Autor: Rian Fernandes

  • Produção de café cresce 400% no Brasil mesmo com área 52% menor que na década de 60

    Produção de café cresce 400% no Brasil mesmo com área 52% menor que na década de 60

    Durante a abertura do 10º Coffee Dinner & Summit, realizada nesta quarta-feira (2), em Campinas (SP), o presidente do Conselho Deliberativo do Cecafé, Márcio Cândido Ferreira, apresentou dados que reforçam o compromisso da cafeicultura brasileira com a preservação ambiental. A produção de café aumentou de forma expressiva mesmo com a redução da área cultivada. 

    “A área de cultivo atual é 52% menor do que na década de 1960, e mesmo assim, a produtividade aumentou mais de 400%”, afirmou. 

    Os números evidenciam a transformação do setor ao longo das últimas décadas, aliando produção em larga escala à sustentabilidade.

    Após a cerimônia, Márcio concedeu uma entrevista ao Agro em Campo, em que detalhou os avanços técnicos e ambientais da cafeicultura brasileira. Para ele, o aumento da produtividade aliado a redução da área de cultivo é fruto de um trabalho que envolve a ciência e a tecnologia, junto do compromisso com a sustentabilidade. 

    “Então você tem, obviamente, um adensamento que só é permitido em função de variedade, ciência e tecnologia. E entregando um café que enfrenta os desafios climáticos, oferece qualidade, resistente às pragas e, ao mesmo tempo, ele é carbono negativo”. 

    Ainda conforme explicou Márcio Cândido Ferreira, o café brasileiro faz parte de uma cultura regenerativa, que quanto maior a produção, mais se entrega ao meio ambiente em virtude do fator carbono negativo. Isso resulta em um impacto positivo no quesito sustentabilidade. 

    “O mundo quer isso, café com conceito: valorize esse café”, enalteceu. 

    Plataforma de rastreabilidade é resposta à legislação europeia

    Durante seu discurso, Ferreira também destacou o desenvolvimento de uma plataforma tecnológica de rastreabilidade, elaborada pelo Cecafé em parceria com a Serasa e a Xperia. A ferramenta foi criada para atender às exigências do novo regulamento europeu que proíbe a importação de produtos associados ao desmatamento.

    “A plataforma integra dados públicos e oficiais para comprovar que o café brasileiro não vem de áreas desmatadas após dezembro de 2020”, explicou. 

    A ferramenta atende a regulamentação europeia e busca fortalecer a posição do Brasil no mercado internacional por meio da transparência e da sustentabilidade.

    O 10º Coffee Dinner & Summit acontece até sexta-feira (4), com uma programação intensa voltada aos principais desafios e oportunidades do setor, envolvendo temas como logística, economia, consumo, ESG e comércio global.

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  • Agora é oficial: café solúvel também tem selo de qualidade

    Agora é oficial: café solúvel também tem selo de qualidade

    A indústria de café solúvel no Brasil ganhou um importante aliado na valorização da qualidade do produto com o lançamento dos Selos de Qualidade da ABICS (Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel). 

    A novidade foi tema da entrevista da consultora Eliana Relvas ao Portal Agro em Campo, durante o 10º Coffee Dinner & Summit, em Campinas (SP), nesta quinta-feira (03). 

    Segundo Eliana, a iniciativa surgiu da percepção de que o café solúvel já faz parte do cotidiano da maioria dos lares brasileiros, especialmente quando consumido com leite. 

    Nos últimos anos, no entanto, o setor vivenciou avanços significativos em tecnologia, aromas, sabores e diversificação de marcas. 

    Isso levou a ABICS a buscar um modelo de classificação sensorial também para o solúvel, como já ocorre com o café verde e o moído.

    “Avaliando todas as tendências de mercado, a ABICS acabou criando um protocolo e uma metodologia em que os provadores avaliam 15 atributos e a sua intensidade percebida na bebida. Dessa forma, quando combinamos esses atributos com as intensidades, existe uma classificação dos produtos”, explicou Eliana.

    Divisão dos selos de qualidade

    Os selos de qualidade da ABICS foram divididos em três categorias:

    • Excelência: para cafés com atributos intensos de acidez, doçura, frutado e aromas florais e de mel;
    • Premium: destinado a bebidas com notas marcantes de chocolate, amêndoas e amadeirado, com potência média;
    • Clássico: voltado a cafés com notas amadeiradas mais intensas, baixa acidez e maior força no paladar.

