Tag: cadeia produtiva

  • Açaí ganha crédito e venda garantida no Pará

    Açaí ganha crédito e venda garantida no Pará

    Produtores de açaí no Pará passaram a contar com um novo modelo de apoio que promete mudar a dinâmica da produção no campo.

    O Projeto de Integração da Cadeia do Açaí foi lançado na última semana, em Belém, com foco na organização produtiva, capacitação e aumento da renda no campo. A iniciativa busca, ao mesmo tempo, fortalecer a atividade e estimular o desenvolvimento sustentável na região.

    O programa de fomento, idealizado pela Polpanorte, prevê a integração dos diferentes elos da cadeia, do campo à indústria. Além disso, reúne apoio de instituições como Banco do Brasil, SENAR, FAEPA e Embrapa.

    Com isso, produtores passam a contar com acesso a crédito, assistência técnica e garantia de compra da produção, o que cria um ambiente mais previsível para quem atua na base da cadeia.

    Crédito e orientação no campo

    Um dos principais avanços está no acesso facilitado a financiamento. Dessa forma, produtores conseguem investir no plantio, melhorar a estrutura da propriedade e ampliar a produção.

    Além disso, o acompanhamento técnico ajuda a corrigir falhas no manejo e aumentar a produtividade. Ao mesmo tempo, esse suporte contínuo permite decisões mais seguras ao longo do ciclo produtivo.

    Garantia de venda reduz riscos

    Outro ponto central é a garantia de compra da produção. Na prática, o produtor passa a ter mais segurança e, assim, reduz a exposição às oscilações de preço.

    Além disso, evita dificuldades na comercialização, o que torna a atividade mais estável. Dessa maneira, a previsibilidade aumenta e impacta diretamente a renda no campo.

    Cadeia produtiva mais organizada

    Além de apoiar o produtor individual, o modelo também busca organizar toda a cadeia do açaí. Ou seja, conecta desde o plantio até o escoamento da produção.

    Com isso, cria uma relação mais estruturada entre campo e mercado. Ao mesmo tempo, a integração entre os diferentes elos tende a melhorar a qualidade do produto e ampliar a competitividade.

    Açaí ganha força no agro

    Nos últimos anos, a demanda pelo fruto cresceu dentro e fora do país. Por isso, o açaí se consolidou como um dos produtos mais relevantes do agro na região Norte.

    Diante desse cenário, iniciativas que aumentam a segurança e incentivam a produção ganham ainda mais importância para o setor.

    Expansão deve alcançar mais regiões

    A expectativa é que o modelo avance para outros municípios nos próximos meses. Para isso, a atuação acontece diretamente no campo, com orientação e acompanhamento próximo.

    Assim, o objetivo é garantir resultados no curto, médio e longo prazo, fortalecendo a atividade e ampliando oportunidades para produtores.

  • Produção de pitaya cresce no Brasil e impulsiona agronegócio nacional

    Produção de pitaya cresce no Brasil e impulsiona agronegócio nacional

    A produção de pitaya no Brasil registra crescimento acelerado e muda o cenário do agronegócio de frutas tropicais. O avanço será tema central do V Simpósio Brasileiro de Pitayas, que acontece entre 25 e 27 de março no Instituto Agronômico de Campinas (IAC). O evento reunirá pesquisadores, produtores e empresários para debater o fortalecimento da cadeia produtiva e as oportunidades de mercado da chamada fruta-do-dragão.

    Nos últimos anos, o Brasil quadruplicou a produção de pitaya, saltando de 1,5 mil toneladas em 2017 para mais de 6 mil toneladas em 2023. A previsão é de crescimento contínuo até 2026, consolidando o país como referência latino-americana ao lado de Vietnã e Colômbia, grandes players mundiais do setor.

    Além do visual marcante, a pitaya atrai atenção pelos benefícios nutricionais. A fruta é rica em fibras, vitamina C, ferro e magnésio, que contribuem para a digestão, fortalecem o sistema imunológico e ajudam a controlar os níveis de glicose no sangue. Por ter baixo teor calórico e alto poder antioxidante, tornou-se aliada em dietas saudáveis e na prevenção de doenças crônicas.

    O cultivo da pitaya exige manejo especializado, já que as flores se abrem apenas à noite e precisam de polinização noturna. Essa característica aumenta o valor de mercado e reforça o caráter exclusivo da fruta.

