Tag: biocombustível

  • Etanol garante economia de quase R$ 80 por tanque

    Etanol garante economia de quase R$ 80 por tanque

    O etanol hidratado atingiu a maior vantagem econômica em relação à gasolina desde 2018. A diferença de preços ampliou a competitividade do biocombustível e aumentou a economia para os consumidores brasileiros.

    Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que o litro do etanol foi vendido, em média, a R$ 3,70 em São Paulo na última semana. Já a gasolina chegou a R$ 6,39 por litro.

    Segundo cálculos da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), considerando o rendimento médio do etanol equivalente a 73% do da gasolina, o preço de equilíbrio do biocombustível seria de R$ 5,07 por litro.

    Na prática, a diferença representa uma economia de R$ 1,32 por litro abastecido. Em um tanque de 60 litros, a vantagem pode chegar a aproximadamente R$ 79.

    Etanol registra maior vantagem em oito anos

    De acordo com a Unica, esta é a maior vantagem econômica do etanol desde 2018. O resultado também representa a segunda melhor marca desde o início da série histórica da ANP, iniciada em 2013.

    A competitividade do combustível renovável não está restrita a São Paulo.

    Levantamento da ANP aponta que todos os municípios pesquisados nos principais estados produtores apresentaram vantagem econômica para o etanol:

    • São Paulo
    • Paraná
    • Goiás
    • Mato Grosso
    • Mato Grosso do Sul
    • Minas Gerais

    Em São Paulo, a relação entre os preços ficou em 57,9%. O índice está bem abaixo da faixa entre 70% e 73%, considerada referência para que o etanol seja financeiramente mais vantajoso.

    Já em Mato Grosso, a paridade chegou a 55%. No estado, o etanol foi comercializado a R$ 3,74 por litro, enquanto a gasolina atingiu R$ 6,80.

    Cenário internacional favorece o biocombustível

    Segundo a Unica, a diferença de preços ganha ainda mais relevância diante das oscilações do mercado internacional de petróleo.

    Com maior participação do etanol na matriz energética, o consumidor brasileiro reduz a exposição às variações externas que costumam impactar os combustíveis fósseis.

    “O aumento da participação do etanol na matriz energética representa uma alternativa eficiente para substituir combustível fóssil, importado e mais caro pelo biocombustível produzido domesticamente, com geração de renda, emprego, economia ao consumidor e menores emissões de gases de efeito estufa”, afirma Luciano Rodrigues, diretor de Inteligência Setorial e Regulação da Unica.

    Mistura E32 reforça uso do etanol

    A entidade também relaciona a maior competitividade do combustível à entrada em vigor da mistura obrigatória de 32% de etanol anidro na gasolina, conhecida como E32.

    A medida passou a valer em 1º de agosto e está prevista na Lei do Combustível do Futuro.

    Segundo estimativas do setor, a ampliação da mistura poderá reduzir entre 800 milhões e 1 bilhão de litros por ano a necessidade de importação de gasolina pelo Brasil.

    Dados da ANP mostram que o país importou cerca de 3,5 bilhões de litros de gasolina em 2025.

    Benefícios para o agronegócio e para o consumidor

    Na avaliação da Unica, a expansão do etanol fortalece a segurança energética nacional ao ampliar o uso de um combustível renovável produzido no Brasil.

    Além de reduzir a dependência de derivados de petróleo importados, a medida ajuda a amortecer os efeitos das oscilações internacionais nos preços dos combustíveis.

    Com preços mais competitivos e maior participação na matriz energética brasileira, o etanol reforça seu papel como uma das principais alternativas para reduzir custos de abastecimento e fortalecer o agronegócio nacional.

  • Governo avalia elevar etanol para 32% na gasolina

    Governo avalia elevar etanol para 32% na gasolina

    O governo federal deve analisar nos próximos 15 dias uma proposta para aumentar a mistura de etanol anidro na gasolina. A medida prevê elevar o percentual dos atuais 30% para até 32%. O anúncio ocorreu nesta terça-feira (9). O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, confirmou que encaminhará a proposta ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).

    Silveira apresentou a iniciativa após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ministros e representantes do setor de biocombustíveis, no Palácio do Planalto. Segundo o ministro, estudos técnicos permitem ampliar a mistura para 32%. Além disso, ele destacou que o setor apresentou a reivindicação durante o encontro.

    Limite técnico

    Embora o limite técnico possa chegar a 35%, o governo pretende avançar inicialmente para o E32. A proposta integra a estratégia de descarbonização da matriz energética brasileira. Além disso, a medida segue as diretrizes da Lei do Combustível do Futuro.

    De acordo com Silveira, o aumento da mistura reduzirá a dependência de gasolina importada. A expectativa é economizar cerca de 450 milhões de litros do combustível. O ministro também afirmou que a iniciativa pode contribuir para reduzir oscilações de preços causadas por conflitos internacionais.

    Representantes da indústria classificaram a reunião como positiva. Eles reforçaram a importância do etanol para a segurança energética e para a redução dos custos ao consumidor.

