Tag: agronegócio brasileiro

  • Evento reúne lideranças do agro para discutir produção de alimentos

    Evento reúne lideranças do agro para discutir produção de alimentos

     O painel “Políticas Agrícolas e Segurança Alimentar” será realizado em 1º de outubro, durante o Global Agribusiness Festival (GAFFFF) 2026, com a participação do ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues. O encontro será realizado no Nubank Parque, em São Paulo.

    Na ocasião, serão discutidas medidas capazes de ampliar a produção de alimentos e reduzir os riscos enfrentados por produtores e consumidores. Além disso, serão analisados temas como crédito, seguro rural, infraestrutura, comércio internacional, sustentabilidade, tecnologia e previsibilidade regulatória.

    Produção é pressionada

    A segurança alimentar passou a receber mais atenção no cenário internacional. Entre os fatores responsáveis estão o crescimento populacional, as mudanças climáticas e os conflitos geopolíticos.

    Além disso, a volatilidade dos mercados de commodities e a necessidade de aumento da produtividade também são apontadas como fontes de pressão sobre o setor agropecuário.

    Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a população mundial, estimada em 8,2 bilhões de pessoas em 2024, deverá chegar a aproximadamente 9,7 bilhões em 2050.

    Ao mesmo tempo, o relatório OECD-FAO Agricultural Outlook 2026–2035 estima que a produção agrícola e pesqueira mundial precisará crescer 13% na próxima década.

    Diante desse cenário, políticas públicas de longo prazo serão discutidas como instrumentos para melhorar as condições de produção, estimular investimentos e ampliar o acesso a tecnologias.

    Riscos serão debatidos

    Durante o painel, deverão ser avaliadas medidas voltadas à garantia de uma oferta mais regular de alimentos. Para isso, serão considerados mecanismos capazes de reduzir os riscos da atividade agropecuária.

    Entre os temas previstos, serão abordados:

    • acesso ao crédito
    • seguro rural
    • infraestrutura
    • comércio internacional
    • sustentabilidade
    • incorporação de tecnologias
    • previsibilidade regulatória

    Dessa forma, também deverão ser analisados os fatores que afetam a competitividade do produtor, o abastecimento e os preços dos alimentos.

    A participação de Roberto Rodrigues foi destacada por Luiz Felipe Nastari, diretor de Comunicação e Eventos da DATAGRO:

    “É uma honra para o evento contar com a participação de uma das principais referências do agro brasileiro e uma voz fundamental no debate sobre o futuro da produção de alimentos, o ex-ministro Roberto Rodrigues,” ressalta Nastari.

    Programação terá três palcos

    O painel será integrado à programação do evento. Segundo a organização, mais de 35 painéis serão realizados, com a participação de mais de 100 palestrantes.

    As atividades serão distribuídas em três palcos simultâneos. Paralelamente, serão promovidas ações relacionadas à feira de negócios, à gastronomia e ao entretenimento.

    Em 2026, duas edições do evento serão realizadas no Brasil. A programação de São Paulo ocorrerá nos dias 1º e 2 de outubro, no Nubank Parque.

  • Congresso Andav bate recorde e reúne 18 mil pessoas em São Paulo

    Congresso Andav bate recorde e reúne 18 mil pessoas em São Paulo

    O 15º Congresso Andav encerrou nesta semana em São Paulo com números que confirmam o crescimento do evento. Ao longo de três dias, mais de 18 mil pessoas circularam pelo espaço, entre distribuidores de insumos agropecuários, representantes da indústria, especialistas e lideranças de diferentes elos da cadeia produtiva. Mais de 260 marcas expositoras participaram da edição, que também trouxe debates estratégicos sobre os rumos do agronegócio brasileiro.

    Vivian Lima, sócia e CEO da Zest Eventos, e Marcos Chaves, presidente do Conselho Diretor da Andav. Foto: FD Fotografia

    Para Vivian Lima, sócia e CEO da Zest Eventos, empresa que organiza o Congresso, os números comprovam a relevância crescente do encontro para o mercado. “O Congresso Andav é um evento que está crescendo. E isso só acontece graças aos profissionais do agronegócio, que estão aqui para trocar informações, adquirir conhecimento e fazer negócios”, afirmou a executiva.

    Empresas já garantem presença na edição de 2027

    A confiança do setor no evento já aparece nos números da próxima edição. O Congresso Andav 2027 acontecerá entre os dias 3 e 5 de agosto e, antes mesmo do encerramento da edição atual, 71% das empresas expositoras já haviam renovado a participação. Um resultado que superou a meta inicial de 70% estabelecida pela organização.

    “Isso mostra a confiança da indústria e das empresas da cadeia no Congresso Andav como palco de networking e geração de negócios”, destacou Vivian Lima.

    Programação aprofunda temas estratégicos para o setor

    Além da área de exposição e relacionamento, a plenária do Congresso reuniu especialistas para discutir temas que impactam diretamente a competitividade do agronegócio. A programação percorreu cenários econômicos, perspectivas para o setor, gestão, liderança, inovação, sustentabilidade, reforma tributária e novas tecnologias.

    O presidente do Conselho Diretor da Andav, Marcos Chaves, avaliou os três dias de evento. E destacou a diversidade dos assuntos discutidos. “Debatemos os cenários da agroeconomia e do futuro do setor, além de aprofundarmos temas como gestão, liderança e as tendências apresentadas por diversos especialistas para fortalecer o agronegócio brasileiro”, disse.

