A confirmação de um novo episódio de El Niño para o segundo semestre de 2026 voltou a acender o alerta no mercado internacional de café.
Embora os impactos variem de acordo com a intensidade do fenômeno e das condições climáticas de cada região produtora, especialistas avaliam que o clima poderá influenciar a oferta global da commodity entre 2026 e 2027.
Segundo análise da Hedgepoint Global Markets, os efeitos do El Niño costumam ser diferentes entre os países produtores e dependem do estágio das lavouras quando o fenômeno ocorre.
Brasil deve escapar dos impactos imediatos
O Brasil, maior produtor e exportador mundial de café, não deve sofrer impactos diretos na safra 2026/27, segundo a projeção atual da consultoria.
Mesmo assim, um período mais chuvoso durante o outono e o inverno pode provocar atrasos na colheita e aumentar a volatilidade dos preços no mercado.
De acordo com Laleska Moda, analista de inteligência de mercado da Hedgepoint, o monitoramento climático continua sendo fundamental para os próximos meses.
“Embora a produção da safra 2026/27 não deva ser afetada, o andamento da colheita e a fase de florada exigem atenção.”
Próxima safra pode enfrentar desafios
Os maiores riscos ainda estão ligados ao desenvolvimento da próxima temporada.
Isso porque alterações nos padrões de chuva e temperatura podem influenciar etapas decisivas para a formação dos grãos e para o potencial produtivo das lavouras.
O comportamento climático durante a florada será um dos fatores mais observados pelo mercado nos próximos meses.
América Central e Ásia estão entre as regiões mais vulneráveis
Fora do Brasil, os efeitos do El Niño podem ser mais significativos.
Segundo a Hedgepoint, importantes produtores da América Central e da Ásia apresentam maior risco de enfrentar problemas climáticos nas safras 2026/27 e 2027/28.
A preocupação aumenta diante da possibilidade de um evento forte entre o final de 2026 e o início de 2027.
Nessas regiões, mudanças no regime de chuvas e períodos prolongados de calor podem comprometer fases importantes do desenvolvimento das lavouras, reduzindo a produtividade e pressionando a oferta mundial de café.
Caso o fenômeno ganhe força nos próximos meses, o mercado poderá reagir antecipadamente às expectativas de menor produção em algumas das principais regiões produtoras do mundo.
A MBRF (MBRF3), gigante do setor de alimentos e detentora de marcas consagradas como Sadia, Perdigão e Qualy, iniciou o ano de 2026 com resultados financeiros robustos. A companhia registrou um lucro líquido de R$ 111 milhões no primeiro trimestre, o que representa um avanço de 26% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
O balanço do 1T26 revela uma receita líquida de R$ 39,5 bilhões e EBITDA de R$ 3,1 bilhões. Segundo o Chairman da MBRF, Marcos Molina, esses números comprovam a consistência da estratégia de longo prazo e a eficiência na execução do modelo de negócios da empresa.
Recorde nas exportações e avanço na Ásia e Europa
A estratégia de diversificação global impulsionou o desempenho operacional. Em março, a MBRF atingiu um recorde histórico nas exportações diretas de aves e suínos. Os embarques para a Europa saltaram 43% em relação ao trimestre anterior, beneficiados pelo retorno das vendas de aves via pre-listing para a União Europeia. Na Ásia, o crescimento foi de 18%, com destaque para os carregamentos de frango originados no Rio Grande do Sul com destino à China.
O CEO da MBRF, Miguel Gularte, destaca que a agilidade em direcionar produtos para mercados de maior rentabilidade permitiu que a empresa aproveitasse a crescente demanda global por proteínas.
Liderança no mercado Halal e resiliência no Oriente Médio
Mesmo diante de um cenário geopolítico complexo, a MBRF fortaleceu sua presença no Oriente Médio. A companhia registrou o maior volume de vendas de sua história durante o Ramadã, ampliando em 12 pontos percentuais sua participação nas exportações para os países do Golfo entre fevereiro e março.
