Autor: Henrique Rodarte

  • Bioenergia e crédito dominam debates no 15º Congresso Andav

    Bioenergia e crédito dominam debates no 15º Congresso Andav

    O 15º Congresso Andav começou nesta terça-feira, 11 de agosto, em São Paulo. A Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav) promove o evento, que a Zest Eventos organiza.

    O congresso reforça o protagonismo do mercado de distribuição de insumos agropecuários para o crescimento sustentável do agronegócio brasileiro. E espera reunir 18,5 mil participantes e mais de 260 marcas ao longo da programação.

    Setor busca novos modelos de negócio

    “Com resiliência, diálogo contínuo e qualificado, e atenção a tendências, o segmento vem trabalhando. E entregando novos modelos de negócios, com o objetivo de diminuir custos, elevar produtividade e gerar valor para todo o agro”, destacou Marcos Chaves, presidente do Conselho Diretor da Andav, durante a abertura do evento.

    Diógenes Kassaoka, Secretário-Executivo da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, ressaltou o peso econômico do setor na solenidade de abertura. Segundo ele, a distribuição de insumos movimenta mais de R$ 160 bilhões por ano.

    Alexandre Alonso Alves, Diretor de Negócios e Inovação Tecnológica da Embrapa, chamou atenção para a capacidade do setor de identificar as demandas dos produtores e levar novas tecnologias até o campo. Roberto Betancourt, Vice-Presidente da Fiesp, reforçou a crescente integração entre o agronegócio, a indústria e os demais setores da economia como fator relevante para o desenvolvimento do país.

    Distribuidor ganha papel estratégico com novas tecnologias

    No painel “Agroeconomia Brasileira: Reflexões para o Futuro, Tendências e Oportunidades”, moderado por Marcelo Prado, presidente da MPrado Consultoria, Ingo Plöger, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), avaliou que as tecnologias vão reduzir o uso de insumos. Para ele, o distribuidor do futuro assumirá cada vez mais o papel de parceiro de inteligência aplicada.

    Antonio Botelho, CEO da Agrológica, defendeu a manutenção do financiamento como parte da atuação das empresas de distribuição, já que essas empresas conhecem o histórico e a realidade dos produtores. “Temos a proximidade com o cliente, experiência em fazer isso e, neste momento, o produtor precisa desse apoio. O desafio é aperfeiçoar os mecanismos de análise e financiamento para tornar esse modelo mais eficiente e sustentável”, afirmou.

    Bioenergia conecta produção agrícola, indústria e logística

    O painel sobre cenários e oportunidades para o setor, moderado por Marcos Fava Neves, chanceler da Harven Agribusiness School, apontou o avanço da bioenergia como uma das principais transformações estruturais do agronegócio brasileiro. Os participantes mostraram como o crescimento dos biocombustíveis vem ampliando a conexão entre produção agrícola, indústria, energia, alimentação animal, logística e desenvolvimento regional.

    “A cadeia dos biocombustíveis não é uma pauta das usinas, mas de todo o agro”, afirmou João Marcelo Dumoncel, CEO da 3tentos. O executivo acrescentou que o setor cria uma demanda adicional e mais previsível por soja, milho e outras matérias-primas, beneficia o produtor rural e abre novas possibilidades de agregação de valor dentro do país.

    Janaína Lemes, vice-presidente da Unibio MT e líder em Biocombustíveis na Caramuru, destacou que a complementaridade entre biocombustíveis, produção de grãos, alimentação animal e outros derivados cria uma lógica de economia circular. Essa lógica estimula investimentos, empregos, diversificação de culturas e melhor aproveitamento da produção agrícola.

    Ricardo Amorim projeta novo ciclo de alta para as commodities

    O economista Ricardo Amorim encerrou o primeiro dia do Congresso Andav com uma análise sobre o cenário internacional e seus reflexos para o agronegócio. Ele projeta que o mercado global ingressará em um novo ciclo de valorização das commodities agrícolas. Isso impulsionado pela alta do petróleo, pelas guerras em curso e pelos efeitos das tarifas comerciais adotadas pelos Estados Unidos.

    Segundo Amorim, a estratégia norte-americana de reduzir importações e estimular a produção doméstica contribui para a desvalorização do dólar. Esse movimento fortalece outras moedas, amplia o poder de compra internacional de commodities e tende a sustentar a demanda e os preços.

    Andav homenageia advogada na categoria Defesa do Setor

    A advogada Samanta Pineda, especialista em Direito Socioambiental, recebeu o Prêmio Andav de Reconhecimento na categoria Defesa do Setor. Paulo Tiburcio, presidente executivo da Andav, entregou a premiação e agradeceu a contribuição da advogada na defesa do agronegócio brasileiro.

    Siga o canal do Agro em Campo no WhatsApp e saiba tudo em primeira mão

  • Tecnologia ajuda a proteger elefantes da caça furtiva

    Tecnologia ajuda a proteger elefantes da caça furtiva

    A redução e a fragmentação dos habitats naturais deixam os elefantes africanos cada vez mais vulneráveis. Atualmente, apenas 17% das áreas consideradas adequadas para a sobrevivência da espécie permanecem disponíveis para os animais. A esse cenário somam-se a caça furtiva e os impactos das mudanças climáticas. São fatores que ampliam os riscos para as populações remanescentes. E tornam urgente a adoção de estratégias que unam conservação, tecnologia e desenvolvimento social.

    Foto: Cláudio Augusto de Souza/Flickr

    O tema ganha destaque no Dia Mundial dos Elefantes, celebrado em 12 de agosto. A data chama atenção para os desafios enfrentados pela maior espécie terrestre do planeta. E reforça a importância de iniciativas voltadas à proteção da biodiversidade e à convivência sustentável entre pessoas e animais.

