Autor: Henrique Rodarte

  • MBRF bate recorde de volume no 2º trimestre e lucra R$ 69 milhões

    MBRF bate recorde de volume no 2º trimestre e lucra R$ 69 milhões

    A MBRF (MBRF3), uma das maiores empresas globais de alimentos, divulgou nesta quinta-feira (13) os resultados do segundo trimestre de 2026. A companhia registrou receita líquida de R$ 40,7 bilhões, valor 4,9% superior ao mesmo período de 2025, e reportou evolução em todos os segmentos de negócio.

    O EBITDA ajustado somou R$ 3,2 bilhões, um crescimento de 5,4% na comparação anual, com margem de 7,9%. O volume de vendas também avançou e atingiu 1,969 milhão de toneladas, recorde para um segundo trimestre na história da empresa.

    Lucro líquido resiste a cenário macroeconômico desafiador

    Mesmo diante de um cenário macroeconômico adverso, a MBRF manteve sua capacidade de gerar resultados e fechou o trimestre com lucro líquido de R$ 69 milhões. A expansão comercial, os ganhos de sinergia e a evolução operacional em diferentes mercados sustentaram esse desempenho.

    “Os números apresentados refletem a solidez do nosso modelo de negócios, a qualidade da execução das nossas equipes e os avanços na integração das operações. Continuamos a fortalecer a nossa competitividade por meio de marcas líderes, presença global, ampla distribuição e ganhos contínuos de eficiência, sempre com foco na geração sustentável de valor”, afirma Marcos Molina, chairman da MBRF.

    Miguel Gularte, CEO da companhia, reforça a confiança para os próximos meses: “O avanço consistente em nossos resultados ao longo do trimestre, com evolução operacional, comercial e na captura de sinergias, reforça nossa confiança e nos posiciona para capturar as oportunidades do segundo semestre.”

    BRF consolida plataforma multiproteína e expande distribuição no Brasil

    A operação BRF alcançou receita líquida de R$ 15,4 bilhões no trimestre. O EBITDA ajustado cresceu 3,8% e chegou a uma margem de 16,8%, com avanços tanto na comparação anual quanto frente ao trimestre anterior.

    No mercado brasileiro, o volume vendido subiu 4,6% em relação ao primeiro trimestre. A empresa atribui esse resultado à ampliação da base de clientes e à manutenção de altos níveis de serviço. A integração comercial entre as marcas permitiu levar o portfólio de bovinos a mais de 20 mil novos pontos de venda, um dos principais ganhos da plataforma multiproteína criada com a combinação de negócios.

    No exterior, a valorização em dólar das exportações brasileiras e a conquista de 34 novas habilitações abriram novos mercados e ampliaram a captura de valor pela companhia. Na Turquia, a rentabilidade avançou no trimestre, impulsionada pelo aumento do consumo na temporada de churrasco e pelo bom desempenho da linha de processados.

    Sadia Halal atinge margem recorde de 16,1%

    A Sadia Halal encerrou o trimestre com receita líquida de US$ 590 milhões, alta de 16,6% frente ao 2T25. O EBITDA ajustado saltou 104,3% e chegou a US$ 95 milhões, enquanto a margem EBITDA ajustada avançou 6,9 pontos percentuais e atingiu 16,1% — o maior patamar já registrado pela operação.

    “Com mais de 50 anos de presença no Oriente Médio, contamos com uma sólida plataforma comercial e expertise logística que têm sido fundamentais para mitigar os desafios operacionais decorrentes do contexto geopolítico, assegurando o abastecimento e contribuindo para a segurança alimentar da região”, explica Fabio Mariano, CEO da Sadia Halal e vice-presidente do Mercado Halal da MBRF.

    Operações de bovinos crescem na América do Norte e do Sul

    Na América do Norte, o volume de vendas cresceu 2%. E passou de 468 mil para 477 mil toneladas, o que ajudou a compensar a menor disponibilidade de gado na região. O maior peso médio das carcaças e a demanda firme sustentaram preços elevados e elevaram a receita líquida para US$ 3,748 bilhões. Um avanço de 14,9% frente aos US$ 3,263 bilhões do 2T25.

    Na América do Sul, a expansão da capacidade produtiva, os ganhos de produtividade e a forte demanda externa por proteína bovina impulsionaram volumes e receita. A operação alcançou receita líquida de R$ 6,389 bilhões, alta de 26,4% na comparação anual. Enquanto o EBITDA ajustado cresceu 22,1% e chegou a R$ 570 milhões.

    Integração com a BRF já gera R$ 158 milhões em sinergias

    A integração dos negócios avançou conforme o planejamento da companhia. No segundo trimestre, a MBRF capturou R$ 158 milhões em sinergias, com ganhos nas áreas comercial, de suprimentos, logística e estrutura corporativa. As despesas administrativas consolidadas da empresa caíram 13% na comparação anual.

    O programa MBRF+, que já abrange os segmentos de Beef América do Sul e BRF, reúne iniciativas de melhoria contínua, produtividade e eficiência. A iniciativa gerou R$ 328 milhões no trimestre e amplia gradualmente sua metodologia para as demais operações da companhia.

    A MBRF também registrou fluxo de caixa operacional de R$ 2,2 bilhões no trimestre, superior ao período anterior. “No 2º semestre, estamos concentrando nossos esforços em uma melhora dos indicadores de capital de giro com foco nas rubricas de estoques e fornecedores, com o objetivo de impulsionar a geração de caixa da companhia”, afirma José Ignacio Scoseria, vice-presidente de Finanças e Relações com Investidores da MBRF.

