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  • Tomates ancestrais conquistam agricultores e chefs de cozinha

    Tomates ancestrais conquistam agricultores e chefs de cozinha

    Já pensou poder experimentar o mesmo sabor de tomate que seus avós colhiam, comiam — e, depois de décadas, elogiam? É justamente essa experiência que variedades antigas de tomate estão proporcionando no Rio de Janeiro.

    Conhecidos como tomates históricos, tradicionais ou heirloom, esses frutos carregam características que foram preservadas ao longo de gerações. Muitos apresentam formatos, cores e sabores bem diferentes dos tomates encontrados atualmente nos supermercados.

    Há exemplares amarelos, alaranjados, rosados e até frutos com combinações de cores. Os formatos também chamam atenção. Alguns são pequenos e arredondados. Outros podem ser grandes, achatados ou bastante irregulares.

    Mas a aparência não é o único diferencial.

    Sabor que atravessa gerações

    O principal atrativo dessas variedades está no sabor. Muitos tomates antigos são conhecidos pelo aroma intenso, pela polpa suculenta e pelo equilíbrio entre doçura e acidez.

    Na cozinha, os frutos ganham espaço em saladas, entradas, molhos e outras receitas. Assim, ingredientes que durante anos ficaram restritos a pequenas plantações voltam a aparecer em restaurantes.

    Para os agricultores, a procura também cria uma nova oportunidade.

    Em vez de competir apenas pelo volume produzido, o produtor pode apostar em variedades diferenciadas. Nesse caso, sabor, aparência, origem e exclusividade passam a ter valor.

    Acervo com mais de mil variedades

    Na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), um acervo com mais de mil variedades do fruto chama atenção pela diversidade. Segundo o professor Antônio Carlos de Souza Abboud, os cultivos resultam em frutos de diferentes cores, formatos, sabores e texturas.

    Tudo começou quando Abboud, professor e agrônomo especializado em ciência do solo, recebeu uma pequena coleção de sementes da França. Ele decidiu plantá-las e, o que começou como um hobby, ganhou novas proporções.

    Com o tempo, chegaram novas sementes por meio de doações, trocas com outras instituições e coletas realizadas no Brasil e no exterior. Assim, a coleção foi crescendo e passou a reunir materiais de diferentes origens.

    Coleção da UFRRJ é algo raro no Brasil e impressiona pela diversidade de tons, sabores, formatos e aromas (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal/Antônio Carlos de Souza Abboud)

    Hoje, segundo Abboud, o acervo reúne tomates históricos provenientes de países como Itália, França, Espanha e Estados Unidos. Também há variedades coletadas em diferentes regiões brasileiras, incluindo a Bahia, a Amazônia e Roraima.

    “Tem tomate doce, azedo, frutado, mais ácido, com pouca semente, com textura crocante, textura macia. A gente tem todas as nuances de sabor, de gosto e de textura.”

    Rio de Janeiro tem tradição na produção

    O estado do Rio de Janeiro possui uma longa relação com o cultivo desse fruto.

    Um dos destaques é Paty do Alferes, município localizado na região Centro-Sul Fluminense. A cidade é tradicionalmente ligada à produção do tomate e mantém a agricultura como uma atividade importante.

    Portanto, a valorização dos tomates históricos cria uma possibilidade de diversificação. Pequenos produtores podem cultivar variedades específicas e estabelecer relações mais próximas com restaurantes, feiras e consumidores.

    A estratégia também acompanha uma mudança no comportamento na gastronomia:  Cada vez mais, chefs procuram ingredientes com história, identidade e origem conhecida. O tomate deixa, então, de ser apenas um acompanhamento e passa a contar uma história.

  • Crise se agrava em Cuba e agricultores abandonam fazendas

    Crise se agrava em Cuba e agricultores abandonam fazendas

    A falta de combustível tem provocado dias difíceis em Cuba. Sem diesel para operar máquinas, irrigar lavouras e transportar alimentos, agricultores estão colocando fazendas à venda por preços reduzidos enquanto parte da produção apodrece antes mesmo de chegar ao mercado.

    Segundo reportagem do Financial Times, a interrupção de grande parte dos embarques de petróleo para a ilha agravou a escassez de energia. Em algumas regiões, os apagões chegam a durar até 22 horas por dia, comprometendo praticamente toda a cadeia agrícola.