    Tecnologia rastreia rebanhos e antecipa riscos

    Na África do Sul, o projeto ERP (Elephants, Rhinos & People) aplica recursos tecnológicos para aumentar a segurança de elefantes que vivem em áreas de risco. A consultoria EPI-USE, especializada em soluções tecnológicas e integrante do Group Elephant, participa da iniciativa, que combina a preservação de elefantes e rinocerontes com o desenvolvimento socioeconômico de comunidades rurais situadas próximas às áreas de conservação.

    A SAP Cloud Platform monitora e rastreia os deslocamentos dos rebanhos. Esse acompanhamento permite antecipar a presença dos animais em determinadas regiões e apoiar ações preventivas de proteção. Informações mais precisas sobre os trajetos percorridos ajudam as equipes responsáveis a identificar situações de risco e a fortalecer as estratégias de enfrentamento à caça furtiva.

    Nesse contexto, a tecnologia ultrapassa a função de eficiência operacional. Dados e sistemas digitais funcionam como ferramentas de conservação, ampliando a capacidade de monitoramento em áreas extensas e apoiando decisões mais rápidas para a proteção da fauna.

    “A preservação da biodiversidade exige uma visão integrada. Proteger os elefantes e os rinocerontes significa também olhar para as comunidades que vivem próximas a esses animais e criar condições para que a conservação gere benefícios sociais duradouros. A tecnologia pode ser uma importante aliada nesse processo ao transformar dados em informações capazes de apoiar ações preventivas e ampliar a segurança das espécies”, afirma Roberto Medeiros, CEO da EPI-USE Brasil.

    Conservação ambiental caminha junto ao desenvolvimento social

    O projeto parte do princípio de que a proteção da vida selvagem está diretamente relacionada à melhoria das condições de vida das populações rurais. Por isso, as iniciativas apoiadas pelo grupo combinam conservação ambiental e desenvolvimento econômico, com o objetivo de reduzir vulnerabilidades sociais. Além de fortalecer alternativas sustentáveis para as comunidades que compartilham seus territórios com espécies ameaçadas.

    Foto: Roberto Alonzo del Cid/Flickr

    O modelo também amplia o debate sobre a atuação das empresas na agenda ESG. Em vez de restringir a responsabilidade socioambiental a ações pontuais, a iniciativa integra investimentos de longo prazo em conservação, inovação e impacto social. A EPI-USE destina 1% da receita global do grupo a projetos voltados à proteção de elefantes e rinocerontes em risco, com estratégia baseada na redução da pobreza em comunidades rurais próximas às áreas de ocorrência das espécies.

    “Os desafios ambientais atuais exigem colaboração e soluções que considerem as diferentes dimensões da sustentabilidade. Quando tecnologia, conservação e desenvolvimento social atuam de forma integrada, é possível construir resultados mais consistentes para as pessoas, para os ecossistemas e para as futuras gerações”, destaca Medeiros.

    ESG exige resultados concretos das empresas

    A relevância de iniciativas desse tipo cresce em um momento em que empresas enfrentam cobranças cada vez maiores por resultados concretos em suas estratégias ambientais e sociais. Além de reduzir impactos, a agenda ESG passa a incluir a capacidade de contribuir para a preservação de ecossistemas. Além de apoiar comunidades e desenvolver soluções que gerem benefícios permanentes.

    A experiência da África do Sul reforça que a inovação pode assumir papel relevante na proteção da biodiversidade. Ao transformar dados sobre os movimentos dos animais em informações para prevenção e monitoramento, a tecnologia cria novas possibilidades para enfrentar ameaças históricas, como a caça furtiva, e fortalece uma visão de conservação que considera tanto a sobrevivência das espécies quanto o futuro das pessoas que vivem ao seu redor.

    Siga o canal do Agro em Campo no WhatsApp e saiba tudo em primeira mão

  • Fenasucro & Agrocana abre 32ª edição com foco na bioenergia brasileira

    Fenasucro & Agrocana abre 32ª edição com foco na bioenergia brasileira

    A 32ª edição da Fenasucro & Agrocana começou nesta terça-feira (11) em Sertãozinho (SP), no Centro de Eventos Zanini. A cerimônia de abertura reuniu autoridades políticas e lideranças do agronegócio, que reforçaram o protagonismo do Brasil na transição energética global.

    O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, prestigiou o evento ao lado do secretário estadual da Agricultura, Geraldo Melo Filho, e do prefeito de Sertãozinho, Zezinho Gimenez. Também participaram o presidente da Fenasucro & Agrocana, Paulo Montabone; o presidente de honra da edição e presidente da União Nacional da Bioenergia (UDOP), Hugo Cagno Filho; o presidente emérito da feira, Antônio Eduardo Tonielo; e a presidente do Ceise Br, Rosana Amadeu.

    Governador aposta no etanol para descarbonizar transporte marítimo e aéreo

    Durante o discurso, Tarcísio de Freitas defendeu a diversidade de fontes renováveis do país e apontou oportunidades na descarbonização de diferentes modais de transporte. Segundo o governador, grandes empresas de navegação já preparam a adoção do biobunker, combustível marítimo misturado a fontes renováveis, e do etanol na propulsão de navios.

    “Uma das vocações do Brasil é a transição energética”, declarou Tarcísio, ao citar também o avanço do combustível sustentável de aviação (SAF) e da cana-de-açúcar como matéria-prima estratégica. O governador ainda destacou a chegada do biometano a regiões como Ribeirão Preto, que já substitui combustíveis fósseis em frotas de veículos pesados.

    Sertãozinho consolida posição como polo tecnológico da bioenergia

    O diretor da Fenasucro & Agrocana, Paulo Montabone, ressaltou o papel de Sertãozinho no desenvolvimento tecnológico da cadeia sucroenergética. A feira reúne mais de 600 marcas expositoras e representantes de mais de 80 países nesta edição.