A unidade Sadia Halal alcançou rentabilidade recorde, encerrando o trimestre com uma margem EBITDA ajustada de 15,6%. A empresa atribui o sucesso à flexibilidade operacional e à robustez de seu sistema logístico e de distribuição própria na região.
Desempenho nos mercados das Américas
No Brasil, a MBRF expandiu sua presença nos pontos de venda em 1,3 ponto percentual, mesmo em um período de consumo sazonalmente mais baixo. A integração do portfólio de carne bovina também ampliou a base de clientes atendidos no mercado interno.
Já na América do Norte, a receita subiu 6,9%, atingindo US$ 3,5 bilhões, impulsionada pela alta demanda, apesar da oferta restrita de gado na região. Na América do Sul, a operação apresentou um crescimento ainda mais expressivo. A receita saltou 23,1% e o EBITDA cresceu 34,9%, resultado do foco em produtos de valor agregado e ganhos de produtividade nos complexos industriais.
O Vice-presidente de Finanças e RI, José Ignacio Scoseria, reforça que a prioridade da companhia permanece na geração de valor e na manutenção de uma estrutura de capital saudável. A MBRF projeta manter o ritmo de crescimento sustentável, consolidando sua plataforma global multiproteína nos próximos trimestres.
O bloqueio das rotas marítimas pelo estreito de Ormuz, provocado pelo conflito entre os Estados Unidos, Israel e o Irã, pode retirar até 10 bilhões de refeições semanais da mesa de pessoas ao redor do mundo. O alerta vem de Svein Tore Holsether, presidente-executivo da Yara, um dos maiores produtores de fertilizantes do planeta.
“Até meio milhão de toneladas de fertilizante nitrogenado não estão sendo produzidas no mundo no momento”, afirmou Holsether em entrevista à BBC. “O que isso significa para a produção de alimentos? Estimaria até 10 bilhões de refeições que deixarão de ser produzidas a cada semana como resultado.”
Segundo as Nações Unidas, cerca de um terço dos fertilizantes globais, incluindo ureia, potássio, amônia e fosfatos, passam normalmente pelo estreito de Ormuz. Com o bloqueio, o preço dos fertilizantes já subiu 80% desde o início das hostilidades. A queda na aplicação de fertilizante nitrogenado pode reduzir a produtividade de algumas culturas em até 50% já na primeira safra.
O impacto não será distribuído de forma igualitária. África subsaariana, Ásia, Sudeste Asiático e América Latina concentram os maiores riscos imediatos. Regiões que já operam com subfertilização, como partes da África, podem enfrentar quedas ainda mais acentuadas na produção agrícola.
“Essa é uma situação em que as pessoas mais vulneráveis pagam o preço mais alto”, disse Holsether. “Nações em desenvolvimento não podem se dar ao luxo de acompanhar” uma disputa por alimentos com os países mais ricos.
O Programa Mundial de Alimentos da ONU estima que as consequências combinadas do conflito no Oriente Médio podem levar 45 milhões de pessoas a mais à fome aguda em 2026. Na Ásia e no Pacífico, a insegurança alimentar deve crescer 24%, o maior aumento relativo entre todas as regiões.
Efeito nos preços chega com atraso
As épocas de plantio variam conforme a região. O Reino Unido atravessa a alta temporada de plantio, enquanto agricultores asiáticos estão apenas começando o ciclo. Por isso, os efeitos da escassez de fertilizantes nos preços dos alimentos na Ásia só devem aparecer no fim do ano, quando colheitas menores chegarem ao mercado, ou simplesmente não chegarem.
“Se a crise se prolongar por mais tempo, veremos um impacto em culturas como o arroz nos próximos meses”, afirmou Paul Teng, pesquisador sênior em segurança alimentar em Cingapura.
No Reino Unido, a Federação de Alimentos e Bebidas projeta inflação alimentar de até 10% em dezembro. O Banco da Inglaterra prevê alta de 4,6% nos preços de alimentos até setembro, com pressão maior no final do ano.
Agricultores já sentem o aperto
Além dos fertilizantes, produtores rurais enfrentam uma combinação de pressões simultâneas: alta no preço do diesel, aumento de outros insumos e custos de energia mais elevados. O problema é que os preços das safras ainda não subiram na mesma proporção.
