Autor: Henrique Rodarte

  • Congresso do Agro terá Alckmin, Michel Temer e propostas para o próximo governo

    Congresso do Agro terá Alckmin, Michel Temer e propostas para o próximo governo

    O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, participará da abertura da 25ª edição do Congresso Brasileiro do Agronegócio (CBA), marcada para esta segunda-feira (10), no Sheraton WTC São Paulo Hotel. Promovido pela Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), em parceria com a B3, o evento reunirá autoridades, executivos, pesquisadores e representantes do setor produtivo.

    O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, também participará do congresso. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, está entre as autoridades aguardadas.

    Com o tema “Agro & Indústria – Integrando e Transformando o Brasil”, o congresso terá abertura conduzida por Ingo Plöger, presidente da ABAG, e Luiz Masagão, vice-presidente de Produtos e Clientes da B3.

    Também participarão da cerimônia Tereza Cristina, senadora da República e presidente do Cosag; Arnaldo Jardim, deputado federal e vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária; Geraldo Melo Filho, secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo; Tirso de Salles Meirelles, presidente da FAESP/SENAR; Silvia Massruhá, presidente da Embrapa; e Tania Zanella, presidente da OCB e do Instituto Pensar Agro (IPA).

    Geopolítica e impactos no agronegócio

    A programação seguirá com a mesa-redonda “O Agro na Geopolítica”, que reunirá Alexandre Parola, embaixador do Brasil no Reino do Marrocos, e Braz Baracuhy, diplomata e especialista em geopolítica.

    Os participantes analisarão os efeitos das mudanças no cenário internacional, dos conflitos geopolíticos, do avanço do protecionismo e da reorganização das cadeias globais sobre o agronegócio brasileiro.

    Na sequência, o congresso apresentará a primeira edição do Future Flash, com o tema “A Nova Infraestrutura Invisível do Agro”. Mariana Vasconcelos, cofundadora e CEO da Agrosmart e Young Global Leader pelo World Economic Forum, conduzirá a apresentação.

    Indústria, inovação e competitividade

    O painel “A Indústria que Revoluciona o Agro” discutirá o impacto da inovação, da automação, da biotecnologia, da conectividade e da bioenergia na produção agropecuária.

    Participarão do debate Ana Repezza, presidente da CropLife Brasil; Eder Lopes, CEO da Inpasa Brasil; e Gastón Diaz Perez, presidente e CEO da Bosch América Latina.

    O painel também abordará as novas matrizes energéticas e o papel da indústria na produtividade, na sustentabilidade e na competitividade do agronegócio. A discussão destacará os fatores que contribuem para posicionar o Brasil como referência em biocompetitividade.

    Financiamento e sustentabilidade

    A programação da tarde começará com a apresentação “A Verticalização Sustentável como Valor para o Agro Brasileiro”, no Future Flash. Flávia Garcia Cid, produtora rural, empresária e gestora da Fazenda Jaracatiá, conduzirá o encontro.

    Em seguida, o painel “Investimento e Financiamento em Tempos Voláteis” discutirá as condições necessárias para ampliar a capacidade de investimento do agronegócio diante da volatilidade econômica, das mudanças regulatórias e dos desafios relacionados ao crédito e à gestão de riscos.

    Participarão Fabiana Perobelli, superintendente de Relacionamento com Clientes da B3; Flavia Palacios, diretora da ANBIMA; Julyana Yokota, Managing Director e especialista setorial da S&P Global Ratings; e Monique Cardoso, superintendente de Sustentabilidade da CNseg.

    ABAG entrega prêmios a pesquisadores e lideranças

    Durante o congresso, a ABAG entregará o Prêmio Norman Borlaug – Sustentabilidade à pesquisadora da Embrapa Iêda Mendes. Silvia Massruhá, presidente da instituição, fará a apresentação da homenagem.

    O Prêmio Ney Bittencourt de Araújo – Personalidade do Agronegócio homenageará Luiz Carlos Corrêa Carvalho, sócio-diretor da Canaplan e presidente do Conselho Estratégico de Alto Nível da ABAG. Roberto Rodrigues, professor emérito da FGV, fará a apresentação.

    Propostas para o próximo ciclo de governo

    O Future Flash “Como Transformar Desafios Ambientais em Oportunidades no Agro” terá a participação de Victor Brian Magalhães, CEO da TerraMares Ambiental.

    Depois, a mesa-redonda “Novo Governo: Prioridades e Compromissos” reunirá Alberto Pfeifer, Senior Policy Fellow do Insper Agro Global; Luiz Carlos Corrêa Carvalho, da ABAG; e Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados.

    O debate tratará das prioridades estratégicas do agronegócio para o próximo ciclo de governo e da construção de uma agenda de Estado para o setor. A ABAG também apresentará aos candidatos à Presidência da República um conjunto de propostas e demandas consideradas essenciais para ampliar a competitividade e promover o desenvolvimento sustentável do país.

    O ex-presidente da República Michel Temer encerrará o congresso com a palestra “Caminhos para o Futuro”.

    Inscrições e transmissão online

    As inscrições para participação presencial estão abertas no site oficial do Congresso Brasileiro do Agronegócio. A organização também oferecerá transmissão online gratuita, mediante credenciamento prévio.

    Como novidade, o evento terá tradução simultânea para o inglês.

