Tag: babaçu

  • Bioeconomia amazônica chega ao mercado

    Bioeconomia amazônica chega ao mercado

    A Amazônia tem mais de 11 mil empresas ligadas à bioeconomia. Elas geram 200 mil empregos diretos e quase 1 milhão de empregos indiretos nos nove estados da região. Os dados estão no livro Bioindústrias na Amazônia: contribuições para o desenvolvimento sustentável na Amazônia Legal, lançado durante o Bioeconomy Amazon Summit (BAS), em Belém, na noite de quarta-feira.

    A publicação é resultado de parceria entre o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e também funciona como plataforma de inteligência de negócios.

    “Não é só um livro. É a reunião de trabalhos e também uma plataforma de BI, disponível para consulta e pesquisas”, disse Ricardo Araújo, analista de produtividade e inovação da ABDI.

    Para Gabriela Savian, diretora de políticas públicas do IPAM, o levantamento revela uma lógica produtiva diferente da industrial tradicional. “A publicação traz um diagnóstico aprofundado de um processo de indústria que não é necessariamente como a gente imagina, de uma fábrica com uma chaminezinha. É o processo de pensar como amazonizar a indústria, ao invés de industrializar a Amazônia”, afirmou.

    130 startups, da bebida de jambu ao aditivo de motor

    A terceira edição do BAS, realizada entre os dias 12 e 14 de maio em Belém, reuniu 130 startups do universo de 11 mil empresas. O portfólio inclui fabricantes de bebidas, cosméticos, alimentos, biofertilizantes, biojóias, bioaditivos para motores à combustão e serviços de regeneração de áreas degradadas.

    Foto: Flavia Bessa/Embrapa

    Entre os casos mais emblemáticos, a Apoema, sediada em Coroatá (MA), aposta no aproveitamento total do coco de babaçu. Além de atuar em alimentos e bebidas, a startup desenvolveu um aditivo para redução do consumo de combustível, testado em parceria com uma grande cervejaria brasileira.

    Outro destaque foi a Sinimbu. Fundada com foco na produção de um concentrado de jambu para drinks. A planta é conhecida pela dormência que provoca nos lábios, a empresa descobriu potencial em outros segmentos. A fundadora Tatiana Sinimbu criou o spray “tremidão”, voltado a prolongar o prazer durante a atividade sexual, e posicionou o produto como “estimulante sensorial”. As duas empresas participaram da primeira edição do evento, em 2023, e estão em fase de captação de recursos.

    Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

    O açaí também ganhou novos contornos no evento. A Maçaix atua na valorização do açaí de origem, conceito similar ao terroir do café e do vinho. A empresa desenvolveu processos para processar a fruta em até 12 horas após a colheita, preservando sabor e nutrientes e reduzindo o uso de açúcar. Em parceria com o Instituto Nacional de Tecnologia do Brasil, também criou tecnologia para extrair antioxidantes do caroço do açaí, subproduto ainda pouco aproveitado comercialmente.

    Hub de convergência

    Criado em 2023 pela KPTL e pela Kyvo, o BAS se consolidou como principal ponto de encontro da bioeconomia amazônica. O objetivo é facilitar o compartilhamento de soluções, acelerar negócios e conectar tecnologia, ciência e saberes tradicionais.

    Nas duas edições anteriores, o evento projetou soluções de mais de 300 empreendedores amazônicos para o mercado internacional. Nesta edição, participaram também 60 instituições, 30 representantes de comunidades tradicionais e iniciativas nas áreas de financiamento sustentável, inovação territorial, reflorestamento e cultura.

    O potencial econômico do bioma amazônico é estimado em aproximadamente US$ 140 bilhões.

  • Murici, babaçu e camu-camu: ingredientes amazônicos conquistam a indústria brasileira

    Murici, babaçu e camu-camu: ingredientes amazônicos conquistam a indústria brasileira

    Murici, bacaba, camu-camu, taperebá e bacuri. Ingredientes amazônicos até pouco tempo ignorados pelo mercado nacional avançam sobre prateleiras e formulações da indústria brasileira. O movimento ganha força com o apoio da Plataforma Digital da Floresta, desenvolvida pelo Instituto CERTI Amazônia, que conecta empresas a fornecedores de mais de 30 cadeias produtivas da sociobiodiversidade amazônica.