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  • Exportações do agro avançam em julho, enquanto açúcar e café recuam

    Exportações do agro avançam em julho, enquanto açúcar e café recuam

    O agronegócio brasileiro exportou US$ 16,338 bilhões em julho de 2026, alta de 5,4% em relação aos US$ 15,500 bilhões registrados no mesmo mês de 2025. As importações do setor somaram US$ 1,748 bilhão, queda de 2,8% na comparação anual.

    Com esse resultado, o agronegócio gerou um superávit de US$ 14,590 bilhões em julho. O saldo cresceu 6,5% ante os US$ 13,702 bilhões registrados um ano antes, segundo os dados divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

    Os números integram o levantamento da balança comercial do agronegócio brasileiro, elaborado pelo Mapa com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Os dados foram extraídos em agosto de 2026 e estão sujeitos a alterações.

    Complexo soja lidera exportações

    O complexo soja foi o principal destaque entre os produtos exportados pelo agronegócio em julho. As vendas externas alcançaram US$ 7,148 bilhões, avanço de 22,4% na comparação com julho de 2025.

    A soja em grãos respondeu por US$ 5,874 bilhões, alta de 17,4%. O volume embarcado aumentou 9,3%, para 13,401 milhões de toneladas, enquanto o preço médio subiu 7,4%, para US$ 438 por tonelada.

    O óleo de soja apresentou o crescimento mais expressivo dentro do complexo. As exportações aumentaram 163,1%, para US$ 383 milhões, com alta de 130,1% no volume embarcado.

    O farelo de soja também teve desempenho positivo. As vendas externas somaram US$ 891 milhões, crescimento de 28,6%, impulsionadas por aumentos de 17,6% no volume e de 9,3% no preço médio.

    Carnes mantêm ritmo positivo

    As exportações de carnes totalizaram US$ 2,905 bilhões em julho, alta de 5,2% sobre o mesmo período do ano anterior. O volume embarcado avançou 8,4%, para 922 mil toneladas.

    A carne de frango liderou o crescimento entre os principais segmentos, com exportações de US$ 972 milhões, aumento de 35,5%. O volume vendido ao exterior cresceu 31%, para 505 mil toneladas.

    As exportações de carne bovina recuaram 5,8% em valor, para US$ 1,566 bilhão. O volume caiu 16,8%, para 258 mil toneladas, mas o preço médio avançou 13,2%, para US$ 6.069 por tonelada.

    Já a carne suína registrou queda de 5,7% no valor exportado, para US$ 295 milhões. O volume, contudo, subiu 3,4%, enquanto o preço médio recuou 8,8%.

    Açúcar e café registram queda

    O complexo sucroalcooleiro apresentou um dos principais resultados negativos do mês. As exportações recuaram 27,6%, para US$ 1,127 bilhão, acompanhadas por quedas de 15,5% no volume e de 14,3% no preço médio.

    As vendas externas de açúcar somaram US$ 1,026 bilhão, redução de 30,1%. O volume embarcado caiu 16,6%, enquanto o preço médio diminuiu 16,2%.

    O café também registrou queda. As exportações atingiram US$ 937 milhões, recuo de 18,2%, com redução de 2,4% no volume e de 16,1% no preço médio.

    O café verde respondeu pela maior parte do resultado negativo: as vendas caíram 21,8%, para US$ 816 milhões.

    Celulose e produtos florestais avançam

    As exportações de produtos florestais alcançaram US$ 1,622 bilhão em julho, aumento de 16,5% na comparação anual. O preço médio também subiu 16,5%, enquanto o volume permaneceu estável em 2,763 milhões de toneladas.

    A celulose foi o principal destaque do segmento, com exportações de US$ 1,063 bilhão, alta de 30,8%. O volume cresceu 2,9% e o preço médio avançou 27,1%.

    Em sentido contrário, as vendas externas de madeira e suas obras recuaram 8%, para US$ 327 milhões. As exportações de papel ficaram praticamente estáveis, com alta de 1,3%, para US$ 225 milhões.

    Resultado acumulado no ano

    De janeiro a julho de 2026, o agronegócio brasileiro exportou US$ 103,395 bilhões, alta de 6% em relação aos US$ 97,497 bilhões registrados no mesmo período de 2025.

    As importações do setor somaram US$ 11,713 bilhões, queda de 1,4%. Com isso, o saldo acumulado da balança comercial do agronegócio chegou a US$ 91,682 bilhões, crescimento de 7,1% sobre o resultado do ano anterior.

    No acumulado de 12 meses, entre agosto de 2025 e julho de 2026, as exportações do agronegócio totalizaram US$ 175 bilhões, avanço de 6,6%. O saldo comercial do setor alcançou US$ 155,011 bilhões.

    Participação nas exportações brasileiras

    O agronegócio respondeu por 47,9% das exportações totais do Brasil em julho de 2026. No mesmo mês, o setor representou 6,5% das importações brasileiras.

    No acumulado de janeiro a julho, a participação do agronegócio nas exportações do país ficou em 47,3%. Considerando o período de 12 meses encerrado em julho, o setor respondeu por 47,4% das vendas externas brasileiras.

    Fonte: Mapa

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  • Congresso Andav debate impactos da Reforma Tributária no agronegócio

    Congresso Andav debate impactos da Reforma Tributária no agronegócio

    A Reforma Tributária pode provocar mudanças na formação de preços, na estratégia comercial e nos modelos de negócio das empresas do agronegócio. Os possíveis impactos sobre a distribuição de insumos agropecuários estiveram entre os principais temas do 15° Congresso Andav, encerrado nesta quinta-feira (13), em São Paulo.

    Realizado pela Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav), com organização da Zest Eventos, o congresso reuniu 18,5 mil profissionais e mais de 260 marcas nacionais e internacionais.

    Convênio ICMS 100/97 entra no debate

    Um dos pontos discutidos durante o evento foi o futuro do Convênio ICMS 100/97, que reduz a base de cálculo do ICMS em operações interestaduais com determinados insumos agropecuários.