    Serviço
    • Evento: 25º Congresso Brasileiro do Agronegócio — presencial e online.
    • Tema: Agro & Indústria – Integrando e Transformando o Brasil.
    • Data: 10 de agosto de 2026.
    • Horário: das 9h às 18h.
    • Local: Sheraton WTC São Paulo Hotel, na Avenida das Nações Unidas, nº 12.559, São Paulo.
    • Informações e inscrições: congressoabag.com.br

    Siga o canal do Agro em Campo no WhatsApp clicando nesse link e saiba tudo primeiro.

  • Conheça a fruta inusitada com sabor de maracujá, abacaxi e morango

    Conheça a fruta inusitada com sabor de maracujá, abacaxi e morango

    O araçá-boi ainda soa como novidade para grande parte dos brasileiros, mas quem já provou dificilmente esquece o sabor. Cientificamente batizada de Eugenia stipitata, a fruta pertence à família das mirtáceas. É o mesmo grupo botânico que reúne a goiaba, a jabuticaba e a pitanga.

    araçá boi
    Foto: Carlos/Flickr

    Ela nasce em um arbusto de pequeno porte, que raramente ultrapassa os 4 ou 5 metros de altura, e se desenvolve principalmente na Amazônia Ocidental, com forte presença nos estados do Amazonas e do Pará. Peru, Equador, Bolívia e Colômbia também cultivam a espécie, onde ela recebe o nome de “araza”.

    A colheita costuma se concentrar entre janeiro e maio, variando conforme a região e o clima. Populações indígenas selecionaram e melhoraram a planta ao longo de gerações, o que ajuda a explicar a qualidade do sabor e do rendimento de suco que a fruta apresenta hoje.

    Sabor ácido, aroma marcante e uma comparação difícil de fazer

    Descrever o gosto do araçá-boi exige comparações. Vendedores e produtores costumam associá-lo a uma mistura de abacaxi, maracujá e morango, com notas florais e cítricas de fundo. Outros relatos aproximam o sabor da pitanga, da goiaba e do pêssego, ou apontam uma semelhança direta com o maracujá,ainda que mais intensa. O consenso gira em torno de dois pontos: a acidez pronunciada e o aroma adocicado que se destaca já na casca fina e aveludada.

    O grau de maturação também interfere no resultado. Frutos completamente maduros tendem a ficar mais doces e menos ácidos, enquanto exemplares colhidos ainda verdes concentram mais acidez. A polpa amarelo-dourada, macia e suculenta, guarda entre 6 e 12 sementes escuras e representa cerca de 61% do peso total da fruta. O restante se divide entre casca, sementes e fibras.

    Rica em vitamina C, a fruta atrai olhares da nutrição

    O araçá-boi carrega um diferencial nutricional que vem ganhando espaço em pesquisas e reportagens: a concentração de vitamina C, apontada por especialistas como até cinco vezes maior do que a encontrada em outras frutas cítricas tradicionais. A fruta também fornece vitaminas A e do complexo B, além de potássio, cálcio e fibras alimentares.

    araçá boi
    Foto: Paulo Lemos de Oliveira/Flickr

    Estudos sobre a composição da fruta destacam ainda a presença de terpenos voláteis, compostos responsáveis pelo aroma característico, e de antioxidantes, associados à prevenção de doenças e à saúde do sistema digestivo. Preparações à base de araçá-boi aparecem, inclusive, em produtos como iogurtes, valorizados pela ação antioxidante e probiótica da fruta.

    Da polpa ao prato: usos culinários e limitações comerciais

    A fragilidade da casca e a alta perecibilidade tornam o araçá-boi uma fruta delicada para o transporte a longas distâncias. Motivo pelo qual ela ainda circula pouco fora da região amazônica. Para driblar esse obstáculo, produtores costumam transformar a polpa em produto congelado, o que preserva boa parte das características nutricionais e amplia as possibilidades de comercialização.

    araçá boi
    Foto: Ito477/Flickr

    Na cozinha, a fruta rende sucos, sorvetes, cremes, geleias, doces e mousses. Vale um alerta para quem for preparar geleias: o calor tende a dissipar o aroma original da fruta, então o resultado final costuma perder parte da complexidade sensorial típica do araçá-boi in natura. Receitas regionais também combinam a polpa com macaxeira, aipim ou banana cozida, criando pratos salgados que aproveitam a acidez da fruta como contraponto.

    Apesar dos atributos, o araçá-boi segue como um product de nicho no mercado brasileiro. A combinação entre perecibilidade, dificuldade de transporte e baixa disponibilidade de mudas comerciais limita a expansão do cultivo para fora da Amazônia. Ainda assim, o interesse por plantas alimentícias não convencionais, as chamadas PANCs, tem colocado a fruta em evidência, tanto entre consumidores curiosos quanto entre produtores que enxergam no araçá-boi uma alternativa de renda para pequenas propriedades rurais.

    Siga o canal do Agro em Campo no WhatsApp  e saiba tudo primeiro.

  • Robôs, painéis solares e bem-estar animal: conheça o novo centro de pesquisa da Unesp

    Robôs, painéis solares e bem-estar animal: conheça o novo centro de pesquisa da Unesp

    A Unesp inaugurou o Centro Avançado de Pesquisa e Inovação em Bovinocultura de Leite (CAPID-Leite). Um investimento de R$ 4,7 milhões da Reitoria viabilizou a construção da nova estrutura, que reúne tecnologia de ponta como robôs de ordenha e placas fotovoltaicas.