“Eles enfrentam custos de energia mais altos, o diesel para trator está aumentando, outros insumos estão aumentando, o custo do fertilizante está aumentando, mas os preços das safras ainda não acompanharam”, disse Holsether.
O executivo pediu aos países europeus, portanto, que avaliem com cuidado o impacto de uma guerra de preços por alimentos sobre as populações mais frágeis em outras partes do mundo. “De quem estamos tirando comida ao comprarmos, nessa situação?”, questionou.
O leite de jumenta começa a despontar como uma alternativa promissora para diversificar e fortalecer a pecuária brasileira. Rico em proteínas e lactose em proporções semelhantes às do leite humano, o produto atende a uma demanda global crescente por alimentos funcionais e hipoalergênicos.
Nos mercados europeu e asiático, o litro pode custar entre 30 e 50 euros, o que o torna um dos leites mais valorizados do mundo. Segundo Gustavo Carneiro, professor de Medicina Veterinária da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), o leite de jumenta reúne propriedades nutricionais e imunológicas únicas. “O produto tem grande potencial no mercado nacional e internacional, especialmente para crianças com intolerância à proteína do leite de vaca”, afirma o pesquisador.
Carneiro destaca que o nicho de alimentação infantil e de produtos funcionais pode aumentar a renda de pequenos produtores e fomentar novas cadeias produtivas no meio rural. Além de ser consumido como alimento, o leite de jumenta também ganha espaço na indústria cosmética, com resultados promissores em produtos naturais para pele.
Rico em vitaminas A, B1, B2, C e E, minerais e compostos bioativos, o leite contribui para hidratação e regeneração da pele. Cremes, loções, sabonetes e máscaras faciais feitos com a matéria-prima brasileira já despertam atenção de consumidores na Europa e na Ásia.
Leite de jumenta tem grande procura na Ásia e Europa
A asininocultura também abre oportunidades para a indústria farmacêutica. A indústria utiliza a pele do animal na fabricação de biofármacos, colágeno e gelatina, enquanto os resíduos da produção abastecem a geração de biogás e a produção de adubo, fortalecendo a lógica da economia circular. O setor ainda vislumbra novas frentes no turismo rural, com experiências voltadas à produção artesanal do leite.
Pesquisas avançam no Nordeste
Na Universidade do Agreste de Pernambuco (Ufape), em Garanhuns, equipes de pesquisadores desenvolvem estudos para uso terapêutico do leite de jumenta em UTIs neonatais. O coordenador do projeto, professor Jorge Lucena, prevê que os testes com bebês sejam finalizados até o primeiro semestre de 2026.
“Todo o processo segue boas práticas de produção, com rebanho controlado, vacinação atualizada e pasteurização cuidadosa”, explica Lucena. Segundo ele, o modelo segue o exemplo da Itália, onde o leite de jumenta já integra protocolos hospitalares.
Com pesquisas em avanço e o interesse do mercado em expansão, a asininocultura desponta como uma alternativa sustentável de geração de renda no campo. O setor combina inovação, valor agregado e aproveitamento total dos resíduos animais, o que pode consolidar uma nova cadeia produtiva para a pecuária brasileira nos próximos anos.
O crescimento das exportações de gergelim e feijão-mungo recolocou o Brasil no centro da estratégia de abastecimento asiática e abriu espaço para um novo ciclo de negócios no agronegócio. Dados do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (IBRAFE) mostram que, até setembro de 2025, o País embarcou 349,6 mil toneladas de gergelim e 171 mil toneladas de feijão-mungo, avanços que superaram 60% em relação ao mês anterior e consolidaram uma rota comercial em expansão.
Esse movimento está ligado à combinação entre tecnologia de produção, rastreabilidade e maior demanda do mercado asiático por alimentos com origem comprovada.
A ampliação de estabelecimentos brasileiros habilitados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) reforça esse cenário: já são 61 plantas autorizadas a exportar gergelim para a China, responsável por cerca de 38% do consumo mundial do produto.
