Autor: Jaque Ornelas

  • Babosa pode ser boa opção para produtores rurais

    Babosa pode ser boa opção para produtores rurais

    A babosa, também conhecida como Aloe vera, é uma planta suculenta que tem ganhado destaque no mercado global devido às suas diversas aplicações nas indústrias cosmética e farmacêutica.

    Originária do norte da África, a babosa se adaptou bem a climas tropicais e subtropicais, tornando-se uma cultura viável em várias regiões do mundo, inclusive no Brasil. O cultivo de babosa no país é realizado principalmente nos estados do Nordeste, onde as condições climáticas são ideais para o seu desenvolvimento.

    A produção de babosa (Aloe vera) no Brasil tem se mostrado uma atividade promissora em termos de produtividade e lucratividade para os agricultores.

    Plantar babosa pode ser opção lucrativa.

    A babosa é conhecida por suas propriedades medicinais e cosméticas. Seu gel interno é rico em vitaminas, minerais e compostos bioativos que possuem efeitos anti-inflamatórios, cicatrizantes e hidratantes. Além disso, a babosa é utilizada na fabricação de suplementos alimentares, produtos de higiene pessoal e até mesmo na indústria farmacêutica.

    Produtividade da Babosa

    Com um ano a plantação já esta pronta para a colheita. Além disso, uma planta adulta produz de 15 a 30 folhas por ano e um hectare rende até 100 quilos de folhas frescas. A produtividade média é de aproximadamente 20 toneladas de folhas frescas por hectare por ano. Considerando que o preço médio pago ao produtor é de R$ 1,50 por quilo de folhas frescas, um hectare de plantação pode gerar uma receita bruta de R$ 30.000 por ano.

    A planta pode ser colhida várias vezes ao longo do ano, o que garante uma produção contínua por até 10 anos.

    Além disso, a babosa é uma cultura de baixa manutenção, necessita de pouca água e o principal cuidado é a capina. Essas características  tornam a babosa uma planta ideal para agricultura familiar. Ou para quem busca diversificar suas culturas e aumentar a renda com um investimento relativamente baixo em insumos.

    Planta se adapta bem a várias condições

    No entanto, é importante ressaltar que os custos de produção também devem ser considerados. Esses custos incluem preparo do solo, aquisição de mudas, adubação, irrigação, mão de obra e processamento pós-colheita. Mesmo assim, a babosa ainda se destaca como uma cultura altamente lucrativa para os pequenos e médios produtores rurais.

    Propriedades Medicinais

    A babosa é rica em vitaminas, minerais, enzimas e aminoácidos que proporcionam diversos benefícios para a saúde. Entre suas propriedades destacam-se:

    • Cuidados com a pele e hidratação profunda: o gel de babosa é altamente hidratante e ajuda a manter a pele suave e macia. Ele é especialmente eficaz no tratamento de pele seca e ressecada.
    • Combate à acne: suas propriedades anti-inflamatórias e antibacterianas ajudam a reduzir a acne e prevenir novas erupções. A babosa também auxilia na diminuição de cicatrizes e manchas deixadas pela acne.
    • Previne o envelhecimento precoce: rica em vitaminas C e E, a babosa ajuda a combater os radicais livres, retardando o aparecimento de rugas e linhas finas. Seu uso regular pode promover uma pele mais jovem e saudável.

    Benefícios para o Cabelo

    Além dos benefícios para a saúde e a pele, a babosa também é uma excelente aliada nos cuidados com o cabelo. Suas propriedades incluem:

    • Fortalecimento Capilar: O uso do gel de babosa no couro cabeludo pode fortalecer os fios, prevenindo a queda e promovendo o crescimento saudável do cabelo.
    • Combate à Caspa: Suas propriedades antifúngicas ajudam a eliminar a caspa e a prevenir seu retorno, mantendo o couro cabeludo limpo e saudável.
    • Brilho e Maciez: A babosa hidrata profundamente os fios, deixando-os mais brilhantes e macios. É uma excelente opção para cabelos danificados e quebradiços.