    Sistema de ordenha automatizada, instalado na fazenda. Foto: Matheus Deniz

    A instalação fica na Fazenda Experimental Lageado e integra a Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ-Unesp), em Botucatu. O centro nasceu com um objetivo claro: desenvolver pesquisas e tecnologias voltadas a dois pilares da bovinocultura leiteira; sustentabilidade e bem-estar animal. Para isso, o CAPID-Leite ocupa 1.500 metros quadrados, opera um sistema de ordenha robotizado e comporta até 60 vacas, que vão participar de projetos de pesquisa sobre os dois temas centrais do centro.

    Pesquisas envolvem sociedade civil e produtores rurais

    O projeto também prevê pesquisas de percepção que vão envolver a sociedade civil e profissionais do setor leiteiro, entre técnicos e produtores. “A ideia é que seja um setor de referência, que receba visitas de pessoas de diferentes formações e contextos. Nós queremos mostrar para a sociedade que é possível produzir leite de forma sustentável, pautada nos princípios éticos, e com aceitação social”, afirma Matheus Deniz, docente da FMVZ-Unesp e diretor técnico do CAPID-Leite.

    Atualmente, o centro abriga 20 vacas e 17 bezerros, mas a expectativa é que o número de animais em lactação chegue a 60. Além de experimentos com diferentes sistemas de contato entre vacas e bezerros, os grupos de pesquisa planejam usar o espaço para investigar o impacto de diversos modelos de criação.

    Sistemas silvipastoris ganham destaque entre os projetos

    As vacas podem ser mantidas em três tipos de sistema: pasto, confinamento ou silvipastoril. Os sistemas silvipastoris, que combinam árvores, pastagens e gado no mesmo espaço, concentram boa parte do interesse dos pesquisadores. Uma área demarcada da Fazenda Lageado vai receber o plantio de árvores para que a equipe investigue os benefícios desse modelo para a sustentabilidade e o bem-estar animal.

    Vaca e bezerro durante a realização de experimento para avaliar as especificidades de sistemas de criação que incentivam esse contato. Foto: Matheus Deniz

    Na fazenda, o sistema de confinamento adotado se chama compost barn. Nesse modelo, os animais circulam livremente por um galpão coberto e arejado, forrado com uma cama de material orgânico, e contam com iniciativas de enriquecimento ambiental. Um sistema automatizado conduz as vacas por portões até o local de ordenha, onde um robô realiza toda a coleta do leite.

    Painéis solares elevados combinam energia limpa e proteção térmica

    Painéis fotovoltaicos instalados em modelo agrivoltaico formam outra frente que une sustentabilidade e bem-estar animal na fazenda. A tecnologia eleva os módulos solares do solo e permite o cultivo de plantas, pastagem ou a criação de animais na parte inferior. Esse arranjo gera energia solar e produção agrícola no mesmo terreno, além de proteger plantas e animais do sol forte.

    Segundo Matheus Deniz, a pesquisa com sistemas agrivoltaicos permite explorar as duas dimensões centrais do centro. “Quando falamos de sustentabilidade ambiental, estamos falando de serviços ecossistêmicos e carbono não emitido para a atmosfera. Por se tratar de uma fonte de energia renovável, esses painéis têm impacto direto nessa esfera”, explica. “Já a sustentabilidade econômica é explorada a partir da redução dos gastos com energia, além de proporcionar sombra e conforto térmico para os animais, o que também diminui as perdas econômicas”, completa o docente.

    Painel fotovoltaico instalado na fazenda. Foto: Matheus Deniz

    O artigo científico “Agrivoltaic systems in a tropical region: Influence on thermal environment, vaginal temperature and behavior of dairy heifers”, publicado na revista JDS Communications, traz os primeiros resultados dessa linha de pesquisa. Nele, o grupo ligado ao centro comparou duas formas de instalação de sistemas agrivoltaicos, com painéis horizontais e verticais, à pastagem aberta, para medir o grau de conforto térmico dos animais.

    Siga o canal do Agro em Campo no WhatsApp clicando nesse link e saiba tudo primeiro.

  • Tubarões podem prever furacões? Entenda

    Tubarões podem prever furacões? Entenda

    Do tubarão assassino de “Tubarão” aos predadores arrastados por tornados em “Sharknado”, o cinema construiu ao longo de décadas a imagem do tubarão como símbolo de medo no verão. Mas cientistas americanos agora dão a esses animais um papel bem diferente: o de aliados na previsão de furacões.

    Pesquisadores da Universidade de Delaware, em parceria com a NOAA (Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos), estão colocando sensores em tubarões-mako e tubarões-azul para coletar informações vitais sobre as condições de tempestades no Oceano Atlântico. A equipe testa se os animais conseguem funcionar como observadores móveis dos oceanos, captando dados quase em tempo real para alimentar modelos oceanográficos, atmosféricos e climáticos.

    Sensores captam calor que alimenta os furacões

    Os cientistas utilizam etiquetas eletrônicas conhecidas como CTD, sigla para condutividade, temperatura e profundidade.  Os dispositivos medem a condutividade elétrica da água ( indicador diretamente relacionado à salinidade), além da temperatura e da profundidade atingida pelo animal durante os mergulhos.

    O foco da pesquisa está na chamada camada de mistura, a porção superior do oceano que mais influencia a intensidade de um furacão. Segundo Aaron Carlisle, pesquisador principal do projeto e professor da Escola de Ciência Marinha e Política da Universidade de Delaware, quanto mais quente essa camada, mais forte tende a ser a tempestade, já que ela retém o calor que alimenta os furacões.