    32ª Fenasucro & Agrocana
    Foto: Divulgação / 32ª Fenasucro & Agrocana

    “Precisamos valorizar esse patrimônio nacional, exportar nossas tecnologias e incentivar o uso do etanol”, afirmou Montabone, ao defender maior participação brasileira no mercado global de bioenergia a partir das soluções desenvolvidas na região.

    Bioenergia brasileira evolui para modelo de biorrefinaria, diz presidente da UDOP

    O presidente de honra da edição, Hugo Cagno Filho, que também preside a União Nacional da Bioenergia (UDOP), avaliou que a transição energética deixou de ser promessa para se tornar realidade concreta nos mercados. Segundo ele, a bioenergia brasileira já opera como um conjunto de biorrefinarias, capazes de produzir etanol, bioeletricidade, biogás, biometano, biobunker e SAF.

    “É um setor que gera empregos, promove o desenvolvimento regional, investe em inovação e fortalece a posição do Brasil na agenda mundial da descarbonização”, declarou Cagno Filho, ao citar o crescente interesse internacional pelos biocombustíveis brasileiros.

    Etanol marítimo pode movimentar mercado de 225 milhões de toneladas

    A sustentabilidade dominou a programação do primeiro dia de feira. Em painel promovido pela Canaoeste, especialistas apresentaram iniciativas que combinam redução de custos, eficiência produtiva e preservação ambiental.

    O painel “Etanol na Navegação Marítima: O Futuro Chegou” discutiu o potencial do etanol brasileiro na descarbonização do setor marítimo. Plínio Nastari, CEO da DATAGRO, projetou um mercado potencial de 225 milhões de toneladas para o etanol marítimo. Um volume que supera em mais do dobro a atual produção mundial do combustível, estimada em 100 milhões de toneladas.

    A Copersucar, por sua vez, apresentou um teste com navio cargueiro apto a substituir o e-metanol por etanol. E também detalhou a inclusão de biocombustíveis em sua logística. A empresa já opera 74 caminhões movidos a biometano no transporte de açúcar até o Porto de Santos.

    SAF ganha espaço entre as discussões da feira

    O painel “Por que o mercado de SAF do Brasil pode estar mais próximo do que você imagina” reuniu especialistas para debater perspectivas e oportunidades do combustível sustentável de aviação no país. O tema reforça o interesse crescente do setor aéreo brasileiro pela descarbonização.

    A programação da Fenasucro & Agrocana continua nesta quarta-feira (12) com os painéis da FenaBio e a exposição de tecnologias e oportunidades de negócios para a cadeia da bioenergia.

    Serviço – 32ª Fenasucro & Agrocana
    • Data: até sexta-feira, 14 de agosto de 2026
    • Local: Centro de Eventos Zanini – Sertãozinho (SP)
    • Exposição: das 13h30 às 20h
    • Eventos de conteúdo: das 8h às 18h

    Siga o canal do Agro em Campo no WhatsApp e saiba tudo em primeira mão

  • Exportação de café do Brasil reage em julho, mas faturamento recua

    Exportação de café do Brasil reage em julho, mas faturamento recua

    O Brasil iniciou o ano-safra de café 2026/27 com sinais mistos no comércio exterior. Em julho, as exportações brasileiras de café avançaram 9,9%, totalizando o envio de 3,030 milhões de sacas de 60 kg ao exterior. No entanto, a queda nos preços globais reduziu a receita cambial do mês em 13,2%, que fechou em US$ 903,9 milhões contra o US$ 1,042 bilhão registrado no mesmo período do ciclo anterior.

    Apesar da reação mensal em julho, o balanço acumulado de janeiro a julho de 2026 ainda amarga uma retração. O país movimentou 20,897 milhões de sacas nos primeiros sete meses do ano, o que representa quedas de 5,9% em volume e de 13,1% em receita (faturando US$ 7,449 bilhões) quando comparado ao mesmo intervalo de 2025.

    O presidente do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Márcio Ferreira, aponta o clima e os problemas de infraestrutura como os principais vilões desse ritmo lento. Chuvas atípicas em importantes regiões produtoras de café arábica atrasaram os trabalhos de colheita. Além disso, a falta de estrutura nos principais portos nacionais impede o embarque rápido das cargas, gerando prejuízos milionários para os exportadores devido a custos extras com armazenagem e taxas adicionais.

    A expectativa do setor é que os embarques ganhem força a partir da segunda quinzena de agosto, acompanhando o avanço da colheita do arábica. Como os produtores estão capitalizados pelas safras recentes, eles devem cadenciar as vendas, aproveitando os momentos de alta do mercado.

    Acordo histórico nos EUA deve reaquecer exportações

    Uma das grandes apostas para reverter a queda de receita é a recente vitória comercial nos Estados Unidos, principal comprador do café brasileiro. Até julho de 2026, os americanos reduziram as importações do grão brasileiro em 30,5%, adquirindo 2,590 milhões de sacas.

    Para reverter esse cenário, uma articulação conjunta entre o Cecafé, a Abic, a Abics e a National Coffee Association (NCA) eliminou as tarifas que os EUA cobravam sobre o café brasileiro. A ausência desse imposto a partir deste mês deve reaquecer as vendas para o mercado americano.

    Conilon dispara e vira o destaque do ano

    O café arábica continua na liderança absoluta das exportações, somando 14,987 milhões de sacas (71,7% do total do setimestre). Isso mesmo enfrentando um recuo de 16,6% comparado ao ano anterior.

    O grande destaque do período, contudo, é o café canéfora (conilon e robusta). A variedade registrou um crescimento impressionante de 73,5% nas exportações de janeiro a julho, alcançando 3,387 milhões de sacas enviadas ao exterior (16,2% do mercado). O segmento do café solúvel respondeu por 11,9% do volume (2,486 milhões de sacas) e o café torrado por 0,2% (36.456 sacas).