    Portanto, a babosa é uma planta versátil que pode ser incorporada na rotina de cuidados com a saúde e a beleza. Seja para tratar feridas, hidratar a pele ou fortalecer o cabelo, a babosa se destaca como um recurso natural e eficaz.

    Perspectivas Futuras

    Com a crescente demanda por produtos naturais e sustentáveis, a tendência é que a produção de aloe vera continue em expansão no Brasil. Além disso, o desenvolvimento de novas tecnologias e técnicas de cultivo pode aumentar ainda mais a produtividade e a eficiência da cadeia produtiva.

    Assim sendo, a produção de babosa no Brasil apresenta um grande potencial de crescimento, tanto em termos de produtividade quanto de lucratividade. Sua versatilidade de uso e os benefícios para a saúde e o bem-estar tornam essa cultura uma alternativa atraente para os agricultores que buscam diversificar suas atividades e aumentar seus rendimentos.

  • Festa junina – Tradição e cultura brasileira

    Festa junina – Tradição e cultura brasileira

    Em junho, celebram-se as Festas Juninas por todo o Brasil, marcadas por danças, comidas típicas e tradições. Esses eventos são conhecidos por suas quadrilhas, fogueiras e pratos tradicionais como pamonha e quentão. Essas festividades têm uma profunda ligação com o meio rural, refletindo a cultura e os costumes das comunidades agrícolas.
    As festas juninas, originárias das celebrações pagãs europeias da colheita, chegaram ao Brasil trazidas pelos portugueses. Reinventadas, essas tradições agora exaltam a cultura caipira brasileira, valorizando as tradições e sabores do campo.

    Influência do Meio Rural

    Além do seu valor cultural, as festas juninas também têm um impacto significativo na economia. No ano passado, os arraiais movimentaram cerca de R$ 6 bilhões, segundo o Ministério do Turismo.
    No Brasil, 3° maior produtor mundial de milho as festas juninas coincidem com a época da colheita deste que é a base em comidas típicas como a pamonha, o curau e a canjica ou mungunzá.

    Reprodução – Jornal da USP

    Além disso, outro item que não pode faltar nas festas juninas, o amendoim, que hoje tem 90% de sua produção vinda do estado de São Paulo, é ingrediente essencial para o preparo da paçoca, pé de moleque , amendoim caramelizado e bolos.
    Na região Norte, maior produtor do Brasil desse que é o ingrediente central da culinária junina é a mandioca utilizada no preparo do vatapá,tacacá, maniçoba em caldos e bolos.
    No Nordeste, utilizam-se muito as raízes. Cozinham ou assam batata-doce, macaxeira e inhame nas fogueiras. E também em preparos como o vatapá e o tacacá com tucupi.

    Preservação da Cultura

    As festas juninas, consideradas por muitos brasileiros como a melhor época do ano, agradam a todos os públicos. Brincadeiras e jogos divertem as crianças, a quadrilha aproxima aqueles que gostam de dançar, e a fogueira traz aconchego para os mais quietos. Os pratos típicos, entretanto, são capazes de unir todas as pessoas, mantendo a Festa Junina como uma grande celebração da fartura e da cultura popular brasileira.

  • Brasil é referência em exportação de madeira sustentável

    Brasil é referência em exportação de madeira sustentável

    O aumento da demanda global por produtos florestais impulsionou a expansão do setor no Brasil, colocando o país como o sétimo maior produtor mundial.

    A geração de empregos no setor é significativa. Segundo o Perfil Setorial da Indústria (CNI), a indústria de madeira sustentável emprega atualmente 160 mil pessoas em mais de 11 mil indústrias, com 36% desses empregos concentrados em pequenas empresas.

    Referencia em manejo florestal

    Segundo o Fórum Nacional da Base Florestal (FNBF), o estado do Mato Grosso atualmente administra mais de 5 milhões de hectares de florestas manejadas. Assim, essa prática inclui rigoroso monitoramento por satélite, adoção de técnicas avançadas de rastreabilidade e limitação do número de árvores abatidas por hectare. Isso evidencia o compromisso com a sustentabilidade ambiental.