    Agricultores tentam vender propriedades

    Sem condições de manter a produção, muitos produtores passaram a anunciar fazendas, equipamentos e outros bens rurais em redes sociais. Mesmo oferecendo descontos, a maioria encontra dificuldade para fechar negócio devido à crise econômica que afeta o país.

    A escassez de combustível também atinge propriedades voltadas ao turismo rural, que enfrentam dificuldades para manter as atividades.

    Produção agrícola é perdida por falta de transporte

    Os prejuízos vão além das fazendas. Sem caminhões abastecidos, alimentos deixam de ser transportados e parte das colheitas acaba sendo desperdiçada.

    Em fazendas estatais produtoras de manga, por exemplo, frutas têm apodrecido porque não conseguem sair do campo antes do período de maturação. A falta de logística compromete o abastecimento e aumenta as perdas na agricultura cubana.

    Um vendedor ambulante de flores empurra seu carrinho passando por um mural que retrata o líder revolucionário nascido na Argentina, Ernesto “Che” Guevara, lendo “Até a vitória, sempre.” em Havana, em 25 de fevereiro de 2026 • Foto: Yamil Lage/AFP

    Reformas econômicas tentam conter a crise

    Diante do cenário, o presidente Miguel Díaz-Canel anunciou mudanças no sistema de racionamento que existe desde 1962.

    Pelas novas regras, apenas aposentados, crianças com doenças crônicas e outros grupos considerados vulneráveis continuarão recebendo alimentos subsidiados. O restante da população deverá comprar produtos a preços de mercado ou depender de alimentos enviados por familiares que vivem no exterior.

    No entanto, até essas entregas enfrentam dificuldades, já que a distribuição entre Havana e outras regiões do país também sofre com a falta de diesel.

    Sanções aumentam a pressão sobre o agronegócio cubano

    A crise se intensificou após medidas adotadas pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reduzirem significativamente os embarques de combustível destinados à ilha.

    Sem petróleo suficiente para manter a geração de energia e o transporte funcionando, o setor agrícola enfrenta dificuldades para produzir, colher e distribuir alimentos.

    O governo cubano afirma que pretende acelerar reformas econômicas para reduzir os impactos da crise, mas agricultores seguem convivendo com perdas crescentes e um cenário de forte incerteza no campo.

  • Guerra contra o Irã coloca em risco a produção agrícola global

    Guerra contra o Irã coloca em risco a produção agrícola global

    O bloqueio das rotas marítimas pelo estreito de Ormuz, provocado pelo conflito entre os Estados Unidos, Israel e o Irã, pode retirar até 10 bilhões de refeições semanais da mesa de pessoas ao redor do mundo. O alerta vem de Svein Tore Holsether, presidente-executivo da Yara, um dos maiores produtores de fertilizantes do planeta.

    “Até meio milhão de toneladas de fertilizante nitrogenado não estão sendo produzidas no mundo no momento”, afirmou Holsether em entrevista à BBC. “O que isso significa para a produção de alimentos? Estimaria até 10 bilhões de refeições que deixarão de ser produzidas a cada semana como resultado.”

    Segundo as Nações Unidas, cerca de um terço dos fertilizantes globais, incluindo ureia, potássio, amônia e fosfatos, passam normalmente pelo estreito de Ormuz. Com o bloqueio, o preço dos fertilizantes já subiu 80% desde o início das hostilidades. A queda na aplicação de fertilizante nitrogenado pode reduzir a produtividade de algumas culturas em até 50% já na primeira safra.

    Os mais vulneráveis na linha de frente

    O impacto não será distribuído de forma igualitária. África subsaariana, Ásia, Sudeste Asiático e América Latina concentram os maiores riscos imediatos. Regiões que já operam com subfertilização, como partes da África, podem enfrentar quedas ainda mais acentuadas na produção agrícola.

    “Essa é uma situação em que as pessoas mais vulneráveis pagam o preço mais alto”, disse Holsether. “Nações em desenvolvimento não podem se dar ao luxo de acompanhar” uma disputa por alimentos com os países mais ricos.

    O Programa Mundial de Alimentos da ONU estima que as consequências combinadas do conflito no Oriente Médio podem levar 45 milhões de pessoas a mais à fome aguda em 2026. Na Ásia e no Pacífico, a insegurança alimentar deve crescer 24%, o maior aumento relativo entre todas as regiões.