    Por que usar tubarões e não outros animais marinhos

    Cientistas já recorrem a sensores acoplados a animais há anos, principalmente em focas-elefante nas regiões polares, onde as observações científicas são escassas. Os tubarões, porém, abrem uma nova frente de pesquisa. Eles são abundantes, amplamente distribuídos pelo oceano e mais fáceis de monitorar do que muitos mamíferos marinhos protegidos por lei.

    Foto: Ministério da Pesca e Aquicultura

    Carlisle explicou à imprensa americana que  o oceano é tão vasto que permanece praticamente inacessível à maior parte dos instrumentos científicos. Mas transformar os animais que vivem ali em sensores vivos permite coletar dados de forma constante. Até agora, a marcação de tubarões costumava servir apenas para rastrear rotas de migração e habitats utilizados pelas espécies. Ou seja, não para captar dados oceanográficos relevantes à meteorologia.

    Quais espécies participam do projeto

    A equipe seleciona os tubarões com base na capacidade de reunir as medições mais úteis para a pesquisa sobre furacões, priorizando espécies que sobem à superfície com frequência suficiente para transmitir os dados aos satélites. Análises anteriores apontaram o tubarão-mako-de-barbatana-curta, o tubarão-azul, o tubarão-martelo-liso e exemplares jovens do tubarão-branco como fortes candidatos para esse tipo de estudo no Atlântico Norte.

    Segundo reportagem da agência Reuters, a equipe já testa também tubarões-martelo e tubarões-baleia. Além de acompanhar um exemplar de tubarão-branco com uma etiqueta de satélite para avaliar se a espécie pode integrar futuras fases da pesquisa.

    Como funciona a coleta em alto-mar

    O trabalho de campo começa no início de maio, período em que as espécies migratórias se aproximam da costa vindas de seus habitats de inverno mais ao largo do Atlântico. A doutoranda em ciência marinha Caroline Wiernicki relata que a equipe navega entre 48 e 64 quilômetros mar adentro a bordo de uma embarcação de pesquisa, lança linhas com isca e aguarda, em média, de duas a três horas até que um tubarão morda a isca.

    Foto: bee happy123/Flickr

    Depois de capturado e marcado, o animal retorna ao mar carregando o sensor. Cada vez que a nadadeira dorsal rompe a superfície da água, o dispositivo transmite os dados coletados a um satélite, que os retransmite ao Centro Nacional de Furacões, em Miami.

    Um método capaz de cobrir uma lacuna na previsão de tempestades

    De acordo com a Prism News, o projeto mira justamente um ponto cego no monitoramento de tempestades. Isso porque os tubarões atravessam camadas do Atlântico que os satélites não conseguem observar diretamente. O que incluí as águas que ajudam a determinar o quanto um furacão pode se intensificar antes de atingir áreas costeiras. Esse tipo de informação se torna ainda mais valioso quando uma tempestade ganha força rapidamente, fenômeno cada vez mais comum em anos de temperaturas recordes no mar.

    Boias oceanográficas e veículos robóticos também cumprem função semelhante, mas costumam ser caros de operar e mais lentos do que os predadores. Segundo os pesquisadores, os tubarões se deslocam mais rápido do que os planadores robóticos e conseguem permanecer em campo por períodos mais longos. O que amplia a área de cobertura da pesquisa que se estende por toda a costa entre a Carolina do Norte e Massachusetts.

    Os cientistas ainda não sabem se algum dos tubarões monitorados chegará a cruzar o caminho de um furacão. Mas, ao acompanhar a temperatura da água ao longo da temporada, a equipe espera entender melhor o comportamento dos furacões que atingirão os Estados Unidos a cada ano. E inclusive se as tempestades virão mais fortes do que o normal.

    Siga o canal do Agro em Campo no WhatsApp clicando nesse link e saiba tudo primeiro.

  • Praia brasileira é eleita a 4ª mais bonita do mundo; veja qual

    Praia brasileira é eleita a 4ª mais bonita do mundo; veja qual

    Fernando de Noronha voltou a ganhar destaque no turismo internacional. A Baía do Sancho conquistou a 4ª posição no ranking das 20 praias mais bonitas do mundo, elaborado pela plataforma de turismo Hellotickets e divulgado recentemente pela revista norte-americana Luxury Web Magazine.

    O novo reconhecimento amplia a visibilidade do arquipélago pernambucano entre viajantes que procuram destinos exclusivos, experiências autênticas e contato com a natureza. A premiação também reforça a imagem de Fernando de Noronha como uma das principais referências mundiais em turismo sustentável.

    Baía do Sancho se destaca pela beleza natural

    Cercada por falésias cobertas de vegetação nativa, a Baía do Sancho reúne águas cristalinas em diferentes tons de azul e verde. O acesso ocorre por uma escadaria instalada entre as rochas e por mirantes panorâmicos, que antecipam a paisagem considerada um dos principais cartões-postais do Brasil.

    A praia também se destaca pela biodiversidade marinha. O local é considerado um dos melhores pontos do país para a prática de mergulho livre e para a observação da fauna. Tartarugas-marinhas, cardumes, raias e outras espécies podem ser avistados em seu habitat natural.

    A nova colocação soma-se a uma série de premiações conquistadas por Fernando de Noronha nos últimos anos. Os reconhecimentos internacionais valorizam não apenas a paisagem da ilha, mas também o modelo de turismo baseado na preservação ambiental, no controle da visitação e na qualidade da experiência oferecida aos visitantes.

