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  • Alta do cacau impulsiona uso de tecnologia para garantir qualidade do chocolate

    Alta do cacau impulsiona uso de tecnologia para garantir qualidade do chocolate

    A recuperação da oferta global de cacau não reduziu a pressão por eficiência na indústria do chocolate. Pelo contrário: empresas do setor intensificam o uso de tecnologias e processos químicos para garantir padrão de qualidade, mesmo diante da variabilidade da matéria-prima.

    Dados da Organização Internacional do Cacau (ICCO) indicam uma virada no mercado global. Após dois anos de déficit, a safra 2024/25 deve registrar superávit de 48 mil toneladas, com produção próxima de cinco milhões de toneladas. A Costa do Marfim, principal produtora mundial, projeta crescimento de 10,5% na safra 2025/26, podendo alcançar até 2,1 milhões de toneladas, segundo informações divulgadas pela Reuters.

    Apesar da recuperação, o setor ainda monitora riscos estruturais, como mudanças climáticas, envelhecimento das lavouras e incidência de doenças nos cacaueiros. Esses fatores continuam a impactar diretamente a oferta e a qualidade do produto.

    Nos preços, a volatilidade recente reforça o cenário de atenção. O cacau atingiu o recorde histórico de US$ 12.906 por tonelada em dezembro de 2024, segundo a Trading Economics. Em junho de 2026, a cotação recuou para cerca de US$ 3.800 por tonelada, mas o histórico recente aumentou a preocupação da indústria com previsibilidade e controle produtivo.

    Impacto

    No Brasil, o tema tem impacto direto na indústria. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (ABICAB) mostram crescimento na produção nacional, que passou de 806 mil toneladas em 2024 para 814 mil toneladas em 2025.

    Diante desse cenário, processos industriais pouco visíveis ao consumidor ganham relevância estratégica. Segundo Renan Coelho, diretor comercial da Katrium Indústrias Químicas, a padronização do chocolate depende não apenas da qualidade do cacau, mas da capacidade da indústria de lidar com suas variações naturais.

    “O cacau é um produto agrícola sujeito a variações de clima, solo, safra e manejo. Já o consumidor espera consistência. A tecnologia permite transformar essa variabilidade em um produto padronizado”, afirma.

    Entre os principais recursos utilizados está a alcalinização do cacau. Estudos publicados na revista Food Science and Technology International mostram que esse processo altera o pH, a cor e características sensoriais do ingrediente, impactando diretamente sua aplicação industrial.

    Na prática, a alcalinização reduz a acidez do cacau, suaviza notas amargas, intensifica a coloração e melhora a dispersão do pó em diferentes formulações. Isso amplia o controle sobre atributos essenciais como sabor, textura e solubilidade.

    Entre os insumos utilizados, o carbonato de potássio atua como agente alcalinizante e regulador de pH. Pesquisas indicam que compostos à base de potássio apresentam alta eficiência na elevação do pH durante o processamento do cacau.

    Importância da química na indústria de alimentos

    Segundo Coelho, a maior oferta global não diminui a importância da química na indústria de alimentos. “A indústria precisa de estabilidade e previsibilidade. A química não substitui a qualidade da matéria-prima, mas garante que características importantes sejam preservadas ao longo da produção”, explica.

    Além do chocolate em barra, o controle de pH e a padronização impactam diretamente produtos como achocolatados, sorvetes, biscoitos, coberturas, recheios e sobremesas lácteas. Nesses segmentos, manter consistência em larga escala é um fator crítico de competitividade.

    Para o consumidor, essas tecnologias passam despercebidas. No entanto, são elas que asseguram a repetição da experiência sensorial, mesmo em um mercado de cacau sujeito a oscilações constantes.

  • Nova lei do cacau pode aumentar renda e consumo no mercado brasileiro

    Nova lei do cacau pode aumentar renda e consumo no mercado brasileiro

    O Senado Federal aprovou na última semana o Projeto de Lei nº 1.769/2019, que define regras para a produção e comercialização de derivados do cacau no Brasil. O texto já seguiu para sanção presidencial e deve impulsionar a cacauicultura na Bahia, um dos principais polos produtores do país.

