Autor: Rian Fernandes

  • “O que está acontecendo é uma crise”, diz representante dos portos sobre logística no Brasil

    “O que está acontecendo é uma crise”, diz representante dos portos sobre logística no Brasil

    “O que está acontecendo agora é uma crise. É um problema de curtíssimo prazo”.  A frase veio do diretor de políticas setoriais, planejamento e inovação do Ministério de Portos e Aeroportos, Tetsu Koike, em entrevista ao Portal Agro em Campo. 

    A crise logística nos terminais portuários do Brasil foi um dos destaques do painel “Desafios Logísticos no Abastecimento de Café”, um dos mais movimentados do terceiro dia do 10º Coffee Dinner & Summit, evento promovido pelo Cecafé, em Campinas (SP). 

    Segundo Koike, o governo federal tem um plano de investimentos privados nos portos por meio de programas de arrendamento e autorizações portuárias, mas que o diálogo entre os envolvidos no processo logístico podem formar um esforço coletivo importante. 

    “Um investimento novo portuário demora anos para ser operacional. Não adianta dizer agora que está investindo mas só vai ficar pronto daqui a 5 ou 6 anos. O problema é agora. A gente está na urgência. Só a articulação e o diálogo para enfrentarmos essa situação”

    Especialistas debatem crise logística nos portos

    Participantes do Painel “Desafios Logísticos no Abastecimento de Café”
    Painel “Desafios Logísticos no Abastecimento de Café” foi um dos destaques do terceiro dia da programação do 10º Coffee Dinner & Summit

    Também participante do painel, o diretor técnico do Cecafé, Eduardo Heron, avaliou que o conteúdo apresentado atendeu às expectativas dentro do contexto logístico do país. “Nós entendemos, na nossa avaliação, que o planejamento logístico é dessa forma: reunindo carga, transportador marítimo, terminal… hoje nós temos a clara evidência de que há um esgotamento na infraestrutura portuária do país”.

    Heron reforçou que as cargas seguirão crescendo e que a falta de estrutura compromete o escoamento da produção brasileira. “É importante que a gente coloque na mesa as pessoas para debaterem e planejar os próximos anos. Não há dúvida de que, tanto o café quanto outras cargas, seguirão crescendo. Nós vamos precisar de condução adequada, de infraestrutura, para escoar nossas cargas”.

    Para Casemiro Tércio, engenheiro naval e sócio da 4Infra, a situação já aponta para quase um colapso nos próximos três ou quatro anos. “Principalmente para o agronegócio, que depende do contêiner. E não é só o café. Essas cargas vão sofrer esse engargalamento, não só dentro do terminal”. 

    Ele lembrou que os navios precisam de berço liberado para operar, mas também enfrentam desafios externos. 

    “O clima não só atinge a lavoura, mas atrasa a navegação. E para uma operação que teoricamente deveria ser sincronizada, dessincronizando, perde a janela. Quando você chega no porto, tem um navio operando no seu lugar. Você omite aquele porto e já sabe o problema: a carga vai ficar para o próximo serviço”.

    Tércio destacou que esse descompasso gera prejuízos em cadeia. 

    “Os cumprimentos de contratos, a entrega de mercadoria, o fluxo de pagamento para quem está no campo… esse descasamento entre a entrega do produto no consumidor final é consequência dessa logística bagunçada”.

    Falta de infraestrutura nos próximos anos

    Ainda conforme Eduardo Heron, apesar de anúncios recentes de investimentos públicos, o setor deverá conviver com a ausência de infraestrutura adequada nos próximos anos. Para ele, é essencial evidenciar cada vez mais a atual a situação.

    “O Cecafé vem fazendo exatamente esse trabalho, de mostrar que nós já estamos colapsados. Nós precisamos de outras alternativas, de apoio público, de promover o diálogo com o comércio exterior”. 

    De acordo com Heron, a situação atual prejudica as empresas exportadoras, compromete a competitividade e deixa de gerar renda ao produtor.

    Para Tércio, é preciso buscar soluções alternativas enquanto a estrutura ideal não é entregue. 

    “Toda carga tem a melhor logística. Hoje, essa melhor logística está comprometida. Então, buscar a segunda e terceira opção em grupo, até para justificar um desvio de rota de um navio no terminal […] seria uma solução temporária”.