    Murici, também conhecido como Muruci. Foto: Divulgação

    Além de produtos já consolidados, como açaí e cacau, a plataforma reúne ingredientes ainda pouco explorados comercialmente, como vinagreira, taioba e taperebá. O interesse vem crescendo nos setores de alimentação, cosméticos e farmacêutico. Áreas que buscam insumos naturais diante de uma demanda global por sustentabilidade.

    Babaçu surpreende e lidera procura em 2025

    Entre os destaques de 2025, o babaçu registrou uma procura acima do esperado. A plataforma viabiliza a comercialização direta entre produtores e indústrias, oferece rastreabilidade dos produtos e aplica inteligência de dados à bioeconomia. O sistema analisa variáveis como produção, clima e disponibilidade de insumos para melhorar o planejamento das cadeias produtivas e aumentar a previsibilidade das safras.

    A Natura é uma das empresas que já utiliza essa tecnologia. A plataforma apoia a previsão de safras de castanha usadas nos produtos da companhia.

    Marco Giagio, diretor do Instituto CERTI Amazônia, apresentando a Plataforma Digital da Floresta. Foto: Divulgação

    “Isso garante maior estabilidade econômica às comunidades extrativistas e segurança de fornecimento para a indústria. Ao utilizar inteligência de dados aplicada à bioeconomia, conseguimos melhorar a organização da cadeia produtiva”, afirma Marco Giagio, diretor do Instituto CERTI Amazônia.

    Plataforma reúne três ferramentas e expande para o Sul e Sudeste

    A Plataforma Digital da Floresta opera com três soluções integradas: o Bioconex, hub de marketplaces para negociações entre produtores e compradores; o Vem de Onde, que garante a rastreabilidade dos produtos; e o BI da Floresta, responsável pela análise de dados e geração de inteligência para a tomada de decisões.

    Nos últimos anos, a plataforma passou a concentrar ofertas de dezenas de cadeias produtivas, permitindo que empresas identifiquem fornecedores, visualizem a origem dos produtos e negociem diretamente com produtores, cooperativas e associações da região. Provas de conceito realizadas em 2025 avaliaram a capacidade de fornecimento para mercados do Sul e Sudeste, abrindo caminho para ampliar a comercialização em outras regiões do país.

    “Ao estruturar essas conexões, a iniciativa fortalece as cadeias produtivas amazônicas e amplia a geração de renda para comunidades extrativistas, ao mesmo tempo em que facilita o acesso da indústria a novos insumos”, conclui Giagio.

  • Biodiesel de babaçu: comunidades tradicionais encontram alternativa sustentável

    Biodiesel de babaçu: comunidades tradicionais encontram alternativa sustentável

    As quebradeiras de coco babaçu das regiões Norte e Nordeste do Brasil desenvolvem uma alternativa energética que combina sustentabilidade ambiental com desenvolvimento social. O biodiesel produzido a partir do coco babaçu demonstra qualidade técnica superior, mas encontra seu melhor desempenho em iniciativas comunitárias e regionais.

    Luís Alberto Folegatti Romero, professor do Departamento de Engenharia Química da Escola Politécnica da USP, classifica o babaçu como matéria-prima promissora para a produção de biodiesel. O óleo extraído das amêndoas do coco possui alto teor lipídico e composição favorável, o que garante ao biodiesel elevado número de cetano e combustão eficiente.

    Políticas públicas incentivam agricultura familiar

    O governo brasileiro introduziu o biodiesel na matriz energética nacional em 2005. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) passou a regular a qualidade do biocombustível. Produtores que adquirem matérias-primas da agricultura familiar recebem incentivos fiscais, medida que favorece o extrativismo do babaçu.

    O selo combustível social, criado no mesmo período, busca estimular a compra de produtos de comunidades tradicionais, como as quebradeiras de coco. Em 2017, o governo estabeleceu metas de descarbonização e reconheceu o biodiesel de babaçu como componente estratégico da matriz energética do país.

    Desafios limitam expansão do biodiesel de babaçu

    O professor Romero identifica obstáculos significativos que impedem a competição do biodiesel de babaçu com outros biocombustíveis em larga escala.

    Processo manual eleva custos: a coleta e quebra do coco exigem grande esforço físico, apresentam baixa mecanização e geram pouco rendimento. Esses fatores elevam o custo da matéria-prima e dificultam o abastecimento regular das usinas.