    Paulo Tiburcio, presidente executivo da Andav. Foto: FD Fotografia

    Já o presidente executivo da Andav, Paulo Tiburcio, ressaltou que a proximidade com o produtor rural representa um dos grandes diferenciais da distribuição. E que o relacionamento continua sendo fundamental para o setor. O executivo agradeceu o público presente durante os três dias de evento e reforçou a importância de equilibrar pragmatismo e visão de futuro no setor.

    Indústria avalia resultados positivos no relacionamento com revendas

    Representantes de grandes empresas do setor também comentaram os resultados da edição. Anderson Parra, gerente de acesso a revendas da BASF Soluções para Agricultura, considerou a exposição imprescindível para a companhia construir relacionamento com parceiros, fornecedores e clientes.

    Jeferson Oliveira, líder de distribuição da Bayer, destacou a capilaridade dos distribuidores como elemento fundamental para levar as tecnologias da companhia às diferentes regiões produtoras do país.

    Haroldo Yamanaka, diretor estratégico da GIROAgro e da Vivabio, apontou a proximidade com a rede de distribuição como um dos principais objetivos da participação das empresas no evento. “A importância de estarmos aqui próximo da distribuição do Brasil, entendendo o momento e os desafios dos clientes é uma oportunidade de relacionamento”, afirmou.

    Roberto Dib, diretor de marketing de clientes da Syngenta no Brasil, reafirmou a parceria da companhia com a distribuição de insumos agropecuários e classificou o evento como um ambiente propício para discutir desafios e oportunidades do setor.

    Negócios

    Oziel Ferreira, CEO do Grupo Ceres Investimentos, avaliou que as conversas ganharam qualidade e avançaram do ponto de vista dos negócios nesta edição. “O cliente vem, senta com a gente, mostra a situação e onde está a dor, e desenhamos uma estrutura para poder ajudá-lo”, explicou.

    Juliana Oliveira, head de Marketing e Comunicação da Ecoagro, descreveu o Congresso Andav como um espaço estratégico para a empresa se aproximar da cadeia de distribuição. E desenvolver soluções financeiras alinhadas às necessidades do setor.

    Brunna Santos, gerente de marketing da Aliare, classificou o evento como fundamental no calendário de oportunidades e negócios da companhia, funcionando como ponto de encontro com clientes, revendas e prospects.

    Carlos Baptista, diretor comercial da Biotrop, comentou o avanço da agricultura regenerativa e o papel estratégico que os distribuidores exercem para that as tecnologias biológicas ganhem espaço no campo, reforçando a importância da parceria com as revendas para os negócios da empresa.

    Eletrificação e etanol fecham a programação

    A mobilidade sustentável também ocupou espaço no último dia de evento. Na palestra de encerramento, o vice-presidente sênior e head de Comercial e Marketing da BYD, Alexandre Baldy, apresentou o potencial brasileiro para combinar eletrificação e biocombustíveis na construção de uma matriz de transporte de baixo carbono.

    Segundo o executivo, a diversidade de fontes renováveis do país,que inclui energia solar, eólica e hidrelétrica, além de etanol, biodiesel e biometano,coloca o Brasil em posição diferenciada na transição energética global.

    Baldy citou a tecnologia híbrida plug-in como uma das rotas de convergência entre eletrificação e etanol. E com potencial de expansão não apenas no Brasil, mas também em outros países com forte presença do biocombustível, como a Índia.

    “Temos uma matriz diversa de fontes renováveis. Podemos eletrificar valorizando o etanol, que é ativo estratégico competitivo para o futuro”, afirmou o executivo.

  • Exportações do agro avançam em julho, enquanto açúcar e café recuam

    Exportações do agro avançam em julho, enquanto açúcar e café recuam

    O agronegócio brasileiro exportou US$ 16,338 bilhões em julho de 2026, alta de 5,4% em relação aos US$ 15,500 bilhões registrados no mesmo mês de 2025. As importações do setor somaram US$ 1,748 bilhão, queda de 2,8% na comparação anual.

    Com esse resultado, o agronegócio gerou um superávit de US$ 14,590 bilhões em julho. O saldo cresceu 6,5% ante os US$ 13,702 bilhões registrados um ano antes, segundo os dados divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

    Os números integram o levantamento da balança comercial do agronegócio brasileiro, elaborado pelo Mapa com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Os dados foram extraídos em agosto de 2026 e estão sujeitos a alterações.

    Complexo soja lidera exportações

    O complexo soja foi o principal destaque entre os produtos exportados pelo agronegócio em julho. As vendas externas alcançaram US$ 7,148 bilhões, avanço de 22,4% na comparação com julho de 2025.

    A soja em grãos respondeu por US$ 5,874 bilhões, alta de 17,4%. O volume embarcado aumentou 9,3%, para 13,401 milhões de toneladas, enquanto o preço médio subiu 7,4%, para US$ 438 por tonelada.

    O óleo de soja apresentou o crescimento mais expressivo dentro do complexo. As exportações aumentaram 163,1%, para US$ 383 milhões, com alta de 130,1% no volume embarcado.

    O farelo de soja também teve desempenho positivo. As vendas externas somaram US$ 891 milhões, crescimento de 28,6%, impulsionadas por aumentos de 17,6% no volume e de 9,3% no preço médio.

    Carnes mantêm ritmo positivo

    As exportações de carnes totalizaram US$ 2,905 bilhões em julho, alta de 5,2% sobre o mesmo período do ano anterior. O volume embarcado avançou 8,4%, para 922 mil toneladas.

    A carne de frango liderou o crescimento entre os principais segmentos, com exportações de US$ 972 milhões, aumento de 35,5%. O volume vendido ao exterior cresceu 31%, para 505 mil toneladas.