Para entender o impacto desse reposicionamento e os próximos passos do setor, o Portal Agro em Campo conversou com Daniel Pinheiro Barbosa, CEO da FEX Agro, empresa que atua no mercado de insumos e comercialização de grãos.
A seguir, ele explica como o Brasil se tornou um parceiro de confiança da Ásia e por que culturas antes secundárias agora ganham protagonismo.
“O Brasil deixou de ser apenas fornecedor e passou a ser parceiro estratégico”
Como o senhor avalia o aumento das exportações de gergelim e feijão-mungo registradas em 2025?
Esse crescimento mostra que o Brasil entrou em uma nova fase. Essas culturas tinham participação pequena na pauta exportadora e, de repente, passaram a conectar o produtor ao mercado asiático de forma muito mais direta. Quando o IBRAFE aponta um salto de mais de 60% em um único mês, isso revela um nível de confiança que não existia antes.
Daniel Pinheiro Barbosa, CEO da Fex Agro – Arquivo Pessoal
O que explica esse avanço tão rápido?
Há dois fatores. Primeiro, a demanda asiática está mais sofisticada. O consumidor quer saber origem, manejo, sustentabilidade e estabilidade de fornecimento. Segundo, o Brasil tem capacidade de entregar isso. Produzimos com tecnologia, possuímos áreas adaptadas ao cultivo e garantimos volume com regularidade. Esse conjunto cria vantagem competitiva.
Como a habilitação de 61 estabelecimentos para exportar gergelim à China impacta o setor?
Essa habilitação é um marco. A China responde por quase 40% do consumo global e, para acessar esse mercado, é preciso ter credibilidade sanitária e institucional. Quando o MAPA amplia as plantas autorizadas, envia um recado claro: o Brasil é confiável e está alinhado aos padrões internacionais.
Rastreabilidade e governança puxam novo ciclo de confiança
A Fex Agro adotou a rastreabilidade como base do modelo operacional. Por quê?
Porque a Ásia valoriza segurança alimentar. Quando apresentamos origem, lote, análise, histórico do produtor e logística, mostramos respeito pelo comprador. A rastreabilidade virou a nova moeda de confiança. Ela reduz ruído, diminui risco e fortalece relações de longo prazo.
Os produtores estão preparados para essa nova exigência?
Sim. O produtor brasileiro é tecnificado e sabe que rastreabilidade não é obstáculo — é ferramenta comercial. Muitos já entenderam que quem entrega transparência se posiciona melhor no mercado internacional.
O gergelim e o feijão-mungo podem se tornar culturas permanentes no calendário nacional?
Com certeza. São culturas eficientes, rentáveis e bem adaptadas ao clima. Além disso, dialogam com janelas estratégicas de plantio no Centro-Oeste, o que ajuda a melhorar a renda e distribuir melhor o uso do solo.
“A Ásia já não vê o Brasil apenas como vendedor, mas como parceiro”
Como o senhor enxerga essa relação nos próximos anos?
Vejo como uma parceria madura. A Ásia não está buscando apenas toneladas. Ela busca previsibilidade, segurança e compromisso ambiental. O Brasil tem capacidade de entregar tudo isso — e tem feito isso cada vez melhor. Por isso o relacionamento evoluiu: deixou de ser transacional e se tornou estratégico.
O que ainda falta para consolidar essa posição?
Continuar investindo em governança, comunicação e coordenação da cadeia produtiva. Cada grão exportado carrega a reputação do País. Quando mantemos padrão, mostramos que somos mais do que um celeiro mundial: somos guardiões da segurança alimentar global.
Florestas tropicais de 130 milhões de anos recebem visitantes que caminham sob copas verdejantes, observam aves exóticas e conhecem comunidades que preservam tradições milenares. A Malásia transforma cada viagem em oportunidade de descobrir praias e selvas enquanto apoia populações locais, protege espécies ameaçadas e gera impacto ambiental positivo.