    Logística complexa em áreas remotas: os babaçuais se estendem por áreas extensas e dispersas, geralmente em zonas rurais de difícil acesso. O transporte do fruto, da amêndoa ou do óleo enfrenta limitações de infraestrutura.

    Indústrias disputam matéria-prima: empresas de cosméticos e alimentos competem pelo coco babaçu. Fabricantes de carvão vegetal frequentemente pagam valores mais altos pelo óleo e derivados, o que reduz a disponibilidade para uso energético.

    Escala industrial inviabiliza competição: o biodiesel de babaçu não consegue competir economicamente com matérias-primas produzidas em grande escala, como soja ou sebo bovino. O custo elevado e a dificuldade de produção em volumes industriais representam entraves significativos.

    Vulnerabilidades sociais e ambientais: as quebradeiras de coco, principais responsáveis pelo extrativismo, enfrentam baixos retornos financeiros e falta de equipamentos adequados. Conflitos fundiários dificultam o acesso aos palmeirais em muitos casos, o que compromete toda a cadeia produtiva.

    A expansão agrícola pressiona os babaçuais, espécie de regeneração natural. A ausência de manejo adequado pode reduzir a disponibilidade futura da matéria-prima.

    Vocação regional e desenvolvimento sustentável

    Apesar dos desafios, o babaçu apresenta propriedades superiores quando comparado a outras oleaginosas. O professor ressalta que o biocombustível funciona melhor em contextos específicos.

    “O babaçu se destaca em projetos regionais, comunitários e de desenvolvimento sustentável, onde o objetivo não é competir com grandes usinas, mas promover inclusão social, renda local e valorização de recursos naturais”, afirma Romero.

    A estratégia prioriza o fortalecimento de comunidades tradicionais e a preservação de práticas extrativistas sustentáveis, em vez da competição no mercado nacional de biocombustíveis.

    Fonte: Jornal da USP/ Por

  • Governo garante novos preços mínimos para produtos da floresta

    Governo garante novos preços mínimos para produtos da floresta

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou a tabela de preços mínimos para os produtos da sociobiodiversidade na safra 2026. A medida garante valores de referência para extrativistas, cooperativas e comunidades tradicionais, oferecendo proteção contra a instabilidade do mercado e sustentando o planejamento da produção.

    A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) lidera a análise técnica de mercado para propor esses valores, que integram o Programa de Valorização da Sociobiodiversidade e do Extrativismo (Sociobio Mais). Os preços servem como base oficial para instrumentos de apoio à renda e evitam perdas quando as cotações ficam abaixo de um patamar justo.

    Confira os principais preços mínimos para a safra 2026:

    • Castanha-do-Brasil com casca: R$ 7,58/kg
    • Castanha-do-Brasil sem casca: R$ 21,44/kg
    • Borracha beneficiada (CVP): R$ 9,55/kg
    • Amêndoa de babaçu: R$ 3,43/kg
    • Pequi em amêndoa: R$ 13,74/kg

    A atualização anual desses parâmetros consolida operações mais estáveis para a política agrícola e reforça o desenvolvimento das cadeias produtivas. Preços previsíveis ajudam as comunidades a organizar a colheita, investir no beneficiamento dos produtos e manter a renda familiar, promovendo a conservação da floresta em pé.

    As regras definem valores para outros produtos extrativistas, fortalecendo atividades econômicas sustentáveis que dependem da sociobiodiversidade brasileira.

  • Mulheres inauguram fábrica pioneira de sabonetes de babaçu

    Mulheres inauguram fábrica pioneira de sabonetes de babaçu

    Dez mulheres da Associação das Quebradeiras de Coco de Miguel Alves conquistaram apoio da Fundação Banco do Brasil. O grupo desenvolve agora a primeira fábrica de sabonetes artesanais feitos com óleo de babaçu no norte do Piauí.

    O projeto promete aumentar significativamente a renda das participantes. A iniciativa também estimula o empreendedorismo feminino na região.

    A fábrica ocupará um espaço na localidade Retrato, município de Miguel Alves. O local fica a 20 quilômetros do centro da cidade.

    Foto: Secom/PI

    A comunidade possui extensas matas de babaçuais. As mulheres têm livre acesso a essas áreas há anos. Elas já trabalham tradicionalmente com a quebra do coco babaçu.

