Autor: Henrique Rodarte

  • Brasil quer produzir 30% mais fertilizantes até 2030

    Brasil quer produzir 30% mais fertilizantes até 2030

    A meta do governo federal de reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados de cerca de 85% para menos de 70% até 2030, prevista no Plano Nacional de Fertilizantes (PNF), deve acelerar investimentos não apenas na ampliação da capacidade produtiva, mas também em tecnologias capazes de tornar a indústria nacional mais eficiente, competitiva e sustentável.

    O PNF, instituído pelo Decreto nº 10.991/2022 e revisado pelo Conselho Nacional de Fertilizantes e Nutrição de Plantas (Confert), reúne cinco diretrizes, 27 metas e 168 ações de curto, médio e longo prazos. O plano busca reativar, concluir ou ampliar fábricas estratégicas de fertilizantes no país, com foco especial nos nitrogenados e fosfatados, nutrientes que, junto ao potássio, formam a base da maior parte dos insumos usados na agricultura brasileira.

    Nessa frente, a Petrobras já retomou as fábricas de nitrogenados de Araucária (PR) e Três Lagoas (MS) e amplia encomendas às unidades da Unigel em Sergipe e na Bahia, enquanto o setor privado investe em projetos como o complexo de fosfatados da Serra do Salitre (MG).

    Projeto de lei

    O movimento ganhou reforço concreto neste mês. O Senado aprovou, em 11 de agosto de 2026, o projeto que prevê até R$ 10 bilhões em subsídios, ao longo de cinco anos, para estimular a produção nacional de fertilizantes.

    A medida cria o Profert, com até R$ 2 bilhões anuais em créditos fiscais para novas fábricas e modernização das existentes. O programa também estabelece uma mistura mínima de fertilizantes nacionais, que começa em 2% e chegará a 10% em 2037.

    A iniciativa busca reduzir a dependência brasileira das importações. Atualmente, o país importa 97,8% do potássio, 89% do nitrogênio e 66,4% do fósforo consumidos. Desde 2003, a produção nacional caiu 50,9%.

    Tecnologia se torna peça-chave para a competitividade do setor

    Para especialistas, porém, aumentar a capacidade instalada representa apenas parte da solução. A competitividade da produção nacional dependerá cada vez mais da incorporação de tecnologias voltadas ao controle de qualidade laboratorial e de processos.

    “O desafio não é apenas produzir mais fertilizantes, mas produzir com qualidade, eficiência e custos competitivos. A tecnologia será um fator decisivo para que a indústria brasileira consiga competir com grandes produtores internacionais”, afirma Rafael Soares, diretor da Pensalab.

    Equipamentos de instrumentação analítica permitem acompanhar em tempo real os parâmetros críticos da produção, o que garante maior controle da composição dos fertilizantes e reduz perdas com reprocessamento, variabilidade de matérias-primas e over-spec nutricional ao longo do processo industrial.

    “Com monitoramento contínuo, a indústria consegue assegurar que o produto atenda aos padrões exigidos pelos órgãos reguladores, além de otimizar o uso de matérias-primas e reduzir desperdícios. Isso melhora a produtividade e aumenta a competitividade das plantas nacionais”, explica Soares.

    Automação industrial ganha força nas plantas nacionais

    A automação industrial também avança como aposta estratégica do setor.

    Sistemas automatizados de controle de qualidade elevam a eficiência das linhas de produção ao monitorar 100% da produção em tempo real, o que permite liberar lotes rapidamente sem aumento proporcional dos custos, além de reduzir os resíduos químicos e o consumo energético das plantas.

    Para o especialista em ESG Roberto Gonzalez, a inovação tecnológica também vai impulsionar a expansão dos chamados fertilizantes de menor impacto ambiental.

    “Além de contribuir para processos mais eficientes, novas tecnologias ajudam a atender exigências ambientais cada vez mais rigorosas. E ampliam as oportunidades para produtos alinhados às práticas de sustentabilidade exigidas pelo mercado internacional”, afirma.

    Produção nacional tem caráter estratégico

    O economista Adenauer Rockenmeyer, conselheiro do Corecon-SP, avalia que fortalecer a produção nacional se tornou uma questão estratégica para o país.

    “Embora as questões envolvendo a Venezuela não tragam grandes impactos ao setor, este é um momento de cautela. Ampliar a produção interna é fundamental para garantir competitividade e estabilidade, especialmente diante da implementação do acordo Mercosul-União Europeia”, afirma.

    O apoio federal ao setor, por sua vez, já tem mobilizado recursos expressivos. Além dos R$ 10 bilhões previstos pelo Profert, o programa também autoriza até R$ 1 bilhão em 2026 para conter o impacto da alta dos fertilizantes sobre os consumidores, em um cenário de aumento dos custos relacionados a fornecedores como o Irã.

    Somados aos investimentos privados já anunciados, os aportes reforçam o esforço para reduzir a exposição do agronegócio brasileiro, responsável por cerca de 8% do consumo mundial de fertilizantes, às oscilações do mercado internacional.