    Efeito nos preços chega com atraso

    As épocas de plantio variam conforme a região. O Reino Unido atravessa a alta temporada de plantio, enquanto agricultores asiáticos estão apenas começando o ciclo. Por isso, os efeitos da escassez de fertilizantes nos preços dos alimentos na Ásia só devem aparecer no fim do ano, quando colheitas menores chegarem ao mercado, ou simplesmente não chegarem.

    “Se a crise se prolongar por mais tempo, veremos um impacto em culturas como o arroz nos próximos meses”, afirmou Paul Teng, pesquisador sênior em segurança alimentar em Cingapura.

    No Reino Unido, a Federação de Alimentos e Bebidas projeta inflação alimentar de até 10% em dezembro. O Banco da Inglaterra prevê alta de 4,6% nos preços de alimentos até setembro, com pressão maior no final do ano.

    Agricultores já sentem o aperto

    Além dos fertilizantes, produtores rurais enfrentam uma combinação de pressões simultâneas: alta no preço do diesel, aumento de outros insumos e custos de energia mais elevados. O problema é que os preços das safras ainda não subiram na mesma proporção.

    “Eles enfrentam custos de energia mais altos, o diesel para trator está aumentando, outros insumos estão aumentando, o custo do fertilizante está aumentando, mas os preços das safras ainda não acompanharam”, disse Holsether.

    O executivo pediu aos países europeus, portanto, que avaliem com cuidado o impacto de uma guerra de preços por alimentos sobre as populações mais frágeis em outras partes do mundo. “De quem estamos tirando comida ao comprarmos, nessa situação?”, questionou.

  • Cadastur – turismo rural como opção para produtores rurais e agricultores familiares

    Cadastur – turismo rural como opção para produtores rurais e agricultores familiares

    A secretária-executiva do Ministério do Turismo, Ana Carla Lopes, anunciou essa semana uma nova portaria durante a 48ª Expointer, em Esteio (RS). A medida autoriza agricultores familiares e produtores rurais a se registrarem no Cadastur.

    O registro permite que esses profissionais ofertem serviços turísticos em suas propriedades. Eles mantêm todos os direitos já garantidos por outras legislações federais, incluindo benefícios previdenciários como aposentadoria.

    A iniciativa, embora lançada no Rio Grande do Sul, tem validade nacional. O governador Eduardo Leite participou da solenidade, junto com o secretário estadual de Turismo, Ronaldo Santini, e representantes do setor.

    A portaria regulamenta a Lei Geral do Turismo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei no final de 2024. A norma traz segurança jurídica para agricultores familiares, empreendedores e profissionais do turismo.

    “Fortalecemos o turismo rural com essa medida”, destaca Ana Carla Lopes. “Os agricultores familiares podem desenvolver atividades turísticas em suas propriedades. Isso gera renda complementar, empregos e desenvolvimento sustentável.”

    Agricultores mantêm direitos previdenciários ao atuar no turismo

    Eduardo Leite enfatiza a importância do turismo rural para o estado. “Nossa intenção é tornar o turismo rural uma atividade pública cada vez mais relevante”, afirma o governador. “Ele tem enorme capacidade de gerar empregos.”

    O governador destaca que as tecnologias transformam a produção rural. No entanto, o turismo exige acolhimento humano. “O ser humano é indispensável nesse processo”, complementa Leite.

    Ronaldo Santini ressalta o impacto na economia local. “A portaria reconhece anos de dedicação dos produtores”, explica o secretário. “Agora podem atuar no turismo sem abrir mão de direitos. Isso agrega valor à produção, amplia renda e fortalece programas como o Selo Sabor Gaúcho.”

    Quem pode se beneficiar da nova regulamentação

    A portaria abrange diferentes categorias de produtores rurais. Os agricultores familiares devem atender critérios específicos:

    • Possuir até quatro módulos fiscais de terra
    • Utilizar mão de obra predominantemente familiar
    • Ter a maior parte da renda vinculada ao estabelecimento
    • Dirigir a produção junto com familiares

    A medida também beneficia silvicultores, aquicultores e extrativistas. Pescadores artesanais, povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais entram na lista.

    Os produtores rurais, pessoas físicas ou jurídicas, também podem se cadastrar. Isso inclui quem desenvolve atividades agropecuárias, pesqueiras ou silviculturais. A extração de produtos primários também está contemplada.