    Quebradeiras já produzem diversos produtos do babaçu

    As associadas fabricam atualmente vários produtos à base do coco babaçu. A linha inclui azeite, óleo, massa do mesocarpo e biscoitos. A ex-governadora Regina Sousa apoiou o projeto durante seu desenvolvimento.

    As quebradeiras finalizam agora os últimos detalhes do projeto. A conclusão permitirá a liberação dos recursos da Fundação Banco do Brasil.

    O cronograma prevê primeiro a reforma da casa que abrigará a fábrica. Depois, a associação realizará cursos sobre produção de sabonetes, gestão de negócios e criação de embalagens. Os cursos ensinarão também o aproveitamento de materiais dos babaçuais.

    Presidente destaca importância econômica do projeto

    Maria Lúcia preside a Associação das Mulheres Quebradeiras de Coco de Miguel Alves. Ela explica que o projeto amplia a renda das quebradeiras e estimula negócios da cadeia produtiva do babaçu.

    “A associação vive hoje com as vendas de mesocarpo, azeite de coco, óleo extra virgem e biscoito”, conta Maria Lúcia. “Esses produtos complementam fundamentalmente a renda das nossas famílias.”

    Foto: Secom/PI

    A associação participa do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). O programa compra produtos para merenda escolar. O grupo também trabalha com a Conab e integra o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Esse programa adquire produtos da agricultura familiar. “Tudo isso se agrega nas nossas rendas”, destaca a presidente.

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    A Fundação Banco do Brasil apoiou anteriormente a construção de uma casa de produção para as quebradeiras. “Nós mulheres empreendedoras do coco babaçu temos muito a agradecer por essa parceria”, afirma Maria Lúcia.

    “Hoje podemos dizer que somos empreendedoras”, completa. “O curso da saboaria começará com 10 mulheres. Será uma experiência ótima e estamos ansiosas para iniciar.”

    O projeto explorará melhor o potencial produtivo da palmeira babaçu. A comunidade considera essa árvore uma mãe para muitas famílias da região abundante em babaçuais.

    O coco babaçu não gera desperdício. Além dos alimentos de qualidade e carvão vegetal, a palmeira produz artesanato e adubos naturais.

    Movimento defende preservação e livre acesso

    As quebradeiras defendem a preservação da palmeira e o livre acesso às matas. A conservação das árvores mantém a atividade produtiva. Ela também amplia a renda familiar e gera produtos bem aceitos no mercado.

    Alzira Sales Pereira integra a Associação das Mulheres Quebradeiras de Coco de Miguel Alves. Ela avalia que a fábrica aumentará a renda das famílias e contribuirá com a economia local e estadual.

    “A fabricação de sabonete artesanal combinará fatores econômicos, sociais, culturais e ambientais”, explica Alzira. “Temos uma região extensa de babaçu que nunca falta.”

    A produtora destaca os cuidados com preservação para manter sempre a matéria-prima disponível. “A fabricação dos sabonetes será muito importante para nossa comunidade e para o Piauí”, conclui. “Dará grande visibilidade aos nossos trabalhos.”

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  • Mercado global de cacau enfrenta volatilidade

    Mercado global de cacau enfrenta volatilidade

    O mercado internacional de cacau permanece sob forte volatilidade em 2025. Os preços da commodity atingiram patamares historicamente altos devido à quebra de safra nos principais países produtores da África Ocidental, região responsável por quase 70% da produção mundial. A escassez de oferta e as incertezas climáticas têm elevado o risco de um novo déficit no balanço global. E podem configurar o quarto ano consecutivo de saldo negativo.

    A safra 2024/25 na Costa do Marfim e em Gana, líderes globais na produção de cacau, foi impactada por condições climáticas adversas, resultando na menor oferta dos últimos oito anos. Estimativas apontam que a produção marfinense deve ficar entre 1,75 e 1,80 milhão de toneladas, patamar semelhante ao ciclo anterior e bem abaixo dos recordes históricos. O clima seco e as chuvas insuficientes limitaram o desenvolvimento das lavouras, frustrando expectativas de recuperação para a safra intermediária de 2025.

    Com a oferta restrita, os preços futuros do cacau dispararam. Ele chegou a  superar US$ 11 mil por tonelada em 2024 e permanecendo acima de US$ 8 mil em 2025, um aumento de 180% em dois anos. Apesar de uma leve queda recente, as cotações seguem significativamente acima da média histórica, pressionando a indústria global de chocolates e derivados.