    As exportações de carne bovina recuaram 5,8% em valor, para US$ 1,566 bilhão. O volume caiu 16,8%, para 258 mil toneladas, mas o preço médio avançou 13,2%, para US$ 6.069 por tonelada.

    Já a carne suína registrou queda de 5,7% no valor exportado, para US$ 295 milhões. O volume, contudo, subiu 3,4%, enquanto o preço médio recuou 8,8%.

    Açúcar e café registram queda

    O complexo sucroalcooleiro apresentou um dos principais resultados negativos do mês. As exportações recuaram 27,6%, para US$ 1,127 bilhão, acompanhadas por quedas de 15,5% no volume e de 14,3% no preço médio.

    As vendas externas de açúcar somaram US$ 1,026 bilhão, redução de 30,1%. O volume embarcado caiu 16,6%, enquanto o preço médio diminuiu 16,2%.

    O café também registrou queda. As exportações atingiram US$ 937 milhões, recuo de 18,2%, com redução de 2,4% no volume e de 16,1% no preço médio.

    O café verde respondeu pela maior parte do resultado negativo: as vendas caíram 21,8%, para US$ 816 milhões.

    Celulose e produtos florestais avançam

    As exportações de produtos florestais alcançaram US$ 1,622 bilhão em julho, aumento de 16,5% na comparação anual. O preço médio também subiu 16,5%, enquanto o volume permaneceu estável em 2,763 milhões de toneladas.

    A celulose foi o principal destaque do segmento, com exportações de US$ 1,063 bilhão, alta de 30,8%. O volume cresceu 2,9% e o preço médio avançou 27,1%.

    Em sentido contrário, as vendas externas de madeira e suas obras recuaram 8%, para US$ 327 milhões. As exportações de papel ficaram praticamente estáveis, com alta de 1,3%, para US$ 225 milhões.

    Resultado acumulado no ano

    De janeiro a julho de 2026, o agronegócio brasileiro exportou US$ 103,395 bilhões, alta de 6% em relação aos US$ 97,497 bilhões registrados no mesmo período de 2025.

    As importações do setor somaram US$ 11,713 bilhões, queda de 1,4%. Com isso, o saldo acumulado da balança comercial do agronegócio chegou a US$ 91,682 bilhões, crescimento de 7,1% sobre o resultado do ano anterior.

    No acumulado de 12 meses, entre agosto de 2025 e julho de 2026, as exportações do agronegócio totalizaram US$ 175 bilhões, avanço de 6,6%. O saldo comercial do setor alcançou US$ 155,011 bilhões.

    Participação nas exportações brasileiras

    O agronegócio respondeu por 47,9% das exportações totais do Brasil em julho de 2026. No mesmo mês, o setor representou 6,5% das importações brasileiras.

    No acumulado de janeiro a julho, a participação do agronegócio nas exportações do país ficou em 47,3%. Considerando o período de 12 meses encerrado em julho, o setor respondeu por 47,4% das vendas externas brasileiras.

    Fonte: Mapa

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  • Impactos do El Niño preocupam setor de insumos

    Impactos do El Niño preocupam setor de insumos

    O crédito mais restrito, o El Niño e as incertezas do cenário geopolítico estão entre as principais pautas das empresas que participam do 15º Congresso da Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav).

    O evento começou na terça-feira (11) e segue até quinta-feira (13), no Transamerica Expo Center, em São Paulo.

    Crédito mais restrito muda estratégia das empresas

    Diretor conselheiro da Andav e líder do grupo de trabalho de pesquisa da entidade, Alberto Yoshida afirma que o setor sente os efeitos do ciclo de investimentos realizado entre 2020 e 2022, quando os preços das commodities estavam em patamares elevados.

    Agora, os preços dos grãos perderam força, os juros estão mais altos e há menos recursos disponíveis para financiamento. O cenário também afeta os distribuidores de insumos.

    “Se os produtores rurais passam por uma dificuldade muito grande, a distribuição está muito próxima. Esse aperto que nós temos é uma consequência inclusive do próprio mercado.”

    Ao mesmo tempo, as distribuidoras enfrentam aumento dos custos operacionais, principalmente com combustíveis e energia elétrica.

    Para Yoshida, o momento exige maior atenção à gestão das empresas, com foco em gestão e fluxo de caixa, análise de balanço e controle de despesas.

    Segundo ele, o cadastro dos clientes ganhou importância e a chamada “esteira de crédito” passou a ser uma ferramenta cada vez mais relevante para os distribuidores.

    Gestão de risco ganha espaço no agro

    Na Fortgreen, a estratégia tem sido reforçar a gestão de risco e ampliar as alternativas de financiamento.

    Segundo o head de crédito, Henrique Ramires, a equipe passou a trabalhar mais próxima da área comercial e dos clientes, inclusive em campo.

    A análise deixou de considerar apenas balanços e declarações financeiras. Também entram na avaliação informações sobre a lavoura, como região, cultura, preços e dados obtidos por imagens de satélite.

    Além disso, a empresa também ampliou o uso de operações de barter e Cédulas de Produto Rural (CPRs) como instrumentos para reduzir riscos e sustentar as vendas.

    “O barter serve para dois cenários: primeiro, alavancar venda; segundo: mitigar risco”, afirmou Ramires.

    Produtores fracionam compra de insumos

    O ambiente de maior cautela também mudou o ritmo de comercialização de insumos, segundo a multinacional Basf.

    Gustavo Bastos, gerente sênior de acesso ao mercado da empresa, afirma que os produtores estão mais criteriosos e têm fracionado as aquisições.