    Cadastur oferece crédito facilitado e segurança jurídica

    O Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos reúne profissionais do setor. O sistema do Ministério do Turismo garante legalidade, benefícios e oportunidades aos cadastrados.

    O registro funciona como fonte de consulta segura para turistas. Os cadastrados têm acesso a programas como o Fungetur. Este fundo oferece crédito com juros reduzidos.

    O financiamento estimula o desenvolvimento do turismo. Também gera empregos e aumenta a renda local nas comunidades rurais.

    Lei Geral do Turismo moderniza setor e reduz burocracias

    A nova Lei Geral do Turismo moderniza todo o setor turístico brasileiro. A legislação reduz burocracias e fortalece o ambiente de negócios.

    A lei aproxima o poder público da iniciativa privada. Isso amplia a competitividade dos destinos brasileiros no mercado internacional.

    O Ministério do Turismo, Congresso Nacional e cadeia produtiva participaram da elaboração. O Conselho Nacional de Turismo (CNT) representou o setor privado nas discussões.

    A LGT amplia o acesso ao Cadastur para novas categorias. Microempreendedores individuais, serviços sociais autônomos e associações privadas podem se cadastrar. Parques aquáticos, de diversões e empreendimentos de lazer também entram no sistema.

  • Feiras da agricultura familiar impulsionam a renda de agricultores

    Feiras da agricultura familiar impulsionam a renda de agricultores

    Mais de 70 pequenos produtores de Mato Grosso aumentam a renda com feiras organizadas pela Secretaria de Agricultura Familiar (Seaf/MT) e a Empresa Mato-Grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer/MT). Essas feiras promovem alimentos frescos e geram oportunidades de negócios em várias regiões do Estado. O modelo fortalece a agricultura familiar, conecta agricultores diretamente aos consumidores e movimenta a economia local.

    Nesta semana, esses produtores participam de dois eventos importantes. Um deles é a Feira Estadual da Agricultura Familiar e Turismo Rural (Feaftur), realizada de 6 a 10 de agosto dentro do Festival Internacional de Pesca (FIT), em Cáceres. O outro ocorre em Barra do Garças. Ambos recebem apoio da Seaf e da Empaer e visam ampliar a renda dos agricultores e dar destaque aos produtos mato-grossenses.

    Foto: SEAF

    Uma das histórias que ilustram o sucesso dessas iniciativas vem de Nossa Senhora do Livramento. Jacira Correia Sarato, especialista em produtos fitoterápicos, criou um “cura tudo” com cará, casca de abóbora e canela durante a internação da filha por Covid-19. O produto ganhou clientes em todo o Estado. Agora, Jacira se prepara para representar Mato Grosso no 9º Salão Nacional do Turismo, em São Paulo, de 21 a 23 de agosto.

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    Em Cuiabá, as feiras ocorrem de segunda a sexta-feira, das 8h às 14h, no estacionamento da Seaf e Empaer, no Centro Político Administrativo (CPA). O local é referência para quem busca alimentos frescos, sem intermediários e de origem garantida. Queijos, iogurtes, hortaliças, doces caseiros, mel, castanhas e plantas medicinais estão entre os produtos ofertados.

    Leandro Ferreira dos Santos, de Santo Antônio do Leverger, expõe alface americana, coentro, rúcula, pimentão e almeirão. Ele destaca: “Tudo acontece no tempo da natureza, não no nosso tempo. Trabalhar com a terra é semear saúde para colher qualidade de vida”.

    Outros locais em Cuiabá também recebem feiras. Uma edição tradicional ocorre às terças-feiras, a partir das 17h, no Sesc Arsenal. Geraldo Donizete Lúcio, técnico da Empaer e organizador, ressalta que as feiras vão além da venda: “Elas conectam produtores e clientes, incentivam encomendas futuras e articulam redes de negócios para outras regiões”.

    Para a secretária de Agricultura Familiar, Andréia Fujioka, essas feiras são instrumentos essenciais para o desenvolvimento rural. Ela afirma: “Queremos garantir espaços permanentes para a comercialização, melhorar a qualidade de vida das famílias do campo e promover autonomia e geração de renda”.

    O presidente da Empaer, Suelme Fernandes, destaca o impacto nas cadeias produtivas. “As feiras eliminam intermediários, valorizam o trabalho do agricultor e estimulam o empreendedorismo rural”, conclui.