    O presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), Evandro Gussi, destacou a diferença de preços entre os combustíveis. Segundo ele, o litro do etanol custa, em média, R$ 2,40 menos que o da gasolina. Com isso, o aumento de dois pontos percentuais na mistura pode gerar economia ao consumidor.

    Gussi também afirmou que a diferença de preços proporcionou uma economia de aproximadamente R$ 2 bilhões aos brasileiros nos últimos três meses. Além disso, o dirigente destacou que o país deixou de gastar cerca de R$ 8 bilhões com importações de gasolina no período.

    Sobre possíveis impactos nos veículos, Gussi afirmou que a mudança possui viabilidade técnica. Segundo ele, testes realizados anteriormente já comprovaram a eficiência da mistura de 32%.

    O presidente da Bioenergia Brasil, Mário Campos, ressaltou que políticas públicas recentes fortaleceram a produção nacional de etanol.

    Para este ano, a expectativa do setor aponta crescimento superior a 4 bilhões de litros na produção do biocombustível. Campos afirmou que o cenário favorece a descarbonização do transporte brasileiro. Além disso, ele destacou que o etanol permanece mais competitivo que a gasolina em diversas regiões do país.

     

  • Soja recupera fôlego em Chicago: entenda por que o preço subiu hoje

    Soja recupera fôlego em Chicago: entenda por que o preço subiu hoje

    Hoje definitivamente não é um dia qualquer para o mercado de soja. Nesta sexta-feira, 1º de maio, as cotações da oleaginosa na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) operaram no campo positivo e entregaram um respiro que o setor esperava há algum tempo. Por trás dessa recuperação, uma combinação de fatores que vai muito além das fronteiras do campo brasileiro: guerra, chuva, petróleo e câmbio se uniram para empurrar os preços para cima.

    Para quem acompanha o mercado de commodities, essa é exatamente a dinâmica que torna a soja tão fascinante e, ao mesmo tempo, tão imprevisível.

    Petróleo e tensão geopolítica deram o tom em Chicago

    Os contratos futuros da soja negociados na CBOT fecharam o pregão com preços mais altos para o grão e o óleo, enquanto o farelo recuou. O mercado buscou suporte na disparada do petróleo, sustentada pelas tensões que persistem no Oriente Médio.

    Esse elo entre energia e grãos não é coincidência. O óleo de soja acompanhou o movimento do petróleo por ser uma alternativa na produção de biocombustíveis, e a demanda consistente por esmagamento nos Estados Unidos também contribuiu para a alta.

    No entanto, há um componente geopolítico concreto por trás dessa pressão. O mercado repercutiu declarações do presidente Donald Trump sobre o Irã, aumentando a cautela dos investidores. Quando Washington faz ameaças ao regime iraniano, o petróleo sobe, o óleo de soja sobe junto, e os contratos futuros do grão ganham sustentação quase que automaticamente.

    Entre os contratos, o vencimento maio de 2026 subiu 9,25 centavos de dólar por bushel, fechando a US$ 11,82 1/4. Já o contrato julho de 2026 avançou 7,75 centavos, encerrando a US$ 11,97 por bushel. No farelo, houve queda de US$ 3,60, para US$ 323,80 por tonelada. O óleo de soja subiu 1,60 centavo, fechando a 74,12 centavos de dólar por libra-peso.

    Chuvas nos EUA atrasam plantio e sustentam preços

    Além do cenário energético, outro fator climático entrou na equação: atrasos no plantio provocados por excesso de chuvas no Meio-Oeste americano também influenciaram positivamente os preços.

    Quando o plantio atrasa, a oferta futura de grãos fica em xeque. E mercado que enxerga risco de oferta menor tende a precificar essa incerteza com alta nos contratos futuros. Nos Estados Unidos, o plantio de soja avançou para apenas 12% da área prevista, dobrando o ritmo da semana anterior, mas a previsão de chuvas intensas no Meio-Oeste pode interromper temporariamente os trabalhos de campo.

    Por outro lado, os ganhos mais expressivos não aconteceram. Ganhos mais expressivos ao grão foram limitados pela ampla oferta vinda da América do Sul. Brasil e Argentina seguem jogando o lado oposto dessa balança, com uma colheita robusta pressionando os preços de baixo para cima.

    Brasil sente a melhora: câmbio e portos aquecem negócios

    Do lado de cá do Atlântico, o efeito foi imediato. O mercado brasileiro de soja teve um dia mais aquecido, com avanço nas cotações e maior volume de negócios, especialmente nos portos.

    Segundo o analista Rafael Silveira, da Safras & Mercado, a melhora veio principalmente da combinação entre câmbio e mercado internacional. A valorização em Chicago e o dólar mais firme trouxeram sustentação aos preços internos.

    O dólar comercial encerrou o dia com alta de 0,39%, cotado a R$ 5,0014 para venda, oscilando entre R$ 4,9793 e R$ 5,0138 ao longo da sessão. Essa proximidade do dólar à marca de R$ 5,00 foi um dos gatilhos para destravar negócios que estavam represados.