    Com isso, parte das decisões de compra fica para mais perto do momento da aplicação.

    El Niño aumenta atenção para a próxima safra

    O El Niño é um dos principais fatores de preocupação para a próxima safra.

    Segundo Bastos, os efeitos do fenômeno podem variar entre as regiões produtoras. No Cerrado, há preocupação com possíveis impactos sobre o calendário de plantio. No Sul, o cenário pode aumentar a pressão de fungos e doenças.

    A estratégia da empresa, diante da maior incerteza climática, é manter proximidade com os agricultores para ajudar nos ajustes de manejo conforme as condições encontradas no campo.

    O monitoramento climático oficial para 2026 aponta diferenças importantes entre as regiões brasileiras. As projeções para o período de julho a setembro indicam maior probabilidade de chuva abaixo da média em áreas do centro-norte do país e de chuva acima da média em partes da Região Sul.

    Geopolítica preocupa oferta de matérias-primas

    O cenário internacional também aumenta a preocupação com a disponibilidade de matérias-primas utilizadas pela indústria.

    Segundo Thiago Haydn, gerente comercial da Schem Group, os impactos relacionados ao Estreito de Hormuz já repercutem no mercado de enxofre.

    A matéria-prima é relevante para a produção de ácido sulfúrico e, consequentemente, para diferentes fertilizantes e produtos químicos utilizados pelo agronegócio.

    Para Haydn, o risco não está apenas na possibilidade de aumento dos preços.

    “Pior que pagar caro é você não ter produto quando o produtor precisar”, concluiu.

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  • Agricultores usam táticas para encarar El Niño mais forte da história

    Agricultores usam táticas para encarar El Niño mais forte da história

    Na safra 2026/27, agricultores brasileiros devem enfrentar um El Niño de intensidade muito elevada — um dos mais fortes já vistos, na verdade. A previsão considera os fenômenos registrados desde 1950 e aumenta a preocupação com o clima durante o período de plantio e desenvolvimento das lavouras.

    O último episódio classificado como “muito forte” ocorreu na safra 2015/16. Na ocasião, 16 culturas diferentes registraram perdas de produtividade.

    O fenômeno começou em junho de 2026 e está evoluindo rapidamente. A expectativa é que o pico ocorra entre novembro e janeiro de 2027, embora ainda não exista uma previsão exata para o fim do evento.

    El Niño pode atrasar o plantio da soja

    Um dos principais pontos de atenção está no calendário da soja, especialmente nas regiões Centro-Oeste, Norte e no Matopiba.

    Especialistas avaliam que a combinação de pouca chuva e temperaturas elevadas pode atrasar o início da semeadura. Caso isso aconteça, o calendário do milho, normalmente plantado entre fevereiro e março, também poderá ser afetado.

    Além disso, o risco existe também para outras culturas. Café e citros podem enfrentar dificuldades durante a floração, enquanto a cana-de-açúcar pode ser beneficiada por um aumento das precipitações no Sudeste.

    Segundo Marcelo Seluchi, coordenador-geral de Operações e Modelagens do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o aquecimento global tem contribuído para uma maior frequência e intensidade dos episódios de El Niño.

    O especialista destaca que, nas últimas décadas, houve mais ocorrências do fenômeno e episódios de maior intensidade.

    O que é o Niño 3.4?

    O Niño 3.4 é uma região do Oceano Pacífico utilizada pelos meteorologistas como uma das principais referências para medir a intensidade do El Niño e da La Niña.

    Ela fica entre 5 graus ao norte e 5 graus ao sul da linha do Equador, entre os meridianos 170° e 120° a oeste.

    Na última atualização mencionada no material-base, a temperatura na região chegou a 1,3 °C, nível associado a um El Niño moderado naquele momento.

    Imagens do satélite mostram variações no nível do mar em junho de 2026; áreas em vermelho indicando águas mais elevadas no Pacífico equatorial, sinal típico associado ao desenvolvimento do El Niño — Foto: Sentinel-6 Michael Freilich/NASA/NOAA

    Para a agrometeorologista Ana Maria Heuminski de Ávila, do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri), da Unicamp, a velocidade de aquecimento do Pacífico aumentou a expectativa de um fenômeno mais intenso.

    Ela ressalta, porém, que um El Niño mais forte aumenta a probabilidade de eventos extremos, mas não significa que todas as regiões brasileiras serão afetadas da mesma maneira.

    Soja concentra uma das maiores preocupações

    A soja está entre as culturas que mais preocupam os especialistas por causa da possibilidade de alterações no calendário agrícola.

    Eduardo Martins, diretor do Grupo Associado de Agricultura Sustentável (GAAS), considera que os danos podem ser maiores caso a falta de chuva se intensifique em áreas mais vulneráveis.

    “Se a falta de chuva for ampliada, pegar o Matopiba [confluência entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), que é mais exposto ao clima, tem solos mais arenosos, e o Centro-Oeste, há possibilidade de 20% de perda a nível nacional, pegando a safra 2015/16 como base”, estima Martins, que foi presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no governo Fernando Henrique Cardoso.

    Chuvas podem beneficiar o Sul

    Os efeitos do El Niño não serão iguais em todo o território brasileiro.

    No Sul do Brasil, o fenômeno costuma estar associado a volumes de chuva acima da média. Por isso, a preocupação durante a implantação das lavouras de verão é justamente o excesso de precipitação.

    Para Ana Maria Heuminski de Ávila, do Cepagri, a chuva pode até favorecer a produtividade de soja e milho no Rio Grande do Sul, desde que não seja excessiva.