    Segundo Dejalmo Nolasco, presidente da Associação dos Produtores de Pitaya do Brasil (APPIBRAS), “a pitaya deixou de ser uma fruta exótica para se tornar uma oportunidade concreta de renda e saúde. O Brasil tem potencial para liderar esse mercado na América Latina”.

    Agronegócio familiar

    O impacto econômico também se reflete no agronegócio familiar. Agricultores de diversas regiões encontraram na pitaya uma fonte de renda estável e crescente. O cultivo, antes limitado a pequenas propriedades, já se expande para polos produtivos estruturados, com o apoio de cooperativas, centros de pesquisa e instituições públicas.

    Foto: Divulgação

    Durante o simpósio, os participantes discutirão avanços tecnológicos, desafios fitossanitários, estratégias de comercialização e perspectivas de exportação. A expectativa é que o encontro fortaleça ainda mais a cadeia produtiva da pitaya, estimulando inovação, sustentabilidade e inserção no mercado internacional.

    Com resultados expressivos e reconhecimento global crescente, a pitaya se consolida como um dos símbolos do novo agronegócio brasileiro; competitivo, diversificado e pronto para conquistar novos mercados.

  • Mulheres lideram a floricultura e ganham espaço no agronegócio brasileiro

    Mulheres lideram a floricultura e ganham espaço no agronegócio brasileiro

    No Dia Internacional da Mulher, a floricultura revela um retrato estratégico do agronegócio brasileiro. Além de movimentar a economia, o setor se consolidou como um dos maiores empregadores de mulheres no campo. Ele conta com presença feminina em toda a cadeia produtiva, da estufa à comercialização. Estudos realizados por Cepea/Esalq-USP e Ibraflor mostram que as mulheres representam mais da metade da mão de obra da floricultura, chegando a índices próximos de 60% em algumas regiões. O que coloca o segmento entre os líderes em participação feminina no agro.

    O Dia da Mulher também tem forte peso comercial para o setor de flores e plantas ornamentais. A data responde por cerca de 8% das vendas anuais e com expectativa de crescimento entre 5% e 6% em relação ao ano anterior. Mais do que um pico de consumo, a data evidencia o papel cotidiano das trabalhadoras que plantam, colhem, comercializam, gerem equipes e assumem funções estratégicas em propriedades rurais, cooperativas e empresas ligadas à floricultura.

    Segundo o Ibraflor, o setor combina alta demanda por mão de obra com diversidade de funções ao longo da cadeia. O que favorece a inserção e a permanência feminina, tanto na operação diária quanto na gestão dos negócios. “Além de gerar empregos, o setor permite que muitas mulheres conquistem autonomia financeira, fortaleçam a permanência das famílias no campo e assumam papéis estratégicos dentro e fora da porteira”, destaca a produtora de flores e diretora de Mercado do Ibraflor, Raquel Steltenpool.

    Raquel Steltenpool com o pai Joannes Adrianus Steltenpool. Foto: Arquivo Pessoal

    Lideranças femininas fortalecem cooperativas de flores em São Paulo

    Na Cooperativa Veiling Holambra (CVH), em Santo Antônio de Posse (SP), filhas, esposas, produtoras e cooperadas transformam o cooperativismo em flores e plantas ornamentais ao ampliar a participação feminina em espaços de decisão. O movimento ganhou força em dezembro de 2019, quando a cooperativa iniciou as discussões para criar um Comitê de Mulheres, com foco em formação, troca de experiências e construção de lideranças.

    Oficializado em março de 2021, o Comitê de Mulheres da Veiling Holambra cresceu de forma consistente. E hoje reúne cerca de 140 cooperadas em encontros periódicos, capacitações, visitas técnicas e participação ativa em eventos nacionais do agro e do cooperativismo. O grupo incentiva o desenvolvimento pessoal e profissional e estimula o protagonismo feminino nas assembleias e nas decisões estratégicas. E também contribui para um processo contínuo de ocupação de espaços pelas mulheres dentro da cooperativa.

    Raíssa Swalmen, coordenadora do Comitê de Mulheres. Foto: Arquivo Pessoal

    “Mais do que um espaço de troca, o Comitê constrói bases sólidas para um processo natural de ocupação de espaços estratégicos pelas mulheres dentro da cooperativa. Ao incentivar conhecimento, integração e protagonismo, o grupo contribui diretamente para o crescimento sustentável da cooperativa. E do setor como um todo”, afirma a produtora e coordenadora do Comitê de Mulheres, Raíssa Swalmen.