Mais de 60% do território malaio abriga florestas tropicais que estão entre as mais antigas do planeta. O Taman Negara Pahang oferece pontes suspensas entre copas de árvores e permite encontros com fauna endêmica. Em Sabah e Sarawak, na ilha de Bornéu, reservas como o Rainforest Discovery Centre abrem portas para explorar uma das selvas mais ricas em biodiversidade do mundo.
A costa norte protege o Tun Mustapha Park, em Sabah, um dos maiores parques marinhos da Ásia. A área conserva recifes de corais, manguezais e comunidades pesqueiras, e demonstra que turismo e preservação podem coexistir de forma harmônica.
Iniciativas de turismo responsável buscam minimizar danos ao meio ambiente e proporcionam experiências autênticas por todo o país. Resorts ecológicos em Langkawi utilizam energia renovável e implementam práticas de reciclagem. Lodges em áreas rurais promovem contato direto com a natureza e as culturas locais. Cada estadia se transforma em chance de viajar com consciência e mergulhar nas tradições regionais.
Foto: Divulgação/Tourism Malaysia
O turismo comunitário permite que viajantes convivam e aprendam com povos indígenas como os Orang Asli, na península, e diversos grupos étnicos de Bornéu. A hospitalidade mútua fundamenta essas jornadas, onde visitantes descobrem tradições, técnicas artesanais e sabores da culinária local enquanto conhecem legados culturais preservados por gerações.
Programas protegem espécies ameaçadas
O país abriga espécies únicas como orangotangos, ursos-malaios e rinocerontes-de-sumatra. O Kuala Gandah Elephant Conservation Centre permite que visitantes acompanhem de perto os esforços para proteger elefantes resgatados e participem de programas de educação ambiental. Esses projetos, junto com reservas naturais e iniciativas de conservação, garantem a sobrevivência da fauna em equilíbrio com os ecossistemas.
Foto: Divulgação/Tourism Malaysia
O KL Forest Eco Park funciona como pulmão verde no coração de Kuala Lumpur. As paisagens montanhosas de Pahang encantam visitantes. Os vales arqueológicos de Lenggong Valley, reconhecidos como Patrimônio Mundial da UNESCO, revelam riquezas históricas. A Malásia prova que turismo sustentável representa compromisso real com o planeta e suas comunidades, não apenas tendência passageira.
A presença de produtores brasileiros de cafés especiais no mercado japonês resultou em expectativa de negócios da ordem de US$ 70,125 milhões. Os números foram alcançados durante a participação na SCAJ World Specialty Coffee Conference and Exhibition 2025 e na rodada de negócios “Taste of the Harvest”, realizadas entre 24 e 27 de setembro na capital japonesa.
Do montante total projetado, US$ 7,180 milhões já foram concretizados presencialmente. Enquanto outros US$ 62,945 milhões devem se materializar nos próximos 12 meses. As negociações envolveram 722 contatos comerciais, sendo 297 deles com novos parceiros de negócios.
Brasil marca presença na maior feira de cafés especiais da Ásia
As atividades integram o projeto setorial “Brazil. The Coffee Nation”, conduzido pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).
Na SCAJ 2025, que atraiu 96 mil visitantes e reuniu 450 expositores internacionais, o Brasil montou um estande estratégico. O espaço contou com sala de cupping para degustação de lotes de diferentes regiões produtoras, bancadas de exposição, brew bar com cafés de diversos perfis sensoriais e sala de reuniões para fechamento de negócios.
A ação “Destaque BSCA” apresentou cafés com pontuação acima de 87 pontos na escala global de avaliação, que vai de zero a 100.
Rodada de negócios conecta produtores brasileiros a importadores japoneses
A “Taste of the Harvest” proporcionou encontros diretos entre empresários brasileiros e 53 importadores regionais. Durante o evento, foram degustados 25 lotes certificados pela BSCA.
“Foi uma oportunidade incrível para o contato direto dos produtores com os potenciais compradores de seus cafés, fortalecendo relações e abrindo novas frentes comerciais em um dos principais países e continentes importadores dos cafés do Brasil”, afirma Vinicius Estrela, diretor executivo da BSCA.