    O excesso de precipitação, como observado em 2024, pode provocar problemas para as lavouras.

    Manejo do solo é uma das estratégias

    Diante de um cenário de maior variabilidade climática, o planejamento passa a ter papel importante na preparação das propriedades.

    O seguro rural é, sem dúvidas, uma ferramenta que pode ajudar os produtores a enfrentar possíveis perdas. No entanto, outra estratégia está relacionada ao manejo do solo.

    Marco Antonio dos Santos, agrometeorologista da Rural Clima, destaca a importância de manter uma boa cobertura vegetal e uma estrutura adequada do solo.

     “Ele (produtor) tem que primeiro fazer o que a gente chama de lição de casa: manter uma boa palhada, o solo com uma boa cobertura vegetal, com boa estrutura química e física, para que, quando chover, a água consiga penetrar em todo o solo e formar uma camada maior de água.”

    Assim, diante da possibilidade de um El Niño intenso na safra 2026/27, produtores precisam considerar não apenas o calendário de plantio, mas também o manejo do solo, o planejamento da propriedade e mecanismos de proteção contra perdas.

    O impacto, porém, dependerá da intensidade do fenômeno e, principalmente, de como chuva e temperatura vão se comportar em cada região produtora do país.

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  • ADM anuncia Luiz Rebellato como novo diretor comercial de Grãos no Brasil

    ADM anuncia Luiz Rebellato como novo diretor comercial de Grãos no Brasil

    A ADM anunciou Luiz Rebellato como o novo diretor comercial de Grãos no Brasil. O executivo retorna à companhia após uma passagem entre 2011 e 2021 e, a partir de agosto, ficará responsável pela definição e implementação da estratégia comercial da área.

    A nova função inclui a liderança das operações de originação, comercialização e desenvolvimento de mercado. Rebellato também comandará a gestão do portfólio de negócios, a identificação de oportunidades de expansão e as ações voltadas ao fortalecimento da competitividade da ADM no país.

    Foco em produtores e clientes

    Entre as prioridades do executivo está o fortalecimento do relacionamento com produtores, cooperativas, clientes, tradings e outros participantes da cadeia agroindustrial.

    A ADM pretende ampliar a oferta de soluções que complementam a comercialização de grãos, como inteligência de mercado, gerenciamento de riscos e serviços integrados. Essas ferramentas apoiam a tomada de decisão e ajudam os parceiros a aumentar a previsibilidade e a eficiência dos negócios.

    Rebellato também terá participação no desenvolvimento das equipes e na consolidação de uma cultura orientada a resultados.

    Experiência no agronegócio

    Formado em Administração de Empresas e com MBA em Gestão Financeira, Luiz Rebellato já ocupou diferentes posições na ADM, incluindo a gerência de Compras.

    Depois de deixar a companhia, o executivo passou por empresas como Gavilon e Três Tentos. Mais recentemente, atuou como Head de Trading e Originação da FS Bioenergia.

    A experiência em trading, originação e gestão comercial contribuiu para a escolha do executivo para liderar a área de Grãos da ADM no Brasil.

    Estratégia da ADM

    A chegada de Rebellato reforça a estratégia da ADM de ampliar sua atuação no segmento de Grãos e estreitar a proximidade com produtores e clientes.

    A companhia busca conectar a produção agropecuária aos mercados por meio de soluções integradas, com foco em eficiência, previsibilidade e geração de valor ao longo da cadeia agroindustrial.

    O novo diretor comercial se reportará a Eduardo Rodrigues, vice-presidente de Grãos da ADM no Brasil.

    O que diz Luiz Rebellato

    “É uma satisfação retornar à ADM e assumir esse novo desafio. A companhia possui uma trajetória sólida no agronegócio brasileiro e acredito que, junto às equipes e aos nossos parceiros, poderemos fortalecer ainda mais nossa atuação em Grãos”, afirma Rebellato.

    Segundo o executivo, a companhia pretende ampliar o apoio a produtores e clientes com soluções que vão além da comercialização de grãos.

    “Nosso objetivo é contribuir para que nossos parceiros tenham cada vez mais eficiência, previsibilidade e condições de tomar decisões alinhadas às oportunidades do mercado”, acrescenta o novo diretor comercial de Grãos da ADM.

  • Brasil vira palco de fórum inédito sobre o futuro do agronegócio mundial

    Brasil vira palco de fórum inédito sobre o futuro do agronegócio mundial

    O Brasil passou a integrar oficialmente o circuito internacional dos grandes fóruns estratégicos de análise do agronegócio nesta quinta-feira (30), em Brasília. A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) promoveram o 1º Outlook Agro Brasil. O evento reuniu lideranças, pesquisadores e especialistas brasileiros e estrangeiros para discutir o futuro do setor e os rumos do comércio global de alimentos.

    O encontro busca posicionar o país entre os principais centros internacionais de inteligência do agronegócio. Representantes do governo brasileiro dividiram o palco com nomes do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Além de especialistas de instituições como o CME Group e a Universidade Agrícola da China.

    Agronegócio já responde por metade das exportações brasileiras

    Na abertura do evento, o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, destacou o peso do agronegócio, que hoje representa cerca de 50% das exportações do país. Ele associou diretamente a agricultura ao desenvolvimento econômico brasileiro e defendeu que, sem o setor, o país não sustentaria sua atual política de exportações.

    Müller também reforçou a posição do Brasil como parceiro comercial estável em meio à crescente incerteza global. E citou a disposição do país para negociar acordos internacionais e reduzir barreiras comerciais. Segundo ele, o Brasil ocupa um lugar raro no cenário mundial: consegue produzir alimentos para a segurança alimentar global, gerar biocombustíveis, capturar carbono e preservar o meio ambiente simultaneamente.