    Por exemplo, Cuiabá, a capital do estado, ganha destaque ao ser escolhida como uma das sedes da próxima reunião do G20 em setembro de 2024. Este evento proporcionará uma plataforma global para compartilhar as práticas inovadoras e o papel de Mato Grosso na mitigação das mudanças climáticas. Desta forma, segundo estudos da Secretaria de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema-MT), o manejo florestal sustentável na região já contribuiu para uma redução estimada de 16% nas emissões de gases de efeito estufa.

    Portanto, com metas ambiciosas, espera-se que até 2030 o estado alcance a marca de 6 milhões de hectares de florestas sob manejo sustentável. Esta iniciativa não apenas preserva recursos naturais preciosos, mas também posiciona Mato Grosso como líder nacional em práticas de conservação ambiental e desenvolvimento sustentável.

    Impacto econômico

    Entre os dias 17 e 20 de julho, 12 compradores internacionais estarão em Alta Floresta, MT, para participação na rodadas de negócios com empresas especializadas em madeira processada sustentável. O evento, promovido pelo programa Exporta Mais Brasil, da ApexBrasil  busca impulsionar as exportações e destacar as técnicas de manejo florestal sustentável do país.

    Durante o evento, os compradores realizarão visitas técnicas às indústrias locais, conhecendo de perto os métodos de produção e práticas sustentáveis adotadas pelas empresas brasileiras.

    A diretora de Negócios da ApexBrasil, Ana Paula Repezza, enfatiza a importância das visitas técnicas. “Quando os compradores conhecem o processo produtivo e as práticas sustentáveis, a relação com o negócio se fortalece. Isso melhora a percepção dos produtos e favorece a compra internacional”, afirma Repezza.

    Os compradores vêm de países como África do Sul, Alemanha, Bélgica, França, México, Polônia e Uruguai. Eles estão em busca de fornecedores brasileiros de madeira beneficiada para seus mercados. Essa interação direta permite que compreendam a sustentabilidade da cadeia produtiva e o potencial do mercado local.

    Participante dessa rodada de negócios, como o empresário Siderlei Luiz, veem com otimismo a iniciativa. “Esperamos atender os compradores de forma sustentável, apresentando a nossos potenciais clientes nossos melhores produtos e práticas de produção”, comenta Siderlei, cuja empresa é pioneira no manejo florestal sustentável e certificada pelo FSC (Forest Stewardship Council).

    Promovendo o Brasil Internacionalmente

    A ApexBrasil tem trabalhado para posicionar o país como referência mundial em práticas de manejo florestal sustentável. O presidente da agência, Jorge Viana, destaca a importância de aproximar o empresariado amazônico dos mercados internacionais e promover produtos de alto valor agregado compatíveis com a floresta.

    Essas iniciativa refletem o compromisso do Brasil em compartilhar suas práticas sustentáveis com o mundo, reforçando a importância da sustentabilidade na produção de madeira processada e abrindo novas oportunidades no comércio exterior.

    Programa Exporta Mais Brasil

    O Exporta Mais Brasil foi lançado pela ApexBrasil com o objetivo de impulsionar as exportações nacionais através de uma abordagem dinâmica com diversos setores econômicos de todas as regiões do Brasil.

    Em 2023, com um investimento de R$5 milhões, o programa realizou diversas rodadas de negócios alcançando um total impressionante de R$275 milhões em negócios e facilitando milhares de reuniões entre nossos empresários e centenas de compradores internacionais.

    Entretanto para 2024, o programa expandirá sua cobertura. Essa iniciativa fortalece as relações comerciais internacionais e promove o crescimento econômico regional e nacional, proporcionando novas oportunidades para o comércio exterior brasileiro.

    Manejo florestal sustentável

    O manejo sustentável, permite a colheita de no máximo 8 árvores por hectare, assegurando que elas estejam maduras e tenham completado sua fase reprodutiva antes do corte. Além disso, essa técnica protege plantas jovens, “porta sementes” e espécies importantes como a castanheira e a seringueira.