    Novos players ganham espaço, mas não compensam queda africana

    A alta nos preços tem estimulado o crescimento da produção em países como Equador, Indonésia e Nigéria, que apresentam exportações mais robustas em 2025. No entanto, o avanço desses mercados ainda não é suficiente para suprir a lacuna deixada pela queda africana, mantendo o cenário global de oferta apertada.

    Outro fator de instabilidade é o ritmo mais lento das vendas antecipadas da safra 2025/26 por parte das entidades estatais de comercialização da Costa do Marfim e Gana, fundamentais para a definição de preços ao produtor e para sinalizar expectativas de produção. O atraso nas negociações reforça a percepção de risco sobre a próxima colheita.

    Apesar de alguns indicadores climáticos apontarem chuvas próximas à normalidade para o início da nova safra, analistas recomendam cautela. Caso o clima favorável se mantenha e os preços elevados incentivem investimentos em manejo, há potencial para recuperação. Mas ainda é cedo para prever uma reversão do quadro atual.

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  • AgroTagMFE: ferramenta digital fortalece rastreabilidade da castanha-da-amazônia

    AgroTagMFE: ferramenta digital fortalece rastreabilidade da castanha-da-amazônia

    A Embrapa Meio Ambiente lançou o AgroTagMFE, um aplicativo gratuito e de código aberto que permite mapear, registrar e monitorar em tempo real práticas sustentáveis de manejo florestal, com foco na castanha-da-amazônia e outros produtos da sociobiodiversidade amazônica. A tecnologia integra o sistema AgroTag e oferece transparência para mercados nacionais e internacionais. Além de agregar valor à cadeia produtiva da castanha, um dos principais pilares da bioeconomia na região.

    Desenvolvido a partir do módulo MFE (Manejo Florestal e Extrativismo), o AgroTagMFE atende projetos como “Manejo Florestal Extrativismo: criando referências para o desenvolvimento territorial na Amazônia” e “NewCast – Novas Soluções Tecnológicas para a Cadeia da Castanha-da-Amazônia”. O aplicativo conta com formulários específicos para espécies como açaí, andiroba, babaçu, bacuri, pau-mulato, pracaxi e, especialmente, a castanha-da-amazônia. Assim, possibilitando a coleta detalhada de dados espaciais e temporais das áreas manejadas.

    Segundo a pesquisadora Luciana Spinelli, o sistema registra informações com fotos, desenhos, coordenadas geográficas e dados sobre as etapas de pré-coleta, coleta e pós-coleta. Esses dados são sincronizados em uma plataforma online com mapas interativos (WebGIS). Isso permite gerar relatórios, cruzar informações com imagens de satélite e realizar análises robustas sobre a sustentabilidade das áreas extrativistas e as boas práticas adotadas.

    A rastreabilidade da castanha-da-amazônia é fundamental para garantir acesso a mercados internacionais cada vez mais exigentes. Especialmente após o Brasil perder espaço para a Bolívia na exportação do produto, devido a normas da União Europeia sobre aflatoxinas. Enquanto a Bolívia se adaptou rapidamente, o Brasil viu sua produção com casca ser exportada e processada no país vizinho.

    Cadeia produtiva

    Patricia Costa, também da Embrapa, destaca que cerca de 60 mil famílias amazônicas, entre indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares, dependem da castanha para sua subsistência. A cadeia produtiva envolve mais de 100 organizações comunitárias e 60 empresas. Sendo, portanto, uma importante alternativa de renda e um vetor de conservação ambiental, ao valorizar a floresta em pé, evitar o desmatamento e contribuir para a regulação climática e o sequestro de carbono.

    Além de organizar dados, o AgroTagMFE oferece provas consistentes sobre a origem e qualidade do produto, promovendo ética, sustentabilidade e comércio justo. O sistema digital evita perdas de informações durante a coleta, enviando os dados diretamente a um servidor online. Outra inovação é a incorporação da espectroscopia de reflectância para análise físico-química das amostras de castanha. Essa técnica reduz custos e resíduos laboratoriais e fortalece a comprovação da origem e sanidade do produto, essencial para recuperar mercados externos.