  • Quem são os Gêmeos do Agro, dupla goiana que participou do BBB

    Quem são os Gêmeos do Agro, dupla goiana que participou do BBB

    Você conhece os Gêmeos do Agro? João Gabriel Gemim e João Pedro Gemim saíram da rotina da fazenda, no interior de Goiás, para conquistar milhões de seguidores e ganhar projeção nacional. Naturais de Goiatuba, os irmãos se tornaram conhecidos por mostrar, com muito humor, o cotidiano da pecuária e da vida na roça. Em 2025, a dupla deu mais um passo na carreira ao entrar no Big Brother Brasil, levando a cultura rural goiana para o ‘público do sofá’.

    Antes da fama, porém, a vida dos irmãos era bem diferente. João Gabriel e João Pedro trabalhavam na fazenda, onde cuidavam do gado, e também atuavam como salva-vidas em rodeios pelo interior de Goiás. Atualmente, eles dividem a rotina entre Buriti Alegre e Goiânia. A pecuária segue como um dos principais temas dos conteúdos publicados pela dupla.

    https://www.instagram.com/p/DajTvgujZ-G/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=NTc4MTIwNjQ2YQ==

    Reality dos Agroboys

    A carreira digital dos irmãos começou por acaso, em 2021, quando João Gabriel participou do Reality dos Agroboys, competição virtual organizada pelo influenciador Jacques Vanier. Ele venceu a disputa com vídeos de humor e ganhou uma viagem para Barretos, além de conquistar mais visibilidade nas redes sociais. O resultado, é claro, motivou João Pedro a seguir o mesmo caminho.

    O conteúdo da dupla mostra o dia a dia na pecuária, as tarefas na fazenda, momentos descontraídos e histórias pessoais que aproximam os seguidores da realidade do campo. Antes de entrarem no BBB 25, os irmãos já somavam quase 750 mil seguidores entre Instagram e TikTok. Atualmente, os dois, juntos, reúnem mais de 1,6 milhão de seguidores apenas no Instagram.

    Estilo country acima de tudo

    Apesar do sucesso, a dupla ainda enfrenta críticas por manter o estilo caipira. Em entrevista com a família, João Gabriel confessou que prefere não dar atenção aos haters e busca sempre produzir conteúdo positivo para não ser alvo de cancelamento.

     “São carinhosos um com o outro, brincalhões, falam caipira, mas é o jeito deles mesmo. Estão indo muito bem, apesar de achar que estão tendo pouco destaque”, afirma Márcia Siqueira, mãe dos gêmeos.

    https://www.instagram.com/p/DRnVaxYjsa0/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=NTc4MTIwNjQ2YQ==

    Márcia aproveitou ainda para rebater as críticas que os filhos têm recebido nas redes.

    “Tem um pessoal dizendo que eles não sabem conversar, se expressar, ficam reclamando, mas não entendem que eles são assim desde pequeno. São caipiras natos, falam errado, realmente têm uma dificuldade de articulação de palavras, mas tudo tem um entendimento”, defende.

    Além disso, a mãe de João Gabriel e João Pedro ressalta que a conexão com o campo vem de berço: “Eles ajudavam a cuidar dos animais na fazenda e ganhavam um dinheirinho. Foram juntando e comprando bezerros para colocar no quintal da casa da avó. Depois, pensaram em uma égua. Sempre demonstraram amor e muito afeto pelo ambiente rural”.

    Com conteúdos que quebram estereótipos, João Gabriel e João Pedro Gemim já reúnem mais de 1,6 milhão de seguidores apenas no Instagram, além de uma audiência expressiva em outras plataformas.

  • Não entende nada de vinho? Especialista ensina a escolher sem errar

    Não entende nada de vinho? Especialista ensina a escolher sem errar

    Com a chegada dos dias mais frios, o vinho tinto volta a ganhar espaço na mesa dos brasileiros. Muita gente, porém, ainda hesita diante das prateleiras do supermercado: não sabe por onde começar, qual rótulo escolher ou qual vinho combina melhor com cada ocasião.

    A boa notícia é que entender de vinho exige muito menos técnica do que parece. O mercado oferece cada vez mais opções acessíveis e versáteis, e qualquer pessoa consegue começar a explorar esse universo sem dominar termos complicados nem gastar uma fortuna em garrafas sofisticadas.

    Como escolher o primeiro vinho sem errar

    Paulino Costinha, especialista em vinhos e espumantes do Supermercados Mundial, recomenda começar pelos rótulos mais fáceis de beber, aqueles que funcionam bem no dia a dia sem exigir experiência prévia.

    “Muita gente acha que vinho é complicado, mas hoje existem rótulos muito versáteis e acessíveis. O importante é começar por vinhos mais equilibrados e entender aos poucos quais sabores agradam mais”, explica o especialista.

    Paulino separou as opções mais indicadas para quem ainda não tem intimidade com vinhos:

    • Merlot: tem corpo macio e leve, e harmoniza com facilidade
    • Cabernet Sauvignon: apresenta sabor mais intenso e combina bem com carnes e massas
    • Pinot Noir: traz um perfil mais delicado e leve
    • Tintos de médio corpo: acompanham bem as refeições do dia a dia

    A ocasião também define a escolha certa

    Além da uva, a ocasião pesa na hora de escolher a garrafa. Vinhos mais leves combinam com jantares simples e encontros descontraídos, enquanto rótulos mais encorpados acompanham melhor pratos intensos e as noites mais frias do ano.