    O manejo florestal sustentável é uma estratégia crucial para reduzir queimadas e combater o desmatamento ilegal. Ao garantir que móveis e outros objetos de madeira sejam produzidos legalmente e de forma sustentável, o manejo florestal contribui para a conservação ambiental e promove práticas responsáveis na cadeia produtiva da madeira.

    Perspectivas

    Assim sendo, a realização das rodadas de negócios é uma oportunidade valiosa para mostrar ao mundo que é possível combinar lucratividade com preservação ambiental. Com iniciativas como essa, o Brasil se destaca no cenário internacional, demonstrando o potencial e a importância do manejo florestal sustentável.

  • Alimentec – Missão comercial leva empresários a Bogotá

    Alimentec – Missão comercial leva empresários a Bogotá

    A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), organizaram uma missão comercial à capital colombiana com a participação de empresários rurais brasileiros inscritos no projeto Agro.BR a Alimentec 2024.

    A Alimentec 2024 acontece de 18 a 21 de junho. Reconhecida como a principal feira de alimentos da Colômbia, é também como uma das maiores da América Latina. Realizada em Bogotá, a Alimentec se destaca como a principal plataforma para a indústria de alimentos e bebidas, além de atender à indústria hoteleira da Colômbia e da Região Andina.

    Este evento é extremamente importante para contatos comerciais atraindo compradores de toda a América Latina e Caribe. Dessa forma, além de apresentar aos nossos empresários rurais as particularidades da região, as tendências do mercado e as regulamentações sanitárias e fitossanitárias exigidas.

    Durante os quatro dias de evento, os empresários apresentarão seus produtos no estande do Agro.BR e se encontrarão com potenciais compradores da região. Ao todo, estão previstas mais de 150 rodadas de negócios.

    A importância da participação

    Rodrigo da Matta, Coordenador de Promoção Comercial da CNA, afirmou que “por intermédio da CNA, os empresários passam a ter contato direto com a embaixada no Brasil no país. Dessa forma, eles podem solicitar demandas e resolver eventuais problemas, o que facilita o diálogo ”.

    Segundo Rodrigo, a presença na missão comercial é essencial para a representatividade de diversos setores de alimentos do Brasil. “Essas empresas são pioneiras, abrindo novos caminhos e oportunidades para outros empresários brasileiros. Portanto, eles desempenham um papel crucial na inserção do país em novos mercados”, destacou.

    Fernando Argondizo, representante da Argo Foods, empresa de produtos derivados da mandioca e integrante da comitiva da CNA, ressaltou o valor da participação na feira. “Embora já conheçamos o mercado colombiano, esta é a primeira vez que expomos nossos produtos em uma feira.  Como resultado, temos percebido um grande interesse pelos produtos brasileiros, e a Argo Foods tem se posicionado bem no mercado internacional’.

  • 25% dos agrotóxicos utilizados no Brasil podem ser falsos

    25% dos agrotóxicos utilizados no Brasil podem ser falsos

    Uma recente estimativa alarmante divulgada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Agrícolas (INPA) revela que aproximadamente 25% dos agrotóxicos utilizados no Brasil são falsos. Esta constatação levanta sérias preocupações sobre a segurança alimentar, a saúde pública e os impactos ambientais decorrentes do uso de produtos químicos de origem duvidosa na agricultura.

    O Problema dos Agrotóxicos Falsificados

    A falsificação de agrotóxicos é um problema grave e crescente no Brasil. Esses produtos ilegais geralmente não passam por controle de qualidade, não possuem certificações e podem conter substâncias proibidas, em concentrações inadequadas ou com datas de validade adulteradas. Isso compromete a eficácia no combate a pragas e aumentando os riscos para agricultores, consumidores e o meio ambiente.

    Segundo o relatório do INPA, a falsificação desses produtos incluem a adulteração de produtos legítimos e fabricação clandestina utilizando fórmulas não autorizadas. Vendem frequentemente produtos falsificados a preços mais baixos, atraindo produtores rurais que buscam reduzir custos de produção.

