofrer impactos diretos na safra 2026/27, segundo a projeção atual da consultoria.

    Mesmo assim, um período mais chuvoso durante o outono e o inverno pode provocar atrasos na colheita e aumentar a volatilidade dos preços no mercado.

    De acordo com Laleska Moda, analista de inteligência de mercado da Hedgepoint, o monitoramento climático continua sendo fundamental para os próximos meses.

    “Embora a produção da safra 2026/27 não deva ser afetada, o andamento da colheita e a fase de florada exigem atenção.”

    Próxima safra pode enfrentar desafios

    Os maiores riscos ainda estão ligados ao desenvolvimento da próxima temporada.

    Isso porque alterações nos padrões de chuva e temperatura podem influenciar etapas decisivas para a formação dos grãos e para o potencial produtivo das lavouras.

    O comportamento climático durante a florada será um dos fatores mais observados pelo mercado nos próximos meses.

    Leia mais: Agro confia mais nos EUA do que na China, aponta FGV

    América Central e Ásia estão entre as regiões mais vulneráveis

    Fora do Brasil, os efeitos do El Niño podem ser mais significativos.

    Segundo a Hedgepoint, importantes produtores da América Central e da Ásia apresentam maior risco de enfrentar problemas climáticos nas safras 2026/27 e 2027/28.

    A preocupação aumenta diante da possibilidade de um evento forte entre o final de 2026 e o início de 2027.

    Nessas regiões, mudanças no regime de chuvas e períodos prolongados de calor podem comprometer fases importantes do desenvolvimento das lavouras, reduzindo a produtividade e pressionando a oferta mundial de café.

    Caso o fenômeno ganhe força nos próximos meses, o mercado poderá reagir antecipadamente às expectativas de menor produção em algumas das principais regiões produtoras do mundo.

  • Chuvas interrompem queda dos preços do café arábica

    Chuvas interrompem queda dos preços do café arábica

    Os preços do café arábica reagiram na segunda semana de junho após um período de forte queda. O movimento ocorreu devido às chuvas nas principais regiões produtoras do país. Segundo pesquisadores do Cepea, as cotações recuaram no início do mês com o avanço da colheita da safra 2026/27. No entanto, os preços voltaram a subir a partir do dia 10.

    As chuvas dificultaram os trabalhos no campo e reduziram pontualmente a oferta da variedade. Como resultado, o mercado registrou uma recuperação das cotações.

    Chuvas preocupam os produtores

    Além de atrasar a colheita, as precipitações podem comprometer a qualidade dos grãos. O cenário preocupa agentes do setor em um momento decisivo da safra. De acordo com o Cepea, estimativas oficiais apontam para uma produção recorde de café. Apesar disso, participantes do mercado relatam qualidade inferior dos grãos. Os agentes também observam peneiras menores em comparação com a temporada anterior. Esse fator pode influenciar a valorização dos lotes de melhor qualidade.

    Café robusta mantém preços firmes

    Enquanto o arábica oscila com as condições climáticas, o café robusta apresenta maior sustentação nos preços. Pesquisadores do Cepea atribuem esse comportamento às projeções de uma safra menor que a registrada no ciclo anterior. Com expectativa de oferta mais restrita, o robusta segue negociado em patamares mais firmes no mercado.