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  • Semear Digital une agricultura e biodiversidade em pequenas e médias propriedades rurais

    Semear Digital une agricultura e biodiversidade em pequenas e médias propriedades rurais

    A Embrapa Agricultura Digital e a C3 Ambiental iniciaram, em maio, uma parceria para valorizar pequenos e médios produtores rurais que preservam a floresta. A iniciativa foca no bioma Mata Atlântica e abrange propriedades em Lagoinha e Jacupiranga, municípios do interior paulista. Esses locais integram o projeto Semear Digital, coordenado pela Embrapa e financiado pela Fapesp, que promove tecnologias inovadoras e sustentáveis para pequenas e médias propriedades.

    Por meio do programa Floresta & Carbono, a C3 Ambiental incentiva a conservação e recuperação de matas nativas, remunerando agricultores via mercado de carbono pelos serviços ambientais prestados. O projeto faz parte do BioMA Carbono, que cobre todo o bioma Mata Atlântica. Em Lagoinha, no Vale do Paraíba, a iniciativa atua desde 2023 com 13 propriedades participantes. Apesar da presença da Serra Quebra-Cangalha, um dos maiores contínuos de floresta atlântica do vale, a região apresenta fragmentos florestais isolados por pastagens, resultado da pecuária leiteira, principal atividade local.

    Em Jacupiranga, no Vale do Ribeira, a iniciativa será apresentada oficialmente aos produtores em reunião na Câmara Municipal no dia 6 de junho, durante a Semana do Meio Ambiente. Jacupiranga abriga a porção mais preservada da Mata Atlântica paulista e conta com 505 estabelecimentos agropecuários, destacando-se a produção de banana e palmito pupunha.

    Débora Drucker, da Embrapa Agricultura Digital, explica que a parceria visa desenvolver soluções que incentivem a preservação da floresta em propriedades rurais, conservando a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos da Mata Atlântica. “A remuneração por créditos de carbono oferece uma oportunidade de renda para os produtores, aliada a outras ações que promovem a sustentabilidade agrícola”, afirma.

    O projeto inclui capacitação de agentes multiplicadores sobre conservação, uso sustentável do solo e biodiversidade, com conteúdo definido em conjunto com os atores envolvidos.

    Pagamento por serviços ambientais e mercado de carbono

    A Mata Atlântica perdeu grande parte da vegetação original e mantém apenas 12,4% da cobertura natural. Cerca de 80% desses remanescentes estão em propriedades rurais privadas, evidenciando a importância de iniciativas que protejam a biodiversidade, melhorem a qualidade da água e do ar, controlem a temperatura, sequestram carbono e promovam serviços ecossistêmicos como polinização e redução de gases de efeito estufa.

    Além dos benefícios ambientais, a conservação florestal pode gerar renda alternativa para produtores. O carbono estocado nas matas se converte em créditos de carbono, negociados com empresas e pessoas que buscam compensar emissões. O mercado voluntário de carbono segue regras rigorosas de certificação para garantir transparência e rastreabilidade.

    Vanessa Fuentes, diretora de Operações da C3 Ambiental, destaca que pequenos e médios produtores enfrentam dificuldades para entrar no mercado de carbono devido aos custos e complexidade da certificação, tanto nacionalmente, com a Lei nº 15.042/2024, quanto internacionalmente. “Esses processos exigem metodologias específicas e auditorias independentes, inviabilizando a participação individual. Por isso, iniciativas que promovem a inclusão são fundamentais”, explica.

    A C3 Ambiental usa um modelo agrupado que reúne diversos produtores em uma única certificação, diluindo custos, facilitando o acesso ao mercado e viabilizando a geração de créditos mesmo para propriedades menores.

    Uso de DNA ambiental para monitoramento da biodiversidade

    A parceria também prevê pesquisas para aplicar técnicas avançadas de avaliação e monitoramento da biodiversidade via DNA Ambiental. Essa técnica coleta amostras de solo, água e outros componentes para extrair fragmentos de DNA das espécies locais.

    A análise genética ajuda a mapear a biodiversidade e pode gerar indicadores de qualidade ambiental. Em áreas com agricultura integrada à conservação, esses indicadores podem futuramente apoiar processos de certificação e a criação de créditos de biodiversidade.