    Quem ainda tem dúvidas pode contar com ajuda especializada. A maioria das grandes redes de supermercados mantêm profissionais dedicados à área de adega, prontos para orientar os clientes e sugerir rótulos de acordo com gosto pessoal, ocasião e faixa de preço.

    “Hoje muita gente quer aprender mais sobre vinho, mas sem aquela formalidade toda. O consumidor procura praticidade, quer entender o que combina com o próprio gosto e descobrir opções para o dia a dia”, finaliza Paulino.

  • Pronaf poderá financiar quadriciclos para uso na agricultura familiar

    Pronaf poderá financiar quadriciclos para uso na agricultura familiar

    Um projeto de lei em análise na Câmara dos Deputados prevê a inclusão de veículos utilitários leves, como quadriciclos, entre os itens financiáveis pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

    O Projeto de Lei 2.290/2026 altera a Lei 15.223/2025, que instituiu o Pronaf. A proposta estabelece que o financiamento poderá atender apenas veículos comprovadamente utilizados como instrumentos de trabalho na atividade rural.

    O texto não permite o uso dos equipamentos para finalidades recreativas, esportivas ou alheias à produção agropecuária. Caso o agricultor utilize o veículo fora das condições previstas, o saldo devedor poderá vencer antecipadamente.

    Como os quadriciclos poderão ser usados

    De acordo com a proposta, os veículos deverão apoiar atividades realizadas dentro das propriedades rurais, incluindo:

    • Manejo de animais e lavouras.
    • Manutenção de instalações e áreas produtivas.
    • Logística interna.
    • Transporte de trabalhadores rurais.
    • Deslocamento de ferramentas e insumos.
    • Transporte de pequenas cargas.

    O projeto prevê a inclusão de quadriciclos com cilindrada entre 250 cm³ e 700 cm³. Os modelos também deverão apresentar potência compatível com operações de carga e tração leve.

    A proposta exclui quadriciclos de alto desempenho desenvolvidos para uso esportivo.

    Justificativa do projeto

    O autor do texto, deputado Evair Vieira de Melo (Republicanos-ES), argumenta que os equipamentos convencionais podem elevar o custo de capital dos agricultores familiares.

    Segundo o parlamentar, a inclusão de veículos utilitários leves no Pronaf ajudaria a melhorar a composição do parque de máquinas das pequenas propriedades e ampliar as alternativas disponíveis para as atividades do campo.

    Tramitação na Câmara

    As comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania analisarão o PL 2.290/2026 em caráter conclusivo.

    Como tramita em caráter conclusivo, a proposta poderá seguir diretamente para o Senado caso as comissões a aprovem e ninguém apresente recurso para votação no Plenário.

    Para entrar em vigor, no entanto, o projeto ainda precisará passar pela aprovação da Câmara e do Senado. O deputado Evair Vieira de Melo apresentou a proposta em 11 de maio de 2026.

  • Como cientistas transformaram casca de banana em energia mais barata e limpa

    Como cientistas transformaram casca de banana em energia mais barata e limpa

    Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) descobriram que baixas concentrações de soda cáustica (hidróxido de sódio, NaOH) preparam resíduos orgânicos para a produção de biogás com mais eficiência do que doses elevadas. A descoberta eleva a geração de metano, reduz o consumo de reagentes químicos e diminui os custos da operação industrial.

    A equipe utilizou como matéria-prima bananas descartadas em varejões, cascas e frutos impróprios para comercialização. Apesar do alto teor de matéria orgânica, esses resíduos escondem seu potencial energético dentro de uma espécie de armadura vegetal, formada por substâncias como celulose e lignina. Essa barreira dificulta o acesso dos microrganismos aos açúcares fermentáveis e limita a digestão anaeróbia, processo pelo qual comunidades de microrganismos decompõem a matéria orgânica na ausência de oxigênio.

    Durante o processo, os microrganismos quebram moléculas complexas em compostos cada vez mais simples até formar o metano (CH₄), principal componente energético do biogás.

    Como funciona o pré-tratamento termoalcalino

    “Para aumentar a eficiência da produção de biogás, é necessário aplicar um pré-tratamento. Nós optamos pelo termoalcalino (que combina calor e produtos químicos). A biomassa foi aquecida na presença de diferentes concentrações de hidróxido de sódio, variando entre 0,2% e 3%. O objetivo era romper parcialmente a barreira formada pela lignina, tornando os carboidratos mais acessíveis aos microrganismos”, explica Sandra Imaculada Maintinguer, integrante do Instituto de Pesquisa em Bioenergia da Universidade Estadual Paulista (IPBEN-Unesp) e coordenadora da pesquisa.