    Os cafés diferenciados,que possuem qualidade superior ou certificados de sustentabilidade, representaram 16,7% do total exportado, rendendo US$ 1,468 bilhão. Os EUA também lideram as compras dessa categoria especial.

    Santos lidera o escoamento

    No ranking dos portos, o Porto de Santos mantém o favoritismo e concentra 70,9% de todo o café escoado pelo Brasil no período, somando 14,821 milhões de sacas. O complexo portuário do Rio de Janeiro aparece na vice-liderança, respondendo por 24,7% das exportações (5,153 milhões de sacas), seguido pelo Porto de Paranaguá, com 1,1%.

    O Cecafé disponibiliza o relatório estatístico completo com os dados atualizados em seu site oficial.

    Siga o canal do Agro em Campo no WhatsApp e saiba tudo em primeira mão

  • Recorde: colheitadeira colhe 43 mil sacas de milho em um único dia

    Recorde: colheitadeira colhe 43 mil sacas de milho em um único dia

    Uma colheitadeira Fendt IDEAL 9T estabeleceu um novo recorde nacional ao colher 2.599 toneladas de milho 2ª safra em 24 horas ininterruptas, entre os dias 8 e 9 de agosto de 2026. O feito, realizado na Fazenda Recanto, em Sidrolândia (MS), equivale a aproximadamente 43.323 sacas de 60 kg e recebeu certificação do RankBrasil — Livro dos Recordes Brasileiros.

    https://www.instagram.com/reel/Db3wFcHtlPO/

    A marca alemã de maquinário agrícola criou, com esse desafio, uma nova categoria no ranking de recordes: além das 24 horas, a colheitadeira também bateu os índices de 8 e 12 horas contínuas, superando as expectativas da própria equipe técnica.

    Como funcionou o desafio de 24 horas

    A operação começou ao meio-dia de sábado (8/8) e seguiu sem paradas até o meio-dia de domingo (9/8). A colheitadeira usou a mesma plataforma GTS X25, com 27 linhas e espaçamento de 50 cm entre elas, do início ao fim do desafio, sem qualquer necessidade de substituição de equipamento.

    Nas primeiras 8 horas, a máquina colheu 912,7 toneladas (15.212 sacas) de milho. Ao completar 12 horas, o volume acumulado chegou a 1.247,7 toneladas (20.795 sacas), novo recorde para essa categoria. Durante esse trecho, o operador Teylor D. Olbermann, diretor de Pós-Vendas da Impact Fendt, conduziu sozinho a colheitadeira; a troca de operador ocorreu somente após o fechamento dessa etapa.

    Ao final das 24 horas, o total chegou a 2.599 toneladas, com média de 108,3 toneladas colhidas por hora. Ou seja, o equivalente a cerca de 30 sacas por minuto.

    Máquina manteve alta produtividade sem perder qualidade

    Mesmo sob exigência operacional intensa, a Fendt IDEAL sustentou velocidade média de 9 km/h e colheu 235,2 hectares em um único ciclo contínuo. As análises realizadas ao longo da colheita apontaram perda de grãos insignificante, resultado que a empresa atribui à tecnologia embarcada na máquina.

    Operação teve início ao meio-dia do sábado (8/8) e seguiu por 24 horas sem parar. Foto: Divulgação

    Entre os diferenciais técnicos, a colheitadeira reúne o sistema de processamento Dual Helix, com rotores de 4,84 metros, os maiores do mercado, que garantem área de trilha 45% superior à média. O sistema de limpeza, 25% maior que o convencional, e a compensação de até 15% de declividade completam o conjunto que, segundo a fabricante, resultou em consumo de combustível 9,17 litros por hectare e redução superior a 10% no gasto energético em relação a outros modelos.

    RankBrasil homologa o título após acompanhamento presencial

    O auditor Luciano Cadari, do RankBrasil, acompanhou pessoalmente as 24 horas de operação e concedeu à Fendt IDEAL 9T o título de “Maior Colheita de Milho 2ª Safra por uma Única Colheitadeira em 24 Horas no Brasil”. A homologação confirma tanto o volume total colhido quanto os índices parciais de 8 e 12 horas.

    Para Fabio Dotto, diretor de Marketing de Produto da Fendt América Latina, o resultado reforça a relevância do milho para o agronegócio brasileiro. “Para a Fendt, esse recorde comprova que nossa tecnologia está perfeitamente alinhada com as necessidades do agricultor de alta performance”, afirma o executivo, destacando que a marca busca aliar produtividade, qualidade de grão e redução de custos operacionais.

    Produtor rural avalia resultado do desafio

    Lúcio Basso, dono da Fazenda Recanto e responsável por ceder a área para o desafio, avaliou positivamente a confiabilidade do equipamento após 24 horas de uso contínuo. Segundo ele, o teste comprovou a durabilidade da máquina em condições reais de trabalho no campo brasileiro.

    Da esq. para a dir.: Os operadores no desafio: Adilson Pereira e Teylor Olbermann; Lúcio Basso, proprietário da Fazenda Recanto, e Luciano Cadari, auditor do RankBrasil. Foto: Divulgação

    Já Teylor Olbermann, que conduziu a colheitadeira nas primeiras 12 horas, destacou que o desafio validou a disponibilidade física do equipamento em operação extrema. Para ele, o recorde demonstra que produtores podem acelerar o ritmo de colheita durante a janela ideal com segurança, contando com o suporte técnico da marca.

    Milho segue como cultura estratégica para o Brasil

    O Brasil ocupa a posição de terceiro maior produtor e segundo maior exportador de milho do mundo. Um cenário que amplia o peso simbólico do recorde estabelecido em Sidrolândia. O desempenho da Fendt IDEAL 9T na 2ª safra reforça a corrida das fabricantes de maquinário agrícola por equipamentos capazes de otimizar o tempo de colheita sem comprometer a qualidade do grão. Um fator decisivo em janelas climáticas cada vez mais apertadas.