    Impactos na Saúde e no Meio Ambiente

    O uso de agrotóxicos falsificados pode ter sérias consequências. Para a saúde pública, há riscos de intoxicação  uma vez que resíduos de substâncias não regulamentadas podem permanecer nos alimentos consumidos. Entretanto, os agricultores que manuseiam esses produtos também estão sujeitos a intoxicações agudas e crônicas.

    No âmbito ambiental, os agrotóxicos falsificados podem causar danos irreversíveis ao solo, à água e à biodiversidade. A ausência de controle sobre os ingredientes ativos e suas dosagens pode levar à contaminação de lençóis freáticos e à morte de espécies não-alvo, incluindo polinizadores essenciais como abelhas.

    Além disso, outra preocupação importante é o prejuízo a economia.  É estimado que 20 bilhões de impostos não são recolhidos. A produção agrícola pode sofrer embargos internacionais por contaminação de produtos por resíduos e substancias desconhecidas ou proibidas.

    Medidas de Combate e Prevenção

    Diante desse cenário preocupante, o governo e as entidades do setor agrícola estão intensificando os esforços para combater a falsificação de agrotóxicos. Entre as medidas adotadas estão:

    • o fortalecimento da fiscalização,
    • a implementação de tecnologias de rastreamento de produtos
    • conscientização dos agricultores sobre os riscos associados ao uso de produtos ilegais.

    O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) está investindo em parcerias com órgãos de segurança pública para desmantelar redes de produção e distribuição de agrotóxicos falsificados. Além disso, campanhas educativas estão sendo realizadas para informar os produtores rurais sobre a importância de adquirir produtos de fornecedores certificados e de confiança.

    A estimativa de que 25% dos agrotóxicos utilizados no Brasil são falsificados é um alerta grave que exige ações coordenadas e eficazes para proteger a saúde pública, a segurança alimentar e o meio ambiente. A colaboração entre governo, setor privado e sociedade civil é essencial para erradicar essa prática ilegal e garantir a sustentabilidade da agricultura brasileira.

  • O poder da nutrição: desvendando os segredos da biofortificação

    O poder da nutrição: desvendando os segredos da biofortificação

    A biofortificação é uma estratégia inovadora e promissora no combate à desnutrição e deficiências nutricionais em populações vulneráveis. Diferente da fortificação tradicional, que adiciona nutrientes aos alimentos durante o processamento, a biofortificação enriquece os alimentos na fase de cultivo, através de técnicas de melhoramento genético e biotecnologia. Este processo visa aumentar o teor de vitaminas e minerais essenciais em culturas alimentares básicas, como arroz, feijão, milho, trigo, mandioca e batata-doce.

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de dois bilhões de pessoas no mundo sofrem de deficiências de micronutrientes, frequentemente chamadas de “fome oculta”. A falta de nutrientes como ferro, zinco e vitamina A pode levar a sérios problemas de saúde, incluindo anemia, cegueira e menor resistência a doenças. A biofortificação surge como uma solução sustentável para esse desafio global, especialmente em regiões onde o acesso a uma alimentação diversificada e suplementação é limitado.

    Principais métodos de biofortificação:

    • Melhoramento Genético: Seleção e cruzamento de variedades de plantas da mesma espécie que naturalmente possuem maior teor de nutrientes e boas qualidades agronômicas.
    • Biotecnologia: Uso de técnicas de engenharia genética para introduzir genes que aumentam a concentração de micronutrientes nos alimentos.
    • Agronomia: Aplicação de fertilizantes e outras práticas agrícolas que aumentam a absorção de nutrientes pelas plantas.

    Cada método possui suas vantagens e desafios, mas todos contribuem para a produção de alimentos mais nutritivos sem alterar significativamente suas características sensoriais ou custo de produção.

    Exemplos de Sucesso

    Diversos programas de biofortificação têm mostrado resultados positivos ao redor do mundo. A iniciativa HarvestPlus, um consórcio internacional de pesquisas, tem sido pioneira na promoção da biofortificação. Ela apoia a pesquisa e distribuição de culturas biofortificadas em países da África, Ásia e América Latina, alcançando milhões de pessoas com alimentos mais nutritivos.