    O sistema está em constante aprimoramento, com previsão de novas funcionalidades, como áreas de trabalho independentes para grupos parceiros e ampliação da rede de usuários, fortalecendo a colaboração entre instituições, comunidades locais e pesquisadores. A rastreabilidade é um caminho irreversível para os produtos da sociobiodiversidade. E gera confiança no mercado e mais renda para as comunidades extrativistas.

    O AgroTagMFE insere-se no contexto do fortalecimento da bioeconomia na Amazônia, modelo de desenvolvimento que aposta no uso sustentável da biodiversidade como motor econômico e social. Com a castanha-da-amazônia como símbolo desse movimento, o Brasil busca recuperar seu protagonismo e transformar a floresta em uma aliada do progresso sustentável.

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  • Projeto transforma babaçu em hambúrguer sustentável

    Projeto transforma babaçu em hambúrguer sustentável

    Uma parceria entre pesquisadores e quebradeiras de coco babaçu no Maranhão resultou na criação de um hambúrguer vegetal inovador, rico em proteínas e sem conservantes, capaz de durar até seis meses congelado. O produto, desenvolvido a partir do bagaço da amêndoa do babaçu – antes descartado como resíduo –, alia sustentabilidade, inclusão social e tecnologia, e já conquistou reconhecimento internacional.

    O hambúrguer de babaçu, com 13,17% de proteína por 100g, é fruto de uma colaboração entre cientistas da Embrapa, UFMA, UFC e comunidades tradicionais, como a Cooperativa Coomavi e associações quilombolas. Financiado pela Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ), o projeto visa transformar o babaçu em um “elemento âncora” da bioeconomia maranhense, gerando renda para mais de 300 mil famílias de quebradeiras de coco.

    O babaçu tem potencial para ser o elemento âncora de um sistema agroalimentar característico do Maranhão. Foto: Flavia Bessa/Embrapa

    “Valorizamos a identidade sociocultural dessas comunidades, usando resíduos para criar alimentos que atendem a mercados como o vegano e o sem glúten”, explica Guilhermina Cayres, líder do projeto na Embrapa. Além do hambúrguer, a farinha da amêndoa do babaçu já está em biscoitos, pães e até sorvetes.

    Da Amazônia para o mundo

    O hambúrguer foi finalista no Con X Tech Prize: Amazônia, competição global que premia inovações sustentáveis na região. O critério? Soluções que protegem ecossistemas, respeitam povos tradicionais e distribuem benefícios de forma justa.

    “O produto é uma revolução. Usa casca de banana como agente estruturante, aproveita 100% do babaçu e tem aceitação sensorial excelente”, destaca Harvey Villa, professor da UFMA. Testes com alunos do IEMA Gastronomia comprovaram o sucesso: o hambúrguer agradou até consumidores não veganos.

    Além da alta taxa proteica, o hambúrguer incorpora casca de banana, rica em fibras e pectina, que ajuda a absorver metais pesados. “É uma alternativa nutritiva e funcional”, afirma Yuko Ono, nutricionista da UFMA. Já a farinha da amêndoa, antes usada como ração, ganhou novo destino: substitui o coco ralado em receitas, agregando crocância e reduzindo desperdícios.

    Impacto social: renda e empoderamento

    Para as quebradeiras de coco, a inovação significa mais do que tecnologia. “Antes, o bagaço era ração. Agora, virou farinha e hambúrguer, que vendemos em feiras com orgulho”, celebra Rosângela Lica, da Coomavi. A comunidade quilombola Pedrinhas Clube de Mães também celebra a mudança: “O babaçu gera renda, cidadania e reconhecimento”, diz Maria Domingas.

    Foto: Flavia Bessa/Embrapa

    Com treinamentos em boas práticas de fabricação e segurança alimentar, as quebradeiras agora dominam a produção em escala. “Queremos posicionar o Maranhão como referência em bioeconomia”, reforça Samara Bontempo, bolsista do projeto.

    Para Westphalen Nunes, da GIZ, a iniciativa prova que é possível aliar desenvolvimento e preservação: “O babaçu traz riqueza, qualidade de vida e sustentabilidade”. E o mercado concorda: nas feiras de São Luís, os produtos à base de babaçu já são campeões de vendas.