    ​Cooperflora: participação feminina vai da gestão às equipes de campo

    Na Cooperflora, a presença feminina também se traduz em números e em decisões. Cerca de 45% dos cooperados são mulheres ou contam com mulheres à frente da gestão dos sítios. O que mostra o avanço da liderança feminina em propriedades especializadas em flores e plantas ornamentais. As produtoras atuam diretamente na administração, na tomada de decisão e na coordenação de equipes, consolidando um protagonismo que vai além da participação formal.

    Mariela Grisott, do Sítio Reijers Alegre, Cooperflora
    Divulgação. Foto: Arquivo Pessoal

    ​Na sede da cooperativa, quase metade do quadro de colaboradores é composto por mulheres, muitas delas em cargos estratégicos. Entre os exemplos de liderança estão a cooperada Mariela Grisotto, do Sítio Reijers Alegre, responsável por uma equipe majoritariamente feminina, e a sócia fundadora Dorian Reijers, do Sítio Flores da Terra, que segue ativa e simboliza a base histórica da atuação das mulheres na construção e no desenvolvimento da Cooperflora.

    ​Empreendedorismo feminino em rosas e turismo rural no Ceará

    No Ceará, a produtora de rosas Lucivanda Fernandes Siqueira, de Ubajara, na Serra da Ibiapaba, se tornou referência em inovação ao integrar floricultura, turismo rural e economia criativa. Gestora da Fazenda Santo Expedito, ela conquistou o 1º lugar na categoria “Pequena Propriedade” do 8º Prêmio Mulheres do Agro 2025, destaque que reconhece sua gestão sustentável, o foco em impacto social e o modelo de negócios que alia agricultura, educação e experiência turística.

    Lucivanda Fernandes Siqueira, produtora Sitio Santo Expedito, Ceará. Foto: Arquivo Pessoal

    ​Professora de formação e estudante de Gestão de Pessoas e Agronegócio, Lucivanda aplica conceitos de capacitação e valorização de equipes na rotina da fazenda. E inspira outras empreendedoras a fortalecerem o protagonismo feminino no campo. A propriedade se consolidou como um dos projetos mais inovadores do Nordeste ao integrar produção agrícola de alta tecnologia, responsabilidade ambiental, turismo de experiência e economia sensorial.

    ​A Fazenda Santo Expedito passou por forte expansão. Hoje conta com 12 hectares de estufas, com projeto de ampliação para 16 hectares, três tanques de armazenamento e sistema de captação de água da chuva com pavimentação intertravada para reaproveitamento hídrico. As pétalas que não seguem para comercialização são desidratadas para experiências sensoriais. Ou incorporadas ao composto orgânico, reforçando um ciclo produtivo mais consciente.

    Passeio turístico imersivo

    ​Em 2019, a produtora lançou um passeio turístico imersivo pela propriedade, com cerca de 50 minutos de duração. O tour apresenta as estufas, as variedades de rosas, as técnicas de cultivo e as práticas sustentáveis. A experiência inclui vivências como a montagem de buquê simbólico e escalda-pés com pétalas reaproveitadas. Portanto, ampliando o valor percebido da flor na região, fortalecendo o turismo rural na Ibiapaba e impulsionando a geração de emprego e renda local.

    ​A demanda dos visitantes por produtos que prolongassem a experiência na fazenda deu origem à marca Aromas da Fazenda. Ela é especializada em fragrâncias, aromaterapia e cosméticos artesanais. Embora as rosas cultivadas ainda não sejam matéria-prima direta dos cosméticos, a equipe estuda formas de ampliar o uso sustentável de espécies como a lavanda, que também contribui para a polinização da pitaya.

    ​O restaurante da fazenda, inaugurado há cerca de três anos, valoriza ingredientes regionais e utiliza frutas locais na produção de geleias e licores. Portanto, agregando gastronomia ao roteiro de visitação. Hoje, a operação reúne aproximadamente 170 colaboradores na propriedade e 8 na unidade urbana, além de duas lojas físicas (uma na fazenda e outra no município de Ubajara) o que reforça o impacto da gestão feminina sobre a economia local.

    ​Inovação genética e liderança feminina na produção de plantas tropicais

    Em Rondônia, a trajetória de Tereza Alves Cordeiro de Campos, fundadora da Estância Vitória, mostra como o empreendedorismo feminino impulsiona inovação e desenvolvimento regional na floricultura tropical. Nascida no interior do Paraná, ela construiu uma trajetória marcada por trabalho e coragem. Até criar, há mais de duas décadas, um projeto próprio de produção de plantas ornamentais com identidade brasileira e variedades diferenciadas.