    No Brasil, a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) coordena a Rede BioFORT que busca diminuir a desnutrição e a fome oculta garantindo maior segurança alimentar através do aumento do teor de nutrientes essenciais como ferro, zinco e vitamina A nos alimentos básicos de nossa alimentação como arroz, feijão, mandioca, batata doce, milho, abobora e trigo.

    tabela comparativa entre alimento convencional e biofortificado
    Reprodução Embrapa – Rede BioFORT

    Desafios e Perspectivas Futuras

    Apesar dos avanços, a biofortificação enfrenta desafios como a aceitação por parte dos agricultores e consumidores, a necessidade de políticas públicas favoráveis e a integração com outras estratégias de segurança alimentar. No entanto, o potencial de impacto positivo é enorme. Com o apoio adequado, a biofortificação pode contribuir significativamente para a erradicação da fome e a melhoria da saúde global.

    A continuação da pesquisa e desenvolvimento, juntamente com programas de educação nutricional e distribuição de sementes biofortificadas e cultivares, são cruciais para o sucesso desta abordagem. A colaboração entre governos, instituições de pesquisa, organizações internacionais e comunidades locais será essencial. Tanto para maximizar os benefícios da biofortificação como alcançar uma nutrição melhor para todos.

  • PANCs: Tendência Sustentável na Gastronomia

    PANCs: Tendência Sustentável na Gastronomia

    As Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs) estão se destacando na culinária contemporânea pela sua diversidade de sabores, texturas e benefícios nutricionais. Estes super alimentos incluem uma vasta gama de espécies vegetais frequentemente ignoradas pela agricultura tradicional e pelo comércio alimentício.

    Encontradas em ambientes naturais e quintais domésticos, as PANCs são raramente cultivadas em larga escala, tornando-se uma opção lucrativa e sustentável para pequenos produtores e a agricultura familiar, devido à sua facilidade de cultivo e adaptabilidade a diferentes ambientes.

    Benefícios das PANCs para a Sustentabilidade e a Biodiversidade

    Além do valor culinário e nutricional, as PANCs desempenham um papel essencial na promoção da biodiversidade e na preservação de ecossistemas e culturas locais. Plantas comuns em uma região podem ganhar o status de PANCs em outra, o que reflete a riqueza e diversidade cultural e biológica.

    Essas plantas enriquecem a dieta com novos sabores e nutrientes, além de oferecerem potencial para diversificação e inovação na gastronomia.

    Como exemplos Populares de PANCs, temos algumas plantas bem conhecidas, como:

    • Ora-pro-nóbis: Trepadeira rica em fibras, proteínas, ferro, cálcio e outras substancias, é uma das mais conhecidas e famosas. Muitas empresas farmacêuticas utilizam a erva na fabricação de cápsulas.
    • Taioba: Planta de folhas verdes com sabor suave. Pode ser refogada e usada como ingrediente em omeletes, massas e saladas. Tem uma variante, a Taioba brava, que é tóxica.
    • Jambu: Folhas que provocam uma sensação de formigamento na boca. Também conhecida como agrião da Amazônia, a erva serve para preparar tortas, patês, bolos e carnes. Além disso, ela enriquece pratos típicos paraenses como o Pato no Tucupi e o Tacacá.
    • Peixinho da horta: Possui sabor semelhante ao de peixe. Rica em fibras e óleos essenciais, com ação anti microbiana e calmante.

    Consumo Responsável das PANCs

    É crucial explorar as PANCs de maneira responsável. Nem todas as plantas na natureza são comestíveis; algumas podem ser tóxicas.

    Portanto, é essencial buscar orientação de especialistas ou fontes confiáveis antes de incorporar novas espécies na alimentação. Para mais informações, a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) disponibiliza materiais abrangentes sobre o tema, incluindo fotos, receitas e dicas de cultivo, no seu site oficial.