    Além de orientar o consumidor final, a proposta também visa mostrar as diferentes possibilidades de uso do café solúvel. 

    “Hoje o café solúvel não é só uma xícara de café que as pessoas tomam. Ele pode ser usado como ingrediente. Devido à sua versatilidade, acaba sendo importante conhecer quais são os principais atributos e aplicar nas receitas”, esclareceu Eliana. 

    Como exemplo, ela explicou que em preparações como de cappuccinos, o selo Clássico pode ser o mais indicado, por combinar melhor com leite e especiarias.

    De acordo com a consultora, a divisão também permite entender se o café solúvel terá melhor desempenho quando diluído em água, leite ou incorporado em sobremesas, como sorvetes. 

    “É uma forma diferente de provar e usar o café solúvel”.

    Conforme divulgado pela ABICS, 21 marcas de café solúvel já foram certificadas com base no protocolo criado em parceria com o Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital). A metodologia é conduzida por profissionais capacitados e utiliza critérios internacionalmente reconhecidos.

    Café solúvel é natural

    Outro ponto reforçado por Eliana é o caráter natural do café solúvel, muitas vezes alvo de dúvidas entre consumidores. 

    “É importante ressaltar que o café solúvel não tem nenhum aditivo e nenhum conservante. O que faz ele se tornar um café solúvel e durar bastante tempo são todos os processos. De secagem, principalmente, e por isso ele dura mais tempo”, concluiu.

     

  • Brasil é referência mundial em sustentabilidade no café, afirma diretora da OIC

    Brasil é referência mundial em sustentabilidade no café, afirma diretora da OIC

    O painel “Futuro da Cafeicultura Sustentável” foi um dos destaques no segundo dia do 10º Coffee Dinner & Summit, evento promovido pelo Cecafé, em Campinas (SP). A atividade contou com a presença da diretora executiva da Organização Internacional do Café (OIC), Vanúsia Nogueira, que enalteceu o protagonismo do Brasil nas práticas sustentáveis da cadeia cafeeira em entrevista ao Portal Agro em Campo. 

    “O Brasil, de uma forma geral, está muito avançado. O setor de café está avançado em todas essas questões. Se a gente lembrar que começamos a fazer certificações voluntárias de sustentabilidade no café ainda nos anos 90, isso significa que a gente já tem essa preocupação. É muito intrínseco no produtor de café, já há muitos anos, essa preocupação com o meio ambiente e social”, afirmou.

    Para Vanúsia, o diferencial atual não está necessariamente nas exigências sustentáveis em si, mas na forma como os países precisam comprovar essas práticas. “O que veio como novidade das regulações foi muito sobre como demonstrar, o que se fazer”, avaliou ela. 

    Ela lembrou que o Brasil é um exemplo para o mundo, resultado de décadas de investimento em pesquisa e conscientização. 

    “O Brasil é indiscutivelmente uma referência para o mundo em termos de sustentabilidade no agro, seja ela ambiental e social. Nós tivemos um agro que foi desenvolvido muito fortemente, principalmente com as questões da Embrapa. Nós criamos toda essa conscientização e a gente continua seguindo com ela. Nesse sentido, indiscutivelmente o Brasil é uma referência mundial”.

    Regulação única no setor?

    Ao ser questionada sobre a possibilidade da criação de uma regulação única para o setor cafeeiro, Vanúsia relembrou o histórico de mercado e foi direta e objetiva na resposta. 

    “Nós vivemos nesse mundo que foi o mercado regulado de café de 1963 até 1989. Em 1989, na OIC, os membros decidiram: nós vamos para o livre mercado. Fizemos uma transição até o início dos 90 e depois se foi para o livre mercado. Em diversos momentos, inclusive de crise de preços, voltou-se a refletir: será que é o momento de voltar de novo e se ter uma regulação de mercado? E a resposta foi não. Precisamos deixar que o mercado se auto regule. E acho que isso também vai ocorrer com todas essas questões de sustentabilidade.”

    Por fim, Vanúsia também ressaltou o papel do consumidor na transformação da cadeia de café, mais exigente e consciente. 