    Reconhecimento fortalece o turismo em Noronha

    Para Hayrton Almeida, presidente do Visite Fernando de Noronha Convention & Visitors Bureau, a presença frequente do arquipélago em rankings internacionais ajuda a fortalecer o destino nos principais mercados emissores de turistas.

    “Quando Fernando de Noronha aparece de forma recorrente nos principais rankings internacionais, não estamos falando apenas de uma praia bonita. Estamos falando de um destino que se consolida mundialmente pela qualidade da experiência que oferece aos visitantes. Esses reconhecimentos ampliam a visibilidade da ilha, despertam o interesse de novos mercados e fortalecem toda a cadeia produtiva do turismo.”

    Segundo Almeida, a valorização internacional também reflete o compromisso do arquipélago com a conservação ambiental.

    “A Baía do Sancho é um patrimônio natural que representa a essência de Fernando de Noronha. Estar entre as praias mais bonitas do mundo reforça que preservar a natureza é também uma estratégia de desenvolvimento turístico. Quanto mais protegemos nossos ecossistemas, mais fortalecemos a competitividade do destino e sua reputação internacional.”

    Turismo sustentável é um dos diferenciais

    Além das praias, Fernando de Noronha reúne atributos que vão além do turismo de sol e mar. O arquipélago abriga uma das áreas de maior biodiversidade marinha do Atlântico Sul e mantém cerca de 70% de seu território protegido pelo Parque Nacional Marinho.

    O destino também adota medidas para equilibrar a conservação ambiental com a experiência dos visitantes. O modelo inclui controle da visitação e valorização de atividades ligadas à natureza, como mergulho, observação da fauna e contemplação das paisagens.

    Para o trade turístico, o novo reconhecimento representa mais um argumento para promover Fernando de Noronha no Brasil e no exterior. Em um mercado cada vez mais interessado em experiências únicas e lugares preservados, a Baía do Sancho reafirma seu protagonismo entre os grandes ícones do turismo brasileiro.

    Siga o canal do Agro em Campo no WhatsApp clicando nesse link. Logo teremos novidades.

  • Dia dos Pais aquece vendas de carnes e reacende o ritual do churrasco em família

    Dia dos Pais aquece vendas de carnes e reacende o ritual do churrasco em família

    O Dia dos Pais volta a impulsionar as vendas de carne no Brasil. Neste ano, a data movimenta desde o varejo até restaurantes e churrascarias, em um cenário reforçado pelo desempenho recorde das exportações brasileiras de carne bovina e por um consumidor que segue priorizando o churrasco como programa central da comemoração.

    Foto: Rodarte/Agência Agro em Campo

    A VPJ Alimentos, um dos principais fornecedores de carnes nobres do país, projeta aumento de 10% nas vendas de cortes superpremium para o Dia dos Pais. Pedidos antecipados de supermercados, empórios, açougues, restaurantes e operadores de food service sustentam essa expectativa.

    Setor de bares e restaurantes também espera crescimento

    O movimento positivo se estende ao food service. Uma pesquisa da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) mostra que 76% dos estabelecimentos que abrem no Dia dos Pais esperam vender mais do que em 2025. A maior parte dos empresários, 65%, projeta crescimento de até 20%, enquanto 11% apostam em alta ainda maior. Na comparação com um domingo comum, o otimismo se mantém. 77% dos entrevistados esperam faturamento acima da média, e muitos restaurantes relatam que famílias inteiras escolhem o mesmo estabelecimento há gerações, transformando o almoço em tradição afetiva.

    No varejo alimentar, dados da Scanntech já haviam registrado crescimento de 8,2% no faturamento do Dia dos Pais de 2025 em relação a 2024. Puxado principalmente por carnes e itens voltados a refeições em família. Levantamentos recentes do setor supermercadista para 2026 também apontam alta expressiva em categorias associadas ao churrasco, como frango e suíno in natura, além de acompanhamentos tradicionais como pão de alho e maionese. Portanto, reforçando que o consumidor pensa a data como uma refeição completa, e não como itens isolados no carrinho.

    Exportações recordes sustentam a produção nacional

    O crescimento sazonal do consumo coincide com um momento histórico para a pecuária brasileira. No primeiro semestre de 2026, o Brasil registrou o melhor resultado da série histórica nas exportações de carne bovina. Foram 1,705 milhão de toneladas embarcadas e US$ 9,85 bilhões em receita, avanço de 15,5% em volume e 36,2% em faturamento frente ao mesmo período de 2025.

    O resultado consolida o país como um dos principais fornecedores mundiais de proteína bovina e evidencia a necessidade de uma cadeia produtiva cada vez mais eficiente e previsível.

    A preparação começa meses antes da data

    O consumidor percebe o aumento da demanda apenas no momento da compra, mas a produção de carne exige planejamento de longo prazo. A cadeia envolve manejo, nutrição, genética, biosseguridade e programas consistentes de prevenção de doenças. Fatores que garantem que os animais expressem seu potencial produtivo e cheguem ao frigorífico saudáveis.

    Carne na tábua
    Foto: Wenderson Araujo/Trilux/Sistema CNA/Senar

    Nesse processo, a saúde animal cumpre papel estratégico. Investimentos em prevenção reduzem a ocorrência de enfermidades, diminuem perdas produtivas, favorecem o ganho de peso e aumentam a previsibilidade da produção. O que permite a pecuaristas e frigoríficos atender a picos sazonais de demanda com regularidade e qualidade.