  • Bem estar animal – Novo desafio para avicultura mundial

    Bem estar animal – Novo desafio para avicultura mundial

    Nos últimos anos, a preocupação com o bem-estar animal tem ganhado cada vez mais destaque na sociedade e atender a demanda de um mercado consumidor cada vez mais exigente e atento aos meios de produção,  representa um desafio para a avicultura mundial.

    Uma das questões mais debatidas é o tratamento dado às galinhas poedeiras, que muitas vezes são mantidas em condições precárias em gaiolas industriais.

    O banimento das gaiolas para essas galinhas é uma medida que reflete a crescente conscientização sobre o sofrimento animal e a necessidade de práticas mais éticas na produção de alimentos.

    A União Europeia, em Junho de 2021, se comprometeu a eliminar progressivamente até 2027 a criação de animais em gaiolas.

    Já a Austrália firmou o compromisso em 2022 de abolir o uso de gaiolas na criação até 2036, enquanto que nos Estados Unidos 35% da produção de ovos já conta com o sistema de galinhas criadas livres.

    Movimento Free Cage

    Em Abril deste ano a associação de produtores Cage Free da Indonésia (ICFA) lançou a iniciativa de promover práticas sustentáveis na indústria avícola no país. No Brasil estima-se que 95% da produção de ovos ainda venha de galinhas criadas em gaiolas.

    Porém, diante da crescente demanda pela modernização da criação pensada no bem estar animal, e no compromisso firmado por grandes grupos alimentícios de ter em sua gama de fornecedores produtores alinhados com a ideia de uma cadeia produtiva sustentável (como podemos conferir aqui) grandes redes de supermercados e gigantes varejistas como Carrefour, Grupo Big e Grupo Pão de açúcar também firmaram o mesmo compromisso: ter em suas gôndolas apenas ovos de galinhas criadas livres.

    Dessa necessidade surgem iniciativas como o Mira Poedeiras que vem mapeando produtores em todo o território nacional incentivando a adoção desse método de criação de galinhas poedeiras livres, proporcionando um ambiente mais natural para as aves e resultando em ovos de melhor qualidade.

    Líder no segmento da avicultura em inovação e tecnologia na América Latina , com produção total de 2,3 bilhões de ovos por ano, o Grupo Mantiqueira anunciou em 2020 que não construirá novas granjas no sistema convencional de produção e chegará a marca de 2,5 milhões de galinhas livres de gaiolas ate o final de 2025.

    A iniciativa conta com o apoio das principais ONG´s de proteção animal do Brasil e do mundo como a Mercy For Animals, que integra a OWA (Open Wing Alliance), uma coalizão global que luta para banir a pratica de confinamento de galinhas em gaiolas na indústria de ovos e todo.

    Galinhas criadas livres.

    Allém disso, pensar nesse assunto e buscar meios de implementa-lo é um importante marco na evolução da indústria avícola rumo a práticas mais éticas e sustentáveis.

    Estas medidas de produção sustentáveis não apenas melhoram o bem-estar animal, mas também promovem uma produção de alimentos mais saudável e ambientalmente consciente.

    Benefícios para o consumidor e para o bem estar animal

    O fim das gaiolas para galinhas poedeiras é uma vitória significativa para o bem-estar animal. As aves terão mais espaço para se mover, esticar as asas e realizar comportamentos naturais, como ciscar e empoleirar.

    Além disso, condições de vida mais saudáveis podem reduzir o estresse e as doenças minimizando a necessidade do uso de antibióticos e melhorando a qualidade de vida das galinhas.

    Além dos benefícios para o bem-estar animal, o banimento das gaiolas também pode ter um impacto positivo no meio ambiente. Sistemas de criação mais sustentáveis podem reduzir o consumo de recursos naturais, minimizar a poluição e contribuir para uma produção de alimentos mais ecologicamente responsável.

    Ao priorizar o respeito pelos animais, estamos construindo um futuro mais humano e compassivo para todos os seres vivos. Embora seja um desafio para indústria, também é uma grande oportunidade que já vem sendo aproveitada por granjas que estão atentas aos rumos da produção e o consumo mundial.