    Dados oficiais da homologação (RankBrasil):

    • Volume total em 24 horas: 2.599 toneladas (≈ 43.323 sacas de 60 kg)
    • Volume total em 12 horas: 1.247,7 toneladas
    • Volume total em 8 horas: 912,7 toneladas
    • Velocidade média de trabalho: 9 km/h
    • Consumo de combustível: 9,17 litros/hectare
    • Local: Fazenda Recanto — Fendt Impact (Sidrolândia/MS)
    • Auditoria: RankBrasil

    Siga o canal do Agro em Campo no WhatsApp e saiba tudo em primeira mão

  • Deriva de herbicidas ameaça o vinho gaúcho e já soma perdas milionárias

    Deriva de herbicidas ameaça o vinho gaúcho e já soma perdas milionárias

    A deriva de herbicidas hormonais causou um prejuízo estimado em R$ 210 milhões à vitivinicultura do Rio Grande do Sul entre os anos de 2018 e 2025. O Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis-RS) apresentou o estudo inédito que calcula, pela primeira vez, o tamanho do impacto financeiro na cadeia produtiva da uva.

    A Fundação Empresa-Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (FEENG) viabilizou o projeto, que contou com a execução técnica de pesquisadores do IFRS Campus Bento Gonçalves.

    O tamanho do prejuízo e o risco futuro

    Os dados oficiais de casos registrados somam um impacto de R$ 161,6 milhões. No entanto, os pesquisadores estimam que o prejuízo real atinja os R$ 210 milhões quando a conta inclui as perdas de produtividade, a necessidade de renovar vinhedos e o aumento nos custos de manejo.

    A situação pode piorar se o setor não adotar medidas corretivas. As projeções do estudo indicam que, caso o cenário atual continue sem alterações, a deriva provocará um prejuízo adicional de R$ 150,1 milhões nos próximos cinco anos.

    Incerteza congela investimentos em vinhedos gaúchos

    O problema ultrapassa a perda imediata de uvas no campo. A deriva tornou-se um risco permanente para a atividade e afeta diretamente o planejamento estratégico das empresas. Todos os produtores entrevistados pelo estudo afirmaram que reduziram ou adiaram investimentos devido à insegurança gerada pelos episódios de deriva.

    Pesquisa foi construída a partir da análise de mais de 400 ocorrências registradas de deriva no Rio Grande do Sul. Foto: Consevitis-RS/Divulgação

    A incerteza prejudica decisões cruciais para o setor, tais como:

    • A renovação e expansão de vinhedos;
    • O lançamento de novos produtos;
    • Os investimentos privados em enoturismo;
    • Projetos coletivos de indicação geográfica.

    Regiões mais afetadas no Rio Grande do Sul

    O estudo aponta que o impacto se distribui de forma heterogênea pelo estado. Os prejuízos concentram-se principalmente nas regiões onde a produção de uva convive lado a lado com sistemas de agricultura extensiva que utilizam os herbicidas hormonais.

    Foto: Consevitis-RS/divulgação

    Os pesquisadores identificaram registros de deriva em importantes polos de cultivo de uva, incluindo a Campanha Gaúcha, Região Central, Serra do Sudeste, Campos de Cima da Serra, Planalto, Missõe. E com registros mais pontuais, a Serra Gaúcha.

    A equipe estruturou a pesquisa analisando mais de 400 ocorrências registradas no estado e realizando entrevistas de campo. Os dados oficiais indicam que os episódios afetaram diretamente cerca de 700 hectares de vinhedos, embora os pesquisadores ressaltem que a área atingida pode ser ainda maior.

    Dados técnicos para mediar o conflito agrícola

    A elaboração do estudo ocorreu sob o Termo de Colaboração FPE nº 4837/2022, firmado entre o Consevitis-RS e a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi). A coordenação científica do trabalho ficou a cargo dos doutores Shana Sabbado Flores, Leonardo Cury da Silva e Jorge Viel.

    Para a Dra. Shana, a pesquisa cumpre o papel de transformar relatos informais em evidências técnicas integradas. Já o presidente do Consevitis-RS, Maicon Galiotto, reforça que os dados qualificados darão suporte para o diálogo institucional, buscando formas de preservar a vitivinicultura em harmonia com as demais culturas agrícolas gaúchas.

    Siga o canal do Agro em Campo no WhatsApp e saiba tudo em primeira mão

  • Projeto prevê validação automática do CAR para pequenas propriedades rurais

    Projeto prevê validação automática do CAR para pequenas propriedades rurais

    O Projeto de Lei 1238/26 prevê a validação automática do Cadastro Ambiental Rural (CAR) para imóveis rurais com área total de até quatro módulos fiscais. Em análise na Câmara dos Deputados, a proposta altera a Lei 12.651/12, que institui o Código Florestal.

    Para o autor do projeto, deputado Lucio Mosquini (PL-RO), a medida pode melhorar a governança ambiental e acelerar a aplicação das regras previstas no Código Florestal.

    “É fácil concluir que a validação eficaz do CAR é a chave mestra para destravar o Código Florestal, uma das legislações ambientais mais rigorosas do mundo”, afirmou o parlamentar na justificativa do texto.

    Quais são as regras para validar o CAR?

    A validação automática dependerá do cumprimento de uma série de requisitos. O imóvel deverá ter área rural consolidada até 22 de julho de 2008, marco temporal previsto na legislação ambiental.

    Além disso, o cadastro não poderá apresentar indícios de supressão ou degradação de vegetação nativa até 31 de dezembro de 2025.