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  • Com 35 países, Coffee Dinner & Summit reúne mil participantes para debater sustentabilidade e regulamentações

    Com 35 países, Coffee Dinner & Summit reúne mil participantes para debater sustentabilidade e regulamentações

    O diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos, celebrou os números expressivos da 10ª edição do Coffee Dinner & Summit, realizada em Campinas (SP). Com mil participantes, 82 painelistas e representantes de 35 países, o evento se consolidou como uma das maiores vitrines globais para a cafeicultura brasileira. 

    Em entrevista ao Portal Agro em Campo, o diretor-geral do Cecafé celebrou os resultados, mas avaliou um dos principais temas do 10º Coffee Dinner & Summit, inclusive buscados pelos participantes: os desafios e perspectivas das regulamentações internacionais. 

    “Nós temos a felicidade de ter convidado nossos amigos das organizações internacionais do café, e todos aceitaram. Estamos discutindo o que está acontecendo nesse mundo geopolítico”, afirmou Matos, citando as tarifas impostas pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e as exigências regulatórias da União Europeia.

    Marcos Matos explicou que sente uma rediscussão nas questões regulatórias, uma vez que passam por entraves que envolvem barreiras comerciais, desentendimentos, informações errôneas e outros aspectos. Mas que independente disso, o compromisso deve se manter. 

    “É uma tendência das empresas e do consumidor estarem comprometidos com os critérios sociais e ambientais. […] Nosso compromisso segue com o consumidor. Agora, as regulações, tendem a sofrer ajustes diante de tudo que a gente está vendo de tensões geopolíticas”.

    Acontecimentos pelo mundo

    Sobre a tarifa de 10% imposta ao café brasileiro nos Estados Unidos, o diretor afirmou que há um esforço concentrado para retirar o produto da lista. “Existe todo um trabalho sendo feito para que o café saia do escopo das tarifas. Hoje o Brasil está com 10% e outros países até mais que o Brasil.”

    No caso da lei antidesmatamento da União Europeia (EUDR), Matos explicou que “a lei não vai ser postergada e nem tão pouco excluída do corpo jurídico, mas a gente entende que a sua implementação vai ser mais branda, mais leve, com requisitos mais corretos, com mais argumentos para se defender a sustentabilidade”. 

    Caminho da sustentabilidade

    Marcos Matos também ressaltou ainda que as regulamentações acontecem com uma via de mão dupla, com um esforço conjunto que envolve todos os elos da cadeia. “O Brasil é o maior produtor, maior exportador e segundo maior consumidor da bebida. A gente gera evidências concretas, verificáveis, validáveis e conclusivas para os nossos importadores”, finalizou.

  • Coffee Dinner & Summit: mil participantes e 35 países discutem práticas ESG e regulamentações do café em Campinas

    Coffee Dinner & Summit: mil participantes e 35 países discutem práticas ESG e regulamentações do café em Campinas

    O diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos, celebrou os números expressivos da 10ª edição do Coffee Dinner & Summit, realizada em Campinas (SP). Com mil participantes, 82 painelistas e representantes de 35 países, o evento se consolidou como uma das maiores vitrines globais para a cafeicultura brasileira. 

    Em entrevista ao Portal Agro em Campo, o diretor-geral do Cecafé celebrou os resultados, mas avaliou um dos principais temas do 10º Coffee Dinner & Summit, inclusive buscados pelos participantes: os desafios e perspectivas das regulamentações internacionais. 

    “Nós temos a felicidade de ter convidado nossos amigos das organizações internacionais do café, e todos aceitaram. Estamos discutindo o que está acontecendo nesse mundo geopolítico”, afirmou Matos, citando as tarifas impostas pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e as exigências regulatórias da União Europeia.

    Marcos Matos explicou que sente uma rediscussão nas questões regulatórias, uma vez que passam por entraves que envolvem barreiras comerciais, desentendimentos, informações errôneas e outros aspectos. Mas que independente disso, o compromisso deve se manter. 

    “É uma tendência das empresas e do consumidor estarem comprometidos com os critérios sociais e ambientais. […] Nosso compromisso segue com o consumidor. Agora, as regulações, tendem a sofrer ajustes diante de tudo que a gente está vendo de tensões geopolíticas”.