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  • Espírito Santo inicia colheita da safra 2025 de gengibre

    Espírito Santo inicia colheita da safra 2025 de gengibre

    O Espírito Santo deu início à colheita da safra 2025 de gengibre durante o Dia Especial sobre a Cultura do Gengibre, realizado no Galpão Djalma Plaster, em Santa Maria de Jetibá. O evento, promovido pelo Governo do Estado por meio da Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) e do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), reforçou a importância do estado como maior produtor e exportador nacional do rizoma.

    Responsável por 75% da produção brasileira e 57% das exportações do país, o Espírito Santo estimou uma produção de 77,7 mil toneladas em 2024. Os principais municípios produtores são Santa Leopoldina (31,5 mil toneladas), Santa Maria de Jetibá (26,4 mil toneladas) e Domingos Martins (16,3 mil toneladas), seguidos por Itarana, Cariacica, Marechal Floriano, Santa Teresa e Alfredo Chaves.

    Espírito Santo dá início à colheita do gengibre da safra 2025. Foto: Henrique Fajoli/Seag

    A produtividade média no estado alcança 60,5 toneladas por hectare. E gera uma renda de R$ 293,4 milhões nas propriedades rurais em 2023, conforme dados da Gerência de Dados e Análises da Seag, baseados em levantamentos do IBGE, Painel Agro e Incaper.

    Cartilha para produtores

    No evento, o Incaper lançou a cartilha “Gengibre: Como Produzir Rizomas de Qualidade para Exportação”, elaborada pelo coordenador do CDRC Serrano, Galderes Magalhães de Oliveira. Também ocorreu a palestra “Controle de Pragas e Doenças do Gengibre – Aspecto Técnico e Legal”. Ela foi ministrada pelo professor e doutor em Fitopatologia Antonio Fernando de Souza, do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes).

    Para o secretário de Agricultura do ES, Enio Bergoli, a colheita simboliza a força do trabalho rural e a inovação dos produtores capixabas. Ele destacou que, em 2024, as exportações de gengibre movimentaram mais de US$ 45,3 milhões. Isso coloca o produto entre os quatro principais do agronegócio estadual, ao lado do café, celulose e pimenta-do-reino.

    O diretor-geral do Incaper, Alessandro Broedel, ressaltou a expectativa de crescimento da produção em 2025. Impulsionada pelos bons preços das últimas safras e pela valorização do gengibre capixaba no mercado internacional. Ele também destacou o papel da assistência técnica e extensão rural na adoção de práticas mais eficientes e sustentáveis, alinhadas às exigências do mercado externo.

    O Dia Especial sobre a Cultura do Gengibre reuniu agricultores, técnicos, estudantes e lideranças locais. E promoveu troca de conhecimentos e incentivando boas práticas na cadeia produtiva. O evento reforça o papel estratégico do Espírito Santo na produção de alimentos diferenciados, com alto valor agregado e forte presença internacional.

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  • Laços do Agro conecta agricultores familiares no Paraguai

    Laços do Agro conecta agricultores familiares no Paraguai

    A plataforma Laços do Agro, desenvolvida no Paraná, está pronta para cruzar fronteiras e impulsionar a agricultura familiar no Paraguai. Em parceria com o município de Doctor Juan León Mallorquín e a Universidade Privada del Este (UPE), o aplicativo vai conectar pequenos produtores à cadeia de abastecimento, fortalecendo a economia local e promovendo a sustentabilidade.

    O Laços do Agro é uma solução digital que conecta produtores rurais, cooperativas e técnicos, facilitando a comercialização e a gestão eficiente da produção. Além de auxiliar na venda dos produtos, a plataforma oferece recursos como planejamento de plantio, gestão de contratos e monitoramento de produtividade. Tudo isso é acessível pelo celular, com um layout amigável e intuitivo.

    Impacto na agricultura familiar

    A agricultura familiar é crucial para a segurança alimentar, respondendo por cerca de 70% dos alimentos consumidos no Brasil, segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). No Paraguai, essa tecnologia promete impulsionar a economia rural, melhorar a produtividade e abrir novas oportunidades de emprego e renda.

    A ideia de levar o Laços do Agro ao Paraguai surgiu durante o Summit Iguassu Valley, onde um professor da UPE identificou o potencial da tecnologia para transformar a realidade agrícola de Mallorquín. Juntos, Laços do Agro e UPE criaram um plano piloto para conectar pequenos produtores a mercados mais amplos, melhorando suas condições de trabalho e produção.