    “São gerações cada vez mais conscientes. E com o advento da internet, eles têm acesso a tudo. Todos nós temos e eles com muita facilidade, porque já nascem com o computador na mão. […] Nós temos que estar dentro de um mundo cada vez mais transparente e tratando isso com naturalidade. Estamos fazendo tudo bonitinho”, concluiu.

  • Brasil deixa de embarcar mais de 350 mil sacas de café em maio por estrutura limitada nos portos

    Brasil deixa de embarcar mais de 350 mil sacas de café em maio por estrutura limitada nos portos

    Dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), obtidos junto aos associados, apontam que o setor deixou de embarcar 356.322 sacas de 60 kg, em maio, devido ao esgotamento da infraestrutura dos portos no Brasil. 

    O total equivale a 1080 contêineres, gerando prejuízo de R$ 2,686 milhões no caixa das empresas, em virtude de custos imprevistos com armazenagem adicional, detentions, pré-stacking e antecipação de gates. 

    O levantamento do Cecafé começou a ser feito em junho de 2024 e, até o fim de maio de 2025, exportadores brasileiros de café acumulavam prejuizo de R$ 75,9 milhões com gastos extras causados pela defasagem nos principais portos de escoamento do produto no país. 

    Ainda de acordo com o Cecafé, a impossibilidade do embarque desse volume de café fez com que o Brasil deixasse de receber R$ 876,28 milhões como receita cambial nas transações comerciais apenas em maio deste ano, considerando o preço médio Free on Board (FOB) de exportação de US$ 433,97 por saca (café verde) e a média do dólar de R$ 5,6668 no mês retrasado.

    O diretor técnico do Cecafé, Eduardo Heron, explica que o cenário permanece crítico, por mais que tenha havido uma redução na quantidade de cargas paradas nos portos aguardando por embarque em relação aos meses anteriores. 

    “Essa diminuição no volume que estava armazenado, à espera de navios para embarque, reflete o final da entressafra de café no Brasil e isso é muito preocupante, pois a safra nova começa a chegar agora em junho e julho e certamente veremos novos e crescentes atrasos de embarques e prejuízos aos exportadores, com pátios lotados, pois a infraestrutura portuária permanece a mesma, ao passo que as cargas que demandam contêineres para exportação, como algodão, açúcar e o próprio café seguem crescendo”, explica.

    Com base nesse cenário, o especialista explica que é necessário adotar medidas para melhorar os desafios logísticos, fazendo com que os portos passem a ter melhor estrutura e acompanhem o crescimento do agronegócio brasileiro. 

    Ele também ressalta que os investimentos anunciados até o momento – como no leilão do Tecon Santos 10, concessão do canal de entrada marítima ao porto, túnel de ligação Santos-Guarujá e a terceira via de descida da Rodovia Anchieta para a Baixada Santista – são importantes, porém levarão cinco anos para serem entregues. 

    Detalhamento dos atrasos

    O Boletim Detention Zero (DTZ), desenvolvido pela startup ElloX Digital em parceria com o Cecafé, mostra que, em maio de 2025, 56% dos navios nos principais portos brasileiros (169 de um total de 300 embarcações) enfrentaram atrasos ou alterações de escala.

    No Porto de Santos, responsável por 80,8% dos embarques de café entre janeiro e maio, o índice de alteração de escalas foi de 64%, atingindo 113 dos 177 porta-contêineres que atracaram no período. O tempo máximo de espera registrado foi de 28 dias.

    Ainda em Santos, apenas 10% das operações de embarque tiveram mais de quatro dias de gate aberto. Outros 62% registraram entre três e quatro dias, enquanto 28% ocorreram com menos de dois dias disponíveis para carregamento.

    No complexo portuário do Rio de Janeiro, segundo maior exportador de café do Brasil, com 14,9% de participação nos embarques nos primeiros cinco meses de 2025, o índice de atrasos chegou a 69% em maio. O maior intervalo registrado foi de 16 dias entre o primeiro e o último prazo, afetando 38 dos 55 navios previstos para a exportação do produto.

    Entre janeiro e maio, 18% dos embarques realizados no Rio de Janeiro contaram com mais de quatro dias de gate aberto. Outros 56% aconteceram entre três e quatro dias, e 25% com menos de dois dias.

    Como aderir ao boletim?