    Acontecimentos pelo mundo

    Sobre a tarifa de 10% imposta ao café brasileiro nos Estados Unidos, o diretor afirmou que há um esforço concentrado para retirar o produto da lista. “Existe todo um trabalho sendo feito para que o café saia do escopo das tarifas. Hoje o Brasil está com 10% e outros países até mais que o Brasil.”

    No caso da lei antidesmatamento da União Europeia (EUDR), Matos explicou que “a lei não vai ser postergada e nem tão pouco excluída do corpo jurídico, mas a gente entende que a sua implementação vai ser mais branda, mais leve, com requisitos mais corretos, com mais argumentos para se defender a sustentabilidade”. 

    Caminho da sustentabilidade

    Marcos Matos também ressaltou ainda que as regulamentações acontecem com uma via de mão dupla, com um esforço conjunto que envolve todos os elos da cadeia. “O Brasil é o maior produtor, maior exportador e segundo maior consumidor da bebida. A gente gera evidências concretas, verificáveis, validáveis e conclusivas para os nossos importadores”, finalizou.

  • Café solúvel passa a ter selo oficial de qualidade da ABICS

    Café solúvel passa a ter selo oficial de qualidade da ABICS

    A indústria de café solúvel no Brasil ganhou um importante aliado na valorização da qualidade do produto com o lançamento dos Selos de Qualidade da ABICS (Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel). 

    A novidade foi tema da entrevista da consultora Eliana Relvas ao Portal Agro em Campo, durante o 10º Coffee Dinner & Summit, em Campinas (SP), nesta quinta-feira (03). 

    Segundo Eliana, a iniciativa surgiu da percepção de que o café solúvel já faz parte do cotidiano da maioria dos lares brasileiros, especialmente quando consumido com leite. 

    Nos últimos anos, no entanto, o setor vivenciou avanços significativos em tecnologia, aromas, sabores e diversificação de marcas. 

    Isso levou a ABICS a buscar um modelo de classificação sensorial também para o solúvel, como já ocorre com o café verde e o moído.

    “Avaliando todas as tendências de mercado, a ABICS acabou criando um protocolo e uma metodologia em que os provadores avaliam 15 atributos e a sua intensidade percebida na bebida. Dessa forma, quando combinamos esses atributos com as intensidades, existe uma classificação dos produtos”, explicou Eliana.

    Divisão dos selos de qualidade

    Os selos de qualidade da Abics foram divididos em três categorias:

    • Excelência: para cafés com atributos intensos de acidez, doçura, frutado e aromas florais e de mel;
    • Premium: destinado a bebidas com notas marcantes de chocolate, amêndoas e amadeirado, com potência média;
    • Clássico: voltado a cafés com notas amadeiradas mais intensas, baixa acidez e maior força no paladar.

    Além de orientar o consumidor final, a proposta também visa mostrar as diferentes possibilidades de uso do café solúvel. 

    “Hoje o café solúvel não é só uma xícara de café que as pessoas tomam. Ele pode ser usado como ingrediente. Devido à sua versatilidade, acaba sendo importante conhecer quais são os principais atributos e aplicar nas receitas”, esclareceu Eliana. 

    Como exemplo, ela explicou que em preparações como de cappuccinos, o selo Clássico pode ser o mais indicado, por combinar melhor com leite e especiarias.

    De acordo com a consultora, a divisão também permite entender se o café solúvel terá melhor desempenho quando diluído em água, leite ou incorporado em sobremesas, como sorvetes. 

    “É uma forma diferente de provar e usar o café solúvel”.

    Conforme divulgado pela ABICS, 21 marcas de café solúvel já foram certificadas com base no protocolo criado em parceria com o Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital). A metodologia é conduzida por profissionais capacitados e utiliza critérios internacionalmente reconhecidos.

    Café solúvel é natural

    Outro ponto reforçado por Eliana é o caráter natural do café solúvel, muitas vezes alvo de dúvidas entre consumidores. 

    “É importante ressaltar que o café solúvel não tem nenhum aditivo e nenhum conservante. O que faz ele se tornar um café solúvel e durar bastante tempo são todos os processos. De secagem, principalmente, e por isso ele dura mais tempo”, concluiu.