    Futuro da agricultura familiar

    A expansão do Laços do Agro para o Paraguai marca o início de uma nova era para a agricultura familiar na América Latina. Com o avanço da tecnologia e o fortalecimento das conexões entre produtores e mercados, o projeto reafirma o compromisso do Grupo SWA em promover inovação e sustentabilidade.

    Leandro Scalabrin, CEO do Grupo SWA. Divulgação

    Para Leandro Scalabrin, CEO do Grupo SWA, empresa de tecnologia responsável pelo desenvolvimento do aplicativo, essa iniciativa representa não apenas um marco para a empresa. Mas também um avanço importante para a agricultura familiar na América Latina. “Estamos exportando não apenas inovação. Mas um conceito de sustentabilidade que fortalece economias locais e transforma vidas no campo. Mostrando que a tecnologia pode ser uma aliada poderosa no enfrentamento dos desafios do campo”, afirma Scalabrin.

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  • Calor extremo desafia o agronegócio

    Calor extremo desafia o agronegócio

    O aumento das temperaturas no Brasil tem se tornado um dos maiores desafios para o agronegócio, com especialistas da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto Agronômico (IAC) alertando que esse cenário deve se intensificar nos próximos anos. O calor extremo registrado nos primeiros meses de 2025 têm preocupado pesquisadores e produtores, que enfrentam dificuldades com a irregularidade das chuvas e o aumento da temperatura média.

    Segundo dados do Posto Meteorológico “Jesus Marden do Santos”, da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq-USP), a temperatura média em fevereiro foi de 25,5°C, acima da média histórica. As máximas chegaram a 35-37°C em algumas regiões, impactando diretamente o desenvolvimento das culturas e reduzindo o potencial produtivo.

    Impactos no agronegócio

    O setor cafeeiro é um dos mais afetados pelas temperaturas elevadas. O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) aponta que a combinação de chuvas abaixo do esperado e calor intenso prejudicou a formação dos grãos na safra atual. Outras culturas como hortaliças e grãos também são afetadas pela falta de água adequada.

    A previsão é que as ondas de calor continuem intensificando-se, reforçando a necessidade por estratégias eficientes para mitigar os impactos climáticos. A avicultura brasileira também sofre com as altas temperaturas, que comprometem a saúde das aves e reduzem sua produtividade.

    Tecnologia como solução

    Diante desse cenário desafiador, tecnologias inovadoras estão sendo adotadas para otimizar o manejo da água e melhorar a saúde do solo. Produtos como os desenvolvidos pela Hydroplan-EB ajudam na eficiência hídrica ao maximizar a absorção da água pelas plantas durante períodos críticos.

    “Essas soluções são fundamentais para reduzir consumo excessivo de água enquanto evitamos perdas nas lavouras”, destaca Loremberg Moraes, diretor da Hydroplan-EB. “Melhoramos significativamente tanto na absorção quanto na retenção no solo.”

    A combinação entre tecnologia avançada e boas práticas agrícolas pode não apenas mitigar os impactos negativos do calor extremo. Mas também construir um setor mais sustentável para enfrentar os desafios futuros.

    Com mudanças climáticas cada vez mais imprevisíveis, adaptar-se já não é uma escolha; tornou-se uma necessidade vital para garantir alimentos saudáveis em abundância no futuro.

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  • Governo Federal entrega de máquinas agrícolas no Rio Grande do Sul

    Governo Federal entrega de máquinas agrícolas no Rio Grande do Sul

    O Ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, realiza entrega nesta sexta-feira (5) de máquinas agrícolas, em Porto Alegre (RS). Objetivo é apoiar a agropecuária no estado gaúcho. Equipamentos são provenientes de emendas parlamentares e liberadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). No total, 34 municípios do Rio Grande do Sul serão beneficiados.

    Ministério da Agricultura fará entrega de maquinas agricolas
    Reprodução – Redes sociais

    Simultaneamente, também serão entregues equipamentos em Porto Velho (RO) para auxiliar o agro em 9 municípios. Durante a cerimônia, será realizado um momento de interação entre as duas entregas.

    Assista o evento ao vivo pelo link abaixo.

    https://www.youtube.com/watch?v=aAZideIPLLE

    Agricultores gaúchos reclamam de demora na ajuda do Governo Federal

    Os agricultores do Rio Grande do Sul, severamente afetados pelas intensas chuvas deste ano, expressam frustração com a lentidão na resposta do governo federal. As tempestades causaram prejuízos estimados em R$ 11 bilhões, atingindo 471 municípios e devastando áreas agrícolas essenciais.