    No mercado físico, os preços subiram em várias praças. Passo Fundo (RS) subiu de R$ 124,00 para R$ 125,00 por saca, e Santa Rosa (RS) avançou de R$ 125,00 para R$ 126,00.

    O que o produtor deve monitorar nas próximas semanas

    Apesar do alívio desta sexta, o cenário segue repleto de variáveis. Os investidores aguardavam os dados semanais de exportação norte-americana, com projeções entre 200 mil e 600 mil toneladas de soja em grão. Esses números, quando divulgados, têm capacidade de reforçar ou reverter os ganhos recentes.

    Além disso, na América do Sul, chuvas persistentes na Argentina, especialmente na província de Santa Fé, têm prejudicado o avanço da colheita, o que pode reduzir a oferta sul-americana no curto prazo e dar mais sustentação às cotações internacionais.

    Para o produtor brasileiro, o recado é claro: o momento exige atenção redobrada ao câmbio, ao preço do petróleo e ao clima no Meio-Oeste americano. São esses três termômetros, aparentemente distantes do campo, que definem o preço que chega à balança na colheita.

  • Pesquisa revela potencial da canola brasileira para descarbonizar a aviação

    Pesquisa revela potencial da canola brasileira para descarbonizar a aviação

    Um estudo desenvolvido por pesquisadores da Embrapa e da Universidade de Brasília (UnB) aponta que o combustível sustentável de aviação (SAF, do inglês Sustainable Aviation Fuel) produzido a partir de canola de segunda safra no Brasil tem potencial de reduzir em até 55% as emissões de gases de efeito estufa (GEE) em relação ao querosene fóssil convencional Jet-A1. O resultado depende do cenário de adoção e considera toda a cadeia produtiva, do cultivo da oleaginosa até a queima do combustível na aeronave.

    A metodologia adotada pelos pesquisadores é a Avaliação do Ciclo de Vida (ACV), abordagem que mapeia os impactos ambientais em cada etapa do processo produtivo. “O setor aéreo precisa de alternativas tecnicamente viáveis para cumprir metas climáticas globais. E o SAF é hoje a principal estratégia de curto e médio prazo”, afirma Giulia Lamas, doutoranda da UnB e colaboradora da Embrapa Meio Ambiente. “Nosso diferencial foi analisar a canola cultivada como segunda safra no Brasil, em rotação com a soja, sob condições tropicais ainda pouco representadas na literatura internacional”, acrescenta.

    Potencial real, mas com limites regulatórios

    A analista da Embrapa Meio Ambiente Priscila Sabaini esclarece que a redução de 55% representa um potencial máximo, calculado em um cenário hipotético e otimista, ainda inviável na prática. Uma das principais barreiras é técnica e regulatória: o SAF do tipo HEFA (Hydroprocessed Esters and Fatty Acids), produzido a partir de óleos e gorduras vegetais, só pode compor até 50% da mistura com o querosene convencional. Ou seja, a substituição integral do combustível fóssil ainda não é possível.

    O estudo avaliou três cenários para a produção de um megajoule (MJ) de bioquerosene. Uso exclusivo de Jet-A1 fóssil; mistura de 50% SAF com 50% Jet-A1; e 100% SAF. Os resultados dialogam com diretrizes internacionais como o programa Corsia, da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI). E com políticas nacionais como o RenovaBio e a Lei do Combustível do Futuro.

    Agricultura concentra a maior parte das emissões

    Os dados mostram que a fase agrícola responde pela maior parcela das emissões ao longo do ciclo de vida do SAF de canola. O cultivo gera aproximadamente 34,2 g de CO₂ equivalente por MJ, volume impulsionado principalmente pela produção de fertilizantes e pelas emissões de óxido nitroso (N₂O) do solo. A etapa de conversão industrial via HEFA, quando utiliza hidrogênio de origem fóssil, adiciona cerca de 12,8 g de CO₂ eq./MJ.

    “A produção e o uso de fertilizantes, especialmente nitrogenados, representam o principal ponto crítico do sistema”, alerta Alexandre Cardoso, pesquisador da Embrapa Agroenergia. Ele destaca que os bioinsumos surgem como uma alternativa promissora para reduzir as emissões na produção da canola. O estudo também classifica os impactos dos fertilizantes em categorias como eutrofização (excesso de nutrientes em ambientes aquáticos que provoca proliferação de algas e queda nos níveis de oxigênio)  e toxicidade humana.

    “A análise evidencia que a sustentabilidade do SAF depende tanto de avanços industriais quanto de melhorias nas práticas agronômicas”, complementa o professor Edgar Amaral Silveira, da UnB, orientador e coautor do estudo.

    Hidrogênio verde muda o jogo

    A origem do hidrogênio utilizado na produção do combustível emerge como um dos fatores mais determinantes para o desempenho ambiental do SAF. Quando o hidrogênio fóssil cede lugar ao hidrogênio produzido a partir de fontes renováveis, como energia solar e eólica, as emissões na etapa industrial caem entre 86% e 94%. Em cenários mais avançados, com integração de hidrogênio de baixo carbono, o combustível final apresenta intensidade de carbono significativamente menor do que o querosene fóssil.