    Conforme o Cecafé, exportadores interessados em acessar o Boletim Detention Zero (DTZ) podem se inscrever pelo link: https://app.pipefy.com/public/form/-SYfpMNK. Após o cadastro, a ElloX fornecerá as orientações necessárias para o acesso às informações operacionais dos terminais, conforme os contatos informados.

  • História e aroma: nova mostra promete movimentar Museu do Café

    História e aroma: nova mostra promete movimentar Museu do Café

    O Museu do Café, localizado em Santos (SP), prepara uma nova exposição de longa duração que promete envolver os visitantes em uma experiência sobre o passado e o presente da cafeicultura brasileira. A mostra está prevista para ser inaugurada no final de 2026, abrindo oficialmente as comemorações pelos 300 anos dos Cafés do Brasil, que serão celebrados em 2027.

    O museu participa da programação do 10º Coffee Dinner & Summit, realizado em Campinas (SP), e aproveita a visibilidade do evento para apresentar suas ações ao público do setor. A presença da instituição reforça a união entre tradição e inovação, conectando a história da cafeicultura nacional com os debates atuais.

    Durante entrevista ao Portal Agro em Campo, a diretora executiva do Museu do Café, Alessandra Almeida, destacou a importância do novo projeto expositivo e o processo de reposicionamento institucional pelo qual o museu tem passado desde o final de 2021. A ideia é que o local seja um espaço de memória, mas também de discussão sobre o presente. 

    “A cafeicultura continua contando uma linda história e uma história muito importante hoje, com o Brasil sendo referência mundial na cafeicultura, principalmente na área da sustentabilidade, rastreabilidade e da qualidade dos cafés brasileiros. Dessa grande diversidade… a gente fala que o Brasil tem café para todos os gostos”

    A nova exposição terá como ponto de partida a visão do consumidor e será estruturada em três eixos principais: consumo, evolução do sistema de trabalho e território, com destaque para a paisagem cultural. 

    “Essa exposição é somente uma dessas ações. Vão ter outras por todo o território nacional, mas também lá fora”, explicou Alessandra, ao lembrar que o museu já vem promovendo itinerâncias internacionais em países como Itália, Chile e França.

    Imagem mostra o jornalista Willian Oliveira entrevistando Alessandra Almeida, diretora executiva do Museu do Café.
    Alessandra Almeida detalha futura exposição do Museu do Café em entrevista ao Portal Agro em Campo

    Evento do Cecafé é uma vitrine para o Museu

    A diretora também comentou a relevância da participação no Coffee Dinner & Summit. 

    “Mais um ano que o Cecafé nos convida a participar desse importante evento que é o Coffee Dinner & Summit e trazer uma ação do museu para que possamos apresentar a esse público, que é tão diverso.” 

    Segundo ela, o evento é uma grande vitrine que ajuda a atrair novos visitantes e também a reconectar aqueles que já conhecem o museu.

    Vale mencionar que o Museu do Café ocupa o histórico Palácio da antiga Bolsa Oficial de Café, em Santos (SP). O espaço é referência nacional na preservação e difusão da história do café no Brasil, promovendo exposições, ações educativas e culturais. Atualmente, também é um dos principais pontos turísticos da Baixada Santista. 

  • Pesquisador ressalta papel de Instituto Agronômico e evento do Cecafé em Campinas

    Pesquisador ressalta papel de Instituto Agronômico e evento do Cecafé em Campinas

    O pesquisador Sérgio Parreiras Pereira, do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), destacou a importância histórica e atual da cidade de Campinas no desenvolvimento da cafeicultura brasileira. 

    Em entrevista ao Portal Agro em Campo, durante o 10º Coffee Dinner & Summit, o especialista reforçou o vínculo da cidade com o café.

    “Campinas sempre teve no DNA a cultura cafeeira. As estradas de ferro do estado de São Paulo saíram daqui para as regiões produtoras e traziam o café para depois descer para Santos”, contextualizou o professor. 

    Na conversa, o pesquisador destacou a contribuição do Instituto Agronômico para o avanço técnico e científico do setor cafeeiro no Brasil e, ao mesmo tempo, salientou a importância de ter os representantes da cadeia produtiva juntos no 10º Coffee Dinner & Summit, em Campinas (SP). 