  • Sustentabilidade do café brasileiro é exemplo para o mundo, diz diretora da OIC

    Sustentabilidade do café brasileiro é exemplo para o mundo, diz diretora da OIC

    O painel “Futuro da Cafeicultura Sustentável” foi um dos destaques no segundo dia do 10º Coffee Dinner & Summit, evento promovido pelo Cecafé, em Campinas (SP). A atividade contou com a presença da diretora executiva da Organização Internacional do Café (OIC), Vanúsia Nogueira, que enalteceu o protagonismo do Brasil nas práticas sustentáveis da cadeia cafeeira em entrevista ao Portal Agro em Campo. 

    “O Brasil, de uma forma geral, está muito avançado. O setor de café está avançado em todas essas questões. Se a gente lembrar que começamos a fazer certificações voluntárias de sustentabilidade no café ainda nos anos 90, isso significa que a gente já tem essa preocupação. É muito intrínseco no produtor de café, já há muitos anos, essa preocupação com o meio ambiente e social”, afirmou.

    Para Vanúsia, o diferencial atual não está necessariamente nas exigências sustentáveis em si, mas na forma como os países precisam comprovar essas práticas. “O que veio como novidade das regulações foi muito sobre como demonstrar, o que se fazer”, avaliou ela. 

    Ela lembrou que o Brasil é um exemplo para o mundo, resultado de décadas de investimento em pesquisa e conscientização. 

    “O Brasil é indiscutivelmente uma referência para o mundo em termos de sustentabilidade no agro, seja ela ambiental e social. Nós tivemos um agro que foi desenvolvido muito fortemente, principalmente com as questões da Embrapa. Nós criamos toda essa conscientização e a gente continua seguindo com ela. Nesse sentido, indiscutivelmente o Brasil é uma referência mundial”.

    Regulação única no setor?

    Ao ser questionada sobre a possibilidade da criação de uma regulação única para o setor cafeeiro, Vanúsia relembrou o histórico de mercado e foi direta e objetiva na resposta. 

    “Nós vivemos nesse mundo que foi o mercado regulado de café de 1963 até 1989. Em 1989, na OIC, os membros decidiram: nós vamos para o livre mercado. Fizemos uma transição até o início dos 90 e depois se foi para o livre mercado. Em diversos momentos, inclusive de crise de preços, voltou-se a refletir: será que é o momento de voltar de novo e se ter uma regulação de mercado? E a resposta foi não. Precisamos deixar que o mercado se auto regule. E acho que isso também vai ocorrer com todas essas questões de sustentabilidade.”

    Por fim, Vanúsia também ressaltou o papel do consumidor na transformação da cadeia de café, mais exigente e consciente. 

    “São gerações cada vez mais conscientes. E com o advento da internet, eles têm acesso a tudo. Todos nós temos e eles com muita facilidade, porque já nascem com o computador na mão. […] Nós temos que estar dentro de um mundo cada vez mais transparente e tratando isso com naturalidade. Estamos fazendo tudo bonitinho”, concluiu.

  • IAC e Coffee Dinner & Summit reforçam protagonismo de Campinas na cafeicultura

    IAC e Coffee Dinner & Summit reforçam protagonismo de Campinas na cafeicultura

    O pesquisador Sérgio Parreiras Pereira, do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), destacou a importância histórica e atual da cidade de Campinas no desenvolvimento da cafeicultura brasileira. 

    Em entrevista ao Portal Agro em Campo, durante o 10º Coffee Dinner & Summit, o especialista reforçou o vínculo da cidade com o café.

    “Campinas sempre teve no DNA a cultura cafeeira. As estradas de ferro do estado de São Paulo saíram daqui para as regiões produtoras e traziam o café para depois descer para Santos”, contextualizou o professor. 

    Na conversa, o pesquisador destacou a contribuição do Instituto Agronômico para o avanço técnico e científico do setor cafeeiro no Brasil e, ao mesmo tempo, salientou a importância de ter os representantes da cadeia produtiva juntos no 10º Coffee Dinner & Summit, em Campinas (SP). 

    “É um instituto que foi formado pelo imperador D. Pedro II, para trabalhar com a cultura do café. Grande parte do café do Brasil, ainda hoje plantado, teve a sua origem aqui no nosso Instituto. Então é um prazer muito grande ver o mundo do café inteiro reunido aqui em Campinas. É um trabalho muito interessante que o Cecafé vem fazendo na promoção dos nossos Cafés do Brasil.”