    “A integração entre bioenergia e hidrogênio renovável pode reduzir de forma importante a intensidade de carbono dos combustíveis de aviação”, destaca Silveira.

    Vantagem brasileira: canola que não compete por terra

    O Brasil reúne uma característica que diferencia positivamente o SAF nacional no cenário global. A canola ocupa áreas já utilizadas, como segunda safra de inverno em rotação com a soja, sem disputar espaço com outras culturas principais.

    “Aqui a canola não entra como cultura principal que ‘disputa’ área, mas como opção de segunda safra no inverno e na safrinha, em sistemas integrados de rotação”, explica Bruno Laviola, chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Agroenergia e pesquisador responsável pela tropicalização da canola. Segundo ele, essa característica melhora o desempenho de sustentabilidade da canola brasileira frente a regiões onde produtores a cultivam como safra única.

    O estudo aponta, contudo, que as emissões associadas à mudança indireta do uso da terra (iLUC) ficaram fora do escopo da análise,. Lacuna que os autores identificam como oportunidade para pesquisas futuras.

    Canola ainda está fora do RenovaCalc

    Os resultados também têm implicações diretas para o mercado de biocombustíveis no Brasil. Atualmente, a canola não integra a rota HEFA do RenovaCalc, ferramenta do programa RenovaBio para certificação da intensidade de carbono e emissão de Créditos de Descarbonização (CBIOs). A inclusão da oleaginosa nessa plataforma pode ampliar as opções de certificação e refletir melhor a diversidade agrícola do país.

    Os pesquisadores reforçam que a análise ambiental precisa ir além das emissões de CO₂. “A redução das emissões climáticas deve vir acompanhada de melhorias no uso de fertilizantes e na mitigação de impactos sobre água e ecossistemas”, afirma Sabaini. “O Brasil reúne condições favoráveis para integrar produção agrícola e energia renovável. O que pode ampliar ainda mais os benefícios climáticos do SAF”, acrescenta a pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente Marilia Folegatti.

    O estudo é fruto de uma colaboração entre o Laboratório de Energia e Ambiente (LEA) da UnB, a Embrapa Agroenergia (DF) e a Embrapa Meio Ambiente (SP), e contribui para o debate internacional sobre a descarbonização da aviação.

  • Safra de cana é a 3ª maior da história, mesmo com impacto do clima

    Safra de cana é a 3ª maior da história, mesmo com impacto do clima

    A produção de cana-de-açúcar no Brasil deve alcançar 673,2 milhões de toneladas na safra 2025/26, uma leve queda de 0,5% em relação ao ciclo anterior, segundo o 4º Levantamento da Safra divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Mesmo com a retração, o país registra a maior produção de etanol da série histórica e a segunda maior fabricação de açúcar.

    O volume colhido coloca a safra atual como a terceira maior já registrada pela Conab, atrás apenas dos ciclos 2022/23 e 2024/25.

    Produção de etanol cresce com avanço do milho

    A produção total de etanol, somando cana-de-açúcar e milho, deve atingir 37,5 bilhões de litros, alta de 0,8% na comparação anual. O crescimento ocorre principalmente pelo avanço do etanol de milho.

    A produção do biocombustível a partir do cereal chega a 10,17 bilhões de litros, um salto de 29,8% frente à safra passada, passando a representar mais de 27% do total produzido no país.

    Por outro lado, o etanol de cana recua. A produção deve somar 27,33 bilhões de litros, queda de 6,9% em relação ao ciclo 2024/25.

    Açúcar registra segunda maior produção da história

    A produção de açúcar está estimada em 44,2 milhões de toneladas, leve alta de 0,1% na comparação anual. O volume configura a segunda maior produção já registrada pela Conab, atrás apenas da safra 2023/24.

    A menor disponibilidade de cana limitou um crescimento mais expressivo, mesmo com maior direcionamento da matéria-prima para a fabricação do adoçante.

    A queda na produção de cana reflete a redução de 2,6% na produtividade média nacional, estimada em 75.184 kg por hectare. Condições climáticas adversas ao longo de 2024, especialmente no Centro-Sul, afetaram o desenvolvimento das lavouras, com estiagens, altas temperaturas e incêndios.

    A expansão da área colhida ajudou a compensar parte das perdas. A área total chega a 8,95 milhões de hectares, crescimento de 2,1% frente à safra anterior.

    Sudeste lidera queda na produção

    Principal polo produtor, o Sudeste deve colher 430,1 milhões de toneladas, queda de 2,2% na comparação anual. O recuo reflete os impactos climáticos registrados ao longo de 2024.

    No Norte, a produção soma 3,8 milhões de toneladas, retração de 7,1%, mesmo com aumento de área. No Nordeste, a estimativa é de 53,3 milhões de toneladas, queda de 2%, influenciada pela menor produtividade.

    A região Centro-Oeste deve produzir 150,2 milhões de toneladas, alta de 3,4%. O avanço ocorre principalmente pela expansão da área colhida, que passou de 1,85 milhão para 1,96 milhão de hectares.