Japão consolida-se como mercado estratégico para cafés brasileiros
O país asiático figura entre os cinco principais destinos da exportação cafeeira brasileira. Em 2024, os japoneses importaram 2,211 milhões de sacas, representando 4,4% do total de embarques e ocupando a quinta posição no ranking. Do volume total, 14,6% corresponderam a cafés especiais, totalizando 323 mil sacas, segundo dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
Nos primeiros oito meses de 2025, o Japão já adquiriu 1,671 milhão de sacas do produto brasileiro, assumindo a quarta colocação entre os principais compradores. Desse montante, 15,9% (265 mil sacas) são de cafés especiais.
“Em tempos de incertezas no mercado, com tarifaço imposto pelo governo dos Estados Unidos sobre o produto brasileiro, é crucial que sigamos estreitando laços e ampliando mercado com novos e tradicionais parceiros dos cafés especiais do Brasil, como o Japão”, ressalta Estrela.
Sobre o projeto Brazil. The Coffee Nation
A iniciativa foca na promoção comercial do café especial brasileiro no mercado internacional, reforçando qualidade, diversidade e sustentabilidade. O projeto posiciona o Brasil como nação produtora que investe em padrões elevados de qualidade de forma sustentável, observando normas sociais e ambientais.
Entre as prioridades estão ações de qualificação para produtores de café canéfora (robusta e conilon), certificações de qualidade e sustentabilidade, além do fomento à equidade de gênero na cafeicultura, com capacitação de provadoras profissionais.
Os mercados-alvo incluem África do Sul, Austrália, China, Coreia do Sul, Emirados Árabes Unidos, Espanha, Estados Unidos, França, Japão, Malásia, Polônia, Rússia e Taiwan para cafés crus especiais, além de Canadá, Chile, China e Estados Unidos para produtos de torrefação e moagem.
Em visita à China nesta terça-feira (13), o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que o Brasil pretende ampliar o comércio exterior com todas as regiões do mundo. No entanto, destacou maior potencial em parcerias com países da Ásia, Oriente Médio, Sul Global e membros dos BRICS, como Rússia, Índia, China e África do Sul.
“Buscamos ampliar o comércio de forma irrestrita”, afirmou o ministro em entrevista concedida em Pequim. Segundo ele, desde 2023 o Brasil conquistou 362 novos mercados abertos para produtos da agropecuária.
China amplia mercado com o Brasil
A China autorizou, nesta terça-feira, a exportação de cinco novos produtos brasileiros: DDG, farelo de amendoim, carne de pato, carne de peru e miúdos de aves. Fávaro destacou que o anúncio de várias autorizações em um único dia representa um recorde. Para ele, o fato demonstra “a confiança mútua e a boa relação entre os países”.
Além disso, o ministro também ressaltou o diferencial diplomático brasileiro. “O Brasil não tem contencioso com nenhum país do mundo”, disse. Ele reforçou que o crescimento econômico global está concentrado em regiões com grande densidade populacional e alinhamento geopolítico. “Estamos aproveitando as oportunidades com segurança alimentar e energias renováveis”, afirmou.
Durante a visita, Fávaro também tratou da sincronia na aprovação de biotecnologias entre Brasil e China. Ou seja, o tema continua pendente, mas, segundo o ministro, as negociações evoluíram significativamente. “Queremos vender tecnologias agrícolas que já temos e também adquirir as que os chineses estão desenvolvendo”, explicou.
Outro destaque foi a assinatura de um acordo entre o Ministério de Minas e Energia e uma empresa chinesa. A parceria prevê a produção de nitrogenados no Brasil, essencial para garantir o fornecimento de fertilizantes. “Esse projeto é estratégico para a estabilidade da produção de alimentos no país”, concluiu o ministro.
A galinha Brahma é uma das raças mais impressionantes e icônicas do mundo avícola, conhecida por seu tamanho imponente, plumagem exuberante e temperamento tranquilo. Originária de uma mistura de influências asiáticas e ocidentais, essa raça conquistou admiradores tanto por sua beleza quanto por sua utilidade. Abaixo, explore sua história, características e curiosidades.