    Relevância internacional do evento

    Para Sérgio, sediar o 10º Coffee Dinner & Summit em Campinas tem um valor simbólico e técnico. Além da ligação histórica, o evento permite que o mundo conheça de perto a qualidade da produção brasileira.

    “O Brasil é o maior produtor e maior exportador de café do mundo. É muito importante trazer todos os players do mercado internacional para poderem vir aqui discutir em nossa casa. Aqui eles podem ver a excelência com que nós produzimos os nossos cafés aqui no Brasil”, afirmou.

    IAC como base científica da cafeicultura nacional

    O Instituto Agronômico de Campinas é referência em pesquisas voltadas à cafeicultura. 

    “Nós trabalhamos sempre com café. Temos os principais cultivares de café que estão no mercado. Temos linha de pesquisa com sustentabilidade, com manejo, com cafés exóticos. Então nós somos, com certeza, um dos grandes parceiros do Cafés do Brasil também.”

    Ao longo de mais de um século de atuação, o IAC tem contribuído de forma decisiva para a evolução do setor, tanto em produtividade quanto em práticas sustentáveis. E a presença no 10º Coffee Dinner & Summit reforça justamente o papel da ciência e da inovação no mercado cafeeiro do Brasil frente ao cenário global.

  • Café no DNA de Campinas: prefeito valoriza cidade como sede do Coffee Dinner & Summit

    Café no DNA de Campinas: prefeito valoriza cidade como sede do Coffee Dinner & Summit

    Durante a abertura do 10º Coffee Dinner & Summit, realizada nesta quarta-feira (2) em Campinas (SP), o prefeito Dário Saadi (Republicanos) concedeu entrevista exclusiva ao Portal Agro em Campo, e destacou a forte ligação do município com a história do café no Brasil. Para ele, sediar um evento internacional dessa magnitude é um reconhecimento do papel estratégico da cidade na evolução da cafeicultura nacional.

    “Campinas tem uma história fantástica com o café. A cidade começou a se desenvolver com o Instituto Agronômico, a produção de café. O Instituto Agronômico foi o grande responsável pelas melhorias nas variedades dentro do café arábica”, afirmou Dário.

    Segundo o prefeito, além de ter sido um importante polo produtor no passado, Campinas consolidou-se como centro de pesquisa, ciência e inovação voltado ao agronegócio.

    “A cidade de Campinas foi um grande polo de produção, mas um polo de pesquisa, de ciência, ligado ao Instituto Agronômico. Então, o café está no DNA da cidade de Campinas”.

    Dário Saadi também pontuou que o município se transformou em referência para eventos científicos e internacionais. 

    “Hoje a cidade continua focada na pesquisa, mas muito diversificada. Nós temos aqui o Projeto Sirius, que é o acelerador de partículas, um dos melhores do mundo, do Governo Federal. E a cidade também se tornou um local de grandes eventos. E esse evento do Cecafé aqui em Campinas é muito bom. Primeiro, movimenta pelo grande evento que é e, segundo, tem a ver com a história”.

    O papel da ciência no agronegócio

    Ao longo da entrevista, o prefeito de Campinas também aproveitou para reforçar a importância da ciência no crescimento do agronegócio, citando o papel central do Instituto Agronômico nas melhorias do café arábica e o avanço recente na qualidade do café conilon. 

    “O próprio desenvolvimento do café, que começou, no caso da arábica, no Instituto Agronômico, mostra que se não fosse a pesquisa daquela época talvez nós não fossemos essa potência que somos no café. É o que está acontecendo agora com o café conilon. O café conilon está tendo muita pesquisa e ele está melhorando muito a qualidade”.

    E destacou o papel de outros centros de pesquisa sediados em Campinas, como a Embrapa, que fortalecem a cidade como polo de inovação tecnológica. 

    “A cidade tem essa importância na pesquisa, que vai também do agro até em todas as áreas. É um grande polo de inovação e tecnologia, mas é importante reverenciar a sua história e também ter eventos que fazem a cidade se movimentar”.

    Escolha de Campinas como sede do 10º Coffee Dinner & Summit

    Para Dário Saadi, a escolha de Campinas como sede do evento é também um gesto de reconhecimento tendo em vista a importância para o mercado de café, inclusive por meio do Instituto Agronômico. 