    Muitos produtores afirmam que, apesar das promessas de auxílio emergencial, os recursos ainda não chegaram. A falta de assistência rápida compromete não só a recuperação das plantações, mas também a manutenção da infraestrutura rural e o sustento das famílias afetadas.

    O governo federal anunciou recentemente um plano de emergência, mas os agricultores exigem medidas mais ágeis e eficazes. A recuperação total do setor depende de uma resposta rápida e coordenada, enfatizam especialistas. Enquanto isso, a economia rural do estado permanece em estado de alerta, aguardando a tão necessária intervenção federal.

    Chuvas intensas causaram perdas para agricultura

    As intensas chuvas que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024 causaram prejuízos significativos à agricultura do estado. A Defesa Civil do RS reportou que 471 municípios foram afetados, com perdas estimadas em R$ 11 bilhões. O impacto foi severo, especialmente em áreas agrícolas, prejudicando culturas importantes e infraestrutura rural.

    A produção de grãos, um dos pilares econômicos do estado, sofreu grandes danos, complicando ainda mais a situação financeira dos agricultores locais. A chuva também afetou a produção de hortaliças e frutas, contribuindo para a alta nos preços desses produtos.

    Além dos prejuízos econômicos, a crise climática provocou a destruição de mais de 9.200 unidades habitacionais e danificou outras 100.500, o que intensificou o desafio para as famílias rurais e urbanas. A recuperação total das áreas afetadas deve exigir um esforço conjunto entre governos e setor privado para restaurar a produção agrícola e melhorar a infraestrutura danificada.

    Empresas privadas fazem ações de ajuda às vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul

    Além da ajuda do governo e de voluntários, a iniciativa privada também se mobilizou para ajudar os diversos segmentos afetados, inclusive o agro. A Mosaic, empresa do setor de fertilizantes, é um exemplo.
    Por meio de ações envolvendo empregados em diversas regiões e parcerias com organizações da sociedade civil, a companhia está apoiando famílias e moradores de municípios atingidos pelas enchentes.

    Nos últimos dias 18 e 22, as cidades de Esteio e Rio Grande receberam mais de 2 mil cestas de alimentos customizadas especialmente para essas regiões, que necessitavam de um maior abastecimento de proteína. A entrega foi feita em parceria com a CUFA (Central Única das Favelas) e a ONG Ação da Cidadania.

    Paralelamente, cerca de 3 mil crianças e adolescentes receberão kits de proteção (produtos de higiene e saúde) por meio da parceria do Instituto Mosaic com o Programa de Resposta à Emergência da Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância).

    Ministro Favaro e Eduardo de Souza da Mosaic; Governo Federal e iniciativa privada colaboram no Rio Grande do Sul – Reprodução Redes Sociais

    A empresa também engajou profissionais de diferentes regiões do Brasil e no exterior para beneficiar a população gaúcha. “Criamos um canal interno para que funcionários da empresa possam doar recursos financeiros em benefício às vítimas das enchentes, por meio do Programa de Doações dos Funcionários da Mosaic. Essa corrente de solidariedade formada pelos funcionários permitiu somar forças junto a tantas outras empresas e pessoas físicas em prol daquela população que ainda necessita de grande auxílio”, explica Eduardo Monteiro, country manager da Mosaic.

    Doações e congelamento de preço

    O Carrefour congelou os preços de todos os seus produtos até o dia 31 de maio nas lojas do Rio Grande do Sul – Carrefour, Atacadão, Sam’s Club e Nacional.

    A XP, empresa fundada em Porto Alegre, se uniu ao movimento União BR, para pedir doações em benefício dos atingidos pelas chuvas no Rio Grande do Sul. Enquanqo isso, o Mercado Livre, junto com o seu banco digital Mercado Pago, doou diretamente R$ 1 milhão para a ONG Ação da Cidadania.

    A AMBEV trocou sua linha de produção para envasar água, e muitas outras empresas seguiram a mesma linha. O que mostra que tanto o poder público como o governo se  uniram para ajudar, mas o impacto dessa ajuda ainda não foi o suficiente pra reconstruir a vida de toda essa população e produção atingidas pela água. A entrega de máquinas agrícolas é um etapa nessa longa lista de necessidades do setor no estado.