    O projeto também estabelece que a propriedade:

    • não poderá apresentar sobreposição com terras indígenas;
    • não poderá estar sobreposta a unidades de conservação;
    • não poderá ter sobreposição com imóveis contíguos;
    • não poderá estar em área embargada por órgãos ambientais.

    Caso a propriedade não atenda a qualquer uma dessas condições, o texto não permitirá a validação automática do Cadastro Ambiental Rural.

    A proposta ainda tramita na Câmara dos Deputados. Para virar lei, o Projeto de Lei 1238/26 precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado, além de passar pela sanção presidencial.

    Fonte: Agência Câmara de Notícias

    Siga o canal do Agro em Campo no WhatsApp e saiba tudo em primeira mão

  • Conhecida como “olho de dragão”, fruta exótica pode virar aposta dos pomares

    Conhecida como “olho de dragão”, fruta exótica pode virar aposta dos pomares

    Pouco conhecida no Brasil, a longan começa a despertar o interesse de agricultores e consumidores atraídos por frutas exóticas. Parente próxima da lichia, a espécie chama atenção pelo sabor acentuadamente doce, pela aparência incomum e pelo potencial de ocupar espaços voltados a produtos diferenciados.

    Longan
    Foto: Kate Walton/ Flickr

    Tradicional em países como China, Tailândia e Vietnã, a fruta ainda aparece de forma tímida no mercado brasileiro. Essa raridade, porém, pode funcionar como um dos seus principais atrativos, sobretudo entre produtores que buscam diversificar o cultivo e alcançar públicos interessados em novidades.

    O que é a longan e por que ela lembra a lichia

    Cientificamente chamada de Dimocarpus longan, a fruta pertence à família das sapindáceas, o mesmo grupo botânico que reúne a lichia e o rambutã. Originária do sul da Ásia, a espécie tem registros de cultivo que ultrapassam dois mil anos e ocupa lugar de destaque tanto na culinária quanto na medicina tradicional chinesa.

    O apelido “olho de dragão” resume bem sua aparência: sob uma casca fina e amarronzada, a polpa translúcida envolve uma semente escura, criando um efeito visual que lembra um olho. Cada fruto pesa entre 6 e 19 gramas e tem tamanho próximo ao de uma azeitona grande ou uma uva.

    A longan mantém semelhanças visuais e botânicas com a lichia, o que pode facilitar sua apresentação ao consumidor. Mesmo assim, possui identidade própria: o sabor é descrito como doce e levemente almiscarado, com quem já provou comparando a experiência a uma mistura entre lichia e melão.

    Sabor doce e ficha nutricional chamam atenção

    O sabor delicado e naturalmente adocicado aparece entre os principais pontos de interesse da fruta. A aparência também desperta curiosidade imediata, principalmente entre pessoas que têm contato com o fruto pela primeira vez.

    Além do paladar, a longan carrega um perfil nutricional robusto. A cada 100 gramas, a fruta oferece cerca de 84 mg de vitamina C, valor que supera a recomendação diária do nutriente. O fruto também concentra potássio, cobre, magnésio, fósforo, manganês e vitaminas do complexo B, incluindo o ácido fólico. Estudos apontam ainda a presença de compostos antioxidantes, como polifenóis, que contribuem para a proteção das células contra o estresse oxidativo.

    Longan
    Foto: Hoisang/ Flickr

    A composição baixa em gordura e sódio, somada ao alto teor de açúcares naturais, reforça o apelo da longan como opção de consumo doce e ao mesmo tempo nutritiva. Ainda que pessoas com restrição de açúcar devam consumi-la com moderação.

    Um nicho de mercado ainda em formação

    Por ainda ser pouco conhecida no país, a longan pode encontrar espaço em mercados que valorizam produtos raros. Feiras especializadas, empórios de luxo, mercados gourmet e restaurantes ligados à alta gastronomia surgem como possíveis caminhos para a comercialização.

    O cultivo da fruta acompanha um movimento de produtores que procuram alternativas fora das commodities tradicionais. Em vez de depender apenas de culturas já consolidadas, a introdução de espécies exóticas amplia a variedade dos pomares e abre novas possibilidades de renda.

    A raridade do produto ajuda a construir um apelo comercial ligado à exclusividade. Consumidores interessados em sabores diferentes e ingredientes pouco comuns tendem a formar o público inicial desse tipo de cultivo. No cenário internacional, o quadro é distinto: a longan figura entre as frutas tropicais de menor porte com maior volume de produção global, com exportação relevante de polpa seca, suco e conserva para Europa, América do Norte e Austrália. Um indicativo do potencial que o produto ainda pode desenvolver por aqui.

    Ainda assim, o mercado brasileiro permanece em fase de formação. Não existem dados consolidados sobre o volume total produzido, a área ocupada pelas plantações ou a comercialização em larga escala no país. Sem números amplos, o cultivo deve ser visto como uma experiência promissora, mas ainda inicial. O avanço dependerá da aceitação dos consumidores e do interesse de outros agricultores em testar a espécie.

    Adaptação ao clima brasileiro exige cuidados

    A longan precisa de atenção durante todo o ciclo de cultivo até a colheita. O manejo específico da planta faz parte dos desafios enfrentados por quem decide introduzir a fruta em uma propriedade. Na origem, a árvore pode ultrapassar 30 metros de altura, o que também influencia decisões sobre espaçamento e manejo em pomares comerciais.

    Experiências de plantio já realizadas indicam que a espécie consegue se adaptar a determinadas condições encontradas no país. Esse resultado inicial aumenta o interesse de produtores que acompanham a expansão de frutas exóticas no Brasil.

    A adaptação, no entanto, não garante que o cultivo em grande escala vingue. Como a produção ainda é limitada, o comportamento da cultura precisa ser observado ao longo do tempo, em diferentes regiões e condições de solo e clima.