    De acordo com o tributarista e CEO da ROIT, Lucas Ribeiro, o mecanismo continuará nas condições atuais até 2027. A regra ainda poderá ser prorrogada até 2032, mas começará a perder força a partir de 2029.

    Nesse período, o percentual de desoneração deverá cair 10% ao ano, até o encerramento do benefício em 2033.

    A mudança faz parte do processo de transição para o novo sistema de tributação sobre bens e serviços no Brasil. Para as empresas do agronegócio, a alteração pode afetar custos, margens, preços de venda e decisões comerciais.

    Transição deve exigir revisão de preços

    Especialistas que participaram do Congresso Andav afirmaram que a reforma poderá simplificar o ambiente fiscal no longo prazo, mas também tende a aumentar a complexidade durante o período de transição.

    A advogada da Agro Hara, Jaqueline Hara, destacou que os efeitos da mudança devem alcançar toda a cadeia produtiva.

    “A mudança vai simplificar o ambiente fiscal, mas, no início, haverá muita complexidade.”

    Para o diretor-executivo da Cultura Agromais, César de Oliveira, as empresas precisarão revisar de forma ampla os próprios modelos de negócio.

    Já o sócio-diretor da Semear Agronegócios, Marcos Pacheco, avaliou que a Reforma Tributária terá influência direta sobre o preço de venda dos produtos do agronegócio.

    Liderança também foi tema

    Além das discussões tributárias, o Congresso Andav 2026 abordou gestão de pessoas e liderança. Izabela Mioto, professora associada da Fundação Dom Cabral (FDC), apresentou o conceito de liderança transformativa.

    O modelo parte do autoconhecimento e da capacidade de tomar decisões conscientes. O objetivo é construir equipes mais colaborativas, emocionalmente seguras e preparadas para manter resultados no longo prazo.

    Segundo Mioto, o líder moderno precisa atuar como facilitador de fluxos em um ambiente cada vez mais acelerado e complexo. Para isso, deve mobilizar, engajar e criar condições para que a equipe trabalhe de forma integrada.

    Prêmio Andav destaca comunicação

    A presidente da Associação De Olho no Material Escolar, Leticia Jacintho, recebeu o Prêmio Andav de Reconhecimento na categoria Comunicação e Educação.

    Como a homenageada não estava presente, Henrique Lago, vice-presidente da associação, recebeu o prêmio em seu nome. A entrega foi realizada por Roberta Alves, gerente de atendimento e educação corporativa da Andav, e Antônio Luiz Neto Neto, gerente de educação e regulatório da entidade.

    Congresso reuniu profissionais do agro

    O evento contou com a participação de distribuidores, agrônomos, consultores, representantes técnicos de vendas, pesquisadores e especialistas de diferentes áreas ligadas ao agronegócio.

    A programação do Congresso Andav 2026 combinou debates sobre tributação, gestão, distribuição de insumos, estratégias comerciais e desafios para a cadeia produtiva.

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  • Especiarias amazônicas conquistam mercados na Europa, Ásia e Oriente Médio

    Especiarias amazônicas conquistam mercados na Europa, Ásia e Oriente Médio

    Mais de 50 empresas brasileiras participam nesta semana da edição Amazônia do Exporta Mais Brasil, no Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA), em Manaus.

    A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) é quem promove a iniciativa, que reúne 13 compradores internacionais de 11 países interessados em ampliar seus fornecedores.

    Compradores da Argentina, China, Colômbia, Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos, Israel, Itália, Líbano, Países Baixos, República Tcheca e Rússia buscam produtos como açaí, café, castanha-do-brasil, frutas processadas, pescado amazônico e outras proteínas animais.

    Trabalho de inteligência comercial aproxima Brasil e Europa

    Vincent Furlan, especialista do escritório da ApexBrasil em Bruxelas, atribui essa aproximação ao trabalho de inteligência comercial que a Agência desenvolve no Brasil e no exterior.

    “Primeiro, precisamos identificar fornecedores amazônicos capazes de atender às exigências dos compradores europeus. A ApexBrasil conhece as empresas brasileiras. E ao mesmo tempo, nossa equipe em Bruxelas conhece as demandas do mercado europeu e mantém relacionamento com esses compradores”, afirma Furlan.

    Segundo ele, esse trabalho permitiu trazer empresas da República Tcheca, dos Países Baixos e da Itália interessadas em superfoods amazônicos, produtos que ganham valorização crescente na Europa por seus atributos nutricionais e de saúde.

    Furlan destaca ainda que, além da qualidade dos produtos, fatores como rastreabilidade, certificações e sustentabilidade decidem a conquista de espaço no mercado europeu.

    “O comprador europeu quer conhecer a história do produto, saber como ele foi produzido e quais benefícios oferece. Certificações e sustentabilidade são aspectos fundamentais para quem deseja acessar esse mercado.”

    Foto: ApexBrasil

    Rodada facilita contato direto entre empresas e compradores

    Para as empresas brasileiras, o Exporta Mais Brasil reúne, em um único ambiente, compradores efetivamente interessados em determinados produtos e mercados. Esse formato reduz custos de prospecção e acelera a abertura de novos negócios.

    A Polpa Norte, empresa especializada na produção de açaí, sorvetes e polpas de frutas amazônicas, exporta atualmente para cerca de 20 países e participa das ações da ApexBrasil há mais de duas décadas. Renato Geller, diretor de exportação da empresa, explica que a rodada facilita o contato direto com compradores qualificados.

    “A grande dificuldade é identificar o comprador que realmente tem interesse no seu produto. A vinda desses compradores para a região é muito interessante porque concentra empresas que já atuam no segmento e permite realizar reuniões com representantes de diversos mercados em um único lugar”, diz Geller.