    Tereza, produtora caladium Estancia Vitória. Foto: Arquivo Pessoal

    ​Localizada na zona rural de Urupá (RO), a cerca de 400 quilômetros da capital, a Estância Vitória se consolidou como referência na produção e desenvolvimento de plantas ornamentais tropicais no país. Mesmo sem formação acadêmica na área, Tereza definiu como objetivo criar plantas únicas, adaptadas ao clima e ao mercado nacional, com foco em qualidade, inovação e estética.

    ​O pequeno projeto familiar se transformou em uma estrutura consolidada. Com cerca de 40 mil metros quadrados de estufas dedicadas à produção de Caladium, Aglaonema, Syngonium, Euphorbia e Dracena, entre outras espécies. A estância também mantém um trabalho autoral de melhoramento genético. Ele é realizado por meio de polinização manual, sem uso de laboratórios externos, baseado na observação prática, na experiência acumulada e na seleção rigorosa de plantas matrizes.

    Novas variedades

    ​Ao longo dos anos, inúmeras novas variedades foram desenvolvidas. E após um processo de seleção e testes em cultivo, parte delas entra em produção comercial com novas combinações de cores, maior vigor, rusticidade, melhor adaptação e resistência natural a pragas e doenças. O melhoramento mais recente é um Caladium da variedade Lança. Ela é mais resistente ao frio, de porte compacto e indicado para vasos, que já está em produção e terá lançamento oficial em setembro.

    ​A Estância Vitória fornece mudas do seu portfólio para produtores de diferentes regiões do país. E comercializa produtos finais diretamente ao mercado, por meio de ponto de venda no Ceaflor, em Jaguariúna (SP). Dessa forma, o trabalho autoral de Tereza conecta a inovação desenvolvida em Rondônia às principais regiões consumidoras de plantas ornamentais do Brasil. Reforçando a presença feminina em toda a cadeia da floricultura.

  • Prepara o bolso: lei deve elevar preços de carnes e pescados

    Prepara o bolso: lei deve elevar preços de carnes e pescados

    A Lei Complementar 224/2025, publicada em dezembro, reduziu em 10% os benefícios fiscais federais de diversos segmentos do agronegócio. A medida deve aumentar os custos ao longo da cadeia produtiva de proteínas animais e elevar os preços finais ao consumidor, segundo análise do Martinelli Advogados.

    A norma atinge principalmente a produção de carnes e pescados que contam com créditos presumidos, alíquota zero, isenção e redução da base de cálculo. Especialistas alertam que a mudança pode reacender discussões sobre a cumulatividade desses tributos.

    Custos sobem em cascata na cadeia produtiva

    “A sistemática aumenta o custo em cascata e onera ainda mais segmentos que já sofrem com os altos custos de produção e os preços baixos das commodities”, afirma Cintia Meyer, advogada tributarista e sócia do Martinelli.

    O Demonstrativo de Gastos Tributários (DGT) da Lei Orçamentária Anual (LOA) prevê cerca de 300 hipóteses de benefícios. A LC 224 trata especificamente de outros 14. “Se a empresa conta com algum destes benefícios, isso tem potencial de impactar diretamente o negócio”, alerta Meyer.

    A tributarista lembra que, pelo princípio da anterioridade, a mudança já impacta o IRPJ e o Imposto de Importação desde 1º de janeiro. Para PIS, Cofins, IPI, CPS e CSLL, os efeitos valem a partir de 1º de abril.

    Aves e suínos perdem vantagens na exportação

    Na exportação da indústria de carnes de aves e suínos, o percentual do crédito presumido sobre o valor da aquisição de insumos – incluindo animal vivo e ração – cai de 2,775% para 2,25%. A limitação atinge 90% do valor do crédito previsto na LC 224.

    Para vendas destinadas à indústria de embutidos no mercado interno, a alíquota do crédito presumido cai de 1,11% para 1%. As vendas de carnes que compõem a cesta básica (Lei Complementar 214/2025) não foram afetadas. Já produtos como foie gras de pato e ganso, que tinham alíquota zero, perderam 90% do benefício e agora serão tributados em 0,925%.

    Bovinos e pescados também sofrem redução

    Na cadeia dos bovinos, a aquisição de insumos pelos produtores não será afetada. Porém, o crédito presumido gerado na exportação cai de 4,65% para 4,16%. As vendas internas para a indústria de embutidos terão o crédito presumido reduzido de 3,7% para 3,33%.