    Potencial comercial e diversificação no campo

    A aparência incomum pode ajudar a longan a ganhar destaque em pontos de venda. Em feiras e empórios, a fruta tende a chamar atenção pelo simples fato de ser diferente das opções mais conhecidas pelo consumidor brasileiro.

    O sabor doce também favorece a aproximação com o público. A relação com a lichia oferece uma referência conhecida, embora a longan mantenha identidade própria. Restaurantes e estabelecimentos voltados à gastronomia representam outra oportunidade: ingredientes exóticos costumam despertar o interesse de cozinhas que buscam apresentar novas experiências aos clientes.

    Longan
    Foto: Fruitnet/ Flickr

    A presença da longan em propriedades rurais mostra como frutas raras podem integrar estratégias de diversificação. A espécie não precisa substituir culturas tradicionais, mas pode dividir espaço com elas e ampliar o número de produtos oferecidos por um mesmo produtor.

    Esse modelo permite testar a aceitação do mercado sem depender exclusivamente de uma cultura ainda pouco conhecida. Caso a procura aumente, o plantio pode ganhar novas áreas e alcançar outros produtores.

    Por enquanto, a longan permanece como uma aposta. Seu sabor doce, o visual exótico, a riqueza nutricional e a proximidade com a lichia formam os principais elementos capazes de atrair consumidores. A fruta ainda tem um longo caminho até conquistar presença regular no mercado brasileiro. Mesmo assim, o interesse já despertado mostra que espécies asiáticas pouco conhecidas podem abrir espaço entre agricultores e compradores que procuram alternativas fora do comum.

    Siga o canal do Agro em Campo no WhatsApp e saiba tudo em primeira mão

  • JBS bate recorde de receita no 2º trimestre e anuncia troca de comando

    JBS bate recorde de receita no 2º trimestre e anuncia troca de comando

    A JBS N.V. confirmou nesta segunda-feira (10) uma mudança na liderança global da companhia. Wesley Batista Filho assumirá o cargo de CEO Global a partir de janeiro de 2027, no lugar de Gilberto Tomazoni, que ocupava a posição desde 2018. O anúncio chega no mesmo dia em que a empresa divulgou seus resultados do segundo trimestre de 2026, com receita líquida recorde de US$ 23,9 bilhões, alta de 14% em relação ao mesmo período do ano anterior.

    Wesley Batista Filho e Gilberto Tomazoni. Foto: Divulgação JBS

    A companhia definiu a mudança como parte de um processo de sucessão planejado. Tomazoni conduzirá a transição ao longo dos próximos cinco meses antes de assumir as funções de Vice Chairman do Conselho de Administração e Senior Advisor da JBS. Ele também seguirá como Chairman do Conselho da Pilgrim’s Pride Corporation e passará a presidir o Conselho do Instituto J&F, dedicado à formação de líderes empresariais.

    Trajetória

    Wesley Batista Filho ingressou na JBS em 2011 como trainee na unidade de bovinos de Greeley, no Colorado (EUA). Ao longo de 15 anos, ele liderou operações da companhia no Uruguai, no Paraguai e no Canadá, além de comandar a JBS Brasil, a Seara e, desde 2023, a JBS USA, a maior plataforma da empresa em receita, responsável por mais da metade do faturamento global do grupo.

    “Sinto-me honrado por assumir essa responsabilidade e dar continuidade ao extraordinário trabalho realizado por Tomazoni durante sua gestão como CEO”, afirmou Wesley Batista Filho em comunicado.

    Tomazoni, por sua vez, destacou a trajetória do sucessor dentro da companhia. “Wesley construiu uma trajetória de sucesso na JBS e conhece profundamente o nosso negócio. Tenho confiança de que ele é o líder certo para conduzir a JBS em seu próximo capítulo”, declarou o atual CEO.

    Durante os oito anos de Tomazoni à frente da JBS, a receita da companhia cresceu 73%, saindo de US$ 49,7 bilhões para US$ 86,2 bilhões. Nesse período, a empresa expandiu sua atuação para novas categorias de proteínas, ampliou o portfólio de marcas de maior valor agregado, investiu em biotecnologia, alcançou grau de investimento e concluiu sua listagem na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE).

    Receita recorde marca o segundo trimestre de 2026

    Os resultados financeiros divulgados nesta segunda-feira reforçam o momento da companhia. A JBS registrou receita líquida recorde de US$ 23,9 bilhões entre abril e junho, avanço de 14% frente ao mesmo intervalo de 2025. O EBITDA ajustado somou US$ 1,257 bilhão no período, e a maior parte das unidades de negócio apresentou melhora sequencial de rentabilidade, mesmo com os desafios que ainda persistem no segmento de carne bovina nos Estados Unidos.

    “Voltamos a registrar receita recorde, refletindo a força de nosso portfólio diversificado entre geografias, proteínas e marcas”, afirmou Tomazoni sobre o desempenho trimestral.

    JBS
    Foto: divulgação JBS

    A alavancagem líquida da companhia fechou o trimestre em 3,10 vezes. Segundo a JBS, a empresa mantém liquidez robusta, com prazo médio da dívida acima de 15 anos e custo médio de 5,7% ao ano. “Temos uma estrutura de capital sólida e liquidez adequada para atravessar os diferentes ciclos de nossas operações”, disse Guilherme Cavalcanti, CFO Global da companhia.

    O fluxo de caixa livre somou US$ 130 milhões positivos, avanço de US$ 185 milhões em relação ao segundo trimestre de 2025. Iniciativas de gestão do capital de giro, como desconto de recebíveis, adiantamentos ligados a exportações no Brasil e evolução da conta de fornecedores, impulsionaram o resultado.