    “É um instituto que foi formado pelo imperador D. Pedro II, para trabalhar com a cultura do café. Grande parte do café do Brasil, ainda hoje plantado, teve a sua origem aqui no nosso Instituto. Então é um prazer muito grande ver o mundo do café inteiro reunido aqui em Campinas. É um trabalho muito interessante que o Cecafé vem fazendo na promoção dos nossos Cafés do Brasil.”

    Relevância internacional do evento

    Para Sérgio, sediar o 10º Coffee Dinner & Summit em Campinas tem um valor simbólico e técnico. Além da ligação histórica, o evento permite que o mundo conheça de perto a qualidade da produção brasileira.

    “O Brasil é o maior produtor e maior exportador de café do mundo. É muito importante trazer todos os players do mercado internacional para poderem vir aqui discutir em nossa casa. Aqui eles podem ver a excelência com que nós produzimos os nossos cafés aqui no Brasil”, afirmou.

    IAC como base científica da cafeicultura nacional

    O Instituto Agronômico de Campinas é referência em pesquisas voltadas à cafeicultura. 

    “Nós trabalhamos sempre com café. Temos os principais cultivares de café que estão no mercado. Temos linha de pesquisa com sustentabilidade, com manejo, com cafés exóticos. Então nós somos, com certeza, um dos grandes parceiros do Cafés do Brasil também.”

    Ao longo de mais de um século de atuação, o IAC tem contribuído de forma decisiva para a evolução do setor, tanto em produtividade quanto em práticas sustentáveis. E a presença no 10º Coffee Dinner & Summit reforça justamente o papel da ciência e da inovação no mercado cafeeiro do Brasil frente ao cenário global.

  • Prefeito destaca presença do 10º Coffee Dinner & Summit em Campinas: “Está no DNA da cidade”

    Prefeito destaca presença do 10º Coffee Dinner & Summit em Campinas: “Está no DNA da cidade”

    Durante a abertura do 10º Coffee Dinner & Summit, realizada nesta quarta-feira (2) em Campinas (SP), o prefeito Dário Saadi (Republicanos) concedeu entrevista exclusiva ao Portal Agro em Campo, e destacou a forte ligação do município com a história do café no Brasil. Para ele, sediar um evento internacional dessa magnitude é um reconhecimento do papel estratégico da cidade na evolução da cafeicultura nacional.

    “Campinas tem uma história fantástica com o café. A cidade começou a se desenvolver com o Instituto Agronômico, a produção de café. O Instituto Agronômico foi o grande responsável pelas melhorias nas variedades dentro do café arábica”, afirmou Dário.

    Segundo o prefeito, além de ter sido um importante polo produtor no passado, Campinas consolidou-se como centro de pesquisa, ciência e inovação voltado ao agronegócio.

    “A cidade de Campinas foi um grande polo de produção, mas um polo de pesquisa, de ciência, ligado ao Instituto Agronômico. Então, o café está no DNA da cidade de Campinas”.

    Dário Saadi também pontuou que o município se transformou em referência para eventos científicos e internacionais. 

    “Hoje a cidade continua focada na pesquisa, mas muito diversificada. Nós temos aqui o Projeto Sirius, que é o acelerador de partículas, um dos melhores do mundo, do Governo Federal. E a cidade também se tornou um local de grandes eventos. E esse evento do Cecafé aqui em Campinas é muito bom. Primeiro, movimenta pelo grande evento que é e, segundo, tem a ver com a história”.

    O papel da ciência no agronegócio

    Ao longo da entrevista, o prefeito de Campinas também aproveitou para reforçar a importância da ciência no crescimento do agronegócio, citando o papel central do Instituto Agronômico nas melhorias do café arábica e o avanço recente na qualidade do café conilon. 

    “O próprio desenvolvimento do café, que começou, no caso da arábica, no Instituto Agronômico, mostra que se não fosse a pesquisa daquela época talvez nós não fossemos essa potência que somos no café. É o que está acontecendo agora com o café conilon. O café conilon está tendo muita pesquisa e ele está melhorando muito a qualidade”.

    E destacou o papel de outros centros de pesquisa sediados em Campinas, como a Embrapa, que fortalecem a cidade como polo de inovação tecnológica. 

    “A cidade tem essa importância na pesquisa, que vai também do agro até em todas as áreas. É um grande polo de inovação e tecnologia, mas é importante reverenciar a sua história e também ter eventos que fazem a cidade se movimentar”.