    Conhecer a origem dos produtos faz diferença

    Para os compradores, visitar as empresas e acompanhar de perto os processos produtivos representa um diferencial importante na construção de novos negócios.

    Lourdes Vignolo, diretora da empresa holandesa NH Superfoods, destaca que as visitas permitem verificar aspectos fundamentais para atender às exigências do mercado europeu.

    “É muito importante que a ApexBrasil organize esses encontros porque essa é a melhor maneira de conhecer os produtores e as instalações. Assim conseguimos entender como os alimentos são produzidos. Além de verificar os processos, o controle de qualidade e os padrões de segurança alimentar que buscamos na Europa”, afirma.

    Segundo Lourdes, o contato direto com as empresas brasileiras também fortalece a construção de relações comerciais de longo prazo e amplia a confiança entre compradores e fornecedores. Especialmente em um mercado que valoriza cada vez mais a origem, a rastreabilidade e a sustentabilidade dos produtos.

    Plano de R$ 210 milhões busca diversificar mercados após tarifas dos EUA

    A edição Amazônia do Exporta Mais Brasil acontece um dia após o lançamento do Plano de Diversificação de Exportações, que a ApexBrasil apresentou em São Paulo. A iniciativa prevê R$ 210 milhões em investimentos para apoiar até 5.300 empresas brasileiras impactadas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos, por meio de ações voltadas à abertura de novos mercados.

    A estratégia contempla 36 mercados prioritários e combina rodadas de negócios, participação em feiras internacionais, consultorias especializadas, bolsas de exportação e atendimento individualizado para ampliar a presença das empresas brasileiras no comércio internacional.

    A trajetória da Castanhas Ouro Verde, participante desta edição do Exporta Mais Brasil, ilustra como a diversificação de mercados pode fortalecer a competitividade das empresas brasileiras diante das mudanças no comércio internacional. Lucas Santana, representante da empresa, conta que os Estados Unidos chegaram a ser o principal destino das exportações da empresa. Mas as tarifas impostas pelo governo norte-americano aceleraram a busca por novos mercados.

    “Os Estados Unidos já foram nosso maior mercado e as tarifas tiveram um impacto muito grande para a empresa. Ficamos quatro meses sem vendas, mas isso também nos levou a buscar novos clientes. Hoje crescemos muito na União Europeia, no Oriente Médio e em outros mercados. A ApexBrasil sempre foi nosso braço direito na área comercial. Um dos eventos que mais impulsionou nossa expansão foi justamente uma edição do Exporta Mais Brasil promovida pela Apex”, relata Santana.

    Manaus recebe o Conexões Produtivas na sexta-feira

    A programação da ApexBrasil em Manaus segue na sexta-feira (14) com o Conexões Produtivas: Oportunidades para a Indústria no Acordo Mercosul-União Europeia — Edição Manaus.

    O encontro será promovido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a ApexBrasil e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), e reunirá representantes para discutir as oportunidades abertas pelo acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.

    Entre os destaques estão painéis sobre inteligência de mercado, demandas do mercado europeu, oportunidades para empresas da Amazônia e estratégias para ampliar a inserção de produtos brasileiros no comércio internacional.

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  • Mercado da tilápia aposta em recuperação de preços na segunda metade de 2026

    Mercado da tilápia aposta em recuperação de preços na segunda metade de 2026

    O mercado brasileiro de tilápia iniciou o ano em alta, impulsionado pelo aumento da demanda durante a Quaresma e a Semana Santa, mas perdeu força ao longo do segundo trimestre.

    A desaceleração sazonal do consumo, somada à chegada do inverno e ao avanço das importações de pescado do Vietnã, ampliou a pressão sobre os preços pagos aos produtores e comprometeu a rentabilidade de parte da cadeia produtiva.

    A partir do fim do primeiro semestre, no entanto, as compras externas começaram a perder ritmo. Dados da Embrapa Pesca e Aquicultura mostram que as importações de tilápia do Vietnã atingiram o pico de 1.956 toneladas em março. E recuaram nos meses seguintes, até chegarem a 1.342 toneladas em junho e 957 toneladas em julho. Ou seja, uma queda de aproximadamente 29% em relação ao mês anterior.

    Sazonalidade e importações pressionaram os preços

    O presidente da PEIXE BR, Francisco Medeiros, atribui o comportamento dos preços no primeiro semestre à sazonalidade tradicional do mercado, que combina valorização no início do ano com acomodação nos meses seguintes.

    “O primeiro trimestre foi bastante positivo para os produtores. No entanto, a chegada do inverno reduziu a demanda e coincidiu com um aumento expressivo das importações no início do ano, contribuindo para pressionar os preços pagos ao produtor.”

    São Paulo, principal mercado consumidor do país, sentiu o efeito com mais intensidade. Segundo Medeiros, o volume de tilápia importada correspondeu a cerca de 30% da produção paulista estimada nos cinco primeiros meses do ano, o que ampliou a concorrência com o produto nacional.

    “As importações afetam diretamente a formação dos preços e pressionam a saúde financeira das empresas da cadeia produtiva. É uma concorrência que ocorre justamente em um momento de menor consumo. Tornando o cenário ainda mais desafiador para os produtores brasileiros”, analisa o executivo.

    Desaceleração das importações melhora perspectivas para o segundo semestre

    A redução das compras externas nos últimos meses abre espaço para uma perspectiva mais positiva na segunda metade do ano. São Paulo e Santa Catarina concentram cerca de 83% das importações acumuladas em 2026, com 4.068 toneladas e 3.433 toneladas, respectivamente. Em julho, porém, Santa Catarina assumiu a liderança nas compras mensais, com 419 toneladas, enquanto São Paulo importou 364 toneladas.