    Apesar disso, a produtividade caiu 2,2%, impactada por condições climáticas menos favoráveis.

    Na região Sul, a produção deve atingir 36 milhões de toneladas, crescimento de 1,9%. O resultado reflete a recuperação da produtividade, favorecida por chuvas mais regulares em comparação ao ciclo anterior.

    Mercado: açúcar ganha espaço e etanol se mantém firme

    Na safra 2025/26, o setor direciona mais cana para a produção de açúcar, o que sustenta a oferta do produto mesmo com menor disponibilidade de matéria-prima.

    Já o mercado de etanol segue equilibrado no curto prazo, com destaque para o segmento de etanol anidro. A menor produção de etanol de cana encontra compensação no avanço do etanol de milho.

    No mercado internacional, a maior oferta de açúcar limita altas mais consistentes nos preços. Ainda assim, prêmios de exportação positivos e incertezas externas garantem sustentação pontual às cotações.

  • Movido a batatas: conheça a história que a indústria automobilística esqueceu

    Movido a batatas: conheça a história que a indústria automobilística esqueceu

    Quando você enche o tanque com etanol hoje em dia, provavelmente não imagina que Henry Ford já tava nessa vibe há mais de 100 anos. O cara não era só obcecado por carros, ele queria literalmente transformar batatas em combustível.

    Foto: Divulgação Ford Motors

    Documentos da década de 1910 revelam que o fundador da Ford conduziu experimentos extensos com biocombustíveis, testando desde açúcar e madeira até batatas alemãs. O objetivo? Encontrar um substituto viável para a gasolina antes que ela ficasse cara demais ou simplesmente acabasse.

    O Modelo T que rodava com qualquer coisa

    Lançado em 1908, o icônico Ford Modelo T tinha uma característica interessante que muita gente não conhece: ele conseguia rodar com gasolina, álcool e até querosene. Não era exatamente um carro flex como conhecemos hoje, mas a flexibilidade do motor de quatro cilindros impressionava.

    “Todo mundo está esperando por um substituto para a gasolina”, declarou Henry Ford em 1916 ao jornal Western Brewer, uma publicação voltada pra produtores de cerveja. A escolha do veículo de comunicação não foi aleatória – Ford tinha um plano audacioso envolvendo cervejarias.

    O magnata, que era conhecido por não beber uma gota de álcool, viu uma oportunidade quando cerca de 60 cervejarias fecharam as portas em Michigan devido à proibição da bebida. Sua ideia era simples e genial: converter essas instalações em destilarias de álcool combustível.

    Testes surpreendentes nos laboratórios da Ford

    Durante 18 meses, a equipe de engenheiros da Ford testou diversos tipos de álcool combustível. Os resultados foram surpreendentes, e até melhores que a gasolina em alguns aspectos.

    Foto: Divulgação Ford Motors

    Um Modelo T abastecido com álcool apresentou potência 15% superior comparado ao mesmo carro rodando com gasolina. O motor de 20 cavalos ficava mais forte, embora a autonomia fosse um pouco menor. Qualquer dono de carro flex brasileiro reconhece esse trade-off na hora.

    Ford testou álcool produzido de várias fontes vegetais: resíduos de fábricas de enlatados, sobras de usinas de açúcar, talos de milho e aquela tal batata alemã especial que poderia ser cultivada localmente. Até materiais que normalmente iriam pro lixo viraram combustível nos experimentos.

    A visão futurista de Henry Ford

    O empresário não pensava pequeno. Em entrevista ao Western Brewer, ele revelou que já tinha 30 tratores Fordson funcionando com álcool em Dearborn. Mas a visão dele ia muito além dos veículos.

    Henry Ford. Foto: Divulgação Ford Motors

    Ford imaginava um futuro em que tubulações subterrâneas distribuiriam álcool combustível para abastecer carros, tratores, sistemas de iluminação e cozinhas domésticas, de forma semelhante ao uso atual do gás natural.

    “Quando isso acabar não haverá mais gasolina e, muito antes disso, o preço da gasolina terá subido a um ponto em que será muito caro para ser queimado como combustível automotivo”, previu Ford com uma precisão impressionante.

    Como a lei seca matou o sonho verde

    Apesar dos resultados promissores e do potencial comercial demonstrado, o projeto dos biocombustíveis de Ford enfrentou um obstáculo insuperável: a Lei Seca.

    A proibição do álcool começou em Michigan antes mesmo da lei federal entrar em vigor em 1920. Operar destilarias legalmente se tornou praticamente impossível, mesmo que o álcool fosse destinado exclusivamente para fins combustíveis.

    Quando a Lei Seca finalmente terminou em 1933, a Ford já tinha seguido em frente. O Modelo T havia sido substituído pelo Modelo A e depois pelos motores V8 de cabeçote plano. A janela de oportunidade tinha fechado.

    O legado esquecido

    Hoje, quando você abastece seu carro com etanol no Brasil, prática comum desde os anos 70, você tá usando uma tecnologia que Henry Ford ajudou a desenvolver um século atrás. A diferença é que levou décadas pra ideia finalmente decolar.