    Para Daniel Miranda, gerente técnico da linha de Terminação da Zoetis Brasil, datas como o Dia dos Pais escancaram a importância do planejamento de toda a cadeia. Segundo ele, investimentos em vacinação, biosseguridade e manejo adequado dão mais previsibilidade ao produtor e ajudam a garantir que a proteína chegue ao consumidor com qualidade e segurança.

    Cadeia integrada garante proteína de qualidade na mesa

    Programas sanitários bem estruturados também contribuem para o uso mais racional dos recursos nas propriedades. Eles reduzem impactos econômicos decorrentes de doenças e fortalecem a sustentabilidade da atividade pecuária. Para um país que acumula recordes de produção e exportação, manter padrões sanitários elevados se torna diferencial competitivo diante das exigências dos mercados interno e externo.

    A integração entre pecuaristas, frigoríficos e empresas de saúde animal permite que toda a cadeia responda de forma coordenada aos períodos de maior consumo. Portanto, garantindo disponibilidade de proteína de qualidade e segurança alimentar. O churrasco do Dia dos Pais, afinal, começa muito antes da churrasqueira. Ele nasce no planejamento das fazendas e no compromisso de toda a cadeia com a saúde animal.

  • Estudo da Embrapa revela 27 novas espécies de abelhas nativas na soja

    Estudo da Embrapa revela 27 novas espécies de abelhas nativas na soja

    Pesquisa da Embrapa indica 27 novos registros de abelhas nativas associadas à cultura da soja no Brasil. O estudo, conduzido no sudoeste de Goiás, também aponta que a presença desses insetos silvestres nas lavouras pode aumentar o peso dos grãos em média 7%.

    O levantamento, liderado pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (DF), foi realizado nas plantações das regiões de Rio Verde e Montividiu. Entre as 40 espécies encontradas diretamente nas áreas cultivadas, 27 nunca haviam sido citadas pela literatura científica como visitantes da soja. Considerando também as matas nativas do entorno, o número total de espécies identificadas chega a 53, distribuídas em cinco famílias (Apidae, Andrenidae, Megachilidae, Colletidae e Halictidae).

    Treinamento no uso da rede entomológica em áreas de soja. Foto: Davi de Lacerda Ramos/Embrapa

    Os resultados foram publicados no Journal of Applied Entomology, no artigo intitulado Bioinput Use and Native Vegetation Fragments are Associated With Higher Bee Community Evenness in Large-Scale Soybean Crops. A pesquisa reforça que a conservação dos fragmentos de Cerrado próximos às lavouras não é apenas uma estratégia para a biodiversidade, mas também um fator de ganho econômico e alinhamento com critérios ESG, cada vez mais exigidos pelos mercados internacionais.

    O “filtro invisível” dos defensivos e o impacto na biodiversidade

    Historicamente, o modelo de produção em larga escala da soja tem se apoiado no uso intensivo de inseticidas e fungicidas sintéticos de amplo espectro. No entanto, a pesquisadora da Embrapa, Carmen Pires, explica que essa abordagem atua como um severo “filtro ambiental” sobre a fauna benéfica.

    “Em propriedades com manejo químico altamente intensivo, houve uma queda drástica na equitabilidade das comunidades de abelhas”, afirma Pires. O termo ecológico se refere à distribuição uniforme dos indivíduos entre as diferentes espécies. “O manejo intensivo favorece um pequeno número de espécies resistentes, eliminando as mais especializadas e eficientes na polinização.”

    Coleta de abelhas com rede entomológica. Foto: Davi de Lacerda Ramos/Embrapa

    A cientista alerta ainda para um erro metodológico comum: avaliar a saúde da lavoura apenas pela abundância bruta de insetos. “Uma área altamente pulverizada pode apresentar um número elevado de insetos, mas quase todos pertencem a uma única espécie. Funcionalmente, a lavoura torna-se um ‘deserto de biodiversidade’.”

    O avanço dos bioinsumos como rota de fuga

    A boa notícia, segundo o estudo, é que existe uma rota de fuga economicamente vantajosa. Propriedades que integraram bioinsumos (bactérias e fungos para controle biológico e fertilização) e reduziram a dependência de químicos de alta toxicidade conseguiram manter comunidades de abelhas mais equilibradas e funcionalmente diversas.

    A transição para biológicos (Classe IV de risco ambiental – pouco perigosos) preserva o ciclo natural e é crucial para as abelhas que constroem ninhos no solo — cerca de 60% das espécies identificadas na região. A agricultura regenerativa, que minimiza o revolvimento da terra e mantém a palhada, protege esses ninhos. “Sem tratores desfazendo abrigos e sem venenos penetrando a terra, essas abelhas podem persistir de uma safra para a outra”, destaca Pires.

    Além disso, a maioria das espécies (44,7%) possui hábitos solitários, dependendo exclusivamente das boas condições ecológicas da fazenda para sobreviver. “O produtor precisa adotar práticas amigáveis para mantê-las vivas. Caso contrário, perderá o bônus de produtividade que elas oferecem gratuitamente”, complementa a pesquisadora.

    O Cerrado como “pulmão” polinizador da fazenda

    A pesquisa também detalha a relação de dependência entre a floresta e a lavoura. Os fragmentos de vegetação nativa do Cerrado atuam como refúgios e “fábricas” de polinizadores.

    Os dados revelaram que a proximidade física com a mata é um fator relevante: quanto maior o afastamento da lavoura em relação às bordas de Cerrado, menores são a riqueza e a abundância de abelhas nativas nas flores de soja. A mata preservada fornece abrigo, locais de nidificação (principalmente para os 18% de espécies que fazem ninhos em troncos) e alimento alternativo quando a soja não está florindo. Sem a floresta vizinha, as abelhas não conseguem colonizar as plantações.