    A PEIXE BR projeta recuperação gradual dos preços pagos ao produtor no segundo semestre, sustentada pela retomada sazonal do consumo e pelas medidas adotadas por estados como Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco, que passaram a impor restrições ou exigências à comercialização da tilápia importada do Vietnã.

    “A tendência é de manutenção e até de recuperação dos preços ao produtor no segundo semestre. As iniciativas adotadas pelos estados ajudam a reduzir a pressão das importações sobre o mercado interno. E podem contribuir para restabelecer um ambiente mais equilibrado para a produção nacional”, conclui Medeiros.

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  • Fruta nativa ganha espaço nas feiras e chama atenção pela ação anti-inflamatória

    Fruta nativa ganha espaço nas feiras e chama atenção pela ação anti-inflamatória

    A atemoia tem despertado cada vez mais interesse entre fruticultores e consumidores brasileiros. Resultado do cruzamento entre a fruta-do-conde (ou pinha) e a cherimoia, a espécie combina a doçura tropical de uma com a textura cremosa da outra e surpreende pelo sabor.

    Foto: Marta Costa/Agência Agro em Campo

    Benefícios da atemoia

    Rica em vitamina C, potássio e fibras, a atemoia contribui para o fortalecimento do sistema imunológico e auxilia no bom funcionamento do intestino.

    Além disso, a polpa da fruta contém antioxidantes naturais. Para completar a bonança, a atemoia apresenta baixo teor calórico em comparação a outras frutas tropicais, tornando-se a opção perfeita para dietas equilibradas.

    Produção rentável

    O cultivo da atemoia exige atenção redobrada logo nas primeiras etapas. As mudas costumam ser enxertadas, técnica que une o porta-enxerto (mais resistente e adaptado ao solo) à variedade copa (responsável pela produção dos frutos).

    Esse processo garante maior uniformidade genética e produtividade, mas também exige cuidados específicos no momento do plantio, como profundidade correta, adubação adequada e proteção contra pragas nos primeiros meses.

    O Brasil figura entre os principais produtores mundiais da fruta, com destaque para estados como São Paulo, Bahia e Pernambuco.

    No entanto, apesar do sucesso recente, a atemoia não é uma novidade: pesquisadores desenvolveram os primeiros híbridos ainda no início do século XX, na Flórida (EUA). No Brasil, a fruta ganhou força a partir dos anos 1990, impulsionada por programas de melhoramento genético conduzidos por institutos de pesquisa, como a CATI.

    CATI leva orientação sobre atemoia ao 20º Encontro de Fruticultura em Atibaia

    Nesta sexta-feira (14), Atibaia (SP) recebe o 20º Encontro de Fruticultura, promovido pela Associação Hortifrutiflores de Jarinu.

    O evento reúne produtores, técnicos e demais profissionais do agronegócio em uma programação voltada à troca de experiências, à apresentação de novas tecnologias e à atualização sobre o setor frutícola. Às 7h30, no Sítio Nossa Senhora de Fátima, propriedade do fruticultor Antonio Scareli, os participantes visitam pomares de pêssego e pitaya.

    Programação percorre diferentes cultivos

    Na sequência, nas propriedades dos irmãos Watanabe e Gallo, o público conhece plantios de outras culturas, como atemoia, maçã, morango e as uvas Niagara e Vitória. Durante as visitas, especialistas conduzem apresentações técnicas sobre manejo de pomares e práticas aplicadas à produção.

    O engenheiro agrônomo da CATI Sementes e Mudas, Anderson Tatsuo Watanabe é quem ministra a palestra sobre atemoia durante o encontro.

    “Em nossa exposição, vamos orientar os produtores no manejo pós-recebimento das mudas enxertadas de atemoia da CATI. O foco será a correta implantação no campo, respeitando as exigências do porta-enxerto e o protocolo de plantio. O encontro garantirá o sucesso inicial do pomar, transformando o excelente padrão genético das mudas em alta rentabilidade futura.”

    Avaliação de mudas de atemoia será tema de palestra de técnico da CATI no evento (Foto: Divulgação)

    O pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e produtor de uva João Dimas Maia Garcia apresenta as espécies Niagara e Vitória durante o evento. Já o consultor da Holantec Lourenço Nyssen aborda as demais frutas expostas no Dia de Campo.

    O presidente da Associação Hortifrutiflores de Jarinu, Cassiano Contesini, projeta a presença de aproximadamente 250 pessoas no encontro.

    Os interessados podem se inscrever pelo WhatsApp (11) 99795-0832 ou pelo e-mail [email protected].

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  • Programa de inovação aberta conecta startups a gigantes do agronegócio

    Programa de inovação aberta conecta startups a gigantes do agronegócio

    Startups de base científica e tecnológica já podem se candidatar à quarta edição do AptaHub Conecta, programa nacional de inovação aberta que conecta soluções tecnológicas a desafios propostos por grandes empresas do agronegócio. Nesta edição, Nestlé, Carrefour e Ourofino apresentam demandas estratégicas voltadas ao desenvolvimento de novas tecnologias para o setor agroalimentar.

    As inscrições permanecem abertas até 31 de agosto e contemplam startups em estágio de validação, operação ou tração, desde que possuam um Produto Mínimo Viável (MVP) desenvolvido ou em fase final de desenvolvimento.

    Programa já viabilizou seis provas de conceito

    Desde sua criação, o AptaHub Conecta capacitou 95 startups, empresas e pesquisadores, promoveu 27 conexões de negócios e viabilizou seis provas de conceito (POCs) e contratos entre os participantes.

    Empreendedores que já passaram pelo programa destacam o impacto direto no amadurecimento da tecnologia e do modelo de negócio. Um dos participantes afirma que o AptaHub Conecta representou o primeiro programa específico do setor agro do qual fez parte, e que as mentorias e a aproximação com grandes empresas impulsionaram significativamente a evolução do seu negócio.