A Brahma foi desenvolvida nos Estados Unidos no século XIX, a partir do cruzamento de aves grandes importadas da Ásia, especialmente de regiões como Xangai (China) e da Índia. O nome “Brahma” provavelmente deriva do rio Brahmaputra, na Índia, embora a raça não seja nativa do país. Ela foi aprimorada por criadores americanos e europeus, ganhando popularidade rapidamente durante a “Febre das Aves Exóticas” no final do século XIX. No auge, o público passou a chamar a raça de “Rainha das Aves de Corte” por causa de seu tamanho e da capacidade de produzir carne.
Características físicas
O galo pode atingir de 5 a 6 kg (alguns exemplares chegam a 7 kg) e tem uma altura impressionante, com cerca de 70 a 80 cm quando ereto. Já a galinha pesa entre 4 e 4,5 kg, sendo uma das maiores raças de galinhas poedeiras. Produzem cerca de 150 a 200 ovos por ano, de cor marrom-claro a médio.
Ambos possuem corpo largo, peito profundo e pernas robustas cobertas por penas, uma característica distintiva. Possuem uma crista pequena do tipo “ervilha” (pequena e serrilhada) e barbelas vermelhas moderadas.
Reprodução: Criatório Paloschi
A pelagem é densa e macia, adaptada para climas frios. As cores mais comuns são Light Brahma (branco com detalhes pretos no pescoço e cauda), Dark Brahma (padrão cinza-escuro com contraste) e Buff Brahma (dourado claro).
Existem outra cores apreciadas pelos criadores, como a Lemmon. Embora não seja uma variedade oficialmente reconhecida por associações avícolas tradicionais (como a American Poultry Association ou a Entente Européenne), criadores e entusiastas usam esse termo para descrever uma variação de plumagem em Brahmas com tons amarelados ou dourados claros, semelhantes à tonalidade de um limão.
Sobre a cor “Lemon” em Brahmas
A coloração “Lemon” seria uma variação clara e suave, com penas em tons de amarelo-dourado pálido ou bege claro, muitas vezes combinada com padrões mais claros no pescoço e cauda. Em alguns casos, pode lembrar a Buff Brahma (dourado), porém com nuances mais claras e menos intensas.
Essa tonalidade pode surgir de cruzamentos seletivos entre linhagens de Brahmas Buff e Light, ou até de mutações genéticas naturais. No entanto, não é uma cor padronizada, o que significa que variações chamadas de “Lemon” podem diferir entre criadores.
Por não ser oficial, essa variação não é aceita em exposições avícolas formais, mas é apreciada em criações ornamentais ou por colecionadores que buscam cores únicas.
Alguns criadores especializados trabalham para desenvolver cores incomuns em Brahmas, como azul, splash, vermelho, ou até padrões “mille fleur” (inspirados na raça Sedosa). A “Lemon” poderia se encaixar nesse contexto de experimentação genética.
Tons claros como o amarelo-dourado podem desbotar levemente com a exposição solar intensa, exigindo atenção à proteção das aves em climas muito ensolarados.
Se você está em busca de Brahmas “Lemon”, é essencial consultar criadores especializados ou comunidades avícolas locais, já que a definição dessa cor pode variar.
O Criatório Paloschi, do biólogo Adriel Paloschi, trabalha com essa coloração, e em seus vídeos, diz que foi a cor que mais o agradou para criação.
Temperamento
As Brahmas são famosas por seu comportamento calmo e dócil, sendo ideais para criação em quintais ou pequenas propriedades. São aves sociáveis, tolerantes a outras raças e até afetuosas com humanos, o que as torna excelentes para famílias. No entanto, devido ao seu tamanho, precisam de espaço para se movimentar e poleiros baixos para evitar lesões.
A jornalista Claudia Muller, em um postagem em suas redes sociais, diz “É a raça de galinha que eu acho mais encantadora! Digo que são iguais cachorrinhos de asas. São enormes, com penas cobrindo os pés igual “bombachas”.” Em um vídeo postado em seu Instagram, ela mostra as Brahmas adquiridas do Criatório Paloschi soltas em seu quintal.