    Os experimentos de Ford com biocombustíveis mostram um lado menos conhecido do inventor: ele não era só um gênio da produção em massa, mas também um visionário ambiental à frente do seu tempo.

    Portanto, se a Lei Seca não tivesse atrapalhado, quem sabe os Estados Unidos não teriam se tornado pioneiros em combustíveis renováveis já nos anos 1920? A história dos carros e do meio ambiente poderia ter sido bem diferente.

  • Etanol brasileiro pode alcançar emissão negativa de carbono

    Etanol brasileiro pode alcançar emissão negativa de carbono

    Os pesquisadores da Embrapa e Unicamp desenvolveram estudo revolucionário sobre biocombustíveis. A pesquisa demonstra que novas tecnologias podem zerar a pegada de carbono do etanol. Além disso, o processo consegue até mesmo gerar emissões negativas no setor.

    Tecnologias inovadoras transformam setor sucroenergético

    O estudo avaliou duas tecnologias principais para reduzir emissões de carbono. Cientistas analisaram o sistema BECCS e a aplicação de biochar em canaviais. Essas soluções podem ampliar significativamente os benefícios do programa RenovaBio.

    O BECCS captura carbono biogênico emitido durante a produção de etanol. Durante a fermentação, as usinas liberam dióxido de carbono que pode ser capturado. Posteriormente, o CO₂ fica armazenado em formações rochosas subterrâneas de forma permanente.

    A Usina FS já aplica essa tecnologia pioneira no território brasileiro. A iniciativa reforça o papel dos biocombustíveis na economia de baixo carbono. Entretanto, o processo ainda demanda altos investimentos e infraestrutura especializada.

    Biochar melhora solo e sequestra carbono

    O biochar transforma resíduos vegetais em material estável de carbono. Pesquisadores submetem bagaço de cana à pirólise com pouco oxigênio. O resultado é um biocarvão que melhora propriedades físicas do solo.

    Produtores aplicam o material nos canaviais para sequestrar CO₂ por décadas. Cada tonelada de biochar pode capturar até 1,42 toneladas de carbono equivalente. Além disso, o produto atua como corretivo agrícola natural nas lavouras.

    Redução drástica na intensidade de carbono

    Atualmente, o etanol hidratado brasileiro apresenta 32,8 gramas de CO₂ por megajoule. Com BECCS na fermentação, o índice cairia para apenas 10,4 gramas. A aplicação de biochar reduziria as emissões para 15,9 gramas por megajoule.

    Lucas Pereira, pesquisador da Embrapa, explica cenários ainda mais ambiciosos possíveis. “A captura durante a combustão permitiria resultados negativos de -81,3 gramas”, afirma. Isso significa que o etanol removeria mais carbono do que emite.

    Custos elevados limitam adoção das tecnologias

    Nenhuma das 300 usinas certificadas pelo RenovaBio adota essas tecnologias atualmente. Os créditos de descarbonização negociam a cerca de US$ 20 por tonelada. Porém, o BECCS custa entre US$ 100 e US$ 200 por tonelada capturada.

    O biochar apresenta custo médio de US$ 427 por tonelada do produto. Esses valores elevados impedem a implementação em larga escala no momento. Especialistas apontam necessidade de novos mecanismos de incentivo econômico e regulatório.

    Duas frentes de captura de carbono

    Nilza Patrícia Ramos, da Embrapa, destaca duas frentes de aplicação estudadas. A primeira ocorre durante a fermentação alcoólica nas usinas de etanol. A segunda acontece na geração de eletricidade a partir de biomassa.

    “A fermentação emite CO₂ relativamente puro e mais fácil de capturar”, explica. Já a combustão pode gerar emissões negativas em maior escala comercial. Contudo, essa opção enfrenta custos mais altos e desafios de infraestrutura.

    Plantas-piloto já testam armazenamento de carbono em usinas de etanol. Entretanto, nenhuma unidade sucroenergética opera comercialmente com a tecnologia ainda. Especialistas alertam sobre necessidade de mapear formações geológicas adequadas para armazenamento.

    Biochar reduz também outros gases de efeito estufa

    Cristiano Andrade, pesquisador da Embrapa, destaca benefícios adicionais do biochar. O produto reduz emissões de óxido nitroso, gás muito mais potente. Experimentos consideram aplicação entre 1 e 4 toneladas por hectare cultivado.

    A taxa menor é compatível com a rotina atual das usinas. A maior representa o limite viável conforme disponibilidade de resíduos agrícolas. Porém, aplicações excessivas podem afetar negativamente a fertilidade do solo.

    Etanol supera gasolina e compete com elétricos

    Pesquisadores compararam emissões de veículos movidos a etanol, gasolina e eletricidade. Mesmo sem tecnologias de emissão negativa, o etanol apresenta menor intensidade. Com BECCS e biochar, a vantagem ambiental aumenta significativamente em relação.

    Em alguns cenários, o etanol pode superar até veículos elétricos brasileiros. Isso ocorre quando se considera a eletricidade média do sistema nacional. O biocombustível demonstra potencial competitivo frente a todas as alternativas atuais.