    Nestlé quer monitoramento de safra mais preciso

    A Nestlé busca tecnologias que tornem o monitoramento da safra de café mais contínuo, preciso e orientado por dados. A empresa pretende integrar diferentes fontes de informação para apoiar a tomada de decisão, aumentar a confiabilidade das análises e reduzir a subjetividade das avaliações realizadas em campo.

    Entre as soluções esperadas estão ferramentas de digitalização da coleta de dados, monitoramento frequente das lavouras, geração de relatórios automatizados e tecnologias que ampliem a rastreabilidade das informações.

    Carrefour busca automação na inspeção de rótulos

    O Carrefour propõe um desafio voltado à verificação inteligente de rótulos e à inspeção de produtos. A rede procura soluções que automatizem a validação da conformidade das informações presentes nas embalagens, tornando o processo mais rápido, padronizado e confiável.

    A empresa espera reduzir erros operacionais, otimizar o tempo das análises e apoiar a tomada de decisão das equipes responsáveis pela inspeção.

    Ourofino aposta em alternativas à ractopamina na suinocultura

    A Ourofino busca soluções inovadoras para aumentar a eficiência produtiva na suinocultura sem o uso de ractopamina. As tecnologias devem substituir total ou parcialmente os efeitos da substância e manter o desempenho dos animais sem comprometer a segurança alimentar, o bem-estar animal e a competitividade da produção.

    Interessam ao desafio soluções aplicadas à nutrição animal, biotecnologia, ingredientes funcionais, aditivos naturais, modulação metabólica e outras abordagens. Desde que contribuam para uma produção suína mais eficiente e alinhada às novas demandas do mercado.

    Como funciona a jornada do programa

    Após a inscrição, as startups passam por uma etapa de diagnóstico que avalia o nível de aderência aos desafios propostos. As selecionadas seguem para uma trilha de preparação, que inclui mentorias para apresentação das soluções. E culmina em rodadas de negócios e reuniões individuais durante o Conecta Open. Este evento reúne startups e representantes das empresas parceiras.

    Depois do evento, a equipe do AptaHub acompanha o desenvolvimento das conexões estabelecidas. E também apoia a evolução das negociações, das provas de conceito e de possíveis parcerias.

    As inscrições podem ser feitas até 31 de agosto pelo site do programa: inovacao.agricultura.sp.gov.br/aptahub/conecta.

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  • Noruega ou Portugal? Brasileiros elegem o melhor bacalhau

    Noruega ou Portugal? Brasileiros elegem o melhor bacalhau

    A Noruega assumiu o primeiro lugar na percepção dos brasileiros sobre a origem do melhor bacalhau. Um levantamento do Observatório Receiteria, feito com mil participantes, aponta que 47% dos entrevistados associam o país nórdico à melhor qualidade do produto. Portugal ocupa a segunda posição, com 31% das respostas.

    Apesar de reconhecerem a Noruega como referência de qualidade, os brasileiros ainda ignoram a procedência do bacalhau que levam para casa. A pesquisa mostra que 76% dos entrevistados não sabem de qual país vem o produto que costumam comprar. Apenas 24% afirmam conhecer essa origem.

    Felipe Paiva Lazarini, sócio do Receiteria, explica esse descompasso entre percepção e comportamento de compra. Segundo ele, 77% dos entrevistados já conhecem ou ouviram falar da marca de origem “Bacalhau da Noruega”, mas fatores como disponibilidade, hábito e preço ainda pesam mais na hora da decisão final.

    Datas comemorativas ainda concentram o consumo

    O bacalhau segue como um alimento associado a ocasiões especiais. A pesquisa revela que 47% dos entrevistados consomem o produto apenas em datas como Páscoa e Natal, enquanto 30% comem bacalhau raramente, ou seja, menos de três vezes por ano. Apenas 6% incluem o alimento no cardápio semanal.

    Entre os locais de compra, o supermercado concentra a preferência de 58% dos participantes. Mercados municipais e feiras aparecem em seguida, citados por 15% dos entrevistados, enquanto as peixarias respondem por 14% das respostas. As compras pela internet ainda representam uma fatia pequena do mercado, com apenas 2%.

    Aliás, na hora de preparar o peixe, os brasileiros priorizam a receita clássica: 42% dos entrevistados escolhem o bacalhau ao forno com batatas como preparo favorito. O bolinho de bacalhau vem a seguir, com 18% das menções, seguido pelo bacalhau desfiado em saladas (10%) e por preparações gratinadas (8%).

    Sabor e cheiro afastam quem não consome o alimento

    A pesquisa também investigou por que parte dos brasileiros evita o bacalhau. Entre os que não gostam do produto, 56% apontam o sabor ou o cheiro como principal razão. Outros 13% dizem que simplesmente não consomem peixe de forma geral, e apenas 10% citam o preço como fator decisivo.

    O Observatório Receiteria conduziu o levantamento em maio de 2026, com mil respondentes únicos. A coleta ocorreu por meio de um questionário integrado ao portal Receiteria, seguindo os critérios estabelecidos pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

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  • Cientistas descobrem “impressão digital” da tainha brasileira

    Cientistas descobrem “impressão digital” da tainha brasileira

    Uma pesquisa inédita conduzida por cientistas da Embrapa identificou uma espécie de “impressão digital química” da tainha brasileira (Mugil liza), capaz de apontar a origem geográfica do peixe a partir de pequenas moléculas presentes em seu músculo.

    A descoberta representa um avanço para a rastreabilidade, a autenticidade e a valorização de produtos pesqueiros no país.