    A decisão de ter Campinas como palco do 10º Coffee Dinner & Summit também foi destacada pelo presidente do Conselho Deliberativo do Cecafé, Márcio Cândido Ferreira, em entrevista ao Agro em Campo. 

    “Campinas foi uma escolha que nasceu em nosso coração porque a gente viaja mundo afora, participa de eventos, e não encontramos uma estrutura como tem aqui em Campinas. A gente recebe de braços abertos os importadores, autoridades internacionais e nacionais, mas, mais do que isso: a gente traz a mensagem do Cafés do Brasil”, concluiu o prefeito. 

  • Café brasileiro aposta no porto de Imetame para superar desafios logísticos

    Café brasileiro aposta no porto de Imetame para superar desafios logísticos

    O novo Porto de Imetame, no Espírito Santo, tem atraído importantes investimentos da cafeicultura brasileira. Um dos mais relevantes vem do Grupo Tristão, que anunciou a aquisição de um terreno de 400 mil metros quadrados em Aracruz (ES), a apenas oito quilômetros do terminal portuário. 

    O objetivo é construir um armazém robusto para ampliar a logística, a proximidade com os produtores e a rastreabilidade da produção.

    Durante entrevista concedida ao Agro em Campo, na manhã desta quinta-feira (3), no segundo dia do 10º Coffee Dinner & Summit, em Campinas (SP), o presidente do grupo, Sérgio Tristão, destacou que o crescimento da produção no estado e a nova infraestrutura logística abrem um cenário promissor no mercado.

    “Não tem como não acreditar no nosso negócio, principalmente quando você olha o Espírito Santo. O Espírito Santo, com a produção de conilon que tem e o investimento que ainda faz para aumentar essa produção, não tem como retroceder”, afirmou.

    Segundo ele, o novo porto será um marco, tendo em vista que se trata da realização de um antigo sonho do setor capixaba. Para ele, o terminal portuário deverá ser, se não o melhor do Brasil, o melhor do Sudeste, com várias especialidades, principalmente em container. 

    “O nosso porto é muito restrito. A área de manobra dele limita qualquer navio de container de porte médio. Não estou falando nem de grande porte. Então, foi uma frustração que a gente teve durante anos. Agora, o porto de Imetame não é uma coisa que está no papel: você vai lá e já está vendo a obra acontecer. Já tem a drenagem, as áreas de restrição e contenção de água, piers… tudo progredindo. É uma realidade.”

    A localização do novo armazém também garante acesso a incentivos fiscais por estar dentro da área da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). 

    Proximidade do produtor e rastreabilidade

    Ao Agro em Campo, Sérgio Tristão ressaltou também que, além da logística, a nova estrutura visa aproximar ainda mais a empresa dos produtores capixabas. 

    “É fato que nós, com o conilon crescendo dessa forma, vamos fazer um armazém robusto. Ficar próximo do produtor. Com esse negócio de rastreabilidade EUDR, a gente quer ter mais proximidade para ter confiança no que estamos fazendo e entregando aos clientes”, enfatizou o presidente do Grupo Tristão. 

    A expectativa é que o armazém comece a ser construído em 2026, alinhado à previsão de conclusão do novo porto. 

    “O nosso sonho é que a gente tenha o armazém quando estiverem justamente terminando o porto. Isso seria o ideal. Estão falando em 2027”, esclareceu ele.

    Cafés capixabas com identidade própria

    Ao comentar sobre a qualidade dos cafés das montanhas do Espírito Santo, Sérgio Tristão destacou que é possível encontrar cafés especiais em várias regiões do país, mas que a geografia e o clima das montanhas capixabas proporcionam características únicas. 

    “É um café que tem um pouco mais de toque de acidez. No fundo, garimpando vai encontrar café de qualidade em todas as regiões brasileiras. Mas o nosso produto, que a gente coloca no mercado de café especial, por uma questão regional, prioriza o café capixaba”.

    Grupo Tristão: 90 anos de tradição

    Fundado em 1935, o Grupo Tristão celebra 90 anos de atuação em 2025. Com uma história marcada pela inovação e valorização da produção nacional, a empresa é uma das mais antigas e influentes da cadeia cafeeira no Brasil. 