    Pesquisadora Larissa Ayumi Yamamoto realiza experimento com o resíduo de banana. Foto: Larissa Ayumi Yamamoto/IPBEN-Unesp

    Os testes contrariaram a expectativa intuitiva de que doses maiores de reagente trariam melhor desempenho. Pelo contrário: a eficiência máxima apareceu justamente nas menores concentrações testadas. A dose de apenas 0,2% de NaOH promoveu a maior solubilização de carboidratos, alcançando 12.110 miligramas por litro (mg/L). Ou seja, mais que o dobro dos 4.785 mg/L registrados no material sem pré-tratamento. Uma concentração ligeiramente maior, de 0,4%, gerou a maior produção acumulada de metano, mas a dose de 0,2% produziu o gás com mais velocidade.

    “Isso é importante porque, além de aumentar os custos da produção, o uso elevado de hidróxido de sódio inibe a ação dos microrganismos responsáveis pela geração do metano e pode causar maior impacto sobre o meio ambiente”, destaca Larissa Ayumi Yamamoto, graduanda no IPBEN-Unesp e primeira autora do artigo, publicado em maio na revista científica Bioenergy Research.

    Excesso de reagente prejudica microrganismos e encarece o processo

    Em pequenas quantidades, a soda cáustica rompe parcialmente a estrutura vegetal e libera açúcares que alimentam os microrganismos. Em excesso, porém, o reagente passa a atacar os próprios microrganismos, o que atrapalha ou até inviabiliza o processo. “Não adianta colocar 20%, porque se torna inibitório”, resume Maintinguer. A redução da quantidade de reagente também melhora a perspectiva de aplicação industrial, já que facilita o tratamento posterior de efluentes. “Para a indústria, quanto menor a concentração de hidróxido de sódio, melhor”, completa a pesquisadora.

    Maintinguer observa que São Paulo reúne condições particularmente favoráveis para esse tipo de tecnologia. Como grande produtor de frutas, o Estado gera quantidades enormes de resíduos ao longo de toda a cadeia produtiva. Desde frutos descartados ainda na propriedade até sobras do beneficiamento industrial e da comercialização. “A ideia é fechar esse ciclo. Em vez de encaminhar restos e frutas fora do padrão comercial para aterros, esses resíduos podem alimentar biodigestores capazes de produzir energia, transformando um passivo ambiental em uma fonte renovável”, pondera a pesquisadora.

    Bactérias e arqueias definem o desempenho do sistema

    Os resultados mostraram que o desempenho do biodigestor depende não apenas da quantidade de matéria orgânica disponível, mas também de quais bactérias atuam no processo e quais caminhos elas usam para digerir a matéria. No reator tratado com 0,4% de hidróxido de sódio, predominaram bactérias dos gêneros Paraclostridium e Clostridium, além de arqueias metanogênicas, organismos unicelulares produtores de metano, dos gêneros Methanothrix e Methanoregula.

    “Nós avaliamos o consórcio microbiano presente no reator, conseguimos acompanhar como esse sistema evolui e quais rotas metabólicas os microrganismos percorrem ao longo do processo”, explica Ana Gabriela Oliveira Ferreira Janas, doutoranda no IPBEN-Unesp. “Portanto, são informações que a pesquisa pode oferecer para a indústria.”

    Digestão anaeróbia funciona como turnos de trabalho microbiano

    Maintinguer compara a digestão anaeróbia a uma sucessão de etapas cumpridas por diferentes grupos de microrganismos. “Entramos com a matéria orgânica bruta e os microrganismos vão quebrando essa matéria em compostos cada vez mais simples. Esses intermediários acabam sendo consumidos por outros microrganismos até chegar à formação do metano”, detalha.

    O estudo integra um programa mais amplo do grupo da Unesp, que busca transformar resíduos agroindustriais em fontes de energia e outros produtos de valor agregado. Além da banana, os pesquisadores também estudam resíduos de laranja e goiaba, águas residuárias do processamento de frutas e diferentes estratégias de digestão e codigestão anaeróbias, técnica que mistura diferentes tipos de resíduos no mesmo reator para potencializar a geração de energia.

    Dependendo das condições operacionais e da comunidade microbiana presente, os pesquisadores podem direcionar esses sistemas não apenas à produção de biogás. Mas também à obtenção de outros compostos de interesse industrial. Em outro trabalho, ainda em processo de revisão para publicação, Janas e colaboradores investigaram a codigestão anaeróbia de resíduos para produzir bio-hidrogênio.

    José Tadeu Arantes | Agência FAPESP

  • Como um goiano criou o maior fenômeno do agro nas redes sociais do país

    Como um goiano criou o maior fenômeno do agro nas redes sociais do país

    Jacques Vanier nasceu em Piracanjuba, no interior de Goiás, e hoje ocupa o posto de maior influenciador do agronegócio brasileiro nas redes sociais. O comediante soma 6,6 milhões de seguidores no Instagram, 9,2 milhões no TikTok e mais 1,55 milhão no YouTube, números construídos ao longo de quase seis anos de vídeos sobre a rotina rural.

    https://www.instagram.com/p/BjxyVhcAI4p/?utm_source=ig_embed&utm_campaign=embed_video_watch_again

    A trajetória de Jacques como influenciador não começou no campo. O goiano havia se mudado para os Estados Unidos para estudar engenharia civil quando decidiu gravar um vídeo, por saudade de casa, pedindo um pão de queijo e uma pamonha no drive-thru de um McDonald’s americano.