    Itens da cesta básica permanecem sem alteração, mas subprodutos como ossos e vísceras, até então com alíquota zero, serão onerados em 10% do valor do PIS/Cofins.

    No setor de pescados, a LC 224 reduz de 5,55% para 5% a alíquota do crédito presumido na aquisição de insumos de produtores pessoas físicas pela indústria. Produtos fora da cesta básica – como atum, salmão e bacalhau – que tinham alíquota zero, passam a ser taxados em 0,925%.

    “Jabuticaba tributária” gera tributo não creditável

    “É mais uma jabuticaba tributária”, avalia Luiz Eduardo Costa Lucas, tributarista e sócio do Martinelli. Ele explica que produtos com alíquota zero agora geram tributo no meio da cadeia, sem direito a crédito.

    “Quem compra de um fornecedor que tem benesse de alíquota zero ganha uma tributação de brinde que não é creditável. Isso traz de volta uma discussão que se arrasta desde 2004 sobre a não cumulatividade do PIS/Cofins. Imposto não recuperável vira custo e impacta no preço final ao consumidor”, completa.

    Na ausência de uma lista definitiva sobre os benefícios afetados pela LC 224, Cintia Meyer orienta que as empresas observem alguns requisitos. O tributo precisa estar listado (PIS, PIS-Importação, Cofins, Cofins-Importação, II, IPI, IRPJ, CSLL e CPP), deve constar na LOA e ser um incentivo fiscal que não esteja entre as exceções.

    A tributarista ressalta que a lista não é exaustiva e dependerá do critério adotado pela Receita Federal, não descrito na LC 224. “Há coisas que não se enquadram, mas a Receita pode entender que sim, o que pode gerar discussões amplas e até judicialização”, alerta.

    Zona cinzenta gera insegurança jurídica

    Costa Lucas destaca que, até o fim do ano passado, ninguém se preocupava em diferenciar o que era benefício e o que era gasto sob a perspectiva do governo. “Todos os anos a Receita envia uma relação dos gastos do governo e agora surge uma discussão: tudo que está lá é considerado benefício? A resposta é: não”, afirma.

    O especialista explica que é necessário entender como benefício o que está listado na LOA e verificar se esse tipo de gasto se encaixa nessa categoria. “Como não há uma descrição legal a esse respeito, temos uma zona cinzenta”, comenta.

    Lucas ressalta que há muito tempo não se discutia as raízes e a natureza dessas rubricas, fundamentais para entender o que é gasto e o que é benefício. “Uma redução linear pode ocasionar ferimentos a qualquer benefício básico e acarretar cumulatividade. Da forma como está na LC 224, há margem para isso por princípio, principalmente no agronegócio.”

    Impacto chega ao varejo e ao bolso do consumidor

    As mudanças introduzidas pela Lei Complementar 224 chegarão ao consumidor final. O varejo adquirirá um produto que passou a ser tributado ao longo da cadeia e não poderá se creditar.

    “Ele vai adquirir um produto mais caro, já que o imposto é calculado por dentro. Ou seja, era um imposto não cumulativo que virou cumulativo em uma lógica sem pé nem cabeça e que vai impactar o preço no varejo”, conclui Cintia Meyer.

  • Conepe condena isenção de imposto sobre sardinha importada

    Conepe condena isenção de imposto sobre sardinha importada

    O Coletivo Nacional da Pesca e Aquicultura (Conepe) expressou forte oposição à decisão do governo federal de zerar o imposto de importação sobre conservas de sardinha. A medida, segundo a entidade, coloca em risco a indústria nacional, que sustenta mais de 50 mil empregos diretos e indiretos no Brasil.

    Cadu Villaça, presidente do Conepe, criticou a falta de consulta prévia ao Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) e ao Ministério do Meio Ambiente (MMA). “É preocupante. Uma medida com potencial de afetar profundamente nossa indústria tenha sido tomada sem a participação das entidades que compreendem a complexidade e importância da pesca no Brasil”, afirmou.

    Cadeia produtiva consolidada

    A sardinha brasileira é um recurso historicamente abundante, com capturas superiores a 100 mil toneladas em 2024. A cadeia produtiva é robusta e gera milhares de empregos. O Conepe alerta que isentar impostos para produtos importados pode abrir espaço para uma concorrência desleal. E assim, colocar em risco a atividade primária e toda a estrutura de suporte vinculada.