    Unidades de negócio mostram avanço generalizado

    A diversificação geográfica e de proteínas sustentou o desempenho da companhia no trimestre, com destaque para os seguintes números por unidade:

    • JBS Beef North America: receita líquida recorde de US$ 7,8 bilhões (+14,2%), embora o EBITDA ajustado tenha permanecido negativo em US$ 100 milhões. Um resultado, ainda assim, melhor que o prejuízo de US$ 264 milhões do 2T25.
    • Pilgrim’s Pride: receita de US$ 4,6 bilhões e EBITDA ajustado de US$ 360 milhões (margem de 7,8%), com demanda firme por frango nos EUA, na Europa e no México.
    • JBS Brasil: receita recorde de US$ 4,6 bilhões (+28%). E maior EBITDA ajustado da história da unidade para um segundo trimestre, de US$ 273 milhões (+22,1%), impulsionado pelas exportações.
    • Seara: receita de US$ 2,5 bilhões (+18,2%) e margem EBITDA ajustada de 12,3%, com volume superior a 1 milhão de toneladas no trimestre.
    • JBS USA Pork: receita de US$ 2,1 bilhões e EBITDA ajustado de US$ 184 milhões (+38%), com margem de 8,9%.
    • JBS Austrália: receita de US$ 2,6 bilhões (+30%) e EBITDA ajustado de US$ 218 milhões, com margem de 8,5%.

    “Olhando para frente, continuamos focados em melhorar o desempenho operacional, fortalecer nosso portfólio de marcas e gerar fluxo de caixa,. Mantendo a flexibilidade necessária para atravessar diferentes ciclos de mercado”, concluiu Tomazoni.

    Siga o canal do Agro em Campo no WhatsApp e saiba tudo em primeira mão

  • Embrapa publica recomendações para o controle de pragas do quiabo

    Embrapa publica recomendações para o controle de pragas do quiabo

    A Embrapa Hortaliças publicou a Circular Técnica nº 179, intitulada Recomendações para o controle de pragas do quiabeiro. O material apresenta estratégias para o manejo de insetos e ácaros que podem causar prejuízos à cultura, independentemente do sistema de produção adotado, convencional ou agroecológico.

    A publicação foi elaborada pelos pesquisadores Miguel Michereff Filho e Carlos Alberto Lopes, da Embrapa Hortaliças, e pelo professor Jorge Braz Torres, da Universidade Rural de Pernambuco. O conteúdo reúne descrições detalhadas, ilustrações e orientações sobre as principais pragas do quiabeiro e os métodos de controle recomendados.

    A produção brasileira de quiabo é estimada em aproximadamente 120 mil toneladas. Minas Gerais, Bahia, São Paulo e Rio de Janeiro estão entre os principais estados produtores.

    Segundo os autores, a importância de cada praga pode variar conforme a região, a época de cultivo e o sistema de produção. Por isso, o manejo deve priorizar medidas capazes de reduzir a presença dos organismos na lavoura sem causar impactos econômicos, sociais e ambientais ao produtor.

    Principais pragas do quiabeiro

    Entre os insetos sugadores mais importantes para a cultura estão o pulgão-do-algodoeiro, a mosca-branca, o percevejo-manchador e os tripes. A circular apresenta informações para a identificação desses organismos e orientações sobre as respectivas formas de controle.

    O quiabeiro também pode ser atacado por diferentes espécies de ácaros. Entre os principais estão o ácaro-rajado, os ácaros-vermelhos, o ácaro-verde, o microácaro ou ácaro-da-erinose e o ácaro-branco.

    As lagartas, que correspondem à fase larval do ciclo de vida de mariposas e borboletas, também podem provocar danos à cultura. Entre as espécies de maior relevância estão a lagarta-rosca, a lagarta-do-cartucho-do-milho, a lagarta-helicoverpa, a lagarta-heliothis e a lagarta-rosada.

    Algumas famílias de besouros também podem ser encontradas em plantações de quiabo. Esses insetos atacam brotos, folhas e flores, mas, de acordo com a publicação, os danos costumam ocorrer de forma esporádica. Entre os exemplos estão adultos dos gêneros Colaspis e Diabrotica.

    As abelhas sem ferrão nativas do Brasil, conhecidas regionalmente como arapuá, arapuã, irapuã, cupira, enrola-cabelo e abelha-cachorro, são mais comuns em lavouras orgânicas. Em sistemas convencionais, a pulverização pode afastar a visita dessas espécies.

    Controle biológico e manejo integrado

    O uso de inimigos naturais no controle de pragas é chamado de controle biológico. A estratégia aproveita a regulação natural das populações de insetos e ácaros que se alimentam das plantas.

    Para os pesquisadores, o agricultor pode contribuir para esse processo ao preservar e ampliar a atuação dos inimigos naturais presentes no agroecossistema. Dessa forma, o controle de pragas não depende exclusivamente da aplicação de produtos químicos.

    A circular destaca que o controle químico deve ser associado a outros métodos de manejo. Um profissional habilitado deve orientar a recomendação e o uso de defensivos agrícolas para evitar aplicações insuficientes ou excessivas.

    Manejo Integrado de Pragas

    O desenvolvimento de um programa de Manejo Integrado de Pragas (MIP) é considerado fundamental para a cadeia produtiva do quiabo. A estratégia busca garantir alimentos de qualidade e livres de contaminantes, além de preservar o meio ambiente e proteger a saúde dos consumidores e dos trabalhadores rurais.

    “É importante ressaltar que o desenvolvimento e a implementação de um programa de Manejo Integrado de Pragas (MIP) são importantes para a cadeia de valor do quiabeiro, especialmente para suprir a demanda por alimentos de qualidade e livre de contaminantes, respeitando-se o meio ambiente e a saúde do consumidor e do trabalhador rural”, resumem os pesquisadores.

    Nesse contexto, o aprimoramento do manejo da cultura depende da integração entre pesquisa, assistência técnica e setor produtivo.

    Siga o canal do Agro em Campo no WhatsApp e saiba tudo em primeira mão