    O conteúdo viralizou da noite para o dia. E o motivou a postar com mais frequência, misturando inglês com sotaque goiano em esquetes cômicos sobre a adaptação à vida nos EUA.

    O retorno ao Brasil e a casa na roça

    Depois do sucesso inicial, Jacques resolveu voltar para o Brasil e apostar de vez na carreira de criador de conteúdo. Com o cachê da primeira publicidade que fechou, ele construiu a casa na roça onde mora com a mãe, em Piracanjuba. Desde então, consolidou o estilo “agroboy”. São vídeos humorísticos que retratam com autenticidade a vida no campo. Sempre unindo humor regional a um forte sentimento de identificação com o público goiano e brasileiro.

    O alcance de Jacques também impulsiona outros nomes do agro digital. Em 2021, ele organizou o “Reality dos Agroboys”, competição informal entre criadores de conteúdo rural que lançou outros influenciadores, como os irmãos gêmeos João Gabriel e João Pedro, de Goiatuba. Jacques também é pai solo de Luke, nascido em dezembro de 2023 por meio de barriga solidária. E costuma compartilhar momentos com o filho em suas redes.

    https://www.instagram.com/p/DXp5i7vFKHM/?img_index=2

    Jacques Vanier ajudou a abrir caminho para uma geração inteira de influenciadores que hoje exibem nas redes a rotina de fazendas e propriedades rurais pelo Brasil. Seu formato, que combina humor, sotaque e orgulho da cultura caipira, virou modelo replicado por outros criadores que buscam aproximar o público urbano da realidade do campo.

  • Conheça o peixe brasileiro que movimenta bilhões na China

    Conheça o peixe brasileiro que movimenta bilhões na China

    Um peixe brasileiro que conquistou espaço na aquicultura chinesa acaba de ter seu código genético desvendado em detalhes. Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (UNESP) mapearam, pela primeira vez, o genoma completo da pirapitinga (Piaractus brachypomus) em nível cromossômico.

    O avanço, realizado em parceria com cientistas da China, pode abrir caminho para novas estratégias de melhoramento genético, aumento da produtividade e maior eficiência na criação do peixe.

    Os resultados da pesquisa foram publicados em julho de 2026, na revista científica Scientific Data. O estudo alcançou 99,8% de completude no índice BUSCO (Benchmarking Universal Single-Copy Orthologs), o que indica a alta qualidade e confiabilidade dos dados.

    pirapitinga
    (Foto: Wenderson Araujo/Sistema CNA/Senar)

    Peixe amazônico faz sucesso com os chineses

    A China lidera a produção mundial de organismos aquáticos destinados ao consumo. Segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o país produziu, em 2023, mais de 55 milhões de toneladas por meio da aquicultura. O volume inclui peixes, camarões, moluscos e algas.

    No mesmo ano, o Brasil produziu 792 mil toneladas, o equivalente a apenas 1,44% do volume registrado pela China. Apesar da enorme produção, o mercado chinês ainda depende de espécies introduzidas: cerca de 8% dos peixes consumidos no país não são nativos. Entre eles estão salmão, truta, tilápia e a própria pirapitinga.

    Nativa da Amazônia, a pirapitinga chegou ao território chinês a partir de Hong Kong, em 1985. A origem exata da introdução, porém, ainda não foi esclarecida. Uma das hipóteses levantadas pelos pesquisadores é que os primeiros exemplares tenham sido levados ao país com finalidade ornamental, já que o peixe apresenta características físicas semelhantes às das piranhas.

    No entanto, no Brasil, o cenário é praticamente o oposto. Espécies não nativas respondem por cerca de 65% da produção aquícola, com a tilápia, originária da África, na liderança do mercado nacional. O cultivo se concentra principalmente em estados como Paraná e São Paulo, que estão entre os maiores produtores do país.

    Como surgiu a pesquisa

    A pesquisadora Ivana Felipe da Rosa, do Instituto de Biociências (IB) da Unesp, em Botucatu, realizou o mapeamento genômico durante o doutorado em Biologia Geral e Aplicada, sob orientação do professor Rafael H. Nóbrega. O estudo, porém, nasceu de uma investigação com outro foco: compreender o desenvolvimento reprodutivo do pacu (Piaractus mesopotamicus), peixe de água doce nativo do Brasil.

    O rumo da pesquisa mudou após Rosa conquistar uma bolsa de estudos na Academia Chinesa de Ciências da Pesca, em Shandong. Para aprofundar o trabalho, ela precisava de um genoma de referência, recurso que ainda é escasso entre espécies brasileiras.

    Foi justamente essa lacuna que levou a pesquisadora até a pirapitinga (Piaractus brachypomus). Parente próxima do pacu, a espécie estava disponível na China e tinha importância direta para a aquicultura do país.

    “O genoma serve como base para outros estudos. Ele abre portas para você compreender mais a fundo a localização dos genes, quais são as suas funções e como esses genes podem atuar em determinados tecidos”, explica Rosa.