Embora não ocupem o topo da produtividade, essas aves mantêm a postura mesmo durante o inverno, período em que outras raças diminuem a produção de ovos.
Curiosidades
No século XIX, a Brahma foi considerada a maior raça de galinha do mundo, ganhando o título de “King of All Poultry” (Rei de Todas as Aves) em exposições.
No final do século XIX, criadores enviaram exemplares para a Inglaterra como presente à rainha Victoria, o que ajudou a consolidar a fama internacional da raça. A Brahma também contribuiu para o desenvolvimento de outras raças, como a Cochin, e para o aprimoramento da qualidade das aves de corte.
Suas penas nas pernas exigem cuidados para evitar acúmulo de sujeira ou parasitas, especialmente em ambientes úmidos. Graças à plumagem densa, toleram bem o frio, mas precisam de sombra e água fresca no calor.
Criação atual
Hoje, a Brahma é valorizada principalmente como ave ornamental e de exposição, embora ainda seja criada para carne em pequena escala. Sua elegância e personalidade gentil a tornam uma favorita entre avicultores amadores e colecionadores.
A raça é um símbolo de grandiosidade e serenidade no mundo das aves. Seja pela história, pelo porte majestoso ou pela habilidade de adaptação, essa raça continua a encantar gerações, provando que tamanho e delicadeza podem coexistir harmoniosamente. Um verdadeiro tesouro para quem busca beleza e funcionalidade em um único animal.
Aliás, para mais informações sobre essa e outras espécies de galinhas, o Criatório Paloschi está no Instagram e no YouTube. O WhatsApp é: (47) 98409-4341.
A ApexBrasil e o Ministério das Relações Exteriores (MRE) promoveram um encontro em Bangkok, de 30 de outubro a 1º de novembro, reunindo representantes dos Setores de Promoção Comercial e Investimentos (Secoms), de Ciência, Tecnologia e Inovação (Sectecs), além de adidos agrícolas. A iniciativa buscou aprofundar as relações econômicas do Brasil com o Sudeste Asiático e a Oceania, regiões com mais de 2.700 oportunidades de exportação identificadas.
“Queremos estar presentes em toda a Ásia e Oceania”, destacou Jorge Viana, presidente da ApexBrasil. Ele ressaltou a importância estratégica da ASEAN, bloco que inclui países como Indonésia, Tailândia e Vietnã, que em 2023 se tornaram o terceiro maior destino das exportações brasileiras, superando o Mercosul. O Brasil exporta atualmente mais para economias da ASEAN do que para países como Japão e Alemanha.
O evento discutiu estratégias para explorar os US$ 322,2 bilhões em oportunidades comerciais no bloco. O secretário Laudemar Aguiar ressaltou a objetividade do encontro, destacando a colaboração entre os setores. Luis Rua, do Mapa, enfatizou a sinergia entre as iniciativas, enquanto empresários reforçaram a relevância de estar presente na Ásia, como afirmou Edinilson do Nascimento, da JBS Couro.
Crescimento nas exportações e investimentos futuros
Até setembro de 2024, as exportações brasileiras para a ASEAN registraram um aumento de 8,8% em comparação a 2023. Viana anunciou planos para reforçar a presença brasileira, incluindo a criação da Casa Brasil em Xangai. E também a abertura de um escritório da ApexBrasil em Singapura, centro logístico vital. Ele também mencionou a preparação para a Expo Universal em Osaka, em 2025, visando promover a imagem e os produtos do Brasil
O encontro também serviu como preparação para a missão de trabalho no Japão, entre 4 e 6 de novembro. Nessa missão será lançado o Mapa Bilateral de Comércio e Investimentos Brasil-Japão. Segundo Viana, o objetivo é diversificar exportações, que ainda se concentram em commodities, tornando as relações comerciais mais vantajosas.
Com uma abordagem estratégica e foco em resultados, o Brasil busca consolidar e expandir sua presença em mercados cruciais na Ásia e Oceania, impulsionando de forma comercial o agronegócio e outros setores-chave.