    A diretora-executiva da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Tânia Zanella, complementou o painel de abertura ao destacar a contribuição brasileira para alimentar o mundo. Ela apontou que o cooperativismo agropecuário movimenta cerca de R$ 490 bilhões por ano e gera aproximadamente 700 mil empregos diretos no país. Somente em 2025, as cooperativas do setor exportaram mais de US$ 17 bilhões para mais de 180 países.

    Diplomacia e governo reforçam abertura de mercados

    O embaixador Alex Giacomelli, secretário de Promoção Comercial, Ciência, Tecnologia, Inovação e Cultura do Itamaraty, afirmou que a diplomacia brasileira mantém compromisso direto com a competitividade do país e com a ampliação de oportunidades de cooperação internacional.

    O ministro da Pesca e Aquicultura, Rivetla Edipo Araujo, citou a abertura de mais de 600 mercados para o agronegócio brasileiro no exterior. E dos quais 19 pertencem especificamente ao setor de pesca e aqüicultura. Um número que, segundo ele, ainda pode crescer.

    Já o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias, celebrou os resultados recentes da produção agrícola brasileira e sua inserção no comércio exterior. Ele associou a força do agro à possibilidade de o país avançar em desenvolvimento social, distribuição de renda e inclusão, mesmo diante de crises externas.

    O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, encerrou a fala institucional defendendo a ampliação de novos mercados a partir da credibilidade já conquistada pelos produtos brasileiros.

    USDA e FAO trazem panorama do comércio agroalimentar global

    Ao longo do dia, especialistas discutiram os efeitos das tensões geopolíticas, das mudanças econômicas e das novas dinâmicas dos mercados globais sobre a produção e o comércio agroalimentar. O economista-chefe do USDA, Justin Benavidez, abriu os debates internacionais com uma análise sobre as perspectivas da economia agrícola mundial, apontando como a volatilidade econômica e os conflitos geopolíticos vêm alterando os fluxos de produção e exportação de alimentos.

    Participantes do evento. Foto: Divulgação

    Em seguida, o diretor da Divisão de Economia Agroalimentar da FAO, David Laborde; o professor Shenggen Fan, da Universidade Agrícola da China; o diretor do CME Group, Mark Shore; e o gerente de Inteligência de Mercado da ApexBrasil, Gustavo Ribeiro, apresentaram dados sobre a reorganização das cadeias globais de suprimentos e os desafios de segurança alimentar. O grupo reforçou a importância da inteligência de mercado para antecipar tendências e apoiar decisões estratégicas de inserção internacional.

    Painéis debatem estratégia comercial e mudanças no consumo

    O painel “O Brasil no Novo Cenário Global: Estratégia e Oportunidades” reuniu representantes do Mapa, do MDIC e da ApexBrasil. O objetivo foi discutir a presença brasileira em mercados estratégicos e o papel da diplomacia comercial na competitividade das exportações.

    As transformações nos hábitos de consumo também ganharam espaço na programação. Representantes da Euromonitor e da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) discutiram tendências da demanda global por alimentos, ligadas à valorização da sustentabilidade, da rastreabilidade e da conveniência. Para os painelistas, entender as expectativas dos consumidores se tornou fator decisivo para a diferenciação de produtos e a conquista de novos mercados.

    Safra 2026/27 depende de clima, fertilizantes e gestão de riscos

    A agenda técnica dedicada à próxima safra reuniu a meteorologista do Inmet, Marcia Seabra; o pesquisador da Embrapa, Eduardo Monteiro; o assessor do Mapa, Rafael Vivian; e o gerente-geral da Bolsa de Cereais de Buenos Aires, Ramiro Costa. O grupo apresentou análises sobre perspectivas climáticas, disponibilidade de fertilizantes e tendências para a produção agrícola sul-americana. Destacando que o monitoramento de variáveis climáticas e de mercado se tornou determinante para a competitividade do setor.

    No encerramento, representantes de entidades como ABIEC, ABRAPA, UNEM, BSCA, ABPA, ABIPESCA e ABRAFRUTAS avaliaram os desafios do crescimento das exportações brasileiras. O grupo concluiu que a ampliação da presença internacional dos produtos do país dependerá da combinação entre competitividade, inovação, sustentabilidade, inteligência de mercado e articulação institucional.

    África e Ásia despontam como novos mercados estratégicos

    O secretário-executivo do Mapa, Cleber Soares, e o gerente de Agronegócios da ApexBrasil, Pedro Netto, encerraram o evento com uma síntese dos debates. Netto apontou África e Ásia como mercados de interesse crescente, impulsionados pelo crescimento populacional dessas regiões. E reafirmou a China como um dos principais parceiros comerciais do Brasil.

    Cleber Soares defendeu o investimento em mecanismos que aumentem a precisão das previsões do setor, com uso de modelos e ferramentas para antecipar cenários externos. Ele encerrou o fórum com um alerta sobre o déficit de alimentos no mundo, defendendo um chamamento global para enfrentar os desafios da segurança alimentar, energética e climática.

  • Robôs de ordenha transformam a pecuária leiteira

    Robôs de ordenha transformam a pecuária leiteira

    A automação avança no campo e desperta cada vez mais interesse entre produtores de leite. De olho nesse movimento, o Sistema FAEP capacitou 16 instrutores do curso de Manejo e Ordenha para atuarem como multiplicadores de conhecimento sobre ordenha robotizada.