    O que o mapeamento genético pode mudar?

    O mapeamento completo do genoma permite aos pesquisadores investigar genes associados a características de interesse para a aquicultura, como crescimento acelerado, tolerância a diferentes temperaturas e resistência a doenças. Com essas informações, será possível desenvolver programas de melhoramento genético mais precisos, selecionando indivíduos com características desejáveis e, consequentemente, aumentando o potencial produtivo da pirapitinga em cativeiro.

    Além disso, o avanço também pode trazer benefícios para o meio ambiente. Ao ampliar o conhecimento e o potencial de produção de espécies nativas, a pesquisa contribui para reduzir a dependência de peixes exóticos na aquicultura. Essa dependência representa um desafio ambiental, já que fugas de espécies não nativas podem favorecer a formação de populações invasoras e ameaçar os ecossistemas locais.

    FAO mapeia os principais produtores de animais aquáticos mundiais (Foto: Divulgação/Unesp/FAO)

    Parceria Brasil e China

    Para Rosa, o Brasil tem uma biodiversidade aquática muito ampla, especialmente por causa da Bacia Amazônica, mas ainda investe menos em tecnologia para a aquicultura do que a China. A pesquisadora destaca que muitas espécies brasileiras ainda são pouco estudadas e poderiam ganhar espaço na produção.

    “O investimento da China nessa parte da aquicultura é brutal. Por mais que sejam consumidores de carne, a alimentação base deles é composta de peixes e algas. No Brasil, acredito que exista um direcionamento maior para a produção de gado. Mas nós temos biodiversidade, temos invertebrados e vertebrados que poderiam ser mais explorados”, afirma.

    Diogo Teruo Hashimoto, especialista em genética aplicada à aquicultura do Centro de Aquicultura da Unesp (CAUNESP), em Jaboticabal, também enxerga potencial de troca tecnológica nos dois sentidos. Segundo ele, métodos desenvolvidos no Brasil podem beneficiar a produção chinesa, assim como tecnologias orientais podem chegar ao mercado brasileiro.

    “Eu tenho trabalhado em uma área de fronteira do conhecimento chamada fenômica, que é o uso de inteligência artificial nos programas de melhoramento genético. E tenho um parceiro da China que também está desenvolvendo IA para alcançar uma genética de precisão. Com essa colaboração, acredito que iremos conseguir chegar mais longe”, conclui Hashimoto.

     

  • Congresso Andav bate recorde e reúne 18 mil pessoas em São Paulo

    Congresso Andav bate recorde e reúne 18 mil pessoas em São Paulo

    O 15º Congresso Andav encerrou nesta semana em São Paulo com números que confirmam o crescimento do evento. Ao longo de três dias, mais de 18 mil pessoas circularam pelo espaço, entre distribuidores de insumos agropecuários, representantes da indústria, especialistas e lideranças de diferentes elos da cadeia produtiva. Mais de 260 marcas expositoras participaram da edição, que também trouxe debates estratégicos sobre os rumos do agronegócio brasileiro.

    Vivian Lima, sócia e CEO da Zest Eventos, e Marcos Chaves, presidente do Conselho Diretor da Andav. Foto: FD Fotografia

    Para Vivian Lima, sócia e CEO da Zest Eventos, empresa que organiza o Congresso, os números comprovam a relevância crescente do encontro para o mercado. “O Congresso Andav é um evento que está crescendo. E isso só acontece graças aos profissionais do agronegócio, que estão aqui para trocar informações, adquirir conhecimento e fazer negócios”, afirmou a executiva.

    Empresas já garantem presença na edição de 2027

    A confiança do setor no evento já aparece nos números da próxima edição. O Congresso Andav 2027 acontecerá entre os dias 3 e 5 de agosto e, antes mesmo do encerramento da edição atual, 71% das empresas expositoras já haviam renovado a participação. Um resultado que superou a meta inicial de 70% estabelecida pela organização.

    “Isso mostra a confiança da indústria e das empresas da cadeia no Congresso Andav como palco de networking e geração de negócios”, destacou Vivian Lima.

    Programação aprofunda temas estratégicos para o setor

    Além da área de exposição e relacionamento, a plenária do Congresso reuniu especialistas para discutir temas que impactam diretamente a competitividade do agronegócio. A programação percorreu cenários econômicos, perspectivas para o setor, gestão, liderança, inovação, sustentabilidade, reforma tributária e novas tecnologias.

    O presidente do Conselho Diretor da Andav, Marcos Chaves, avaliou os três dias de evento. E destacou a diversidade dos assuntos discutidos. “Debatemos os cenários da agroeconomia e do futuro do setor, além de aprofundarmos temas como gestão, liderança e as tendências apresentadas por diversos especialistas para fortalecer o agronegócio brasileiro”, disse.

    Paulo Tiburcio, presidente executivo da Andav. Foto: FD Fotografia

    Já o presidente executivo da Andav, Paulo Tiburcio, ressaltou que a proximidade com o produtor rural representa um dos grandes diferenciais da distribuição. E que o relacionamento continua sendo fundamental para o setor. O executivo agradeceu o público presente durante os três dias de evento e reforçou a importância de equilibrar pragmatismo e visão de futuro no setor.