    Foto: Fernando Vivas / GOVBA

    A proposta, construída com apoio do Governo da Bahia, reuniu representantes da Secretaria da Agricultura (Seagri), produtores e entidades do setor. O objetivo é fortalecer a produção nacional, ampliar a renda no campo e garantir mais qualidade aos produtos à base de cacau.

    A nova legislação estabelece critérios técnicos para derivados do cacau. O chocolate em pó, por exemplo, deverá conter pelo menos 32% de sólidos totais de cacau. Já o cacau em pó precisa ter no mínimo 10% de manteiga de cacau e até 9% de umidade. Produtos como achocolatados e coberturas sabor chocolate deverão apresentar ao menos 15% de sólidos ou manteiga de cacau.

    Outro ponto importante é a obrigatoriedade de informar, nos rótulos e nas peças publicitárias, o percentual de cacau presente nos produtos, sejam eles nacionais ou importados. A medida amplia a transparência e permite que o consumidor identifique a qualidade dos itens com mais facilidade.

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    Avanço estratégico

    Para o secretário da Seagri, Vivaldo Gois, a aprovação representa um avanço estratégico para o setor. Segundo ele, a medida valoriza o cacau baiano, reconhecido pela qualidade, pelo rigor fitossanitário e pelo sistema cabruca, modelo que preserva a Mata Atlântica. O secretário também destacou o impacto positivo para milhares de famílias que dependem da cadeia produtiva.

    Atualmente, o Brasil ocupa a sexta posição na produção mundial de cacau. A Bahia se destaca no cenário nacional, com mais de 137 mil toneladas colhidas. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima que o valor bruto da produção alcance R$ 6,5 bilhões em 2025.

    As projeções indicam crescimento contínuo. Em 2026, a produção de cacau deve avançar 5,3% na Bahia. Somente em março deste ano, o volume chegou a 125.360 toneladas, aumento de 5,6% em relação ao mesmo período de 2025.

    O sul do estado mantém a tradição na cultura do cacau, enquanto o oeste baiano desponta como nova fronteira agrícola, com ganhos de produtividade impulsionados pela irrigação e pela integração com lavouras como soja e algodão. A região sul também avança nas discussões para obter a Indicação Geográfica (IG) do cacau Cabruca.

    Além disso, no mercado interno, o consumo de chocolate segue elevado. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab) mostram que o brasileiro consumiu, em média, 3,9 kg de chocolate por habitante em 2024.

  • Crise do cacau chega à Páscoa

    Crise do cacau chega à Páscoa

    A Páscoa de 2025 promete ser mais amarga para os amantes de chocolate. Com o preço do cacau atingindo alta histórica de 190% em dois anos, o setor enfrenta o terceiro déficit consecutivo na produção global, pressionando o preço de ovos e chocolates. Dados da Organização Internacional do Cacau (ICCO) revelam que, desde 2021, o mundo deixou de produzir 758 mil toneladas da amêndoa – e o Brasil, que importa 80% do que consome, sente o impacto no bolso do consumidor.

    Por que o cacau está tão caro?

    O problema começa na África, responsável por 70% da produção mundial. Países como Costa do Marfim (45% do mercado) sofrem com secas e pragas, reduzindo a safra. Em dezembro de 2023, a tonelada do cacau atingiu US$ 11.040 na bolsa de Nova York, um salto de 163% em um ano. Como o preço é definido globalmente (commodity), o Brasil – que produz apenas 4% do total mundial – não escapa da crise.

    Páscoa com menos ovos e chocolates menores

    A Associação Brasileira da Indústria de Chocolates (Abicab) projeta a produção de 45 milhões de ovos em 2025, queda de 22,4% ante 2024. Para evitar repasses maiores aos preços, as fábricas reduziram o tamanho das embalagens e apostaram em mixes de produtos. “O brasileiro ainda prefere chocolate ao leite, mas lançamos opções com frutas, amendoim e diferentes concentrações de cacau”, informou a Abicab em nota.

    Brasil: demanda alta, produção em queda

    Em 2023, o país demandou 229 mil toneladas de cacau, mas colheu apenas 179,4 mil – déficit de 18,5%. A moagem (processamento do fruto) também recuou, de 253 mil toneladas em 2022 para 230 mil no ano passado. Anna Paula Losi, presidente da Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC), explica: “A queda na moagem reflete o preço elevado do chocolate, que desestimula o consumo”.