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  • Babaçu: riqueza natural do Brasil

    Babaçu: riqueza natural do Brasil

    O babaçu (Attalea speciosa) é uma palmeira nativa das regiões Norte e Nordeste do Brasil, especialmente encontrada no Maranhão, Piauí, Tocantins e Pará. Sua importância vai além de sua presença na paisagem, pois é um recurso valioso tanto histórica quanto economicamente. Essa árvore tem uma longa história de uso pelas comunidades locais e vem ganhando destaque por suas diversas aplicações na indústria e no comércio.

    Historicamente, o babaçu tem sido uma fonte de sustento para muitas comunidades rurais e indígenas. As mulheres dessas comunidades, conhecidas como “quebradeiras de coco babaçu”, desempenham um papel crucial na colheita e processamento dos cocos, usando técnicas tradicionais que passam de geração em geração.

    Produtores utilizam as amêndoas e o óleo extraído do fruto na alimentação, na fabricação de sabão e na iluminação. As folhas são empregadas na construção de casas e na confecção de utensílios domésticos. Desempenha um papel fundamental na subsistência de muitas famílias rurais, sendo considerada um dos principais produtos extrativos da região.

    Produtividade e Condições de Lucro

    O babaçu é uma palmeira de grande porte, podendo atingir até 20 metros de altura. Cada árvore pode produzir até 3.000 frutos por ano, cada um contendo de 2 a 4 amêndoas. Deles dos quais se extraem óleo, farinha, e carvão.

    Indústrias valorizam o óleo de babaçu na cosmética e na alimentação por suas propriedades nutritivas e hidratantes. Para os produtores, a cadeia produtiva do babaçu oferece diversas oportunidades de lucro, desde a venda de matéria-prima até produtos processados, como o óleo e a farinha.

    Embrapa – Foto: José Rey Santos Souza

    Estima-se que existam cerca de 10 milhões de hectares de babaçuais nativos no Brasil, com um potencial de produção de 840 mil toneladas de amêndoas por ano.

    Apesar desse grande potencial, apenas uma pequena parte da produção é aproveitada atualmente. Isso se deve a diversos fatores, como a falta de infraestrutura para a coleta e o transporte dos frutos, a concorrência com outras culturas e a baixa remuneração dos coletores.

    Uso Sustentável e Benefícios Ambientais

    O extrativismo do babaçu é uma atividade sustentável, pois não envolve o corte das árvores. No entanto, para que essa atividade seja realmente sustentável, é necessário adotar práticas adequadas de manejo, como a poda das folhas secas, a limpeza dos babaçuais e a proteção das árvores jovens.

    Além disso, o babaçu desempenha um papel importante na conservação dos ecossistemas naturais. Suas folhas e frutos servem de alimento para diversas espécies de animais, e suas raízes ajudam a prevenir a erosão do solo. Além disso, o fortalecimento das cooperativas de quebradeiras de coco e o apoio a políticas públicas que valorizem a extração sustentável são cruciais.

    Aplicações na Indústria e Comércio

    Indústrias utilizam o óleo de babaçu para fabricar cosméticos, sabonetes e produtos de limpeza, devido às suas propriedades emolientes e antioxidantes. A farinha de babaçu é uma alternativa nutritiva na alimentação animal e humana. Além disso, o carvão de babaçu é uma importante fonte de energia renovável.

    Os produtores utilizam as amêndoas na fabricação de óleo comestível, margarina, sabão e cosméticos. A casca do fruto serve como combustível e na produção de carvão vegetal. As pessoas utilizam as folhas na confecção de artesanato e na cobertura de casas.

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    Além disso, a indústria química e farmacêutica vem explorando novas aplicações para os compostos extraídos do babaçu, como a produção de biocombustíveis e de fármacos.

    A versatilidade do babaçu e seus subprodutos fazem desta palmeira uma fonte inestimável de recursos, contribuindo significativamente para a economia local e nacional. A exploração consciente e sustentável do babaçu pode garantir a preservação ambiental e o desenvolvimento socioeconômico das comunidades envolvidas.

    Portanto, o babaçu é uma árvore de grande importância econômica, social e ambiental para a região norte do Brasil. Para aproveitar plenamente o potencial do babaçu, é necessário investir em pesquisa, melhorar a infraestrutura e criar políticas públicas que valorizem o extrativismo sustentável, além de promover a inclusão social.

    https://www.youtube.com/watch?v=JZFPPut5390&t