    A participação no 10º Coffee Dinner & Summit é parte das ações comemorativas e de fortalecimento institucional do grupo.

  • Café e sustentabilidade: mercado se ajusta às novas regras ESG

    Café e sustentabilidade: mercado se ajusta às novas regras ESG

    O 10º Coffee Dinner & Summit deu início à programação desta quinta-feira (3) com o painel “CEO’s & Lideranças do Agronegócio Café Global”, reunindo executivos de grandes multinacionais e representantes do setor produtivo para discutir o cenário atual da cafeicultura mundial. O painel foi marcado pelo encontro entre visões internacionais e a perspectiva nacional sobre os rumos do setor.

    Participaram da mesa Carlos Alberto Santana Jr. (EISA e Cecafé), David Neumann (Neumann Gruppe), Nicolas A. Tamari (Sucafina), Teddy Esteve (Volcafé) e Ben Clarkson (Louis Dreyfus Company). 

    Em entrevista ao Agro em Campo, Carlos Alberto Santana Jr., diretor comercial da EISA e conselheiro do Cecafé, avaliou positivamente o painel e destacou os dois grandes produtos gerados por um evento como esse: conexões e conhecimento.

    “Um seminário sempre tem dois produtos: o networking que é fornecido para quem está participando e informação. E, nesse sentido, eu particularmente fiquei muito satisfeito com o primeiro painel. Nós tínhamos nada menos do que um terço do negócio mundial aqui representado, com quatro grandes multinacionais, que trouxeram muita informação positiva”, afirmou.

    Consumo segue em alta

    Segundo Santana, embora os preços tenham caído recentemente no mercado internacional, o painel demonstrou que o consumo segue aquecido.

    “Os preços vêm caindo recentemente e isso dá uma sensação de que exista um problema de consumo. E não foi o que nós sentimos aqui hoje. No mercado, os preços estão altos e isso cria um efeito de grandes exportações. O mundo inteiro vem com exportações muito altas, mas o que nós aprendemos aqui é que o nível de estoque está baixo.”

    Conforme a explicação do conselheiro do Cecafé, se o estoque do mercado comprador está baixo mesmo diante das grandes exportações feitas pelo mercado produtor, o sinal é de que o consumo está alto. 

    Sustentabilidade e desafios regulatórios

    Durante o painel, os executivos também discutiram os impactos das novas regulamentações internacionais, especialmente as exigências da União Europeia em relação à rastreabilidade e às práticas ESG. Santana destacou que o Brasil está pronto para responder a esses desafios.

    “O Brasil está extremamente bem preparado. Eu diria que o mérito é do próprio rural, que vem fazendo a lição de casa. Entretanto, nós abordamos um pouco disso aqui. O que faz do nosso negócio ser tão interessante é um pouco essa questão de multicultura. Essa questão do blend, o que trouxe esse mercado ser do tamanho do que é hoje, muito provavelmente é a possibilidade de você ter cafés sendo produzidos nas montanhas da América Central, da África, da Ásia e, obviamente, o Brasil vai continuar um líder do setor produtivo do café.”

    Ele também pontuou que o país tem responsabilidade global ao compartilhar boas práticas com outras regiões produtoras. 

    “Entretanto, de alguma maneira nós também temos um pouco de responsabilidade de dividir boas práticas agrícolas que nós temos aqui com os produtores, por exemplo, na África, onde nós temos um dos grandes problemas mundiais que é a migração forçada.”

    Brasil se consolida como protagonista no mercado

    Na entrevista ao Portal Agro em Campo, Carlos Alberto Santana Jr. reforçou ainda que o Brasil continua sendo o principal protagonista da cadeia global do café, unindo produtividade, qualidade e responsabilidade ambiental.

    “Nós somos o segundo maior consumidor do mundo e o principal exportador do mundo. Nós precisamos valorizar muito o principal protagonista da cadeia, que é o produtor rural. Ele vem fazendo a lição e em investimentos constantes, com muito destaque no ganho de produtividade. E isso torna o Brasil um player diferente no mercado mundial, com muita competitividade.”

    Para ele, a jornada brasileira deve seguir unindo responsabilidade com educação do consumidor. 

    “Obviamente, nós precisamos seguir produzindo com responsabilidade. E isso, de alguma maneira, também focar na qualidade. Ninguém gosta de consumir algo ruim. Então essa jornada de educação do consumidor, do que é o bom café, precisamos seguir com ela.”