    Indústria avalia resultados positivos no relacionamento com revendas

    Representantes de grandes empresas do setor também comentaram os resultados da edição. Anderson Parra, gerente de acesso a revendas da BASF Soluções para Agricultura, considerou a exposição imprescindível para a companhia construir relacionamento com parceiros, fornecedores e clientes.

    Jeferson Oliveira, líder de distribuição da Bayer, destacou a capilaridade dos distribuidores como elemento fundamental para levar as tecnologias da companhia às diferentes regiões produtoras do país.

    Haroldo Yamanaka, diretor estratégico da GIROAgro e da Vivabio, apontou a proximidade com a rede de distribuição como um dos principais objetivos da participação das empresas no evento. “A importância de estarmos aqui próximo da distribuição do Brasil, entendendo o momento e os desafios dos clientes é uma oportunidade de relacionamento”, afirmou.

    Roberto Dib, diretor de marketing de clientes da Syngenta no Brasil, reafirmou a parceria da companhia com a distribuição de insumos agropecuários e classificou o evento como um ambiente propício para discutir desafios e oportunidades do setor.

    Negócios

    Oziel Ferreira, CEO do Grupo Ceres Investimentos, avaliou que as conversas ganharam qualidade e avançaram do ponto de vista dos negócios nesta edição. “O cliente vem, senta com a gente, mostra a situação e onde está a dor, e desenhamos uma estrutura para poder ajudá-lo”, explicou.

    Juliana Oliveira, head de Marketing e Comunicação da Ecoagro, descreveu o Congresso Andav como um espaço estratégico para a empresa se aproximar da cadeia de distribuição. E desenvolver soluções financeiras alinhadas às necessidades do setor.

    Brunna Santos, gerente de marketing da Aliare, classificou o evento como fundamental no calendário de oportunidades e negócios da companhia, funcionando como ponto de encontro com clientes, revendas e prospects.

    Carlos Baptista, diretor comercial da Biotrop, comentou o avanço da agricultura regenerativa e o papel estratégico que os distribuidores exercem para that as tecnologias biológicas ganhem espaço no campo, reforçando a importância da parceria com as revendas para os negócios da empresa.

    Eletrificação e etanol fecham a programação

    A mobilidade sustentável também ocupou espaço no último dia de evento. Na palestra de encerramento, o vice-presidente sênior e head de Comercial e Marketing da BYD, Alexandre Baldy, apresentou o potencial brasileiro para combinar eletrificação e biocombustíveis na construção de uma matriz de transporte de baixo carbono.

    Segundo o executivo, a diversidade de fontes renováveis do país,que inclui energia solar, eólica e hidrelétrica, além de etanol, biodiesel e biometano,coloca o Brasil em posição diferenciada na transição energética global.

    Baldy citou a tecnologia híbrida plug-in como uma das rotas de convergência entre eletrificação e etanol. E com potencial de expansão não apenas no Brasil, mas também em outros países com forte presença do biocombustível, como a Índia.

    “Temos uma matriz diversa de fontes renováveis. Podemos eletrificar valorizando o etanol, que é ativo estratégico competitivo para o futuro”, afirmou o executivo.

  • Gigantes do campo: soja e milho lideram safra recorde no Brasil

    Gigantes do campo: soja e milho lideram safra recorde no Brasil

    O agronegócio brasileiro se prepara para consolidar mais um recorde no campo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma produção nacional de 360,8 milhões de toneladas de grãos para a safra 2025/26. O volume representa um crescimento de 2,4% em relação ao ciclo anterior, injetando 8,5 milhões de toneladas a mais no mercado global.

    Os dados do 11º Levantamento da Safra de Grãos, divulgados nesta quinta-feira (13), confirmam que o aumento de 2,1% na área cultivada, agora estimada em 83,5 milhões de hectares, sustenta o excelente resultado. As culturas de soja, milho e sorgo lideram essa expansão. Já a produtividade média do país deve se manter estável em 4.322 quilos por hectare.

    Soja e milho: os gigantes do campo lideram a safra 2025/26

    A soja e o milho continuam como os principais motores da agricultura brasileira. Juntas, as culturas somam volumes impressionantes:

    Soja: a Conab estima uma colheita de 180,5 milhões de toneladas. O Mato Grosso segue como o maior produtor nacional, com 51,6 milhões de toneladas. No entanto, a Bahia brilha com a maior produtividade média do país, alcançando 4.260 kg/ha.

    milho
    Foto: Nilson Konrad/AGCO

    Milho: o cereal deve registrar uma produção total de 143 milhões de toneladas. A primeira safra responde por 29,5 milhões de toneladas, enquanto o segundo ciclo deve entregar cerca de 111 milhões de toneladas. A terceira safra soma mais 2,4 milhões de toneladas, embora o clima desfavorável desde junho tenha prejudicado lavouras no nordeste da Bahia, Sergipe e Alagoas.

    No mercado interno, a Conab elevou a projeção de consumo de milho para 95 milhões de toneladas. Mesmo com a maior demanda interna, o estoque de passagem deve fechar o ciclo com confortáveis 15,58 milhões de toneladas.