    Números consolidados e nova metodologia

    Os números consolidados do estudo impressionam: do total de 764 abelhas coletadas, 89% eram nativas do Brasil, contra apenas 11% da espécie exótica Apis mellifera (abelha africanizada). Antes desta publicação, revisões científicas registravam apenas 12 espécies nativas associadas à soja. O novo trabalho ampliou esse conhecimento para 40 espécies nas áreas cultivadas, com 27 registros inéditos.

    Armadilhas do tipo “pan trap azul” instaladas em uma área de vegetação natural adjacente ao campo de soja. Foto: Davi de Lacerda Ramos/Embrapa

    Para chegar a essa precisão, os pesquisadores testaram diferentes metodologias e descobriram que os tradicionais pratos-armadilha (pan traps) são muito mais eficientes que as redes entomológicas. As pan traps foram responsáveis por 95% de todas as capturas (728 indivíduos), identificando 33 espécies, enquanto a rede registrou apenas 7. Segundo o estudo, o uso exclusivo de redes subestima a riqueza biológica real das fazendas de soja.

    “A pesquisa da Embrapa consolida, com dados de campo, que o futuro da agricultura nacional depende do equilíbrio ecológico. Os insetos polinizadores são os amigos invisíveis das lavouras, mas o manejo inadequado pode colocá-los em risco. Proteger as abelhas nativas e o Cerrado que as abriga é, acima de tudo, preservar a economia e a segurança alimentar do Brasil”, conclui Carmen Pires.

  • Potosina: conheça a cervejaria mais alta do mundo

    Potosina: conheça a cervejaria mais alta do mundo

    Na cidade de Potosí, na Bolívia, uma fábrica centenária carrega um título que nenhuma outra cervejaria no mundo disputa: o de mais alta do planeta. A Cervecería Nacional Potosí (CNP) opera a 4.070 metros acima do nível do mar e produz a cerveja Potosina, símbolo local que estampa o Cerro Rico, a montanha que definiu a história colonial da América do Sul, em seu rótulo verde.

    Cerveja Potosina, produzina na cervejaria mais alta do mundo
    Foto: Luis Felipe Granado/iG

    A empresa nasceu em 1901, quando os imigrantes alemães Fernando Neumeyer e Valentín Vollmer fundaram a Vollmer y Compañía e começaram a fabricar cerveja na região. A sociedade se desfez em 1907, e Vollmer seguiu sozinho até consolidar a marca que hoje é sinônimo de Potosí. Desde 1934, a família Wille dirige o negócio, já na sua quarta geração, hoje sob o comando de Carlos Wille Bernardis.

    Como a altitude extrema muda a produção da cerveja

    Produzir cerveja a mais de 4 mil metros de altitude impõe desafios que nenhuma cervejaria ao nível do mar enfrenta. A pressão atmosférica reduzida altera o ponto de ebulição da água, que passa a ferver por volta dos 85°C em vez dos tradicionais 100°C. Uma diferença que exige ajustes finos no processo de fervura do mosto e no controle da fermentação.

    A CNP usa água de degelo e nascentes andinas para produzir a Potosina, uma lager pilsen de fermentação baixa e corpo leve. Portanto, a marca se define pela pureza da água de montanha, colhida a mais de 4 mil metros de altitude, como parte central da identidade do produto.

    Cerveja Potosina, produzina na cervejaria mais alta do mundo
    Foto: Luis Felipe Granado/iG

    O rótulo verde da Potosina não é aleatório. A cerveja usa o Cerro Rico de Potosí, a montanha de prata que sustentou o Império Espanhol durante séculos e deu à cidade o título de uma das mais ricas do mundo colonial, como símbolo de identidade e origem. Para os moradores de Potosí, a fábrica funciona como parte do patrimônio da cidade, e não apenas como uma empresa local.

    Uma marca familiar que já ultrapassa 117 anos de história

    A Cervecería Nacional Potosí soma hoje mais de 117 anos de trajetória, gera 145 empregos diretos e mais de 500 indiretos. Além disso, mantém presença em seis departamentos bolivianos. Em dezembro de 2024, a empresa recebeu a certificação Great Place to Work, com aprovação de 90% entre os próprios funcionários, um reconhecimento raro para uma companhia de médio porte no setor de bebidas.

    Cerveja Potosina, produzina na cervejaria mais alta do mundo
    Foto: Luis Felipe Granado/iG

    Além da Potosina tradicional, a cervejaria também produz a linha extra-premium “4000”, batizada em referência direta à altitude da fábrica. Além disso, nos últimos anos, a empresa ampliou sua atuação para fora da Bolívia. Ela iniciou a exportação da Potosina e da Potosina Light para os Estados Unidos, com desembarque previsto para a Flórida antes de seguir para Califórnia, Virgínia e Pensilvânia.

    Viajantes que passam por Potosí, geralmente a caminho do Salar de Uyuni, costumam experimentar a Potosina como parte do ritual de aclimatação à altitude extrema. As avaliações variam. Parte dos apreciadores descreve uma pilsen simples, de aroma com notas de pão e leve amargor. Outros destacam o fator emocional de beber “a cerveja mais alta do mundo” logo depois de descer do Cerro Rico ou às margens do Salar. O consenso, no entanto, é que a Potosina se tornou parte da experiência de visitar a cidade,  tanto quanto o próprio Cerro Rico.