    O conselheiro do Cecafé defendeu ainda que os preços se equilibrem de forma justa ao longo da cadeia. 

    “Obviamente, os preços precisam encontrar um equilíbrio que seja sustentável também para o consumidor. Precisa remunerar o produtor, a cadeia toda, mas que seja também sustentável para os consumidores.”

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  • Secretário Executivo de SP: “Brasil é o melhor exportador de café”

    Secretário Executivo de SP: “Brasil é o melhor exportador de café”

    Durante entrevista concedida ao portal Agro em Campo, o secretário Executivo de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Alberto Amorim, reforçou o protagonismo do Brasil na produção e exportação de café. A declaração foi feita durante a cobertura especial do 10º Coffee Dinner & Summit, em Campinas (SP), nesta quarta-feira (02). 

    “O café no Brasil nunca deixou de ser importante. O Brasil nunca deixou, nos últimos 100 anos, de ser o maior exportador de café. Só que hoje o Brasil é o melhor exportador de café”, afirmou o secretário. 

    Em sua fala, Amorim destaca a transformação do país de um produtor do grão tradicional para um protagonista na produção de cafés especiais e de alta qualidade. Segundo ele, o café brasileiro passou por uma revolução nas últimas décadas, deixando para trás a imagem do “café bica corrida” e ganhando espaço como bebida sofisticada e gourmet. Como exemplo claro e objetivo, estão as nuances do vinho, que pode ser degustado de diversas maneiras. 

    Ao longo da entrevista, Alberto Amorim também destacou a relevância do evento promovido pelo Cecafé para o Brasil. Para ele, atingir o grau de excelência atual no setor foi possível graças a convenções do tipo. 

    “É muito importante. A gente precisa transcender o cenário que conhece muito café, que é produtor e exportador de café. A gente precisa chegar no coração do consumidor, daquele que precisa do café para acordar e daquele que não dorme sem café. Nós precisamos entender o que os nossos clientes precisam. E juntando todo mundo aqui, a gente discute isso”, comentou. 

    Na avaliação do secretário, a troca de experiências entre especialistas, empresários e pesquisadores contribui diretamente para o avanço da cafeicultura no Brasil. 

    “Em suma, a gente consegue fazer uma pesquisa de alta qualidade, com todo mundo e todo mundo colabora. E é nessa colaboração, nesse cooperativismo do melhor momento e melhores conhecimentos, que a gente vai atingindo cada vez mais excelência”.

    Investimento em inteligência e produtividade

    Amorim também abordou os investimentos do Governo de São Paulo na cafeicultura, que segundo ele, estão cada vez mais focados em inteligência, pesquisa e inovação, especialmente em um cenário de limitação orçamentária.

    “Tanto na pesquisa quanto no desenvolvimento de novas infraestruturas, nós não temos o numerário suficiente. Mas nós temos inteligência e criatividade. Foi aí que criamos uma forma de fazer parceria com iniciativas privadas”, explicou.

    Segundo o secretário, o foco é produzir melhor e não em maior escala territorial, com investimentos em pesquisa e desenvolvimento que contribuem na geração de mais mais recursos e produtividade. 

    “Produtividade e não mais produção. A gente quer produzir melhor e mais na mesma área. A gente não está cortando nenhuma árvore, mas a gente quadruplicou a produtividade. E isso é o que interessa”.

    Tecnologia tropical e liderança global

    Durante a entrevista, Amorim também ressaltou a liderança brasileira em tecnologias voltadas ao clima tropical e a busca internacional por conhecimento técnico nacional.

    “A gente está bem à frente da grande parte do mundo. Se a gente olhar para o mundo tropical, ele é um mundo muito dinâmico. Nós, no mundo tropical, temos a melhor tecnologia e os melhores conhecimentos. Por isso somos procurados por universidades de fora do Brasil para trocar conhecimento.”

    Ele lembrou que o país é referência em modelos como Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e no avanço da cafeicultura regenerativa, práticas que conciliam produção agrícola com preservação ambiental.

    “A gente é líder porque isso dá mais dinheiro, reduz custo e aumenta a produtividade em grana por hectare, que é o que sustenta o produtor”, concluiu.