    Aparelho de RMN (Foto: Pedro Coppi/Embrapa)

    Técnica funciona como um raio-X 

    Para conseguir esses resultados, a equipe utilizou a espectroscopia por Ressonância Magnética Nuclear de Hidrogênio (RMN de ¹H), que mapeia a posição dos átomos de hidrogênio nas moléculas, em conjunto com a metabolômica, ciência que estuda os metabólitos, pequenas moléculas produzidas pelo organismo durante as reações químicas cotidianas.

    Essa combinação permitiu aos pesquisadores diferenciar tainhas capturadas em três localidades brasileiras e detectar variações na composição do músculo ligadas ao ambiente, à salinidade, ao comportamento fisiológico e à alimentação dos peixes.

    Para Fabíola Fogaça, pesquisadora, o estudo representa um avanço para a ciência de alimentos e para a cadeia produtiva do pescado no país.

    “O grande diferencial desse estudo é demonstrar que é possível identificar a origem geográfica da tainha por meio de um perfil metabólico altamente específico, que atua como uma assinatura química do pescado. É uma ferramenta inovadora para autenticação, rastreabilidade e agregação de valor”, afirma.

    Rigor científico sustenta resultados

    Os cientistas envolvidos no trabalho coletaram amostras em diferentes estações do ano na Lagoa de Araruama (RJ), na Baía de Sepetiba (RJ) e no litoral de Santa Catarina.

    Além disso, um equipamento de Ressonância Magnética Nuclear de alta resolução mapeou a estrutura molecular das substâncias presentes no músculo do peixe com precisão elevada.

    Pesquisador Luiz Alberto Colnago durante experimentos (Foto: Pedro Coppi/Embrapa)

    Colnago, especialista em ressonância magnética nuclear na Embrapa Instrumentação, explica que a técnica identificou compostos químicos relacionados à alimentação, ao metabolismo e às condições ambientais às quais cada peixe esteve exposto ao longo da vida.

    “Diferentemente de métodos convencionais, que muitas vezes não fornecem informações detalhadas sobre as alterações bioquímicas do pescado, a RMN oferece uma análise rápida, abrangente e não destrutiva da amostra. O resultado é um perfil metabólico detalhado que funciona como um ‘código de barras químico’, capaz de diferenciar peixes de regiões distintas.”

    A equipe identificou 23 compostos químicos naturais no músculo das tainhas, entre eles lactato, creatina, taurina e aminoácidos relevantes para o metabolismo. Esses marcadores revelam informações sobre gasto de energia, atividade muscular, alimentação e adaptação ao ambiente.

    O tamanho do peixe e a sazonalidade tiveram pouca influência sobre o perfil metabólico geral, o que reforça a confiabilidade dos metabólitos como indicadores de origem.

    Lagoa de Araruama imprime assinatura química única

    As condições extremas da Lagoa de Araruama, a maior lagoa hipersalina permanente do mundo, com salinidade média de 52%, influenciam diretamente o metabolismo das tainhas.

    Essa cenário ambiental provoca adaptações fisiológicas específicas, refletidas no perfil químico detectado pela ressonância.

    Portanto, o estudo mostra que a hipersalinidade altera os mecanismos de osmorregulação, o metabolismo energético e o uso de aminoácidos pelos peixes.

    Lagoa de Araruana (Foto: Delano Campello/Wikimedia Commons)

    “O ambiente deixa marcas bioquímicas detectáveis nos peixes. A Lagoa de Araruama produz uma assinatura metabólica muito característica, associada à salinidade extrema e às adaptações fisiológicas da espécie”, destaca Fogaça.

    Descoberta pode combater fraudes

    Além do avanço científico, a pesquisa tem aplicação prática direta para o setor pesqueiro e para políticas de certificação de origem. Segundo os autores, a tecnologia pode ajudar a combater fraudes comerciais, a substituição de espécies e a falsificação de procedência no mercado de pescados.

    O estudo também vai servir de base técnica para o pedido de Indicação Geográfica (IG), na modalidade Denominação de Origem, da tainha da Lagoa de Araruama junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

    Colnago, que atua há mais de 30 anos com ressonância magnética nuclear, avalia que o uso da técnica na rastreabilidade de peixes pode impactar diretamente o combate à adulteração geográfica e à comercialização irregular de espécies.

    “A identificação precisa da procedência ajuda a proteger consumidores, fortalecer sistemas de fiscalização e valorizar produtos regionais”, enfatiza o pesquisador.

    O estudo também incorporou ferramentas de inteligência artificial na análise e na organização dos resultados.

    “A integração entre metabolômica, ressonância magnética e inteligência artificial demonstra como diferentes áreas da ciência podem atuar de forma complementar na produção de conhecimento aplicado à segurança alimentar”, acrescenta Colnago.

    Como a Ressonância Magnética Nuclear analisa o perfil químico dos alimentos

    A RMN é conhecida como técnica de diagnóstico médico por imagem. No entanto, o que pouca gente sabe é que cientistas já a utilizavam desde a década de 1950 para determinar a estrutura de moléculas naturais e sintéticas, incluindo biomoléculas.

    Na Embrapa Instrumentação, pesquisas com RMN de baixo campo para análises de produtos agroindustriais motivaram a criação do aparelho SpecFit, desenvolvido em parceria com a startup Fine Instrument Technology (FIT), usado para medir o teor de óleo em frutos de dendezeiros.

    O estudo com as tainhas empregou um aparelho de RMN de alto campo, método analítico que usa ímãs potentes para gerar espectros detalhados de moléculas. Segundo Colnago, a técnica permite investigações estruturais complexas, autenticação geográfica e estudos de metabolômica, com princípio de funcionamento similar ao dos equipamentos médicos e laboratoriais.

    Em vez de gerar imagens, a técnica produz sinais eletrônicos interpretados a partir da composição química da amostra, como açúcares, aminoácidos, gorduras e ácidos orgânicos.