    Siga o canal do Agro em Campo no WhatsApp clicando nesse link. Logo teremos novidades.

  • Anvisa proíbe venda de sal “para atletas” sem registro sanitário

    Anvisa proíbe venda de sal “para atletas” sem registro sanitário

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou nesta semana a apreensão de seis marcas de sal comercializadas pela internet: Quanqton Ocean Salts, Sal Integral Quanqton, Sal Perfeito, New Quantic, Endurance e Sal Marinho Integral. A agência atribui a fabricação dos produtos a uma empresa não identificada e proíbe, a partir de agora, sua produção, importação, distribuição, venda, divulgação e uso em todo o território nacional.

    Lojas virtuais anunciavam os itens em embalagens de 250g, 1kg e 2kg, mas nenhum deles possui registro junto à Anvisa. A ausência de regularização impede a agência de garantir a segurança e a qualidade do que estava sendo vendido ao consumidor.

    Rótulos traziam promessas não autorizadas

    A fiscalização também identificou propagandas que extrapolam o que a legislação permite para esse tipo de produto. Os fabricantes descreviam os sais como fórmulas “com concentração elevada de magnésio”, voltadas a atletas que precisam de “reposição mineral real durante e após o esforço físico intenso”.

    Outras alegações prometiam benefícios como prevenção de cãibras e fadiga muscular, reposição mineral em treinos longos e provas, “hidratação celular real” e recuperação mais rápida após exercícios intensos. Esse tipo de promessa terapêutica ou de desempenho físico exige comprovação técnica e aprovação prévia da Anvisa, o que não ocorreu nos casos analisados.

    Com a medida, comerciantes e plataformas de e-commerce devem retirar os seis produtos de circulação imediatamente. Consumidores que já compraram esses itens não devem consumi-los, já que a agência não pode assegurar sua composição nem sua segurança sanitária.

    Siga o canal do Agro em Campo no WhatsApp Seja um dos primeiros a entrar nessa com a gente.

  • Geada na aveia-preta: Embrapa ensina como reduzir perdas

    Geada na aveia-preta: Embrapa ensina como reduzir perdas

    Os danos causados por geadas na aveia-preta são frequentes na Região Sul do Brasil. E comprometem a oferta de forragem para a pecuária de carne e leite. Um estudo conduzido pela Embrapa Trigo, em Passo Fundo, identificou uma estratégia simples e econômica para reduzir esses prejuízos. Ajustar a densidade de semeadura para 200 plantas por metro quadrado (pl/m²).

    A aveia-preta é a espécie forrageira de inverno mais cultivada no mundo. Ela é amplamente utilizada no Sul brasileiro como planta de cobertura do solo ou como pastagem. Apesar de adaptar-se bem ao frio, a cultura é altamente suscetível a geadas, que podem causar desde redução de biomassa até a morte das plantas.

    Menos plantas, mais resistência

    O experimento avaliou três genótipos de aveia-preta em diferentes densidades de semeadura: 200, 300 e 400 sementes aptas por metro quadrado. Os resultados mostraram que lavouras com menor densidade apresentaram maior resistência aos danos provocados pelas geadas, especialmente na fase reprodutiva da cultura.

    Segundo o pesquisador Osmar Rodrigues, da Embrapa Trigo, a densidade de 200 pl/m² ofereceu a melhor resposta em produção de biomassa após a ocorrência de geadas. “Além de reduzir os custos de sementes na implantação, comparativamente às altas densidades (300 e 400 pl/m²), essa população melhorou a resistência das plantas aos danos provocados por geadas. E com efeitos positivos na produção de biomassa”, afirma Rodrigues.

    Por que funciona?

    De acordo com o pesquisador, a maior disponibilidade de radiação solar em populações de 200 pl/m² favorece a eficiência fotossintética, o que pode aumentar a concentração osmótica dos tecidos e o conteúdo relativo de água nas plantas. Fatores que elevam a tolerância ao congelamento.

    “Copas abertas ou baixa população de plantas armazenam mais carboidratos solúveis em água nos tecidos, como consequência da maior penetração de luz nas áreas mais profundas. Por outro lado, a menor cobertura vegetal pode levar ao maior aquecimento do solo durante o dia. E à noite, com o resfriamento do solo e do ar com a dissipação de calor na atmosfera, pode reduzir o resfriamento e os danos causados”, detalha Rodrigues.

    Prática comum pode prejudicar

    A elevada densidade de plantas é uma prática comum entre produtores de forrageiras no Sul do Brasil. No entanto, populações muito altas podem ocasionar autossombreamento, reduzindo o perfilhamento e aumentando a sensibilidade das plantas ao congelamento devido à maior retenção de umidade no solo pela baixa penetração da luz solar.

    “A adequada densidade de semeadura pode ser uma estratégia para minimizar danos nas lavouras em condições climáticas adversas”. É o que reforça a pesquisadora Jane Machado, destacando a importância do estudo para a aveia-preta, espécie mais cultivada na região Sul.

    Impacto econômico e produtivo

    Além de mitigar os efeitos negativos da geada, a adoção da densidade de 200 pl/m² representa economia no custo de implantação da forrageira. Isso porque reduz a quantidade de sementes necessárias. Ao mesmo tempo, cria um ambiente favorável para maior resistência ao frio e mantém a produtividade de biomassa acumulada.

    Para os produtores do Sul, a recomendação é especialmente relevante em um cenário de geadas intensas, que já afetaram a oferta de pastagens em estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.