    RenovaBio precisa de políticas complementares

    O programa RenovaBio estimula biocombustíveis com baixa emissão de gases estufa. Distribuidoras de combustíveis fósseis adquirem CBIOs para compensar suas emissões. Cada crédito equivale a uma tonelada de CO₂ evitada no ambiente.

    Contudo, o incentivo financeiro atual pode não viabilizar tecnologias de captura. O estudo sugere linhas de financiamento e mercado voluntário de carbono. Nos Estados Unidos, o crédito tributário 45Q remunera até US$ 180/tCO₂.

    Potencial de reduzir 12% das emissões nacionais

    A implementação em larga escala geraria ganhos expressivos para o Brasil. A combinação de tecnologias poderia resultar em 197 milhões de toneladas. Isso equivale a 12% de todas as emissões brasileiras registradas em 2022.

    O cenário mais viável capturaria cerca de 20 milhões de toneladas anualmente. Cada usina certificada sequestraria em média 75 mil toneladas de carbono. Esse volume seria decisivo para cumprimento das metas climáticas brasileiras até 2030.

    O país precisa reduzir emissões líquidas para 1.200 milhões de toneladas. Isso representa 500 milhões a menos que o total emitido em 2022. As tecnologias de emissão negativa acelerariam significativamente esse processo de descarbonização.

    Desafios na coleta de dados agrícolas

    Autores do estudo alertam sobre fragilidades no inventário de dados agrícolas. Usinas ainda apresentam dificuldades para mensurar emissões com precisão total. Isso pode gerar superestimativas ou subestimativas nos cálculos de impacto ambiental.

    A análise de mudanças no uso da terra ainda carece de detalhamento. Esse fator é central para avaliar sustentabilidade real da bioenergia brasileira. Especialistas recomendam aprimoramento urgente dos sistemas de monitoramento e rastreabilidade.

    Brasil pode liderar transição para combustíveis limpos

    O Brasil é o segundo maior produtor mundial de etanol e biodiesel. O país dispõe de infraestrutura agrícola e industrial robusta para expansão. Além disso, políticas consolidadas como RenovaBio oferecem base regulatória sólida.

    O etanol brasileiro já se destaca como combustível de baixo carbono. Com tecnologias de emissão negativa, o país daria salto qualitativo expressivo. Isso colocaria o Brasil na vanguarda da transição energética global atual.

    O biocombustível nacional competiria não apenas com combustíveis fósseis tradicionais. A disputa incluiria também veículos elétricos e hidrogênio verde no mercado. Pesquisadores veem oportunidade única para o agronegócio brasileiro se posicionar estrategicamente.

    Futuro depende de articulação entre setores

    O avanço das tecnologias exige equilíbrio entre inovação e economia sustentável. Mecanismos econômicos precisam tornar o carbono negativo competitivo internacionalmente. Políticas públicas mais ambiciosas são fundamentais para viabilizar os investimentos necessários.

    O futuro do etanol depende menos da disponibilidade técnica das soluções. O desafio central está na capacidade de articular incentivos econômicos eficazes. Somente assim o Brasil transformará o carbono negativo em ativo competitivo.

    Os pesquisadores concluem que o momento é estratégico para o setor sucroenergético. A janela de oportunidade está aberta para liderança brasileira em biocombustíveis avançados. Entretanto, isso requer decisões coordenadas entre governo, setor privado e academia.

  • Universidade mineira usa macaúba como combustível de aviação

    Universidade mineira usa macaúba como combustível de aviação

    Uma inovação tecnológica desenvolvida na Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) está transformando a macaúba, palmeira nativa do Cerrado brasileiro, em alternativa viável para a produção de biocombustível de aviação. A descoberta promete revolucionar o setor energético nacional e gerar centenas de empregos no Norte de Minas Gerais.

    Foto: Júlia Rodrigues / Fapemig

    Após mais de 15 anos de pesquisa no Laboratório de Reprodução Vegetal da Unimontes, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), cientistas conseguiram um feito impressionante: reduzir o tempo de germinação das sementes de macaúba de dois anos para apenas duas semanas.

    O protocolo inovador, coordenado pelo professor Leonardo Ribeiro, soluciona um dos principais gargalos para o cultivo comercial da palmeira. “Desenvolvemos tecnologias para favorecer a germinação e a produção de mudas em larga escala, possibilitando a implantação de cultivos e a expansão da cultura”, explica o pesquisador.

    Dormência das sementes: o desafio superado

    O avanço científico foi possível após a equipe identificar que as sementes da macaúba apresentavam dormência natural – mecanismo que retarda a germinação para garantir sobrevivência em ambientes secos. Em condições normais, apenas 10% das sementes germinavam em até dois anos, inviabilizando economicamente o plantio comercial.

    Túlio Oliveira, bolsista de pós-doutorado pela Fapemig no projeto, destaca a importância da descoberta: “Essa palmeira é uma das espécies vegetais mais oleaginosas conhecidas. Estudamos vários aspectos reprodutivos para gerar tecnologias aplicáveis”.