    Escolha de Campinas como sede do 10º Coffee Dinner & Summit

    Para Dário Saadi, a escolha de Campinas como sede do evento é também um gesto de reconhecimento tendo em vista a importância para o mercado de café, inclusive por meio do Instituto Agronômico. 

    A decisão de ter Campinas como palco do 10º Coffee Dinner & Summit também foi destacada pelo presidente do Conselho Deliberativo do Cecafé, Márcio Cândido Ferreira, em entrevista ao Agro em Campo. 

    “Campinas foi uma escolha que nasceu em nosso coração porque a gente viaja mundo afora, participa de eventos, e não encontramos uma estrutura como tem aqui em Campinas. A gente recebe de braços abertos os importadores, autoridades internacionais e nacionais, mas, mais do que isso: a gente traz a mensagem do Cafés do Brasil”, concluiu o prefeito. 

  • Futuro porto de Imetame atrai investimentos da cafeicultura

    Futuro porto de Imetame atrai investimentos da cafeicultura

    O novo Porto de Imetame, no Espírito Santo, tem atraído importantes investimentos da cafeicultura brasileira. Um dos mais relevantes vem do Grupo Tristão, que anunciou a aquisição de um terreno de 400 mil metros quadrados em Aracruz (ES), a apenas oito quilômetros do terminal portuário. 

    O objetivo é construir um armazém robusto para ampliar a logística, a proximidade com os produtores e a rastreabilidade da produção.

    Durante entrevista concedida ao Agro em Campo, na manhã desta quinta-feira (3), no segundo dia do 10º Coffee Dinner & Summit, em Campinas (SP), o presidente do grupo, Sérgio Tristão, destacou que o crescimento da produção no estado e a nova infraestrutura logística abrem um cenário promissor no mercado.

    “Não tem como não acreditar no nosso negócio, principalmente quando você olha o Espírito Santo. O Espírito Santo, com a produção de conilon que tem e o investimento que ainda faz para aumentar essa produção, não tem como retroceder”, afirmou.

    Segundo ele, o novo porto será um marco, tendo em vista que se trata da realização de um antigo sonho do setor capixaba. Para ele, o terminal portuário deverá ser, se não o melhor do Brasil, o melhor do Sudeste, com várias especialidades, principalmente em container. 

    “O nosso porto é muito restrito. A área de manobra dele limita qualquer navio de container de porte médio. Não estou falando nem de grande porte. Então, foi uma frustração que a gente teve durante anos. Agora, o porto de Imetame não é uma coisa que está no papel: você vai lá e já está vendo a obra acontecer. Já tem a drenagem, as áreas de restrição e contenção de água, piers… tudo progredindo. É uma realidade.”

    A localização do novo armazém também garante acesso a incentivos fiscais por estar dentro da área da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). 

    Proximidade do produtor e rastreabilidade

    Ao Agro em Campo, Sérgio Tristão ressaltou também que, além da logística, a nova estrutura visa aproximar ainda mais a empresa dos produtores capixabas. 

    “É fato que nós, com o conilon crescendo dessa forma, vamos fazer um armazém robusto. Ficar próximo do produtor. Com esse negócio de rastreabilidade EUDR, a gente quer ter mais proximidade para ter confiança no que estamos fazendo e entregando aos clientes”, enfatizou o presidente do Grupo Tristão. 

    A expectativa é que o armazém comece a ser construído em 2026, alinhado à previsão de conclusão do novo porto. 

    “O nosso sonho é que a gente tenha o armazém quando estiverem justamente terminando o porto. Isso seria o ideal. Estão falando em 2027”, esclareceu ele.

    Cafés capixabas com identidade própria

    Ao comentar sobre a qualidade dos cafés das montanhas do Espírito Santo, Sérgio Tristão destacou que é possível encontrar cafés especiais em várias regiões do país, mas que a geografia e o clima das montanhas capixabas proporcionam características únicas. 

    “É um café que tem um pouco mais de toque de acidez. No fundo, garimpando vai encontrar café de qualidade em todas as regiões brasileiras. Mas o nosso produto, que a gente coloca no mercado de café especial, por uma questão regional, prioriza o café capixaba”.

    Grupo Tristão: 90 anos de tradição

    Fundado em 1935, o Grupo Tristão celebra 90 anos de atuação em 2025. Com uma história marcada pela inovação e valorização da produção nacional, a empresa é uma das mais antigas e influentes da cadeia cafeeira no Brasil. 