    O treinamento ocorreu nos municípios de Castro e Carambeí, nos Campos Gerais do Paraná, e reuniu atividades práticas e técnicas voltadas ao uso de robôs de ordenha nas propriedades rurais.

    Segundo a entidade, a iniciativa surgiu após o aumento da procura por informações sobre a adoção dessas tecnologias nas fazendas.

    “Os próprios produtores começaram a perguntar como funciona o robô, se seria possível implementar esse sistema na propriedade e o que precisariam entender para tomar essa decisão. Diante disso, atualizamos tecnicamente nosso quadro de instrutores para levar informação atualizada e baseada na realidade do campo”, afirma Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema FAEP.

    Como funciona a ordenha robotizada

    Nos sistemas automatizados, a vaca se dirige espontaneamente ao equipamento, atraída pela oferta de ração concentrada.

    O robô identifica o animal, realiza a higienização dos tetos, faz a ordenha e executa os procedimentos sanitários necessários.

    Após a operação, a vaca retorna normalmente para a alimentação ou para o descanso.

    Robôs de ordenha prometem revolucionar a pecuária leiteira — Foto: Embrapa

    Além da automação da ordenha, o sistema registra uma série de informações importantes para a gestão da propriedade.

    Entre os dados monitorados estão a produção individual do leite, frequência de ordenha, comportamento dos animais e indicadores de saúde do rebanho.

    Essas informações são disponibilizadas em tempo real para o produtor.

    Leia mais: Brasil e Escócia movimentam até US$ 300 milhões no agro

    Capacitação uniu teoria e prática

    Durante a formação, os instrutores visitaram centros de distribuição das empresas Lely e DeLaval para conhecer os diferentes modelos de robôs de ordenha disponíveis no mercado.

    O grupo também acompanhou o funcionamento da tecnologia em três propriedades rurais com diferentes níveis de produção.

    A proposta foi mostrar que a automação pode ser adotada em sistemas de diversos portes, desde fazendas menores até operações de maior escala.

    Tecnologia não substitui trabalhadores

    Um dos temas abordados durante a capacitação foi o impacto da automação sobre a mão de obra rural.

    Segundo Marta Liliane de Vasconcelos, técnica do Departamento de Desenvolvimento de Ofertas do Sistema FAEP, a tecnologia não elimina postos de trabalho, mas modifica a dinâmica das atividades dentro da propriedade.

    “O robô não vem para eliminar a mão de obra, mas para flexibilizar e qualificar o trabalho. O profissional que antes ficava exclusivamente na ordenha pode ser direcionado para outras atividades estratégicas dentro da propriedade, inclusive para acompanhamento dos dados gerados pelo sistema”, explica.

    Automação cresce na produção de leite

    O interesse pela ordenha robotizada tem aumentado à medida que os produtores buscam mais eficiência operacional, melhor gestão do rebanho e maior controle dos indicadores produtivos.

    Para Ricardo Biscaro, instrutor da regional de Pato Branco, a capacitação permitiu compreender na prática o funcionamento dos equipamentos e ampliar o conhecimento necessário para orientar os pecuaristas.

    Além dos ganhos de produtividade, a tecnologia também pode contribuir para melhorar a qualidade de vida no campo, oferecendo mais flexibilidade na rotina de trabalho das propriedades leiteiras.

  • Agro confia mais nos EUA do que na China, aponta FGV

    Agro confia mais nos EUA do que na China, aponta FGV

    Apesar de a China ser o principal destino das exportações brasileiras de soja e carne bovina, produtores e moradores da fronteira agrícola demonstram maior confiança nos Estados Unidos do que no país asiático.

    A conclusão faz parte de uma pesquisa realizada pela FGV RI (Escola de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas) em municípios da fronteira agrícola das regiões Centro-Oeste e Norte do Brasil no fim de 2025.

    O levantamento revela uma diferença significativa entre dependência econômica e confiança política.

    Dependência comercial não significa confiança

    A China concentra atualmente cerca de 80% das exportações brasileiras de soja e 86% das vendas externas de carne bovina.

    Mesmo assim, os entrevistados demonstraram maior confiança nos Estados Unidos.

    Segundo a pesquisa:

    21,8% consideram os EUA “muito confiáveis”;

    12,6% atribuem a mesma avaliação à China.

    A diferença supera nove pontos percentuais.

    O estudo também aponta que a confiança na China caiu quase 20 pontos percentuais em comparação com 2017, período em que as relações comerciais entre os dois países continuaram avançando.

    Segundo os pesquisadores, o resultado mostra que laços econômicos e alinhamentos políticos seguem caminhos distintos.

    “A fronteira agrícola vende para a China sem confiar nela e confia nos Estados Unidos sem depender deles comercialmente. A pesquisa mostra que confiança política e dependência econômica são coisas distintas e seguem lógicas diferentes”, afirmou Matias Spektor, diretor da FGV RI e um dos autores do estudo.

    Leia mais: Robôs de ordenha transformam a pecuária leiteira

    União Europeia gera percepção dividida

    A pesquisa também avaliou como os entrevistados enxergam as exigências ambientais da União Europeia para produtos agrícolas.

    De um lado, 74,3% acreditam que atender às normas ambientais europeias fortalece a reputação internacional do Brasil.

    Por outro:

    66,9% afirmam que as exigências reduzem a competitividade dos produtos brasileiros;

    61,5% entendem que as regras atendem principalmente aos interesses econômicos da própria União Europeia.

    Segundo os pesquisadores, essas avaliações não são contraditórias.