    Da universidade à indústria: parceria bilionária

    A tecnologia patenteada pela Unimontes em 2013, com concessão oficial em 2018, foi transferida em 2023 para a Acelen Energia Renovável, multinacional do setor energético. O acordo prevê investimentos totais de até R$ 3 bilhões em plantios e unidades de beneficiamento.

    Já foram investidos mais de R$ 300 milhões no projeto, que gerou cerca de 90 empregos diretos na região. A empresa inaugurou recentemente em Montes Claros o maior centro de inovação para pesquisas com macaúba do mundo, capaz de produzir 10 milhões de mudas por ano.

    Bioquerosene de aviação: o futuro sustentável

    O óleo vegetal extraído dos frutos da macaúba apresenta alto potencial para produção de bioquerosene de aviação civil, oferecendo alternativa renovável aos combustíveis fósseis. O projeto prevê a implantação de 100 a 200 mil hectares de cultivo em áreas degradadas, promovendo recuperação ambiental aliada à geração de energia limpa.

    “O coco macaúba já servia como fonte de renda para muitas famílias no Norte de Minas. Mas ainda havia muito a ser explorado. Só estamos descobrindo esse potencial graças aos investimentos em ciência e tecnologia”, afirma Bruno Araújo, secretário Executivo de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais.

    Impacto regional e desenvolvimento sustentável

    Para Leonardo Ribeiro, coordenador da pesquisa, o projeto representa a consolidação do papel da universidade no desenvolvimento regional. “A tecnologia gerada aqui impulsiona o desenvolvimento da região e oferece oportunidades de emprego e geração de renda para todos no Norte de Minas”, celebra o professor.

    Equipe do Laboratório de Reprodução Vegetal (Lar) da Unimontes. Foto: Júlia Rodrigues / Fapemig

    O Laboratório de Reprodução Vegetal da Unimontes já é referência nacional em estudos de palmeiras nativas, incluindo buriti e coquinho azedo, consolidando Minas Gerais como polo de inovação em bioenergia sustentável.

  • Paraguaçu Paulista inaugura planta de biometano. Setor pode gerar até 20 mil empregos em SP

    Paraguaçu Paulista inaugura planta de biometano. Setor pode gerar até 20 mil empregos em SP

    O governador Tarcísio de Freitas participou da inauguração da segunda planta 100% de biometano no estado. O evento aconteceu no sábado (27) na usina Cocal, localizada em Paraguaçu Paulista, interior de São Paulo.
    A nova estrutura produz até 60 mil metros cúbicos de biocombustível por dia. Autoridades estaduais e municipais compareceram ao evento, incluindo o secretário executivo Alberto Amorim e deputados federais e estaduais.

    A planta utiliza vinhaça e torta de filtro, resíduos nobres da cana-de-açúcar, para produzir biogás. A empresa também aproveita esterco animal de granjas regionais no processo produtivo. “A unidade representa um marco na transição energética”, afirma Carlos Ubiratan Garms, membro do conselho da Cocal. “Com nossas duas plantas ativas, nossa região se torna uma das principais produtoras mundiais de biometano.”

    Estado lidera políticas públicas para biocombustíveis

    A Secretaria de Agricultura incentiva ativamente o uso do biometano como fonte renovável. Em 2024, parcerias com SEMIL e CETESB estabeleceram procedimentos de licenciamento ambiental para plantas do setor sucroenergético.

    Alberto Amorim, secretário executivo da SAA, destaca a posição estratégica paulista. “São Paulo ocupa apenas 3% da superfície brasileira, mas demonstra liderança em inovação e gestão energética.”

    A empresa distribui o biometano através de GNC (gás comprimido em cilindros). Caminhões transportam o combustível para clientes industriais e comerciais em todo o país. O objetivo da Cocal inclui substituir diesel por biometano nos veículos de transporte. Esta estratégia criará um ciclo completo com zero emissões desde a produção até a entrega final.

    “Pré-sal caipira” impulsiona economia verde

    São Paulo cultiva aproximadamente 5,5 milhões de hectares de cana-de-açúcar. O estado lidera a produção nacional e aproveitará resíduos como bagaço, palha e vinhaça para gerar energia.

    O setor ganhou relevância estratégica durante a Crise do Petróleo nos anos 1970. O etanol de cana reduziu a dependência brasileira do petróleo importado e consolidou alternativas energéticas.

    Biometano pode gerar 20 mil empregos até 2030

    O gás biometano resulta da purificação do biogás gerado pela decomposição orgânica. Após o tratamento, adquire propriedades similares ao gás natural convencional. Estudos da Fiesp e Governo de SP indicam potencial para criar 20 mil empregos diretos e indiretos. A produção pode aumentar de 0,4 milhão para 6,4 milhões de m³/dia.

    A expansão do biometano contribuirá para reduzir 16% das emissões previstas nas metas climáticas estaduais. A projeção estima cobertura de 40% da demanda atual de gás natural.
    Presidente Prudente receberá distribuição prioritária do biometano produzido. A estratégia fortalece a matriz energética regional e atrai investimentos sustentáveis.