    A participação no 10º Coffee Dinner & Summit é parte das ações comemorativas e de fortalecimento institucional do grupo.

  • Mercado do café se adapta a nova era de exigências ESG

    Mercado do café se adapta a nova era de exigências ESG

    O 10º Coffee Dinner & Summit deu início à programação desta quinta-feira (3) com o painel “CEO’s & Lideranças do Agronegócio Café Global”, reunindo executivos de grandes multinacionais e representantes do setor produtivo para discutir o cenário atual da cafeicultura mundial. O painel foi marcado pelo encontro entre visões internacionais e a perspectiva nacional sobre os rumos do setor.

    Participaram da mesa Carlos Alberto Santana Jr. (EISA e Cecafé), David Neumann (Neumann Gruppe), Nicolas A. Tamari (Sucafina), Teddy Esteve (Volcafé) e Ben Clarkson (Louis Dreyfus Company). 

    Em entrevista ao Agro em Campo, Carlos Alberto Santana Jr., diretor comercial da EISA e conselheiro do Cecafé, avaliou positivamente o painel e destacou os dois grandes produtos gerados por um evento como esse: conexões e conhecimento.

    “Um seminário sempre tem dois produtos: o networking que é fornecido para quem está participando e informação. E, nesse sentido, eu particularmente fiquei muito satisfeito com o primeiro painel. Nós tínhamos nada menos do que um terço do negócio mundial aqui representado, com quatro grandes multinacionais, que trouxeram muita informação positiva”, afirmou.

    Consumo segue em alta

    Segundo Santana, embora os preços tenham caído recentemente no mercado internacional, o painel demonstrou que o consumo segue aquecido.

    “Os preços vêm caindo recentemente e isso dá uma sensação de que exista um problema de consumo. E não foi o que nós sentimos aqui hoje. No mercado, os preços estão altos e isso cria um efeito de grandes exportações. O mundo inteiro vem com exportações muito altas, mas o que nós aprendemos aqui é que o nível de estoque está baixo.”

    Conforme a explicação do conselheiro do Cecafé, se o estoque do mercado comprador está baixo mesmo diante das grandes exportações feitas pelo mercado produtor, o sinal é de que o consumo está alto. 

    Sustentabilidade e desafios regulatórios

    Durante o painel, os executivos também discutiram os impactos das novas regulamentações internacionais, especialmente as exigências da União Europeia em relação à rastreabilidade e às práticas ESG. Santana destacou que o Brasil está pronto para responder a esses desafios.

    “O Brasil está extremamente bem preparado. Eu diria que o mérito é do próprio rural, que vem fazendo a lição de casa. Entretanto, nós abordamos um pouco disso aqui. O que faz do nosso negócio ser tão interessante é um pouco essa questão de multicultura. Essa questão do blend, o que trouxe esse mercado ser do tamanho do que é hoje, muito provavelmente é a possibilidade de você ter cafés sendo produzidos nas montanhas da América Central, da África, da Ásia e, obviamente, o Brasil vai continuar um líder do setor produtivo do café.”

    Ele também pontuou que o país tem responsabilidade global ao compartilhar boas práticas com outras regiões produtoras. 

    “Entretanto, de alguma maneira nós também temos um pouco de responsabilidade de dividir boas práticas agrícolas que nós temos aqui com os produtores, por exemplo, na África, onde nós temos um dos grandes problemas mundiais que é a migração forçada.”

    Brasil se consolida como protagonista no mercado

    Na entrevista ao Portal Agro em Campo, Carlos Alberto Santana Jr. reforçou ainda que o Brasil continua sendo o principal protagonista da cadeia global do café, unindo produtividade, qualidade e responsabilidade ambiental.

    “Nós somos o segundo maior consumidor do mundo e o principal exportador do mundo. Nós precisamos valorizar muito o principal protagonista da cadeia, que é o produtor rural. Ele vem fazendo a lição e em investimentos constantes, com muito destaque no ganho de produtividade. E isso torna o Brasil um player diferente no mercado mundial, com muita competitividade.”

    Para ele, a jornada brasileira deve seguir unindo responsabilidade com educação do consumidor. 