    A interpretação é que o setor vê as exigências como uma condição necessária para manter acesso a um mercado estratégico, mesmo sem compartilhar integralmente os valores defendidos pelo bloco europeu.

    Fronteira agrícola tem perfil mais conservador

    O levantamento também traçou um panorama político dos moradores da região.

    De acordo com os dados:

    83,5% se identificam como de direita ou centro;

    16,5% se declaram de esquerda.

    A pesquisa aponta ainda que:

    55,9% acreditam que o governo interfere excessivamente na vida das pessoas;

    64,3% avaliam que a regulação estatal gera mais efeitos negativos do que positivos para os negócios.

    Segundo os autores, essas percepções influenciam a forma como a população da fronteira agrícola avalia parceiros internacionais como Estados Unidos, China e União Europeia.

    Peso político do agro pode crescer

    O estudo destaca ainda o aumento da relevância eleitoral da fronteira agrícola brasileira.

    Os estados que compõem essa região representam aproximadamente 15% do eleitorado nacional.

    Para os pesquisadores, esse crescimento pode ampliar a influência das preferências regionais nos debates sobre política externa e nas relações do Brasil com Washington, Pequim e Bruxelas.

    “Uma política externa que presume que a fronteira agrícola seguirá seus interesses comerciais em direção ao alinhamento político com qualquer parceiro individual interpreta equivocadamente a realidade da região”, concluiu Matias Spektor.

    Leia mais: Frutas em miniatura conquistam produtores e consumidores

  • Frutas em miniatura conquistam produtores e consumidores

    Frutas em miniatura conquistam produtores e consumidores

    A transformação no perfil das famílias brasileiras tem provocado mudanças importantes nos hábitos de consumo. Com lares menores, rotinas cada vez mais corridas e um número crescente de pessoas vivendo sozinhas, diversos setores precisam se adaptar às novas demandas. No segmento de frutas, além da redução no volume das compras, uma tendência tem chamado a atenção: o crescimento da procura por minifrutas.

    Versões reduzidas de frutas como kiwi, pera, maçã, banana-ouro e laranja kinkan refletem esse novo cenário demográfico. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um em cada cinco domicílios brasileiros possui apenas um morador. Além disso, os lares formados por casais com filhos passaram a representar menos da metade do total de famílias do país pela primeira vez. A participação desse grupo caiu de 56,4% em 2000 para 42% em 2022.

    Novas oportunidades aos produtores

    Em meio a essa transformação, produtores rurais enxergam novas oportunidades de mercado. Em São Bento do Sapucaí (SP), na região da Serra da Mantiqueira, o produtor Rodrigo Veraldi, do Viveiro Frutopia, foi pioneiro na introdução do cultivo de minikiwis (Actnidia arguta) no Brasil.

    A variedade se diferencia do kiwi tradicional (Actnidia deliciosa) pelo tamanho reduzido, semelhante ao de uma uva. Além disso, a fruta possui casca fina e sem pelos, permitindo o consumo sem a necessidade de descascá-la.

    Segundo Veraldi, os primeiros exemplares chegaram ao país há mais de uma década por meio de produtores que importavam kiwis convencionais. No entanto, a importação da variedade arguta foi posteriormente proibida, o que motivou o desenvolvimento de um trabalho de adaptação genética e produtiva em território nacional.

    O projeto teve início em 2015 e avançou após o produtor obter acesso às sementes da fruta. Atualmente, o interesse do mercado vem crescendo.

    “Os produtores de kiwi estão em lista de espera pelas mudas.”

    De acordo com ele, a comercialização das mudas deverá começar após a conclusão da última etapa de análises laboratoriais das plantas.

    Rotina acelerada e grande número de pessoas morando sozinhas ampliam oferta de minifrutas — Foto: Divulgação/TripAdvisor

    Mercado premium impulsiona demanda

    Disponíveis em feiras especializadas, empórios, supermercados premium e restaurantes, as minifrutas acompanham uma tendência global de valorização de alimentos que combinam praticidade, estética e conveniência.

    Segundo a economista Marcela Cerrado, as mudanças sociais ajudam a explicar esse avanço.

    “Com lares menores, rotina acelerada e mais preocupação com a saúde, cresce a demanda por alimentos fáceis de consumir, que reduzem o desperdício e têm apresentação atrativa. As minifrutas atendem exatamente essa expectativa.”

    No caso das minimaçãs e miniperas, parte dos produtos disponíveis já possui tamanho naturalmente reduzido. Contudo, outras variedades são obtidas por meio de estratégias agronômicas específicas, incluindo seleção varietal, manejo de poda e controle da carga produtiva.

    Pós-colheita e logística são fatores decisivos

    A expansão desse segmento também exige investimentos em pós-colheita, padronização e logística especializada.

    A Garden Fruit, empresa de Jundiaí (SP) especializada na importação de frutas frescas, comercializa minimaçãs portuguesas, miniperas da Espanha e de Portugal e minitangerinas provenientes do Chile, Uruguai e Espanha.

    Segundo a companhia, a composição do portfólio resulta de um monitoramento constante das tendências globais de consumo.

    “Um ponto importante é a necessidade de investimento em pós-colheita e logística. Por serem comercializadas como produtos premium, aparência, padronização e conservação tornam-se fatores decisivos para a aceitação do mercado”, afirma Gustavo Steck, gerente de pesquisa da Garden Fruit.

    Além das frutas importadas, a empresa também adquire maçãs menores produzidas no Brasil, de diferentes variedades. As embalagens são comercializadas mediante acordo de licenciamento com personagens da Disney, estratégia voltada especialmente ao público infantil.