    Segundo o IPCA/IBGE, chocolates em barra e bombons acumulam alta de 16,53% em 12 meses até janeiro. Para especialistas, a solução a longo prazo está no aumento da produção nacional, mas um cacaueiro leva 6 anos para dar frutos em escala comercial.

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  • Ilhéus – Setor de cacau e chocolate deve gerar milhões em negócios

    Ilhéus – Setor de cacau e chocolate deve gerar milhões em negócios

    O programa Exporta Mais Brasil, da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), realizou mais uma edição em Ilhéus, na Bahia, com foco no setor de cacau e chocolate. A iniciativa trouxe 15 compradores internacionais de 12 países para conhecer de perto a produção brasileira e fazer negócios com 29 empresas nacionais.

    Durante o evento, foram realizadas 224 reuniões entre as marcas brasileiras e os empresários internacionais. Como resultado, são esperados mais de R$ 10 milhões em negócios para os próximos 12 meses, demonstrando a qualidade e o potencial do Brasil no setor.

    Para dar um panorama completo da produção nacional, os compradores internacionais participaram de visitas técnicas a empresas que demonstram o diferencial do país no setor de cacau e chocolate. Eles conheceram a Fazenda Bonança, da Mestiço Chocolates; a produção de cacau da Dengo Origem; e o Centro de Inovação do Cacau (CIC).

    Durante as visitas, os convidados puderam ver na prática o sistema cabruca. Uma forma de cultivo em que o cacau é plantado sob a sombra de espécies nativas da Mata Atlântica, ajudando na preservação do bioma. Eles também provaram o diferencial do cacau e do chocolate brasileiros e conheceram os processos e inovações do setor no país.

    Negócios e Histórias de Sucesso

    Após a imersão na produção, os 15 compradores internacionais realizaram reuniões individuais com as 29 empresas brasileiras para prospectar novas parcerias e avaliar possibilidades de levar o cacau e o chocolate do Brasil aos seus países.

    Os convidados da ApexBrasil visitaram o Festival Internacional do Chocolate e Cacau de Ilhéus – Chocolat Bahia 2024, em sua 15ª edição na cidade. O evento, reconhecido como o maior do gênero na América
    Latina, recebeu cerca de 65 mil pessoas e movimentou cerca de R$ 25 milhões. A ida à feira foi mais uma oportunidade de os empresários estrangeiros conhecerem marcas do Brasil e experimentarem o sabor e a qualidade que o país oferece.

    Representantes da indústria de cacau e chocolate visitam Ilhéus – Reprodução – ApexBrasil

    Entre as marcas presentes, destacam-se histórias de superação e sucesso, como a da Luzz Cacau, fundada por Josiane Luz, filha, neta e bisneta de cacauicultores. A empresária transformou a produção familiar, migrando do cacau convencional para o cacau fino e, posteriormente, para a produção de chocolate. Atualmente, além da produção nacional, a marca já exporta cacau para cinco países e chocolate para dois.

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    Outra empresa com uma história inspiradora é a Ju Arléo Chocolates, que surgiu a partir de um redirecionamento de rota de uma família de produtores de cacau. Em 2020, a filha do casal, Ju Arléo, então com sete anos, pediu uma máquina de fazer chocolate como presente de aniversário. A partir disso, a família investiu na nova produção e, um ano depois, ficou em terceiro lugar em um concurso nacional de chocolates artesanais.

    Impacto e Expectativas

    Os compradores internacionais ficaram encantados com a qualidade do cacau e dos chocolates brasileiros. Maartje van den Berg, da Holanda, destacou a dificuldade em escolher entre tantos sabores incríveis. Já Thorlakur Thor, da Islândia, ressaltou a paixão dos empresários durante as rodadas de negócios, o que despertou ainda mais seu interesse nos produtos.

    Com a realização do Exporta Mais Brasil em Ilhéus, o setor de cacau e chocolate brasileiro ganha um impulso significativo, com a expectativa de mais de R$ 10 milhões em negócios para os próximos 12 meses. O evento demonstra o potencial do país no setor e abre novas oportunidades de exportação para as empresas nacionais.

    Para esta edição do Exporta Mais Brasil, a ApexBrasil contou com apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) de Ilhéus. Também da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab) e do Instituto Arapyaú.