    “Obviamente, nós precisamos seguir produzindo com responsabilidade. E isso, de alguma maneira, também focar na qualidade. Ninguém gosta de consumir algo ruim. Então essa jornada de educação do consumidor, do que é o bom café, precisamos seguir com ela.”

    O conselheiro do Cecafé defendeu ainda que os preços se equilibrem de forma justa ao longo da cadeia. 

    “Obviamente, os preços precisam encontrar um equilíbrio que seja sustentável também para o consumidor. Precisa remunerar o produtor, a cadeia toda, mas que seja também sustentável para os consumidores.”

     

  • “Brasil é o melhor exportador de café”, destaca secretário de SP

    “Brasil é o melhor exportador de café”, destaca secretário de SP

    Durante entrevista concedida ao portal Agro em Campo, o secretário Executivo de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Alberto Amorim, reforçou o protagonismo do Brasil na produção e exportação de café. A declaração foi feita durante a cobertura especial do 10º Coffee Dinner & Summit, em Campinas (SP), nesta quarta-feira (02). 

    “O café no Brasil nunca deixou de ser importante. O Brasil nunca deixou, nos últimos 100 anos, de ser o maior exportador de café. Só que hoje o Brasil é o melhor exportador de café”, afirmou o secretário. 

    Em sua fala, Amorim destaca a transformação do país de um produtor do grão tradicional para um protagonista na produção de cafés especiais e de alta qualidade. Segundo ele, o café brasileiro passou por uma revolução nas últimas décadas, deixando para trás a imagem do “café bica corrida” e ganhando espaço como bebida sofisticada e gourmet. Como exemplo claro e objetivo, estão as nuances do vinho, que pode ser degustado de diversas maneiras. 

    Ao longo da entrevista, Alberto Amorim também destacou a relevância do evento promovido pelo Cecafé para o Brasil. Para ele, atingir o grau de excelência atual no setor foi possível graças a convenções do tipo. 

    “É muito importante. A gente precisa transcender o cenário que conhece muito café, que é produtor e exportador de café. A gente precisa chegar no coração do consumidor, daquele que precisa do café para acordar e daquele que não dorme sem café. Nós precisamos entender o que os nossos clientes precisam. E juntando todo mundo aqui, a gente discute isso”, comentou. 

    Na avaliação do secretário, a troca de experiências entre especialistas, empresários e pesquisadores contribui diretamente para o avanço da cafeicultura no Brasil. 

    “Em suma, a gente consegue fazer uma pesquisa de alta qualidade, com todo mundo e todo mundo colabora. E é nessa colaboração, nesse cooperativismo do melhor momento e melhores conhecimentos, que a gente vai atingindo cada vez mais excelência”.

    Investimento em inteligência e produtividade

    Amorim também abordou os investimentos do Governo de São Paulo na cafeicultura, que segundo ele, estão cada vez mais focados em inteligência, pesquisa e inovação, especialmente em um cenário de limitação orçamentária.

    “Tanto na pesquisa quanto no desenvolvimento de novas infraestruturas, nós não temos o numerário suficiente. Mas nós temos inteligência e criatividade. Foi aí que criamos uma forma de fazer parceria com iniciativas privadas”, explicou.

    Segundo o secretário, o foco é produzir melhor e não em maior escala territorial, com investimentos em pesquisa e desenvolvimento que contribuem na geração de mais mais recursos e produtividade. 

    “Produtividade e não mais produção. A gente quer produzir melhor e mais na mesma área. A gente não está cortando nenhuma árvore, mas a gente quadruplicou a produtividade. E isso é o que interessa”.

    Tecnologia tropical e liderança global

    Durante a entrevista, Amorim também ressaltou a liderança brasileira em tecnologias voltadas ao clima tropical e a busca internacional por conhecimento técnico nacional.

    “A gente está bem à frente da grande parte do mundo. Se a gente olhar para o mundo tropical, ele é um mundo muito dinâmico. Nós, no mundo tropical, temos a melhor tecnologia e os melhores conhecimentos. Por isso somos procurados por universidades de fora do Brasil para trocar conhecimento.”

    Ele lembrou que o país é referência em modelos como Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e no avanço da cafeicultura regenerativa, práticas que conciliam produção agrícola com preservação ambiental.

    “A gente é líder porque isso dá mais dinheiro, reduz custo e aumenta a produtividade em grana por hectare, que é o que sustenta o produtor”, concluiu.