    Abastecimento garantido de arroz e feijão

    Mesmo com oscilações na área plantada, os alimentos básicos do prato do brasileiro seguem com abastecimento garantido:

    O arroz deve registrar uma produção de 11,1 milhões de toneladas. O volume atende plenamente à demanda do mercado doméstico, apesar de os produtores terem semeado uma área 14% menor neste ciclo.

    O feijão projeta uma colheita de 3 milhões de toneladas somando suas três safras. A estimativa atual indica uma redução de 3,2% em relação ao ciclo 2024/25, mas garante a segurança alimentar do mercado interno. A colheita da segunda safra está na reta final, com previsão de 1.3 milhão de toneladas.

    Algodão avança e culturas de inverno registram queda

    A colheita do algodão avança em ritmo acelerado e já atinge 43,7% da área. O índice supera os 39% registrados no mesmo período do ano anterior. A Conab estima uma produção de 5,8 milhões de toneladas de algodão em caroço, gerando 4,1 milhões de toneladas de pluma, favorecida pelo clima excelente na maioria das regiões.

    Por outro lado, o trigo apresenta um cenário de retração após o fim da semeadura de inverno. O cereal deve registrar 5,8 milhões de toneladas, o que representa uma queda acentuada de 26,2% em relação a 2025. O recuo acompanha diretamente a redução de 20,4% na área destinada ao cultivo do grão nesta temporada.

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  • Chá é proibido pela Anvisa junto com linha “Milagroso Ervas”

    Chá é proibido pela Anvisa junto com linha “Milagroso Ervas”

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, nesta sexta-feira (14/8), a apreensão do medicamento Chá Sarapião, fabricado pela empresa Natural Ervas Produtos Naturais Ltda. (Farmagon), inscrita no CNPJ 03.021.976/0001-39. A medida também suspende a comercialização, distribuição, fabricação, divulgação e uso do produto em todo o território nacional.

    Foto: Divulgação

    A decisão consta na Resolução (RE) nº 3.161, assinada em 12 de agosto e publicada dois dias depois no Diário Oficial da União (DOU). Segundo a Anvisa, os itens eram anunciados e vendidos sem registro, notificação ou cadastro junto à agência reguladora. Além da ausência de registro, a fabricante do chá não possui autorização sanitária para funcionar. O que, para a agência, agrava o risco à saúde do consumidor.

    Anvisa também mira falsos “emagrecedores”

    A mesma resolução determinou a apreensão de uma série de produtos vendidos como emagrecedores, fabricados por empresa não identificada. Vários deles trazem em seus nomes referências diretas a canetas emagrecedoras de sucesso no mercado, como o Mounjaro, medicamento aprovado no Brasil para o tratamento do diabetes tipo 2 e também associado à perda de peso.

    Confira a lista completa dos itens proibidos:

    • Milagroso Ervas Black
    • Milagroso Ervas Mounjaro Turbo
    • Milagroso Ervas Mounjaro 3x Turbo
    • Milagroso Ervas Detox
    • Mounfor X Emagrecedor
    • Milagroso Ervas Cápsula Azul
    • Milagroso Ervas Mounjaro Rosa
    • Milagroso Ervas Mounjaro
    • Milagroso Ervas Vermelho
    • Milagroso Ervas

    Todos os lotes desses produtos não podem ser fabricados, distribuídos ou vendidos. Além disso, as empresas não podem divulgá-los nem utilizá-los em qualquer parte do país.  A Anvisa recomenda que consumidores que tenham algum desses itens em casa interrompam o uso imediatamente e busquem atendimento médico em caso de efeitos colaterais.

    Uma nova frente na guerra contra emagrecedores irregulares

    A apreensão desta sexta-feira não é um caso isolado. A Anvisa vem intensificando, ao longo de 2026, as ações de fiscalização contra produtos que exploram a popularidade das canetas emagrecedoras à base de semaglutida e tirzepatide. Em janeiro, a agência já havia proibido a venda, distribuição, fabricação, importação, propaganda e uso de medicamentos à base de tirzepatide produzidos por empresas sem licença. Um movimento que abriu o ciclo de fiscalizações mais rígidas do ano contra falsificações e produtos clandestinos ligados ao mercado do emagrecimento.

    Produtos como chás, cápsulas e fórmulas “naturais” que prometem resultados semelhantes aos de medicamentos registrados representam um risco duplo: além de não terem eficácia comprovada, muitas vezes contêm substâncias não declaradas no rótulo, sem controle de dosagem ou qualidade. Por não passarem pelo processo de registro sanitário, a Anvisa não tem como garantir a segurança desses itens. O que pode incluir contaminação, interações medicamentosas perigosas ou reações adversas graves.

    A agência orienta o consumidor a sempre verificar, antes da compra, se o produto possui número de registro visível na embalagem. E reforça que qualquer suspeita de venda irregular, em lojas físicas ou plataformas digitais deve ser denunciada aos canais de fiscalização sanitária.

    A Resolução RE nº 3.161/2026 pode ser consultada na íntegra no Diário Oficial da União (DOU).