    A medida pode desestimular a produção local e afetar a sustentabilidade econômica das comunidades que dependem da pesca. Produtos importados de regiões asiáticas, como China e Tailândia, possuem custos de produção inferiores devido a subsídios e condições regulatórias menos rigorosas.

    Ações do Conepe

    Diante disso, o Conepe busca sensibilizar o Palácio do Planalto e o Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) para reverter a decisão. “Nosso objetivo é garantir que o setor pesqueiro brasileiro continue forte e competitivo. Valorizando a produção nacional e assegurando os empregos que dela dependem”, finalizou Villaça.

    A isenção de impostos sobre a sardinha enlatada importada foi aprovada pela Câmara de Comércio Exterior (Camex) com uma cota de 7,5 mil toneladas, apesar das críticas da indústria nacional. O setor pesqueiro brasileiro tem enfrentado desafios com a concorrência internacional, e a medida pode agravar a situação.

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  • Governo Federal lança política para incentivo à cocoicultura de qualidade

    Governo Federal lança política para incentivo à cocoicultura de qualidade

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei nº 14.975, que estabelece uma Política de Incentivo à Cocoicultura de Qualidade. A lei foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) nesta quinta-feira (19). Em resumo, o objetivo é contribuir para a produção, competitividade e sustentabilidade do setor, ampliando a produção e o processamento do coco no Brasil.

    Objetivos da nova lei

    A política também visa estimular o consumo doméstico, aumentar as exportações de coco e lucros, reduzir perdas ao longo da cadeia produtiva e apoiar a produção orgânica. Além disso, promove a integração com outras políticas públicas federais para coordenar recursos e esforços no desenvolvimento da cocoicultura.

    Entre as ações previstas estão o treinamento da mão de obra, a expansão das políticas de financiamento e crédito, a melhoria da infraestrutura produtiva e o fortalecimento da competitividade do setor. A pesquisa e a assistência técnica também são prioridades da nova política.

    Os recursos para implementar essas ações virão de doações orçamentárias da União, operações de crédito nacionais e internacionais, além de saldos de exercícios anteriores.

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    Cocoicultura

    Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2023 o Brasil produziu mais de 1 milhão de frutos de Coco-da-baía, com valor de produção superior a R$ 1,6 milhão. Os principais estados produtores são Ceará, Pará, Bahia, Pernambuco e Espírito Santo.

    De acordo com a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais (SCRI), no primeiro semestre de 2023 o Brasil exportou mais de US$ 672 mil em cocos, um aumento de 95% em relação ao mesmo período de 2022. Os principais destinos foram os Estados Unidos , Espanha e Argentina. Ao todo, o país comercializou cerca de 876 toneladas de coco para mais de 60 países.

    Portanto, a cocoicultura é uma atividade crucial para o Brasil, especialmente para o Nordeste, segundo a Embrapa.

     

  • Novo programa de financiamento deve impulsionar venda de insumos

    Novo programa de financiamento deve impulsionar venda de insumos

    A divisão agrícola da Bayer se uniu à Farmtech para lançar o Programa de financiamento CropCredit, com o objetivo de impulsionar as vendas de insumos de forma segura, previsível e totalmente digital. A partir de agosto, revendas e clientes de compra direta da Bayer poderão acessar um programa de financiamento para aquisição de soluções da empresa.  permitindo a pré-aprovação de limites de crédito com base na análise do CPF ou CNPJ, sem a necessidade de garantias reais.

    Marcos Arruda, diretor de finanças da divisão agrícola da Bayer no Brasil, explicou que a empresa tem investido fortemente em relações de longo prazo com toda a cadeia produtiva. E colocar o cliente no centro de sua estratégia. “Trabalhamos para atender as necessidades de nossos parceiros. O que inclui possibilitar opções mais ágeis e simplificadas de acesso a crédito com condições vantajosas”, afirmou Arruda. Ele destacou que a parceria com a Farmtech visa ampliar o acesso de produtores e distribuidores a linhas de crédito, ajudando na gestão e na previsão de compras.

    Até o momento, mais de 2 mil clientes da Bayer já tiveram seus créditos pré-aprovados, totalizando uma probabilidade de crédito superior a R$ 2,5 bilhões. “Graças à relação sustentável com os revendedores e clientes, a parceria com a Farmtech possibilitará uma aprovação de crédito mais ágil, com juros atrativos, no momento que o cliente precisar”, reforçou Arruda.