    O que é a metabolômica

    A metabolômica analisa pequenas moléculas produzidas pelo metabolismo dos organismos, os metabólitos. Aplicada ao sangue, por exemplo, ela indica em uma única análise a quantidade de compostos como glicose, creatinina e ácido úrico.

    Enquanto métodos convencionais dependem de um exame diferente para cada metabólito. Esses compostos funcionam como indicadores bioquímicos do estado fisiológico, da alimentação e das condições ambientais às quais um organismo foi exposto.

    No caso das tainhas, a metabolômica permitiu identificar compostos capazes de diferenciar peixes de regiões geográficas distintas, criando uma verdadeira “assinatura química” do pescado brasileiro.

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  • Câmara debate moratória da piracatinga sobre a pesca na Amazônia

    Câmara debate moratória da piracatinga sobre a pesca na Amazônia

    A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados promove nesta quarta-feira (12) uma audiência pública para discutir os impactos da moratória que proíbe a pesca e a comercialização da piracatinga na Região Amazônica. O debate começa às 16h, no plenário 6, e atende a um pedido do deputado Raimundo Costa (PSD-BA).

    Raimundo Costa argumenta que a moratória, mantida há onze anos, provoca impactos econômicos e sociais sobre milhares de pescadores artesanais e suas famílias na Amazônia. Para o parlamentar, a extensão sucessiva de uma medida criada como temporária exige um debate público amplo, apoiado em evidências técnicas e na escuta de quem sente os efeitos da proibição diretamente.

    “A manutenção indefinida de uma medida concebida como temporária exige amplo debate público, fundamentado em evidências técnicas e na escuta daqueles que vivenciam diretamente seus efeitos”, afirma o deputado.

    A comissão também quer avaliar os efeitos da moratória sobre a pesca artesanal, a economia regional e a segurança alimentar das populações amazônicas.

    Por que a pesca da piracatinga foi proibida

    A piracatinga (Calophysus macropterus) é um bagre de médio porte, também conhecido como pintadinha, douradinha, piranambu ou urubu-d’água. O apelido vem de seu hábito necrófago: a espécie não é apreciada pelas comunidades ribeirinhas justamente por se alimentar de restos de animais mortos.

    Esse hábito alimentar acabou colocando a espécie no centro de uma polêmica ambiental. Desde o fim dos anos 1990, pescadores passaram a usar carne de golfinhos-de-rio e de jacarés como isca para atrair o peixe, o que gerou um grave crime ambiental contra a fauna da região amazônica. A prática ganhou força quando a sobrepesca de outros bagres na Colômbia abriu uma grande demanda de mercado para a exportação da piracatinga brasileira.

    Foto: Matthews Best / Flickr

    Diante das denúncias, o Ministério Público Federal recomendou a investigação da matança de botos e jacarés usados como isca, o que levou à edição de uma instrução normativa interministerial que instituiu, em 2015, a moratória da pesca e da comercialização da espécie em todo o território nacional. Desde então, a proibição já foi renovada quatro vezes.

    riscos para botos e jacarés

    O impacto da pesca sobre os botos foi um dos principais argumentos para a criação da moratória. Estimativas do governo colombiano, divulgadas quando o país também proibiu a comercialização do peixe, indicam que até sete mil botos-cor-de-rosa morriam anualmente para servir de isca, número muito acima da taxa natural de mortalidade da espécie, estimada em 16 animais por ano.

    A recuperação populacional dos botos é lenta por causa do próprio ciclo reprodutivo do animal. Uma fêmea leva até sete anos para atingir a maturidade sexual. Enquanto os machos demoram dez anos, e o intervalo entre nascimentos gira em torno de quatro a cinco anos. Por isso, especialistas alertam que o boto-cor-de-rosa pode ser extinto em poucas décadas caso a pesca da piracatinga seja liberada sem controle. A proteção também alcança jacarés como o jacaré-açu e o jacaretinga, igualmente usados como isca.

    Além da ameaça a botos e jacarés, a própria piracatinga apresenta um risco à saúde humana. Por se alimentar de carcaças e restos orgânicos no fundo dos rios, o peixe acumula altas concentrações de mercúrio e outros metais tóxicos, motivo pelo qual seu consumo não é recomendado. Análises da Universidade de los Andes, na Colômbia, confirmaram os altos índices de mercúrio na espécie, apontando uma ameaça à saúde pública.

    Um peixe sem mercado interno, mas com demanda externa

    Um dos aspectos que tornam o debate mais complexo é que a piracatinga tem pouco valor comercial dentro do Brasil. A pressão pela pesca vem principalmente de fora: a demanda é proveniente sobretudo da Colômbia, onde, apesar de o consumo ser proibido, ele continua acontecendo. Mesmo com a proibição em vigor nos dois países, toneladas do bagre seguem sendo exportadas anualmente.

    A regulamentação brasileira atual, baseada na Instrução Normativa Ibama nº 16/2015, veta pesca, retenção, desembarque, armazenamento, transporte, beneficiamento e comercialização da espécie, com multas que vão de R$ 700 a R$ 100 mil, além de apreensão de equipamentos e embarcações em caso de descumprimento.

    O impasse que a Câmara discute agora

    O governo federal já sinalizou que pretende manter a cautela. Ao prorrogar a moratória pela última vez, o Ministério da Agricultura e o Ministério do Meio Ambiente informaram que a proibição segue vigente até que existam dados científicos suficientes para autorizar uma pesca sustentável, aplicando o princípio da precaução quando as informações são insuficientes.

    Portanto, é justamente esse equilíbrio entre a proteção de botos, jacarés e da saúde pública de um lado, e a subsistência de comunidades pesqueiras amazônicas do outro que a audiência pública desta quarta-feira busca discutir, ouvindo pescadores, especialistas e representantes do setor.

    Com dados de Agência Câmara de Notícias

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