    Funcionamento do programa  de financiamento CropCredit

    Na prática, a Bayer, por meio de suas revendas, solicita à Farmtech a pré-aprovação dos limites de crédito para seus parceiros. Com o limite aprovado, as equipes de relacionamento da Bayer e de seus distribuidores têm uma ferramenta inovadora para negociar vendas, já com o crédito organizado para o cliente.

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    Após a aprovação, a Bayer libera os pedidos de compra na modalidade CropCredit, entregando os insumos no endereço de preferência do cliente. Todo o processamento das transações, desde as aprovações de crédito até as facilidades de pagamento, ocorre via plataforma Farmtech. Desta forma, beneficiando clientes, distribuidores e a equipe da Bayer.

    Rafael Pilla, CEO da Farmtech e Marcos Arruda, diretor de finanças da divisão agrícola da Bayer no Brasil. Crédito: Fábio Risnick

    O CropCredit já vinha sendo testado pela Bayer. Após os resultados positivos no piloto realizado no final de 2023, será oferecido em todo o território nacional. “Iniciamos o projeto com um modelo de negócios para a loja Agro Bayer de Rio Verde (GO). O desempenho foi muito satisfatório e ajudou a desburocratizar a liberação de crédito, tornando o processo mais ágil”, comentou Rafael Pilla, CEO da Farmtech.

    Benefícios e características do programa

    Pilla destacou que, por meio do Programa, as revendas conseguem ter uma visão macro dos limites pré-aprovados para todo o ciclo da safra de seus clientes. E permite um planejamento mais eficaz das vendas. “Somos 100% digitais e conseguimos criar um programa com uma jornada digital customizada para atender as necessidades dos diferentes canais de vendas da Companhia”, afirmou.

    A Farmtech tem como objetivo ampliar o potencial de vendas sem aumentar a exposição aos riscos. O CropCredit não interfere no relacionamento comercial entre as revendas e seus clientes. “Nós somos a força catalizadora dos nossos parceiros. Oferecendo uma ferramenta de aceleração de vendas sem a necessidade de garantias reais e com um processo simples para o produtor”, finalizou Pilla.

  • Nova plataforma revoluciona rastreabilidade de produtos de origem animal

    Nova plataforma revoluciona rastreabilidade de produtos de origem animal

    O Instituto CNA apresentou a nova Plataforma de Gestão de Protocolos Agritrace Produção de Valor, nesta quinta-feira (27). Essa ferramenta é crucial para a gestão de protocolos e a rastreabilidade de produtos de origem animal.

    Com o objetivo de agregar valor à produção dos pecuaristas, o projeto de Gestão de Protocolos visa à certificação e rastreabilidade dos produtos. Esse processo garante maior transparência desde a fazenda até a mesa do consumidor. Atualmente, o projeto conta com 22 protocolos homologados.

    Durante o evento, as entidades detentoras desses protocolos conheceram o novo sistema, que passarão a utilizar a partir de agora. Matheus Ferreira, diretor-executivo adjunto do ICNA, destacou a importância e a responsabilidade desse projeto para o setor rural. Ele enfatizou o compromisso do Sistema CNA/Senar e ICNA com a rastreabilidade abrangente dos produtos. “A ideia é que ao final dessa reunião saiamos com experiências e informações que possam agregar ao trabalho que estamos fazendo”, afirmou Ferreira.

    Animais identificados e produtos rastreados

    Embora os protocolos sejam de adesão voluntária, o Sistema CNA está empenhado em aumentar o número de animais identificados e produtos rastreados. Durante a apresentação, os assessores técnicos do ICNA, Luiz Felipe Ribeiro e Marina Zimmermann, conduziram os painéis e o debate com os participantes. Marina também revelou a nova identidade visual e posicionamento da marca Agritrace.

    André Maltz Turkienicz, representante da AGtrace, detalhou as funcionalidades da nova plataforma. Ele destacou que a ferramenta possui um sistema de georreferenciamento, que permite, por exemplo, o controle de dados como números de produtores, propriedades, frigoríficos e abates, visualizados por estado. “São muitas informações que facilitam o controle de todo o processo de rastreabilidade”, explicou Turkienicz.

    Após a apresentação, entidades como a Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos da Raça Wagyu e a empresa FairFood compartilharam suas experiências com a rastreabilidade genealógica. Matheus mencionou que o objetivo é ampliar a quantidade de protocolos homologados e atender outras cadeias produtivas, como café, mel e queijos, respeitando suas particularidades.

    Filipe Simões Corrêa, da Embrapa Gado de Corte, apresentou o novo protocolo Carne Baixo Carbono, discutindo avanços e expectativas futuras. Além disso, o grupo abordou os desafios do setor no combate à falsificação de rótulos e selos, propondo contribuições para um material de orientação que consequentemente vai auxiliar nesse enfrentamento.

    Nova plataforma: inovação na rastreabilidade

    Essa nova plataforma representa um avanço significativo para a rastreabilidade e certificação dos produtos de origem animal, fortalecendo a transparência e a confiança em toda a cadeia produtiva.

     

  • Safra de cana-de-açúcar do Centro-Sul bate recorde histórico em 2023/2024

    Safra de cana-de-açúcar do Centro-Sul bate recorde histórico em 2023/2024

    A região Centro-Sul do Brasil concluiu a safra 2023/2024 com um recorde histórico de processamento de cana-de-açúcar. As unidades produtoras da região processaram 654,43 milhões de toneladas da matéria-prima, um crescimento de 19,29% em relação às 548,62 milhões de toneladas registradas na temporada 2022/2023.O maior aumento na moagem foi observado em São Paulo, que registrou avanço de 23,24% (387,60 milhões de toneladas na safra 2023/2024, ante 314,51 milhões no ciclo passado). Outros estados também bateram recordes, como Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, com crescimento variando de 8,74% a 17,47%. De acordo com Luciano Rodrigues, diretor de Inteligência Setorial da UNICA, “pela primeira vez registramos recorde na moagem, na fabricação de etanol e na fabricação de açúcar no mesmo ano. A expectativa no início da safra já indicava um crescimento de produção, mas os valores registrados no final do ciclo surpreenderam”.

    Produtividade agrícola em alta

    A safra recém-encerrada foi marcada por uma notável recuperação da produtividade agrícola nos canaviais da região Centro-Sul. As lavouras registraram rendimento de 87,2 toneladas de cana por hectare colhido, aumento de 19% em relação à safra 2022/2023, de acordo com o levantamento do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC).O Estado de São Paulo, responsável por 60% da moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul, apresentou crescimento de 23,0% (90,7 toneladas por hectare nesta safra versus 73,7 toneladas por hectare no ciclo anterior), com destaque para as regiões de Araçatuba, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto, que registraram índice médio de 94,6 toneladas por hectare e aumentos de 31,5%, 20,2% e 24,8%, respectivamente. Nos demais estados produtores, o crescimento variou de 9,0% em Goiás a 20% no Mato Grosso do Sul. “Esse resultado observado no campo advém principalmente de um regime climático excepcional na primavera-verão de 2022 e início de 2023, aliado ao esforço constante da cadeia sucroenergética para a incorporação recursos tecnológicos que permitam maximizar os resultados na lavoura”, acrescentou Rodrigues.

    Qualidade da matéria-prima

    A qualidade da matéria-prima colhida na safra 2023/2024, mensurada em kg de ATR por tonelada de cana-de-açúcar processada, apresentou redução de 1,10% na comparação com o último ciclo agrícola, atingindo 139,22 kg de ATR por tonelada.”A redução na concentração de açúcares na planta foi menos drástica do que o esperado diante índice de precipitação pluviométrica acima da média e do alongamento do período de moagem registrados neste ano”, disse o executivo.

    Produção de açúcar e etanol bate recordes

    A produção final de açúcar atingiu o recorde histórico de 42,42 milhões de toneladas na safra 2023/2024, aumento de 25,7% sobre as 33,75 milhões de toneladas registradas no ciclo passado, e crescimento de 10,3% na comparação com o recorde anterior de produção, verificado na safra 2020/2021 (38,46 milhões de toneladas).

    Rodrigues salientou que apesar do avanço na produção de açúcar, apenas 48,83% da cana-de-açúcar foi direcionado à fabricação do adoçante, sendo a maior parte da cana moída utilizada na produção de etanol.Nesse contexto, a produção de etanol no ciclo 2023/2024 também registrou recorde histórico de produção no Centro-Sul, com destaque para o impressionante aumento de 1,83 bilhão de litros de biocombustível produzidos a partir do milho de segunda safra. No total, as unidades do Centro-Sul produziram 33,59 bilhões de litros do renovável, uma alta expressiva de 16,16% em relação ao volume da última safra (28,92 bilhões de litros) e crescimento de 1,01% na comparação com o recorde anterior de produção verificado no ciclo 2019/2020 (33,26 bilhões de litros).